A GLORIFICAÇÃO
Paulo, em sua primeira carta aos coríntios, fala sobre uma esperança que deve morar no coração de cada cristão: a glorificação. No decorrer de todo o capítulo 15, ele descreve como se dará esse estágio, prometido àqueles que nasceram de novo. Como é descrita no capítulo em questão, a glorificação consiste na distribuição por parte do Senhor de um corpo glorificado para cada um de seus servos, membros de seu corpo. Será a troca da corruptibilidade de nosso atual corpo por um corpo incorruptível, semelhante ao que Jesus possui desde a ressurreição. Um corpo celeste, perfeito e incorruptível, mas ao mesmo tempo literal, palpável e apto para interagir tanto com nosso universo físico como com o mundo espiritual (I Coríntios 15:39-40).
O apóstolo deixa claro que "se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens" (I Coríntios 15:19). No versículo 23 fica explicitado que a glorificação se dará na vinda de Jesus (parousia). Já nos versículos 50, 51 e 52, Paulo explica como ocorrerá tal processo. Ao soar da última trombeta, num abrir e fechar de olhos, os cristãos mortos ressuscitarão, recebendo automaticamente corpos glorificados e os que estiverem vivos serão transformados, recebendo também um corpo glorificado. A vinda de Jesus propiciará então sobre a criação divina, entre outros eventos maravilhosos, a glorificação corpórea daqueles que nasceram de novo e são novas criaturas (leia I Coríntios 15:50-52).
Em todo este site, você encontrará estudos que mostram a clara promessa de uma vinda futura de Jesus e não de duas vindas ou uma vinda subdividida em duas etapas. Paulo, ao afirmar em I Coríntios 15:23 que nossa glorificação se daria na vinda de Jesus, expressa claramente a concepção que a Igreja primitiva tinha a respeito (para maiores informações, acesse o item “ESCATOLOGIA PRIMITIVA”).
A seguir, daremos mais subsídios e abordaremos mais passagens bíblicas, no intuito de mostrar que o nosso encontro com Cristo (arrebatamento) será um momento estreitamente relacionado no tempo a sua vinda, a qual ocorrerá, de acordo com o próprio Mestre, logo após a grande tribulação (Mateus 24:29).
O ÚLTIMO DIA E A RESSURREIÇÃO
Ao explicar aos discípulos que Ele é o pão da vida, Jesus revelou a eles algo crucial:
"Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia" (João 6:54)
O uso da expressão “último dia”, repetida por Jesus tres vezes na mesma ocasião (João 6:39, 40 e 54), nos remete mais uma vez a sua vinda em glória. "Último" significa o derradeiro de uma seqüência determinada.
Não faria pleno sentido afirmar que o "último dia" seria um dia anterior ao começo do período tribulacional, já que os dias continuarão existindo em pleno período tribulacional e até mesmo durante o reino milenal de Jesus. Também, parece não referir-se ao último dia da Igreja na face da Terra, pois há passagens apocalípticas que deixam clara a presença de cristãos, membros da Igreja, durante a tribulação. Isso sem considerar que a Igreja, como Noiva de Cristo, continuará existindo sobre a Terra mesmo após a vinda do Mestre. Consequentemente, a idéia pré-tribulacionista da ressurreição antes do período tribulacional não parece encaixar com o fato de que a ressurreição se dará “no último dia”.
Por outro lado, é ilógico afirmar que esse último dia citado pelo Mestre se refira a um dia posterior à vinda de Jesus, pois a ressurreição ocorrerá nesta vinda, como já vimos no começo (I Coríntios 15:23, I Tessalonicenses 4:16-17).
Então, que último dia é esse? Quando ocorrerá a ressurreição daqueles que esperam em Cristo? A posição mais sensata é relacionar essa expressão ao último dia do atual sistema maligno no qual o mundo jaz. O último dia de uma seqüência que começou no Éden, logo após a queda adâmica. Esse dia coincidirá com o Dia do Senhor, no qual Ele virá visivelmente e em glória, logo após a grande tribulação, para derrotar o anticristo e estabelecer seu reino (II Tessalonicenses 1:7-10, Apocalipse 19:11-21). Esse será um dia inesquecível e decisivo para toda a eternidade (Zacarias 14:7-8).
ISRAEL E A RESSURREIÇÃO
No capítulo 11 da carta aos romanos, o apóstolo Paulo retrata a relação entre Israel e as demais nações dentro do plano de salvação do Senhor. Em certo ponto, mais precisamente no versículo 15, está escrito:
"Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?" (Romanos 11:15)
Paulo, em todo o capítulo, explica a situação de endurecimento momentâneo da maior parte da nação israelense em relação ao evangelho de Jesus. Esse endurecimento, dentro do plano perfeito do Senhor, propicia a salvação entre os gentios em larga escala. Porém, Paulo deixa claro que o plano e as promessas do Senhor para a nação israelense se cumprirão cabalmente, num tempo determinado do futuro (Romanos 11:25-29).
Voltando ao versículo 15, podemos observar que a ressurreição dos mortos ocorrerá em função da admissão de Israel. Quando olhamos para o cenário profético, vemos que a conversão do remanescente judeu e sua restauração, são experiências que ocorrerão na parte final da tribulação, em função de fatores como a perseguição do anticristo ao povo judeu, desencadeada a partir da abominação desoladora, ou o ministério das duas testemunhas. Israel não será admitido antes do período tribulacional e sim no final desse período. Note que Paulo esclarece que a ressurreição ocorrerá como resultado dessa admissão e não o contrário. Ou seja, a partir do momento em que os judeus começarem a clamar pelo verdadeiro Messias e Cristo, a ressurreição dos mortos estará prestes a acontecer...
Chegamos, mais uma vez, a uma clara constatação que relaciona diretamente a vinda de Jesus em glória e a ressurreição de seus servos como eventos nitidamente pós-tribulacionais.
A RESSURREIÇÃO DOS JUSTOS
Tanto o pré quanto o midi-tribulacionismo defendem a ocorrência de duas ressurreições relacionadas à vinda de Jesus: a primeira ocorrerá na "primeira fase" da vinda, de forma oculta, e a segunda acontecerá na "segunda fase", logo após a grande tribulação, de forma visível, ressuscitando os "santos da tribulação". A diferença entre os dois sistemas está no momento em que se dará essa "primeira fase". Para o pré-tribulacionismo, essa fase se dará logo antes do período tribulacional, enquanto que o midi-tribulacionismo sustenta que essa fase ocorrerá na metade da tribulação.
Além de afirmar um conceito que não é mencionado na Palavra (a segunda vinda de Jesus dividida em duas fases ou partes), e de sustentar algo ilógico, defendendo a existência de uma ressurreição em massa antes da primeira ressurreição (lembremos que a primeira ressurreição ocorre no momento da vinda de Jesus, logo após a grande tribulação e engloba também até mesmo aqueles que durante a grande tribulação foram martirizados, de acordo com Apocalipse 20:1-6), essa subdivisão da vinda do Mestre se vê diante de uma promessa de Jesus, que nos remete a uma única ressurreição para seus servos de todos os tempos, que é a ressurreição dos justos:
"E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado te será na ressurreição dos justos" (Lucas 14:14)
Jesus deixa claro que a recompensa de nossas boas ações será recebida no momento imediatamente posterior a essa ressurreição. Ao comparar essa passagem com a registrada em Mateus 16:27, percebemos que se trata de um evento único, direcionado a todos os santos de todas as épocas e que ocorrerá no momento da vinda em glória do Senhor com os seus anjos:
"Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras" (Mateus 16:27).
PARÁBOLAS DA VINDA
No capítulo 13 de Mateus, há duas parábolas estreitamente relacionadas com a vinda do Senhor Jesus. É bom lembrar que Jesus, ao utilizar parábolas como forma de ensinamento das verdades divinas, buscava trazer a seus interlocutores o pleno entendimento dessas verdades, usando figuras, idéias e atividades com as quais tais interlocutores tinham familiaridade. Ao ler as parábolas, não devemos esquecer que elas foram primeiramente dirigidas aos interlocutores diretos do Senhor há aproximadamente 2.000 anos, usando figuras e referências que nem sempre fazem parte do nosso dia a dia moderno.
As parábolas que gostaríamos de destacar são a do joio e do trigo (Mateus 13:24-30 e 13:36-43) e a dos peixes bons e maus (Mateus 13:47-50).
1. O JOIO E O TRIGO
No caso da parábola do joio e do trigo, os discípulos sabiam que para obter o trigo puro, o joio precisa ser retirado através de um processo. Aqui é importante fazer um comentário relevante: a palavra tribulação vem do vocábulo latim tribulum, um aparelho usado pelos romanos para separar o joio do trigo. O termo grego mais usado para tribulação, angústia e aflição no Novo Testamento é thlipsis. Então vemos que o conceito de tribulação que usamos deriva de um instrumento usado para separar o joio do trigo, e isso tem muito a ver com a parábola em questão e com a visão que a Igreja primitiva tinha a respeito do tema, que se mostra mais uma vez diretamente pós-tribulacionista.
Jesus deixa claro nesta parábola que tanto o joio quanto o trigo devem crescer juntos até um acontecimento que os separará: a ceifa, feita pelos anjos (Mateus 13:30, 13:39). No Apocalipse, a ceifa feita pelos anjos está relacionada aos momentos culminantes da tribulação (Apocalipse 14:14-20), com uma alusão direta ao Armagedom nos versículos 19 e 20.
Levando em consideração as palavras de Jesus, de que o momento da separação seria na ceifa, e o relato apocalíptico, o qual relaciona essa ceifa aos momentos finais da tribulação (derrota do anticristo no Armagedom), a parábola do joio e do trigo nos leva a uma nítida concepção pós-tribulacionista.
2. OS PEIXES BONS E MAUS
Essa é outra parábola na qual Jesus usa uma figura muito corriqueira para seus interlocutores. Muitos daqueles que seguiam a Jesus eram pescadores e entenderam perfeitamente aquilo que o Mestre lhes ensinou. Logo após uma boa pescaria, a rotina dos pescadores era a mesma: sentavam e começavam a separar e jogar fora os peixes que não serviam, deixando apenas aqueles apropriados para o consumo.
Nesta parábola, Jesus deixa claro mais uma vez que a separação será feita pelos anjos "no fim do mundo", utilizando-se para "mundo" o termo grego aeon, que siginifica "sistema" ou "era" e não se refere ao planeta Terra em si.
O que fica expresso nestas parábolas é a idéia de separação num tempo definido e único e não de uma separação prévia dos elementos bons, deixando na Terra aqueles que são maus. Jesus usa parábolas em que a separação de bons e maus é feita no momento final do processo, sem diferenças de tempo. Em ambas parábolas abordadas, Jesus revela que os anjos executarão essa separação. Ao ler Apocalipse 14:14-20, não há como não relacionar esses eventos aos momentos finais do período tribulacional.
Maranata!
A GRANDE MENTIRA
“... A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira” (II Tessalonicenses 2:9-11)
Para que a população mundial aceite e se identifique com o anticristo e o seu regime, é necessário que o mesmo surja concretizando antigos sonhos da humanidade e seja alicerçado e legitimado através de argumentos e sinais que façam até mesmo os mais céticos e intelectuais acreditarem cegamente em seu engano.
Como já comentamos neste site, uma gigantesca onda de conscientização mundial e condicionamento mental já está ocorrendo. De acordo com I João 5:19, o mundo (sistema) jaz inteiramente no maligno. Ou seja, o sistema e grande parte da mídia estão comprometidos com Satanás e os seus planos, quer saibam ou não. Existe em andamento uma grande conspiração ocultista e maligna, denominado na Bíblia como "mistério da iniquidade", que visa a instauração da nova ordem mundial com o intuito exclusivo de promover a adoração em massa a Satanás e seu representante (anticristo). Esse é o objetivo central do acusador desde a sua queda: ser adorado como deus (Ezequiel 28: 1-19).
Filmes, livros, músicas, presidentes, organizações internacionais, ONGS, e até mesmo denominações e religiões, cada um da sua forma e nas suas áreas de atuação, estão de forma paulatina concretizando a instalação plena do sistema da besta profetizado em Apocalipse 13:1-18. Porém, para que ocorra o que foi profetizado por Jesus em Mateus 24: 24-25, algo realmente grande, surpreendente, concreto e assustador deve acontecer pouco antes da revelação do filho da perdição, para que todos sejam “convencidos” e aceitem a manifestação do anticristo, inclusive os mais céticos. A população mundial reconhecerá o anticristo como um ser “iluminado”.
De acordo com os versículos citados anteriormente, somente os escolhidos identificarão esse grande engano mundial e serão perseguidos por isso:
“Porque surgirão falsos profetas e falsos messias, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que eu vo-lo tenho predito” (Mateus 24:24-25). Também o apóstolo Paulo nos dá subsídios para identificar a grande mentira que legitimará a manifestação do anticristo: “... a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira” (II Tessalonicenses 2:9-11).
É interessante constatar nessas passagens e em muitas outras, o intuito divino em revelar e avisar aos seus servos sobre essa grande onda de engano que ocorrerá no final dos tempos. Isso nos mostra, mais uma vez, a presença da Igreja durante esses acontecimentos.
Satanás, mestre do engano, nunca nega totalmente as verdades determinadas por Deus, porém tenta sutilmente inocular seu engano venenoso acompanhado de “meias-verdades”, com o propósito de ludibriar o maior número de pessoas possível.
UM GRANDE SINAL
Jesus, em seu sermão profético contido em Mateus 24, repete três vezes a expressão “ninguém vos engane”. Como já vimos anteriormente, o propósito central do diabo é enganar através da mentira. É muito mais fácil confundir alguém imitando algo aceitável e esperado, do que conseguir isso apresentando uma idéia assustadora e desagradável. Assim devem surgir o anticristo e o falso profeta: ambos se manifestarão como seres “iluminados” e “enviados pela divindade”. Fica patente, tomando como base os veementes avisos deixados pelo Senhor Jesus, Paulo e outros apóstolos, que algo realmente sobrenatural e impactante deva ocorrer, para convencer toda a humanidade (com exceção dos escolhidos), que o anticristo e o falso profeta são realmente seres “enviados por Deus”.
Nas últimas décadas, as pessoas têm sido condicionadas mentalmente através da mídia da possibilidade cada vez maior de existência de vida extraterrestre. Ao mesmo tempo, cresce no mundo o clamor por uma liderança forte e carismática que resolva seus problemas mais profundos. Há inclusive uma ramificação da ufologia que acredita, como resultado de supostos “contatos”, que a Terra está prestes a experimentar um novo ciclo de desenvolvimento global, corroborando todas as expectativas místicas e ecumênicas daqueles que pregam a “Nova Era de Aquário”. Segundo eles, a qualquer momento, esses “seres iluminados vindos do espaço” aparecerão trazendo a “solução” para a humanidade aflita. De acordo com as pessoas envolvidas nessas questões, esse processo, dentre outros nomes, é chamado de “Operação Terra”, que virá acompanhada de grandes cataclismos e mudanças cósmicas e orbitais do planeta, não com o objetivo de julgamento, como nos revela a Bíblia, e sim para “purificar” o planeta e deixá-lo apto a participar da “Nova Era de Aquário”, segundo afirmam eles...
Segundo a “Operação Terra”, num primeiro estágio do processo, algumas pessoas seriam “abduzidas” ou “raptadas”, com o objetivo de receberem “aprimoramento espiritual”. Neste ponto, alguns defensores do pré-tribulacionismo, ou seja, do arrebatamento anterior à tribulação, sugerem que essa será a explicação que o anticristo usará para justificar o desaparecimento de milhões de pessoas no arrebatamento pré-tribulacional. Porém, há uma notória incongruência nessa interpretação. De acordo com os ufólogos místicos e os seus “contatos”, as pessoas que serão “abduzidas”, são aquelas que atualmente mantêm algum tipo de contato com esses “seres” (que nós sabemos serem demônios enganadores).
Por exemplo, de acordo com a “Operação Terra”, essas pessoas são as que atualmente estão envolvidas misticamente com a Nova Era de Aquário e serão “treinadas espiritualmente” para estabelecerem, como auxiliares, a nova era global de paz sobre o mundo. Isso não tem nada a ver com a explicação pré-tribulacionista! Os retirados da Terra não serão aqueles que combatem esse tipo de contato extraterrestre (nós, os verdadeiros cristãos), e sim aqueles que se “comunicam” freqüentemente com esses seres (demônios enganadores) e desejam de todo coração a sua manifestação. É provável que essas pessoas “abduzidas”, apareçam tempo depois, acompanhados por esses seres, inclusive com a visualização de “OVNIS” em todo o planeta, dando legitimação ao sistema do anticristo e ao engano generalizado.
Uma outra vertente que não podemos desconsiderar está relacionada a alguns filmes hollywoodianos. A maioria dos filmes que abordam essa temática, principalmente aqueles de maior repercussão, como "Independence Day", "Guerra dos Mundos" e "Skyline", apresentam esses seres como destruidores... Se aqueles que estão trabalhando para a instauração do sistema da besta estiverem influenciando e até mesmo produzindo tais filmes, o que consideramos bem provável, então devemos estar atentos aos "recados" que eles estão passando de forma subliminar à numerosa população que assiste a esses filmes.
Por exemplo, no caso do filme "Skyline", o exemplo mais recente, com previsão para ser lançado nos próximos meses, há uma cena que mostra milhares de pessoas sendo abduzidas ao mesmo tempo... você poderá assistir a esse trecho. Nesse caso, os seres que abduzem essas pessoas são os mesmos que lançam um ataque violento sobre as principais cidades do mundo. Ao mesmo tempo, vemos que a ideía que quase todos têm sobre "arrebatamento" (estamos falando da população em geral), provém da série de filmes e livros "Deixados para Trás", série essa que defende um rapto secreto, pois é inteiramente baseada nas premissas pré-tribulacionistas. Sempre nos chamou a atenção como essa série obteve um sucesso tão estrondoso, até nos meios seculares.
Então, dentro do gigantesco plano de engano que as forças malignas trarão à humanidade e se o filme "Skyline" estiver sendo usado para trazer essa mensagem subliminar, devemos estar atentos também à possibilidade de uma "abdução" em massa, provocada ou influenciada por tais seres e seguida por grandes destruições, ser relacionada ao "arrebatamento". Quando falamos "arrebatamento" nos referimos ao que a maioria tem sido instruída a crer como arrebatamento, ainda mais depois do sucesso de "Deixados para Trás". Não nos referimos ao verdadeiro, o qual só ocorrerá logo após a grande tribulação. Nesse contexto, associar essa destruição por parte desses seres ao que a maioria tem sido condicionada a pensar como o arrebatamento cristão, provocará um pretexto forte para que a verdadeira Igreja e os verdadeiros cristãos sejam oficialmente perseguidos, já que se poderá associar a fé cristã aos seres que destruirão muitos lugares.
Irmãos, notem que são apenas cogitações do que poderá acontecer em função do nível de engano que sobrevirá em todo o mundo. O que temos certeza é que ocorrerão fenômenos nunca antes vistos, que enganarão até mesmo os mais céticos, fazendo com que se prostrem diante da besta e da sua imagem. Enquanto mais cientes estivermos do que está ocorrendo, mais condições teremos de ajudar e alertar outros irmãos.
Cabe a nós, os escolhidos, vigiarmos e estarmos alerta contra as astutas ciladas de Satanás. Esse é o nosso dever...
A PROTEÇÃO
É claro que, tanto o falso profeta quanto o anticristo, tentarão explicar à população mundial a maneira sobrenatural como parte dos cristãos serão protegidos em meio à tribulação.
Diante da proteção de parte da Igreja, o anticristo terá que explicar tanto o translado sobrenatural de parte da Igreja a um local desértico, como é mostrado em Apocalipse 12:14-16. Tal proteção sobrenatural aos servos do Senhor durante a grande tribulação, não pode ser confundida com o arrebatamento, que será para a totalidade da Igreja, tanto os vivos quanto os mortos de todos os tempos e que ocorrerá logo após a grande tribulação, durante a volta de Cristo em glória. Também, terá que explicar através do engano a derrota sobrenatural dos exércitos enviados para aniquilar esse grupo de cristãos protegidos. Após esse incidente, a fúria da besta fica acirrada e começa a perseguição impiedosa contra os membros da Igreja que permanecerão no sistema para testemunhar (v. 17).
Note que, de acordo com o Senhor Jesus, os sinais da besta não serão feitos para justificar um suposto arrebatamento pré-tribulacional dos cristãos, e sim para enganar a população mundial, com o objetivo de tornar o anticristo aceito e adorado como o “enviado de Deus”. Jesus, ao determinar a impossibilidade dos escolhidos serem enganados nesse período, deixa implícita mais uma vez a presença da Igreja na tribulação, vivendo esses dias difíceis que virão. De acordo com II Tessalonicenses 2:9-11, os ímpios acreditarão piamente na mentira e simulacro satânicos de “redenção” da humanidade: “...a esse iníquo cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. Por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira”.
Queremos deixar claro que a legitimação ou manifestação plena do anticristo, sendo “apresentado” como tal à humanidade por “seres extraterrestres” e até mesmo o possível “aparecimento” de OVNIS, tudo isso encaixado dentro de um grande simulacro satânico, é apenas uma cogitação do que poderá ocorrer em termos de engano e mentira na tribulação. O que nos sabemos com certeza é que coisas espantosas e assombrosas ocorrerão por ocasião da manifestação plena do anticristo, o que deve acontecer depois da sua aparição política. Cabe a nós ficarmos alerta e vigiar, palavra constantemente usada pelo Mestre para Sua igreja, em especial para os eventos relacionados aos últimos tempos.
HORA DE VIGIAR
Diante de todo esse cenário maligno, que já começa a ser concretizado, e no qual, de acordo com tudo o que temos mostrado neste site, estaremos inseridos, cabe a pergunta: estão todos os cristãos preparados para não caírem no engano satânico a nível mundial? Estão sendo os cristãos ministrados e treinados para identificarem esses futuros sinais malignos e sorrateiros da besta?
Jesus começou o sermão profético com a seguinte advertência: “Ninguém vos engane” (Mateus 24:4). Ele sabia que nos últimos tempos haveria um grande simulacro de “redenção global” através de um messias impostor e que, se possível fosse, enganaria até os escolhidos.
Fica aqui o nosso alerta, baseados no ministério de atalaia, expresso em Ezequiel 33:1-9. Não é mais tempo de querer viver de acordo com os padrões deste mundo, pois os mesmos encontram-se totalmente comprometidos e envolvidos com o estabelecimento da nova ordem mundial, que será a base de sustentação do anticristo. Não é mais tempo de se considerar um “super-crente”, intocável, acima de qualquer acontecimento ou processo tribulacional. Quando Paulo escreveu “posso todas as coisas naquele que me fortalece”, não o fez no sentido de ser um “super-crente” ou intocável. Se lermos os versículos anteriores, veremos que ele estava referindo-se à capacidade que o cristão tem, em Cristo Jesus, de passar e suportar todas as situações, sejam elas boas ou ruins (Filipenses 4:10-13). Ao mesmo tempo em que devemos estar preparados para receber curas, bens, prosperidade e bênçãos de Deus, devemos estar preparados para sofrer perseguições e tribulações por causa do testemunho de Cristo (Mateus 5:10).
Essa é a nossa visão e esperança para esses tempos e os que virão. Poderemos passar por todas as coisas, pois Deus nos fortalecerá em meio a elas, até mesmo na grande tribulação. Nossa esperança não deve estar neste mundo nem em seu sistema político. Nossa esperança deve estar na vinda de Jesus em glória, para arrebatar a Igreja, destruir o anticristo e o seu sistema, e instaurar o seu reino.
Chega de seguir falsos líderes que prometem um paraíso imediato para quem quiser. Não foi esse o ensinamento deixado pelo Mestre (Mateus 28:20). Chega de absorver ensinamentos parciais da Bíblia, fabricar teologias com base em versículos retirados do seu contexto geral e não estudar a mensagem total da Bíblia, que nos mostra o plano de Deus para a humanidade através dos séculos.
Paulo alerta em sua segunda carta a Timóteo 4:3-4: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fabulas”. Essa é uma revelação que Paulo teve do futuro, que corresponde a nosso atual presente. O apóstolo descreve que, num determinado momento do futuro, o evangelho seria "pesado" demais para ser seguido e não seria suportado em sua essência, ocasionando o desvio da verdade e a crença em "fábulas". Na primeira carta a Timóteo, Paulo tinha abordado o mesmo tema, deixando um aviso mais específico e direto: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios” ( I Timóteo 4:1).
Se você não deseja ser enganado pelo futuro sistema do anticristo nem pela base religiosa que lhe dará sustentação, é hora de viver os ensinamentos de Cristo (João 6:68), exercitar a doutrina dos apóstolos (Atos 2:42) e examinar as Escrituras constantemente (Mateus 22:29). Nossa esperança não deve estar nas coisas aparentes e sim naquelas que não são aparentes. O sistema (mundo) jaz inteiramente no maligno (I João 5:19). Portanto, viver procurando estar cada vez mais inserido nesse sistema, desfrutando de tudo o que ele pode oferecer e não anelar de todo coração a vinda de Jesus e o seu reino, é um grande perigo. Esses cristãos correrão o alto risco de serem sorrateiramente enganados pela grande mentira do anticristo.
Nossa esperança para a solução definitiva dos problemas mundiais é a volta de Jesus e a instauração do seu reino. É preciso ter muito cuidado com líderes que só ministram um evangelho voltado para o dia a dia e as necessidades corriqueiras, apresentando apenas promessas agradáveis aos ouvidos, e se esquecem de ensinar a respeito das perseguições e tribulações que esperam a Igreja antes de seu encontro com o Senhor. Nossa bem-aventurada esperança é a concretização do reino de Deus sobre a Terra, através da volta de Jesus em glória! (Tito 2:13).
PROGRESSÃO ARITMÉTICA
Alguns duvidam do fato das profecias concernentes aos últimos tempos estarem prestes a se cumprir. É claro que durante toda a história, muitos se levantaram para determinar “o fim dos tempos” já em seus dias, o que obviamente não ocorreu... Nos tempos de Paulo, surgiu um movimento na cidade de Tessalônica, o qual afirmava que Jesus voltaria a qualquer momento para arrebatar a sua Igreja. O apóstolo, ao saber desse engano, corrige imediatamente essas pessoas em II Tessalonicenses 2:1-4 e deixa claro que a vinda de Jesus e a nossa reunião com Ele (arrebatamento), não se darão antes da concretização de certos sinais (apostasia e manifestação espiritual do anticristo). Desta forma, o apóstolo Paulo nos deixa uma chave para poder entender melhor os eventos dos últimos tempos e poder afirmar se estamos ou não vivendo esses momentos.
Referente ao tempo do fim, Daniel escreve: “Muitos serão purificados, e embranquecidos, e provados; mas os ímpios procederão ímpiamente, e nenhum dos ímpios entenderá, mas os sábios entenderão” (Daniel 12:10). Ou seja, fica claro que, quando chegarem esses tempos finais, os sábios entenderão. Para aqueles que duvidam da concretização das profecias para o fim dos tempos já nos próximos anos, devemos fazer algumas considerações:
Em Daniel 12:4, fica expresso que nos últimos tempos a ciência se multiplicaria. Se analisarmos matematicamente, multiplicar não expressa somente um simples crescimento, mas um crescimento aritmético. É muito simples: se multiplicarmos 2x2, teremos como resultado 4. Se continuarmos multiplicando, no decorrer de apenas 5 multiplicações sucessivas, teremos 64! Não foi apenas um crescimento ou soma, mas uma multiplicação ou progressão exponencial. Isso também se aplica à iniqüidade.
Em Mateus 24:12, Jesus nos diz que a iniqüidade se multiplicaria. Se já vivemos num mundo cheio de malignidades e no qual já existe um clima apropriado para o aparecimento do anticristo, tanto no aspecto religioso quanto no âmbito político, e se a iniqüidade se multiplica aritmeticamente, podemos chegar a conclusão que já estamos às portas dos acontecimentos finais. Nessa passagem, existe uma informação importante para entender melhor a permanência da Igreja no período tribulacional. Jesus diz que, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Logo após essa profecia, Jesus descreve a abominação da desolação.
Essa seqüência (esfriamento espiritual-abominação da desolação) está intimamente de acordo com o exposto por Paulo em II Tessalonicenses 2:1-3, no qual o apóstolo deixa claro que a vinda de Jesus e a nossa reunião com Ele, não ocorreria antes da apostasia (afastamento da fé ou “esfriamento espiritual”) e da manifestação do anticristo (abominação da desolação). Isso relaciona a manifestação do anticristo como tal a uma atitude de desvio da fé de grupos denominados “cristãos”.
Também é interessante notar que, quando Jesus fala de esfriamento espiritual, está referindo-se a um grupo de pessoas que já viveu o amor de Cristo e que deixou esse amor esfriar, o que não podemos relacionar com a nação israelense, que nunca reconheceu Jesus como Messias e que, pelo contrário, começará a amar a Jesus e a reconhece-lo como Messias a partir dos eventos tribulacionais.
O conceito de multiplicação também se aplica às mudanças geo-políticas. Basta olhar um pouco para o passado recente e compreender o que estamos falando. Há apenas 15 anos (1988), a realidade geo-política e tecnológica era muito diferente da que temos hoje. Em 1988, o mundo ainda vivia os efeitos da “guerra fria” e estava dividido em dois grandes blocos (capitalista e socialista). A questão palestina apenas começava a ser negociada. A Europa não estava unida nem tinha uma moeda única. A palavra “globalização” não fazia parte do nosso dicionário cotidiano. Não tínhamos acesso a coisas que hoje são corriqueiras como internet, celular, biometria, rastreamento via satélite, e outros sistemas tecnológicos, que, provavelmente, serão utilizados pelo sistema da besta para implementar seu controle sobre a população mundial . Tudo isso aconteceu em apenas 15 anos! Se seguirmos o princípio da multiplicação, nos próximos anos ou meses veremos uma rápida sucessão de acontecimentos assombrosos que, muito provavelmente, desencadearão o tempo do fim e o período tribulacional, que antecederá a volta de Jesus e o arrebatamento da Igreja.
É importante estar atento aos sinais concretos existentes na Palavra, pois os mesmos foram revelados para nossa edificação e ajuda. É interessante constatar que, por ocasião do nascimento de Jesus, nenhum dos doutores da lei, que estavam acostumados a ler e interpretar as Escrituras diariamente, percebeu um sinal visível da vinda do Messias: a estrela. Foi necessário que astrônomos vindos do oriente percebessem a literalidade da profecia contida no livro de Números e a associassem ao nascimento do Messias prometido. Por essa razão, não devemos apenas “metaforizar” e “alegorizar” as revelações escatológicas, mas sim estarmos atentos ao seu cumprimento literal e concreto, pois, além dos fenômenos espirituais, muitos fenômenos físicos, astronômicos, políticos, religiosos, sociais e tecnológicos ocorrerão antes da segunda vinda do Messias.
A única forma de não ser enganado pelo futuro sistema maligno é através da comunhão com Deus e do direcionamento da Palavra. Jesus disse que o desconhecimento das Escrituras e do poder de Deus gera o erro e o engano (Mateus 22:29). É muito perigoso querer viver apenas a base de milagres e sinais sobrenaturais, pois o anticristo e o falso profeta também farão sinais, milagres e prodígios (II Tessalonicenses 2:9).
Maranata!
A IGREJA E O ARREBATAMENTO
Talvez essa seja a questão central dentro da proposta deste site. Em que momento dos acontecimentos proféticos se dará o nosso encontro nos ares com o Senhor Jesus, tal qual foi revelado em Mateus 24:30-31 e I Tessalonicenses 4:16-17?
Entendemos, pelas razões que exporemos mais adiante, que o encontro da Igreja glorificada com o Senhor nos ares não pode ser dissociado de Sua gloriosa vinda. Neste capítulo, abordaremos alguns tópicos que nos direcionam a acreditar que o chamado arrebatamento ou encontro dos salvos com Jesus nos ares será um evento que ocorrerá ao mesmo tempo da segunda vinda de Jesus, logo após a grande tribulação. Essa questão assume vital importância, pois observamos que muitos não estão atentando para essa questão. Muitos sequer cogitam a possibilidade de passar por esses momentos de tribulação e provação (I Pedro 1:7).
Da mesma maneira que a Igreja primitiva teve que escolher entre viver de acordo com os princípios espirituais e morais do império romano e a reclusão das catacumbas, devido à implacável perseguição desencadeada a partir do ano 64 d.C., a Igreja nos últimos tempos se verá diante de igual conjuntura. Aceitar a marca do anticristo ou viver à margem do sistema político, econômico, social e religioso que governará o mundo? Talvez você tenha que responder a essa pergunta num futuro muito próximo...
Não queremos ser conclusivos. Acontecendo o arrebatamento antes, durante ou após a grande tribulação, o vital é que o cristão esteja preparado para esse momento maravilhoso em que aqueles que morreram em Cristo serão ressuscitados e os que estiverem vivos serão transformados recebendo corpos celestiais para, ato contínuo, encontrar-se com Cristo nos ares e reinar com Ele sobre a Terra e toda a criação. O que nos chama a atenção é que, ocorrendo o arrebatamento logo após a grande tribulação, muitos não estejam realmente preparados para enfrentar esses dias difíceis, pois a maioria defende o arrebatamento como um evento pré-tribulacional. Muitos atualmente estão mais preocupados em estar cada vez mais inseridos na sociedade, aproveitando tudo o que ela pode oferecer, do que dedicados ao estudo das profecias escatológicas. Que tipo de postura essas pessoas terão diante dos últimos acontecimentos? É hora de se preparar, porque não sabemos o dia nem a hora em que Jesus virá (Mateus 24:42). A seguir, abordaremos alguns tópicos que nos mostram claramente que o chamado “rapto” ou encontro dos salvos com Jesus, será um evento que acontecerá ao mesmo tempo da segunda vinda de Jesus em glória, ou seja, logo após a grande tribulação. Ao mesmo tempo, tentaremos explicar porque o sistema pré-tribulacionista além de ser um ensino novo no seio da Igreja, não possui suficiente base bíblica. Neste estudo não estão incluídos todos os pontos referentes à questão abordada. Em todo nosso site você encontrará outros estudos, comentários e reflexões que certamente completarão o que é exposto aqui.
Analisemos alguns textos bíblicos que abordam os temas “arrebatamento” e “segunda vinda”.
LOGO APÓS A GRANDE TRIBULAÇÃO
Na revelação profética proferida por Jesus poucos dias antes de Sua morte, a qual encontra-se registrada nos livros de Mateus, Marcos e Lucas, o Senhor relaciona diretamente o arrebatamento à vinda em glória, deixando claro que acontecerão ao mesmo tempo. Em Mateus 24:29-31, diz textualmente:
“E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus”.
Nesse texto, fica claro que a segunda vinda de Jesus acontecerá logo após a grande tribulação (Mateus 24:21), será visível a nível mundial e em glória. É neste momento que os escolhidos serão arrebatados de todas as partes da terra.
As palavras do Mestre são diretas e reveladoras. Lembremos que naquele dia, em razão da pergunta de alguns discípulos, os quais tinham ficado chocados quando o Senhor lhes disse que o Templo de Jerusalém seria destruído, o Mestre se deteve para explicar-lhes de forma pormenorizada os principais eventos proféticos e sinais que antecederiam Sua volta. Não foi, como sustentam alguns, uma revelação exclusiva para os judeus. Jesus estava lidando naquele momento com os discípulos que seriam Suas testemunhas no começo da Igreja e que iriam apascentar essa Igreja. Poucos antes de subir aos céus, Cristo instrui Seus discípulos, os mesmos que tinham ouvido aquelas importantes revelações proféticas, para que fossem e fizessem discípulos de todas as nações (não apenas judeus), batizando essas pessoas em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando essas mesmas pessoas a guardarem todas as coisas que Ele lhes tinha mandado (Mateus 28:19-20). Dentre “todas as coisas” que o Senhor lhes tinha revelado estão, obviamente, as revelações feitas no Monte das Oliveira pouco antes de ser crucificado.
Portanto, não há nenhuma base para afirmar que Mateus 24:29-31 se aplique ao povo judeu e não à Igreja. Quem ensina isso está tentando fazer com que a revelação se encaixe dentro de seu sistema escatológico em vez de deixar que sua posição escatológica seja delineada pelo que revela claramente a Palavra de Jesus Cristo. Por outro lado, as intervenções de Paulo a respeito desses temas obedecem fielmente ao que já havia sido ensinado pelo Senhor. Não existe uma “escatologia de Paulo” dedicada à Igreja e distinta da escatologia ensinada pelo Senhor. Pelo contrário, Paulo, apóstolo que se destaca por seu sincronismo escatológico com os ensinamentos de Cristo, narra em I Tessalonicenses 4:16-17 um cenário idêntico ao profetizado por Jesus em Mateus 24:29-31, atribuindo esse momento ao arrebatamento da Igreja. Nos parece inapropriado sustentar que ambos os textos se referem a momentos e situações diferentes e que Mateus 24:29-31 não se refere ao arrebatamento da Igreja.
ENCONTRO NOS ARES
Na primeira carta aos tessalonicenses, o apóstolo Paulo explica mais uma vez como acontecerão os fatos (I Tessalonicenses 4:13-18). No versículo 16 ele aborda a vinda do Senhor, dando a entender que esta vinda não será oculta para as pessoas em geral e sim visível. A exemplo do que fez Jesus no sermão profético, Paulo relaciona diretamente o arrebatamento a uma manifestação gloriosa do Senhor. Vejamos:
“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro, depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor”.
Fica claro que o apóstolo Paulo está falando sobre a segunda vinda de Jesus em glória, lembrando aquilo que já havia sido revelado pelo Senhor! É muito mais coerente crer assim do que afirmar que Paulo estava se referindo a um evento completamente distinto do que havia sido revelado pelo Mestre. Como já comentamos, são notórias e impressionantes as semelhanças com a narrativa do sermão profético de Jesus: a) presença de anjos e arcanjos, b) o som das trombetas e c) grande alarido, poder e glória.
Sem dúvidas, Paulo tinha conhecimento da narrativa profética de Jesus no Monte das Oliveiras, e traça em I Tessalonicenses 4:13-18 um relato desse mesmo evento. Nos parece temerário sustentar que Paulo estava referindo-se a um momento diferente àquele ensinado por Jesus...
