terça-feira, 8 de novembro de 2016

A HISTÓRIA DE JOSÉ, O CARPINTEIRO


JOSE O CARPINTEIRO




A HISTÓRIA DE JOSÉ, O CARPINTEIRO


Quando nosso Salvador contou a vida de José, o Carpinteiro, a nós, os apóstolos, reunidos no monte das Oliveiras, nós escrevemos sua palavras e depois guardamo-las na biblioteca de Jerusalém. Além disso, deixamos consignado que o dia no qual o santo ancião separou-se do seu corpo: foi do dia 26 de Epep[1] , na paz do Senhor. Amém.



I

Jesus Fala a Seus Apóstolos

Estava um dia nosso bom Salvador no monte das Oliveiras, com os discípulos a sua volta e dirigiu-se a eles com estas palavras:

-        Meus queridos irmãos, filhos de meu amado Pai, escolhidos por Ele entre todos do mundo! Bem sabeis o que tantas vezes vos repeti: é necessário que eu seja crucificado e que experimente a morte, que ressuscite de entre os mortos e que vos transmita a mensagem do Evangelho para que vós, de vossa parte, o pregueis por todo o mundo. Eu farei descer sobre vós uma força do alto, a qual vos impregnará com o Espírito Santo, para que vós, finalmente, pregueis para todas as pessoas desta maneira: fazei penitência! Porque vale mais um copo de água na vida vindoura do que todas as riquezas deste mundo. Vale mais pôr somente o pé na casa de meu Pai que toda a riqueza deste mundo. Mais ainda: vale mais uma hora de regozijo para os justos que mil anos para os pecadores, durante os quais hão de chorar e lamentar, sem que ninguém preste atenção nem console seus gemidos. Quando, pois, meus queridos amigos, chegue a hora de ir-vos, pregai, que meu Pai exigirá contas com balança justa e equilibrada e examinará até as palavras inúteis que possais haver dito. Assim como ninguém pode escapar à mão da morte, da mesma maneira ninguém pode subtrair-se de seus próprios atos, sejam eles bons ou maus. Além disso, vos tenho dito muitas vezes, e repito agora, que nenhum forte poderá salvar-se por sua própria força e nenhum rico, pelo tamanho da sua riqueza. E agora, escutai, que narrar-vos-ei a vida de meu pai José, o abençoado ancião carpinteiro.


II


 Viuvez de José

-        Havia um homem chamado José, que veio de Belém, essa vila judia que é a cidade do rei Davi. Impunha-se pela sua sabedoria e pelo seu ofício de carpinteiro. Este homem, José, uniu-se em santo matrimônio com uma mulher que lhe deu filhos e filhas: quatro homens e duas mulheres, cujos nomes eram: Judas, Josetos, Tiago e Simão. Suas filhas chamavam-se Lísia e Lídia.

-        A esposa de José morreu, como está determinado que aconteça a todo o homem, deixando seu filho Tiago ainda menino de pouca idade. José era um homem justo e dava graças a Deus em todos os seus atos. Costumava viajar para fora da cidade com freqüência para exercer o ofício de carpinteiro, em companhia de dois de seus filhos mais velhos, já que vivia do trabalho de suas mãos, conforme o que estabelecia a lei de Moisés.

-        Esse homem justo, de quem estou falando, é José, meu pai segundo a carne, com quem se casou na qualidade de consorte, minha mãe, Maria.


III


 Maria no Templo

-        Enquanto meu pai José permanecia viúvo, minha mãe, a boa bendita entre as mulheres, vivia por sua parte no templo, servindo a Deus em toda a santidade. --Havia já completado doze anos. Passara os seus três primeiros anos na casa de seus pais e os nove restantes no templo do senhor. Ao ver que a santa donzela levava uma vida simples e plena de temor a Deus, os sacerdotes conversaram entre si e disseram:

-        Busquemos um homem de bem e celebremos o casamento com ele, até que chegue o momento de seu matrimônio. Que não seja por descuido nosso que lhe sobrevenha o período da sua purificação no templo, nem que venhamos a incorrer em um pecado grave.


IV


 Bodas de Maria e José

-        Convocaram, então, as tribos de Judá e escolheram entre elas doze homens, correspondendo ao número das doze tribos. A sorte recaiu sobre o bom velho José, meu pai, segundo a carne. Disseram os sacerdotes a minha mãe, a Virgem:

-      Vai com José e permanece submissa a ele, até que chegue a hora de celebrar teu matrimônio.


José levou Maria, minha mãe, para sua casa. Ela encontrou o pequeno Tiago na triste condição de órfão e o cobriu de carinhos e cuidados. Esta foi a razão pela qual a chamaram Maria, a mãe de Tiago. Depois de tê-la acomodado em sua casa, José partiu para o local onde exercia o ofício de carpinteiro. Minha mãe Maria viveu dois anos em sua casa, até que chegou o feliz momento.



V


 A Encarnação


-        No décimo quarto ano de idade, Eu, Jesus, vossa vida, vim habitar nela por meu próprio desejo. Aos três meses de gravidez o solícito José voltou de suas ocupações. Ao encontrar minha mãe grávida, preso à turbação e ao medo, pensou secretamente em abandoná-la.

-        Foi tão grande o desgosto, que não quis comer nem beber naquele dia.


VI


 Visão de José


-        Eis, porém, que durante a noite, mandado por meu Pai, Gabriel, o arcanjo da alegria, apareceu-lhe numa visão e lhe disse:

-        José, filho de Davi, não tenhas cuidado em admitir Maria, tua esposa, em tua companhia. Saberás que o que foi concebido em seu ventre é fruto do Espírito Santo. Dará, então, à luz um filho, a quem tu porás o nome de Jesus. Ele apascentará os povos com o cajado de ferro.

Dito isso, o anjo desapareceu. José, voltando do sono, cumpriu o que lhe havia sido ordenado, admitindo Maria consigo.



VII


Viagem a Belém



Então o imperador Augusto fez proclamar que todos deveriam comparecer ao recenseamento, cada um conforme seu lugar de origem. Também o bom velho se pôs a caminho e levou Maria, minha virgem mãe, até a sua cidade de Belém.

Como o parto já estava próximo, ele fez o escriba anotar seu nome da seguinte maneira:


-        José, filho de Davi, Maria, sua esposa, e seu filho Jesus, da tribo de Judá.

Maria, minha mãe, trouxe-me ao mundo quando retornava de Belém, perto do túmulo de Raquel, a mulher do patriarca Jacó, a mãe de José e Benjamim.



VIII


 Fuga para o Egito


Satanás deu um conselho a Herodes, o Grande, pai de Arqueleu, aquele que fez decapitar meu querido parente João. Ele me procurou para tirar-me a vida, porque pensava que meu reino era deste mundo. Meu Pai manifestou isso a José, numa visão, e este pôs-se imediatamente em fuga levado consigo a mim e a minha mãe, em cujos braços eu ia deitado.

Salomé [2] também nos acompanhava. Descemos até o Egito e ali permanecemos por um ano, até que o corpo de Herodes foi presa da corrupção, como castigo justo pelo sangue dos inocentes que ele havia derramado e dos quais já nem se lembrava.



IX


 Retorno à Galiléia


Quando o iníquo Herodes deixou de existir, voltamos a Israel e fomos viver em uma vila da Galiléia chamada Nazaré. Meu pai José, o bendito ancião, continuava exercendo o ofício de carpinteiro, graças a que podíamos viver. 
Jamais poder-se-á dizer que ele comeu seu pão de graça, mais sim que se conduzia de acordo com o prescrito na lei de Moisés.



X


 Velhice de José


Depois de tanto tempo, seu corpo não se mostrava doente, nem tinha a vista fraca, nem havia sequer um só dente estragado em sua boca. Nunca lhe faltou a sensatez e a prudência e sempre conservou intacto o seu sadio juízo, mesmo já sendo um venerável ancião de cento e onze anos.


XI


 Obediência de Jesus


Seus dois filhos Josetos e Simão casaram-se e foram viver em seus próprios lares. Da mesma forma, suas duas filhas casaram-se, como é natural entre os homens, e José ficou com o seu pequeno filho Tiago. Eu, da minha parte, desde que minha mãe trouxe-me a este mundo, estive sempre submisso a ele como um menino e fiz o que é natural entre os homens, exceto pecar.

Chamava Maria de minha mãe e José de meu pai. Obedecia-os em tudo o que me pediam, sem ter jamais me permitido replicar-lhes com uma palavra, mas sim mostrar-lhes sempre um grande carinho.



XII


 Frente à Morte


Chegou, porém, para meu pai José, a hora de abandonar este mundo, que é a sorte de todo homem mortal. 
Quando seu corpo adoeceu, veio um de Deus anjo anunciar-lhe:


-        Tua morte dar-se-á neste ano.

Sentindo sua alma cheia de turbação, ele fez uma viagem até Jerusalém, entrou no templo do Senhor, humilhou-se diante do altar e orou desta maneira:


XIII


Oração de José


-        Ó Deus, pai de toda misericórdia e Deus de toda carne, Senhor da minha alma, de meu corpo e do meu espírito! Se é que já se cumpriram todos os dias da vida que me deste neste mundo, rogo-te, Senhor Deus, que envies o arcanjo Micael para que fique do meu lado, até que minha desditada alma saia do corpo sem dor nem turbação. Porque a morte é para todos causa de dor e turbação, quer se trate de um homem, de um animal doméstico ou selvagem, ou ainda de um verme ou um pássaro. Em uma palavra, é muito dolorosa para todas as criaturas que vivem sob o céu e que alentam um sopro de espírito para suportar o transe de ver sua alma separada do corpo. Agora, meu Senhor, faz com que o teu anjo fique do lado da minha alma e do meu corpo e que esta recíproca separação se consuma sem dor. Não permitas que aquele anjo que me foi dado no dia em que saí de teu seio volte seu rosto irado para mim ao longo deste caminho que empreendi até vós, mas sim que ele se mostre amável e pacífico. Não permitas que aqueles cujas faces mudam dificultem a minha ida até vós. Não consintas que minha alma caia em mãos do cérbero e não me confundas em teu formidável tribunal. Não permitas que as ondas deste rio de fogo, nas quais serão envolvidas todas as almas antes de ver a glória de teu rosto, voltem-se furiosas contra mim. Ó Deus, que julgais a todos na Verdade e na Justiça, oxalá tua misericórdia sirva-me agora de consolo, já que sois a fonte de todos os bens e a ti se deve toda a glória pela eternidade das eternidades!

        Amém.


XIV


 Doença de José


Aconteceu que, ao voltar a sua residência habitual de Nazaré, viu-se atacado pela doença que havia de levá-lo ao túmulo. Esta apresentou-se de forma mais alarmante do que em qualquer outra ocasião de sua vida, desde o dia em que nasceu.

Eis aqui, resumida, a vida de meu querido pai José: ao chegar aos quarenta anos, contraiu matrimônio, no qual viveu outros quarenta e nove.


Depois que sua mulher morreu, passou somente um ano. Minha mãe logo passou dois anos em sua casa, depois que os sacerdotes confiaram-na com estas palavras:


-        Guarda-a até o tempo em que se celebre vosso matrimônio.

Ao começar o terceiro ano de sua permanência ali - tinha nessa época quinze anos de idade - trouxe-me ao mundo de um modo misterioso, que ninguém entre toda a criação pode conhecer, com exceção de mim, de meu Pai e do Espírito Santo, que formamos uma unidade.



XV


 O Início do Fim


A vida de meu pai José, o abençoado ancião, compreendeu cento e onze anos, conforme determinara meu bom Pai. O dia em que se separou do corpo foi no dia 26 do mês de Epep. O ouro acentuado de sua carne começou a desfazer-se e a prata da sua inteligência e razão sofreu alterações. Esqueceu-se de comer e de beber e a destreza no desempenho de seu ofício passou a declinar.

Aconteceu que, ao amanhecer do dia 26 de Epep, enquanto estava em seu leito, foi tomado de uma grande agitação. Gemeu forte, bateu palmas três vezes e, fora de si, pôs-se a gritar dizendo:



XVI


 Lamentos de José


-        Ai, miserável de mim! Ai do dia em que minha mãe trouxe-me ao mundo! Ai do seio materno do qual recebi o germe da vida! Ai dos peitos que me amamentaram! Ai do regaço em que me reclinei! Ai das mãos que me sustentaram até o dia em que cresci e comecei a pecar! Ai de minha língua e de meus lábios que proferiram injúrias, enganos, infâmias e calúnias! Ai dos meus olhos, que viram o escândalo! Ai dos meus ouvidos que escutaram conversações frívolas! Ai das minhas mãos que subtraíram coisas que não lhes pertenciam! Ai do meu estômago e do meu ventre que ambicionaram o que não era deles! Quando alguma coisa lhes era apresentada, devoravam-na com mais avidez do que poderia fazê-lo o próprio fogo! Ai dos meus pés que fizeram um mau serviço ao meu corpo, já que o levaram por maus caminhos! Ao do meu corpo todo que deixou a minha alma reduzida a um deserto, afastando-a de Deus que a criou! Que farei agora? Não encontro saída em parte alguma! Em verdade é que pobres dos homens que são pecadores! Esta é a angústia que se apoderou de meu pai Jacob em sua agonia, a qual veio hoje a ter comigo, infeliz. Mas, ó Senhor, meu Deus, que és o mediador de minha alma e de meu corpo e de meu espírito, cumpre em mim a tua divina vontade.



XVII


 Jesus Consola seu Pai


Quando terminou de dizer estas palavras, entrei no local onde ele se encontrava e, ao vê-lo agitado de corpo e de alma, disse-lhe:

-        Salve, José, meu querido pai, ancião bom e abençoado.

Ele respondeu, ainda tomado por um medo mortal:

- Salve mil vezes, querido filho. Ao ouvir tua voz, minha alma recupera sua tranqüilidade. Jesus, meu Senhor! Jesus, meu verdadeiro rei, meu salvador bom e misericordioso! Jesus, meu libertador! Jesus, meu guia! Jesus, meu protetor! Jesus, em cuja bondade encontra-se tudo! Jesus, cujo nome é suave e forte na boca de todos! Jesus, olho que vê e ouvido que ouve verdadeiramente: escuta-me hoje, teu servidor, quando elevo meus rogos e verto meus lamentos diante de ti. Em verdade tu és Deus. Tu és o Senhor, conforme tem-me repetido muitas vezes o anjo, sobretudo naquele dia em que suspeitas humanas se aninharam em meu coração, ao observar os sinais de gravidez da Virgem sem mácula e eu havia decidido abandoná-la. Mas, quando eu estava pensando nisto, um anjo apareceu-me em sonhos e me disse: José, filho de Davi, não tenhas receio em receber Maria como esposa, pois o que há de dar à luz é fruto do Espírito Santo. Não guardes suspeita alguma a respeito de sua gravidez. Ela trará ao mundo um filho e tu dar-lhe-ás o nome de Jesus. Tu és Jesus Cristo, o salvador da minha alma, de meu corpo e de meu espírito. Não me condenes, teu servo e obra de tuas mãos. Eu não sabia nem conhecia o mistério de teu maravilhoso nascimento e jamais havia ouvido que uma mulher pudesse conceber sem a obra de um homem e que uma virgem pudesse dar à luz sem romper o selo de sua virgindade.


 Ó, meu Senhor! Se não tivesse conhecido a lei desse mistério, não teria acreditado em ti, nem em teu santo nascimento, nem rendido honras a Maria, a Virgem, que te trouxe a este mundo. Recordo ainda aquele dia em que um menino morreu, por causa da mordida de uma serpente. Seus familiares vieram a ti, com intenção de entregar-te a Herodes. Mas tua misericórdia alcançou a pobre vítima e devolveste-lhe a vida para dissipar aquela calúnia que te faziam, como causador da sua morte. Pelo que houve uma grande alegria na casa do defunto. Então eu te peguei pela orelha e disse-te: não sejas imprudente, meu filho. E tu me ameaçaste desta maneira: se não fosses meu pai, segundo a carne, dar-te-ia a entender que é isso o que acabas de fazer. Sim, pois, ó meu Senhor e Deus, esta é a razão pela qual vieste em tom de juízo e pela qual permitiste que recaíssem sobre mim estes terríveis presságios. Suplico-te que não me coloques diante do teu tribunal para lutar comigo. Eis que eu sou teu servo e filho de tua escrava. Se houveres por bem romper meus grilhões, oferecer-te-ei um santo sacrifício, que não será outro senão a confissão da tua divina glória, de que tu és Jesus Cristo, filho verdadeiro de Deus e, por outro lado, filho verdadeiro do homem.


XVIII


 Aflição de Maria


Quando meu pai disse essas palavras, eu não pude conter as lágrimas e pus-me a chorar, vendo como a morte vinha apoderando-se dele pouco a pouco e ouvindo, sobretudo, as palavras cheias de amargura que saíam da sua boca. 
Naquele momento, meus queridos irmãos, veio-me ao pensamento a morte na cruz que haveria de sofrer pela vida de todo mundo. Então Maria, minha querida mãe, cujo nome é doce para todos os que me amam, levantou-se e disse-me, tendo seu coração inundado na amargura:


-        Ai de mim, filho querido! Está à morte o bom e abençoado ancião José, teu pai querido e adorado?

Eu lhe respondi:


-        Minha mãe querida, quem entre o humanos ver-se-á livre da necessidade de ter de encarar a morte? Esta é dona de toda a humanidade, mãe bendita! E mesmo tu hás de morrer como todos os outros homens. Nem tua morte nem a de meu pai José, porém, podem chamar-se propriamente morte, mas vida eterna ininterrupta. Também eu hei de passar por este transe por causa da carne mortal com a qual estou revestido. Agora, mãe querida, levanta-te e vai até onde está o abençoado ancião José para que possas ver o lugar que o aguarda lá no alto.


XIX


 As Dores de José


Levantou-se, entrou no local onde ele se encontrava e pôde apreciar os sinais evidentes da morte que já se refletiam nele. Eu, meus queridos, postei-me em sua cabeceira e minha mãe aos seus pés. Ele fixava seus olhos no meu rosto, sem poder sequer dirigir-me uma palavra, já que a morte apoderava-se dele pouco a pouco.

Elevou, então, seu olhar até o alto e deixou escapar um forte gemido. Eu segurei suas mãos e seus pés durante um longo tempo e ele me olhava, suplicando-me que não o abandonasse nas mãos dos seus inimigos.


Eu coloquei minha mão sobre seu peito e notei que sua alma já havia subido até a sua garganta para deixar seu corpo, mas ainda não havia chegado o momento supremo da morte. Caso contrário, não teria podido agüentar mais. 
Não obstante, as lágrimas, a comoção e o abatimento que sempre a precedem já faziam presentes.



XX


 A Agonia


Quando minha mãe querida viu-me apalpar o seu corpo, quis ela, de sua parte apalpar, os pés e notou que o alento havia fugido juntamente com o calor. Dirigiu-se a mim e disse-me ingenuamente:

-        Obrigada, filho querido, pois desde o momento em que puseste tua mão sobre seu corpo, a febre o abandonou. Vê, seus membros estão frios como o gelo.

 Eu chamei os seus filhos e filhas e lhes disse:

-        Falai agora com o vosso pai, que este é o momento de fazê-lo, antes que sua boca deixe de falar e seu corpo fique hirto.

Seus filhos e filhas falaram com ele, mas sua vida estava minada por aquela doença mortal que provocaria sua saída deste mundo. Então, Lísia, filha de José, levantou-se para dizer aos seus irmãos:


-        Juro, queridos irmãos, que esta é a mesma doença que derrubou a nossa mãe e que não voltou a aparecer por aqui até agora. O mesmo acontece com o nosso pai José, para que não voltemos a vê-lo senão na eternidade.

Então os filhos de José irromperam em lamentos. Maria, minha mãe, e eu, de nossa parte, unimo-nos ao seu pranto pois, efetivamente, já havia chegado a hora da morte.



XXI


 A Morte Chega


Pus-me a olhar para o sul e vi a morte dirigir-se a nossa casa. Vinha seguida de Amenti, que é seu satélite, e do Diabo, a quem acompanhava uma multidão de esbirros vestidos de fogo, cujas bocas vomitavam fumaça e enxofre. 
Ao levantar os olhos, meu pai deparou-se com aquele cortejo que o olhava com rosto colérico e raivoso, do mesmo modo que costuma olhar todas as almas que saem do corpo, particularmente aquelas que são pecadoras e que considera como propriedade sua.


Diante da visão desse espetáculo, os olhos do bom velho anuviaram-se de lágrimas. Foi neste momento em que meu pai exalou sua alma com um grande suspiro, enquanto procurava encontrar um lugar onde se esconder e salvar-se. Quando observei o suspiro de meu pai, provocado pela visão daquelas forças até então desconhecidas para ele, levantei-me rapidamente e expulsei o Diabo e todo seu cortejo. Eles fugiram envergonhados e confusos. Ninguém entre os presentes, nem mesmo minha própria mãe Maria, apercebeu-se da presença daqueles terríveis esquadrões que saem à caça de almas humanas. Quando a morte percebeu que eu havia expulsado e mandado embora as potestades infernais, para que não pudessem espalhar armadilhas, encheu-se de pavor. Levantei-me apressadamente e dirigi esta oração a meu Pai, o Deus de toda misericórdia:



XXII


 Oração de Jesus


-        Meu Pai misericordioso, Pai da verdade, olho que vê e ouvido que ouve, escuta-me, que eu sou teu filho querido! Peço-te por meu pai José, a obra de vossas mãos. Envia-me um grande corpo de anjos, juntamente com Micael, o administrador dos bens, e com Gabriel, o bom mensageiro da luz, para que acompanhem a alma de meu pai José até que se tenha livrado do sétimo éon tenebroso, de forma que não se veja forçado a empreender esses caminhos infernais, terríveis para o viajante por estarem infestados de gênios malignos e saqueadores e por ter de atravessar esse lugar espantoso por onde corre um rio de fogo igual às ondas do mar. Sede, além disso, piedoso para com a alma de meu pai José, quando ela vier repousar em vossas mãos, pois é este o momento em que mais necessita da tua misericórdia.

-        Eu vos digo, veneráveis irmãos e abençoados apóstolos, que todo homem que, chegando a discernir entre o bem e o mal, tenha consumido seu tempo seguindo a fascinação dos seus olhos, quando chegue a hora de sua morte e tenha de libertar o passo para comparecer diante do tribunal terrível e fazer sua própria defesa, ver-se-á necessitado da piedade de meu bom Pai.

-        Continuemos, porém, relatando o desenlace de meu pai, o abençoado ancião.


XXIII


 José Expira

-        Quando eu disse amém, Maria, minha mãe, respondeu na língua falada pelos habitantes do céu. No mesmo instante Micael, Gabriel e anjos, em coro, vindos do céu, voaram sobre o corpo de meu pai José.

-        Em seguida, intensificaram-se os lamentos próprios da morte e soube, então, que havia chegado o momento desolador. Sofria meu pai dores parecidas com as de uma mulher no parto, enquanto que a febre o castigava da mesma maneira que um forte furacão ou um imenso fogo devasta um espesso bosque.