AO SOM DA ÚLTIMA TROMBETA
Toda vez que Paulo ensina algo novo para os irmãos, algo que não havia sido revelado ainda, ele deixa claro que se trata de um mistério até então encoberto. Em sua primeira carta aos irmãos em Corinto, ele traz uma revelação a respeito da glorificação corpórea que ocorrerá no momento da gloriosa vinda do Senhor sobre os vivos e os mortos que fazem parte da Igreja. Em I Coríntios 15:51-52 está escrito: “Eis aqui vos digo um mistério: Nem todos dormiremos; mas todos seremos transformados. Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados”. Note que o apóstolo menciona “ante a última trombeta”. Aqueles que já leram o livro de Apocalipse sabem que a última trombeta ou a sétima de um total de sete, será o sinal que desencadeará uma série de acontecimentos que levarão à derrota final do anticristo e do falso profeta diante da vinda de Jesus em glória (Apocalipse 11:15). Por essa razão, alguns tendem a relacionar a última trombeta descrita por Paulo na carta aos corintios à sétima trombeta do Apocalipse, o que, “cronologicamente”, está correto, pois a sétima trombeta desencadeará os últimos eventos tribulacionais, porém na prática não se caracteriza literalmente com a “última trombeta” mencionada pelo apóstolo dos gentios, já que o Apocalipse não havia sido sequer escrito quando a carta aos coríntios foi escrita. Também, não tem sustentação, para encaixar essa última trombeta dentro do sistema pré-tribulacionista, basear-se na passagem de Números 10:1-10, com o propósito de afirmar um último toque de trombetas dentro de uma série específica, pois a afirmação de Paulo é contundente: o arrebatamento será ao soar da última trombeta.
A posição mais correta e equilibrada, ao interpretar o que significa “a última trombeta”, está, mais uma vez, no próprio relato de Jesus. Ele determinou em Seu sermão profético que a Sua volta seria visível, gloriosa, acompanhada de anjos e ao som de trombeta (Mateus 24:30-31). Portanto, não há razões para negar que Paulo, novamente, se sujeita ao ensino de Cristo e transmite esse ensino aos irmãos em Corinto. De acordo com Paulo, o mistério, que é a glorificação corpórea dos santos vivos e mortos, se dará ao soar a última trombeta. O mistério revelado a Paulo não é a trombeta, mas a glorificação da Igreja quando soar essa última trombeta. A trombeta profética final e definitiva soará no momento da gloriosa volta do Senhor e isso já havia sido revelado por Ele mesmo (Mateus 24:31). Essa constatação relaciona, mais uma vez, o arrebatamento da Igreja à vinda em glória do Mestre.
MÁRTIRES NA TRIBULAÇÃO
Em Apocalipse 6:9-11, é narrada uma forte cena.. Aparecem irmãos que haviam sido martirizados por causa da Palavra do Senhor e pelo testemunho que haviam dado em sua geração, clamando ao Senhor por justiça e sendo consolados por Ele. Naquele momento é dito a eles que é preciso que esperem ainda “um pouco de tempo” até que se completasse o número de seus conservos e seus irmãos que haveriam de ser mortos, como também eles foram. Esse texto fala claramente de cristãos pertencentes à Igreja primitiva e aos posteriores que foram martirizados por seu testemunho e vida cristã. O martírio, via de regra, está relacionado à oposição oficial e institucional contra o Evangelho. Durante séculos, muitos morreram por causa da sua fé em Cristo e isso é bíblica e historicamente inquestionável. Porém, de acordo com a Palavra, é necessário que esse número de mártires se complete. Como isso continua acontecendo hoje, ainda que em menor número, esse número só será completado nos últimos dias, em pleno período tribulacional, já que é clara a presença de martirizados durante esse período (Apocalipse 20:4-6).
Durante o período tribulacional haverá a maior de todas as perseguições e tribulações institucionais contra a Igreja do Senhor. O texto de Apocalipse 6:9-11 deixa implícito que a perseguição nos últimos dias será semelhante à enfrentada pela Igreja primitiva: “..até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos que haviam de ser mortos como eles foram”, ou seja, um grupo de cristãos perseguido por um império político e religioso como aconteceu com os nossos primeiros irmãos.
A PRIMEIRA RESSURREIÇÃO
Em Apocalipse 20:4-6 está revelado:
“E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram à besta, nem à sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos”.
Essa passagem é muito reveladora. Quando a Bíblia fala em primeira ressurreição, exclui automaticamente outra anterior, exceto os fatos específicos e reduzidos acontecidos no decorrer da história como é o caso, por exemplo, da ressurreição de algumas pessoas durante a crucificação de Jesus ou aqueles ocorridos no ministério do profeta Eliseu, as quais diferem da “primeira ressurreição” na questão da glorificação. A glorificação corpórea para a Igreja, como ensina Paulo em I Coríntios 15:50-52, ocorrerá ao som da última trombeta. Nem antes, nem depois.
Se a passagem que citamos inclui na primeira ressurreição aqueles que não adorarão à besta e morrerão por isso, então essa primeira ressurreição, obviamente, não pode acontecer antes da tribulação, pois a manifestação e poderio da besta ocorrerão em plena grande tribulação. Por outro lado, se esta é a primeira ressurreição, fica bastante óbvio que não haverá nenhuma ressurreição em massa anterior a esse momento. Alguns, ao deparar-se com esse claro e objetivo argumento, tentam contra-argumentar sustentado a divisão da primeira ressurreição em “etapas”. Porém, o texto apocalíptico é taxativo: “Esta é a primeira ressurreição”. A ressurreição da Igreja “por etapas” não é revelada na Palavra. Pelo contrário, o apóstolo Paulo ensina que a ressurreição dos que são de Cristo se dará na volta Dele (I Coríntios 15:23).
Também é interessante observar na passagem de Apocalipse 20:4-6 que, aqueles que participam dessa primeira ressurreição, não serão tocados pela segunda morte. Ou seja, a ausência eterna da comunhão com Deus. Então, de acordo com o sermão profético de Jesus, as revelações de Paulo e os textos do Apocalipse que analisamos, participarão desta primeira ressurreição aqueles que morreram em Cristo (inclusive durante a grande tribulação). Aqueles que ainda estiverem vivos no momento da vinda gloriosa do Senhor serão transformados,como ensina Paulo em I Coríntios 15:50-52..
APOSTASIA E ANTICRISTO PRIMEIRO
A segunda carta de Paulo aos irmãos em Tessalônica é riquíssima em esclarecimentos proféticos. Em II Tessalonicenses 2:1-3, o apóstolo Paulo divinamente inspirado, volta a relacionar diretamente o arrebatamento à segunda vinda de Cristo em glória. Esse ensinamento do apóstolo foi proferido com o propósito de combater alguns que pregavam, já em meados do século I, a iminência da vinda de Cristo. De acordo com esses falsos mestres, o Senhor voltaria a qualquer momento já naqueles dias. Paulo sabia que tal vinda não poderia ocorrer sem a concretização dos sinais previamente profetizados pelo Mestre. Vejamos:
“Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto. Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição”.
Neste texto ficam claras duas verdades:
a) Paulo associa nossa reunião com Cristo (arrebatamento) ao momento da vinda de Jesus. Mais uma vez, entendemos que é temerário supor que Paulo estava falando de uma vinda “diferente” à vinda descrita pelo próprio Jesus no sermão profético.
b) Esses dois eventos relatados na parte anterior (vinda e arrebatamento), não acontecerão antes da apostasia e da manifestação do anticristo, colocando obviamente esses eventos para o final do período tribulacional.
Um fato interessante nesta passagem, é que Paulo não menciona um arrebatamento pré-tribulacional como um dos precedentes necessários para a vinda do Dia do Senhor. Paulo usa como precedentes para tal vinda a apostasia e a manifestação do homem do pecado. Contudo, o arrebatamento secreto seria o argumento mais forte que Paulo poderia apresentar aos irmãos de Tessalônica para mostrar que a vinda de Jesus ainda não havia ocorrido... A omissão desse argumento vital, nos mostra mais uma vez que Paulo não tinha qualquer ensinamento a respeito de um arrebatamento pré-tribulacional da Igreja. É notório também que, ao analisar o resto do texto sem preconceitos, chegamos à conclusão de que o que detém a revelação do anticristo não é a Igreja nem mesmo o Espírito Santo, enviado à Igreja, pois a manifestação do filho da perdição se dá cronologicamente antes do encontro entre Jesus e Sua Igreja, ou seja, antes do arrebatamento. Por outro lado, fica implícito que Paulo toma o cuidado de não mencionar “aquilo” e “quem” detém a revelação do anticristo. Se fosse a Igreja ou o Espírito Santo, haveria razões para Paulo ocultar o sujeito por duas vezes, mesmo considerando que os tessalonicenses já tinham ouvido isso diretamente de Paulo?
Alguns têm sugerido que o termo “apostasia” deve ser entendido como uma referência ao próprio arrebatamento ao afirmar que o termo “apostasia” significa “partida”. Então, de acordo com esse entendimento, a Igreja seria retirada da Terra antes da manifestação do anticristo. Oferecemos uma resposta a esse argumento mais adiante, quando abordaremos os principais argumentos pré-tribulacionistas.
Mais uma vez, é necessário notar a sujeição de Paulo aos ensinamentos proferidos por Jesus no sermão profético, registrado em Mateus 24 e também em Marcos e Lucas. Paulo, para mostrar aos irmãos em Tessalônica que a vinda do Senhor não ocorreria “a qualquer momento” dá dois grandes sinais que antecederão a volta do Senhor e nossa reunião com Ele: a apostasia e a manifestação do anticristo. Tal revelação está em plena sincronia com o que já tinha sido revelado por Cristo no sermão profético. Jesus profetizou como sinais que antecederiam Sua volta o esfriamento do amor por parte de muitos (Mateus 24:12) e a abominação desoladora (Mateus 24:15). São os mesmos sinais apontados por Paulo em II Tessalonicenses 2:1-3, deixando claro mais uma vez que o apóstolo considerava o sermão profético de Jesus a base escatológica que deveria ser seguida por todos os cristãos, sem exceções!
ALÍVIO NA TRIBULAÇÃO
Analisemos ainda a passagem de II Tessalonicenses 1:7-8:
“E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo”
Devemos observar que o apóstolo Paulo se refere aqui ao dia em que os cristãos seriam finalmente libertos das perseguições e tribulações do mundo. É importante destacar alguns pontos fundamentais nessa passagem:
a) Quem são as pessoas que estão sendo atacadas e atribuladas de acordo com essa passagem? Obviamente, trata-se dos cristãos vivos ao tempo do apóstolo Paulo e que viviam constantemente sob perseguição. Por abrangência, o texto se refere a todos aqueles que pertencem à Igreja e que estiverem vivos no tempo da volta de Cristo,sob intensa perseguição e tribulação.
b) Quando eles terão descanso das tribulações? O apóstolo é claro: “... quando do céu se manifestar o Senhor Jesus...” Uma manifestação, como descreve a passagem, acompanhada de grande majestade e poder. Paulo descreve a volta do Senhor Jesus acompanhado dos anjos do Seu poder, como uma “labareda de fogo”, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e não obedecem as boas novas do Senhor Jesus. Nada disso nos remete a um rapto secreto e sim a um evento visível e glorioso. O versículo 8 não deixa muita margem de dúvida que a passagem está referindo-se a gloriosa volta do Senhor quando associa essa manifestação poderosa à destruição dos inimigos de Deus. O versículo seguinte (II Tessalonicenses 1:9) esclarece ainda mais a questão ao revelar que os inimigos do evangelho sofrerão, como castigo, a eterna perdição. Ou seja, Paulo não está falando de uma vinda que gerará um período tribulacional, mas de uma vinda que trará juízo definitivo. É obvio, portanto, que Paulo só pode estar se referindo à vinda do Senhor em glória, que se dará exatamente logo após a grande tribulação. O que fica evidente então é que os cristãos terão alivio definitivo de suas tribulações quando Cristo retornar para buscá-los e, ao mesmo tempo, derrotar o anticristo e as suas hostes, instaurando Seu reino de amor e justiça sobre a Terra.
GALARDÕES APÓS A SÉTIMA TROMBETA
Em Apocalipse 11:17-18, os vinte e quatro anciãos expressam:
“...Graças te damos, Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que tomaste o teu grande poder, e reinaste. E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra”.
Observando o contexto onde se dá essa exclamação dos vinte e quatro anciões, vemos que ele ocorre logo após o toque da sétima trombeta, deixando evidente que a entrega de galardões para os santos (recompensa), se dará após o toque da sétima trombeta e não antes. O tempo do recebimento da recompensa por parte dos fiéis de todos os tempos é um evento relacionado neste versículo ao tempo da destruição dos que destroem a terra, relacionando mais uma vez o encontro da Igreja com Cristo como um evento inserido no final da tribulação e imediatamente anterior à derrota do anticristo, quando se concretizará a derrota final daqueles que destroem a Terra, assim como já vimos ao ler II Tessalonicenses 2:7-9.
Em Mateus 16:27, o Senhor já havia revelado que, por ocasião de Sua vinda, na glória de Seu Pai e acompanhado pelos Seus anjos, Ele recompensaria a cada um conforme a suas obras. No versículo seguinte (Mateus 16:28), o Senhor ensina que Ele virá em Seu reino e que isso será visível.
O MISTÉRIO DE DEUS E A SÉTIMA TROMBETA
Em Apocalipse 10:7, está escrito que o mistério de Deus se cumprirá “nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta”. Quando, sob o prisma dos últimos acontecimentos, abordamos os conceitos “mistério” e “trombeta”, observamos um interessante sincronismo entre esta passagem e a revelação dada a Paulo sobre o mistério que ocorreria ao soar da “última trombeta”. Esse sincronismo entre a revelação dada a Paulo e aquela recebida por João, nos parece muito mais do que uma mera coincidência.
Como já vimos anteriormente, se formos coerentes com a clareza da revelação, a última trombeta será tocada no momento da manifestação visível do Senhor nos céus (Mateus 24:31). Então, quando Paulo fala de “última trombeta”, cremos que o apóstolo está citando o que o Senhor já havia ensinado. Porém, considerando que o escritor do Apocalipse não faz nenhuma menção explícita ao encontro da Igreja com o Senhor nos ares, acreditamos que o mistério mencionado em Apocalipse 10:7 esteja relacionado a esse evento maravilhoso, no qual receberemos corpos glorificados. Isso se encaixa perfeitamente com o mistério mencionado por Paulo em sua primeira carta aos coríntios, situando, em ambos os casos, o arrebatamento na parte final da tribulação, ou seja, ao som da última trombeta ou, como identifica o escritor do Apocalipse, quando o sétimo anjo tocar a sua trombeta, desencadeando os eventos finais do período tribulacional, que desembocarão na vinda de Jesus, quando soará, como já vimos, a última trombeta.
O ARMAGEDOM E O ARREBATAMENTO
Em Lucas 17:37, após detalhar algumas características do arrebatamento e da Sua vinda em glória, Jesus é inquirido por seus discípulos com uma pergunta que muitos fazem atualmente:
- Onde Senhor? - Essa pergunta foi feita em função de todos os acontecimentos narrados por Cristo a respeito de Sua vinda, inclusive o arrebatamento, explicitando as dúvidas que eles tinham a respeito da localização geográfica e histórica dos eventos profetizados pelo Mestre. Jesus respondeu a Seus discípulos com uma declaração enigmática que está registrada não somente no texto de Lucas 17:37, mas também em Mateus 24:28: “...Onde estiver o corpo, aí se ajuntarão as águias”
Como já mencionamos, nos versículos anteriores, Jesus detalhou a Sua vinda gloriosa e o arrebatamento dos fiéis (Lucas 17:34-36), relacionando mais uma vez os dois eventos em questão. Ao responder com uma declaração enigmática e ao não diferenciar os eventos profetizados por Ele nos versículos anteriores, Jesus outra vez não faz nenhuma distinção temporal entre Sua vinda gloriosa e o arrebatamento da Igreja, nem entre essa vinda e a derrota dos exércitos do anticristo, como ficará demonstrado à continuação. Ainda mais: a pergunta dos discípulos foi feita imediatamente depois de Cristo descrever o arrebatamento (versículos 34 e 36), estando, obviamente, a resposta dessa pergunta atrelada diretamente à localização desse evento dentro do contexto dos últimos acontecimentos.
Se na resposta dada pelo Mestre nós vemos uma realidade que só será concretizada na derrota dos exércitos do anticristo no Armagedom, como abordaremos posteriormente ao comentar Apocalipse 19:17-18, fica estabelecida mais uma vez pelo próprio Cristo uma relação direta e única no tempo entre a Sua vinda gloriosa, o arrebatamento da Igreja e a derrota do anticristo e os seus exércitos no Armagedom, colocando todos esses eventos nos momentos finais da grande tribulação!
Voltando à declaração enigmática de Jesus em Lucas 17:37 e Mateus 24:28, vemos que os termos fortes utilizados por Cristo (aves de rapina se reunindo sobre o corpo), não parecem de forma alguma estar descrevendo nossa reunião com Ele, apontando para algo aterrador que ocorrerá por ocasião da Sua volta em glória.
Esse fato marcante e forte que ocorrerá na volta gloriosa de Cristo para arrebatar a Igreja, derrotar os exércitos do anticristo e livrar Israel está descrito em Apocalipse 19: 17-18, envolvendo os mesmos elementos citados por Jesus em Lucas 17:37 e Mateus 24:28 (aves de rapina e corpo): “...E vi um anjo que estava no sol, e clamou com grande voz, dizendo a todas as aves que voavam pelo meio do céu: Vinde e ajuntai-vos à ceia do grande Deus, para que comais a carne dos reis, e a carne dos tribunos, e a carne dos fortes, e a carne dos cavalos e dos que sobre eles se assentam; e a carne de todos os homens, livres de servos, pequenos e grandes”. Esse texto descreve os momentos subseqüentes à volta de Cristo, quando o mesmo derrotará os exércitos do anticristo no Armagedom e revela a sorte que terão os corpos dos exércitos derrotados, levando-nos a uma relação lógica com a declaração enigmática de Jesus em Lucas 17:37 e Mateus 24:28: “...Onde estiver o corpo, ai se ajuntarão as águias”.
Jesus, ao responder à indagação de Seus discípulos a respeito do arrebatamento com uma citação enigmática do que aconteceria por ocasião da derrota assustadora dos exércitos do anticristo no Armagedom, relaciona mais uma vez o arrebatamento dos fiéis à Sua vinda em glória.
O que fica patente em todos esses textos e em muitos outros que analisaremos neste site, é que o arrebatamento da Igreja não deve ser separado da volta de Cristo em glória. A clara constatação bíblica da participação da Igreja no período tribulacional nos chama a uma séria reflexão. Como se dará essa participação? Que atitudes deverão ter os servos do Senhor na terra diante do governo mundial maligno? Essas e outras perguntas serão respondidas na medida do possível no decorrer deste livro e nós esperamos de todo coração que o mesmo gere uma maior conscientização sobre o verdadeiro papel da Igreja nos últimos tempos.
O PRÉ-TRIBULACIONISMO
Os primeiros elementos para o surgimento da idéia do arrebatamento anterior à tribulação apareceram no século XIX, dentro do movimento carismático dos irvingistas. Até aquele século ninguém fizera qualquer distinção entre o arrebatamento e o segundo advento de Cristo. O movimento surgido entre os irvingistas, foi posteriormente popularizado pelos irmãos de Plymouth nos Estados Unidos, de onde, rapidamente, se propagou para outras denominações evangélicas, as quais, pelo fato de, em sua maioria, terem iniciado suas atividades de evangelismo internacional e crescimento a partir do século XVIII, absorveram a interpretação pré-tribulacionista, chegando em alguns casos a dogmatizá-la em seus credos.
Para entender porque essas igrejas abraçaram a novidade do pré-tribulacionismo, é necessário saber qual era a mentalidade escatológica daquele tempo.
A maioria dos cristãos no século XVIII era pós-milenista e historicista. Ou seja, eles entendiam que Jesus voltaria depois do Milênio e que os fatos e sinais profetizados no Apocalipse e noutras passagens bíblicas, já tinham se cumprido durante a história. Era comum interpretar os 1260 dias descritos no Apocalipse como 1260 anos, ou os 2300 dias descritos em Daniel como 2300 anos. Então, o pré-tribulacionismo surgiu nessa convergência histórica e baseado nessa mentalidade. A idéia de iminência (a volta de Jesus ocorreria “a qualquer momento”, pois todos os sinais já tinham se cumprido durante a história), foi unida à idéia de que os cristãos “cheios do Espírito Santo” seriam tomados para Deus antes da manifestação do anticristo, concepção divulgada a partir de uma revelação recebida pela jovem Margaret MacDonalds, uma integrante dos irvingistas. Essa revelação foi aceita pelo pastor Edward Irving como uma mensagem divina e, logo após, ele buscou argumentá-la com textos bíblicos no jornal “The Morning Watch”, na edição de junho de 1831. Anos depois, o modelo pré-tribulacionista foi sistematizado por John Darby, unindo os fundamentos surgidos entre os irvingistas com as premissas do dispensacionalismo.
Com o passar dos anos, principalmente depois das duas guerras mundiais, a posição pós-milenista foi perdendo força, diante do inegável fato histórico de que os poderes mundiais caminham para a destruição e não para uma restauração espiritual generalizada anterior à vinda do Senhor. Atualmente, há poucos pós-milenistas, sendo que a maioria dos cristãos é pré-milenista (crê que o Milênio ocorrerá como resultado direto da volta de Jesus e não antes) ou amilenista (não crê que o Milenio é um periodo literal). Então, vemos que hoje a maior parte dos pré-tribulacionistas é pré-milenista, apesar de muitos não saberem que uma das bases originais do pré-tribulacionismo foi o pós-milenismo. Uma leitura que recomendamos àqueles que quiserem conhecer mais sobre as verdadeiras origens históricas do pré-tribulacionismo está na obra "The Life of Edward Irving", de autoria de Mrs Olifant, publicada por Hurst e Blackett em 1865 na cidade de Londres, Inglaterra.
Sinceramente, cremos que muitos servos do Senhor serão protegidos durante a tribulação final. Não iremos aprofundar-nos aqui sobre a veracidade da revelação recebida pela jovem Margaret. Nós cremos nas manifestações do Espírito Santo. Cremos que o Espírito Santo age com quem Ele quer e da forma que Ele quer. O que não pode haver, em hipótese alguma, é a aceitação de uma revelação que se coloca contra verdades bíblicas. Tendemos a crer que é bem possível que a revelação recebida por Margaret MacDonalds, caso realmente tenha sido algo oriundo do Espírito Santo, estivesse apontando para uma proteção especial que muitos terão durante o período tribulacional (Apocalipse 3:10). Porém, o que fica claro neste ponto é que a interpretação que foi dada a respeito da revelação pelos líderes dos irvingistas aponta para algo que foge à Verdade das Escrituras e do que havia sido ensinado pelos apóstolos no primeiro século.
Quando estudamos detalhadamente a história da Igreja primitiva, vemos que a mesma não aguardava apenas o arrebatamento e sim o retorno de Cristo para instaurar o seu reino. Nesse contexto, o pré-tribulacionismo é um ensinamento novo no seio da Igreja. É uma novidade diferente do que foi pregado e ensinado pelos apóstolos e crido pelos nossos primeiros irmãos. Por outro lado, uma análise imparcial e sem visões pré-concebidas dos textos bíblicos que tratam dos acontecimentos relacionados à volta do Senhor, não permitem afirmar que o arrebatamento se dará num momento diferente da segunda vinda.
Os defensores do arrebatamento pré-tribulação, argumentam que a segunda vinda de Jesus está dividida em duas etapas:
a) A vinda do Senhor somente para arrebatar a Igreja, de forma oculta ao mundo e anterior à tribulação;
b) O retorno do Senhor em forma visível e em glória após a tribulação.
Sinceramente, acreditamos que tal argumentação é uma distorção da doutrina bíblica. Nenhum texto escatológico permite que se chegue a tal conclusão. Pelo contrário, cremos que a Bíblia apresenta claramente a promessa de duas vindas sem etapas intermediárias. A primeira já cumprida há aproximadamente dois mil anos, e a segunda ainda por se manifestar, como claramente expõe o escritor aos hebreus (Hebreus 9:28). A seguir, analisaremos algumas passagens usadas como fundamento por aqueles que acreditam no arrebatamento como um evento anterior à tribulação que virá sobre a Terra.
GUARDADOS OU TIRADOS?
Em Apocalipse 3:10, na carta dirigida à igreja em Filadélfia está escrito:
“Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra”.
Muitos usam esse versículo para sustentar a tese do arrebatamento anterior à tribulação. Porém, note que o verbo utilizado no texto é guardar e não tirar. Fica subentendido que, aqueles que pertencem à igreja fiel (Filadélfia), serão protegidos pela mão do Senhor, que está no controle de tudo. O verbo guardar aqui está relacionado à idéia de livramento e proteção em meio à tribulação. Não significa que a Igreja se encontrará nos ares com Cristo com o objetivo de ficar fora da tribulação e sim que será “guardada” durante a tribulação.
Nesse contexto, é bom salientar que “Igreja” não significa nenhuma denominação em particular, até porque muitas denominações e concílios entregarão sua soberania ao falso profeta e ao seu sistema ecumênico. A verdadeira Igreja é formada pelos discípulos fiéis ao Senhor, que não se dobrarão diante do sistema e que serão guardados por Ele em meio à aflição. Como afirma o apóstolo Pedro, “...Mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já preste a se revelar no último tempo” (I Pedro 1:5).
A frase “eu te guardarei da hora”, origina-se de duas palavras gregas: téreo e ek. Téreo tem o significado de “velar”, “guardar”, “preservar”, sendo sua tradução literal algo semelhante a "manter os olhos sobre algo". Já a preposição ek significa basicamente “de”. Para que a interpretação pré-tribulacionista tivesse alguma sustentação neste versículo, o escritor do Apocalipse deveria ter usado uma outra preposição grega – apo – que expressa a idéia de separação radical, “para fora do meio de”. Para entender melhor o significado de “tereo” e sua utilização em conjunto (tereo+ek), vejamos o que diz a oração de Jesus em João 17:15: “Não peço que os tires do (ek) mundo, mas que os livres (téreo) do (ek) mal”. Ao orar para que os discípulos fossem guardados do mal, Jesus não estava dizendo que Satanás não poderia tentá-los ou que eles seriam transladados para um local onde não pudessem ser tentados. Simplesmente, o Mestre pede para que o Pai guarde os discípulos em segurança e impeça que o inimigo tenha vitória sobre eles.
IRA TRIBULACIONAL OU IRA ETERNA?
Aqui está mais um argumento usado pelo modelo pré-tribulacionista: o arrebatamento como forma de não sofrer a ira de Deus. Em I Tessalonicenses 5:9 diz:
“Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Veja também I Tessalonicenses 1:10)
Quando estudamos o conceito “ira”, observamos que a ira de Deus tem se manifestado durante toda a história humana diante do pecado e da desobediência do homem. Obviamente, os salvos e justificados já não estão debaixo dessa ira divina. Portanto, estamos livres da ira de Deus a partir do momento do novo nascimento, o que já aconteceu e continua acontecendo na vida de milhares de pessoas há centenas de anos. Esse livramento acontecerá também com a Igreja no fim dos tempos. Contudo, tal livramento não significa que há necessidade de retirar do planeta quem não será alcançado pela ira. Não há nenhum precedente histórico nem ensinamento bíblico que aponte para isso. Consequentemente, usar o texto supracitado como sustentáculo da teoria do arrebatamento anterior à tribulação com o objetivo de livrar a Igreja da ira divina, não nos parece o mais apropriado.
É preciso notar na passagem a antítese que Paulo faz entre “ira” e “salvação”. Se seguirmos a tortuosa dedução pré-tribulacionista e associarmos o termo “salvação” a uma preservação física dos filhos de Deus, com o objetivo de que não sejam atingidos fisicamente por eventos catastróficos, então deveríamos excluir dessa “salvação” o próprio Paulo, pois o mesmo sofreu catástrofes naturais, torturas físicas e por último a morte física em meio a uma perseguição maligna e a uma tribulação impiedosa! O dano máximo que um verdadeiro cristão pode chegar a sofrer numa tribulação é a morte física, como aconteceu com o próprio apóstolo Paulo. A salvação independe totalmente dos danos físicos sofridos sob a perseguição de um sistema de governo maligno ou de eventos catastróficos. Por outro lado, sabemos que o Senhor é Poderoso para guardar e preservar fisicamente aqueles que Ele quiser durante tais eventos, assim como Ele é poderoso para ressuscitar e glorificar todos Seus discípulos que morreram e morrerão, sem importar a forma como tenham falecido.
Ao usar a antítese entre salvação e ira, Paulo estava referindo-se à condição espiritual diante de Deus dos seres humanos de acordo com as suas escolhas: salvação eterna ou castigo eterno. Ele estava escrevendo sobre a salvação no sentido mais abrangente da palavra, que é a salvação eterna e sobre a ira de Deus no sentido mais amplo, que é o castigo eterno. Paulo deixa claríssimo esse entedimento ao escrever novamente aos irmãos em Tessalônica. Em sua segunda carta a eles, o apóstolo ensina que o castigo que o Senhor trará sobre os atribuladores é a perdição eterna (II Tessalonicenses 1:9)
Referente à “ira vindoura” descrita em I Tessalonicenses 1:10, entendemos essa ira como o clímax da ira divina no qual ocorrerá a destruição total dos exércitos do anticristo no Armagedom. Será o momento em que o Senhor Jesus exercerá pessoalmente esse juízo. Vejamos:
“Seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. Da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso” (Apocalipse 19:15).
Nós seremos livres desse desfecho, pois, nos momentos imediatamente anteriores ao evento narrado na passagem acima, ocorrerá a ressurreição dos justos e a transformação dos vivos fiéis, os quais receberão corpos glorificados e se encontrarão com o Senhor nos ares. Todos esses, como vimos anteriormente, serão eventos diretamente ligados à segunda vinda de Jesus em glória para derrotar os exércitos do anticristo, livrar a nação de Israel de uma destruição iminente e instaurar o Milênio. A ira de Deu, enquanto desfecho profético, está intimamente relacionada ao Dia do Senhor, o qual ocorrerá logo após a grande tribulação (veja Apocalipse 6:12-17, Apocalipse 11:15-19)
DIA DO SENHOR INESPERADO?
Em I Tessalonicenses 5:2-3 está escrito:
“Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; pois que, quando disserem: Há paz e segurança! Então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão”.
Esta passagem é utilizada pelos defensores do arrebatamento anterior à tribulação, tomando como base o caráter “inesperado” desse acontecimento mostrado por Paulo nestes versículos, para explicar a existência de um arrebatamento oculto e anterior à tribulação. Porém, temos que observar alguns tópicos importantes para entender melhor que foi escrito pelo apóstolo dos gentios.
a) Alguns podem argumentar que o cenário apresentado por Paulo, de “paz” e “segurança”, não condiz com a realidade caótica denominada tribulação, colocando o arrebatamento (Dia do Senhor) como um evento pré-tribulacional. Entretanto, o apóstolo não diz que haverá paz e segurança, e sim “...quando disserem...”. Quando estudamos a figura e atuação do anticristo, descobrimos que ele terá um grande poder de convencimento e manipulação através da fala, e, sem dúvidas, essa promessa de “paz” e “segurança” virá dele. Com esse discurso, ele seduzirá a muitos durante a tribulação até o momento final em que reunirá todos os exércitos da Terra contra Israel. Acreditamos que ele usará como argumento para convencer todas as nações a marcharem contra Israel, a paz e a segurança mundial, afirmando que a nação israelense seria o único obstáculo para que isso finalmente acontecesse no mundo.
b) Note que o apóstolo começa a sua narrativa explicando o que acontecerá no DIA DO SENHOR. Quando estudamos mais detalhadamente o que é considerado na Bíblia como "Dia do Senhor", vemos que ele está sempre relacionado com a segunda vinda de Jesus em glória, quando Ele retornará para livrar o seu povo, derrotar os exércitos do anticristo no Armagedom e instaurar o seu reino de justiça. Isso fica claro em passagens como Joel 2: 31-32:
“O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o Senhor, e entre os sobreviventes, aqueles que o Senhor chamar”
Outras passagens que relacionam diretamente o Dia do Senhor à sua vinda em poder e glória como Rei e Juiz, estão em Isaias 13:6, Joel 1:15, II Pedro 3:10, Isaias 13:9, Joel 2:28-32, Zacarias 14:1-2 e Joel 2:1-11.
c) A incoerência mais marcante do raciocínio pré-tribulacionista ligado a essa passagem está relacionada à gritante deturpação do sentido que Paulo quer ensinar aos irmãos em Tessalônica. O argumento pré-tribulacionista diz assim: “Ora, se o Dia do Senhor virá como um ladrão na noite, então o rapto só pode ser secreto e antes da tribulação, pois se fosse logo após a grande tribulação todos ficariam sabendo e já não seria inesperado como a chegada de um ladrão na noite...”.
O argumento acima é, sob a ótica humana, plausível. Porém, à luz do que é ensinado no próprio contexto por Paulo e no que é revelado no Apocalipse, tal argumento e totalmente antibíblico. Se formos um versículo mais adiante da passagem inicial (I Tessalonicenses 5:2-3), veremos Paulo ensinando que para nós, discípulos do Senhor, o Dia Dele não nos surpreenderá como a chegada de um ladrão à noite, porque já não estamos mais em trevas! Logo, o Dia do Senhor surpreenderá que está em trevas. O Dia do Senhor não surpreenderá a Igreja. O Senhor não virá como um “ladrão” para a Igreja e sim para aqueles que estiverem em trevas. É isso que Paulo ensina.
Por outro lado, a revelação apocalíptica deixa claro que, mesmo em meio à grande tribulação e até mesmo nos momentos finais dela, os ímpios não atentarão para a proximidade da vinda do Senhor, fazendo com que todo argumento pré-tribulacionista referente à necessidade de que os eventos ocorram antes da tribulação para “surpreender” as pessoas, caia por terra. É só ler Apocalipse 9:20-21 e Apocalipse 16:10-11. Os homens só se lamentarão e chorarão amargamente diante de sua condenação iminente quando virem ocorrer os sinais cósmicos que antecedem a gloriosa vinda de Jesus (Mateus 24:30, Apocalipse 1:7, Apocalipse 6:12-17).
O TERMO “APOSTASIA” DESCREVE O ARREBATAMENTO?
O termo “apostasia” em II Tessalonicenses 2:3 é interpretado por alguns como “retirada”, apontando para uma saída da Igreja antes da manifestação do anticristo. Porém, nesse contexto temos que destacar alguns pontos que se opõem frontalmente a essa idéia.
Em primeiro lugar destacamos um princípio que é fundamental. A submissão de Paulo aos ensinamentos do Senhor Jesus. O Mestre profetizou que antes de Sua gloriosa volta haveria esfriamento do amor ágape por parte de muitos (Mateus 24:12). Logo depois, Ele revela que haverá a abominação desoladora no lugar santo. Paulo, na passagem aos tessalonicenses, coloca a apostasia e a manifestação do anticristo como sinais que antecedem a vinda do Senhor e o nosso encontro com Ele nos ares, para ensinar que tais sinais deveriam ocorrer antes do regresso do Senhor. Então, não há razões para não crer que Paulo estava citando aos tessalonicenses os mesmo sinais que já haviam sido profetizados pelo Mestre!
Em segundo lugar, devemos considerar a coerência de Paulo no ensino ministrado durante todo o seu ministério. A segunda carta aos tessalonicenses foi uma das primeiras escritas pelo apóstolo. Porém, pouco antes de ser martirizado, ele escreve a Timóteo e ensina que no final dos tempos muitos apostatariam da fé (I Timóteo 4:1), voltando a lembrar o ensino original do Senhor. Por outro lado, caso Paulo estivesse se referindo ao um rapto secreto ao escrever a palavra “apostasia”, por que esse importante ensino não foi levado adiante pelas gerações seguintes? Analisando os textos referentes à Igreja nos primeiros séculos não há qualquer referência a um rapto secreto antes da tribulação ou antes da manifestação do anticristo. Os irmãos dos primeiros séculos não tinham qualquer crença nesse sentido. Eles criam na vinda do Senhor tal qual ela foi descrita em Mateus 24:29-31.
Por último, citamos o contexto. Faz parte de qualquer regra elementar de interpretação das Escrituras a consideração do contexto. Se formos ao começo do texto em questão, veremos que o apóstolo Paulo ensina aos irmãos que estariam atribulados na ocasião da vinda do Senhor, que Ele viria como labareda de fogo e com os anjos do seu poder, para trazer-lhes alívio ou descanso. Ou seja, o contexto apontado por Paulo é o da vinda do Senhor para aliviar a Igreja atribulada e não para evitar que a Igreja ingressasse na tribulação.
A IGREJA OU O ESPÍRITO SANTO DETÊM A REVELAÇÃO DA BESTA?
Outro texto bastante usado pelos defensores do arrebatamento pré-tribulacional está escrito em II Tessalonicenses 2:7:
“Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado”
Muitos usam esse texto para argumentar que aquilo que detém a manifestação e revelação do anticristo e seu sistema, é a Igreja. Outros sustentam que se trata do próprio Espírito Santo ou até mesmo os dois (Espírito Santo e Igreja). Acontecendo o arrebatamento da Igreja, o Espírito Santo deixaria a Terra à mercê do poder do anticristo para que ele se manifeste plenamente. Vejamos, porém, alguns tópicos:
a) É visível na Bíblia a atuação do Espírito Santo mesmo em plena grande tribulação. Senão, como exerceriam o seu ministério as duas testemunhas descritas em Apocalipse 11:1-14? Elas profetizarão por mil duzentos e sessenta dias e serão mortas pelo anticristo, porém reviverão após três dias e meio de forma sobrenatural. O texto contido em Daniel 7:21, deixa transparecer que muitos santos serão martirizados na mesma ocasião da morte das duas testemunhas. Agora reflita um pouco: Para quem profetizariam essas testemunhas, se não existissem pessoas sedentas de ouvir seu testemunho? Como ouviriam e seriam convencidas se o Espírito Santo, que convence de todo pecado e testifica aos nossos corações, não estivesse agindo na Terra durante o ministério das duas testemunhas? Com que poder elas ressuscitariam, se não fosse o poder divino? É importante saber que, mesmo durante a grande tribulação, DEUS ESTARÁ NO CONTROLE DO UNIVERSO E DA TERRA.
b) A revelação do Apocalipse deixa claro que um número considerável de pessoas não se dobrará diante do anticristo e se negará a receber a marca da besta, guardando sua fé até o fim (Apocalipse 7:9-17). Essas pessoas fazem parte do corpo de Cristo que é a Igreja, a menos que se queira dividir o Corpo em segmentos, o que se opõe a toda revelação bíblica.
A seguir, abordaremos mais detalhadamente essa passagem escrita por Paulo aos tessalonicenses em sua segunda carta, pois cremos que ela encerra revelações cruciais. Durante séculos a identidade de “quem” e “o quê” detém a revelação do anticristo, tem provocado o surgimento de muitas opiniões, o que é compreensível, pois Paulo não revela sua identidade. Daremos nossa posição a respeito, salientando que é apenas aquilo que entendemos sobre o tema, o qual não comporta posições dogmáticas:
1. Há uma dualidade de referências ao que impede a revelação do anticristo. No versículo 6, é usado o termo "o que o detém". Já no versículo 7 é usado um pronome pessoal: "somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado". Isso descartaria apenas um objeto/ação/instituição ou apenas uma pessoa. Conseqüentemente cremos tratar-se de uma pessoa e ao mesmo tempo uma estrutura ligada a essa pessoa.