-        A morte, cheia de medo, não ousava lançar-se sobre o corpo de meu pai para separá-lo da alma, pois seu olhar havia dado comigo, que estava sentado a sua cabeceira, com as mãos sobre suas têmporas.

-        Quando me apercebi de que a morte tinha medo de entrar por minha causa, levantei-me, dirigi meus passos até o lado de fora da porta e encontrei-a só e amedrontada, em atitude de espera.

Eu lhe disse:


-        Ó tu, que vens do Meio-dia, entra rapidamente e cumpre o que ordenou-te meu Pai. Porém, guarda José como a menina dos teus olhos, posto que é meu pai segundo a carne e compartilhou a dor comigo, durante os anos da minha infância, quanto teve de fugir de um lado para outro por causa das maquinações de Herodes e ensinou-me como costumam fazer os pais para o proveito dos seus filhos.

-        Então Abbadão entrou, tomou a alma de meu pai José e separou-a do corpo no mesmo instante em que o sol fazia sua aparição no horizonte, no dia 26 do mês de Epep, em paz.

-        A vida de meu pai compreendeu cento e onze anos. Micael e Gabriel pegaram cada qual em um extremo de um pano de seda e nele depositaram a alma de meu querido pai José depois de tê-la beijado reverentemente.

-        Enquanto isso, nenhum dos que rodeavam José havia percebido a sua morte, nem sequer minha mãe Maria. Eu confiei a alma do meu querido pai José a Micael e Gabriel, para que a guardassem contra os raptores que saqueiam pelo caminho e encarreguei os espíritos incorpóreos de continuarem cantando canções até que, finalmente, depositaram-no junto a meu Pai no céu.



XXIV


 Luto na Casa de José


-        Inclinei-me sobre o corpo inerte de meu pai. Cerrei seus olhos, fechei sua boca e levantei-me para contemplá-lo. Depois disse à Virgem: - Ó Maria, minha mãe, onde estão os objetos de artesanato feitos por ele desde sua infância até hoje? Neste momento todos eles passaram, como se ele não tivesse sequer vindo a este mundo.

Quando seus filhos e filhas ouviram-me dizer isto a Maria, minha mãe virginal, perguntaram-me com vozes fortes e lamentos:


-        Será que nosso pai morreu sem que nós nos apercebêssemos?

Eu lhes disse:


-        Efetivamente, morreu, mas sua morte não é morte, porém vida eterna. Grandes coisas esperam nosso querido pai José. Desde o momento em que sua alma sai do seu corpo, desapareceu para ele toda espécie de dor. Ele se pôs a caminho do reino eterno. Deixou atrás de si o peso da carne, com todo este mundo de dor e de preocupações, e foi para o lugar de repouso que tem meu Pai nesses céus que nunca serão destruídos.

Ao dizer a meus irmãos que o nosso pai José, o abençoado ancião, havia finalmente morrido, eles se levantaram, rasgaram suas vestes e o choraram durante um longo tempo.



XXV


 Luto em Nazaré

-        Quando os habitantes de Nazaré e de toda a Galiléia inteiraram-se da triste nova, acudiram em massa ao lugar onde nos encontrávamos. De acordo com a lei dos judeus, passaram todo o dia dando sinais de luto até que chegou a nona hora.

-        Despedi, então todos, derramei água sobre o corpo de meu pai José, ungi-o com bálsamo e dirigi ao meu Pai amado, que está nos céus, uma oração celestial que havia escrito com meus próprios dedos, antes de encarnar-me nas entranhas da Virgem Maria.

-        Ao dizer amém, veio uma multidão de anjos. Mandei que dois deles estendessem um manto para depositar nele o corpo de meu pai José para que o amortalhassem.


XXVI


Benção de Jesus


-        Pus minhas mãos sobre o seu corpo e disse: - Não serás vítima da fetidez da morte. Que teus ouvidos não sofram corrupção. Que não emane podridão de teu corpo. Que não se perca na terra a tua mortalha nem a tua carne, mas que fiquem intactas, aderidas ao teu corpo até o dia do convite dos dois mil anos. Que não envelheçam, querido pai, esses cabelos que tantas vezes acariciei com minhas mãos. E que a boa sorte esteja contigo. Aquele que se preocupar em levar uma oferenda ao teu santuário no dia de tua comemoração, eu o abençoarei com afluxos de dons celestiais. Assim mesmo, a todo aquele que der pão a um pobre em teu nome, não permitirei que se veja agoniado pela necessidade de quaisquer bens deste mundo, durante todos os dias de sua vida. Conceder-te-ei que possas convidar ao banquete dos mil anos a todos aqueles que no dia de tua comemoração ponham um copo de vinho na mão de um forasteiro, de uma viúva ou de um órfão. Hei de dar-te de presente, enquanto vivam neste mundo, a todos os que se dediquem a escrever o livro da tua saída deste mundo e a consignar todas as palavras que hoje saíram de minha boca. Quando abandonarem este mundo, farei com que desapareça o livro no qual estão escritos seus pecados e que não sofram nenhum tormento, além da inevitável morte e do rio de fogo que está diante do meu Pai, para purificar toda a espécie de almas. Se acontecer que um pobre, não podendo fazer nada do que foi dito, ponha o nome de José em um de seus filhos em tua honra, farei com que naquela casa não entre a fome nem a peste, pois o teu nome habita ali de verdade.


XXVII


 A Caminho do Túmulo

-        Os anciãos da cidade apresentaram-se na casa enlutada, acompanhados daqueles que procediam ao sepultamento à maneira judia. Encontraram o cadáver já preparado para o enterro. A mortalha se havia aderido fortemente ao seu corpo, como se houvessem atado com grampos de ferro e não puderam encontrar sua abertura, quando removeram o cadáver.

-        Em seguida, passou-se a conduzir o morto até seu túmulo. Quando chegaram até ele e estavam já preparados para abrir sua entrada e colocá-lo junto aos restos de seu pai, veio-me à mente a lembrança do dia em que me levou até o Egito e das grandes preocupações que assumiu por mim.

-        Não pude deixar de atirar-me sobre o seu corpo e chorar por um longo tempo, dizendo:


XXVIII


Exclamações de Jesus

-        Ó morte, de quantas lágrimas e lamentos és causa! Esse poder, porém, vem d'Aquele que tem sob o seu domínio todo o universo. Por isso tal reprovação não vai tanto contra a morte senão contra Adão e Eva. A morte não atua nunca sem uma prévia ordem de meu Pai. Existem aqueles que viveram mais de novecentos anos e outros ainda muito mais tempo. Entretanto, nenhum deles disse: eu vi a morte ou a morte vinha de tempos em tempos atormentar-me. Senão que ela traz uma só vez a dor e, ainda assim, é meu bom Pai quem a envia. Quando vem em busca do homem, ela sabe que tal resolução provém do céu. Se a sentença vem carregada de raiva, a morte também se manifesta colérica para cumprir sua incumbência, pegando a alma do homem e entregando-a ao seu Senhor. A morte não tem atribuições para atirar o homem ao inferno nem para introduzí-lo no reino celestial. A morte cumpre de fato a missão de Deus, ao contrário de Adão, que ao não submeter-se à vontade divina, cometeu uma transgressão. Ele irritou meu Pai contra si, por haver preferido dar ouvidos a sua mulher, antes de obedecer à sua missão. Assim, todo ser vivo ficou implacavelmente condenado à morte. Se Adão não houvesse sido desobediente, meu Pai não o teria castigado com esta terrível sina. O que impede agora que eu faça uma oração ao meu bom Pai para que envie um grande carro luminoso para elevar José, a fim de que não prove das amarguras da morte e que o transporte ao lugar de repouso, na mesma carne que trouxe ao mundo, para que ali viva com seus anjos incorpóreos? A transgressão de Adão foi a causa de sobreviverem esses grandes males sobre a humanidade, juntamente com o irremediável da morte. Embora eu mesmo carregue também esta carne concebida na dor, devo provar com ela da morte para que possa apiedar-me das criaturas que formei.


XXIX


 O Enterro

-        Enquanto dizia essas coisas, abraçado ao corpo de meu pai José e chorando sobre ele, abriram a entrada do sepulcro e depositaram o cadáver junto ao de seu pai Jacob. Sua vida foi de cento e onze anos, sem que ao fim de tanto tempo um só dente tivesse estragado em sua boca ou sem que seus olhos se tornassem fracos, senão que todo o seu aspecto assemelhava-se ao de um afetuoso menino.

-        Nunca esteve doente, senão que trabalhou continuamente em seu ofício de carpinteiro, até o dia que sobreveio a doença que haveria de levá-lo ao sepulcro.


XXX


Contestação dos Apóstolos


Quando nós, os apóstolos, ouvimos tais coisas dos lábios de nosso Salvador, pusemo-nos em pé, cheios de prazer e passamos a adorar suas mãos e seus pés, dizendo com o êxtase da alegria:

-  Damos-te graças, nosso Senhor e Salvador, por te haveres dignado a presentear-nos com essas palavras saídas de teus lábios. Mas não deixamos de admirar, ó bom Salvador, pois não entendemos como, havendo concedido a imortalidade a Elias e a Enoch, já que estão desfrutando dos bens na mesma carne com que nasceram, sem que tenham sido vítimas da corrupção, e agora, tratando-se do bendito ancião José, o Carpinteiro, a quem concedeste a grande honra de chamá-lo teu pai e de obedecê-lo em todas as coisas, a nós mesmos nos encarregaste: quando fordes revestidos da mesma força, recebereis a voz de meu Pai, isto é, o Espírito Paráclito, e sereis enviados para pregar o evangelho e pregai também ao querido pai José. E ainda: consignai estas palavras de vida no testamento de sua partida deste mundo e lê as palavras deste testamento nos dias solenes e festivos e quem não tiver aprendido a ler corretamente, não deve ler este testamento nos dias festivos. Finalmente, quem suprimir o adicionar algo a estas palavras, de maneira a fazer-me embusteiro, será réu de minha vingança. Admira-nos, repetimos, aquele que, havendo chamado teu pai segundo a carne, desde o dia em que nasceste em Belém, não lhe tenhas concedido a imortalidade para viver eternamente.



XXXI


 Resposta de Jesus

Nosso Salvador respondeu, dizendo-nos:

-        A sentença pronunciada por meu Pai contra Adão não deixará de ser cumprida, já que este não foi obediente aos mandamentos. Quando meu Pai destina a alguém ser justo, este vem a ser imediatamente o seu eleito. Se um homem ofende a Deus por amar as obras do demônio, acaso ignora que um dia virá a cair em suas mãos se seguir impenitente, mesmo se lhe concederem longos dias de vida? Se, ao contrário, alguém vive muito tempo, fazendo sempre boas obras, serão exatamente elas que o farão velho. Quando Deus vê que alguém segue o caminho da perdição, costuma conceder-lhe um curto prazo de vida e o faz desaparecer na metade dos seus dias. Quanto aos demais, hão de ter o exato cumprimento das profecias ditadas por meu Pai acerca da humanidade e todas as coisas hão de suceder de acordo com elas. Haveis citado o caso de Enoch e Elias. Eles, dizeis, continuam vivendo e conservam a carne que trouxeram a este mundo. Por que, então, em se tratando de meu pai, não lhe permiti conservar seu corpo? Então eu digo que, mesmo que houvesse chegado a ter mais de dez mil anos, sempre incorreria na mesma necessidade de morrer. Mais ainda, eu asseguro que sempre que Enoch e Elias pensam na morte, desejariam já havê-la sofrido a verem-se assim, livres da necessidade que lhes é imposta, já que deverão morrer num dia de turbação, de medo, de gritos, de perdição e de aflição. Pois haveis de saber que o Anticristo há de matar esses homens e de derramar seu sangue na terra como água de um copo por causa das incriminações que lhe imputarão, quando os acusarem.


XXXII


 Epílogo


 Nós respondemos, dizendo:

-        Nosso Senhor e Deus, quem são esses dois homens, dos quais disseste que o filho da perdição matará por um copo de água?

Jesus, nosso Salvador e nossa vida, respondeu:


-        Enoch e Elias. Ao ouvir essas palavras da boca de nosso Salvador, se nos encheu o coração de prazer e de alegria. Por isso lhe rendemos homenagens e graças como nosso Senhor, nosso Deus e nosso Salvador, Jesus Cristo, por meio de quem vão para o Pai toda a glória e toda a honra juntamente com Ele e com o Espírito Santo vivificador, agora, por todo o tempo e pela eternidade das eternidades.



A DOUTRINA DOS APÓSTOLOS

A DOUTRINA DOS APÓSTOLOS





CAPÍTULO I
1 Existem dois caminhos no mundo: o da vida e o da morte; o da luz e o das trevas. Neles foram estabelecidos dois anjos: o da justiça e o da iniqüidade. Porém, grande é a diferença entre esses dois caminhos. 2 Este é o caminho da vida: em primeiro lugar, deves amar ao Deus eterno que te criou; em segundo lugar, [deves amar] o teu próximo como a ti mesmo; assim, tudo o que não quiserdes que seja feito contigo, não o farás a outro. 3 A explicação destas palavras é a que segue.

CAPÍTULO II
1... 2 Não cometerás adultério; não matarás; não prestarás falso testemunho; não violarás a criança; não fornicarás; não praticarás a magia; não fabricarás poções; não matarás a criança mediante aborto, nem matarás o recém-nascido; não cobiçarás nada do teu próximo. 3 Não proferirás perjúrios; não falarás mal, nem recordarás das más-ações. 4 Não darás mal conselho, nem teu linguajar terá duplo sentido, pois a língua é uma armadilha para a morte. 5Tua palavra não será vã, nem enganosa. 6 Não serás ambicioso, nem avarento, nem voraz, nem adulador, nem parcial, nem de maus costumes; não admitirás que se crie uma armadilha para o teu próximo. 7 Não odiarás a qualquer homem, mas o amareis mais que a tua própria vida.

CAPÍTULO III
1 Filho: afasta-te do homem mal e do homem falso. 2 Não sejas irado porque a ira conduz ao homicídio, nem desejes a maldade e a paixão pois disto tudo nasce a ira. 3... 4Não sejas astrólogo, nem purificador, pois estas coisas conduzem à vã superstição; nem sequer desejes ver ou ouvir estas coisas. 5Não sejas mentiroso porque a mentira conduz ao roubo; nem amante do dinheiro, nem da vadiagem, pois de tudo isto nascem os roubos. 6 Não sejas murmurador porque isto conduz à difamação; não sejas temerário, nem penses mal, pois de tudo isto nascem as difamações. 7 Ao contrário, sê manso, porque os mansos possuirão a terra santa. 8 Sê também paciente em teu trabalho; sê bom e temeroso de todas as palavras que escutas. 9 Não te enaltecerás nem te gloriarás perante os homens, nem infundirás a soberba na tua alma; não te unirás em espírito com os orgulhosos, mas te juntarás aos justos e humildes. 10 Receberás como bem as coisas adversas que te ocorrerem, sabendo que nada ocorre sem Deus.

CAPÍTULO IV
1 Daquele que te ensina a palavra do Senhor Deus, te recordarás dia e noite. O respeitarás como ao Senhor, pois onde se apresentam as coisas relativas ao Senhor, ali está o Senhor. 2 Assim pois, busca o rosto dos santos, para que te entretenhas nas suas palavras. 3 Não causes divisões, mas põe paz entre os que se desentendem; julga retamente sabendo que também tu serás julgado; não derrubarás ninguém em desgraça. 4 Não terás dúvidas se será ou não verdadeiro. 5 Não sejas como aqueles que estendem a mão para receber e encolhem para dar. 6 Sim, graças às tuas mãos, tens a redenção dos pecados; não terás dúvidas ao dar, sabendo quem será o remunerador dessa recompensa. 7 Não te desviarás do necessitado, mas compartilharás todas as coisas com teus irmãos e não dirás que sãos tuas. Se somos co-participes no imortal, quanto mais devemos iniciá-lo já, a partir daqui? Eis que o Senhor quer dar a todos os Seus dons. 9 Não afastarás as tuas mãos dos teus filhos, mas desde a juventude lhes ensinarás o temor a Deus. 10 A teu servo ou a tua serva, que esperam no mesmo Senhor, não os obrigarás, com ira, que venham a temer ao Senhor e a ti, pois Ele não veio para discriminar pessoas, mas para aqueles em quem encontrou um espírito humilde. 11 Vós, servos, permanecei submissos aos vossos senhores como a Deus, com pudor e temor. 12 Odiarás toda hipocrisia e não farás o que não agrada a Deus. 13 Assim, pois, guarda, filho, o que tens ouvido e não lhe acrescentes coisas contrárias, nem as reduza. 14 Não te cerques da oração cm maus propósitos. Este é o caminho da vida.

V. 1 Por outro lado, o caminho da morte é contrário àquele. Para começar, é mau e cheio de maldições: adultérios, homicídios, falsos testemunhos, fornicações, maus desejos, atos mágicos, poções malditas, roubos, vãs superstições, furtos, hipocrisias, repugnâncias, malícia, petulância, cobiça, linguajar imoral, inveja, ousadia, soberba, orgulho, vaidade. 2 Os que não temem a Deus, os que perseguem os justos, os que odeiam a verdade, os que amam a mentira, os que não conhecem a recompensa da verdade, os que não se aplicam ao bem, os que não têm um reto juízo, os que não cuidam pelo bem mas pelo mal 3- dos quais se esgota a paciência e cerca a soberba - os que perseguem aos remuneradores, os que não se compadecem do pobre, os que não se afligem com o aflito, os que não conhecem a seu Criador, os que assassinam os seus filhos, os que cometem o aborto, os que se afastam das boas obras, os que oprimem o trabalhador, os que se esquivam do conselho dos justos: Filho, afasta-te de todos estes!

CAPÍTULO VI
1 E vigia para que ninguém te afaste desta doutrina; do contrário, serás considerado sem disciplina. 2... 3... 4 Se a cada, com cuidado, fizeres estas coisas, estarás próximo do Deus vivo; se não o fizeres, estarás longe da verdade. 5 Põe todas estas coisas em teu espírito e não perderás a tua esperança; ao invés, por estes santos combates, chegarás à coroa. 6 Por Jesus Cristo, o Senhor que reina e é Senhor com Deus Pai e o Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.