2. O apóstolo Paulo relaciona a revelação do anticristo ao fato dele assentar-se no Templo de Deus. O apóstolo segue a mesma linha seqüencial usada por Jesus no sermão profético (Mateus 24:13-15). O assentar-se no Templo de Deus está relacionado à abominação da desolação, que ocorrerá num dia e num local específico (não acreditamos que a abominação desoladora possa ser alegorizada, já que a compreensão dos interlocutores de Jesus e de Paulo estava voltada a um evento literal profetizado por Daniel, cronologicamente situado no cenário profético). Portanto, se o encontro de Jesus e da Igreja se dará após a apostasia e a revelação do anticristo (abominação da desolação), logicamente, a Igreja não parece ser o que impede essa revelação (II Tessalonicenses 2:1-3).
3. No cenário apocalíptico, vemos uma Igreja que guarda os mandamentos de Deus e mantém o testemunho de Jesus, e vemos cristãos martirizados pelo governo do anticristo por seu testemunho (Apocalipse 12:17, 6:11, 20:4). Isso mostra a presença do Espírito Santo em meio à Igreja, mesmo após a revelação do anticristo, até porque o Espírito Santo foi enviado para consolar e guiar a Igreja e não para controlar os poderes do mundo. Conseqüentemente isso descartaria uma possível "remoção" do Espírito Santo da Terra para que o anticristo possa se manifestar.
4. Paulo revela que o "mistério da iniqüidade" já estava atuante no século primeiro (versículo 7). A partir do momento que Paulo fala no presente e projeta o clímax desse mistério no futuro, logicamente "aquilo/quem" impede esse clímax tem estado vivo e atuante nesses últimos 2000 anos, impedindo essa manifestação plena do mal. Isso descartaria a hipótese do Império Romano, que ruiu há muito tempo. Note que Paulo fala de resistência ao mistério em si e não propriamente à revelação do anticristo. Essa revelação será uma conseqüência física de causas espirituais.
5. Quem resiste precisa ter uma autoridade ou força maior ou pelo menos semelhante à força que está sendo resistida. Afinal de contas, estamos falando de 2000 anos de resistência...
6. O termo grego usado para "resiste", indica um ato contínuo de resistir, um confronto direto ou combate entre duas forças e não a mera "presença" de duas forças antagônicas.
Devido a essas razões e respeitando todas as outras, já que estamos abordando um tema não revelado diretamente na Palavra, cremos que "quem" e "o que" resiste o clímax do mistério da iniqüidade e sua concretização num evento específico, num local específico e num dia específico (abominação da desolação), é o arcanjo Miguel e suas hostes. No livro de Daniel, fica a clara conotação que o arcanjo Miguel, um dos primeiros príncipes, cumpre funções de resistência espiritual. Isso fica exposto em passagens como Daniel 10:12-13, Daniel 10:20-21 e Daniel 12:1. O mesmo arcanjo cumpre missões de combate espiritual, como fica registrado em Apocalipse 12:7, numa passagem notavelmente relacionada ao princípio da grande tribulação.
Baseados nestes princípios e revelações escatológicas, nós acreditamos que o arrebatamento e subseqüente encontro da Igreja com o seu Senhor e Salvador, terá lugar no momento em que no céu aparecer o sinal de Cristo, ou seja, no momento de sua segunda vinda. Essa segunda vinda será um evento único e acontecerá logo após a grande tribulação.
VOCÊ ESTÁ PREPARADO PARA ESSA VINDA?
VOCÊ ESTÁ PREPARADO PARA NÃO SE PROSTRAR DIANTE DA IMAGEM DA BESTA NEM RECEBER SEU NÚMERO, MESMO QUE ISSO TRAGA SEU MARTÍRIO?
Maranata
A IGREJA NA TRIBULAÇÃO
Se formos coerentes com a nossa esperança a respeito do arrebatamento, relacionando esse fato diretamente à segunda vinda de Jesus, devemos concluir que a Igreja permanecerá na Terra durante o período que antecederá a volta maravilhosa de Cristo em glória, ou seja, durante a tribulação. Muitos têm sustentado que essa hipótese nem deve ser levada em consideração, pois, teoricamente, a Igreja não está destinada a viver esse momento de aflição máxima que sobrevirá ao mundo.
Como poderia um Deus amoroso deixar o seu povo à mercê de uma realidade tão caótica e maligna? Isso realmente poderia acontecer? Para responder a essas perguntas, devemos considerar qual é a posição da Igreja em relação ao mundo e passear um pouco pela história do corpo de Cristo na Terra através dos séculos.
A IGREJA NA HISTÓRIA
A Igreja é um corpo espiritual, criado por Jesus, que tem permanecido na Terra por séculos, mas que não pertence a esse mundo. Pelo contrário, espera um novo mundo, com céus e Terra recriados (Apocalipse 21:1-27).
Pelo simples fato de não pertencer ao mundo e ir contra os princípios espirituais da maldade liderados por satanás, a Igreja, desde o seu nascimento, foi duramente perseguida pelo sistema, o que se torna até uma questão de lógica básica. Se o sistema (mundo) jaz inteiramente no maligno, como revela João em sua primeira epístola, logicamente a Igreja, ao não se conformar com essa realidade, bate de frente com o sistema maligno que está por trás deste mundo e torna-se perseguida em todos os aspectos.
Se analisarmos a história, a perseguição à Igreja começou durante o próprio ministério de Cristo. Jesus foi duramente perseguido pelo sistema religioso da época, personalizado nos fariseus e saduceus. O próprio Mestre declarou: “... no mundo tereis aflições; más tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33). Após a morte e ressurreição do Senhor, foi a vez da própria Igreja ser perseguida. Apóstolos, diáconos e cristãos em geral foram presos, apedrejados, torturados e brutalmente assassinados. A Igreja, em vez de recuar e enfraquecer-se, cresceu ainda mais, chegando a afetar o equilíbrio político-religioso do Império Romano. Isso gerou uma nova onda de perseguição, agora em grande escala e utilizando toda a infraestrutura imperial.
A partir de 64 d.C, os cristãos viraram atração nos espetáculos bizarros dos circos romanos, sendo devorados por feras e sendo objeto de todo tipo de torturas corporais. Diante disso, eles tiveram que se reunir em cavernas e em cemitérios subterrâneos. Não obstante, em vez de apagar o fervor evangelístico e a fé em Cristo, isso gerou o efeito contrário. O crescimento da Igreja tornou-se gigantesco, a ponto do imperador Constantino, por motivos exclusivamente políticos e demagógicos, declarar, no quarto século d.C, o cristianismo como religião oficial do Império. A partir daquele momento, começou o processo de apostasia que já comentamos anteriormente, o que ocasionou o enfraquecimento espiritual da Igreja e de grande parte de seus membros.
Desses fatos tiramos uma importante lição: quando a Igreja mantém a sua posição espiritual e não se prostitui com o sistema nem se conforma com o mundo, ainda que isso resulte em perseguição, ela cresce e é abençoada. Pelo contrário, quando ela é “bem vista” e recebida sem reservas pela sociedade, está entrando num caminho mortal, significando que a Igreja está tão inserida no sistema e nos costumes sociais, que já não existe diferença nem confronto espiritual entre ela e o mundo. Essa realidade tem permanecido através dos séculos e terá seu desfecho nos últimos tempos.
Acreditamos que a Igreja nos últimos tempos, a exemplo da primeira, será duramente perseguida pelo sistema político - religioso que se levantará nos últimos dias. Quando falamos em Igreja, nos referimos aos verdadeiros servos de Deus em todo mundo, e não a nenhuma denominação em particular. É triste observar que algumas denominações evangélicas, ou pelo menos os seus líderes, estão tão comprometidas e inseridas no sistema que, para manter seu status, farão parte sem restrições da nova ordem organizacional política e religiosa maligna que será implantada no planeta.
Considerando todos esses princípios, podemos responder afirmativamente à questão levantada no começo deste texto. Sim. A Igreja pode ser perseguida e certamente o será durante a tribulação dos últimos tempos. Diante de tal perseguição, nós teremos a promessa de vitória feita pelo Senhor. Ele venceu o mundo e determinou a nossa vitória sobre a morte, nos dando vida eterna. Isso significa que, durante a aflição e tribulação, podemos morrer fisicamente, o que aconteceu com muitos irmãos nossos durante toda a história e acontecerá com muitos servos de Deus nos últimos tempos. Porém, a morte física para o verdadeiro cristão não significa derrota, e sim a certeza de um novo corpo, incorruptível e glorificado, para reinar com Cristo após a sua volta (Apocalipse 20:6).
O MOMENTO ATUAL
Estamos vivendo um tempo de relativa paz e tolerância para a Igreja cristã. Esse momento não deve ser usado para justificar uma atitude de acomodação e apostasia, e sim como uma oportunidade única dada por Deus para a evangelização e o crescimento espiritual de seu povo. Dias virão em que muitos desejarão ouvir as boas novas, mas não poderão, pois os servos de Deus estarão sendo impiedosamente perseguidos e caçados. O momento oportuno para evangelizar é este. Uma simples palavra dita a alguém hoje, poderá fazer essa pessoa mudar a sua atitude num futuro próximo, quando os fatos começarem a acontecer na íntegra e ela lembrar das verdades proféticas que você lhe falou anos antes...
PERSEGUIÇÃO GRADUAL
Acreditamos que a perseguição contra a Igreja nos últimos tempos começará de forma leve e paulatina, quando aqueles que forem contrários ao uso de novas tecnologias de identificação e controle, ou contrários a práticas que se opõem ao plano do Senhor para a humanidade, serão tachados de retrógrados, reacionários, idiotas, fundamentalistas, supersticiosos e outros adjetivos afins.
Neste ponto, convém fazer um aparte para comentar como se dará essa perseguição religiosa. Em primeiro lugar, não será uma perseguição surgida do "nada" e sim um movimento que terá uma argumentação "razoável". Da mesma forma que a perseguição contra a Igreja primitiva alcançou seu ápice após o imperador Nero ter atribuído aos cristãos a culpa pelo incêndio de Roma, gerado por ele próprio, acreditamos que os cristãos e outros grupos que se opuserem a adotar o novo sistema, começarão a ser perseguidos. Isso será feito de forma paulatina e quase imperceptível, começando pelos dias atuais, em que há uma forte oposição da maioria contra os movimentos religiosos fundamentalistas...
Da mesma forma que o ódio à hegemonia política norte-americana está servindo como um catalisador para a união global em torno de um novo sistema político mundial mais unificado, as características religiosas que estão por trás do conflito pelo petróleo, contrapondo o islamismo fundamentalista de líderes árabes e terroristas de um lado e o cristianismo conservador com interesses políticos de dirigentes norteamericanos do outro, já estão servindo como um catalisador religioso em prol da união global das religiões. Ou seja, a existência de um ecumenismo irrestrito, sem "radicalismos" nem "fundamentalismos", em que todos serão "irmãos", lutando pela paz mundial e tratando de não repetir os erros políticos e religiosos do passado. Essa será a consolidação do sistema religioso prostituído que dará sustentação à atuação do falso profeta.
Neste contexto, os verdadeiros cristãos começarão a ser perseguidos, pelo simples fato de irem contra os princípios da nova ordem, sendo caçados como pessoas perigosas para o equilíbrio social, a exemplo do que acontece hoje com os extremistas muçulmanos, com uma grande diferença: enquanto estes últimos usam o assassinato em massa e o terror para conseguirem seus propósitos, a Igreja de Cristo continuará usando as armas espirituais que Deus lhe outorgou, ou seja, a fé, a esperança e o amor ao próximo e a Deus sobre todas as coisas, sabendo que a verdadeira justiça virá do Senhor. Muitos líderes espirituais fiéis a Deus, nesse primeiro momento, já começarão a alertar publicamente às pessoas contra a adoção do controle e suas implicações espirituais, começando a gerar um certo descontentamento por parte das autoridades e a produzir uma aversão velada por parte da mídia e da sociedade.
A verdadeira perseguição frontal e declarada deve acontecer quando o sistema de controle total for adotado, provavelmente combinando algum tipo de identificação biométrica ou através de chip subcutâneo, com rastreamento internacional via satélite, colocando fora de todo intercâmbio social, político e financeiro todos aqueles que não aderirem ao novo sistema e não se curvarem ao domínio maligno da besta, negando-se a adorar o anticristo como um deus. Nesse momento, já em plena tribulação, aqueles que não tiverem a marca do novo sistema de identificação, começarão a ser caçados sob o pretexto de serem marginais, anti-sociais, terroristas e criminosos que, com sua atitude rebelde, estariam colocando o equilíbrio espiritual e a paz mundial em jogo. Este muito provavelmente será o principal argumento usado pelo anticristo e o falso profeta para desencadear uma verdadeira caçada contra aqueles que se opuserem ao sistema global.
O EXEMPLO DA IGREJA PRIMITIVA
A exemplo dos primeiros cristãos, os integrantes da última Igreja terão que reunir-se de forma secreta em comunidades subterrâneas. Essas comunidades deverão ter algum sistema de sobrevivência mínima e armazenamento de artigos básicos que permitam a sua existência e atividade evangelística nessa realidade difícil. Sem a marca de identificação, já não será possível comprar, vender, trabalhar, locomover-se, enfim, ter nenhum tipo de convívio social. Neste sentido, é importante que haja um despertar para essa realidade, pois atualmente muitos nem sequer cogitam essa possibilidade futura, muitas vezes devido ao seu alto grau de comprometimento com a sociedade e tudo aquilo que ela pode oferecer ou, até mesmo, confiando plenamente na veracidade do modelo pré-tribulacionista.
Assim como, mesmo perseguida, a Igreja primitiva destacou-se pelo evangelismo e o seu fervor espiritual, acreditamos que a Igreja perseguida nos últimos tempos terá um grande ímpeto evangelístico, atrelada ao ministério das duas testemunhas descritas em Apocalipse 11:1-14. Cada cristão perseguido nos últimos tempos o será por opção própria, ao não aceitar conscientemente a marca da besta. Saberá que poderá ser capturado e morto a qualquer momento, porém, o fará convicto da ressurreição que o espera em breve. É importante salientar que a verdadeira Igreja nos últimos tempos não será uma Igreja "escondida", ou seja, uma Igreja medrosa, temerosa e com receio de ser martirizada, e sim uma Igreja subterrânea, ou seja, isolada do convívio social, porém atuante, valorosa, evangelizadora e com membros que não terão medo de perder a sua vida e sofrer todo tipo de torturas por causa do evangelho de Cristo.
Hoje, é relativamente "fácil" ser cristão. Daqui a alguns anos, diante da realidade que se aproxima, veremos quem realmente tem compromisso espiritual com o Mestre. Lembremos que Deus deixa em sua palavra promessas maravilhosas para esse povo santo. Em Apocalipse 2:10-11 diz: "...sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. O que vencer não receberá dano da segunda morte". Também Apocalipse 7:14-16 traz promessas inefáveis para os que forem martirizados naquele tempo:
"... Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono de Deus, e o servem de dia e de noite no seu templo... Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede, nem sol nem calma alguma cairá sobre eles".
PRESENÇA DA IGREJA NA TRIBULAÇÃO
A permanência da Igreja na Terra durante o período tribulacional é bastante clara na revelação profética exposta na Bíblia. O próprio termo "tribulação" deixa isso implícito. A palavra "tribulação" é um derivado da palavra latina tribulum, um instrumento usado para debulhar o trigo, separando-o do joio. Ao estudarmos a paróbola do joio e do trigo (Mateus 13:24-30), vemos que ambos serão separados na ceifa (fim do mundo). No Apocalipse, a ceifa está diretamente relacionada ao Armagedom (Apocalipse 14:14-20).
Para aqueles que sustentam a impossibilidade da permanência física da Igreja na Terra no processo tribulacional, em virtude da destruição física de nosso planeta, devemos lembrar os seguintes detalhes:
1. Durante o processo tribulacional, apesar dos enormes cataclismos e desastres, a Terra e os seus habitantes não serão destruídos em sua totalidade. Em Apocalipse 16:14, abordando a convocação feita pela besta aos reis de todo o mundo, para que os mesmos se congreguem no Armagedom visando o ataque a Israel, fica implícito que, mesmo no final da grande tribulação, quando ocorrerá essa congregação maligna de exércitos no Armagedom, existirão reis (presidentes) em várias localidades do mundo, prontos para atacarem Israel, deixando assim implícita a manutenção de uma logística e infra-estrutura mínimas para que um ataque dessas proporções seja tramado e operacionalizado.
Portanto, quando é descrito na Bíblia que, no momento do arrebatamento, duas pessoas estarão dormindo ou realizando determinada tarefa de sobrevivência mínima, não devemos esquecer a realidade descrita anteriormente, ou seja, o planeta não estará totalmente destruído nem a totalidade dos seus habitantes mortos, até porque essa não é a finalidade do processo tribulacional, que está direcionada à derrota final do sistema religioso prostituído e do sistema político humano e maligno que tem governado o mundo há milênios e não à total destruição física do planeta. É preciso observar que muitos dos juízos apocalípticos, sobretudo na fase das trombetas, serão enviados especificamente sobre a besta, seu reino (capital) e sobre aqueles que estiverem com a marca da besta.
Em Gênesis 8:21-22, Deus, após a destruição causada pelo dilúvio, revela: “Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz. Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão”. O profeta Zacarias, no capítulo 14 versículo 16, nos revela que haverá sobreviventes de todas as nações após a grande tribulação: “E acontecerá que todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém, subirão de ano em ano para adorar o Rei, o Senhor dos exércitos, e para celebrarem a festa dos tabernáculos”.
Outros textos que mostram claramente a continuidade da vida e de nações na Terra após a segunda vinda de Cristo, estão em Isaias 2:2-4, Ezequiel 37:28, Apocalipse 21:24-26 e Apocalipse 22:2. Quando esses versículos mencionam o termo “nações”, não estão referindo-se à Igreja, cujos membros já estarão glorificados e assumindo posições especiais no reino de Deus como juizes e príncipes. Também não se referem exclusivamente a Israel, pois utiliza-se a forma plural (nações) e descreve-se que elas virão a cada certo espaço de tempo a Jerusalém e, posteriormente, após a transformação dos céus e da Terra, à Nova Jerusalém, para adorar ao Rei Jesus.
Torna-se evidente que a vida no planeta prosseguirá durante o reino milenar de Cristo, após a tribulação, não ficando restrito apenas à nação israelense. Isso fica tão claro que, no final do Milênio, quando Satanás será solto da sua prisão milenar, o mesmo sairá para enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, fazendo-as marchar contra a cidade amada. (Apocalipse 20:8-9).
2. Quando Jesus relacionou a sua vinda aos dias de Noé, o fez direcionando o seu comentário unicamente ao descaso que houve por parte das pessoas quando o dilúvio foi anunciado. Esse mesmo descaso será verificado no final dos tempos (Mateus 24:37-39). O Senhor Jesus, em nenhum momento comparou, e nós não podemos comparar, o dilúvio à tribulação em termos físicos, relacionando a entrada de Noé e família na arca a uma hipotética saída física da Igreja antes da tribulação, pois fisicamente os dois eventos têm diferenças cruciais e propósitos diferentes, como veremos a seguir:
a) O dilúvio ocorreu para exterminar todo ser vivente da Terra, excetuando Noé e a sua família. A tribulação e a segunda volta de Jesus não visam exterminar todos os seres viventes da Terra, e sim derrotar de uma vez por todas o sistema político e religioso humano que tem dominado o mundo por séculos (Gênesis 8:21-22 e I João 5:19).
b) Noé e família foram salvos do dilúvio através da arca, pois era necessário que a linhagem humana proveniente de Eva e seu filho Set permanecesse viva, para que se cumprisse a profecia divina a respeito do nascimento de Jesus através da semente da mulher (Gênesis 3:15). Era necessário que Noé e família fossem salvos fisicamente. Por sua vez, a salvação do cristão é eterna e espiritual. A mesma independe de danos físicos causados num processo tribulacional ou até mesmo de destruição física (basta ler o exemplo dos primeiros apóstolos e cristãos). A nossa verdadeira arca é Jesus. A arca usada por Noé lhe trouxe livramento da destruição sobre o planeta e salvação física. Jesus nos traz salvação espiritual da destruição eterna. Ao associar os dias de Noé aos dias da sua vinda (no contexto do capítulo 24 de Mateus fica claro que trata-se de sua vinda em glória e majestade), estava falando do descaso da maioria para ambos os eventos. No caso do dilúvio, a maioria pereceu por não dar crédito à mensagem transmitida por Noé. No caso dos últimos tempos, a maioria perecerá por não ter nascido de novo e aceito a obra redentora de Cristo.
Não existe base bíblica alguma para relacionar a arca a um arrebatamento pré-tribulacional, visando manter a integridade física da Igreja e evitar que ela passe por um período tribulacional. Se assim fosse, Pedro, Paulo, Tiago, Estevão, Policarpo e tantos outros irmãos martirizados em processos tribulacionais, estariam "fora da arca". Eles sabiam que o dano máximo que um servo de Deus pode sofrer na tribulação e perseguição é a morte física e que a salvação eterna já estava assegurada. Para eles, o viver era Cristo e o morrer lucro. Essa deve ser a nossa visão...
Em Lucas 17:26-32, Jesus torna a comparar os dias da sua volta aos dias de Noé, citando, como já vimos, o descaso que haveria no final dos tempos. No caso da comparação com Noé, Jesus utiliza a expressão “nos dias” (versículo 26), dando a entender que a comparação referia-se a um período relativamente extenso que antecederia a sua vinda. Porém, a partir do versículo 29, Ele relaciona o dia da sua vinda ao dia em que Ló foi tirado de Sodoma. Naquele mesmo dia, as cidades de Sodoma e Gomorra foram destruídas. Essa comparação feita por Cristo, deixa a nítida idéia de um arrebatamento que antecederá o momento final da tribulação, tirando a Igreja da destruição final, quando os exércitos do anticristo serão exterminados, da mesma forma que Sodoma e Gomorra o foram.
Então, vemos que existe uma diferença crucial entre as duas comparações já citadas. No caso da comparação aos dias de Noé, Jesus fala de si próprio como "dias do Filho do homem" (v26), estabelecendo um período mais abrangente, até mesmo para exemplificar o descaso generalizado da população durante certo tempo. Sem dúvidas, Noé levou um tempo considerável para a construção da arca e para ajuntar todos os animais. O dilúvio não ocorreu "de uma hora para outra".
Já na comparação com os dias de Ló, o qual foi tirado de Sodoma no dia da destruição, Jesus fala especificamente do dia em que Ele voltará (v30) e do livramento sobrenatural que os fiéis terão neste dia, deixando claro que os fiéis serão tirados da tribulação no dia da vinda gloriosa de Jesus, ou seja, no dia em que Ele se manifestará para derrotar o anticristo, como fica claro em Lucas 17:29-30: “Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos. Assim será no dia em que o Filho do Homem se há de manifestar”.
Daremos a seguir alguns versículos que indicam claramente a presença da Igreja do Senhor na tribulação. Uma Igreja de cristãos fervorosos, com azeite para acender suas lâmpadas, vigilantes em meio à noite espiritual, que guardam os mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus (Apocalipse 12:17). Não será, como afirmam alguns, uma Igreja composta por "ex-desviados" ou cristãos "deixados para trás" durante o arrebatamento pré-tribulacional, por não estarem em comunhão com Deus. Não é isso que nos observamos nas passagens que serão abordadas. Elas descrevem uma Igreja cheia do Espírito Santo, atuante, resistente e consciente das palavras do Mestre: “Qualquer que procurar salvar sua vida, perdê-la-á, e qualquer que a perder, salvá-la-á” (Lucas 17:33).
Os verdadeiros servos fiéis nos últimos tempos saberão que o servo não é maior que o seu Senhor. Ou seja, se Jesus foi perseguido religiosamente pelos líderes espirituais de seu povo e morto por um império político mundial, eles poderão sofrer essas mesmas conseqüências a qualquer momento! Essa realidade não condiz com a atual, na qual é até “bem visto” socialmente ser cristão, mas se aplica com mais propriedade a uma realidade tribulacional.
1. Em Apocalipse 13:7, vemos que o anticristo, após consolidar-se no poder, “faz guerra” contra os santos e os vence. Esses “santos” não são o povo de Israel por duas razões: a nação israelita não será atacada pela besta até o momento culminante da grande tribulação no Armagedom. Não faria sentido o anticristo fazer guerra e vencer Israel e meses depois reunir todos os exércitos do mundo para atacar o país anteriormente derrotado. Daniel 7:21-22 aborda o mesmo acontecimento e nos revela outro detalhe importante: os santos que serão vencidos (martirizados) no versículo 21, possuirão o reino no versículo 22, após a segunda vinda de Jesus em glória. Possuir o reino é uma das promessas deixadas à Igreja.
2. Em Apocalipse 12:17, a besta, ao não poder atacar parte dos escolhidos, que serão protegidos durante três anos e meio (o que abordaremos na seção IGREJA PROTEGIDA), ataca aos demais filhos da mulher, os que guardam os mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus. Outra vez, não pode tratar-se do povo judeu, já que eles não mantêm o testemunho de Jesus e apenas serão tocados diante da vinda pessoal e gloriosa do Mestre (Zacarias 12:10). O verbo manter, nos revela uma conotação de resistência em meio a perseguição maligna da besta.
3. Em Apocalipse 14:12, fica explícita mais uma vez a permanência da Igreja na Terra, mesmo na parte final da tribulação, após o toque da sétima trombeta e pouco antes da queda da Babilônia. A perseguição oficial contra esses servos de Deus é detalhada no versículo 13 do mesmo capítulo, onde há uma mensagem de ânimo para os que forem martirizados: “E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora (após o toque da sétima trombeta) morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os seguem”.
4. Em Apocalipse 6:9-11, vemos cristãos martirizados durante a história clamando por justiça. Eles são direcionados a esperar por um pouco de tempo, até que se complete o número daqueles que deveriam morrer como eles morreram (perseguidos e martirizados por um império político-religioso).
5. Em Apocalipse 20:4, fica explícito que servos de Deus que não aceitaram a marca da besta, participarão da primeira ressurreição. Se é a primeira ressurreição e se dela participam cristãos que se opuseram ao anticristo e ao seu sistema e foram mortos por isso, então subentende-se que não haverá arrebatamento pré-tribulacional, pois não poderia haver uma ressurreição em massa anterior à primeira ressurreição.
6. Em Mateus 24:22, Jesus revela que, se os dias da grande tribulação não fossem abreviados, ninguém se salvaria, e que esses dias serão abreviados por causa dos escolhidos. Não cremos que o termo "escolhidos" refere-se exclusivamente ao povo judeu pois, oito versículos mais adiante, em Mateus 24:31, Jesus revela que esses escolhidos serão arrebatados nos ares por ocasião da sua vinda em glória. A promessa de arrebatamento foi deixada à Igreja (Atos 1:9-12). A salvação mencionada por Jesus no versículo 22, se refere à salvação física, pois a salvação espiritual independe do processo tribulacional. Essa salvação ou preservação física visa o cumprimento da promessa de transformação dos que estiverem vivos por ocasião da vinda de Jesus, revelando-nos que parte da Igreja será protegida de forma sobrenatural durante a tribulação, como veremos mais adiante.
7. Todas as palavras gregas usadas no Novo Testamento para descrever os conceitos de arrebatamento e segunda vinda de Jesus, demonstram claramente um evento único e visível (não oculto). Tanto parousia (vinda), apokalypsis (revelação) e epiphaneia (aparecimento), sugerem em todos os casos uma vinda visível e um arrebatamento da Igreja como conseqüência imediata dessa vinda em glória.
8. A Igreja primitiva tinha uma consciência muito clara da tribulação que teriam que enfrentar, pois a mesma havia sido predita pelo próprio Cristo. Ao esperar a volta gloriosa de Jesus já em seus dias, como fica claro nas abordagens de Paulo a esse respeito, a Igreja primitiva nem sequer questionava o fato de estar vivendo uma perseguição cruel e estar atravessando uma tribulação profunda, que eles, pelo fato de não possuírem uma visão mais completa da história e do cumprimento escatológico como temos atualmente, e até mesmo pela crueldade e violência daquela perseguição, a relacionavam à “grande tribulação” predita por Cristo, a qual ocorrerá nos tempos do fim, antecedendo a sua volta gloriosa. Vemos então que os nossos irmãos primitivos enfrentaram uma violenta tribulação, acreditando em todo momento que Jesus voltaria já em seus dias para tirá-los da tribulação.
Consequentemente, podemos constatar que os nossos primeiros irmãos não tinham qualquer idéia “pré-tribulacionista”, pois os mesmos já estavam vivendo em meio a uma tribulação cruel. Eles não esperavam que Jesus os arrebatasse para “evitar” a sua entrada no período tribulacional e sim que Jesus viesse em glória para arrebata-los e derrotar o sistema que os oprimia. Isso fica bastante explícito na direção dada por Paulo em II Tessalonicenses 1:7-8: “E a vós, que sois atribulados, descanso juntamente conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo”.
9. Em Apocalipse 7:14-16, João recebe uma revelação dos mártires na glória e, naquela visão, fica constatado que os servos de Deus martirizados estavam vindo da “grande tribulação”. Depois de ter sido citada e descrita por Jesus em seu sermão profético, o termo “grande tribulação” só volta a ser mencionado no Apocalipse. O Mestre profetizou que a grande tribulação antecederia a sua volta e que seria um período de escuridão nunca antes visto sob a face da Terra, colocando esse período para o final dos tempos. Portanto, fica demonstrado nos versículos mencionados acima, que cristãos serão martirizados durante a “grande tribulação”, determinando mais uma vez de forma inquestionável a presença da Igreja durante esse período.
A IGREJA PROTEGIDA
De acordo com as passagens escatológicas, parte da Igreja será protegida de uma forma sobrenatural. Da mesma forma que é visível a permanência da Igreja na Terra durante a tribulação e a morte de muitos cristãos como resultado de uma perseguição cruel, vemos que uma parte da Igreja permanecerá viva até o momento da segunda vinda de Jesus em glória. Esse grupo será preservado fisicamente em meio à tribulação e suas pragas, de uma maneira que transcende toda explicação natural, tal como a preservação do povo hebreu no Egito por ocasião das pragas vai além de nossa compreensão limitada, entrando na esfera da atuação sobrenatural de Deus. Essa preservação física, tem como objetivo o cumprimento das profecias escatológicas que determinam que, por ocasião da volta de Jesus, os mortos serão ressuscitados e os que estiverem vivos serão transformados (I Tessalonicenses 4:13-18). Para que integrantes da Igreja permaneçam vivos em meio à destruição e cataclismos tribulacionais, é necessária uma preservação física específica, como veremos nas seguintes passagens:
1. Em Apocalipse 3:10 diz: “Como guardaste a palavra da minha paciencia, também eu te guardarei da hora de provação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra.” Esse versículo nos revela que parte da Igreja será “guardada” durante a tribulação. O pré-tribulacionismo relaciona essa proteção a um arrebatamento anterior à tribulação, porém a palavra utilizada aqui não é “tirar”, “arrancar” ou “arrebatar”, e sim guardar (tereo). Esse verbo nos traz uma idéia de proteção, vigilância e cuidado. Acreditamos que parte da Igreja, pessoas que tem compromisso com Deus (que guardaram a palavra da paciencia), serão protegidas sobrenaturalmente em meio à tribulação. Tentar explicar como acontecerá isso é como tentar explicar como o povo hebreu foi preservado no Egito durante o envio das dez pragas... Note que o povo de Israel não foi “arrancado” do Egito durante as pragas, mas foi protegido de forma sobrenatural. É interessante notar também que muitos juízos apocalípticos virão somente sobre os que tiverem a marca da besta, isentando de forma sobrenatural aqueles que se negarem a receber a marca e obedecer ao governo mundial da besta.
2. Em Daniel 11:33-34 diz: “E os entendidos entre o povo ensinarão a muitos; todavia cairão pela espada, e pelo fogo, e pelo cativeiro, e pelo roubo, por muitos dias. E, caindo eles, serão ajudados com pequeno socorro; mas muitos se ajuntarão a eles com lisonjas...” Nesta passagem vemos três grupos: os que são entendidos e ensinam ao povo, e por causa desse testemunho são mortos pela espada e pelo fogo, os que são ajudados com “pequeno socorro” e aqueles que serão ludibriados com as lisonjas do maligno. Essa é uma descrição clara da Igreja em tempos de tribulação. Uma parte é martirizada, por causa de seu testemunho e do seu ensino em meio à perseguição política e religiosa, outra parte dos servos de Deus é preservada fisicamente através da proteção do Senhor, e a terceira parte cede aos apelos sociais e prefere fazer parte do sistema político e religioso, para não abrir mão de sua inserção social e integridade física. O “pequeno socorro” mencionado por Daniel, parece referir-se não à importância desse socorro, pois tudo o que Deus faz é grandemente importante, mas à duração do socorro, o que nos remete à grande tribulação de três anos e meio.
3. O cuidado divino com vistas à preservação física de parte da Igreja, fica patente em Mateus 24:22: “E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias.” Muitos acreditam que os dias já estão sendo abreviados na atualidade, porém, ao analisar detalhadamente o contexto, vemos que Jesus refere-se à grande tribulação. Outros sustentam serem esses escolhidos o povo de Israel. Porém, oito versículos mais adiante, Jesus profetiza que esses escolhidos serão arrebatados dos quatro cantos dos céus por ocasião da sua vinda em glória (Mateus 24: 30-31). O arrebatamento é uma promessa deixada à Igreja, portanto os escolhidos do versículo 22 são integrantes do corpo de Cristo. A salvação mencionada por Jesus no versículo 22 não é espiritual, pois ela independe da duração de um processo tribulacional, onde o dano máximo que um servo de Deus pode sofrer é a morte física. Jesus refere-se à preservação física de alguns escolhidos (parte da igreja) durante a grande tribulação, para que se cumpram as profecias mencionadas anteriormente.
4. No capítulo 12 do Apocalipse, é descrita a perseguição da besta (dragão) à mulher. Quando neste capítulo é mencionada uma mulher e em determinado momento ela gera um menino (Jesus), não podemos associá-la somente ao povo de Israel e sim à semente feminina da qual Jesus foi gerado (Gênesis 3:15). Neste versículo fica claro que a descendência da mulher pisará na cabeça da serpente. O apóstolo Paulo, afirma em Romanos 16:20 que Deus esmagará a cabeça de Satanás debaixo de nossos pés (igreja), fazendo-nos participantes, através da descendência física da mulher, da promessa contida em Gênesis 3:15. Se somos descendentes da linhagem da mulher, através da promessa de pisar na cabeça da serpente, a figura da mulher parece estar mais associada à Igreja do que à nação israelense. No capítulo 12 do Apocalipse, o dragão persegue a mulher com o objetivo de mata-la, porém não consegue levar seu intento ao final, pois a mulher é levada ao deserto, onde será suprida por Deus por três anos e meio, "fora da vista da serpente".
No livro de Isaias 40:31 diz: “Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças; subirão com asas como águias, correrão e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão”. Esse versículo adquire um sentido profundo e real quando o comparamos com a experiência da mulher descrita no capítulo 12 de Apocalipse. Se atentarmos detalhadamente para algumas revelações escatológicas, vamos chegar à conclusão que a nação israelense durante a tribulação permanecerá no seu atual local.
Vejamos: o templo será reconstruído em Jerusalém, no final na grande tribulação o anticristo reunirá todos os seus aliados no Armagedom, ou Monte Megido, que fica na Terra Santa, com o objetivo de atacar Israel e Jesus, por ocasião da sua segunda vinda em glória, pousará o seus pés no Monte das Oliveiras (Zacarias 14:1-9), e, daquele lugar, destruirá os exércitos da besta. Ou seja, devido a todos esses detalhes, a promessa de transporte sobrenatural nas asas da águia a um “deserto”, onde será sustentada por três anos e meio, parece estar associada à parte da Igreja e não à nação israelense. Isso fica comprovado quando o dragão, ao não poder atingir aqueles que estão em segurança, se volta contra os “demais filhos da mulher”, os que guardam os mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus, ou seja, parte da Igreja que não será protegida sobrenaturalmente, mas que será martirizada por causa do seu testemunho. Serão irmãos que não amarão a suas vidas até a morte, sabendo que o servo não é maior que o seu senhor. Para eles, o viver sempre será Cristo e o morrer por causa do evangelho, lucro...
Considerando todos os princípios abordados neste tópico, devemos preparar-nos para todas as conseqüências que isso implica. A exemplo de José, que divinamente orientado por Deus e exercendo o seu dom de sabedoria, estocou provisões para sua sobrevivência em tempos difíceis, nós devemos, se formos conseqüentes com aquilo que afirmamos e cremos, fazer o mesmo, tanto no aspecto espiritual quanto no âmbito material.
É interessante observar que o período de fome interpretado por José no sonho do faraó foi de sete anos. O mesmo tempo que durará a tribulação dos últimos dias. Deus não retirou o seu povo da terra em que se encontravam, naquela época de fome mundial, porém providenciou de forma milagrosa e surpreendente o suprimento para Israel e família em meio à fome. A revelação sobre o que acontecerá nos últimos tempos já não está nos sonhos de um faraó, mas na Bíblia. Mesmo na mais densa escuridão a Palavra de Deus iluminará nosso caminho.
"...No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16:33)
O ESPÍRITO SANTO NA TRIBULAÇÃO
A idéia da retirada do Espírito Santo da Terra antes da tribulação surgiu no século XIX, junto com o conceito pré-tribulacional, ou seja, de arrebatamento da Igreja anterior à tribulação. A Igreja, ao ser arrebatada, levaria consigo o Espírito Santo, deixando a Terra à mercê do anticristo. Porém, quando vemos o propósito eterno de Deus para o homem e o universo, vemos que Ele permanece no controle de TUDO, mesmo nos momentos mais difíceis. A partir do momento que nós verificamos a clara presença da Igreja durante a tribulação, temos que aceitar a presença do Espírito Santo na tribulação, pois o mesmo foi enviado à Igreja, objetivando edificá-la e auxiliá-la, principalmente nos momentos mais difíceis. Alguns princípios bíblicos sustentam essa afirmação:
1. É inconcebível a atuação plena de um cristão sem a presença do Espírito Santo em sua vida. De acordo com o pré-tribulacionismo, que nunca pôde negar a existência de resistência espiritual ao sistema do anticristo, alguns “ex-desviados” deixados para trás conseguiriam se opor ao sistema do anticristo, baseados em sua “força de vontade”, já que o Espírito Santo não estaria mais na Terra... Esse é um raciocínio muito tortuoso, sem base bíblica e forçado.
Se na realidade atual, onde vivemos em relativa calma, levamos uma rotina cômoda, usufruindo os avanços tecnológicos da sociedade e somos considerados “pessoas de bem” pelo fato de sermos cristãos, é difícil para um cristão cheio do Espírito Santo lutar espiritualmente contra o mundo e seus princípios, imagine um “ex-desviado” lutar contra um sistema maligno, sendo perseguido social, religiosa e politicamente? Isso não condiz com a parábola das dez virgens, na qual somente aquelas que tinham azeite (eis aí outra referência ao Espírito Santo na tribulação), puderam acender suas lâmpadas (vidas espirituais) em meio à escuridão da noite (tribulação). Também não condiz com Apocalipse 12:17, onde se afirma que a besta perseguirá os que guardam os mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus. Como manter o testemunho de Jesus sem a presença do Espírito Santo?