A Assunção de Moisés Também conhecido como o Testamento de Moisés

O TESTAMENTO de Moisés acerca das coisas que ele coordenou nos seus cento e vinte anos de vida por volta do ano dois mil e quinhentos desde a criação do mundo: Que de acordo o cálculo oriental dois mil e setecentos e quatro depois da partida da Fenícia, quando o povo tinha feito o Êxodo que foi feito por Moisés para Amã que fica além do Jordão, na profecia que foi feita por Moisés no livro do Deuteronômio: e ele chamou a para junto de si a Josué, o filho de Nun, um homem aprovado por Deus, para que pudesse ser o ministro do povo e do tabernáculo do testemunho com todas as suas coisas santas, e que ele poderia levar o povo à terra dada aos seus pais, para que lhe fosse dada de acordo com o pacto e o juramento que Ele fez no tabernáculo de confiá-lo a Josué: dizendo a Josué estas palavras: (Sê forte) e de boa coragem para que se cumpra através de ti tudo aquilo que lhe foi ordenado para que possas ser imaculado diante de Deus. Assim diz o Senhor do mundo. Porque Ele criou o mundo em favor de seu povo. Mas Ele não se agradou em manifestar este propósito da criação desde a fundação do mundo, para que os Gentios pudessem ser convencidos, sim, para que por sua própria humilhação pudessem por argumentos convencer uns aos outros. Adequadamente Ele projetou e planejou, e me preparou antes da fundação do mundo, para que eu fosse o mediador do seu pacto. E agora eu vos declaro que o tempo dos anos de minha vida se cumpriram e estou falecendo para dormir com meus pais na presença de todo o povo. E receba esta escritura pois tu saberás como preservar os livros que eu te entregarei: e tu fixarás estes em ordem e os ungirá com óleo de cedro e os guardará em recipientes de barro no lugar que Ele fez desde o princípio da criação do mundo para que o seu nome fosse invocado até o dia do arrependimento na visitação na qual Deus os visitará na consumação do fim dos dias.
2 E agora eles entrarão por meio de ti na terra que Ele determinou e prometeu dar aos seus pais, na qual tu abençoarás e darás individualmente a eles e os confirmará a sua herança em mim e estabelecerá para eles o reino, e tu os designará magistrados locais de acordo com a boa vontade do seu Senhor em julgamento e retidão. E cinco anos depois que eles entrarem na terra, depois que forem regidos pelos chefes e reis durante dezoito anos, e durante dezenove anos fugirão as dez tribos. E as doze tribos descerão e transferirão o tabernáculo do testemunho. Então o Deus do céu fará o tribunal do seu tabernáculo e a torre do seu santuário, e as duas tribos santas serão (lá) estabelecidos: mas as dez tribos estabelecerão reinos para eles de acordo com as suas próprias ordenanças. E eles oferecerão sacrifícios ao longo de vinte anos: e sete fortificarão as paredes, e eu protegerei nove, mas quatro transgredirão o pacto do Senhor, e profanarão o juramento que o Senhor fez com eles. E eles sacrificarão seus filhos a deuses estranhos, e eles montarão ídolos no santuário, para os adorar. E na casa do Senhor eles cometerão impiedade e gravarão toda forma de bestas, até mesmo muitas abominações.
3 E por esses dias um rei do leste virá contra eles e a sua cavalaria cobrirá a terra. E ele queimará a sua colônia com fogo junto com o templo santo de Deus, e ele levará todos os recipientes santos. E expulsará todo o povo, e os levará para a sua terra natal, sim ele levará as duas tribos com ele. Então as duas tribos chamarão as dez tribos, e marcharão como uma leoa nas planícies arenosas, quando faminta e sedenta. E eles chorarão em voz alta: Justo e santo é o Senhor, porque, já que pecastes, nós também, de certa forma, fomos levados convosco, junto com nossos filhos. Então as dez tribos lamentarão ao ouvir as repreensões das duas tribos, e elas dirão: O que vos fizemos, irmãos? Esta tribulação não veio sobre toda a casa de Israel? 'E todas as tribos lamentarão, clamando aos céus e dizendo: Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacó, lembre-se do teu pacto o qual fizeste com eles, e do juramento que fizestes por Ti mesmo com eles, de que sua semente jamais fracassaria na terra que Tu a deste. Então eles se lembrarão de mim, naquele dia, tribo a tribo e cada homem ao seu vizinho, dizendo: `Não é isto aquilo que Moisés nos declarou em profecias, que sofreram muitas coisas no Egito e no Mar Vermelho e no deserto durante quarenta anos: e seguramente chamou céu e terra para testemunhar contra nós, para que nós não transgredíssemos suas ordens, no que ele foi um mediador para nós? Vejam que estas coisas nos aconteceram depois da sua morte de acordo com a sua declaração, como ele nos declarou naquele tempo, sim, vejam que estas coisas aconteceram até que fossemos levados cativos para fora para o país do leste. E também estaremos em escravidão durante aproximadamente setenta e sete anos.
4 Então entrarão em um que está acima deles, e ele espalhará as suas mãos, e se ajoelhará e orará dizendo acerca de seu comportamento: `Senhor de tudo, Rei no alto trono que rege o mundo e fez com que este povo fosse Seu povo eleito, então (realmente) Tu fizeste com que fosses chamado o seu Deus, de acordo com o pacto que fizeste com seus pais. E mesmo assim eles entraram em cativeiro em outra terra com suas esposas e seus filhos, e ao redor dos portões de povos estranhos e onde há grande vaidade. Considere e tenha compaixão deles, O Senhor do céu.' Então Deus se lembrará deles por causa do pacto que fez com seus pais. E Ele também manifestará sua compaixão naquele tempo. E Ele porá isto na mente de um rei para que tenha compaixão deles, e ele os enviará de volta para a sua terra e país. Então algumas porções das tribos subirão e eles virão para o lugar a eles designado, e eles cercarão novamente o lugar com muros. E as duas tribos continuarão em sua fé prescrita, tristes e lamentando porque eles não poderão oferecer sacrifícios ao Senhor dos seus pais. E as dez tribos aumentarão e multiplicarão entre os Gentios durante o tempo do seu cativeiro.
5 E quando o tempo do castigo estiver perto e a vingança surgir por meio dos reis que compartilham em sua culpa e os castigam, eles mesmos também estarão divididos quanto à verdade. Portanto, isto tem sido dito: Eles deixarão de lado a retidão e se aproximarão da iniqüidade, e eles se sujarão com as poluições da casa de sua adoração, e [porque] eles se prostituirão com deuses estranhos. Porque eles não seguirão a verdade de Deus, mas alguns poluirão o altar com os (mesmos) presentes que eles oferecem ao Senhor, os quais não são sacerdotes mas escravos, filhos de escravos. E muitos naquele tempo terão respeito para com pessoas desejáveis e receberão presentes, e o julgamento pervertido [com presentes recebidos]. E nesta ocasião a colônia estará cheia os limites da sua habitação estarão repletos de iniqüidades e atos ilegítimos: aqueles que impiamente deixarem o Senhor serão os juízes: eles estarão prontos para julgar mediante corrupção como cada um pode desejar.
6 Então serão levantados aos reis que suportam a regra, e eles se chamarão sacerdotes do Deus Altíssimo: e cometerão iniqüidade no santo dos santos. E um rei insolente os sucederá, um que não será da raça dos sacerdotes, um tipo de homem ousado e desavergonhado, e ele os julgará como merecem. E ele cortará seus homens principais com a espada, e os destruirá em lugares secretos, de forma que ninguém pode saber onde seus corpos estão. Ele matará o velho e o jovem, e ele não se poupará. Então o temor de sua presença lhes será amargo em sua própria terra. E ele executará julgamentos sobre eles como os egípcios já havia executado, durante trinta e quatro anos, e ele os castigará. E produzirá filhos, (que) o sucedendo regerão por períodos mais curtos. A suas coortes um rei poderoso do oeste virá, e os conquistará: e ele os levará cativos, e queimará uma parte do seu templo com fogo, (e) crucificará alguns ao redor da sua colônia.
7 E quando isto for feito chegará o fim dos tempos, em um momento o (segundo) curso será (findado), às quatro horas virão. Eles serão forçados... E, no tempo destes, homens destrutivos e incrédulos regerão dizendo que são justos. E estes incitarão o veneno de suas mentes, pois serão homens traiçoeiros, egoístas, dissimula-dores em todos os seus negócios e amantes de banquetes a toda hora do dia. Comilões... Devoradores dos bens do (pobre) dizendo que eles fazem assim com base em sua justiça, mas na verdade querem destruí-los, estes são queixosos, enganadores, que se escondem para que não sejam reconhecidos, incrédulos, cheios de impiedade cometendo iniqüidade de sol a sol: dizendo: Nós teremos banquetes e luxo, enquanto comemos e bebemos, e nós nos estimaremos como príncipes. E apesar de suas mãos e mentes tocarem coisas imundas, no entanto, suas bocas falarão grandes coisas, e eles dirão também: Não me toque para que não me polua em meu lugar (onde eu estou)...
8 E virá sobre eles uma segunda visitação e ira, como não os aconteceu desde o princípio até aquele tempo, tempo no qual Ele moverá contra eles o rei dos reis da terra e um que rege com grande poder, que crucificará aqueles que confessarem à sua circuncisão: e esses que esconderem (isto) ele torturará e os entregará para que sejam amarrados e lançados na prisão. E as suas esposas serão dadas aos deuses entre os Gentios, e os seus filhos jovens serão operados pelos médicos para apresentar o seu prepúcio. E outros entre eles serão castigados com torturas, fogo e espada, e eles serão forçados a suportar em público aos seus ídolos, sendo poluídos como aqueles que já o são. E eles serão forçados igualmente por aqueles que os torturam a entrar no santuário interno, e eles serão forçados por ferros a blasfemar com insolência contra a palavra, e depois destas coisas as leis e o que eles tiverem sobre o altar.
9 Então naquele dia haverá um homem da tribo de Levi, cujo nome será Taxo que tendo sete filhos falará com eles exortando-os: Observem, meus filhos, vejam um segundo cruel (e) uma visitação impura que veio sobre o povo, e um castigo impiedoso e muito maior que o primeiro. Pelo qual a nação ou a região ou o povo daqueles que são ímpios diante do Senhor, e que cometeram muitas abominações, que sofreram tão grandes calamidades como nos aconteceu? Agora, portanto, meus filhos, ouçam-me: notem e saibam que nem os pais nem os antepassados deles tentaram a Deus, para transgredir as suas ordens. E para que tu saibas que esta é nossa força, e assim nós faremos. Jejuemos por três e no quarto entremos em uma caverna que está no campo, e morramos ao invés de transgredir as ordens do Senhor dos Senhores, o Deus de nossos pais. Porque se nós fizermos isto e morrermos, nosso sangue será vingado diante do Senhor.
10 E então o reino dele aparecerá através de toda Sua criação, e então Satanás não mais existirá, e a tristeza partirá com ele. Então serão enchidas as mãos do anjo que foi designado principal, e ele os vingará dos seus inimigos. Porque o Único Divino surgirá do seu trono real, e Ele sairá de sua santa habitação com indignação e ira por causa dos Seus filhos. E a terra tremerá: até os seus confins será estremecida: E as montanhas altas serão baixadas e as colinas sacudirão e cairão. E serão quebrados os chifres do sol e ele será transformado em escuridão; E a lua não dará a sua luz, e será completamente transformada em sangue. E o círculo das estrelas será perturbado. E o mar descansará no abismo, e as fontes de águas falharão, e os rios secarão. Porque Altíssimo surgirá, o único Deus Eterno, e Ele aparecerá para castigar os Gentios, e destruirá todos seus ídolos. Então tu, O Israel, ficará contente, e montará nos pescoços e asas da águia, e eles serão exterminados. E Deus te exaltará, e o fará se aproximar do céu das estrelas, no lugar da sua habitação. E tu olharás do alto e verá seus inimigos no Geenna e os reconhecerá e se alegrará, e dará graças e confessará ao teu Criador. E tu; Josué (filho de) Nun, guarde estas palavras e este livro; Porque de minha morte [assunção] até o Seu advento haverá 250 vezes [= ano-semanas = 1750 anos]. E este é o curso dos tempos que eles procurarão até que eles estejam consumados. E eu irei dormir com meus pais. Portanto, Josué (filho de) Nun, (sê forte e) tenha bom ânimo; (porque) Deus (o) escolheu para ser o ministro deste mesmo pacto.
11 E quando Josué ouviu as palavras de Moisés que foram assim escritas na sua escritura tudo aquilo que ele tinha dito antes, rasgou suas roupas e se lançou aos pés de Moisés. E Moisés o confortou e chorou com ele. E Josué lhe respondeu e disse: Por que tu me confortas, (meu) senhor Moisés? E como eu serei confortado com respeito à palavra amarga que tu falaste a qual foi adiante de tua boca, que está cheia de lágrimas e lamentação, com a qual deixas o teu povo? (Mas agora) que lugar o receberá? Ou qual será o sinal que marcará o (seu) sepulcro? Ou quem ousará mover seu corpo de lá como se fosse um mero homem? Porque todos os homens quando morrem tem de acordo com a idade os seus sepulcros na terra; mas seu sepulcro é da subida ao pôr-do-sol, e do sul aos confins do norte: todo o mundo é seu sepulcro. Meu senhor, estás partindo, e quem alimentará este povo? Ou quem há que tenha compaixão deles e quem será seu guia pelo caminho? Ou quem orará por eles, sem omitir um único dia, para que eu possa os conduzir na terra dos seus antepassados? Como então eu nutrirei este povo como um pai (o dele) sendo apenas filho, ou como uma mão a sua filha, uma virgem que está sendo preparada para ser entregue ao marido que ela venerará, enquanto ela guarda sua pessoa do sol e (toma cuidado) para que seus pés não fiquem descalços por correr no chão. (E como) eu os proverei com comida e bebida de acordo com o prazer da vontade deles? Porque eles devem ser por volta de 600.000 (os homens), porque estes se multiplicaram a este ponto por causa de suas orações, (meu) senhor Moisés. E que sabedoria ou entendimento tenho eu para que eu deva julgar ou responder através da palavra na casa (do Senhor)? E os reis do Amoreus também quando eles ouvem que nós estamos os atacando, acreditarão que não estará mais entre eles o espírito santo que era digno do Senhor, múltiplo e incompreensível, o senhor da palavra, que era fiel em todas as coisas, o profeta principal de Deus ao longo da terra, o mestre mais perfeito do mundo, [que não está mais entre eles], dirão "Marchemos contra eles. Se o inimigo apenas uma vez agiu impiamente contra o seu Deus, eles não têm nenhum defensor para oferecer suas orações, como Moisés o grande mensageiro que todos os dias de dia e de noite teve os seus joelhos fixados na terra, orando e procurando a ajuda dEle para que regesse todo o mundo com compaixão e justiça, fazendo-o lembrar do pacto dos pais e propiciando o Deus com juramento." Porque eles dirão: "Ele não está com eles: vamos então e os destruamos e os lancemos para fora da face da terra." O que restará então deste povo, meu senhor, Moisés?"

12 E quando Josué terminou (estas) palavras, ele se lançou novamente aos pés de Moisés. E Moisés tomou sua mão e o elevou ao assento diante dele, e lhe respondeu e disse: Josué, não menospreze a ti mesmo; mas fixe sua mente, e ouça minhas palavras. Todas as nações que estão na terra Deus as criou assim como a nós, Ele as previu assim como a nós desde o princípio da criação da terra até o fim dos tempos, e nada foi negligenciado por Ele mesmo a coisa mais insignificante, e todas as coisas Ele previu e fez tudo acontecer. (Sim) todas as coisas que estão nesta terra Deus previu e, veja, elas são apresentadas (à luz... O Senhor) as tem usado e me designou para (orar) pelos seus pecados e (fazer intercessão) por eles. Não por qualquer virtude ou força minha, mas de sua boa vontade tem ele compaixão e longanimidade encerrado minha sorte. Porque eu vos digo, Josué: não é por causa da piedade deste povo que tu lançará fora as nações. As luzes do céu, os fundamentos da terra foram feitos e foram aprovados por Deus e estão debaixo do anel de sinete da sua mão direita. Então, esses que fazem e cumprem as ordens de Deus aumentarão e prosperarão: mas esses que pecam e fixam e negligenciam as ordens estarão sem as bênçãos mencionadas, e eles serão castigados com muitos tormentos pelas nações. Mas lançar fora completamente e os destruir não é permitido. Porque Deus irá adiante pois previu todas as coisas para sempre, e o seu pacto foi estabelecido pelo juramento que...

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Isa, o Jesus Muçulmano

‘Isa, o Jesus MuçulmanoA “palavra cristã não é uma palavra válida, porque não há nenhuma religião do cristianismo, de acordo com o islã”.
Nos dias atuais, sempre mais temos ouvido e lido que o cristianismo e o islã “compartilham” jesus, que ele pertence a ambas as religiões. E o mesmo ocorre com abraão: há uma conversa sobre uma ‘civilização abraâmica Ocidental’, da qual vez ou outra alguém fala de ‘civilização judaica-cristã’. Esta mudança de pensamento reflete o crescimento da influência do islã.Estas notas oferecem alguma informação e reflexão sobre o ‘jesus muçulmano’, para ajudar a se pôr esta tendência em seu devido contexto.As referências entre parênteses são to corão. Os sistemas numéricos para os versões dele não são padronizados: então, esteja preparado para procurar nos versos em volta caso não encontre diretamente o devido.Islã, a fé primordialO islã se considera a si mesmo não como uma fé subseqüente do judaísmo ou cristianismo, mas como a religião primordial, a fé da qual o judaísmo e cristianismo tiveram desenvolvimentos subseqüentes. No alcorão lemos que abraão “não foi um judeu ou um cristão, mas foi um monoteísta, um muçulmano” (al ‘imran 3:66). Então são os muçulmanos, e não os cristãos ou judeus, que são os verdadeiros representantes da fé de abraão para o mundo de hoje. (al baqarah 2:135)Os profetas bíblicos foram todos muçulmanosMuitos dos profetas do passado receberam a exclusiva religião do islã (ax xura, 42:13). Quem foram estes profetas? De acordo com al an'am 6:85-87, se incluem ibrahim (abraão), ‘ishaq (isaque), yaqub (jacó), nuh (noé), dawud (davi), sulaiman (salomão), ayyub (jô), yusuf (josé), musa (moisés), harun (aarão), zakariyya (zacarias), yahya (joão batista), ‘isa (jesus), ilyas, ishmael, al-yash’a (elias), yunus (jonas) e lut (ló).O ‘isa (jesus) muçulmanoExistem duas fontes sobre ‘isa, o jesus dos muçulmanos. O alcorão traz uma história de sua vida, enquanto as coleções do hadith — aglomerado de palavras e feitos de maomé — estabelecem lugar o lugar de jesus no pensamento muçulmano para o futuro.O alcorão‘isa foi um profeta do islãO verdadeiro nome de jesus, de acordo com o alcorão, era ‘isa. Sua mensagem foi puro islã, completamente rendido a allá (al ‘imran 3:84). Semelhantemente a todos os profetas muçulmanos antes dele, e como maomé logo após, ‘isa foi um legislador, e os cristãos deveriam submeter-se à sua lei (al ‘imran 3:50; al-ma’idah 5:48). Os discípulos originais de ‘isa também foram verdadeiros muçulmanos, porque eles disseram “cremos. Testemunha que somos muçulmanos” (al-ma’idah 5:111).Os livrosIgual aos outros mensageiros do islã antes dele, ‘isa recebeu sua revelação do islã na forma de um livro (al’na'am 6:90). O livro de ‘isa é chamado de injil ou “evangelho” (al-ma’idah 5:46). A torá foi o livro de moisés e o zabur (salmos) foi o livro de davi. Sendo assim, judeus e cristãos são “pessoas do livro”. A única religião revelada nestes livros foi o islã (al’imran 3:18).Juntamente como nos profetas que antecederam, a revelação de ‘isa comprovou as revelações dos profetas anteriores (al ‘imran 3:49,84; al-ma’idah 5:46; as-saff 61:6). O próprio maomé verificou todas as revelações anteriores, incluindo a revelação de ‘isa (an-nissa 4:47); então os muçulmanos devem crer na revelação a qual foi recebida por ‘isa (al-baqarah 2:136). Todavia, após ‘isa, o injil perdeu sua forma original. Hoje apenas o alcorão é o guia verdadeiro para os ensinos de ‘isa.A biografia de ‘isaDe acordo com o alcorão, ‘isa foi o messias. Ele foi auxiliado pelo “espírito santo” (al-baqarah 2:87; al-ma’idah 5:110). Ele também é referido como a “palavra de allá” (an-nisa’ 4:171)A mãe de ‘isa, mariam, foi filha de ‘imran, (âl 'imran 3:34,35) — cf o amrão de êxodo 6:20 — e a irmã de aarão (e moisés). (mariam 19:28) ela foi criada por zacarias (pai de joão batista). (al ‘imran 3:36) enquanto ainda era virgem (al-an'am 6:12; mariam 19:19-21) mariam deu à luz ‘isa, sozinha em um lugar desolado, embaixo de uma palmeira. (mariam 19:22) (não em belém).‘isa enquanto ainda era um bebê em seu berço. (al ‘imran 3:46; al-ma’idah 5:110; mariam 19:30) ele realizou diversos outros milafres, incluindo dar vida a passarinhos de barro, curando cegos e leprosos e ressuscitando da morte. (al ‘imran 3:49; al-ma’idah 5:111) ele ainda profetizou sobre a vinda de maomé. (as-saff 61:6)‘isa não morreu numa cruzOs cristãos e os judeus corromperam suas escrituras. (al ‘inram 3:74-77. 113) apesar de os cristãos crerem que ‘isa morreu numa cruz, e os judeus dizerem que mataram-no, na realidade, ele não foi morto ou crucificado, e todos aqueles que dizem que ele foi crucificado são mentirosos (an-nisa’ 4:157). ‘isa não morreu, mas foi arrebatado para allá. (an-nisa’ 4:158) no dia da ressurreição, o próprio ‘isa será testemunha contra os judeus e cristão por acreditarem em sua morte. (an-nisa’ 4:159)Os cristãos deveriam aceitar o islã e todos os verdadeiros cristãos aceitarãoOs cristãos (e judeus) não poderiam estar libertos de sua ignorância até que maomé viesse trazendo o corão como uma evidência clara (al-bayyinah 98:1). Maomé foi um presente de allá para os cristãos corrigirem seus equívocos. Eles devem aceitar a maomé como o mensageiro de allá e o corão como sua revelação final. (al-ma’idah 5:15; al-hadid 57:28; na-nisa’ 4:47)Alguns cristãos e judeus são fiéis e crêem verdadeiramente. (al ‘imran 3:113, 114) quaisquer uns dos tais crentes se submeterão a allá aceitando a maomé como o profeta do islã, i.e., eles se tornarão muçulmanos. (al ‘imran 3:198)Posto que os judeus e pagãos terão a maior das inimizades contra os muçulmanos, serão os cristãos que estarão ‘mais próximos do afeto dos fiéis’, i.e., dos muçulmanos. (al-ma’idah 5:82) os verdadeiros cristãos não amarão os inimigos de maomé. (al-mujadilah 58:22) em outras palavras, qualquer um que se opõe  a maomé não é um verdadeiro cristão.Cristãos que aceitam o islã ou recusam-noAlguns judeus e cristãos são crentes verdadeiros, aceitando o islã: a maioria são transgressores (al ‘imran 3:109)Muitos monges e rabinos têm ganância pela riqueza e impedem as pessoas de irem até allá. (at-taubah 9:34,35)Cristãos e judeus e não crêem em maomé vão para o inferno. (al-bayyinah 98:6)Os muçulmanos não devem ter os cristãos ou judeus como seus amigos. (al-ma’idah 5:51) eles devem lutar contra os cristãos e judeus que recusarem o islã até que eles se rendam, paguem os impostos dos países islâmicos e sejam humilhados. (at-taubah 9:29) a isto podem ser adicionados centenas de versos do corão em favor dos caminhos de allá, bem como o “livro da jihad” encontrado em todas as coleções da hadith.Crenças cristãsOs cristãos são ordenados a não crer que ‘isa é o filho de deus: ‘glorificado seja! Longe está a hipótese de ter tido um filho’. (an-nisa’ 4:171; al-furqan 25:2) ‘isa foi simplesmente um ser humano criado e um servo de allá; (an-nisa’ 4:172; al ‘inram 3:59)Cristãos são reclamados pelo corão por crerem numa família de deuses — deus pai, mãe maria e ‘isa, o filho — mas ‘isa rejeitou tal ensino sobre familiar. (al-ma’idah 5:116) a doutrina da trindade não devem receber crédito e um destino de tormento aguarda por aqueles que crerem nisto. (al-ma’idah 5:73)‘isa (jesus) na hadice‘isa, o destruidor do cristianismoO profeta ‘isa terá um papel muito importante no fim dos tempos, estabelecendo o islã e fazendo guerra até que ele destrua todas as religiões, exceto o islã. Ele deve matar o maligno (dajjal), uma figura apocalíptica anti-cristo.Em outra tradição de maomé, lemos que nenhum outro profeta virá à terra até que ‘isa retorne como ‘um homem de estatura mediana, de pele avermelhada, vestindo duas peças leves, parecendo como se gotas de água caíssem de sua cabeça apesar de não estar molhada. Ele lutará pela causa do islã. Ele quebrará a cruz, matará os porcos e abolirá o pagamento do imposto. Allá destruirá todas as religiões, exceto o islã. Ele (‘isa) destruirá o maligno e viverá na terra por quarenta anos e então morrerá’. (sunan abu dawud, 37:4310) o sahih muslim tem uma variante desta tradição: ‘o filho de maria... Em breve descenderá de você como um juiz reto. Ele abolirá... O pagamento de imposto, e a riqueza verterá de modo tão grande que ninguém aceitará presentes de caridade.’ (sahih muslim 287)O que estes ditos significam? A cruz é um símbolo cristão. Quebrar cruzes significa abolir o cristianismo. Porcos são associados aos cristãos. Matá-los é outro modo de falar sobre a destruição do cristianismo. Sob a lei islâmica, o pagamento do imposto compra a proteção de suas vidas e as propriedades dos conquistados ‘daqueles que receberam o livro’. (at-taubah 9:29) a abolição do pagamento do imposto significa que a jihad voltou contra cristãos (e judeus) que vivem onde o islã rege, os quais podem se converter ao islã, ou também serem mortos ou escravizados. A abundância de riquezas refere-se aos saques realizados pelos muçulmanos em suas conquistas. Isto é o que o ‘isa muçulmano fará quando retornar nos últimos dias.Juristas muçulmanos confirmam estas interpretações: considere, por exemplo, o parecer de ahmad ibn naqib al-misri (d. 1368)“...o momento e o local para (o imposto) está antes da descida final de jesus (que a paz esteja sobre ele). Após sua vinda final, nada, exceto o islã, será aceito, porque a cobrança do imposto somente é efetivo até que jesus volte (que a paz esteja sobre ele e sobre nosso profeta)...” (the reliance of the traveller. Trans. Nuh ha mim keller, p. 603).
Bn naqib vai até o momento em que jesus retorna, ele governará ‘como um seguidor’ de maomé.Comentários críticos sobre o ‘isa muçulmano (jesus)‘isa não é uma figura históricaO ‘isa do corão não é uma personagem histórica. Sua identidade e papel como um profeta do islã é baseado somente nas supostas revelações de maomé cerca de meio milênio após o jesus histórico ter vivido e morrido.O nome de jesus nunca foi ‘isaA língua da mãe de jesus foi o aramaico. Em seu próprio tempo de vida, ele foi chamado de yeshua em aramaico, ou de jesu em grego. Isto é como chamar a mesma pessoa de joão quando falamos português e john quando falamos inglês: jesu, pronunciado como “yesú”, é a forma grega do aramaico yeshua. (o final –s em jesu-s é um final gramatical da língua grega). Yeshua é uma forma do hebraico yehoshua’, que significa ‘o senhor é a salvação’. Entretanto, yehoshua’ é normalmente dado em português como josué. Então, josué e jesus são variantes do mesmo nome.É interessante que o nome de jesus, yehoshua’ contém em si o nome hebraico para deus, a primeira sílaba yeh- sendo uma contração de yhwh, ‘o senhor’.Yeshua de nazaré nunca foi chamado de ‘isa, o nome que o corão deu a ele. Cristãos de língua árabe referem-se a jesus como yasou’ (de yeshua) e não ‘isa.Jesus não recebeu um ‘livro’De acordo com o corão, o ‘livro’ revelado a ‘isa foi o injil. A palavra injil é uma forma corrompida da grega euanggelion ‘boas novas’ ou evangelho. O que foi este euanggelion? Foi exatamente como jesus se referia à sua mensagem: como boas-novas. A expressão euanggelion não se refere a um texto revelado em específico, e não há absolutamente nenhuma evidência de que jesus recebeu um ‘livro’ de revelação de deus.Os ‘evangelhos’ da bíblia são biografiasO termo euanggelion depois veio a ser usado como um título para as quatro biografias de jesus, escritas por mateus, marcos, lucas e joão, os ‘evangelhos’. Este foi um desenvolvimento secundário do sentido da palavra. Aparentemente, foi aqui que maomé cometeu seu equívoco de o injil ser um ‘livro’.Muitos dos tão falados profetas do islã não receberam nenhum livroVirtualmente, todos dos tão falados ‘profetas’ do islã, os quais tiveram seus nomes tomados das escrituras hebraicas, não receberam nenhum ‘livro’ ou códigos de lei. Por exemplo, os salmos não são um livro revelando o islã, como o corão afirma, mas é uma coleção de canções de louvor, dos quais nem todos são de davi. Não há um só fragmento de evidência na histórica bíblica de davi que afirme que ele recebeu um livro de leis para os israelitas. Eles já possuíam a torá de moisés para seguirem. Então davi não foi um profeta do corão de forma alguma. Do mesmo modo, a maioria dos profetas clamados pelo islã não foram nem legisladores e nem governantes.As profecias bíblicas e as profecias islâmicas não são a mesma coisaO entendimento bíblico de profecia é muito diferente do de maomé. Uma profecia bíblica não é considerada como uma passagem de um texto da eternidade celestial pré-existente, como no corão, mas é uma mensagem de deus por um tempo e local específico. Um profeta bíblico é alguém para o qual deus revela coisas ocultas e que, então, atual como agente verbal de deus. Quando a mulher samaritana chamou jesus de profeta (joão 4:19) foi porque ele havia falado sobre coisas de sua vida que só poderiam ser sabidas sobrenaturalmente. O cristianismo ensina que jesus foi um profeta, mas ele não trouxe qualquer ‘livro’: ele mesmo foi a ‘palavra de deus’ viva, um título de ‘isa no alcorão.De modo algum todas as profecias que tenham ocorrido vieram a ser parte do texto bíblico. A bíblia consiste de uma ampla variedade de materiais originalmente escritos por diversos propósitos diferentes, incluindo cartas, canções, poesia romântica, narrativas históricas, textos legislativos, provérbios de sabedoria, e, bem como, passagens proféticas. Estes materiais são considerados como inspirados por deus, mas não ditados de um livro celestial à parte do tempo.Como história profética, o corão contém muitos erros e enacronismosA afirmação de que jesus não foi executado por crucificação está completamente sem suporte histórico. Uma coisa em que todas as fontes primitivas concordavam era na crucificação de jesus.Mariam, a mãe de ‘ìsa, é chamada de a irmã de arão, e também de filha do pai de arão, ‘imran (do hebraico, amrão). Claramente maomé confundiu maria (do hebraico, miriã) com a miriã do livro do êxodo. As duas viveram mais de mil anos de diferença!Na bíblia, hamã é o ministro de assuero na pérsia e média (livro de ester 3:1-2). O corão ainda o põe cerca de mil anos antes como um ministro de faraó, no egito.A afirmação de que os cristãos crêem em três deuses — pai, o filho jesus e a mãe maria — está equivocada. O corão também está equivocado ao dizer que os judeus dizem que ezra era um filho de deus. (at-taubah 9:30) a acusação de politeísmo por parte dos cristãos e judeus é mal-informada e falsa. (deuteronômio 6:4, tiago 2:19ª)A história de ‘zul-carnain’ (lit. ‘aquele de dois chifres’, al-kahf 18:83, cf. Daniel 8:3, 20-21) é derivada do romance de alexandre. Certamente alexandre o grande não era muçulmano.O problema com o nome de ‘isa já foi discutido. Outros nomes bíblicos são também incompreensíveis no corão e seus significados perdidos. Por exemplo elias, que significa ‘deus é a salvação’, é dado no corão como al-yash’a, transformando o prefixo el ‘deus’ em al- ‘o’. (a tradição islâmica fiz o mesmo com alexandre o grande, chamando-o de al-iskandar, ‘o iskandor’). Abraão ‘pai de muitos’ (cf gênesis 17:5) deve ser