2. Nesse contexto, o pré-tribulacionismo incorre num erro grave: relacionar eventos políticos mundiais com a presença do Espírito Santo na terra. O Espírito foi enviado à Igreja (Atos 2:1-13). A sua atuação é direcionada ao crescimento espiritual do corpo de Cristo na Terra e Ele habita em cada cristão, que é o templo do Espírito. A permanência do Espírito Santo na vida do cristão independe dos eventos políticos e sociais que transtornam o mundo. Em I João 5:19, o apóstolo nos revela que o mundo inteiro jaz no maligno. Isso descreve o ciclo de governo humano sobre a Terra, que terá seu clímax e final no governo mundial do anticristo. Mesmo diante dessa realidade política, social e espiritual maligna predominante durante séculos, o Espírito Santo continua atuando em milhares de vidas. Consequentemente, não podemos atribuir a chegada ao poder por parte do anticristo à retirada do Espírito Santo, pois o poder político maligno baseado na capacidade do homem decaído tem durado séculos, mesmo com a presença do Espírito Santo na vida dos servos de Deus. O sistema de governo maligno só será destruído na segunda vinda de Jesus como Juiz e Rei, para arrebatar a sua Igreja e destruir o anticristo.
3. Em Apocalipse 11:1-12, é narrada a atuação das duas testemunhas durante a tribulação. Elas profetizarão por 1260 dias (três anos e meio). Após esse período, serão assassinadas pelo anticristo e ressuscitarão após três dias e meio. Se o Espírito Santo não agisse em suas vidas, como profetizariam e fariam sinais? Como ressuscitariam e ascenderiam aos céus? A quem testemunhariam, como convenceriam e como seria entendido esse testemunho, não fosse a atuação do Espírito Santo? Não é por força nem violência, mas pelo Espírito diz o Senhor...
4. Uma das manifestações do Espírito Santo é a de ajudar a Igreja em meio à tribulação, como fica claro em João 16:1-11 e em Lucas 12:11-12. Jesus disse: “E, quando vos conduzirem às sinagogas, aos magistrados, e às potestades, não estejais solícitos de como ou do que haveis de responder, nem do que haveis de dizer. Porque na mesma hora vos ensinará o Espírito Santo o que vos convenha falar”. Os nossos irmãos primitivos tinham essa promessa em seus corações de uma forma concreta, pois eles foram perseguidos em todos os sentidos. Observamos durante toda a história da Igreja que, enquanto maior a perseguição, maior a atuação do Espírito Santo, com sinais e prodígios. Essa é a realidade e são as promessas que aguardam a Igreja nos últimos tempos. Não esqueçamos o que o Senhor Jesus disse: “...no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33).
Maranata!
A MARCA E O NÚMERO DA BESTA
“E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome”. (Apocalipse 13:16-17)
A marca ou sinal da besta é um conceito claramente explicitado nos versículos supracitados. Muito se tem escrito, ensinado e especulado sobre o assunto. Cremos ser mais prático, mesmo antes de analisar a questão e tentar chegar a um denominador comum, determinar aquilo que não é a marca da besta. Deixamos claro que neste comentário, como nos outros deste site, usamos o método literal e gramatical para entendimento das profecias, método que, por sinal, era o utilizado pelos irmãos da Igreja Primitiva e seus primeiros líderes.
A MARCA DA BESTA NÃO É UM DIA
O texto de Apocalipse 13:16-17 deixa claro que o sinal da besta será posto (colocado) na mão direita ou na fronte das pessoas. Não há motivos para alegorizar a passagem em questão, já que a mesma dá detalhes literais de onde será colocada a marca, qual é o objetivo da marca e qual será o conteúdo dessa marca. Somente quem quer alegorizar as Escrituras com o intuito de encaixa-las dentro de um determinado esquema de interpretação vai menosprezar a literalidade dessa passagem.
Sem entrar na questão da guarda do sábado ou a adoção do domingo como dia semanal de descanso, a noção de colocar “um dia” na mão direita ou na fronte de uma pessoa não parece muito lógica. Por outro lado, vemos que em nenhum dia da semana existe a proibição de comprar ou vender. Portanto, o domingo, partindo de uma análise gramatical e literal, não é a marca da besta.
A MARCA NÃO É O COMPUTADOR
Por mais que o mouse seja movimentado com uma das mãos e o monitor fique na altura da fronte do indivíduo, o texto de Apocalipse 13:16-17 coloca a marca na mão direita ou na fronte como opções e não como sinais simultâneos. A marca na fronte parece ser uma alternativa para aquele que não a adotar na mão direita. Isso sem falar que um canhoto, caso realmente o computador fosse a marca da besta, estaria isento de tal marca, já que a literalidade do texto é clara: a marca será posta na mão direita ou na fronte da pessoa. Também, neste particular deve ser considerado que o processador do computador, que é a parte que realmente responde pelo funcionamento central da máquina, não está no mouse nem muito menos no monitor...
Diante da análise literal e gramatical, o computador fica descartado como “marca da besta”. Cremos que o sistema on-line e mundialmente interligado será uma arma tecnológica nas mãos da besta. Mas daí a ser a marca, é um longo e interminável caminho...
A MARCA NÃO É O PECADO
Se o pecado fosse a marca da besta, esta marca estaria sobre a humanidade desde o momento da queda. É óbvio que a adoção do sinal da besta será um pecado. Como veremos mais adiante, a marca virá acompanhada de elementos malignos que levarão a uma adoração aberta à besta e sua imagem. Porém, o texto é claro: o sinal será posto na mão direita ou na fronte, visando coibir o acesso a qualquer transação comercial por parte daqueles que não tiverem tal sinal num momento determinado da história. Em outras palavras, a marca da besta será um sistema de controle maligno.
O SINAL SERÁ UM CONTROLE
Se formos leais à literalidade do texto, sem apelar para alegorismos desnecessários, veremos que o intuito da besta que surge da terra (falso profeta), é impedir que aqueles que não tenham o sinal da besta façam parte do entorno social e, ao mesmo tempo, legitimar a exclusão e extermínio de tais pessoas. Tudo isso como "capa" de um propósito espiritual mais profundo, que é a adoração da besta como um deus, como fica exposto no versículo 15 de Apocalipse 13.
A Palavra revela que haverá 3 alternativas para a recepção do sinal: o sinal em si, o nome da besta ou o número de seu nome (666). Mais adiante falaremos com mais detalhes sobre esse número.
Na época em que a revelação apocalíptica foi escrita, o fato de pessoas serem marcadas com determinado sinal era algo costumeiro, geralmente indicando propriedade ou submissão. Então, até mesmo para os primeiros irmãos que leram a profecia contida em Apocalipse 13:16-17, a idéia de controle e sujeição ficava clara no contexto. Não vemos razões para fugir da aplicação literal daquilo que está revelado em Apocalipse 13:16-18. A marca da besta será uma tentativa do anticristo e do falso profeta para controlar a humanidade em geral (pequenos, grandes, ricos, pobres, livres e escravos). Diante dessa imposição mundial, caberá aos servos do Senhor rejeitarem esse controle, mesmo que isso signifique isolamento, perseguição, impedimento de acesso a fontes produtoras e até mesmo a morte.
No tópico CONTROLE TOTAL você verá nossos comentários a respeito da concretização técnica desse controle maligno, deixando claro que, a adoção do sinal deverá vir acompanhada de algum tipo de habilitação espiritual e adoração daqueles que o aceitarem, já que os possuidores de tal sinal serão alvos da ira do Senhor durante a grande tribulação e no momento de Sua vinda. A estreita relação entre a adoção da marca e a adoração à besta fica clara em passagens como Apocalipse 13:15-18 e Apocalipse 14:9-10.
O NÚMERO DO NOME DA BESTA
“Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis” (Apocalipse 13:18)
O livro de Apocalipse nos revela o número do anticristo (666). Talvez este seja um dos assuntos mais abordados em escatologia, servindo de estímulo para que muitos se empenhassem naquilo que o próprio livro incentiva: calcular o número da besta. Desde os primórdios da Igreja, o cálculo desse número já era feito constantemente. Irineu, no século II, aborda essa questão em um de seus comentários na série “Contra as Heresias”, aconselhando prudência àqueles que arduamente se dedicavam a esse cálculo e instando a que os irmãos esperassem a manifestação do homem em questão (anticristo), para depois comprovar sua identidade através do cálculo (Contra as Heresias V, XXX).
Cremos que deve haver equilíbrio a esse respeito. De um lado, estão aqueles que, através de engenhosos e às vezes forçados cálculos, chegam ao número 666, atrelando o mesmo a personalidades, sistemas, títulos, etc. De outro lado, estão aqueles que não se interessam em fazer aquilo que a própria profecia aconselha, que é calcular o número da besta, numa atitude no mínimo irresponsável, pois esse dado foi fornecido na Palavra para o nosso conhecimento. É preciso ter muito cuidado ao chegar a uma conclusão. Qualquer pessoa com um pouco de imaginação e criatividade, encontrará uma série de nomes ou títulos que chegarão ao 666, mesmo que, para isso, letras sejam acrescentadas ou suprimidas, títulos sejam misturados com nomes próprios e cálculos sejam feitos usando o valor numérico de idiomas como o latim e o hebraico, o que nos parece inapropriado.
Para entendermos melhor o tema e tentar chegar a uma conclusão sensata, devemos compreender alguns conceitos importantes:
O ANTICRISTO SERÁ UM HOMEM
Entendemos que o anticristo será um homem e não um sistema. A confusão surge quando não se está atento à dualidade de aplicação do termo “besta” no Apocalipse. No livro de Daniel e no Apocalipse, o termo “besta” indica um império ou poderio. A besta que surge do mar (Apocalipse 13:1) possui 10 chifres e 7 cabeças. Os chifres são 10 reis que lhe entregarão o poder em determinado momento (Apocalipse 17:16). As 7 cabeças se referem à localização geográfica desse império e também a sete reis.
Entendemos que a besta será a junção final do grande propósito dos impérios humanos decaídos durante a história: ter o controle do mundo e de todos seus habitantes. Esse desejo satânico será concedido à besta durante 42 meses (3 anos e meio), tempo que compreende a grande tribulação, onde ocorrerá o clímax do poderio humanista decaído e maligno no qual o mundo tem jazido. Já a besta que surge da terra (Apocalipse 13:11) parece estar atrelada ao falso profeta, aquele que, através de realizações sobrenaturais, faz que a população mundial adore o anticristo através de certos sinais.
Porém, na revelação apocalíptica, o termo “besta” também se refere a pessoas (anticristo e falso profeta). Isso fica claro em Apocalipse 13:12 ou Apocalipse 20:4, por exemplo. Fica altamente incongruente que um império ou organização sejam adorados! O termo “besta” no Apocalipse também se refere ao anticristo, o qual, de acordo com o que foi revelado a Paulo, se assentará no santuário de Deus, apresentando-se como Deus (II Tessalonicenses 2:4), numa referência direta à abominação desoladora profetizada por Daniel e ratificada por Jesus (Daniel 11:31-Mateus 24:15).
Por sua vez, o apóstolo Paulo se refere ao anticristo como “o iníquo”, o “homem da perdição” ou “o filho da perdição” (II Tessalonicenses 2:3-8).
Até mesmo na condição final da tríade maligna (anticristo, falso profeta e Satanás), vemos que, no momento da vinda do Senhor, enquanto Satanás é preso por mil anos, “a besta” e o falso profeta são lançados vivos no lago de fogo, em mais uma clara alusão à aplicação do termo “besta” também para o anticristo.
O ALFABETO GREGO
Quando a revelação apocalíptica foi escrita, o idioma grego não continha numerais. Conseqüentemente, letras eram escritas para representar valores numéricos. Cada letra do alfabeto grego tinha um valor atrelado a ela e, como resultado disso, cada palavra também tinha um valor numérico, conseguido ao somar todas as letras da palavra. Consequentemente, acreditamos que o cálculo do número do nome da besta deve ser feito em grego, transliterando para esse idioma o nome de outros quando for necessário.
Os manuscritos mais antigos do Apocalipse não tinham o numeral “666”, mas tres letras gregas, cujo valor resulta em 666. A primeira letra tinha o valor de 600, a segunda o valor de 60 e a terceira o valor de 6. No textus receptus, texto a partir do qual foram feitas a maior parte das traduções e versões que atualmente usamos, está escrito literalmente:
"kai o ariqmoV autou, cxV
TRADUÇÃO: e o número é, 600, 60, 6.
Da mesma forma, alguns manuscritos mais recentes, descrevem o número da besta da seguinte forma:
“kai o ariqmoV autou, exakosioi, exhkonta, ex
TRADUÇÃO: e o número é, seiscentos e sessenta e seis.
O fato dos manuscritos mais antigos trazerem apenas as letras que indicavam o numeral 666, através de sua soma, indica que o cálculo do número da besta deve ser feito através do valor numérico das letras que compõem seu nome. Por isso, nos parece que a posição mais prudente é usar o alfabeto grego e o valor numérico de suas letras. Como quase nenhum nome atual segue a mesma grafia de nomes do século I, se faz necessária uma transliteração do nome a ser calculado.
Neste ponto deve haver uma redobrada atenção para que a transliteração do nome em inglês, português, espanhol, francês, etc, seja feita de uma forma apropriada para o grego. Por exemplo, no idioma grego não existe uma letra que produza o nosso fonema “J”. Neste caso "Ih" (iota+eta) substitui a letra “J”.
O ALFABETO GREGO E SEU VALOR NUMÉRICO
A seguir você terá à disposição o antigo alfabeto grego, suas letras e o valor numérico de cada letra. As letras que aparecem com o sinal ***, são letras que foram obsoletas do vocabulário grego, mas que ainda representam valores numéricos. A letra “sigma” tem uma dupla aplicação, a depender do lugar que ocupe na frase.
Alpha [Aa] (a) = 1
Beta [Bb] (b) = 2
Gamma [Gg] (g) = 3
Delta [Dd] (d) = 4
Epsilon [Ee] (eh) = 5
*** [V'] (-) = 6
Zeta [Zz] (z) = 7
Eta [Hh] (ay) = 8
Theta [Qq] (th) = 9
Iota [Ii] (i) = 10
Kappa [Kk] (k) = 20
Lambda [Ll] (l) = 30
Mu [Mm] (m) = 40
Nu [Nn] (n) = 50
Xe [Xx] (ks) = 60
Omocron [Oo] (o) = 70
Pi [Pp] (p) = 80
*** [o] (-) = 90
Rho [Rr] (r) = 100
Sigma [SsV*] (s) = 200
Tau [Tt] (t) = 300
Upsilon [Uu] (oo) = 400
Phi [Ff] (f) = 500
Chi [Cc] (ch) = 600
Psi [Yy] (ps) = 700
Omega [Ww] (O) = 800
No momento certo você poderá calcular o número do nome da besta, ou seja, o valor numérico de seu nome. O Senhor, em seu infinito amor e cuidado, nos deixou essa revelação para que saibamos identificar a besta e rejeitar seu sistema, mesmo que isso signifique a morte física. Aqui está a perseverança e a fé dos santos!
Maranata!
A SEGUNDA VINDA DE JESUS
A segunda vinda de Cristo será um evento grandioso e visto internacionalmente por aqueles que estiverem vivos no final da grande tribulação. Se em sua primeira vinda Ele manifestou-se como um homem comum, sofrendo todas as implicações físicas dessa condição desde o seu nascimento, no segundo advento Ele aparecerá na sua real condição divina, com grande poder e glória, no comando formado por miríades e miríades de anjos.
No momento de maior tensão política e espiritual da grande tribulação, quando os exércitos reunidos pelo anticristo e seus aliados estiverem prestes a atacar Israel, o Senhor Jesus aparecerá nos céus com os seus anjos, arrebatará a Igreja (Mateus 24-29-31) e, a continuação, derrotará os exércitos do anticristo e instaurará o reino mundial de paz, denominado na Bíblia como Milênio (Apocalipse 20:1-6). O anticristo será derrotado definitivamente na batalha do Armagedom ou Megido pelos exércitos celestiais de Cristo em sua segunda vinda (Zacarias 14:1-21). O destino final do anticristo e do falso profeta será o lago de fogo (Apocalipse 19:11-21).
Na parábola da figueira, contida em Mateus 24:32-33 e proferida no final do sermão profético, Jesus nos revela em que momento ocorreria a sua vinda gloriosa e qual deveria ser a expectativa dos discípulos em relação a ela. Após narrar todos os acontecimentos principais dos últimos tempos, Jesus declara: “...igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo às portas”. A que se referia Jesus quando mencionou “todas estas coisas”? Estava referindo-se à série de acontecimentos preditos por Ele próprio, momentos antes, no sermão profético. Entre esses acontecimentos, o Senhor descreveu a grande tribulação, que antecederia a sua volta triunfal. Consequentemente, ao determinar que os seus discípulos veriam todas aquelas coisas, inclusive a grande tribulação, e que a sua volta gloriosa estaria próxima ao clímax daqueles eventos, o próprio Mestre relacionou a esperança de seus discípulos pela sua volta à segunda vinda Dele em glória e não a um momento anterior e oculto.
Ao ler as profecias bíblicas e ao estudar a história da Igreja primitiva, fica a clara noção de que nossos irmãos primitivos esperavam uma futura vinda de Jesus sem subdivisões ou etapas. Sustentar que a segunda vinda do Senhor está subdividida em duas etapas separadas por alguns anos, como defende os modelos pré-tribulacionista (7 anos) e midi-tribulacionista (3 anos e 6 meses) é, entre outras suposições, deduzir que os irmãos em Corinto, Tessalônica, Roma, Filipos, Jerusalém, etc, sabiam perfeitamente que havia essa "subdivisão" implícita nos escritos de Paulo e dos outros apóstolos, já que os termos usados para o que os modelos pré e midi-tribulacionista denominam de "vinda para a Igreja" e "vinda para Israel", são os mesmos!!! Ou seja, para que o argumento pré e midi-tribulacionista faça sentido no que concerne à "sub-divisão" da vinda de Jesus, os irmãos primitivos deviam estar cientes de algo que não é ensinado textualmente no Novo Testamento e que não consta em nenhum escrito de líderes cristãos até o século XIX...
UMA VINDA VISÍVEL
Nenhum texto bíblico nos permite afirmar que Jesus virá ocultamente antes da sua vinda em glória logo após a grande tribulação. Como abordamos no item “VIGILÂNCIA EM MEIO À CRISE”, a menção à vinda de Jesus como um “ladrão”, procura descrever um fato que será inesperado pela maior parte da população mundial, repentino (num abrir e fechar de olhos) e impossível de ser datado com precisão, usando as medidas "dia" e "hora".
Os vocábulos gregos utilizados para descrever a vinda de Cristo, até mesmo aqueles inseridos nos versículos citados corriqueiramente pelos que sustentam o pré-tribulacionismo, são palavras que denotam sempre visibilidade e poder. Isso ocorre tanto com apocalipsys (revelação), epiphaneia (aparecimento) e parousia (vinda). Essas são as palavras usadas no Novo Testamento para descrever a segunda vinda de Jesus e nenhuma delas sugere uma vinda oculta. Pelo contrário, todas descrevem um acontecimento visível para todos.
Os textos que relatam mais detalhadamente a vinda de Cristo no seu momento inicial, ou seja, no momento em que aparecer no céu o sinal visível a nível mundial, sempre o descrevem acompanhado de anjos e exércitos celestiais e não mencionam a Igreja ou Noiva. Isso deixa claro que Jesus não aparecerá nos céus com uma Igreja arrebatada anos antes e sim aparecerá nos céus com anjos, grande glória e poder para arrebatar a sua Igreja e derrotar o sistema maligno. Isso fica bastante claro em passagens como Mateus 25: 31-32: “E quando o Filho do homem vier na sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dele; e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas”.
Outro texto que narra o mesmo instante está em Apocalipse 19:14: “E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro”. Em II Tessalonicenses 1:7-8 o apóstolo Paulo não deixa dúvidas a respeito da ordem dos acontecimentos finais. Vejamos: “E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo”.
Essa revelação dada a Paulo nos mostra claramente a ordem dos eventos e o momento em que acontecerão. Em primeiro lugar, Paulo não esperava um arrebatamento pré-tribulacional, pois o mesmo já estava sendo atribulado e aguardava, junto com a Igreja primitiva, o alívio definitivo para suas tribulações. Quando aconteceria esse alívio? O próprio apóstolo nos responde: "...quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo... Até mesmo para um leitor menos atento, fica claro que Paulo está referindo-se à vinda de Jesus como Rei e Senhor para derrotar o anticristo e seu sistema. Se é neste momento que Paulo esperava alívio, obviamente esse alívio da tribulação para a Igreja no final dos tempos virá por ocasião da volta de Jesus em glória e não numa volta oculta anterior à tribulação!
Essa é a maravilhosa promessa que a Igreja deve esperar: a volta do Mestre, para arrebatar aqueles que são novas criaturas e mudar completamente o rumo do mundo. Até o presente momento, o mundo inteiro jaz no maligno (I João 5:19). Nós aguardamos a volta de Cristo para mudar essa situação de uma vez por todas.
O MILÊNIO
Em relação à duração do Milênio, alguns afirmam não tratar-se de um período literal de mil anos, levando em consideração o caráter simbólico de muitas afirmações apocalípticas e também a relação divina com o tempo e o espaço, muito diferente da nossa. O que podemos determinar, baseados numa interpretação literal da profecia referente ao Milênio, é que certamente haverá um período de paz e harmonia, logo após a volta de Jesus. Neste momento os servos fiéis a Deus em todos os tempos receberão seus galardões (Apocalipse 20:4) e serão chamados para reinar juntamente com Cristo.
Acreditamos que, após a derrota das forças malignas do anticristo, as condições naturais do planeta serão mudadas milagrosamente. Em primeiro lugar, o peso espiritual maligno que assola a Terra, ou seja, as potestades do ar, serão expulsas. Toda contaminação atmosférica causada pelos eventos catastróficos da tribulação, todo desequilíbrio climático, enfim, tudo o que devastou a Terra e a natureza durante a história do homem decaído será restaurado.
Os textos bíblicos que mencionam esse período milenar, deixam transparecer que ele terá condições semelhantes às condições existentes no Éden (Isaias 11:1-16). A própria condição física do homem será privilegiada por essas mudanças, talvez levando os homens a viverem num período de tempo muito maior que o atual, aproximando-se à condição etária dos homens anti-diluvianos, o que talvez explique o termo “Milênio”, já que os seres humanos conseguiriam viver aproximadamente esse tempo ou mais. Nesse caso, o Milênio abrangeria somente uma ou duas gerações humanas.
Esse contexto de perfeição existirá devido a dois fatores principais: a) presença física e espiritual do próprio Cristo na Terra, governando o planeta com amor e justiça e b) a saída de cena da trindade maligna, formada pelo anticristo, o falso profeta e Satanás. O anticristo e o falso profeta, após a derrota no Armagedom, serão lançados no lago de fogo. Satanás será preso durante esse período e solto no final do Milênio.
Muitos podem se perguntar a razão disso. Por que não lançar definitivamente Satanás no lago de fogo eterno, como acontece com o anticristo e o falso profeta e livrar o ser humano de uma vez por todas desse mal? Por que ainda soltá-lo? Acreditamos que essa permissão divina esteja inserida em seu plano eterno no sentido de provar definitivamente a fidelidade da humanidade, dentro de um contexto de perfeição. Ou seja, colocar o ser humano num meio de perfeição, sob um governo que terá a direção do próprio Cristo, numa sociedade perfeita e condições de vida excepcionais.
Não haverá desculpas nem pretextos para quem, no final do Milênio, cair na sedição satânica, que ajuntará muitas pessoas que preferiram as promessas enganosas do diabo ao reino de paz do Senhor (Apocalipse 20:7-9), mesmo vivendo nele e desfrutando de suas bênçãos. Será a prova de fidelidade derradeira para muitos. Os rebeldes, liderados pelo próprio satanás, subirão contra Jerusalém, centro do governo de Jesus, e serão definitivamente derrotados (Apocalipse 20:10). Após esse fato definitivo virá uma ressurreição em massa e o juízo final (Apocalipse 20:11), para os que foram infiéis a Deus durante toda a história humana e escolheram conscientemente seguir a rebelião começada por Lúcifer nos primórdios dos tempos. Os condenados serão jogados junto com ele e seus anjos no lago fogo para todo sempre. Os salvos não participarão dessa última ressurreição em massa, pois mil anos antes já tinham participado da primeira ressurreição, ocorrida durante a volta de Jesus em glória para instaurar o Milênio (Apocalipse 20:4-6).
Após o juízo final, a promessa de novos céus e nova Terra será realizada. Um universo já totalmente livre de toda a raiz do mal e habitado por aqueles que amam verdadeiramente a Deus. Aqueles que foram provados de todas as maneiras e aprovados. Nesse momento, a nova Jerusalém descerá dos céus com destino à Terra, já completamente transformada e adquirindo o seu estado definitivo, e servirá como cidade central para o governo divino na nova Terra para toda a eternidade. A nova Jerusalém, de acordo com os dados apocalípticos, é uma cidade de forma quadrangular, construída com elementos celestes e além de nossa imaginação, com dimensões continentais e possuindo muros de 69,12 metros (Apocalipse 21:16-17). Nela, o próprio Deus fará morada entre os homens.
Esse é o nosso chamado. Para isso fomos escolhidos. Para ter comunhão com Deus eternamente, seja na Terra, nos céus, no universo e até além dos lugares onde a nossa imaginação limitada não consegue ultrapassar.
Maranata
AS BODAS DO CORDEIRO
Jesus, após a última páscoa e pouco antes da sua morte e ressurreição, prometeu que aquele momento se repetiria um dia no reino dos céus:
“E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai” (Mateus 26:29).
No livro do Apocalipse, vemos que o anúncio das bodas do Cordeiro ocorrerá após a destruição do sistema religioso mundial (Babilônia), ou seja, tal anúncio se dá no final da grande tribulação, momentos antes da destruição do anticristo e seus exércitos no Armagedom (Apocalipse 19:6-9), opondo-se à idéia pré-tribulacionista que sustenta a realização dessas bodas logo após um arrebatamento pré-tribulacional. Na visão pré-tribulacionista, as bodas durarão nos céus o mesmo tempo que a tribulação estiver ocorrendo na Terra, ou seja, durante sete anos. Essa postura não condiz com Apocalipse 19:6-9. Nesse texto, fica claro que o anúncio das bodas ocorrerá no final da tribulação sem, contudo, fixar um momento ou lugar determinado, não descrevendo as bodas em si e sim anunciando as mesmas como um acontecimento próximo.
Jesus profetizou que a sua vinda seria mundialmente visível (Mateus 24:30) e que, por ocasião dessa vinda em glória, os escolhidos seriam arrebatados para encontrá-lo nos céus (Mateus 24:31). Nesse arrebatamento, os mortos serão ressuscitados e os vivos serão transformados, em ambos casos recebendo corpos glorificados (I Tessaloniceses 4:13-18). Neste ponto, o pré-tribulacionismo poderia perguntar: como seria possível o arrebatamento da Igreja no final da tribulação, a realização das bodas e a posterior descida de Cristo com a Igreja como Rei ao Monte das Oliveiras, de onde derrotará o anticristo e seus exércitos? Como poderiam esses acontecimentos dar-se num curto espaço de tempo?
Para começar, em nenhum texto bíblico fica determinado explicitamente que as bodas do Cordeiro acontecerão entre o arrebatamento e a derrota do anticristo, podendo até mesmo ser celebrada no começo do reino milenar de Cristo na Terra. Particularmente, cremos nessa possibilidade. Jesus anunciou que voltaria a celebrar a ceia com os seus discípulos no reino do Pai, podendo estar referindo-se aos céus ou até mesmo ao Milênio, que será a implantação do reino de Deus na Terra, tendo Jesus como Rei e Senhor.
Mesmo considerando a hipótese que as bodas sejam celebradas nos céus, entre o arrebatamento e a descida de Jesus com a sua Igreja para derrotar o anticristo, colocando teoricamente os três eventos numa sequencia vertiginosa, não podemos cair no erro básico de condicionar a atuação divina às regras e medidas de tempo humanas. Deus é o criador do universo e de todas as leis que o sustentam. Porém, Ele não está restrito a essas leis físicas, o mesmo acontecendo com os seres celestiais. Não podemos pretender “cronometrar” a manifestação divina, sobretudo nos eventos do final da tribulação (aparecimento do sinal, arrebatamento, glorificação da Igreja, bodas e derrota do anticristo e sistema). Esses eventos, em seu conjunto, podem acontecer em segundos, minutos, horas ou até mesmo dias, pois Deus não está restrito às dimensões de espaço e tempo concebidas pela mente humana. A Igreja também não estará sujeita a essas leis, pois seus membros possuirão corpos glorificados, como veremos mais adiante. Para chegar a conclusões mais apropriadas à respeito da sequencia desses acontecimentos, devemos considerar os fatos concretos que a Bíblia nos revela:
1. O glorificação da Igreja será repentina, num abrir e fechar de olhos, ou seja, em uma fração de segundos (I Coríntios 15:52). Essa glorificação, de acordo com o apóstolo Paulo, se dará na vinda de Cristo (I Coríntios 15:23 - I Coríntios 15:51-52). Na vinda do Senhor, a única descrita por Ele, ocorrerá o ajuntamento dos escolhidos nos ares, de uma à outra extremidade dos céus, logo após a grande tribulação (Mateus 24:29-31)
2. Por uma questão de lógica, as bodas acontecerão após o arrebatamento, o qual, por sua vez, como vimos no item anterior, ocorrerá imediatamente após a grande tribulação. Em Apocalipse 19: 6-9, o anúncio e preparativos para as bodas se dão após a queda da grande Babilônia, nos momentos finais da grande tribulação, corroborando o exposto acima e indo contra a concepção pré-tribulacionista.
3. As bodas do Cordeiro, de acordo com Mateus 26:29 acontecerão no reino do Pai, lugar que pode estar relacionado aos céus ou ao reino milenar de Cristo na Terra.
4. Jesus, em sua vinda, retornará como Rei e Senhor, com os seus santos arrebatados (I Tessalonicenses 3:13), para vencer os exércitos do anticristo. Ele pousará seus pés no Monte das Oliveiras (Zacarias 14:1-8), de onde vencerá ao anticristo e os seus exércitos reunidos no Armagedom.
Na hipótese das bodas serem celebradas nos céus, entre o arrebatamento logo após a grande tribulação e a descida de Cristo para vencer o anticristo, e não no começo do reino milenar na Terra, alguém poderia questionar: mas, como seria possível celebrar as bodas do Cordeiro numa fração de segundos, para tornar possível a sequencia vertiginosa descrita anteriormente? A resposta torna-se simples, quando deixamos de lado nossos conceitos físicos de tempo e espaço e passamos a visualizar essas medidas de uma perspectiva espiritual.
A partir do momento do arrebatamento, nossa interação com Deus será a nível espiritual, já que teremos corpos celestiais. O salmista escreveu que um dia para o Senhor é como mil anos e mil anos como um dia. Davi escreveu essa grande revelação 3.000 anos antes de Albert Einstein, no início do século XX, descobrir e comprovar a relatividade do tempo e do espaço. De acordo com a teoria de Eintein, o tempo torna-se uma medida relativa em relação à velocidade assumida por um corpo no espaço. Para duas pessoas, movendo-se em velocidades altamente diferentes, a contagem do tempo mostra grandes diferenças. Se, teoricamente, isso se tornaria possível hoje para qualquer pessoa que tivesse um meio de transporte que alcançasse velocidades próximas à da luz, imaginemos as capacidades inerentes aos seres espirituais, possuidores de corpos celestiais e glorificados...
As possibilidades dessa realidade fogem à nossa imaginação e não podemos determinar o que aconteceria numa fração de segundos dentro do mundo espiritual, baseados em nossas concepções de tempo e espaço físicos. O mesmo Senhor capaz de ressuscitar e glorificar milhões de servos Seus num átimo de segundo é capaz de vencer todas limitações tempo-espaciais, pois Ele é soberano. No entanto, como já expressamos acima, cremos que as bodas ocorrerão na Terra, logo no início no período milenal.
UM IMPORTANTE DETALHE
O evangelista Lucas nos fornece um detalhe importantíssimo a respeito da futura celebração da ceia entre Jesus e a Igreja. Em Lucas 22:18, Jesus declara: "Porque vos digo que já não beberei do fruto da vide, até que venha o reino de Deus". Nessa passagem, Jesus coloca um evento específico como marco para a celebração da ceia futura com a Igreja glorificada, retirando toda hipótese de iminência atual desse acontecimento e colocando-o mais uma vez após a tribulação.
De acordo com o próprio Mestre em Lucas 21:31, os seus servos saberiam que o reino de Deus estaria chegando após o cumprimento de todos os sinais descritos no sermão profético. Portanto, ao determinar que não mais beberia do fruto da vide até que viesse o reino de Deus, Jesus coloca a realização das bodas como um glorioso evento pós-tribulacional e não anterior à chegada plena do reino de Deus, que só chegará após o cumprimento de todos os sinais apocalípticos! (Lucas 21:31). Por outro lado, um interessante detalhe salta à vista. O Senhor Jesus menciona que beberá "o fruto da vide". Se formos coerentes, devemos relacionar a existência do fruto da vide à Terra. Essa constatação é mais uma notável evidencia que aponta para a celebração das bodas na Terra, logo no início do Reino Milenal.
Muito mais importante do que o local ou o momento no qual se dará esse evento maravilhoso, é o sentimento que devemos ter no mais profundo dos nossos corações: desejar a cada segundo de nossa existência estar frente a frente com o nosso amado Mestre e cear com Ele. Essa esperança deve ultrapassar todo desejo terreno e toda possível tribulação que venhamos enfrentar enquanto povo de Deus.
AS BODAS NOS COSTUMES JUDAICOS
Quando as Escrituras se referem à relação existente entre Cristo e a Sua Igreja, por vezes usa os termos bodas, noiva, noivo, esposa e esposo. Isso fica mais evidente nas passagens escatológicas, já que esses termos, entre outros, são utilizados para descrever o maravilhoso encontro entre Jesus (noivo) e a Igreja (noiva). Por essa razão, é apropriado estudar e determinar de forma mais detalhada em que consistiam realmente os costumes judaicos referentes às bodas, pois esse conhecimento nos trará ainda mais esclarecimentos a respeito dos tempos do fim.
Nas últimas décadas temos visto muitos autores, principalmente no segmento da escatologia, querendo adaptar certas idéias preconcebidas a respeito do significado das festividades judaicas ligadas ao casamento, procurando de todas as formas que seus comentários se “encaixem” dentro da visão interpretativa defendida pelo autor. Por isso, se faz necessário, quando se fala em costumes judaicos, a existência de uma sustentação documental e histórica, pois fica muito fácil afirmar que essa ou aquela prática foi, há milhares de anos, um costume social judaico.
Como veremos a seguir, os costumes judaicos referentes à festa de casamento (bodas), não condizem em absoluto com o esquema pré-tribulacional. Combinando essas informações históricas e documentais com as revelações bíblicas, já comentadas no começo, você poderá chegar a uma conclusão mais aproximada da real aplicabilidade dos costumes relacionados à celebração das bodas dentro do quadro profético.
NOÇÕES HISTÓRICAS E DOCUMENTAIS
1. Não existe nenhuma informação histórica, a respeito dos costumes sociais judaicos, que afirme a necessidade do noivo levar a noiva à casa de seu pai, casar com ela lá e logo após retornar à casa da noiva, dentro do processo de cerimônia matrimonial (Dr. Robert Gundry-First the Antichrist, páginas 94 e 95). O modelo pré-tribulacionista implicitamente afirma isso.
2. A cerimônia judaica de casamento não ocorria de forma iminente ou “a qualquer momento”. Pelo contrário, a noiva se preparava durante 12 meses, cheia de expectativa. Consequentemente, ela sabia em que época, até mesmo em que semana, o noivo chegaria com sua comitiva e de forma alguma o tempo da chegada do noivo a surpreenderia. A chegada do noivo à casa da noiva só se tornava iminente após o grito dado por um dos integrantes da comitiva do noivo, minutos antes (Universal Jewish Encyclopedia, páginas VII-372 e 373 – Leia também Mateus 25:6)
3. A chegada do noivo era precedida por mensageiros. O noivo e sua comitiva costumavam chegar meia hora antes da meia noite (Joachim Jeremias-Paraboles of Jesus, página 173)
4. As damas acompanhantes da noiva deveriam acender suas lâmpadas ao soar o grito, anunciando a proximidade do noivo e comitiva. Essas damas, por serem amigas da noiva, também conheciam o tempo em que o noivo chegaria. Na parábola das dez virgens (damas), vemos que as mesmas cochilam e dormem porque o noivo não chegou na hora que elas esperavam, que, segundo a tradição, era às 23:30 hrs. aproximadamente (Mateus 25:5). No caso da parábola, o noivo chegou às 00:00 hrs. Essa é mais uma razão para descartar toda idéia de iminência na chegada do noivo. (Joachim Jeremias-Paraboles of Jesus, página 172)
5. De acordo com dados históricos dos tempos de Jesus, o casamento judaico era celebrado numa quarta-feira (4º dia da semana), deixando os primeiros tres dias da semana para a preparação das festividades e os últimos preparativos da noiva. Mais uma vez, toda idéia de aparição repentina e não avisada do noivo fica fora de cogitação (Alfred Edersheim-Sketches of Jewish Social Life, capítulo IX)
6. Um dos elementos da festa judaica de casamento era “a taça da aceitação”. Era um processo formal no qual a moça aceitava a proposta de casamento bebendo um pouco de vinho numa taça, selando assim a cerimônia. Jesus, após celebrar Sua última páscoa antes da crucificação com os apóstolos, declarou que não voltaria a beber do fruto da vide até aquele dia no reino do Pai. Isso nos remete ao reino milenal, pois estamos falando de ingestão de elementos materiais produzidos na Terra (vides e vinho).
BASES BÍBLICAS
Nas Escrituras há poucos relatos sobre bodas que abordem todos os detalhes cerimoniais em si. Nesse aspecto, o mais detalhado é o relato da parábola das dez virgens, pronunciada por Jesus na parte final de seu sermão profético (Mateus 25:1-10). Porém, podemos chegar a conclusões importantes baseados nas narrativas bíblicas.
1. Nas passagens de Isaias 24:23 e 25:1,2,6-8, vemos a realização futura de uma grande festa, na qual será tirado o véu das nações no Monte Sião em Jerusalem. A retirada do véu está intimamente relacionada à parte da cerimônia das bodas, onde o noivo retirava o véu de sua noiva. Essa profecia combina perfeitamente com o relato de Apocalipse 19:1-11, onde fica claro que a expectativa e o anúncio das bodas se dá nos momentos finais da tribulação, pouco antes da vinda de Jesus em glória.