melhor representado como algo perto de aburahim, ‘pai da misericórdia’ ao invés de ibrahim, que não significa absolutamente nada na língua árabe.O corão apresenta um samaritano confeccionando o bezerro de ouro, o qual foi adorado pelos israelitas no deserto (ta há 20:85) durante o êxodo. De fato, foi arão (êxodo 34:1-6). Os samaritanos só vieram a existir alguns séculos depois. Eles foram descendentes dos israelitas do norte após o êxodo.Muitas histórias do corão podem ser reconhecidas como sendo de lendas populares dos judeus e cristãos, e outros de literaturas apócrifas. Por exemplo, a história de abraão destruindo ídolos (as-saffat 37) é encontrado numa lenda judaica, a midrash rabbah. A história de zacarias no corão, pai de joão batista, está baseada sobre uma fábula cristã do segundo século. A história de jesus nascendo sob uma palmeira é baseada noutra fábula mais tardia, bem como a história de jesus fazendo passarinhos de barro viver. Tudo o que o corão diz sobre a vida de jesus e que não é encontrado na bíblia, pode ser localizado nas fábulas compostas mais de cem anos após a morte de jesus.O título de jesus de messias e palavra de deus, as quais são usadas pelo corão, não encontram qualquer explicação no corão. Já na bíblia, de onde tais títulos foram tomados, estes títulos são bem integrados a todo o sistema teológico.O corão menciona o espírito santo em conexão com jesus, usando frases que vêm dos evangelhos. Ibn ishaq (life de muhammad) relata maomé dizendo que este ‘espírito’ era o anjo gabriel. (cf. Também an-nahl 16:102, al-baqarah 2:97). Contudo, a expressão bíblica ‘espírito de deus’ (ruach elohim) or ‘espírito santo’ somente pode ser entendida à luz das escrituras hebraicas. Certamente que não se referem a um anjo. A alegada predição de jesus sobre a vinda de maomé (as-saff 61:6) parece ser baseada em uma leitura equivocada (ou adulterada) de joão 14:26, uma passa que de fato faz referência ao espírito.As escrituras hebraicas foram a bíblia de jesus. Ele afirmou sua autoridade e fidedignidade, e também pregou a partir dela. Nessas mesmas escrituras, ele conheceu deus como adonai elohim, o senhor deus de israel. Ele não chamou-o de allá, o que aparece ter sido o nome o título de uma divindade pagã árabe que era adorada em mecca antes de maomé. O pai pagão de maomé, que morreu antes de maomé nascer, teria ostentado o nome de ‘abd allah, ‘escravo de allá’, e seu tio era chamado de obeid allah.Lemos que na-najm 53:19-23 procura refutar a crença pagã árabe de que allá teve filhas chamadas al-uzza, al-ilat e manat. (veja também an-nahl 16:57 e al-an'am 6:100)As narrativas bíblicas são ricas em detalhes históricos, muitos deles confirmados pela arqueologia. Elas cobrem mais de mil anos e revelam um longo processo tecnológico e desenvolvimento cultural.  Em contraste, a história sacra do corão está deprovida de suportes arqueológicos. Suas estórias desconexas e incoerentes não oferecem uma reflexão autêntica de culturas históricas. O nome de nenhum lugar da antiga israel é mencionado, nem mesmo jerusalém. Muitos dos supostos eventos históricos relatados no corão não têm uma verificação independente. Por exemplo, poderíamos dizer que abraão e ismael construíram a caaba em mecca (al-baqarah 2:127), mas isto está totalmente sem suporte. Os relatos bíblicos, mais que mil anos mais antigos, não situam abraão em nenhum lugar próximo à arábia.O corão não é uma fonte digna de crédito para a história bíblicaO corão, escrito no século vii d.c., não pode ser considerado como tendo qualquer autoridade, absolutamente nenhuma, sobre a vida de jesus de nazaré. Ele não oferece qualquer evidência às suas declarações sobre a histórica bíblica. Seus numerosos erros históricos refletem um entendimento adulterado sobre a bíblia.O islã se apropria da história do judaísmo e do cristianismo como se fosse suaQuando maomé ligou o nome de allá às histórias religiosas do judaísmo e cristianismo, foi um meio de reivindicá-las para o islã. À luz de eventos futuros, a declaração de que o islã foi a religião original e que todos os profetas precedentes foram muçulmanos, pode ser considerada como uma tentativa de apropriar as histórias de outras religiões para o islã. O efeito é furtar o cristianismo e judaísmo para suas próprias histórias.Considere que muitos locais bíblicos, tais como as tumbas dos patriarcas hebreus e o templo do monte, são clamados pelo islã como sendo locais muçulmanos, não judeus ou cristãos. Afinal, o corão diz-nos que abraão ‘foi um muçulmano’. Sob o governo islâmico, todos judeus e cristãos foram banidos destes locais.O lugar das escrituras judaica no cristianismo é completamente diferente do lugar da bíblia no islãHá uma diferença fundamental entre as atitudes dos cristãos para com as escrituras judaicas e as atitudes islâmicas para com a bíblia. Os cristãos aceitam as escrituras hebraicas. Elas foram as escrituras de jesus e dos apóstolos. Elas foram as escrituras da igreja primitiva. Toda a crença e prática cristã repousam sobre elas. Os conceitos centrais do cristianismo tais como o “messias” (do grego, ‘christos’), ‘espírito de deus’, ‘reino de deus’ e ‘salvação’ estão profundamente enraizados nas tradições bíblicas dos hebreus.Também notamos que os seminários cristãos devotam considerável zelo em estudar as escrituras hebraicas. Isto é uma parte integral do treino para o ministério cristão. As escrituras hebraicas são lidas (traduzidas) a cada domingo em diversas igrejas por todo o mundo.Em contraste, o tratamento do islã para com a bíblia é completamente descuidado. Apesar dele pretender ‘verificar’ todas revelações proféticas antigas, o corão é cego para com o real conteúdo da bíblia. A declaração de que cristãos e judeus deliberadamente corromperam suas escrituras e fizeram-na sem evidências, somente serve para encobrir as inadequações históricas do corão. Os eruditos muçulmanos raramente têm uma compreensão bem-informada da bíblia ou da teologia bíblica, e então continuam ignorantes destas realidades.Algumas vozes muçulmanas contemporâneas sobre jesusYasser arafat, discursando em uma conferência de impressa nas nações unidas em 1983 chamou jesus de “o primeiro palestino fedayeen que carregou sua espada” (i.e., ele foi um guerreiro da liberdade para o islã).Sheikh ibrahim madhi, empregado da autoridade palestina, difundiu ao vivo em abril de 2002 na televisão da autoridade palestina: “os judeus esperam pelo falso messias judeu, enquanto nós esperamos, com a ajuda de allá... Jesus, paz esteja sobre ele. As mãos puras de jesus assassinarão o falso messias judeu. Onde? Na cidade do senhor, na palestina.”O autor shamim a. Siddiqi, pôs a posição clássica do islã concernente ao cristianismo claramente numa carta recente destinada a daniel pipes, colunista do new york post:“abraão, moisés, jesus e maomé foram todos profetas do islã. O islã é a herança comum da comunidade judaica-cristã-muçulmana da américa, e estabelecer o reino de deus é a responsabilidade conjunta de todas as três fé abraâmicas. O islã foi a voz (fé, modo de vida) tanto dos judeus como dos cristãos, os quais depois perderam isto por causa das inovações humanas. Agora os muçulmanos querem lembrar os irmãos e irmãs judeus e cristãos da voz original [religião]. Estes são fatos históricos.”Esta negação histórica — aparentemente para afirmar que o cristianismo e o judaísmo estão rejeitando e suplantando o islã — é uma arma violenta dos apologetas muçulmanos. O que está sendo afirmado é que de fato nem cristãos e nem judeus, mas jesus era de fato um profeta do islã. Moisés um muçulmano, etc. A intenção era de conduzir a uma reversão dos cristãos e judeus ao islã, é a isso que siddiqi se refere quando diz sobre “responsabilidade conjunta” de jesus e cristãos para estabelecer “o reino de deus”. Com isto, ele quis dizer que os cristãos dos estados unidos e judeus poderiam trabalhar para estabelecer a lei shari’ah e as regras de conduta do islã nos estados unidos.ConclusãoO ‘isa (jesus) do corão é um produto de fábulas, imaginação e ignorância. Quando os muçulmanos veneram este ‘isa, eles têm algo diferente em mente do yeshua ou o jesus da bíblia e história. O ‘isa do corão está baseado em nenhuma evidência histórica, mas em fábulas correntes do século vii d.c. Na arábia.Para a maioria dos fiéis muçulmanos, ‘isa é o único jesus que eles conhecem. Mas, se alguém aceita esse ‘jesus’ muçulmano, então consecutivamente aceita o corão e o islã. Crê que ‘isa está influenciado pelas difamações que judeus e cristãos realizaram ao corromper suas escrituras, uma acusação que está completamente sem amparo histórico. Crê que ‘isa implica que muitos dos fatos históricos dos cristãos e judeus são de fato da história islâmica.O jesus dos evangelhos é a base sobre o qual o cristianismo foi desenvolvido. Ao muçulmanizá-lo e fazê-lo um profeta do islã que pregou o corão, o islã destrói o cristianismo e toma posse da historia. Isto acontece igualmente com o judaísmo.No fim dos tempos, tal como descreveu maomé, ‘isa se tornará um guerreiro que virá com sua espada e lança. Ele destruirá a religião cristã e fará do islã a única religião de todo o mundo. Finalmente, no último julgamento condenará os cristãos ao inferno por crerem em sua crucificação e encarnação.Este ato final do ‘isa muçulmano reflete a estratégia apologética do islã em relação ao cristianismo, que tem por objetivo barrar o yeshua histórico e substituí-lo por um fac-símile de maomé. Então, nada permanece mais, exceto o islã.“os muçulmanos da substituição atualmente declaram que toda a história bíblica de israel e a cristã são a história islâmica, que todos os profetas, reis de israel e judéia, e jesus foram muçulmanos. Que o povo do livro deveria se atrever a desafiar esta afirmação, é tido como uma arrogância intolerável para um teólogo islâmico. Judeus e cristãos são, deste modo, privados de suas escrituras sagradas e do valor de seu valor para a salvação.”—    bat ye’or em islam and dhimmitude: where civilizations collide, p. 370  - trad. Livre.
Apêndice: a evidência histórica em favor de jesus (yeshua) de nazaré e sua morte por crucificação.Fontes não cristãs sobre jesus·        tácito (55-120 ad), um renomado historiador da roma antiga, escreveu uma carta na metade do primeiro século que dizia que ‘christus... Foi posto à morte por pôncio pilatus, procurador da judéia no reinado de tiberius: porém, a superstição perniciosa, reprimida por um tempo, se espalhou novamente, não somente ao longo da judéia, onde a injúria começou, mas ao longo da cidade de roma também.’ (anais 15:44).        suetonius escrevendo por volta de 120 ad fala de distúrbios dos judeus na ‘instigação de chrestus’, durante os tempos do imperador claudius. Isto pode se referir a jesus e parece se relacionar ao evento de atos 18:2, que ocorreu em 49 ad.·        thallus, um historiador secular, escrevendo talvez por volta de 52 ad, faz referência à morte de jesus numa discussão sobre as trevas que cobriram a terra após sua morte. O original está perdido, mas os argumentos de thallus — explicando que o ocorrido foi um eclipse solar — são referidos por julius africanus no início do terceiro século.·        mara bar-serapião, um sírio escrevendo após a destruição do templo em 70ad, menciona a execução de jesus que ocorra anos antes, a quem ele chama de “rei”.·  o talmud babilônico refere-se à crucificação (chamando-a de dependuração) de jesus, o nazareno, na véspera da páscoa. No talmud, jesus também é chamado de filho ilegítimo de maria.·        o historiador josefo descreve a crucificação de jesus sob pilatus em sua obra antiguidades, escrita em cerca de 93/94 ad. Josefo também faz referência a tiago, irmão de jesus e sua execução durante o tempo de ananus (anãs) o mais elevado sacerdote.Epístolas de paulo·        as epístolas de paulo foram escritas num intervalo de 20 a 30 anos após a morte de jesus. São valiosos documentos históricos, não somente por conterem confissões de fé que são indubitavelmente datadas das primeiras décadas da comunidade cristã.Paulo veio a ser crente em jesus dentro de poucos anos após a crucificação de jesus. Ele escreve em sua primeira carta aos coríntios ‘porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que cristo morreu por nossos pecados, segundo as escrituras,e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as escrituras,e que foi visto por cefas e depois pelos doze.’ isto faz muito claro a crença na morte de jesus como sendo o início do cristianismo.Os quatro evangelhos·        os quatro evangelhos foram escritos num período de 20 a 60 anos após a morte de jesus, como uma lembrança vívida dos eventos que eles descrevem.Os ensinos de jesus foram seguidos por grandes multidões. Houve muitíssimas testemunhas dos eventos que ocorreram em sua vida. Sua morte foi uma execução pública.Evidência manuscrita da bíblia e sua transmissãoA evidência manuscrita para as escrituras gregas é esmagadora, muito maior que todas as outras obras antigas. Cerca de 20.000 manuscritos confirmam isto. Embora haja erros de cópia, que são naturalmente esperados das mãos dos copistas, eles são erros comparativamente menores e a integridade básica do processo de cópia está ricamente amparado.Ainda, quando os cristãos ocidentais estudam as escrituras hebraicas durante a renascença, eles notam que elas concordam muito com suas traduções gregas e latinas que haviam sido copiadas de novo e de novo durante mais de mil anos. Houve erros de cópia, e algumas mudanças menores, mas nenhuma invenção significante para a estupenda escala que seria requerida se tramar uma estória para a morte de jesus.Semelhantemente, quando os manuscritos do mar morto foram descobertos, eles incluíam pergaminhos da bíblia hebraica de antes do tempo de jesus. Eles também concordaram muito com o manuscrito massorético mais antigo de mais de mil anos depois. Novamente, nada de invenções, mas sim evidências de cópias notavelmente fidedignas.Conclusão: jesus de nazaré é uma figura históricaClaramente há eventos registrados em conexão com a vida de jesus que muito não-cristãos não aceitarão, tais como os milagres, o nascimento virginal e a ressurreição. Porém, o que está em além da disputa é que yeshua (‘jesus’) de nazaré foi uma figura da história, que viveu, atraiu seguidores durante seu tempo de vida dentre seus companheiros judeus e foi executado por crucificação pelas autoridades romanas, e após isso seu seguidores se multiplicaram rapidamente. Fontes tanto seculares quanto cristãs deste período confirmam isto.A primeira fonte sobre a história da vida pública de jesus são os evangelhos. Eles foram escritos relativamente pouco depois de sua morte — com memória vívida — e nós temos todos os indícios de que estas fontes foram aceitadas com fidedignas na comunidade cristã primitiva, durante um período em que as testemunhas de primeiro e de segundo contato com a vida de jesus continuavam vivas.Concluímos que qualquer declaração sobre ‘isa (jesus) no corão, feito seis séculos após a morte de jesus, deve ser julgada contra as evidências históricas destes primeiros séculos, e não o contrário.