2. Ao contrário do que é corriqueiramente ensinado nos escritos pré-tribulacionistas, muitas vezes sem suficiente base histórica e documental, a festa de casamento judia não ocorria após 7 dias no “huppah”. Pelo contrário, a festa começava logo após a cerimônia (bodas) e se prolongava por 7 dias (Gênesis 29:21-27 e Juízes 14:10-18). No relato de Juízes, fica evidente que Sansão já tinha contato com sua esposa nos dias da festa. Se a festa viesse antes das bodas, então essa possibilidade não existiria. Nesse contexto, o modelo pré-tribulacionista mostra-se mais uma vez incongruente, pois não condiz com a passagem de Apocalipse 19:1-11, que coloca o aviso e a preparação da noiva para as bodas já no final dos eventos tribulacionais, num momento imediatamente anterior à volta gloriosa do Senhor, logo após a grande tribulação (Mateus 24:29).
CONCLUSÃO
Se fôssemos seguir o modelo pré-tribulacionista, que sustenta o encontro de Jesus e a Igreja no começo da tribulação, logo após um rapto pré-tribulacional iminente, e a conseqüente celebração das bodas nos céus durante 7 anos, enquanto na Terra ocorre a tribulação, estaríamos sustentando uma grande incongruência: colocar o noivo e a noiva em plena comunhão matrimonial antes da celebração das bodas!
Como ficou mostrado, não há nenhuma base de sustentação para o modelo pré-tribulacional quando estudamos os costumes judaicos referentes à celebração das bodas. Em primeiro lugar, toda idéia de iminência na chegada do noivo é negada pela documentação histórica e pelo relato bíblico da parábola das dez virgens, colocando a iminência somente a partir do grito proveniente da comitiva do noivo. Podemos fazer paralelo às palavras do Mestre em Mateus 24:33, onde Jesus ensina que, após os discípulos virem a concretização de todos os sinais apocalípticos, inclusive a grande tribulação, Ele estaria próximo, “às portas”.
Em segundo lugar, há uma notável direção bíblica que aponta para a celebração das bodas no começo do reino milenal de Cristo sobre a Terra a partir de Jerusalém, afastando toda idéia de celebração dessas bodas durante o período tribulacional. Por último, fica a clara constatação de que a festa das bodas, que durava 7 dias, seguiam a cerimônia de casamento em si e não antecediam a mesma. Neste contexto, a revelação de Apocalipse 19:1-11 nos remete mais uma vez à celebração das bodas e à conseqüente festa, como eventos milenais, já que na passagem apocalíptica o anúncio e a expectativa das bodas se dá já nos momentos finais da tribulação, momentos esses que antecedem a volta gloriosa de Jesus, logo após a tribulação, para encontrar-se com sua noiva, destruir o anticristo e instaurar seu reino.
Maranata!
AS SETENTA SEMANAS
O Senhor, através da revelação dada ao profeta Daniel, nos mostra com detalhes eventos que fizeram parte da história da humanidade e outros que ainda ocorrerão. Dentro desse conjunto de preciosas revelações divinas, as setenta semanas de Daniel têm sido objeto de estudo e servido como um verdadeiro mapa, o qual nos revela que caminhos estão reservados para nós no futuro, dentro do plano perfeito de Deus.
O termo “semana”, referindo-se a um período de sete anos, era comum entre os judeus. Tal termo vem da ordem de Deus em Levítico 25:1-7 para cultivar um campo durante seis anos, permitindo que o mesmo descansasse no sétimo ano. Esse período de sete anos ficou conhecido como “semana de anos”. Portanto, setenta semanas são 490 anos.
Nas profecias do livro de Daniel, esses 490 anos se subdividem em tres partes: sete semanas de anos (49 anos), sessenta e duas semanas de anos (434 anos) e uma semana de anos (7 anos). O ponto de partida para o cálculo das setenta semanas é o decreto emitido pelo rei medo-persa Artaxerxes em 14 de março de 445 AC, autorizando a reconstrução de Jerusalém. Neste ponto, convém deter-nos para argumentar porque cremos que as semanas devem ser contadas a partir de 445 AC.
No ano 538 AC, o rei Ciro, após conquistar a Babilônia, expede um decreto a favor do povo de Israel. Esse decreto de Ciro é destinado ao retorno dos judeus à terra natal para reconstruir o Templo e restituir os utensílios sagrados pertencentes a ele (Esdras 1:1-8, Esdras 5:13-14). Anos depois, em 520 AC, em função de um pedido de ajuda provindo de Jerusalém, Dario I, confirma a mesma ordem dada anteriormente por Ciro (Esdras 6:1-13). Mais de 70 anos depois, em 457 AC, o rei Artaxerxes I emite um decreto, registrado em Esdras 7:11-23, objetivando ajudar no funcionamento do Templo em Jerusalém. Esse primeiro decreto de Artaxerxes foi dado pessoalmente a Esdras (Esdras 7:11). Todas essas ordens citadas até aqui se referem ao Templo e ao seu funcionamento.
Por último, em 445 AC, o mesmo Artaxerxes I dá uma ordem a Neemias para a reedificação da cidade de Jerusalém e de seus muros (Neemias 2:1-9). É interessante notar que, até essa última ordem dada a Neemias, Jerusalém ainda não havia sido reedificada e ainda estava em ruínas (Neemias 2:5). Então, as 3 primeiras ordens foram expedidas por Ciro, Dario e Artaxerxes, respectivamente, em relação ao Templo e ao funcionamento das cerimônias relacionadas a ele. No entanto, a cidade só começou a ser plenamente reedificada a partir do decreto dado a Neemias em 445 AC. A profecia das setenta semanas se inicia "...Desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém..." (Daniel 9:25). Logo, cremos que as setenta semanas devem ser contadas a partir de 445 AC.
Então, entendemos que o primeiro período vai de 445 AC até 396 AC, tempo que durou a reconstrução (49 anos). O segundo período perfaz 483, somando-se os 49 anos das sete primeiras semanas e os 434 das sessenta e duas semanas que antecederam a morte do Ungido (Jesus).
Esses dados, levando em consideração a dedução entre 1 AC e 1 DC, onde há somente um ano, o ano lunar judeu, que tem apenas 360 dias, os anos bissextos durante o período, que acrescentam mais 119 dias no cálculo e o desconto da pequena diferença que existe entre o calendário juliano e o ano solar (1/128 de diferença), nos revelam um número de 173.880 dias, entre a primeira e sexagésima nona semanas.
AS SEMANAS JÁ CUMPRIDAS
De acordo com o que explicaremos depois, cremos que 69 das 70 semanas já se cumpriram. A última semana, um período de sete anos, ainda se cumprirá e esse período é denominado tribulação, do qual faz parte a grande tribulação, a partir da metade da última semana e que durará tres anos e meio.
O que é mais interessante de perceber, quando analisamos as primeiras 69 semanas de Daniel, é que o profeta, divinamente inspirado, forneceu detalhes e dados tão específicos que tornaram possível o conhecimento do tempo em que Jesus nasceria e exerceria seu ministério na Terra...
Quando vemos a história do nascimento de Jesus, observamos que aqueles que se apresentaram diante do recém-nascido e o reconheceram como Rei, não foram líderes religiosos judeus, nem escribas, nem os sábios e doutores da lei, que liam e estudavam as Escrituras constantemente. Aqueles que perceberam a proximidade do nascimento do Messias e viajaram milhares de quilômetros com o objetivo de visitar o Salvador do mundo, eram “magos” vindos do Oriente. Como isso pôde acontecer, já que os judeus tinham um acesso direto e constante às Escrituras e os magos viviam a milhares de quilômetros da terra prometida?
A resposta é simples: nos séculos que antecederam o nascimento de Jesus, até mesmo por uma influência das idéias helenizantes, os líderes judeus começaram a defender duas posições errôneas. Em primeiro lugar, ensinavam que as Escrituras não deveriam ser interpretadas literalmente, pois não eram totalmente inspiradas por Deus e, consequentemente, continham erros.
Em segundo lugar, tendiam a espiritualizar as profecias expressas nas Escrituras. Logo, as profecias de Daniel eram metaforizadas e a interpretação de todos os dados literais do livro de Daniel foi, paulatinamente, sendo desprezada. Após várias décadas, essa interpretação ficou solidificada. Quando Jesus nasceu, os líderes religiosos judeus não perceberam tão grande acontecimento, que tinha sido profetizado profusamente nas Escrituras e que, de acordo com as setenta semanas de Daniel, poderia ser calculado.
Esse cálculo foi feito pelos magos do Oriente. É preciso lembrar que Daniel fora considerado no Oriente (tanto na Babilônia, quanto na Pérsia) o maior de todos os sábios. Toda sorte de magos, prognosticadores e sábios do Oriente, tinha o maior respeito por Daniel, pois ele, como instrumento do Senhor, salvou suas vidas de uma morte iminente (Daniel 2:1-19). Apesar desse enorme respeito, o mais provável é que esses sábios do Oriente não tenham abandonado suas práticas pagãs e politeístas.
Contudo, a fama de Daniel, como grande sábio, ficou na memória e nos arquivos do Oriente. Os magos que visitaram Jesus recém-nascido, sem dúvidas, ouviram falar dos grandes feitos de Daniel na Babilônia e na Pérsia, e possuíam cópias de suas revelações e profecias, entre elas a profecia das setenta semanas. Quando a estrela apareceu no céu, eles sabiam que estava na época da profecia se cumprir, já que possuíam a revelação concernente às setenta semanas e sabiam aproximadamente o período em que o Messias haveria de nascer.
Todas essas constatações nos deixam uma importante lição: as profecias bíblicas não podem ser totalmente metaforizadas nem os dados existentes nessas profecias, principalmente anos, meses, dias e períodos, podem cair no terreno da espiritualização ou alegorização.
Devido a uma visão semelhante, os líderes judeus da época do nascimento do Messias não perceberam esse glorioso evento e, consequentemente, não aceitaram Jesus como o Messias prometido. Apesar de lerem as Escrituras, eles não conheceram o tempo de sua visitação. Jesus, ao referir-se ao povo de Jerusalém, lamentou e disse:
“... Pois dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te esteitarão de todos os lados; e te derrubarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que não conheceste o tempo da tua visitação” (Lucas 19:43-44).
As profecias bíblicas expressam todo o cuidado de Deus em situar-nos dentro dos acontecimentos. Para isso temos dados importantíssimos que não podemos desprezar ou alegorizar. Muitas das revelações contidas no livro de Daniel referem-se “ao tempo do fim”. Devemos analisar os dados oferecidos nessas e outras profecias bíblicas de forma literal e estarmos atentos a todos os acontecimentos internacionais, pois na seqüência deles poderemos observar o cumprimento real e literal das profecias bíblicas!
A ÚLTIMA SEMANA
O dispensacionalismo tradicional baseia-se principalmente na revelação das setenta semanas de Daniel para sustentar suas afirmações. Apesar de não sermos dispensacionalistas tradicionais, concordamos com alguns postulados desse modelo, no que se refere à interpretação de Daniel 9: 24-26:
1. O período existente entre as semanas 69 e 70
2. O cumprimento total da última semana no fim da presente era (volta de Jesus)
3. A identificação do “príncipe que há de vir” com o anticristo
4. A futura reconstrução do Templo em Jerusalém e sua profanação na metade da última semana
No entanto, discordamos que o período compreendido entre as semanas 69 e 70 constituam unicamente “a era da Igreja”. Analisemos a passagem em questão:
“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo.” (Daniel 9:24)
O dispensacionalismo tradicional defende que o foco principal dessa profecia é Israel (o povo de Daniel, os judeus). Logo, argumentam que a totalidade das setenta semanas é concernente a Israel e Jerusalém. Ao mesmo tempo, os dispensacionalistas tradicionais inferem que o período entre a semana 69 e a semana 70, não se refere a Israel. Isso fortalece a idéia de que Deus só tratou profeticamente com Israel até o término da semana 69 (crucificação de Cristo) e só voltará a atuar em relação a Israel na semana 70 (última semana).
O espaço existente entre as semanas 69 e 70, seria um vácuo ocupado exclusivamente pela Igreja. A partir do momento em que Deus estaria tratando específicamente com a Igreja nesse período intermediário e voltaria a tratar com Israel só após o começo da última semana (tribulação), isso implicaria num arrebatamento pré-tribulacional, já que a Igreja não estaria profeticamente envolvida na última semana.
Apesar de concordar que o foco principal da profecia em questão é o povo judeu e Jerusalém, nós não podemos concordar de forma alguma que Deus deixou de tratar com Israel durante o período compreendido entre a 69 e 70 semanas. As evidências de que Deus continua tratando profeticamente com Israel são notórias em nossa época...
Se fôssemos levar em consideração somente o contexto de Daniel 9:24-26, há duas profecias que se cumpriram sobre o povo de Israel após a semana 69:
1. A crucificação de Cristo ocorreu 5 dias depois do término da semana 69
2. A destruição de Jerusalem ocorreu 37 anos após o término da semana 69
Lembremos que Daniel estava falando que a profecia era concernente ao “seu povo” e à cidade de Jerusalém. Sem dúvidas, a destruição de Jerusalém e do Templo em 70 DC, está atrelada a Jerusalém e ao povo de Daniel. Jesus confirmou essa realidade em Lucas 19:41-44. Muitos dispensacionalistas tenderiam a concordar que o retorno dos judeus a Israel e o renascimento da nação em 1948 é cumprimento de profecias bíblicas. Consequentemente, não há base bíblica para afirmar que Deus não está tratando com Israel no espaço compreendido entre as semanas 69 e 70.
Fica claro também que não há suficiente base para colocar a última semana numa seqüência imediata à de número 69, e associar a última semana, numa visão preterista, ao ministério de Jesus durante sua primeira vinda, pois sua crucificação ocorreu 5 dias após o término da semana 69 e o fim dos sacrifícios profetizado por Daniel ocorre na metade da semana 70, ou seja, tres anos e meio após o começo da semana 70.
Outro fato interessante é que a profecia de Daniel 9:25 não indica que a atuação de Deus com Israel está restrita a 70 semanas. Indica apenas que a profecia em questão está determinada, abrangendo um tempo e acontecimentos específicos. A palavra hebraica usada para “determinada” é chathak. Essa palavra traz a idéia de divisão, determinação, decreto e demarcação. Na profecia de Daniel, ela é usada para dar-nos a idéia de um período de tempo predeterminado. O propósito da profecia é claro: mostrar as implicações e acontecimentos em função da primeira e segunda vinda de Cristo. São acontecimentos que não podem ser mudados, pois fazem parte da palavra profética e do plano de salvação de Deus para o mundo.
Jesus, logo no começo de seu sermão profético no Monte das Oliveiras, disse que não ficaria pedra sobre pedra do Templo de Jerusalém (Mateus 24:1-2). Daniel, no capítulo 9 e versículo 25, revela que "o povo do príncipe que há de vir" destruiria a cidade e o santuário. Posteriormente, o Mestre citou Daniel ao falar da abominação da desolação no santo lugar. Em Daniel 9:27, o profeta declara que na metade da semana, cessará o sacrifício e a oferta de manjares e que sobre as asas das abominações viria "o assolador", até que a destruição determinada se derramasse sobre ele. Isso indica que o Templo, destruido em 70 d.C., voltará a ser erguido.
Alguém poderá perguntar: se a profecia das setenta semanas fala sobre um tempo e acontecimentos determinados, porque o espaço existente entre as semanas 69 e 70 não foi também fixado e determinado? Jesus nós dá a explicação em Mateus 24:14:
“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”
Em Mateus 28:18-20, Jesus comissionou seus discípulos a pregarem o evangelho a todas as nações, ensinando todas as coisas que tinham vivido e aprendido. No versículo de Mateus 24:14, o Mestre esclarece que o fim não virá até que uma condição seja realizada: a pregação do evangelho a nível mundial.
Essa profecia tem se cumprido ao longo da história da Igreja, porém não se pode "determinar" em anos ou meses quando todas as nações ouvirão o testemunho do evangelho ou quando o evangelho atingirá todas as nações e etnias. Cremos que estamos próximos a isso, porém não há como datar tal acontecimento. Consequentemente, o "vácuo" existente entre as semanas 69 e 70 centraliza-se nessa questão.
A pregação mundial do evangelho é algo que compete à Igreja, é uma responsabilidade nossa diante de uma ordem de Jesus. Não há como fixar uma data para determinar quando todas as nações ouvirão as boas novas, já que essa realidade depende também da ação da Igreja.
Também devemos considerar os efeitos que os acontecimentos profetizados nas setenta semanas geraram, geram e gerarão em todo o mundo. Esses efeitos transcendem a duração das semanas. Seis promessas são mencionadas na profecia de Daniel: o fim da transgressão, o fim dos pecados, a expiação da iniquidade, a vinda da justiça eterna, o selo da visão e da profecia e a unção do Santíssimo.
As primeiras tres promessas ocorreram simultaneamente à crucificação de Jesus, que ocorreu após a semana 69. Duas dessas tres promessas (cessação da transgressão e fim dos pecados) só serão plenamente concretizadas em função da vinda gloriosa de Jesus e suas maravilhosas conseqüências sobre a raça humana. As outras tres promessas se concretizarão no Reino de Jesus, após a última semana (não durante ela).
Cremos que o dispensacionalismo tradicional tem errado ao afirmar que a atuação de Deus com Israel está limitada às setenta semanas. Também tem errado em insinuar que Deus não atuaria com a Igreja ao mesmo tempo em que o faz com a nação israelense. Desses princípios, nasceu a idéia de que a Igreja precisaria ser retirada da Terra para que a profecia se cumprisse exclusivamente em relação à nação israelense nos últimos tempos.
Fica mais do que notório, de acordo com tudo o que temos visto, que Deus continua atuando com Israel, mesmo no espaço existente entre as semanas 69 e 70 (pregação do evangelho). Consequentemente, é óbvio que Deus pode atuar profeticamente com Israel e com a Igreja ao mesmo tempo, pois assim Ele o tem feito durante a história nos últimos séculos!
O FUTURISMO DA ÚLTIMA SEMANA
Respeitando a posição preterista (a qual sustenta que a última semana veio imediatamente depois da 69 e, consequentemente, já se cumpriu) e meio-semanistas (a qual sustenta que apenas a metade da última semana teve seu cumprimento, através do ministério de Jesus até o momento de sua crucificação), vão aí algumas das razões pelas quais entendemos que a semana n° 70 se concretizará num futuro muito próximo:
1. Cremos que a semana 69 teve seu fim em 32 d.C. Consequentemente, a cessação dos sacrifícios e da oblação, não pode ser atrelada à metade da semana 70, que cairia em 35 DC, aproximadamente.
2. Jesus não firmou um firme acordo com muitos por um tempo determinado (uma semana ou 7 anos), e sim eternamente. Consequentemente, neste aspecto, não há razões suficientes para atrelar o acordo de Daniel 9:27 a Jesus.
3. Um período de 7 anos anterior à volta de Jesus, é um período que comporta todos os prazos citados nas profecias de Daniel e Apocalipse (1260, 1290, 1335 e 2300 dias).
4. A citação da destruição da cidade e o santuário (70 d.C.), é profetizada cronológicamente antes da cessação do sacrifício e da oblação. Portanto, cronologicamente, tal cessação não pode ter ocorrido antes de 70 d.C.
5. Mesmo após o sacrifício redentor de Jesus, os sacrifícios continuaram sendo oferecidos até 70 d.C (aproximadamente 40 anos após a crucificação). Não houve cessação de sacrifícios e oblações no Templo até 70 d.C.
6. Não há motivos para separar no seu significado "cessação dos sacrifícios e da oblação" de "retirada do holocausto contínuo" (Daniel 9:27, Daniel 11:31).
7. Jesus, em seu sermão profético, relaciona a abominação desoladora (profanação do santuário do Templo) a uma tribulação sem precedentes na história da humanidade (a grande tribulação), que antecederá sua volta. Ele mesmo afirma que logo depois a tribulação daqueles dias (originada pela abominação desoladora), Ele viria (Mateus 24:15-31).
COMO CALCULAR AS SETENTA SEMANAS
Durante a história, muitos se sentiram atraídos e maravilhados diante das revelações contidas no livro de Daniel e, em especial, no tocante às setenta semanas. Sem dúvidas, Daniel era um homem de Deus e a ele foram revelados fatos marcantes para a humanidade. Conta-se que o famoso gênio Isaac Newton devotava uma atenção especial ao estudo das setenta semanas de Daniel.
Nesse contexto de admiração e estudo, várias pessoas durante a história têm se esmerado em calcular e definir os períodos aos quais as profecias das setenta semanas se referem.
Como já comentamos, sustentamos que das setenta semanas, 69 já foram cumpridas e a última será cumprida em breve, no período conhecido como tribulação. Não queremos ser conclusivos em relação aos cálculos feitos, porém apresentaremos aqueles que mais se aproximam à nossa concepção e estudo das profecias.
O termo “semana” referindo-se a um período de sete anos era comum entre os judeus. Tal termo vem da ordem de Deus em Levítico 25:1-7 para cultivar um campo durante seis anos, permitindo que o mesmo descansasse no sétimo ano.
CALCULANDO AS PRIMEIRAS 69 SEMANAS
O ponto de partida para o cálculo das 70 semanas é um dia: 14 de março de 445 AC. Naquele dia, o rei medo-persa Artaxerxes emitiu um decreto autorizando a reconstrução de Jerusalém. Daniel determina 7 semanas para o período compreendido entre o decreto e a reconstrução de Jerusalém, e assim ocorreu. A reconstrução culminou em 396 AC, exatamente 49 anos (7 semanas) após o decreto de Artaxerxes.
Após a reconstrução de Jerusalem, a profecia determina 62 semanas até a manifestação de Cristo. Quando somamos os anos das sete primeiras semanas e os anos das sessenta e duas semanas seguintes, temos 483 anos (49+434). Transformados em dias, temos 173.880 dias (de acordo com o calendário de 360 dias). Para chegar a essa quantidade de dias em nosso sistema atual com 365 dias, é preciso levar em consideração algumas variáveis:
a) É preciso deduzir um ano no cálculo, já que no período entre 1 AC e 1 DC, transcorre apenas 1 ano. Quando contamos de 14 de março de 445 AC até 6 de abril de 32 DC, temos 477 anos e 24 dias. Após a dedução de um ano (1 AC – 1 DC), ficam 476 anos e 24 dias, ou 173.764 dias.
b) É preciso adicionar 119 dias referentes aos anos bissextos durante o período estudado. Basta dividir 476 por 4. Após esse cálculo, ficam 173.883 dias.
c) Existe uma pequena imprecisão do calendário juliano quando o mesmo é comparado ao calendário solar. O Observatório Real de Londres calcula que um ano juliano é 1/128 dias mais longo que o ano judaico solar. Quando se multiplica 476 por 1/128, se obtém o resultado de 3. Subtraindo 3 ao valor anterior (173.883), vamos obter 173.880 dias.
Portanto, existem, de acordo com os cálculos feitos, 173.880 dias entre o decreto de Artaxerxes e a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, quando foi proclamado Rei pela multidão, dias antes de sua crucificação. Este dia cai, de acordo com os cálculos feitos, em 6 de abril de 32 d.C.
CALCULANDO A ÚLTIMA SEMANA
PONTO (1): Começo da tribulação
PONTO (a): Começo do oferecimento de sacrifícios no Templo reconstruído
PONTO (2): Metade da tribulação e começo da grande tribulação
PONTO (3): Final do período tribulacional
PONTO (b): Ressurreição das duas testemunhas
PONTO (c): Purificação do santuário
PONTO (?): Aparição no céu do sinal de Jesus e arrebatamento da Igreja
PONTO (d): Descida de Jesus no Monte das Oliveiras, derrota dos exércitos do anticristo e começo do reino eterno de Cristo.
O esquema acima procura definir a ordem dos acontecimentos que terão lugar na última semana de Daniel, num período de sete anos denominado tribulação, e as conseqüências posteriores desses acontecimentos. Esse esquema foi elaborado com base nas profecias de Daniel e do Apocalipse e nos dados que elas nos oferecem. No entanto, serve apenas para apresentar-nos uma noção do período tribulacional, sem chamar para si nenhuma infalibilidade em seus cálculos.
Em relação ao ponto inicial (1), é lógico supor que o anticristo surgirá num momento anterior a esse ponto, talvez anos antes. O ponto (1), determina o começo do período de sete anos. O evento que dá lugar ao começo dos sete anos de tribulação é o pacto de paz feito entre a besta e Israel (Daniel 9:27).
Do ponto (1) até o ponto (a), transcorrem 250 dias. No ponto (a) começam a ser oferecidos os sacrifícios no Templo de Jerusalém, devidamente reconstruído meses ou anos antes (Daniel 8:13).
Do ponto (a) até o ponto (2), transcorrem 1010 dias. O ponto (2) marca a metade exata do período tribulacional e o começo do período denominado grande tribulação. Neste ponto, o anticristo profanará o Templo e fará cessar os sacrifícios (Mateus 24:15-21, Daniel 9:27). Parte da Igreja foge e é preservada nesses tres anos e meio e uma outra parte fica no sistema para testemunhar (Mateus 24:16-20, Apocalipse 12:6-16, Apocalipse 12:17).
Nesse ponto começa o ministério das duas testemunhas (Apocalipse 11), que se extende por toda grande tribulação (42 meses ou 1260 dias). Consequentemente, o período que vai do ponto (2) até o ponto (3) é de 42 meses ou 1260 dias.
No ponto (3) se completa o período tribulacional de sete anos ou a última semana de Daniel. Neste ponto, as duas testemunhas são assassinadas pelo anticristo (Apocalipse 11:3,7). Os corpos das duas testemunhas ficarão expostos para a população mundial por tres dias e meio. Consequentemente, do ponto (3) até o ponto (b), transcorrem tres dias e meio. Nesse momento (b), as duas testemunhas são ressuscitadas por Deus, para assombro de todos e ascendem aos céus (Apocalipse 11:11-15).
Do ponto (b) até o ponto (c), transcorrerão 26 dias e meio. Cremos que, após o Templo ter sido purificado pelos judeus no ponto (c), 26 dias e meio após a ressurreição das 2 testemunhas e 30 dias após o término da grande tribulação de 42 meses, o anticristo reunirá seus exércitos no Armagedom para destruir Israel. Entendemos que isso se dará imediatamente depois que o sol e a lua escurecerem, sinais que parecem estar contidos na quinta taça (Apocalipse 16:10). O sol e a lua escurecendo, sinais que ocorrem logo após a grande tribulação (Mateus 24:29), são os sinais que anunciam o DIA DO SENHOR.
A partir desse momento, inserido entre os pontos (c) e (d), o arrebatamento da Igreja torna-se iminente. Neste ponto, o sol e a lua escurecerão, as estrelas “se moverão de lugar”, e então aparecerá nos céus completamente escuros o sinal do Filho do homem, como um relâmpago, visto por toda a humanidade (Mateus 24:27-31, Apocalipse 6:12-17). Neste momento (?), ao soar da última trombeta, ocorrerá o arrebatamento, o momento maravilhoso em que a Igreja se reunirá com Cristo nas nuvens. Os que estiverem mortos, serão ressuscitados e glorificados. Os que estiverem vivos, serão transformados e glorificados (I Coríntios 15:51-52, I Tessalonicenses 4:15-18, Apocalipse 15:13-16, Apocalipse 19: 7-9).
Todos esses eventos gloriosos gerarão a conversão de Israel e o reconhecimento do Messias prometido (Romanos 11:26-27, Zacarias 12:10). Também, de acordo com as profecias de Daniel, do ponto (c), que é a purificação do Templo, até (d), que é a descida de Jesus no Monte das Oliveiras, para derrotar os exércitos do anticristo e instaurar seu reino eterno, transcorrerão 45 dias.
Os cálculos acima foram feitos de acordo com os seguintes parâmetros:
1. De acordo com Daniel 9:27, podemos saber que do ponto (1) até o ponto (2) transcorrem 1260 dias (tres anos e meio ou metade de uma semana). Consequentemente, a outra metade terá também 1260 dias, o que confirma as revelações apocalípticas da atuação principal do anticristo. Então, do ponto (2) até o ponto (3), transcorrem 1260 dias. Somando as duas metades, nós termos 2520 dias de tribulação (sete anos).
2. De acordo com Daniel 8:13-14, podemos saber que, desde o começo dos oferecimentos de sacrifícios até a purificação do Templo, transcorrerão 2300 dias. Ou seja, do ponto (a) até o ponto (c) transcorrerão 2300 dias.
3. De acordo com Daniel 12:11, fica claro que entre a profanação do Templo até a purificação do mesmo, transcorrerão 1290 dias. Ou seja, do ponto (2) até o ponto (c) transcorrem 1290 dias.
4. De acordo com Daniel 12:12, ficamos sabendo que, desde a profanação do santuário (ponto 2) até a vitória final do Ungido sobre o anticristo (ponto d), transcorrerão 1335 dias.
Os dados obtidos com as revelações bíblicas citadas acima, permitem situar-nos dentro dos últimos acontecimentos. Nossos cálculos não são infalíveis e são passíveis de erros. Porém, a revelação pormenorizada de tantos detalhes proféticos nos mostra, mais uma vez, o cuidado de Deus em nos revelar aquilo que precisamos saber, para que não estejamos em trevas.
Como membros do corpo de Cristo, devemos estar preparados para viver esses dias que se aproximam, sejamos protegidos da tribulação ou inseridos nela para testemunho e martírio. Que em nossos corações haja um crescente anelo pela volta gloriosa de Jesus, como Rei e Senhor!
Maranata!
CONSPIRAÇÃO OU ADEQUAÇÃO?
Diante dos eventos apocalípticos profetizados na Bíblia, alguns dos quais já se cumpriram ou estão se cumprindo, surge a pergunta: Será que tais eventos ocorrem por causa de um plano oculto, detalhado e sistemático das forças malignas, numa verdadeira conspiração ocultista presente há séculos em nosso meio, ou será que tais forças, reveladas na Palavra, se aproveitam do contexto provocado pelo próprio homem e suas decisões no decorrer da história para, paulatinamente, ir acomodando ou adequando seu plano maligno até sua concretização final?
Neste comentário tentaremos chegar a uma resposta apropriada, tomando como base tres premissas claramente expostas na Palavra de Deus:
1. O Criador tem um plano específico para sua criação. No caso da Terra e dos homens, esse plano é revelado na Palavra. Tal plano terá sua concretização final logo após os acontecimentos apocalípticos, quando Jesus voltará e instaurará seu reino eterno, julgará o diabo e seus seguidores, abrindo caminho para a eternidade de comunhão entre o Criador e suas criaturas redimidas, condição alcançada pela graça de Deus através do sacrifício redentor de Jesus.
2. O mundo, desde a queda edênica, jaz no maligno, e os poderes mundiais, assim como as vidas daqueles que não nasceram de novo, estão sujeitos à influência maligna do diabo e seus demônios. Não obstante essa realidade maligna, o Senhor continua no controle de toda sua criação e protegendo seus filhos.
3. A revelação escatológica está se cumprindo através dos acontecimentos mundiais. Não há como negar que aquilo que estamos vivendo em todos os segmentos (tecnológico, social, moral, ambiental, político e religioso) aponta para o clímax da atuação satânica sobre o planeta e a subsequente volta de Jesus para derrotar o sistema maligno da besta.
Devemos sempre ter em mente essas tres premissas fundamentais com o objetivo de chegar a uma conclusão sensata a respeito da verdadeira origem do que ocorre hoje no mundo.
Para alguns, tudo o que acontece atualmente na Terra e tem alguma significação profunda no aspecto social e geo-político, obedece a um plano oculto e detalhado, o qual é conhecido apenas por uns poucos iniciados, os quais teriam um alto grau de comprometimento com o diabo e manipulariam pessoas e situações para que esse plano fosse paulatinamente concretizado. Essas pessoas, orientadas diretamente pelos demônios, estariam, há séculos, implantando de uma forma metódica e paulatina a Nova Ordem Mundial, a qual será a base para a manifestação do anticristo. Muitos têm identificado essa hipótese como a “Conspiração Ocultista”.
De outro lado, estão aqueles que não crêem numa hipótese conspiracionista na instalação do sistema da besta e sim numa espécie de "aproveitamento" dos acontecimentos mundiais pelos planos satânicos. Ou seja, neste caso, o diabo e seus demônios aproveitariam cada oportunidade ocasionada por decisões humanas (principalmente as governamentais), para estabelecer seu plano. E então, que posição adotar? Acreditar que existe uma conspiração ocultista bem planejada e sistemática ou acreditar que o sistema da besta será instaurado devido a um aproveitamento satânico das decisões humanas errôneas?
O Projeto Ômega, nessa questão, assume uma posição intermediária. Não acreditamos que tudo o que está ocorrendo no mundo e que leva a uma concretização escatológica, seja fruto de um plano sinistro e diabólico em todos seus detalhes. Porém, também não acreditamos que as forças malignas apenas “aproveitem” ou fiquem aguardando uma oportunidade para promover mais um passo rumo à concretização da Nova Ordem Mundial.
Pensar que tudo obedece a uma conspiração ocultista é pressupor que toda pessoa que assume uma posição de governo e decisão tenha todas as suas decisões influenciadas pelo diabo ou seus auxiliares. Há muitos servos do Senhor ocupando lugares de predominância em seus países. Há outros que, apesar de não terem um compromisso de vida com Deus, são totalmente contrários à implantação de um sistema global de controle mundial. Porém, cremos firmemente que há um plano detalhado de implantação paulatina do sistema da besta. Fechar os olhos para essa possibilidade é, em nossa opinião, uma posição perigosa para um cristão consciente da realidade espiritual.
O diabo é um ser inteligente e astuto. Supor que, para alcançar seu objetivo primordial (ser semelhante ao Altíssimo), ele não possua um plano específico, é subestimar sua capacidade. Daremos algumas razões pelas quais cremos que realmente existe uma conspiração maligna e um plano específico para instaurar o clímax da manifestação maligna no planeta Terra, o qual tem como objetivo a adoração do diabo por parte de grande parte da população mundial.
OS GOVERNOS
O idioma grego, no qual foi escrito o Novo Testamento, tem uma riqueza de termos que não encontramos nas línguas latinas. Um desses exemplos é o termo “mundo”. Há pelo menos 3 termos principais usados no Novo Testamento para referir-se a “mundo”. Em nossas traduções, não obstante, a constante é que o termo “mundo” seja usado sem tais diferenciações.
Os termos gregos usados para mundo, entre outros, são: kosmos (mundo físico, universo ou planeta) e aeón (era, sistema, tempo). Tal noção é fundamental para compreender melhor a interação entre o diabo e o mundo. Quando satanás tentou o Senhor Jesus, logo após o batismo do Mestre, em sua última tentativa ele usou a possibilidade de transferir ao Senhor os reinos do “mundo”:
“Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.” (Mateus 4:8-9)
O termo grego utilizado no texto para “mundo” é “kosmos”, significando que o diabo apresentou uma real imagem do planeta Terra e os reinos que se encontram neste mundo físico. Em II Coríntios 4:4, o apóstolo Paulo se refere ao diabo como o deus ou príncipe deste “mundo”, porém o termo usado é “aeón”, indicando que a supremacia maligna é real, porém restrita a um determinado tempo. Já o apóstolo João, em I João 5:19, expressa que todo o “mundo” está no maligno, usando a expressão “kosmos” e indicando a presença das potestades do ar que se fazem presente no planeta e que, de acordo com o que detalhamos neste tópico, influenciam e manipulam muitas pessoas.
Vemos que nos casos citados, os termos usados nos remetem a um domínio momentâneo do diabo (aeón) sobre os reinos deste mundo (kosmos). Um domínio permitido pelo Criador e que já tem um momento certo para terminar: a volta gloriosa de Jesus. Em Daniel 10:12-13 e 20-21, vemos um embate entre os príncipes de Deus (anjos) e os príncipes dos reinos deste mundo (principados demoníacos). No livro de Apocalipse, fica constatado que, diante do som da sétima trombeta, os reinos deste mundo (kosmos), vêm a ser do Senhor (Apocalipse 11:15).
O que podemos concluir de tudo isso é que o diabo e seus demônios têm uma influencia considerável sobre os reinos desta época, considerando como “época” (aeón) o período que vai entre a queda humana e a volta de Jesus, como Rei e Senhor. Consequentemente, é lógico sustentar que o inimigo e suas hostes manipulam e influenciam aqueles que estão sobre esses reinos humanos e que não têm a proteção do Senhor.
Nesse contexto, podemos englobar quase a totalidade de autoridades governamentais, as quais, em vez de reconhecerem a supremacia do Senhor e esperar a sua vinda, governam baseados em seu próprio orgulho humanista, o qual é devidamente aproveitado pelas forças satânicas.
Note que os países mais influentes do mundo atual foram solidificados em seu poderio baseados em dois pilares: o humanismo e as sociedades secretas. É inquestionável a influencia e direção de organizações secretas como a maçonaria na formação de repúblicas, como os EEUU e a independência dos países latino-americanos. Se essas organizações e o humanismo, cuja atuação ganhou grande ímpetu a partir da revolução francesa (1789), foram tão determinantes há 200 ou 300 anos, como não será sua atual influencia nas grandes decisões internacionais?
Não vamos aqui deter-nos para mostrar a influência de sociedades secretas comprometidas com o ocultismo e o paganismo oriundo das crenças egípcias e babilônicas. Também cremos que não é necessário expor o alto grau de comprometimento com os ideais ocultistas expressos em símbolos de países importantes, como é o caso da nota de 1 dólar.
Tudo isso já é suficientemente conhecido e as evidências saltam à vista. Vemos então que, usando a premissa de que o diabo e suas hostes têm um plano específico e um objetivo determinado para instaurar a Nova Ordem Mundial e ser adorado “como deus”, e que ele tem influência para manipular as decisões de grande parte dos governantes ou até mesmo dirigi-los em suas decisões, a depender do grau de comprometimento que tais governantes tenham com as forças satânicas, chegamos à conclusão de que há nos altos graus governamentais decisões sendo tomadas de acordo com o plano satânico, seja de uma forma inconsciente (por aqueles que estão sendo influenciados) ou de forma consciente (por aqueles que estão envolvidos conscientemente com as forças satânicas).
Em outras palavras, cremos que há uma conspiração maligna no seio de muitos governos mundiais, principalmente aqueles mais influentes.
OS HOMENS
Da mesma forma que existem homens dispostos a servirem ao Criador, existem aqueles que optam conscientemente por acreditar nas propostas satânicas. São pessoas que conhecem a Palavra do Senhor e, não obstante, preferem acreditar na versão do diabo. Não estamos aqui falando apenas daqueles que estão sob o pecado e estão à mercê da influência satânica por ainda não haverem experimentado o novo nascimento em Jesus. Estamos falando de pessoas que, em pleno uso de suas faculdades de decisão, optam por trabalhar pela concretização dos planos diabólicos a respeito do mundo.
Conseqüentemente, nos deparamos com uma conclusão lógica: se existe um plano e um propósito específico do diabo e se existem pessoas que compartilham esses planos e servem conscientemente aos propósitos demoníacos, então é lógico pensar que existem grupos coesos e organizados que trabalham de uma forma sistemática para a concretização final desse plano, diretamente influenciados pelo diabo.
Cremos que há grupos de pessoas, diretamente associadas ou não, que estão trabalhando para a concretização da Nova Ordem Mundial. O propósito central do diabo é fazer com que o ser que foi criado por Deus (criatura), o adore, e para que isso seja concretizado, será implantado o sistema mundial maligno profetizado em Apocalipse 13:3-8, o qual retrata uma adoração generalizada à besta e ao dragão, que dará à besta o seu poder. Essas pessoas, à medida que a concretização final desse sistema se aproxima, tendem a ocupar e/ou influenciar as altas esferas governamentais, trabalhando em 3 grandes frentes de ação: gerando algumas ações específicas, permitindo que alguns fatos aconteçam ou impedindo que outros ocorram. Como estamos falando de grupos que agem em nome do diabo, todos os meios para alcançar seus objetivos são usados, até os mais deploráveis.
Todo grupo ocultista que se ocupa em desvendar “segredos espirituais” contrários e/ou fora da Palavra revelada de Deus, está passível de ser grandemente ludibriado por satanás. Porém, cremos que há um grupo de pessoas que, conscientemente, estão obedecendo ordens diretas do diabo e seus demônios, com o propósito de instaurar o sistema da besta. Pessoas que têm um altíssimo grau de comprometimento com as forças demoníacas e que ocupam postos chaves em muitos governos e organizações internacionais.
A PROGRESSIVIDADE DO MAL
Em seu sermão profético, Jesus revelou que a iniqüidade se multiplicaria no decorrer do tempo (Mateus 24:12). Vários textos no Novo Testamento apontam para um crescimento da apostasia e da maldade no mundo (II Tessalonicenses 2:3, I Timóteo 4:1, II Timóteo 3:1-5, II Pedro 2:1-3, entre outros). Essas revelações apontam para um crescimento progressivo da maldade e da atuação satânica no mundo, o que nos leva à constatação de que a influência do diabo no seio do poder mundial e a atuação dos grupos humanos que conscientemente ou não estão trabalhando para a instauração da Nova Ordem Mundial, também é progressiva.
Ou seja, a influência maligna sobre os governos e a situação mundial, hoje é muito maior do que há tempos atrás e irá se multiplicando a medida em que os últimos dias se aproximam. Nesse contexto e associando a premissa nº2 à multiplicação da iniqüidade em todos os segmentos, é lógico supor que atualmente há presidentes, dirigentes de organismos internacionais e até mesmo religiosos envolvidos conscientemente ou não com a implantação do sistema da besta.
Como identificar essas pessoas? O Senhor Jesus nos dá a chave: devemos conhecê-las pelos frutos (Mateus 7:16), e não pelas aparências (Mateus 7:15). Então, quando vemos pessoas e/ou grupos lutando por uma reoganização mundial em torno de soluções humanas para os problemas que assolam o planeta, criando as condições necessárias para que a Nova Ordem Mundial seja instaurada ou tentando desvirtuar o evangelho ensinado e revelado por Jesus, podemos identificá-las como cooperadores do plano maligno do diabo.
A questão é que, na maior parte das vezes, essas pessoas e/ou grupos agem de forma oculta e subliminar, com o objetivo de esconder seus verdadeiros propósitos. Porém, para quem é guiado pelo Espírito Santo e vive a Palavra de Deus, tais ações ocultistas não passam despercebidas.
A MENTIRA E A MANIPULAÇÃO
O primeiro a introduzir a mentira na Terra foi satanás, no momento em que tentou Eva . Note que o diabo começou sua abordagem a Eva citando uma ordem divina (Gênesis 3:1), para logo depois negar as conseqüências da desobediência (Gênesis 3:4). Note também que satanás, no decorrer do diálogo com Eva, além de negar algo que havia sido determinado pelo Senhor, lançou uma verdade “misturada” com a mentira.
Ele disse que os olhos de ambos seriam abertos e que tanto Eva como Adão conheceriam o bem e o mal, o que realmente ocorreu, como fica constatado em Gênesis 3:22. Desse fato podemos tirar uma importante lição: geralmente as mentiras diabólicas vêm “misturadas” com verdades. Em alguns casos, o teor de mentira é tão baixo, que pode passar despercebido... Jesus alertou seus discípulos sobre a profundidade do engano que haveria nos últimos tempos:
“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos” (Mateus 24:24)
O alerta já está explícito na Palavra e foi deixado pelo próprio Mestre! Diante do exemplo conhecido de satanás no Éden e diante de vários alertas bíblicos a respeito da apostasia e engano progressivo na face da Terra, cabe a nós estarmos atentos a tudo o que ocorre e a tudo o que nos é ensinado. O engano, quase sempre, não vem tipificado como engano e sim como uma "bonita" e "atraente" verdade.
Só aqueles que possuem o discernimento espiritual, concedido pelo Espírito Santo, poderão identificá-lo. Nesse contexto, cremos ser prudente deixar um alerta. É muito perigoso esperar que tudo ocorra de acordo com informações ou dados coletados junto a fontes ocultistas, por uma simples razão: elas podem vir impregnadas com mentiras!
O princípio exposto acima se aplica a todos os contextos, principalmente à realidade profundamente maligna relacionada aos últimos tempos. Se partirmos da premissa de que existe uma conspiração oculta e maligna, envolvendo pessoas que estão em altos escalões governamentais nas nações mais influentes, temos que aceitar também que muitos meios de comunicação e muitos acontecimentos mundiais são diretamente manipulados por tais grupos.
Nos parece estranha a publicação de notícias ou a exibição de fatos que levam à concretização do sistema mundial maligno. Por exemplo: programas televisivos em que os participantes são monitorados 24 horas por dia e ganham um determinado prêmio em dinheiro a medida em que se adaptam melhor a essa realidade e alcançam a empatia com o público observador. Até mesmo aqueles que não alcançam os prêmios, ganham algum tipo de exposição na mídia e novas oportunidades profissionais.
Tudo isso nos parece uma forma subliminar de introduzir no subconsciente da população a idéia de que podemos ser monitorados e, mesmo assim, dar-nos bem e até mesmo alcançar uma melhor condição de vida... Veja essa notícia, referente ao papel de uma atriz na novela de maior audiência no momento em que este artigo foi escrito:
“Para arranjar dinheiro e pagar suas dívidas...Sol aceita ser cobaia em testes com remédios, na novela América. Para isso, ela coloca um chip embaixo da pele – ele fará a ‘leitura’ das reações do corpo dela ao medicamento. Sol terá de explicar para as amigas da boate que não dói nada e que de tempos em tempos ela deve voltar ao laboratório para verificarem o funcionamento do aparelho. A cena vai ao ar a partir do dia 20.” (FONTE: http://www.acritica-cg.inf.br/content.asp?id=7854)
Todas as condições estão sendo criadas para que, no momento em que o controle mundial for proposto, o mesmo seja aceito sem reservas e até mesmo solicitado como uma agradável novidade.
Muitas notícias e eventos promovidos pelos meios de comunicação se mostram como uma clara conscientização e adequação para que a população aceite de bom grado o futuro sistema da besta. Basta dar uma rápida olhada em nossos tópicos "ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS", onde fica a clara constatação de que hoje, em função dos ataques terroristas e a crescente angústia e insegurança nos países mais desenvolvidos, a população está cada vez mais aberta à adoção de métodos de controle mais incisivos e também disposta a aceitar qualquer liderança que lhe traga "paz" e "segurança".
Isso sem mencionar o aspecto espiritual mais profundo, onde observamos que os meios de comunicação engrandecem cada vez mais o humanismo e o misticismo, ridicularizando de forma subliminar ou aberta aqueles que seguem o evangelho de Jesus.
Aqui fica mais um alerta aos nossos leitores: não acreditem em tudo o que é noticiado ou veiculado pelos meios de comunicação. Diante da potencialidade da mentira e da manipulação de massas nos meios de comunicação, é preciso sempre ler as “entrelinhas” das notícias ou dos eventos expostos, sempre perguntando qual é o objetivo que está por trás de determinado acontecimento.
O diabo conhece muito bem o poder de manipulação e formação de opinião que têm os meios de comunicação. Muitos deles, sem dúvidas, já estão diretamente comprometidos com a instauração da Nova Ordem Mundial. Outros não estão diretamente envolvidos, mas possuem em seu seio pessoas que manipulam fatos e notícias. Outros apenas são influenciados e inspirados por forças malignas, sem terem a consciencia disso.
Quando nos referimos a “meios de comunicação”, englobamos todos eles: redes de televisão, jornais, estúdios de cinema, gravadoras de música, rádios, revistas, etc. Sem dúvidas, são ferramentas que tem sido usadas pela conspiração maligna e que, com o passar dos dias, serão cada vez mais usadas. Estejamos alerta!
OS ACONTECIMENTOS MUNDIAIS
Este é talvez o ponto mais complexo dentro deste artigo. Se, por um lado, vemos que todas as condições estão sendo estabelecidas para o surgimento da Nova Ordem Mundial ou sistema da besta, como discernir que eventos estão ocorrendo “naturalmente” ou quais estão sendo criados conscientemente para alcançar o objetivo maligno do diabo? Realmente, cremos que neste ponto é necessário muito discernimento e observação.
Note os efeitos gerados pelos acontecimentos envolvendo apenas o período posterior ao ataque ao World Trade Center em 11/09/01 (3 anos entre o incidente de Nova Iorque e este artigo):
1. Aumento do medo dentro da população dos países mais desenvolvidos.
2. Tomada de posição estratégica dos EEUU em dois pontos chaves da geo-política mundial: Afeganistão e Iraque.
3. Estabelecimento das condições necessárias para o surgimento dos 10 chifres (reformulação do Conselho de Segurança da ONU, expansão do G-8 ou até mesmo uma subdivisão da ONU em 10 grandes blocos após um grande colapso mundial).
4. Aumento da aversão mundial (pelo menos nos países mais influentes) a todo tipo de fundamentalismo, seja o muçulmano, personificado nas ações de grupos terroristas, ou seja o cristão evangélico, personificado nas ações de George W. Bush. Conseqüentemente, o cenário inicial para a futura perseguição mundial aos cristãos fiéis, os quais se oporão ao sistema maligno da besta, já está estabelecido.
5. Existência de uma real possibilidade de colapso mundial político e financeiro, diante de um hipotético ataque terrorista, catástrofe ou epidemia de grandes proporções, trazendo o enfraquecimento da hegemonia norte-americana e abrindo caminho para que os 10 chifres ocupem a supremacia governamental mundial.
6. Propensão cada vez maior, principalmente na população dos países mais desenvolvidos, para aceitar sistemas de controle e monitoramento cada vez mais invasivos, com o objetivo de livrar-se da angustiante ameaça terrorista.
Esses são apenas os principais efeitos dos acontecimentos nos últimos 3 anos! Esses efeitos, aliados a catástrofes naturais profundas e à miséria que assola os países mais pobres, formam um cenário claramente relacionado aos momentos finais que antecedem a vinda de Jesus. Então, que posição tomar para entender esses fatos? Será que eles obedecem a um plano ocultista e maligno ou será que são eventos “naturais” dentro da marcha da história moderna?
Nossa posição é que existe uma combinação dos dois princípios. Há numerosos precedentes de manipulação e conspiração governamental para “forçar” certos eventos ou até mesmo para “fazer vista grossa” diante de algumas ameaças, objetivando um fim maior. Por exemplo, durante a Segunda Guerra Mundial, em 1941, era um desejo do governo americano entrar frontalmente nos conflitos, combatendo o eixo (Alemanha, Itália e Japão) e ocupando importantes posições geo-políticas para o futuro. Um dia após o ataque japonês a Pearl Harbor, o presidente Roosevelt, na mensagem de declaração de guerra dirigida ao Congresso americano afirmou que “...ontem, 7 de dezembro de 1941 - uma data que viverá na infâmia - os EUA foram súbita e deliberadamente atacados pelas forças navais e aéreas do Império do Japão".
Os americanos, porém, não podem alegar que foram totalmente surpreendidos pelo ataque, já que desde o verão de 1941 sabiam como decifrar o Magic, código secreto dos japoneses através do qual eram enviadas mensagens telegráficas aos diplomatas, dispondo assim de faculdades para verificar a veracidade das afirmações e, ao mesmo tempo, poder evitar um conflito premeditado com os nipônicos...
Agora veja parte da reportagem sobre o papel dos serviços de segurança publicada na revista Época, edição 212, de 10/06/02:
"Espiões americanos captaram em dezembro de 1999 uma informação crucial. Monitorando um telefone celular, a CIA, o principal serviço secreto dos Estados Unidos, soube que a Al Qaeda, organização terrorista do saudita Osama Bin Laden, estava para se reunir em Kuala Lumpur. A sofisticada capital da Malásia dispõe de todas as facilidades de comunicação e hospedagem de uma metrópole moderna e não exige visto de entrada para cidadãos de países muçulmanos. Cenário perfeito para uma conferência de radicais islâmicos a caminho de se tornar uma organização de impacto global.
A pedido dos EUA, policiais da Malásia espionaram a reunião. Fotografaram e identificaram seus participantes. Graças a isso, em janeiro de 2000 a CIA descobriu que entre eles estava um saudita, Khalid Almihdhar, portador de um visto que lhe permitia entrar e sair dos EUA quantas vezes quisesse. Soube também que Nawaf Alhazmi, outro saudita presente ao encontro, voou direto de Kuala Lampur para Los Angeles. No mesmo vôo viajava Almihdhar, conforme informação obtida pela CIA mais tarde. No dia 11 de setembro do ano passado, os dois sauditas estavam novamente a bordo de um mesmo vôo, dessa vez como seqüestradores do avião da United Airlines que foi jogado contra o Pentágono, em Washington...
A CIA, agora se sabe, detinha informações que, se houvessem sido compartilhadas a tempo com outros órgãos de segurança dos EUA, poderiam ter evitado os ataques que mataram mais de 3 mil pessoas. O erro – talvez o mais grave, por suas conseqüências para a população civil, em toda a história do serviço secreto americano – só veio a público na semana passada, revelado pela revista Newsweek às vésperas da abertura das investigações do Congresso sobre as eventuais falhas na prevenção dos atentados...Não há dúvidas de que a CIA falhou ao não alertar imediatamente o FBI (a polícia federal americana) e as autoridades de imigração de que Almihdhar e Alhazmi estavam nos EUA e eram membros de uma organização terrorista. Os dois viviam em San Diego, na Califórnia. Tinham carteira de motorista e cartão de crédito em seus nomes verdadeiros. Seus telefones e endereços constavam do catálogo da cidade. Ambos freqüentavam aulas de pilotagem de avião.
No caso de Almihdhar, os motivos para desconfianças eram gritantes. Ele aparece, numa foto obtida pela CIA, ao lado de um dos suspeitos pelo atentado contra o navio americano USS Cole, atingido por uma bomba da Al Qaeda em outubro de 2000, no Iêmen. Nem isso despertou os agentes americanos para o perigo. Só no fim de agosto de 2001, um ano e sete meses depois de saber quem eram Almihdhar e Alhazmi, a CIA lançou um alerta ao FBI para caçá-los. Faltavam menos de 15 dias para o 11 de setembro.”
Agora veja o fato surpreendente ocorrido em Londres, pouco antes dos ataques que abalaram o mundo em 07/07/05:
“Blair defende segurança e anuncia lista de "ações inaceitáveis" (FRANCE PRESS-20/07/05)
“O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, declarou-se nesta quarta-feira satisfeito com os serviços de segurança britânicos, afirmando foi feito todo o possível para proteger o Reino Unido dos atentados terroristas de 7 de julho, que mataram 52 pessoas, além dos quatro suicidas...No Parlamento, Blair também sugeriu uma ação mundial conjunta contra os terroristas e anunciou a criação de uma lista de "comportamentos inaceitáveis" vinculados ao terrorismo, quer será aplicada a estrangeiros.Blair rejeitou ainda perante o Parlamento possíveis falhas dos serviços de segurança do Reino Unido.
"A polícia faz todo o possível para proteger nosso país", declarou Blair, reagindo a um documento secreto que vazou para a imprensa e que mostra que, pouco antes dos atentados de Londres, os serviços de segurança britânicos descartaram um ato terrorista no Reino Unido.
Segundo o informe ao qual teve acesso o jornal americano "The New York Times", os serviços secretos e a polícia britânica concluíram, um mês antes dos ataques de Londres, que não havia nenhum grupo com capacidade de realizar um atentado contra o Reino Unido...Foi depois desse informe secreto que o governo de Blair diminuiu o nível de alerta de "severo a substancial", informou nesta terça-feira o jornal. Blair anunciou, além disso, que seu governo está considerando realizar uma conferência que reuna todos os países afetados pelo extremismo islâmico.”
Diante desses fatos e de tantos precedentes históricos de manipulação da opinião pública, gostaríamos que você, leitor do Projeto Ômega, chegasse a suas conclusões...
Não estamos aqui afirmando que os ataques terroristas ocorreram ou ocorrem por influencia dos próprios governos que sofreram tais ataques. Nem sequer estamos afirmando que houve “vista grossa”. Mas, considerando os indícios, nos parece muito estranho que a CIA não levasse a sério um relatório envolvendo alguém que já havia atacado os EEUU na década de 90, como é o caso de Osama Bin Laden. Também consideramos muito estranho que o respeitado serviço de inteligência e segurança inglês tenha diminuído o nível de alerta de “severo a substancial” justamente durante a realização da Cúpula do G-8 em seu território!
Gostaríamos também de chamar a atenção de nossos leitores para as declarações de Tony Blair. Ele pretende realizar uma conferência que reuna todos os países afetados pelo extremismo islâmico e, ao mesmo tempo, também sugeriu uma ação mundial conjunta contra os terroristas...
Chegamos à conclusão de que existe sim uma grande conspiração oculta e maligna, originada e influenciada diretamente pelas “hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Efésios 6:12). Essa conspiração existe desde a queda satânica, se aprofundou com a queda humana e chegará ao seu clímax nos dias anteriores à volta de Jesus. Cremos que muitos eventos que ocorrem no planeta, principalmente aqueles que geram mudanças bruscas no andar da história, obedecem às determinações dessa conspiração.
Por outro lado, cremos que nem tudo o que ocorre e que leva à concretização profética é originado dessa conspiração, sendo apenas uma conseqüência lógica da interação da humanidade na história. Porém, as conseqüências dessa interação não estão livres de serem aproveitadas para os fins malignos nem nenhum ser humano que não tenha comunhão com Deus através de Jesus, havendo nascido de novo, está livre de ser influenciado ou manipulado, mesmo que involuntariamente, pela conspiração maligna.
O Criador permanece no controle de tudo o que ocorre no universo e no mundo espiritual. Não podemos esquecer que "todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Romanos 8:28).
Maranata
CONTROLE TOTAL
"Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome" (Apocalipse 13:17).
O que torna a Bíblia um livro especial é a sua essência divina. Como Palavra de Deus, ela traz verdades que transcendem o tempo e o espaço. As profecias fazem parte desse contexto, no qual o que está escrito se cumpre literalmente. Este é o caso da previsão do sistema que se levantará no mundo, descrito detalhadamente no Apocalipse há aproximadamente 2.000 anos e que começa a surgir sorrateiramente em nossos dias.
Aquilo que parecia loucura no primeiro século, hoje não somente é possível, como é desejado pela maioria. A revelação apocalíptica nos mostra que nos últimos tempos aparecerá um sistema de governo mundial no qual será empregado, num último estágio, o controle total das pessoas, tanto no aspecto financeiro como na vida social. Tudo hoje nos leva a acreditar que este sistema será implantado já nos próximos anos no mundo inteiro. Será uma ação conjunta entre as nações num cenário pós-guerra ou pós-colapso, provavelmente, como temos comentado nos tópicos “ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS”, após a queda dos EEUU como força hegemônica internacional. Nesse contexto, o mundo, hoje já enfrentando uma crise financeira sem precedentes, entraria num verdadeiro colapso social, político e financeiro, fazendo com que seja necessário, nos padrões humanos de raciocínio, instaurar um novo sistema.
A população mundial, que hoje já pede paz e compreensão entre os povos, aceitará o novo sistema ou “NOVA ORDEM MUNDIAL” e a Palavra é clara em mostrar essa reação mundial diante da besta (Apocalipse 13:4). Essa nova era planetária certamente surgirá atrelada a ideais como diálogo, respeito, compreensão, paz e entendimento. Esse sistema já está sendo proposto hoje por países que não comungam totalmente com a política norte-americana. Até mesmo dentro dos próprios EEUU a população está, em sua maioria, propensa a seguir o novo sistema. É interessante perceber o papel catalisador dos EEUU, unindo antigos aliados e inimigos como França, Alemanha e Rússia contra sua política armamentista e imperialista. No decorrer da guerra pelo petróleo e por outros recursos naturais imprescindíveis, a população mundial irá estreitando mais os seus laços e paulatinamente criando o clima apropriado para que o novo sistema seja implantado. A crescente ameaça terrorista é mais um fator preponderante para que a população mundial aceite um sistema de identificação e monitoramento que lhe ofereça a tão sonhada paz e segurança. Em 2009, o próprio papa da Igreja Católica Romana, Bento XVI, declarou que o mundo precisa de um líder que gerencie a economia global, para que não se repitam momentos como a crise dos subprime, a qual estourou nos EEUU no final de 2008...
De acordo com os indícios mencionados, é correto afirmar que a proposta de criação da nova ordem mundial nascerá no seio da ONU, tendo como peças importantes em sua implantação a União Européia, EUA (sem a sua atual hegemonia), Rússia, China e países do Terceiro Mundo. Neste momento, as lideranças religiosas cumprirão um papel fundamental de conscientização mundial. Esse entendimento entre as diversas religiões será aprofundado dia a dia, até estabelecer-se o ecumenismo irrestrito, que será a base de atuação espiritual do falso profeta e do próprio anticristo, até o momento em que ele se tornará contra tudo o que se chama "deus" e destruirá o próprio sistema religioso prostituído que ajudou a colocá-lo no poder (II Tessalonicenses 2:4, Apocalipse 17:16-18). Como podemos observar, esse novo sistema será aclamado pela população da Terra como a solução para os suas mazelas. Após um tempo de guerra, desespero, crise econômica e pavor total, o novo sistema surgirá apresentando e prometendo um novo tempo de paz, tranqüilidade, progresso espiritual da humanidade e igualdade entre os povos.
Acreditamos que chegará um momento em que a maior parte da população mundial abrirá mão de suas liberdades individuais e privacidade para aderir a um sistema mundial de controle e monitoramento que, teoricamente, trará "paz e segurança" (I Tessalonicenses 5:3).
Não duvidamos que neste momento haja um “milagre financeiro”, ou seja, algo sobrenatural acontecendo na economia mundial, servindo como pano de fundo para o surgimento do anticristo como destaque dentro do novo sistema. Sem dúvidas, novas regras de comércio internacional serão implementadas e um controle mais eficiente da sociedade será necessário para conservar esse clima de paz ilusória. Grandes multinacionais se unirão, a economia mundial se tornará mais centralizada, levantando-se um grande fórum internacional para discutir e direcionar o sistema econômico global. Uma das medidas que provavelmente será tomada pelo novo sistema, talvez até por iniciativa do próprio anticristo , será o perdão da dívida externa dos países em desenvolvimento. Do ponto de vista de política internacional, será um grande golpe de marketing da besta. Somente alguns saberão o real propósito maligno que haverá por trás destas mudanças. Deixamos claro que tais cogitações são apenas cenários possíveis de como ocorrerão essas coisas, para que estejamos atentos a essas prováveis mudanças. Porém aquilo que está profetizado certamente se cumprirá, mesmo que não seja detalhadamente como nós pensamos. Nosso propósito é fornecer ao leitor do Projeto Ômega cenários possíveis para o cumprimento das profecias escatológicas e prepará-lo para essa realidade cada vez mais próxima.
UMA INSTALAÇÃO PAULATINA
Cremos que, entre a implantação desse sistema primordial de identificação (não confundir com a marca da besta), e o começo real do período de tribulação, que deve durar sete anos, deva transcorrer algum tempo, talvez 4 ou 5 anos de relativa paz e progresso, período no qual o anticristo irá ganhando notoriedade e credibilidade internacional. É preciso saber que os países continuarão existindo, sendo soberanos, porém a grande diferença será uma união e cooperação internacional nunca antes vista. Esse será, do ponto de vista espiritual, um momento crítico, pois muitos que se denominam cristãos e dizem seguir o que está escrito na Bíblia, poderão ser seduzidos pelo sistema, tamanho seu compromisso com o mundo e a vida secular.
A seguir, abordaremos alguns passos que deverão ser adotados para que o controle global profetizado no Apocalipse ocorra finalmente. Reconhecemos que os passos que detalharemos possam acontecer com alguma diferença linear dos acontecimentos, porém o resultado final será o mesmo: O CONTROLE TOTAL DAS PESSOAS NA FACE DA TERRA, COM O OBJETIVO DE SEREM ESCRAVIZADAS PELA BESTA.
1. Num primeiro momento, a prioridade será reorganizar economicamente o mundo numa realidade pós-guerra ou pós-colapso natural e/ou financeiro. Provavelmente a moeda única européia substitua num primeiro instante o dólar, ou talvez se institua de imediato uma nova moeda mundial, como já está sendo cogitado por várias autoridades internacionais no ano em que postamos a última atualização deste estudo (2009). Como já analisamos, grandes e surpreendentes medidas poderão ser tomadas, como o perdão da dívida externa dos países em desenvolvimento e a fusão de grandes conglomerados financeiros e multinacionais.
2. O futuro aponta para uma reorganização geopolítica sem precedentes. O mundo, de certa forma, já está dividido em blocos, ligados intimamente por aquilo que se denomina de "globalização". Isso facilita o controle e intercâmbio comercial, a fiscalização financeira, a troca de informações policiais e as relações políticas.
Atrelado a essa reorganização, cremos que, em função do atraente avanço das tecnologias de controle e monitoramento, serão adotados novos sistemas de identificação pessoal, com o objetivo de controlar melhor a criminalidade, fraudes, corrupção financeira, tráfico internacional, lavagem de dinheiro e terrorismo, dentre outros males. Acreditamos que, num primeiro instante, os países adotarão um sistema intermediário, em que os principais documentos que hoje usamos como identificação pessoal serão unificados em um único documento ou cartão magnético. Cada pessoa terá a sua senha pessoal, o que facilitará o acesso aos diversos serviços. Os que não aceitarem essas mudanças serão tratados num primeiro momento como “retrógrados” e serão vistos com suspeita pela sociedade. Com o decorrer do tempo começarão a ser marginalizados e perseguidos como criminosos que se opõem à nova ordem.
É importante salientar que atualmente já existe a tecnologia necessária em quase todos os países para que tais sistemas sejam implantados, faltando apenas a conjuntura apropriada. Várias empresas de tecnologia em informatização possuem protótipos de identificação digital e a estrutura de distribuição imediata, se isso for preciso. Alguns países já adotam um sistema de identificação digital para seus cidadãos, o que torna possível uma futura padronização e interligação a nível mundial num futuro próximo.
Levando em consideração o que já acontece hoje dentro de determinados blocos, como a União Européia, a identificação de um indivíduo poderá valer em todo lugar do planeta, pois todos os sistemas poderão estar interligados mundialmente on-line e via satélite. Paulatinamente, as transações econômicas também poderão ser feitas por meio da própria identificação, o que reduzirá aos poucos o uso do dinheiro, adotando-se um sistema baseado em créditos, que estarão eletronicamente atrelados a cada cartão. Como já vimos, as condições tecnológicas para isso já existem. Falta apenas uma conjuntura apropriada e a depender dos fenômenos que ocorrerão nos próximos anos, todo esse processo poderá sofrer uma aceleração drástica, sendo implantado mundialmente em poucos meses ou semanas... Cremos que, em termos de condicionamento da população mundial para o controle da besta, esses passos serão dados rumo à implantação do que a Bíblia denomina de “sinal da besta”, porém é preciso não confundir essa provável tentativa de identificação a nível mundial com a marca da besta em si. Que possamos estar atentos a esse detalhe.
O Senhor Jesus nos insta de uma forma clara a estarmos vigilantes em todo momento, para não sermos enganados (Mateus 24:4, Mateus 24:24-25, Mateus 24:32-51, Mateus 25:1-30). Não podemos cair na armadilha do condicionamento. Mesmo não sendo a marca da besta, qualquer tecnologia que envolva a localização imediata do portador e seu rastreamento, deve ser evitada pelo servo do Senhor. Isso pode não fazer sentido para um pré-tribulacionista, o qual crê que estará isento da tribulação. Consequentemente, um irmão pré-tribulacionista, em tese, não teria muito problema em aceitar tais sistemas. Porém, amorosamente, deixamos aqui nosso alerta: E se o pós-tribulacionismo estiver correto em seus postulados? Como ficaria um irmão podendo ser identificado, monitorado e rastreado em qualquer lugar do planeta? Pense nisso... Mesmo não sendo o sinal da besta (o sinal será implantado no começo da grande tribulação), as modernas tecnologias de identificação poderão ser uma armadilha mortal para milhões de irmãos, os quais, ao serem facilmente rastreados e localizados, poderão se tornar vítimas em potencial do sistema maligno que se aproxima...
Acreditamos que a marca da besta será imposta no começo da grande tribulação de 3 anos e meio e terá elementos espirituais em sua adoção, talvez algum juramento ou confissão maligna. Esse é o contexto mostrado em Apocalipse 13. Porém, repetimos aqui um importante aviso. Mesmo que o uso de um sistema de identificação e monitoramento não seja a marca em si e não haja nenhum pecado em ser identificado e monitorado, as pessoas que aderirem a essa forma de identificação serão facilmente localizadas no futuro pelo sistema da besta. Nós, como integrantes do Projeto Ômega e membros do Corpo de Cristo, já fizemos nossa escolha. Não aceitaremos nenhum sistema que permita que sejamos monitorados pelo futuro sistema mundial maligno, mesmo que isso signifique ficar à margem do contexto social... Esperamos que você também tome uma decisão a respeito e que essa decisão seja baseada na bendita esperança que há no coração daqueles que esperam a volta de Jesus. É claro que a esperança que o cristão tiver a respeito do nosso encontro com Cristo (arrebatamento), anterior ou posterior à tribulação, pesará muito nessa decisão. Rogamos ao Senhor que o Seu Espírito guie a cada leitor nosso pelo caminho da Verdade!
A MARCA DA BESTA
A revelação contida no Apocalipse deixa transparecer que a marca da besta terá uma conotação espiritual intrínseca. Ou seja, as pessoas que adotarem esse sistema estarão se comprometendo conscientemente com os propósitos espirituais do anticristo. Em nossa opinião, o falso profeta, que na época será o principal líder ecumênico mundial, realizando fantásticos e surpreendentes feitos, associará o fato de ingressar no novo sistema e aceitar a implantação do sistema de controle e monitoramento na mão ou na fronte, com o “progresso espiritual” da humanidade. Isso quer dizer que a marca será aceita por aqueles que comungarão com o sistema religioso ecumênico que imperará na época e também por aqueles que não vão querer ficar à margem do sistema financeiro e social globalizado.
Acreditamos que, para que estes acontecimentos tenham lugar, deve haver uma habilitação espiritual da maioria da humanidade, que abraçará o ecumenismo sem restrições, dando condições espirituais para que o anticristo se manifeste plenamente e sele as pessoas com a sua marca. Esse sistema ecumênico será sustentado pela união das “grandes religiões” e dos “grandes líderes religiosos” que todos nós conhecemos. Será o começo da grande tribulação. Tribulação nunca antes vista na face da Terra. Neste momento aqueles que não aceitarem a marca, não serão apenas ridicularizados, como acontecera pouco antes, mas serão perseguidos como criminosos e marginais. Será uma perseguição material e espiritual. Observamos que muitos que se dizem cristãos e que vivem em um mundo no qual é “fácil” e “conceituado” ser cristão, não estão preparados para este momento de decisão e prova, pois os verdadeiros cristãos, ao não aceitar a marca, serão impiedosamente perseguidos pelo sistema, tal qual o foram nossos irmãos primitivos nos primeiros séculos. É lamentável observar que alguns cristãos estão tão inseridos no mundo, que farão tudo para mantê-lo e melhorá-lo... Vão querer manter sua rotina e seu status a qualquer preço, mesmo que esse preço seja aceitar as regras da besta...
A seguir, teceremos alguns comentários a respeito da viabilização tecnológica do controle financeiro profetizado no livro de Apocalipse, deixando claro que são apenas possibilidades técnicas daquilo que realmente ocorrerá e que muitas delas poderão ser apenas protótipos do que ainda virá. Até mesmo nos meios acadêmicos e seculares, já existe a clara conscientização da chegada de uma nova forma de intercâmbio financeiro e monitoramento pessoal, usando as modernas tecnologias que estão à disposição das pessoas. Praticamente todos os dias ficamos sabendo de uma forma de intercambio financeiro, pois as modernas tecnologias, envolvendo a informática e o uso de microprocessadores, produz essa constante mutabilidade. Nos tópicos "ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS", você poderá acompanhar essa constante aplicação das tecnologias de controle e monitoramento em nossas transações financeiras e comerciais.
VERICHIP
Uma forma de controle, de acordo com nossa atual realidade tecnológica, seria ter um biochip simplesmente colocado dentro do corpo humano, como é feito atualmente com o implante de biochip de rastreamento de pessoas e animais em vários lugares do planeta (GPS System).
O microdot é um microchip do tamanho da cabeça de um alfinete, que custa menos de 25 centavos de dólar, é injetado 5 ou 6 milímetros debaixo da pele. Lido com um scanner portátil, facilita a plena identificação da pessoa que a leva implantada. Atualmente, o verichip é utilizado com finalidade de check-up médico e em alguns clubes privados, principalmente na Europa. Nos últimos meses, grandes empresários tem colocado o verichip em seus corpos também. O mesmo pode armazenar grandes quantidades de dados, além de proporcionar a localização de seu possuidor através do sistema de satélites. Em vários sites da internet você encontrará maiores informações técnicas sobre o verichip e sua aplicabilidade.
O CÓDIGO DE BARRAS
Considerando que não é prático colocar um microchip em todo produto e que os mesmos são sempre comprados e vendidos com um código de barras, o verichip ou alguma forma de leitura inserida em nosso corpo, poderia fazer o papel de "leitor" dos atuais códigos de barras que já identificam a maioria dos produtos comercializados. O que a maioria das pessoas não percebe é que, já há vários anos, o número 666 está sendo colocado sobre os produtos que nós compramos, usamos e dispomos todos os dias. Alguns já sabem disso, mas, de certa forma, já o consideram normal. É assim que funciona o condicionamento...
A verdade é que todo código de barras contém os números 666. Você sempre achará uma das duas versões da marca. O mais comum tem 10 números divididos em duas partes. E outros terão 6 números. Em ambas versões há 3 barras grossas identificadas. Essas barras são 6, 6, e 6. Estes são chamados de barras de guarda, que mandam um sinal para o scanner no começo, dividindo a barra, e parando a leitura. Deixamos claro que a máquina leitora não lê "666" e sim as barras em código binário. Mesmo assim, um detalhe interessante: a soma dos números binários sempre resulta em 6...Por outro lado, o número retratado em Apocalipse 13:18 não é 6-6-6 e sim 666 (seiscentos e sessenta e seis). O código de barras não é a marca da besta, mas, de acordo com aquilo que sustentamos, faz parte de um processo de condicionamento para a futura institucionalização da marca e devemos estar atentos a isso.
CONCLUSÃO
Não sabemos que tecnologia de controle e monitoramento será usada no sistema da besta para propiciar o controle exposto em Apocalipse 13:16-18. Porém, sabemos algo importante: as possibilidades tecnológicas necessárias para implementar um controle total sobre os habitantes do planeta já existem, podendo ser adotadas a qualquer momento. Cabe a nós ficarmos atentos a todo o desenrolar dos acontecimentos, pois a Palavra nos fornece todos os dados para identificar com precisão esse momento.
Nenhuma tecnologia é maligna em si mesma, porém sua aplicação pode ser maléfica. Desaconselhamos a nossos leitores usarem qualquer mecanismo de identificação pessoal e/ou transação financeira que, mesmo não sendo inicialmente a marca da besta, poderá abrir caminho para nossa localização e controle futuros. Ou seja, desaconselhamos que você insira em seu corpo qualquer mecanismo que o torne um alvo fácil no futuro. A partir do momento em que a Palavra nos mostra que seremos, como cristãos, institucionalmente perseguidos, não seria uma atitude consequente receber em nossos corpos um sistema que possibilite nosso rastreamento em qualquer lugar do planeta! É uma questão de bom senso... A Palavra nos alerta em muitas passagens. É um dever do cristão estar atento a tudo o que ocorre no cenário profético, com o objetivo de não ser enganado, pois o engano será o maior de todos os tempos (Mateus 24:4-24, II Tessalonicenses 2:7-10).
O QUE OCORRERÁ COM QUEM NÃO ADERIR AO CONTROLE?
Acreditamos que os sistemas de identificação e monitoramento a nível mundial serão implantados paulatinamente e talvez com algumas diferenças entre eles num primeiro momento, gerando um paulatino condicionamento para a aceitação da marca da besta. Consequentemente, as dificuldades enfrentadas por aqueles que optarem por ficar fora desses sistemas serão sentidas de forma gradual e, provavelmente, de forma diferente em cada região. As suspeitas e a ridicularização iniciais darão lugar à perseguição declarada a partir de certo momento. Com o passar do tempo e a adoção de tais sistemas, cremos que grandes somas de dinheiro vivo será algo quase impossível de se obter. Talvez muitas empresas exijam de seus funcionários a adoção de um desses sistemas de identificação e monitoramento. Talvez ele seja a imposição de certos países ou blocos de países a seus cidadãos depois de um evento catastrófico a nível mundial. Não sabemos como se dará isso, em termos cronológicos e metodológicos. Porém, uma coisa sabemos. Esses sistemas em algum momento serão centralizados. Aqueles que decidirem ficar à margem desses sistemas de identificação e monitoramento, entre os quais nos incluímos, ficarão, de forma paulatina, afastados dos principais intercâmbios sociais. Em determinado momento, para que se cumpra a Palavra, será impossível comprar ou vender, para quem estiver à margem do sistema mundial. Quem não estiver legalmente identificado, será perseguido como um marginal. Quem não adorar a besta será sumariamente executado. Por isso ressaltamos a importância de não adotar nenhum sistema que permita nossa localização futura.
Bom seria que todos os líderes eclesiásticos pudessem ensinar isso também de forma periódica. O Rei Jesus Cristo nos insta a termos esperança e perseverança em meio a todos esses acontecimentos. Em Mateus 24:16-18, o Mestre insta aos discípulos a, no momento certo, tomarem medidas de preservação e segurança diante da perseguição, que terá seu ápice após a abominação desoladora em Jerusalém e a instituição da marca da besta. Essa perseguição, mundial, aberta e declarada, começará no dia da abominação em Jerusalém e se propagará em todo o planeta, almejando destruir os servos do Senhor e a nação escolhida (Israel).
Nossa missão até lá é fazer a obra do Senhor até a Sua vinda e cumprir uma grande missão especial até o fim dos tempos: a pregação do Evangelho em todas as nações (Mateus 24:14).
"Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo? Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens" (Mateus 24:45-46).
"E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome" (Apocalipse 14:9-11).