"O homem é feito à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26-27)"
De.  Willians S. Gerônimo
Por. Bismarck Manoel da Nóbrega
         
          No último dia da criação, disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26). Então, Ele terminou Seu trabalho com um “toque pessoal”. Deus formou o homem do pó e deu a ele vida, compartilhando de Seu próprio fôlego (Gênesis 2:7). Desta forma, o homem é único dentre toda a criação de Deus, tendo tanto uma parte material (corpo) como uma imaterial (alma/espírito), em termos bem simples, ter a “imagem” e “semelhança” de Deus significa que fomos feitos para nos parecermos com Deus. Adão não se pareceu com Deus no sentido de que Deus tivesse carne e sangue. As Escrituras dizem que “Deus é espírito” (João 4:24) e portanto existe sem um corpo. Entretanto, o corpo de Adão espelhou a vida de Deus, ao ponto de ter sido criado em perfeita saúde e não ser sujeito à morte.
          A imagem de Deus se refere à parte imaterial do homem. Ela separa o homem do mundo animal, e o encaixa na “dominação” que Deus pretendeu (Gênesis 1:28), e o capacita a ter comunhão com seu Criador. É uma semelhança mental, moral e social. Mentalmente, o homem foi criado como um agente racional e com poder de escolha: em outras palavras, o homem pode raciocinar e fazer escolhas. Isto é um reflexo do intelecto e liberdade de Deus. Todas as vezes que alguém inventa uma máquina, escreve um livro, pinta uma paisagem, se delicia com uma sinfonia, faz uma conta ou dá nome a um bichinho de estimação, esta pessoa está proclamando o fato de que somos feitos à imagem de Deus.
          Moralmente, o homem foi criado em justiça e perfeita inocência, um reflexo da santidade de Deus. Deus viu tudo que tinha feito (incluindo a humanidade), e disse que tudo era “muito bom” (Gênesis 1:31). Nossa consciência, ou “bússola moral” é um vestígio daquele estado original. Todas as vezes que alguém escreve uma lei, volta atrás em relação ao mal, louva o bom comportamento ou se sente culpado, esse alguém está confirmando o fato de que somos feitos à própria imagem de Deus, socialmente, o homem foi criado para a comunhão. Isto reflete a natureza trina de Deus e Seu amor. No Éden, o primeiro relacionamento do homem foi com Deus (Gênesis 3:8 indica comunhão com Deus), e Deus fez a primeira mulher porque “não é bom que o homem esteja só” (Gênesis 2:18). Todas as vezes que alguém escolhe uma esposa e se casa, faz um amigo, abraça uma criança ou vai à igreja, esta pessoa está demonstrando o fato de que somos feitos à semelhança de Deus.
          Parte de sermos feitos à imagem de Deus significa que Adão tinha a capacidade de tomar decisões livres. Apesar de ter sido dada a ele uma natureza reta, Adão fez uma má escolha em se rebelar contra seu Criador. Fazendo isto, Adão manchou a imagem de Deus dentro de si, e passou adiante esta semelhança danificada a todos os seus filhos, incluindo a nós (Romanos 5:12). Hoje, ainda trazemos conosco a imagem de Deus (Tiago 3:9), mas também trazemos as cicatrizes do pecado. Mentalmente, moralmente, socialmente e fisicamente, mostramos os efeitos.
          As boas novas são que, quando Deus redime uma pessoa, Ele começa a restaurar a imagem original de Deus, criando “o novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4:24; veja também Colossenses 3:10