O aviso já está dado...A Palavra do Criador é clara. Esperamos de todo coração que, no momento em que estas coisas começarem a ocorrer, você seja fiel e perseverante, mesmo que essa fidelidade resulte em isolamento social, perseguição e morte física. Nossa esperança está no Senhor e em sua Palavra.
QUAL SERÁ A SUA POSIÇÃO DIANTE DE TUDO ISSO?
VOCÊ VIVERÁ DE ACORDO COM O SISTEMA OU TERÁ CORAGEM DE SE OPOR A ELE E SER CONSIDERADO UM MARGINAL?
Maranata
CRONOGRAMA DA TRIBULAÇÃO
A série de eventos relacionados com a fase de tribulação profetizada na Bíblia para os tempos finais tem sido citada e comentada diversas vezes durante a história do cristianismo. O que fica patente é que, apesar de manterem uma mesma linha central de interpretação, as muitas versões e comentários feitos apresentam algumas diferenças de interpretação no que se refere à ordem cronológica dos últimos acontecimentos.
Graças ao fato de vivermos no limiar desses acontecimentos, temos certa vantagem sobre pessoas que viveram há dezenas ou até centenas de anos. Hoje, temos uma melhor idéia do que podem significar literalmente as profecias apocalípticas, por estarmos vivendo no tempo do seu cumprimento. Não esqueçamos que João, ao escrever o Apocalipse, expressou as visões e revelações divinas e os fatos surpreendentes que aconteceriam no final dos tempos, com as suas palavras e com a limitação tecnológica própria de quem vivia há 2.000 anos. Hoje, vivendo o avanço tecnológico profetizado no livro de Daniel e já observando o surgimento do sistema político-religioso que servirá como base de atuação para o anticristo, podemos descobrir e entender mais precisamente as maravilhosas revelações apocalípticas e a seqüência de acontecimentos profetizados.
Apesar de muitos atribuírem à tribulação um período mais extenso, somos levados a considerar tecnicamente como período de tribulação os sete anos anteriores à segunda vinda de Jesus e a conseqüente derrota da besta e seu sistema. É claro que atualmente vivemos tempos difíceis, porém é importante não confundi-los com a tribulação final de sete anos, da qual faz parte a “grande tribulação”, um período de três anos e meio, na segunda metade da tribulação. Para considerar o período tribulacional como um período de sete anos, tomamos como base uma interpretação futurista da última semana de Daniel (para maiores informações, acesse o tópico AS SETENTA SEMANAS).
CONDIÇÕES PRÉVIAS
É praticamente impossível traçar uma seqüência totalmente exata de cada evento que está porvir, haja vista que a prioridade na revelação apocalíptica não é narrar fatos seqüenciados de forma metódica e sim revelar a derrota do mal de forma definitiva no universo.
Estamos vivendo o que Jesus em seu sermão profético chamou de “princípio de dores”, ou seja, uma série de conflitos e catástrofes iniciais que vão resultar na instalação do novo sistema de governo mundial e na chegada da tribulação em si. Jesus profetizou que nações se levantariam contra nações, reinos contra reinos, e que haveria pestes, fomes e terremotos. Esse cenário de guerras, fome e morte se encaixa perfeitamente na descrição dos quatro cavaleiros do Apocalipse (Ap. 6:1-18). Em nosso estudo MATEUS 24 X APOCALIPSE 6 detalhamos melhor essa relação. De acordo com aquilo que temos comentado e acompanhado nos tópicos ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS, essa série de conflitos e catástrofes permitirá que se instale um cenário propício para a Nova Ordem Mundial. Cremos que as forças hegemônicas que hoje “dominam” o mundo serão enfraquecidas e darão lugar a um sistema cada vez mais unificado e aparentemente solidário. Entendemos que, no final deste período de “princípio de dores”, haverá um rápido período de transição, “paz humana” e reordenamento mundial.
As profecias bíblicas, principalmente as de Obadias e Jeremias, nos levam a acreditar que no período de conflitos do “princípio de dores”, alguns povos e grupos religiosos mais radicais e fundamentalistas serão exterminados (Ob.1:1-14). Isso explicaria três questões básicas:
1) O governo do anticristo e do falso profeta terá apoio mundial total, exceto dos cristãos verdadeiros, os quais não aceitarão a marca da besta nem adorarão a sua imagem. Porém, hoje existe uma religião que, mesmo não sendo cristã, se oporia radicalmente ao domínio político e espiritual do anticristo. Estamos falando do islamismo. Por isso, acreditamos que nos conflitos inseridos no “princípio de dores”, os povos muçulmanos poderão ser, de alguma maneira, silenciados, enganados ou destruídos, possivelmente por algum país hegemônico mundial ou por Israel, ou mesmo ambos.
2) É necessário que o templo judeu seja reconstruído em Jerusalém, para que nele se cumpra a abominação desoladora profetizada por Daniel em Daniel 9:27 e confirmada por Jesus em Mateus 24:15 (para maiores informações, acesse o tópico O TEMPLO). A abominação desoladora marcará o começo da “grande tribulação”, período de três anos e meio que marca a segunda metade da tribulação, quando o anticristo se sentará no trono do templo e profanará o santo lugar (Daniel 11:30-32, II Tessalonicenses 2:3-4). No lugar em que deve ser reconstruído o templo judaico, hoje existe uma mesquita muçulmana, o que novamente nos leva a acreditar num desfecho radical envolvendo os islamitas (pelo menos aqueles que habitam o Oriente Médio) ou num surpreendente acordo de paz, o qual poderá ser o acordo de que trata Daniel 9:27.
3) Quando Ezequiel descreve a invasão de Gogue e Magogue contra Israel, que muito provavelmente se dará bem próximo ao início do período de tribulação de sete anos, ele nos revela que quando isso acontecer, Israel estará habitando sua terra “em paz” , uma realidade muito diferente da que observamos hoje nos noticiários! Algo radical e transformador deve acontecer no Oriente Médio para que essa profecia se cumpra e traga esse período de relativa tranqüilidade. Após essa fase de transição malignamente pacífica, que deve durar pouco tempo, um evento quebrará subitamente essa realidade. Vindos do “norte”, Gogue, Magogue e seus aliados tentarão invadir Israel. Se em qualquer mapa mundial você traçar uma linha vertical partindo de Jerusalém indo rumo ao norte, a linha passará por Moscou, capital da Rússia... Ezequiel revela que Gogue estará acompanhado de um vasto exército de diferentes nações aliadas.
OS DEZ CHIFRES E A ASCENÇÃO DO ANTICRISTO
Ao analisarmos detalhadamente o sistema político que dará sustentação ao anticristo, notamos que o próprio terá dez chifres. Como já vimos, cada chifre representa uma nação ou bloco de nações. Em Apocalipse 17:12 diz que os dez chifres, em determinado momento, entregarão o seu poder e domínio à besta. Muito provavelmente, isso ocorrerá ainda no período de transição. Porém, Daniel revela que quando o anticristo “surgir” derrubará três dos dez chifres (Daniel 7:8). Os três chifres que cairão e que pertenciam aos dez primeiros, possivelmente serão os derrotados na invasão de Gogue e Magogue (Rússia mais outros dois). A partir deste momento começa o período de sete anos denominado tribulação.
É lógico afirmar que, durante a época de transição que antecederá os sete anos e na qual receberá o poder delegado pelos dez chifres, o anticristo não passará de um político admirável e aclamado por todas as nações (inclusive por Israel), por causa das soluções pragmáticas e populares que trará. Próximo ao começo da tribulação, porém, algo espantoso e sobrenatural acontecerá. Ezequiel afirma que os exércitos de Gogue e seus aliados serão exterminados “sem intervir mão humana”, ou seja milagrosamente, num livramento divino para a nação israelense. É importante estar preparado para a possibilidade de o falso profeta atribuir esse livramento sobrenatural ao anticristo, começando neste instante a adoração mundial para o mesmo e o reconhecimento do povo judaico à besta.
Embora ter começado a surgir antes mesmo dos sete anos tribulacionais, o anticristo só começará sua perseguição implacável e aberta contra o povo judeu e a Igreja cristã a partir da segunda metade da tribulação, denominada “grande tribulação”, um período de três anos e meio (Apocalipse 13:5-7 e Daniel 7:24-25), período que começará com a quebra do acordo feito entre a besta e a nação israelense e com a maligna abominação desoladora em Jerusalém. Antes desse período, o anticristo terá uma atitude de aparente união com Israel, firmando, muito provavelmente após a derrota de Gogue e Magogue, um tratado de paz para “proteger” Israel. Ele será aceito e aclamado pelos judeus, como vimos anteriormente. Por sua vez, antes da “grande tribulação”, os cristãos verdadeiros serão perseguidos apenas a nível policial, político e social, pelo fato de não aceitarem os planos iniciais da Nova Ordem Mundial nem o domínio mundial da besta. Cremos que essa perseguição inicial não será uniforme em todas as nações e não assumirá necessariamente um caráter anticristão específico num primeiro momento. A partir do momento que a “máscara” do anticristo cair, no começo da grande tribulação, é que a perseguição contra a Igreja e Israel assumirá um caráter abertamente espiritual, maligno e implacável.
CALCULANDO A ÚLTIMA SEMANA
Quando comparamos as revelações contidas no livro de Daniel com aquelas registradas no Apocalipse, podemos ter uma visão mais ampla de como os eventos se darão na 70ª semana de Daniel, período de 7 anos que, segundo entendemos, marca a tribulação que antecederá a gloriosa volta do Senhor. Se possível, faça você mesmo um gráfico com os dados que exporemos aqui:
PONTO (1): Começo da tribulação
PONTO (a): Começo do oferecimento de sacrifícios no Templo reconstruído
PONTO (2): Metade da tribulação e começo da grande tribulação
PONTO (3): Final do período tribulacional
PONTO (b): Ressurreição das duas testemunhas
PONTO (c): Purificação do santuário
PONTO (?): Aparição no céu do sinal de Jesus e arrebatamento da Igreja
PONTO (d): Descida de Jesus no Monte das Oliveiras, derrota dos exércitos do anticristo e começo do reino eterno de Cristo.
O esquema acima procura definir a ordem dos acontecimentos que terão lugar na última semana de Daniel, num período de sete anos denominado tribulação, e as conseqüências posteriores desses acontecimentos. Esse esquema foi elaborado com base nas profecias de Daniel e do Apocalipse e nos dados que elas nos oferecem. No entanto, serve apenas para apresentar-nos uma noção do período tribulacional, sem chamar para si nenhuma infalibilidade em seus cálculos.
Em relação ao ponto inicial (1), é lógico supor que o anticristo surgirá num momento anterior a esse ponto, talvez anos antes. O ponto (1), determina o começo do período de sete anos. O evento que dá lugar ao começo dos sete anos de tribulação é o pacto de paz feito entre a besta e Israel (Daniel 9:27).
Do ponto (1) até o ponto (a), transcorrem 250 dias. No ponto (a) começam a ser oferecidos os sacrifícios no Templo de Jerusalém, devidamente reconstruído meses ou anos antes (Daniel 8:13).
Do ponto (a) até o ponto (2), transcorrem 1010 dias. O ponto (2) marca a metade exata do período tribulacional e o começo do período denominado grande tribulação. Neste ponto, o anticristo profanará o Templo e fará cessar os sacrifícios, estabelecendo a abominação desoladora (Mateus 24:15-21, Daniel 9:27). Parte da Igreja foge e é preservada nesses três anos e meio e uma outra parte fica no sistema para testemunhar (Mateus 24:16-20, Apocalipse 12:6-16, Apocalipse 12:17). Nesse ponto começa o ministério das duas testemunhas (Apocalipse 11), que se estende por toda grande tribulação (42 meses ou 1260 dias). Conseqüentemente, o período que vai do ponto (2) até o ponto (3) é de 42 meses ou 1260 dias.
No ponto (3) se completa o período tribulacional de sete anos ou a última semana de Daniel. Neste ponto, as duas testemunhas são assassinadas pelo anticristo (Apocalipse 11:3-7). Os corpos das duas testemunhas ficarão expostos para a população mundial por três dias e meio. Conseqüentemente, do ponto (3) até o ponto (b), transcorrem três dias e meio. Nesse momento (b), as duas testemunhas são ressuscitadas por Deus, para assombro de todos e ascendem aos céus! (Apocalipse 11:11-15).
Do ponto (b) até o ponto (c), transcorrerão 26 dias e meio. Cremos que, após o Templo ter sido purificado pelos judeus no ponto (c), 26 dias e meio após a ressurreição das 2 testemunhas e 30 dias após o término da grande tribulação de 42 meses, o anticristo reunirá seus exércitos no Armagedom para destruir Israel. Entendemos que isso se dará imediatamente depois que o sol e a lua escurecerem, sinais que parecem estar contidos na quinta taça (Apocalipse 16:10). O sol e a lua escurecendo, sinais que ocorrem logo após a grande tribulação (Mateus 24:29), são os sinais que anunciam o DIA DO SENHOR. A partir desse momento, inserido entre os pontos (c) e (d), o arrebatamento da Igreja torna-se iminente. Neste ponto, o sol e a lua escurecerão, as estrelas “se moverão de lugar”, e então aparecerá nos céus completamente escuros o sinal do Filho do homem, como um relâmpago, visto por toda a humanidade! (Mateus 24:27-31, Apocalipse 6:12-17). Neste momento (?), ao soar da última trombeta, ocorrerá o arrebatamento, o momento maravilhoso em que a Igreja se reunirá com Cristo nas nuvens. Os que estiverem mortos, serão ressuscitados e glorificados. Os que estiverem vivos, serão transformados e glorificados (I Coríntios 15:51-52, I Tessalonicenses 4:15-18, Apocalipse 15:13-16, Apocalipse 19: 7-9).
Todos esses eventos gloriosos gerarão a conversão de Israel e o reconhecimento do Messias prometido (Romanos 11:26-27, Zacarias 12:10). Também, de acordo com as profecias de Daniel, do ponto (c), que é a purificação do Templo, até (d), que é a descida de Jesus no Monte das Oliveiras, para derrotar os exércitos do anticristo e instaurar seu reino eterno, transcorrerão 45 dias.
Os cálculos acima foram feitos de acordo com os seguintes parâmetros:
1. De acordo com Daniel 9:27, podemos saber que do ponto (1) até o ponto (2) transcorrem 1260 dias (três anos e meio ou metade de uma semana). Então, a outra metade terá também 1260 dias, o que confirma as revelações apocalípticas da atuação principal do anticristo. Então, do ponto (2) até o ponto (3), transcorrem 1260 dias. Somando as duas metades, nós termos 2520 dias de tribulação (sete anos).
2. De acordo com Daniel 8:13-14, podemos saber que, desde o começo dos oferecimentos de sacrifícios até a purificação do Templo, transcorrerão 2300 dias. Ou seja, do ponto (a) até o ponto (c) transcorrerão 2300 dias.
3. De acordo com Daniel 12:11, fica claro que entre a profanação do Templo (abominação desoladora) até a purificação do mesmo, transcorrerão 1290 dias. Ou seja, do ponto (2) até o ponto (c) transcorrem 1290 dias.
4. De acordo com Daniel 12:12, ficamos sabendo que, desde a profanação do santuário (ponto 2) até a vitória final do Ungido sobre o anticristo (ponto d), transcorrerão 1335 dias.
Os dados obtidos com as revelações bíblicas citadas acima, permitem situar-nos dentro dos últimos acontecimentos. Nossos cálculos não são infalíveis e são passíveis de erros. Porém, a revelação pormenorizada de tantos detalhes proféticos nos mostra, mais uma vez, o cuidado de Deus em nos revelar aquilo que precisamos saber, para que estejamos em trevas. Como membros do corpo de Cristo, devemos estar preparados para viver esses dias que se aproximam, sejamos protegidos da tribulação ou inseridos nela para testemunho e martírio. Que em nossos corações haja um crescente anelo pela volta gloriosa de Jesus, como Rei e Senhor!
AS SUBDIVISÕES DO APOCALIPSE
O Apocalipse engloba os fatos que acontecerão no período tribulacional e até mesmo pré-tribulacional, em selos, trombetas e taças, determinando um desenrolar lógico dos acontecimentos. Para entender melhor o cenário político e administrativo mundial desse período”, e para saber o papel da Igreja nesses tempos tribulacionais, leia a página “A IGREJA NA TRIBULAÇÃO”. Nesta página somente mencionaremos os fatos num aspecto explicativo, sem deter-nos muito numa análise mais global. Deixamos claro que a concepção que adotamos em relação ao livro de Apocalipse se esforça para chegar o mais próximo possível da concepção literal e futurista que nossos irmãos primitivos adotavam para relacionar-se com as profecias escatológicas.
Cremos que há uma estreita relação entre trombetas e taças, sendo estas últimas a descrição das conseqüências finais do toque das 7 trombetas. Já os selos, em nosso entendimento, descrevem um período de tempo maior, que vai do princípio de dores (selos 1 a 4), até a vinda de Cristo (selo 7), passando pela perseguição aos servos do Senhor (selo 5) e pelos sinais que antecedem o grande dia do Senhor (selo 6). Tudo indica que os eventos relacionados às 7 trombetas ocorrerão a partir do início da grande tribulação de 3 anos e meio e que os eventos resultantes das 7 taças terão lugar nos momentos finais desse período, abrangendo até mesmo os sinais que antecedem o Dia do Senhor, dia esse que é colocado como um evento que ocorrerá imediatamente após a grande tribulação. (Mateus 24:29).
OS SELOS
São descritos a partir do capítulo 6 do Apocalipse. Estando certa a nossa posição, os sete selos abrangeriam não somente os sete anos tribulacionais más também uma parte do período pré-tribulacional, denominada de “princípio de dores” (comparar Mateus 24:7-10 e Apocalipse 6:1-11) e até mesmo parte de acontecimentos pós-tribulacionais, como os sinais cósmicos que antecedem o Dia do Senhor (comparar Mateus 24:29 e Apocalipse 6:12-17). Cremos firmemente que há uma estreita relação entre o sermão profético do Senhor Jesus e os sete selos do Apocalipse, abrangendo assim todos os principais sinais que ocorrem imediatamente antes, durante e logo após a tribulação, apontando para a gloriosa volta do Mestre.
Os quatro primeiros selos referem-se aos quatro cavaleiros do Apocalipse (Apocalipse 6:1-8). Acreditamos já estar vivendo essa realidade, com o aumento progressivo das guerras, fomes e mortes. Esses primeiros quatro selos parecem estar intimamente ligados aos sinais do princípio de dores detalhados pelo Senhor, os quais irão se aprofundando. O resultado final da concretização desses quatro primeiros selos será a morte de ¼ da população mundial.
O quinto selo (Apocalipse 6:9-11), descreve a súplica de cristãos que foram martirizados no decorrer da história por causa de seu posicionamento espiritual. Eles devem esperar um pouco mais de tempo, até que se complete o número daqueles que serão martirizados até o fim dos tempos, incluindo nesse contexto a Igreja nos últimos tempos. Esse selo aponta claramente para a perseguição histórica sobre a verdadeira Igreja, perseguição essa que se aprofundará no período tribulacional.
O sexto selo (Apocalipse 6: 12-17), descreve uma grande comoção na Terra e no universo. Neste momento muitos despertarão para a realidade final. Fica implícita nesta passagem a manifestação de cataclismos surpreendentes, provavelmente gerados por deslocamentos orbitais e gravitacionais dentro do sistema solar. Fica muito clara a relação desse selo com os sinais que antecederão o Dia do Senhor (Mateus 24:29-30). Logo, esse selo abrange também acontecimentos que ocorrerão imediatamente após a tribulação de 7 anos.
O sétimo selo (Apocalipse 8:1-5), se subdivide em sete trombetas. Aqui, o sétimo selo parece não indicar uma ordem cronológica em relação aos primeiros seis selos, mas sim explicativa. As trombetas descrevem eventos de forma mais detalhada. É como se, ao ser aberto o sétimo selo, se descortinassem as trombetas, o que ocorre também quando a sétima trombeta é tocada.
AS TROMBETAS
Cremos que as trombetas se referem a eventos que ocorrerão durante a grande tribulação de 3 anos e meio, a partir do momento em que ocorrer a abominação desoladora (Mateus 24:15).
A primeira trombeta (Apocalipse 8:7), sugere um conflito nuclear, que destruirá a terça parte da Terra.
A segunda trombeta (Apocalipse 8:8-9), parece ser conseqüência direta da primeira, gerando danos proporcionais às fontes aquáticas do planeta.
A terceira trombeta (Apocalipse 8:10-11), descreve “uma estrela” ardente caindo do céu como uma tocha. Acreditamos que possa tratar-se de um asteróide de pequeno porte colidindo com a Terra. De acordo com recentes descobertas astronômicas, existem atualmente alguns asteróides em rota de colisão com a Terra. Apesar da probabilidade de colisão ser atualmente pequena, de acordo com a maior parte dos astrônomos, nos parece, à luz da palavra apocalíptica, que esse desastre possa acontecer, levando em consideração os profundos desequilíbrios que ocorrerão não somente no planeta Terra, mas também em todo o universo.
A quarta trombeta (Apocalipse 8:12), à semelhança da segunda, é possivelmente uma conseqüência direta da trombeta anterior. Com a queda do asteróide ou meteorito, uma densa camada de poeira subiria, “escurecendo” o sol, a lua e as estrelas.
A quinta trombeta (Apocalipse 9:1-12) parece descrever a atuação de espíritos malignos, assumindo formas físicas bizarras, destruindo e matando aqueles que não tiverem o selo de Deus.
Na sexta trombeta (Apocalipse 9:13-21), continua a onda de destruição humana, agora encabeçada por quatro anjos, que possuem essa missão específica.
A sétima trombeta (Apocalipse 11:15-19), se subdivide em sete taças ou pragas.
AS TAÇAS
Cremos que o derramamento das taças se dará logo após a grande tribulação, nos dias que separam o fim da grande tribulação e o retorno glorioso do Senhor Jesus. Será o clímax da ira de Deus sobre os ímpios e o pecado.
A primeira taça (Apocalipse 16:2), descreve o aparecimento de uma chaga maligna que se manifestará naqueles que tenham a marca da besta.
A segunda taça (Apocalipse 16:3), descreve a contaminação total dos oceanos, num possível aprofundamento das conseqüências da segunda trombeta.
Cremos que a terceira taça (Apocalipse 16:4), é uma continuação do efeito anterior, com a destruição definitiva (até o começo do Milênio) dos rios e fontes de águas potáveis.
A quarta taça (Apocalipse 16:8-9), sugere uma aproximação da Terra ao Sol, possivelmente causada por uma mudança em seu eixo ou mesmo em sua massa, decorrente dos cataclismos anteriores, aumentando assustadoramente a temperatura média do planeta.
A quinta taça (Apocalipse 16:10-11), é um castigo específico contra o anticristo e seus auxiliares mais próximos, possivelmente abrangente à cidade que ele escolherá como capital mundial.
A sexta taça (Apocalipse 16:12-16), descreve os preparativos satânicos para a batalha final do Armagedom. É muito provável que o exército oriental descrito em Apocalipse 16:12 seja o chinês que, juntamente com as outras nações, será convencido pela besta a marchar contra Israel. Recentemente, foi noticiado que o governo chinês, caso seja necessário, poderá alistar grande parte de sua população ativa, com centenas de milhões de soldados. Como já explicamos nas páginas anteriores, acreditamos que o anticristo atribuirá à nação israelense a culpa por todos os males e maldições que estarão acontecendo na grande tribulação, convencendo essas nações através do engano espiritual de 3 espíritos malignos. Essas nações se reunirão no Armagedom.
A sétima taça (Apocalipse 16:17-21), descreve o começo da destruição definitiva das forças do anticristo. Elas serão derrotadas no Armagedom por Cristo em sua segunda vinda em glória (Zacarias 14:1-21). Todo o sistema político-religioso do anticristo ruirá. A besta e o falso profeta serão lançados no lago de fogo e Satanás será amarrado por mil anos. A partir desse momento começa o reino milenar de Cristo em nosso planeta (Apocalipse, capítulos 19 a 22). Para mais comentários a
SEQUÊNCIA GERAL DE EVENTOS
Observamos que muitas tentativas humanas de datar e determinar com absoluta precisão histórica como e quando ocorreriam os principais eventos escatológicos profetizados na Palavra, terminaram em fracassos. Entendemos que isso ocorre em função da finalidade das profecias bíblicas. As profecias visam fornecer àqueles que obedecem a Palavra uma idéia geral de como e quando ocorrerão esses eventos, para que a geração que os vivenciar possa, no momento certo, identificá-los e saber com exatidão o que está para ocorrer. As profecias bíblicas não são uma “agenda” de acontecimentos futuros pré-datados, mas uma revelação para que os servos do Senhor não sejam surpreendidos.
Não obstante esse princípio, percebemos que existe uma seqüência lógica de acontecimentos. Cremos que é dever de todo servo do Senhor ter uma noção da ordem ou seqüência dos eventos profetizados, os quais foram revelados precisamente com essa finalidade: servir de esclarecimento e fonte de conhecimento para nós. Por exemplo, em Apocalipse 17:13 está revelado que, num determinado momento, os 10 chifres entregarão sua soberania à besta. Já em Apocalipse 13:5, está revelado que a besta terá autoridade mundial durante 42 meses. Então, é lógico afirmar que antes desses 42 meses, é necessário que os 10 chifres já estejam consolidados, pois serão eles que entregarão a soberania política mundial à besta, sob influência direta de satanás (Apocalipse 13:2).
Daremos a seguir uma seqüência de eventos em ordem cronológica, abrangendo não somente o período tribulacional, mas também o período imediatamente anterior à tribulação. Novamente, alertamos que o nosso objetivo não é o de apresentar uma seqüência infalível e perfeita de como os acontecimentos se darão, e sim o de fornecer a você uma base de comparação entre as profecias e os acontecimentos globais, oferecendo um cenário geral. Esperamos que este artigo seja, de alguma forma, útil para aqueles que estudam as profecias e levam a sério o que está expresso na Palavra de Deus. Anelamos que, quando esses eventos ocorram, você possa relacioná-los apropriadamente ao momento profético que estiver vivendo. No presente momento, cremos que já estamos vivendo aquilo que Jesus denominou de “princípio de dores” (Mateus 24:8), com a ocorrência cada vez mais profunda e sistemática de conflitos, terremotos e fomes em todo o mundo, o que está em perfeita relação com os 4 primeiros selos do Apocalipse (Apocalipse 6:1-8). O “princípio de dores” se prolongará até a grande tribulação.
1. PREGAÇÃO DO EVANGELHO A TODAS AS NAÇÕES (Mateus 24:14)
A pregação das boas novas começou na Judéia, Samaria e se estendeu até os confins da Terra. Essas boas novas, de acordo com o Senhor, serão pregadas em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Colocamos, então, a pregação do Evangelho como o primeiro item dessa ordem seqüencial de eventos, indicando que, quando o Evangelho houver sido pregado a todas as nações, então já estaremos no fim do atual sistema e nos dias que antecedem a gloriosa volta do Senhor. Lembramos que o Evangelho será pregado até mesmo nos dias tribulacionais (Apocalipse 14:6). Então, o sinal da pregação do Evangelho deve ser entendido nessa dualidade. Ao mesmo tempo em que nos indica quando estaremos entrando nos dias que antecedem a volta de Cristo, esse sinal da pregação se estenderá literalmente até o fim, que será o dia da gloriosa vinda do Senhor.
2. COLAPSO INTERNACIONAL (I Tessalonicenses 5:2-3)
Entendemos que, para que haja uma reestruturação que permita o domínio mundial por parte de um único sistema, é necessário que a atual supremacia dos EEUU se enfraqueça ou seja extinta. Ataques terroristas de grandes proporções, cataclismos, crises financeiras globais e outros fatores podem ocorrer de forma devastadora em qualquer país e estes fatores, aliados ou não à extinção hegemônica dos EEUU, poderão gerar um colapso político-financeiro sem precedentes no mundo moderno. Uma coisa é certa: é necessário que toda posição hegemônica e toda superpotência perca sua supremacia em função do futuro sistema global que será instaurado quando os 10 chifres entregarem seu domínio à besta.
3. FORMAÇÃO DOS 10 CHIFRES (Apocalipse 17:12-17)
Cremos que estamos às portas da consolidação dos 10 chifres. Trabalhamos com 3 hipóteses possíveis: A transformação do G-8 em G-10, a reestruturação do Conselho de Segurança da ONU ou o reordenamento global em 10 grandes blocos de países. Talvez, a configuração dos 10 chifres ocorra num cenário de colapso mundial sem precedentes.
4. O SURGIMENTO DO ANTICRISTO (Daniel 11:21-23)
Não devemos confundir a revelação do anticristo, ocasião na qual esse ser se revelará em toda sua expressão maligna, com o surgimento do anticristo, o qual se dará num período anterior. Não faz sentido um líder surgir num dia e governar o mundo imediatamente no outro. Entendemos que, mesmo antes do período tribulacional de 7 anos, o anticristo surgirá no cenário internacional, como uma "excelente" opção de liderança para a necessidade global de paz e segurança.
Cremos que, em seu surgimento inicial, o anticristo está envolvido em “alianças” (muito provavelmente um pacto envolvendo Israel e Autoridade Palestina ou entre a União Européia e países árabes produtores de petróleo) e em “lisonjas”, mostrando uma grande aptidão de negociação, diplomacia e convencimento. Muito provavelmente o Templo judeu será reconstruído nessa época e o anticristo terá um papel importante nas negociações. A aliança revelada em Daniel 9:27 se encaixa nesse contexto e será o clímax da capacidade negociadora da besta. A máscara só cairá depois, em plena tribulação, como veremos mais adiante. Por isso, é importante estar alerta diante desses acontecimentos prévios.
5. CONTROLE PAULATINO E GRADUAL
Cremos que, antes da instauração oficial e institucional da marca da besta, a qual se dará no começo da grande tribulação de 3 anos e meio (Apocalipse 13:11-18), o controle sobre as pessoas, tanto no aspecto de identificação, como de movimentação financeira e rastreamento, será adotado gradualmente por várias nações ou até mesmo por grupos de nações.
Em muitos países já existem projetos pilotos para uma reestruturação dos métodos de identificação e monitoramento dos cidadãos, utilizando diversas tecnologias, como o microchip, a biometria, etc. Cremos que há um condicionamento paulatino e gradual da população para que, em determinado momento, as pessoas aceitem sem maiores questionamentos métodos de identificação e monitoramento invasivos. Atualmente, muitos já estão abertos á idéia de abrir mão de algumas liberdades individuais e da privacidade, para viver em paz e segurança.
Deixamos claro que essa adoção paulatina de mecanismos e tecnologias de controle sobre a população não é a “marca da besta” em si. A marca ou sinal da besta só será adotado no começo da grande tribulação de 3 anos e meio e virá acompanhado de uma aceitação e adoração espiritual intrínseca, muito provavelmente envolvida em assombrosas aparições e engano espiritual mundial. Mesmo assim, conclamamos a nossos leitores a não usarem nem aceitarem nenhum método de identificação ou controle que permita a localização instantânea daquele que o possui, principalmente se estivermos diante da adoção de algum mecanismo que tenha que ser colocado em nosso corpo (!)... A razão é simples: Mesmo não sendo ainda o momento da marca da besta, a possibilidade de rastreamento de qualquer pessoa que esteja decidida a não adotar a marca da besta nem a adorá-la, ficará dificultada se, desde já, não aceitarmos em nosso corpo qualquer mecanismo de rastreamento. Aqueles que aceitarem esses mecanismos, correm o alto risco de se tornarem, num futuro muito próximo, alvos fáceis do sistema maligno da besta.
6. INVASÃO DE GOG (Ezequiel 38 e 39)
Cremos que, logo no início do período tribulacional de 7 anos, ocorrerá uma invasão contra Israel, promovida pelo “rei do norte”, juntamente a vários países aliados. Há fortes indícios proféticos para sustentar que a invasão de Gog profetizada por Ezequiel é diferente daquela descrita em Apocalipse 20, e se refere à Rússia e aliados. Entendemos que, diante da queda da supremacia americana e dos acordos feitos entre a besta (ainda não revelada como tal) e os países do Oriente Médio (grandes produtores de petróleo), a Rússia decidirá atacar Israel de surpresa. O profeta Ezequiel nos mostra que Gog e seus exércitos serão sobrenaturalmente derrotados.
7. A REVELAÇÃO DO ANTICRISTO (II Tessalonicenses 2:3, Apocalipse 13:5)
O anticristo só será revelado como tal a partir do começo da grande tribulação, a qual durará 3 anos e meio e, afinal da qual, Jesus voltará para encontrar-se com a Sua Igreja, derrotar a besta e seu sistema e instaurar o Milênio.
A partir do momento de sua revelação plena, o anticristo perseguirá frontalmente a Igreja, exigirá ser adorado, instituirá a marca da besta, tudo isso com o apoio e a colaboração nefasta do falso profeta. Cremos que o evento que dará início à grande tribulação será a abominação desoladora, profetizada por Daniel e ratificada por Jesus (Daniel 11:31, Mateus 24:15).
Maranata
DISPENSACIONALISMO PROGRESSIVO
Neste tópico, buscamos oferecer aos nossos leitores algumas informações para que haja uma real compreensão dos postulados do dispensacionalismo progressivo, que é o método interpretativo adotado como base pelo Projeto Ômega para entender o plano de Deus e a correta aplicação das profecias bíblicas nesse plano. Faremos algumas abordagens de métodos diferentes ao dispensacionalismo progressivo, como o dispensacionalismo tradicional e o não-dispensacionalismo, também conhecido como “Teologia da Substituição”.
O presente artigo foi elaborado tomando como base o trabalho de vários defensores do dispensacionalismo progressivo e, em alguns pontos específicos, tem a posição particular do Projeto Ômega. Podemos dizer que não somos dispensacionalistas (considerando como “dispensacionalismo” a forma tradicional surgida no século XIX) e tampouco somos não-dispensacionalistas. Cremos que o dispensacionalismo progressivo oferece uma forma mais equilibrada de entendimento das profecias.
Queremos deixar registrado que usamos o método dispensacionalista progressivo apenas como uma base para uma compreensão geral do plano de Deus para a humanidade, o qual não pode ser conhecido em sua totalidade e profundidade, pelo menos nesta dispensação (Romanos 11:33-36). O Projeto Ômega não possui uma concordância total com todas as premissas do dispensacionalismo progressivo, mas cremos que esse é o método que mais se adapta ao entendimento global das profecias.
O dispensacionalismo progressivo tem como base uma interpretação histórico-gramatical da Bíblia, a qual leva a uma interpretação literal das Escrituras (até o ponto em que tal literalismo não se contraponha à própria essência delas) e considera a interpretação dada às profecias do Antigo Testamento pelos escritores do Novo Testamento como uma base apropriada de compreensão geral.
Ao defender a existência de várias dispensações interativas dentro do plano de Deus para a humanidade, que espera uma futura tribulação, após a qual Jesus virá para instaurar seu Reino milenal, que considera a nação israelense como alvo de promessas específicas a respeito dela como semente de Abraão e que defende uma compreensão literal das promessas vetero-testamentárias referentes ao Reino do Messias, o dispensacionalismo progressivo se opõe firmemente à “Teologia da Substituição”, a qual defende o princípio de substituição entre Israel e Igreja e nega qualquer existência de dispensações ou de uma extensão do plano do Senhor à nação israelense após a sua volta. O dispensacionalismo progressivo não comunga com a idéia de que Israel foi substituído pela Igreja e que as profecias vetero-testamentárias que se referem a Israel estão se concretizando ou se concretizarão única e exclusivamente na Igreja, tirando a nação israelense de todo contexto terrestre após a vinda de Jesus... Ao mesmo tempo, não comunga com muitas premissas do dispensacionalismo tradicional, como veremos mais adiante.
O dispensacionalismo progressivo defende a progressão de algumas dispensações dentro de um único plano divino para redimir sua criação, sustentando que a forma de salvação é a mesma para todas as eras: a salvação pela graça de Deus através da fé em Jesus. Essas dispensações inter-relacionadas e consecutivas vêm acompanhadas de revelações progressivas a respeito da graça divina e seu plano de salvação, processo que terá seu cumprimento final na vinda de Jesus.
Os efeitos redentores do sacrifício de Cristo são retroativos e alcançam os santos do Antigo Testamento, que morreram crendo nas promessas (Hebreus 9:15, Hebreus 11:40). A Palavra é clara ao revelar que é vontade de Deus “tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” (Efésios 1:10). O texto não pode ser dissociado da união entre os santos da Antiga e da Nova Aliança em Cristo Jesus, os quais estão unidos pela fé nas promessas divinas.
DIFERENÇAS ENTRE OS DISPENSACIONALISMOS TRADICIONAL E PROGRESSIVO
1. DISPENSACIONALISMO TRADICIONAL
O dispensacionalismo tradicional sustenta que a Igreja é uma interrupção dentro do plano do Senhor para Israel. A esse período, compreendido entre o ministério de Jesus e o arrebatamento, o dispensacionalismo dá o nome de "dispensação da graça" ou "era da Igreja". Para esse modelo, as promessas contidas em Jeremias 31:31-34, as quais referem-se a um novo pacto com Israel, ficam restritas ao momento imediatamente posterior à vinda de Jesus, quando Ele exercerá Seu reino terrestre no Milênio e se referem exclusivamente à nação israelense.
No modelo dispensacionalista tradicional, os que crêem em Jesus nesta dispensação passam a pertencer ao um Corpo totalmente aparte de Israel no aspecto profético, separando os crentes dessa dispensação dos crentes de outras dispensações, tanto no propósito quanto no destino dos mesmos. Esse conceito de separação fica nítido quando é usado o termo “noiva de Cristo” apenas para aqueles que crêem em Jesus na “era da Igreja”, deixando os outros santos, a exemplo daqueles do Antigo Testamento e daqueles da Tribulação (para os pre-tribulacionistas), “fora da noiva”.
2. DISPENSACIONALISMO PROGRESSIVO
O dispensacionalismo progressivo defende que a “era da Igreja” é o cumprimento total de certas promessas do Velho Testamento e se refere ao novo pacto profetizado em Jeremias 31:31-34, o qual se aplica também à salvação dos gentios. No modelo dispensacionalista progressivo, a Igreja não é uma interrupção dentro do tratamento do Senhor com a nação israelense e sim uma parte integral desse plano, propiciando que os gentios que crêem possam participar das bençãos concernentes ao novo pacto.
É ponto comum entre os dispensacionalistas progressivos afirmar que o novo pacto foi inaugurado pelo próprio Jesus, através de seu sangue (Lucas 22:20, Hebreus 8:6, Hebreus 9:15). Ou seja, através de Seu sacrifício redentor, completo e suficiente na cruz, o Senhor propiciou a validação do novo pacto para todos aqueles que crêem, sejam gentios ou judeus, decretando o início literal da aplicabilidade da Nova Aliança descrita em Jeremias 31:31-34. O escritor aos hebreus deixa isso relatado de uma forma claríssima, relacionando o cumprimento do Novo Pacto a todos aqueles que são salvos através do sacrifício de Jesus:
“Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados. E também o Espírito Santo no-lo testifica, porque depois de haver dito: Esta é a aliança que farei com eles. Depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seus entendimentos; acrescenta: E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades.” (Hebreus 10:14-17, compare com Jeremias 31:31-34)
Quando olhamos para os evangelhos, descobrimos que as boas novas foram, num momento inicial, oferecidas à nação israelense. A graça divina foi oferecida à nação israelense como ponto de partida. Isso fica patente nas primeiras ordens ministeriais de Jesus. Quando Ele comissionou pela primeira vez seus discípulos para um trabalho missionário, Ele determinou que tal mensagem não fosse pregada aos gentios (Mateus 10:5-6). Anos depois, Paulo confirma esse fato ao revelar que o evangelho é poder de Deus para salvação de todo aquele que crê “primeiro do judeu, depois do grego” (Romanos 1:16, Romanos 2:9-10).
Cremos que a grande diferença entre o dispensacionalismo progressivo e o tradicional é que, ao contrário do tradicional, o dispensacionalismo progressivo vê a Igreja como um cumprimento pleno das profecias do Velho Testamento (sem negar as futuras concretizações literais referentes ao Reino Milenal de Jesus sobre as nações, assentando-se sobre o Trono de Israel em Jerusalém) e vê os santos de todas as épocas como pertencentes a um mesmo Corpo: O Israel de Deus. Enquanto o dispensacionalismo tradicional vê a Igreja como um “parêntese” temporário no plano de Deus com Israel, o dispensacionalismo progressivo vê a Igreja como uma progressão do plano do Senhor para a redenção da humanidade, com a salvação sendo oferecida pela graça a todo aquele que crê e obedece ao evangelho.
ISRAEL E O NOVO PACTO
Como destacamos anteriormente, cremos que Jesus inaugurou o novo pacto nos dias de seu ministério terrestre. Não cremos que o Senhor “reteve” o novo pacto diante da rejeição da nação israelense e abriu um gigantesco “parêntese” em seu relacionamento com a nação judia, como afirmam muitos dispensacionalistas tradicionais, nem rejeitou definitivamente Israel, como sustentam os não-dispensacionalistas, mas escolheu um remanescente israelense (os discípulos que creram em sua mensagem), para estabelecer Seu novo pacto. Note as palavras do Mestre, momentos antes da crucificação:
“Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós.” (Lucas 22:20)
Já na carta aos romanos, fica descartada qualquer rejeição definitiva à nação israelense, ao mesmo tempo em que se afirma a participação ativa de Israel na presente dispensação através de um remanescente:
“Digo, pois: Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum; porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu...Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça.” (Romanos 11:1-2,5)
A questão central levantada por Paulo é que o programa de Deus com Israel, como nação, não foi suspenso temporariamente, como afirma o dispensacionalismo tradicional. Também, Paulo não afirma que Israel foi definitivamente substituído pela Igreja, como a firma a Teologia da Substituição. Vejamos:
“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado.” (Romanos 11:25)
Conseqüentemente, parte de Israel não foi endurecida e essa parte é formada pelos discípulos que se tornaram os primeiros cristãos e com os quais Jesus fez o pacto que abrange todas as épocas (Romanos 11:16-29).
A Palavra deixa claro que os gentios foram agraciados com as promessas que pertencem aos crentes judeus. Paulo escreve que os gentios são “participantes dos bens espirituais dos judeus” (Romanos 15:27). Paulo de forma alguma sugere ou afirma que os gentios “assumiram” os bens espirituais que pertenciam aos judeus, substituindo-os de forma momentânea (dispensacionalismo tradicional) ou de forma permanente (teologia da substituição). Escrevendo para uma igreja essencialmente gentílica em Éfeso, o apóstolo ensina, ao falar sobre o ministério do Senhor:
“E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto; Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito.” (Efésios 2:16-17)
Note que o “vós que estáveis longe” usado por Paulo refere-se aos gentios, enquanto que “os que estavam perto” se refere à comunidade judaica, como fica patente ao ler o contexto (Efésios 2:11-17). Paulo mostra que ambas as comunidades têm acesso ao Pai em um mesmo Espírito, mostrando como o plano do Senhor se concretiza. Em primeiro lugar, o endurecimento de parte de Israel propicia a extensão da salvação e das promessas aos gentios.
Em segundo lugar, a glorificação da Igreja está associada à conversão da nação israelense (Romanos 11:15), concordando com os acontecimentos que ocorrerão “quando a plenitude dos gentios haja entrado” (Romanos 11:25). Fica bastante claro também na abordagem de Paulo que o critério para ser salvo e usufruir as promessas divinas, tanto para judeus e gentios, não é o fato de pertencer a um grupo étnico ou não, mas ser alvo da graça através da fé e a perseverança pessoal (Romanos 11:17-22).
O TRONO DE DAVI E O MILÊNIO
A forma de entender as promessas feitas a Davi, referentes à permanência de seu trono eternamente através de sua descendência (Jesus) e a forma de entender a promessa referente ao Milênio é crucial para estabelecer a diferença entre os diversos modelos que lidam com o cenário profético.
Enquanto os adeptos da Teologia da Substituição tendem a alegorizar as profecias vetero-testamentárias referentes à supremacia de Israel sobre as outras nações da Terra (Isaias 2:1-4, Miquéias 4:1-4, Jeremias 36:33-36, Zacarias 14:1-21) e a profecia referente ao Milênio (Apocalipse 20:1-6), colocando essas promessas como uma alegoria do reinado da Igreja na presente era e adotando o amilenismo como base interpretativa, os dispensacionalismos tradicional e progressivo utilizam a literalidade para entender tais profecias. Tanto para o dispensacionalismo tradicional quanto para o progressivo, o Milênio será um período literal de mil anos, o qual começará na volta de Jesus e se prolongará até a criação dos novos céus e nova Terra, no qual Jesus reinará em Jerusalém exercendo soberania sobre as nações logo após a Sua volta, assentando-se literalmente no trono de Davi.
As promessas referentes ao Trono de Davi estão expostas no livro dos salmos:
“Fiz uma aliança com o meu escolhido, e jurei ao meu servo Davi, dizendo: A tua semente estabelecerei para sempre, e edificarei o teu trono de geração em geração.” (Salmos 89:3-4)
“Uma vez jurei pela minha santidade que não mentirei a Davi. A sua semente durará para sempre, e o seu trono, como o sol diante de mim. Será estabelecido para sempre como a lua e como uma testemunha fiel no céu.” (Salmos 89:35-37)
“O Senhor jurou com verdade a Davi, e não se apartará dela: Do fruto do teu ventre porei sobre o teu trono.” (Salmos 132:11)
Para alguns dispensacionalistas progressistas, as promessas feitas a Davi estão tendo seu cumprimento parcial já na presente época, com Jesus assentado em seu trono à direita do Pai, sem negar a futura presença de Jesus em seu trono terrestre. Já para outros (entre os quais nos incluímos), as promessas feitas a Davi se concretizarão a partir do momento da vinda de Cristo.
É interessante notar que, alguns dias antes da crucificação de Cristo, quando Ele entrava em Jerusalém, as multidões clamavam: “Hosana ao Filho de Davi; bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas!” (Mateus 21:9). Sem dúvidas, aquela multidão esperava que Jesus, como descendente de Davi e como um homem admirado por suas obras, assumisse já naquele momento a posição de líder da nação israelense, libertando o povo judeu do domínio romano. No entanto, Jesus, dias após, deixou claro que a concretização dessa profecia se daria em sua volta gloriosa. Ao dirigir-se às principais autoridades religiosas judaicas da época, Ele disse: “Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor.” (Mateus 23:39).
Implicitamente, Jesus deixou estabelecidos dois fatos: que Ele reinaria literalmente em Jerusalém a partir do momento de sua volta e que haveria uma futura conversão em massa da nação israelense (Zacarias 12:10, Romanos 11:26). Até mesmo no momento de sua ascensão, essa era a expectativa de seus discípulos. Eles indagaram ao Mestre se era naquele tempo que Ele restauraria o reino de Israel (Atos 1:7). Note que os discípulos não tinham qualquer noção “alegórica” do reino do Messias, mas esperavam sua concretização literal. O Senhor, em vez de repreendê-los por sua esperança literal e terrena, revela que o tempo para que aquela promessa fosse concretizada pertencia aos desígnios do Pai (Atos 1:8).
Uma outra passagem que aponta claramente para a concretização futura da promessa feita a Davi, se encontra em Apocalipse 3:21:
“Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.”
Note a diferença entre o trono do Pai, no qual Jesus se encontra após sua vitória na cruz, e o trono de Jesus, o qual será literalmente estabelecido na Terra em sua volta, como fica claro ao comparar o tempo em que a promessa está contida: os salvos se assentarão com Jesus após vencerem, assim como Jesus se assentou no trono do Pai após a sua vitória pessoal. Se considerarmos que Jesus obteve sua vitória na ressurreição, fica subentendido, por comparação, que nossa vitória definitiva será alcançada na glorificação. Tudo isso nos remete à concepção de que o Trono de Davi sobre a Terra será estabelecido por Jesus logo após a sua vinda e nós participaremos ativamente desse Reino.
PROBLEMAS DO DISPENSACIONALISMO TRADICIONAL
1. Aplicação das profecias do Antigo Testamento à Igreja, por parte dos escritores do Novo Testamento.
A partir do momento em que os escritores neo-testamentários aplicam muitas profecias do Velho Testamento à Igreja, cria-se um confronto com o dispensacionalismo tradicional, o qual defende a idéia de que a Igreja é uma “intercalação” temporária dentro do plano de Deus para Israel, sendo uma comunidade totalmente aparte de Israel. Se o Antigo Testamento traz um conjunto de profecias dirigidas à nação israelense, como é defendido tanto pelo dispensacionalismo tradicional quanto pelo progressivo, então o dispensacionalismo tradicional, ao defender a total separação profética entre “Igreja” e “Israel”, fica diante de um grande impasse quando é considerada a aplicação que os escritores do Novo Testamento fazem das profecias vetero-testamentárias à Igreja.
O dispensacionalismo progressivo, por sua vez, não encontra nenhum problema nesse contexto. O maior exemplo dessa aplicação se encontra em Atos 2:15-21, onde Pedro associa à Igreja a profecia de Joel 2:28-32. Outras claras aplicações de profecias vetero-testamentárias à Igreja encontram-se em Romanos 1:1-2, Atos 10:43, Atos 15:14-18, Romanos 4:13-17,23,24, Romanos 9:32-33, II Coríntios 6:16, entre outros.
2. O Novo Pacto, prometido a Israel, não está atualmente “suspenso”.
Ao afirmar que a promessa do Novo Pacto, contida em Jeremias 31:31-34, se refere exclusivamente à nação israelense e se concretizará na volta de Jesus, o dispensacionalismo tradicional parece esquecer de passagens como I Coríntios 11:25-26, onde, o apóstolo Paulo, ao instruir os irmãos em Corinto a respeito da celebração da ceia do Senhor, cita as Palavras de Jesus na última ceia do Mestre: “Este cálice é o novo pacto no meu sangue”...Se há um “novo” pacto, é lógico afirmar que houve um “velho” pacto. O próprio Paulo se identifica como “ministro de um novo pacto” (II Coríntios 3:6). O novo pacto foi estabelecido pelo próprio Senhor e já vigora desde a sua morte (Lucas 22:20), sendo usufruído pela Igreja (Hebreus 8:6-13), opondo-se à premissa do dispensacionalismo tradicional que defende a concretização do novo pacto exclusivamente com a nação israelense após a volta de Jesus.
É óbvio que nem todas as conseqüências proféticas do novo pacto estabelecido por Jesus já se cumpriram. Certamente algumas delas se cumprirão após a volta do Mestre e serão destinadas especificamente à nação israelense, quando o endurecimento parcial dos judeus for retirado. Porém, isso não justifica sustentar que o novo pacto está atualmente “suspenso”. A Palavra afirma o contrário.
3. Deus continua agindo profeticamente com a nação israelense.
Esse é, talvez, o principal empecilho ao dispensacionalismo tradicional. Como afirmar que Deus cessou de atuar momentaneamente no aspecto profético com Israel, se vemos na história o contrário? Por exemplo, a destruição de Jerusalém, ocorrida em 70 D.C (de acordo com o dispensacionalismo tradicional, em plena “dispensação da graça”), é um cabal cumprimento profético de Daniel 9:26 e se referiu diretamente à nação israelense! A reunião de Israel como um país, a partir de 1948, é um cabal cumprimento de Ezequiel 47. Até mesmo a salvação destinada aos gentios, veio para incitar o povo judeu à emulação (Romanos 11:11).
De acordo com os precedentes históricos, não há como afirmar que o Senhor deixou, provisoriamente, de agir profeticamente com Israel durante a “era da Igreja”.
4. Não há várias formas de salvação.
Muitos dispensacionalistas tradicionais tendem a sustentar diferentes planos de salvação para a Igreja e para Israel. Os pre-tribulacionistas, por exemplo, defendem algum tipo de “boas obras” ou “força de vontade” por parte dos "deixados para trás" na tribulação para enfrentar esse período, manter a fé e ser salvo. Para o dispensacionalismo progressivo, existe apenas uma forma de salvação eterna: através da graça de Deus, mediante o sacrifício de Cristo. Todos os santos, não importa se viveram antes ou após esse sacrifício, são salvos através do sangue de Jesus. O sacrifício de Jesus abrange uma redenção atemporal, como fica claro em Hebreus 9:15.
Paulo deixa uma forte mensagem que leva a um entendimento progressivo do plano do Senhor. Em seu diálogo com Agripa, ele diz:
“E agora estou aqui para ser julgado por causa da esperança da promessa feita por Deus a nossos pais, a qual as nossas doze tribos, servindo a Deus fervorosamente noite e dia, esperam alcançar; é por causa dessa esperança, ó rei, que eu sou acusado pelos judeus” (Atos 26:6-7)
“Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial, antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco, e depois em Jerusalém, e por toda Judéia e também aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas do arrependimento. Por causa disto os judeus me prenderam no templo e procuravam matar-me. Tendo, pois, alcançado socorro da parte de Deus, ainda até o dia de hoje permaneço, dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada senão o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer; isto é, como o Cristo devia padecer, e como seria ele o primeiro que, pela ressurreição dos mortos, devia anunciar a luz a este povo e também aos gentios” (Atos 26:19-23)
Ou seja, o apóstolo deixa claro que seu trabalho evangelístico, inclusive entre os gentios, parte de uma promessa original dada a Israel e é o cumprimento cabal da esperança de Israel. Não há razões para separar terminantemente Israel da Igreja, como o faz o dispensacionalismo tradicional, nem para substituir terminantemente Israel pela Igreja, como o faz o não-dispensacionalismo tradicional. De acordo com as palavras de Paulo, o evangelho pregado aos gentios é uma conseqüência progressiva das promessas destinadas aos judeus, reunindo ambos em um só corpo, porém, mantendo abertas as concretizações específicas futuras para a nação israelense (Zacarias 12:10, Romanos 11:15, Romanos 11:25).
Neste ponto, deixamos expressa nossa concepção a respeito do estado dos judeus que crerem em Jesus no momento de sua vinda. O profeta Zacarias nos relata o impacto que a volta do Senhor terá sobre os judeus:
“Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito. Naquele dia será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom no vale de Megido. E a terra pranteará, cada família à parte: a família da casa de Davi à parte, e suas mulheres à parte; e a família da casa de Natã à parte, e suas mulheres à parte; A família da casa de Levi à parte, e suas mulheres à parte; a família de Simei à parte, e suas mulheres à parte. Todas as mais famílias remanescentes, cada família à parte, e suas mulheres à parte.” (Zacarias 12:10-14)
Notamos que na profecia citada não há uma promessa de glorificação, mas sim de uma conversão de pessoas diante da presença física de Jesus em sua vinda, as quais serão alvos do Espírito de graça e de súplicas, numa alusão bastante clara à atuação do Espírito Santo. A promessa é específica para “a casa de Davi”, ou seja, para a nação israelense. A maior parte dos dispensacionalistas progressivos sustenta a glorificação de todos eles. O Projeto Ômega, porém, adota uma linha diferente nesse quesito. Com o objetivo de manter nossa coerência com a compreensão literal das profecias, cremos que a promessa feita por Deus a Abraão se concretizará também de forma literal. Vejamos:
“E eis que veio a palavra do SENHOR a ele dizendo: Este não será o teu herdeiro; mas aquele que de tuas entranhas sair, este será o teu herdeiro. Então o levou fora, e disse: Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência.” (Gênesis 15:5)
Cremos que há um propósito eterno do Senhor com a raça humana e que esse propósito será concretizado com a permanência física dos judeus que crerem em Jesus em Sua gloriosa volta. A literalidade da promessa feita a Abraão, ao qual foi prometido que sua descendência seria tão vasta como o número de estrelas ou como a areia da praia (Gênesis 22:17), deve ser considerada. Na profecia de Zacarias 12:10-14, vemos a presença de “famílias remanescentes” e de “mulheres”. Tudo isso aponta para uma perpetuação física da descendência de Abraão e de uma multiplicação constante.
Consequentemente, o plano de salvação para os judeus é o mesmo e a forma é a mesma (o sacrifício redentor de Jesus), diferindo apenas em suas conseqüências. Usando a literalidade, sustentamos que, para os judeus que creram na presente dispensação, há uma promessa específica de glorificação corpórea. Para aqueles judeus que crerem no momento da volta de Jesus, existe a promessa física de multiplicação da descendência de Abraão.
PRINCIPAIS PREMISSAS DO DISPENSACIONALISMO PROGRESSIVO
1. O Novo Pacto, prometido a Israel, está atualmente em vigor e se aplica também à Igreja (Jeremias 31:31-34, Hebreus 8:6-13, 9:14-15 e 10:9-17)
2. A partir do momento que os líderes judeus rejeitaram em peso a mensagem de Jesus, as posições de autoridade no Reino Milenal de Cristo foram dadas aos Seus discípulos judeus (Mateus 21:33-44, Lucas 12:31-32, Lucas 22:28-30)
3. O Reino também é prometido aos salvos entre os gentios, os quais reinarão juntamente com os salvos entre o remanescente israelita. Nesse contexto, tanto os santos do Antigo quanto os do Novo Testamento fazem parte de um único Corpo (Mateus 8:11-12, Mateus 19:27-29, Lucas 13:26-29, João 10:16, Hebreus 11:39-40)
4. Os gentios que crêem são herdeiros, através da fé, de Abraão (Romanos 2:28-29, Romanos 4:13-16, Romanos 9:6-8, Hebreus 6:12-20)
5. Israel, como nação, não foi rejeitada pelo Senhor nem “substituída” pela Igreja. Parte dos judeus (um remanescente) crê no evangelho e serviu como a base inicial para pregação das boas novas, pertencendo ao Corpo de Cristo. Outra parte permaneceu endurecida até o momento da volta de Jesus. Desses dois grupos (os endurecidos e os não endurecidos), apenas os que crerem em Jesus e perseverarem serão salvos. Nesse contexto, é a posição do Projeto Ômega acreditar aqueles israelitas que crerem logo após a vinda de Jesus (quando Ele pousar seus pés no Monte das Oliveiras), não serão glorificados, mas permanecerão em seus corpos físicos, perpetuando a espécie humana e concretizando literalmente a promessa feita a Abraão em Gênesis 15:5 (Romanos 11:1-7, Romanos 11-26)
6. Jesus veio primeiramente aos judeus. Os gentios foram agregados ao remanescente fiel judeu do Antigo e Novo Testamentos, de acordo com o plano do Senhor. Os gentios são participantes das bençãos judias (Salmos 18:49, Deuteronômio 32:43, Isaias 11:1-10, João 10:16, Romanos 1:16, Romanos 15:8-12,26-27)
7. Os santos do Antigo e do Velho Testamento estão em Cristo, através de seu sacrifício abrangente a todas as épocas (Efésios 1:4-14, Efésios 3:14-15, Efésios 4:4-10)
Maranata!
DISPENSACIONALISMO
Mesmo uma leitura superficial da literatura pré-tribulacionista, é suficiente para deixar claro que a crença no arrebatamento secreto e anterior à tribulação repousa muito mais sobre premissas subjetivas do que no ensinamento bíblico. O pressuposto principal é o de que Deus tem um plano diferente para a Igreja em relação a Israel. Conseqüentemente, presume-se que a Igreja deve ser removida da Terra antes que Deus atue de forma específica sobre os judeus, levando-os à conversão em larga escala em plena grande tribulação. Essa idéia baseia-se no DISPENSACIONALISMO TRADICIONAL, modelo que explica a relacão de Deus com a humanidade através de dispensações sucessivas e independentes.
Apesar de reconhecermos a atuação diferenciada de Deus de acordo com o seu plano eterno e a postura da humanidade a respeito dele e crermos numa revelação progressiva do plano de redenção, não podemos de forma alguma “dividir” essa atuação divina em partes separadas pela lógica humana. Que autoridade teria um ser humano para segmentar e limitar a atuação divina através dos séculos?
Historicamente, a interpretação dispensacionalista surgiu em meados do século XIX, através de estudos e palestras do pastor John Darby. O pré-tribulacionismo é uma conseqüência natural do modelo interpretativo dispensacionalista, dividindo a volta de Jesus em duas etapas, com o objetivo de cumprir de forma diferenciada suas promessas à Igreja e à nação israelense.
Um exemplo da postura errônea sustentada pelo dispensacionalismo, é o dos cálculos feitos anos atrás pelo escritor pré-tribulacionista Hal Lindsey. Em 1970, ele sustentou que “em quarenta anos desde 1948 (ano do reconhecimento oficial do Estado de Israel), ou por volta disso, os eventos tribulacionais teriam lugar”. Lindsey efetuou o cálculo dos “quarenta anos” da duração bíblica de uma geração e alegou, com base na parábola da figueira (Mateus 24:32-33), que a formação do Estado de Israel em 1948 assinala o início da “última geração” (Mateus 24:34), que verá primeiramente o arrebatamento, os sete anos de tribulação, e finalmente o retorno de Cristo em glória. Sendo que o arrebatamento, de acordo com Lindsey e a maioria dos dispensacionalistas, ocorre sete anos antes do retorno visível de Jesus em glória, esse arrebatamento já deveria ter ocorrido em 1981 ou 1982...
O dispensacionalismo erra também ao separar radicalmente a Igreja do povo de Israel. O Novo Testamento considera a Igreja, não como uma “intercalação” temporária no plano de Deus, mas como continuação do verdadeiro Israel de Deus.
Ao chamar e ordenar doze discípulos como seus apóstolos, Cristo manifestou sua intenção de reunir o remanescente messiânico das doze tribos de Israel num novo organismo, chamado Igreja (Mateus 16:18-19). A Igreja não é um organismo independente designado a "substituir" Israel temporariamente, como sustenta o dispensacionalismo tradicional, nem designado a ocupar permanentemente o lugar e as bençãos específicas de Israel, como sustenta a Teologia da Substituição, mas é um rebanho que reúne tanto as “ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mateus 10:6, Mateus 15:24 e Atos 1:8), como as ovelhas perdidas entre os gentios. Até mesmo os santos homens e mulheres de Deus do Antigo Testamento pertencem à Igreja, que na sua raiz semântica (eklesia) quer dizer congregação, assembléia ou ajuntamento.
Em Romanos, nos capítulos 9 a 11, Paulo descreve essa integração de gentios na Israel espiritual, utilizando a imagem didática do enxerto de ramos bravos de oliveira (gentios) à única oliveira do Israel de Deus (Romanos 11:17-24). Note que Paulo não explica a salvação dos gentios como o brotar de uma nova oliveira e sim como o enxerto de alguns ramos numa oliveira única e já existente. Por meio dessa comparação, Paulo descreve a unidade e continuidade que existe no plano redentor de Deus para Israel e a Igreja sem, contudo, negar a futura restauração da nação israelense, como é profetizado em Zacarias 12:10-14 e ratificado na esperança dos discípulos expressa na pergunta de Atos 1:6. Paulo escreve que o endurecimento que atinge "em parte" a Israel, cessará num momento determinado (Romanos 11:25), porém coloca a fé pessoal em Jesus e a perseverança como os requisitos para ser salvo (Romanos 11:22-24).
Os dispensacionalistas tradicionais apelam para a passagem de Romanos 11:25-26 como base de argumentação em favor de uma futura conversão da nação de Israel, independente da Igreja. A passagem em questão diz o seguinte:
“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte a Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo Israel será salvo...”
É óbvio que existem promessas de Deus específicas para a nação israelense, inclusive nos tempos tribulacionais. Em nosso estudo A VIDA APÓS A VINDA, esclarecemos nossa crença no projeto específico e eterno do Senhor para a nação israelense e o cumprimento literal das profecias destinadas ao povo hebreu. Não cremos no não-dispensacionalismo tradicional ou "Teologia da Substituição", a qual defende a idéia central de que todas as promessas vetero-testamentárias referentes ao reino de Israel e as promessas feitas à descendência real de Davi (Jesus), se concretizam completamente na Igreja, sem a participação da nação isralense. Esse modelo (não-dispensacionalismo tradicional ou Teologia da Substituição), leva invariavelmente a uma concepção amilenista. O Projeto Ômega assume o modelo dispensacionalista progressivo como o mais plausível para entender a relação profética entre o Senhor e a humanidade.
Devemos levar em consideração três pontos importantes para entender bem a passagem de Romanos 11:25-26:
1. Em primeiro lugar, a frase “todo Israel será salvo” dificilmente se refere apenas à última geração de judeus, uma vez que esta seria apenas uma pequena fração de todos os judeus que já viveram através dos séculos.
2. Em segundo lugar, o texto não está discutindo a sucessão temporal dos eventos e sim a maneira pela qual Israel será salvo. O texto não diz “e então (após a plenitude dos gentios) todo Israel será salvo”. O texto declara: “E assim (deste modo, desta maneira, pelo fato de os israelitas serem movidos por ciúmes pela salvação dos gentios) todo Israel será salvo”.
3. Em terceiro lugar, os judeus foram, estão sendo e serão salvos por serem reenxertados na mesma oliveira em que os gentios salvos também estão (Cristo). Assim, a salvação dos judeus não ocorre independentemente da dos gentios, mas relacionada à mesma. Essas observações claramente indicam que Paulo não apresenta uma ordem de dispensações sucessivas e independentes, mas uma promessa de inter-relação dinâmica e progressiva entre a salvação de Israel e da Igreja.
Existe uma grande diferença entre o dispensacionalismo como é conhecido por todos (fixar a atuação divina através de sete dispensações históricas e independentes), e a progressão do plano de Deus através dos séculos. Podemos observar na revelação divina à humanidade uma série de dispensações progressivas e interdependentes, as quais vão sendo reveladas ao homem através de "sombras" e "mistérios" prévios.
O homem não tem autoridade nenhuma para “secionar” a atuação divina através dos tempos. Porém, nós observamos na própria história bíblica, etapas nas quais Deus atuou de forma específica com determinados segmentos, sempre visando o clímax da revelação, que é Jesus. Ao contrário do dispensacionalismo, nós vemos na Bíblia uma interrelação profunda e contínua na atuação de Deus através da história, que não pode ser dividida em partes absolutamente separadas e desconexas. Escatológicamente falando, não podemos determinar, por exemplo, que a “Dispensação da Graça” ou a "Era da Igreja" é o espaço entre a 69ª e a 70ª semana de Daniel, porque Deus continuou e continua tratando com a nação israelense nesse “espaço” (por exemplo, destruição de Jerusalém no ano 70 DC, que ocorreu 37 anos após o término da 69ª semana).
O que vemos é uma progressão do plano divino que, a partir do trato com Israel, extendeu a graça aos gentios, começando pelos judeus. Hoje nós somos o Israel de Deus. Não existem “duas oliveiras” e sim somente uma e nós fomos enxertados naquela que já existia. É claro que existem promessas específicas para Israel, com também para Babilônia (atualmente o Iraque), para Edom (palestinos), e muitos outros povos, as quais se concretizarão, pois a Palavra de Deus não volta atrás.
Note que Paulo fala em sua primeira carta aos Coríntios que “carne nem sangue herdarão o reino de Deus”. Existe uma grande diferença entre herdar e viver. Nós, como pré-milenistas, acreditamos num reino visível, terreno e concreto de Jesus após a sua volta. Com corpos ressuscitados e glorificados, herdaremos esse reino, como co-herdeiros com o Senhor Jesus. Porém, como fica bastante claro nas profecias, a vida continuará existindo na Terra. Nesse contexto, se encaixam as profecias específicas para Israel, como nação, e o reino milenar de Cristo, com sede em Jerusalém governando sobre muitos povos (Zacarias 14:16-21), os quais estarão submissos ao Rei Jesus e à sua Igreja (Apocalipse 2:26-27, Miquéias 4:1-4, Isaías 2:1-4, Mateus 19:28). Como já abordamos, cremos que o método interpretativo mais congruente com a concepção profética exposta na Palavra, a qual deixa clara uma progressão da revelação divina ao homem é o DISPENSACIONALISMO PROGRESSIVO. Fica claro que o dispensacionalismo progressivo difere em muito do dispensacionalismo tradicional e do não-dispensacionalismo tradicional, também conhecido como "Teologia da Substituição".
Para sustentar a suposta atuação separada de Deus com relação a Israel e a Igreja, os idealizadores do método hermenéutico baseado no dispensacionalismo, afirmam que a segunda vinda de Jesus está dividida em duas etapas ou fases:
a) A vinda do Senhor somente para arrebatar a Igreja, de forma oculta ao mundo e anterior à tribulação.
b) A volta visível e gloriosa logo após a grande tribulação, para salvação de Israel e começo do Reino Milenal.
Sinceramente, acreditamos que tal argumentação a respeito do arrebatamento da Igreja é uma distorção da doutrina bíblica. Nenhum texto bíblico permite que se chegue a tal conclusão. Pelo contrário, cremos que a Bíblia apresenta claramente a promessa de duas vindas sem etapas intermediárias. A primeira já cumprida há aproximadamente dois mil anos. E a segunda ainda por se manifestar. Esse princípio fica exposto claramente na comparação feita em Hebreus 9:27-28:
“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação”
Fica visível, até mesmo em função da comparação utilizada nos versículos 27 e 28, que não haverá uma aparição “intermediária” entre a primeira vinda de Cristo, há aproximadamente dois mil anos atrás, e a segunda vinda em glória para os que o esperam para salvação. Tentar criar fases intermediárias ou até mesmo dividir a segunda vinda de Cristo em duas partes, seria, de acordo com a comparação feita nos versículos anteriores, colocar estágios “intermediários” entre a morte e o juízo de uma pessoa...
Acreditamos no bom desejo que existe no coração daquele que espera a vinda de Jesus antes da tribulação. O desejo que todo cristão deve possuir é estar com o Mestre o antes possível e viver a plenitude espiritual com Cristo eternamente. Porém, existe uma questão que deve ser abordada. Ocorrendo o arrebatamento na segunda vinda de Jesus, quando Ele voltar com os seus anjos com poder e grande glória no final da tribulação, estaria a Igreja, em sua maioria pré-tribulacionista, preparada para viver a tribulação que se aproxima? Os membros das igrejas estão sendo preparados para essa possibilidade ou nem sequer pensaram nela pelo fato de considerarem o pré-tribulacionismo como verdade absoluta? Um dos objetivos principais deste site é trazer essa reflexão para o seio do corpo de Cristo.
Em nossa caminhada, temos observado que muitos não estudam os temas escatológicos por absoluta falta de interesse. Outros se interessam, mas por julgar esses temas demasiadamente complexos, logo desistem da sua empreitada. Reconhecemos que é muito mais cômodo aceitar conceitos já formados do que ir às Escrituras e verificar a procedência deles. Jesus deixou claro que o erro se origina no desconhecimento das Escrituras e do poder de Deus (Mateus 22:29).
Observamos que o pré-tribulacionismo baseia as suas afirmações em aspectos dedutivos e indiretos. Existe uma forte tendência por parte do pré-tribulacionismo em privilegiar para a interpretação dos últimos acontecimentos o estudo da eclesiologia em vez de basear-se na escatologia direta. Perguntas como: Por que Deus permitiria que a Igreja atravessasse um momento tão crítico como a grande tribulação? Ou, como o Espírito Santo poderia permanecer em meio a tão grande malignidade global?, são respondidas pela revelação bíblica.
O termo apocalipse significa revelação. Essa revelação foi deixada à Igreja e deve ser lida e estudada com muita atenção, junto com as outras revelações escatológicas. O próprio fato do livro de Apocalipse ter sido dirigido à Igreja, como fica claro no primeiro versículo do livro, já nos mostra vivamente a permanência dessa Igreja na Terra durante os eventos que o livro descreve. Que objetivo haveria em revelar à Igreja os pormenores apocalípticos se a mesma não fosse estar inserida neles?
Maranata!
ESCATOLOGIA PRIMITIVA
Ao estudar a postura que os irmãos primitivos tinham a respeito das questões escatológicas, podemos perceber a diferença existente entre a visão deles e a de muitos grupos cristãos atuais, principalmente no que se refere à noção de arrebatamento, tribulação e reino de Deus.
Lendo os escritos dos primeiros líderes e, até mesmo, as epístolas de Paulo, João e Pedro, vemos que o sermão profético proferido por Jesus no Monte das Oliveiras dias antes de Sua crucificação, servia como base fundamental para a compreensão escatológica dos irmãos primitivos. Nesse contexto, é maravilhosa a sujeição de Paulo às revelações feitas por Jesus em Seu sermão profético no Monte das Oliveiras. Essa constatação levava à concepção de arrebatamento pós-tribulacional, baseada nas palavras de Jesus (Mateus 24:29-31), contrariando a posição de alguns, que sustentam haver uma diferença entre a escatologia de Paulo (para os gentios) e a de Jesus (para os judeus). No decorrer deste tópico, como também ocorreu em outros, mostraremos que não há base bíblica alguma para separar os ensinamentos de Jesus e de Paulo, no que se refere às promessas e acontecimentos dos últimos tempos.
A concepção escatológica da Igreja primitiva, logo após a morte dos apóstolos, era o resultado direto do trabalho e do ensino desses homens escolhidos pelo Senhor, os quais tinham frescas em suas memórias as Palavras inefáveis do Mestre. Nesse contexto, uma grande vantagem que os primeiros cristãos tinham em relação a nós era a tradição oral. Os apóstolos não somente escreveram livros do Novo Testamento (no formato de cartas ou epístolas), sob a inspiração do Espírito Santo, mas, evidentemente, ensinavam e traziam palavras de conhecimento também na forma oral, pregando as boas novas por todos os lugares.
Sem dúvidas, nem todos os ensinamentos dos apóstolos estão contidos nos livros neotestamentários. Um grande exemplo da importância do ensinamento oral está na segunda carta aos tessalonicenses, onde Paulo escreve aos irmãos em Tessalônica a respeito da razão que impedia a completa manifestação do anticristo. Paulo escreveu:
“Não vos lembrais de que estas coisas eu vos dizia quando ainda estava convosco? E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado” (II Tessalonicenses 2:5-6).
Observamos que na carta, Paulo não revela a verdadeira identidade daquilo ou de quem detinha a manifestação do anticristo. Porém, uma coisa fica clara...Os irmãos em Tessalônica ouviram de Paulo a identidade daquilo que detinha a manifestação do anticristo e, conseqüentemente, sabiam do que se tratava, informação à qual não temos acesso direto através da leitura da carta. Em outras palavras, nossos queridos irmãos em Tessalônica possuíam um conhecimento específico que hoje nós não temos! Atualmente, há dezenas de explicações possíveis para entender o que Paulo escreveu sobre “o que” e/ou “quem” detém a manifestação do anticristo. Esse exemplo nos mostra a importância dos preciosos ensinamentos orais aos quais os irmãos primitivos tinham acesso e nos leva a considerar com muita atenção qual era a postura adotada por eles diante das profecias referentes aos últimos tempos.
Algumas dessas instruções apostólicas pessoais são refletidas nos escritos dos primeiros líderes da Igreja, aqueles que tiveram o privilégio de conhecer pessoalmente os apóstolos ou receberam seus ensinamentos orais através de pessoas que estiveram fisicamente com eles. Entre os textos que abordaremos aqui, destacam-se os de Irineu e Hipólito. Ambos abordam temas escatológicos com profundidade e eram pessoas que tinham uma ligação direta com o apóstolo João, quem discipulou pessoalmente vários líderes, entre eles Papias, Ignatius e Policarpo, o lembrado mártir. Policarpo foi bispo (ancião) na cidade de Esmirna, sob a liderança de João, e provavelmente a ele foi dirigida a carta apocalíptica à Igreja naquela cidade (Apocalipse 2:8-11). Por sua vez, Policarpo discipulou Irineu, que se tornou pouco depois bispo em Lyons (Gália). Irineu compilou muitas tradições orais importantes, passadas por João a Policarpo e a outros liderados. Irineu, em seu trabalho Contra Heresias-Livro V, foi o primeiro escritor, pelo menos entre aqueles cujo trabalho têm chegado às nossas mãos, a comentar as profecias a respeito dos últimos tempos com profundidade.
Apesar de não terem valor canônico, tais comentários são fruto do contato direto com os apóstolos e seus discípulos. O trabalho de Hipólito, que foi discípulo de Irineu, também é valiosíssimo para perceber qual era a concepção escatológica daqueles irmãos. Em quantidade, os escritos de Hipólito são mais numerosos que os de Irineu, porém vemos em todos eles uma linha em comum: são escritos feitos obedecendo aos princípios bíblicos, contra as heresias que se levantaram desde o alvorecer da Igreja e todos eles tinham a influencia direta das palavras ouvidas através da convivência com os apóstolos ou pessoas discipuladas por eles. Ou seja, havia a clara intenção nos escritos de Irineu e de Hipólito, dentre outros, de preservar a sã doutrina pregada por Jesus e ensinada pelos apóstolos.
Todos esses escritos apontam para uma concepção escatológica baseada na revelação proferida por Jesus no sermão do Monte das Oliveiras, dias antes da crucificação (Mateus 24 e 25, Marcos 13 e Lucas 21). Nesse sermão do Mestre, fica clara a constatação de uma seqüência de acontecimentos que determina um arrebatamento logo após a grande tribulação e atrelado à volta gloriosa de Jesus para instaurar Seu reino. Essa realidade histórica refuta toda afirmação no sentido de “separar” a revelação escatológica do sermão do Monte das Oliveiras e direcioná-lo somente aos judeus, principalmente no que se refere ao arrebatamento (Mateus 24:29-31). Também, refuta toda tentativa moderna de separar a escatologia de Jesus e a de Paulo, como se estivessem dirigidas a judeus e a gentios, respectivamente.
Através dos escritos de Irineu, Hipólito e Justino Mártir, entre outros, vemos a clara constatação de que não havia no seio da Igreja primitiva essa separação entre “escatologia judaica” e “escatologia eclesiástica”. Isso nunca fora ensinado pelos apóstolos, de forma escrita ou oral. Pelo contrário, a Igreja primitiva aguardava a concretização dos sinais profetizados por Cristo já em seus dias (manifestação do anticristo, grande tribulação, arrebatamento, Dia do Senhor e volta gloriosa de Cristo). Não há menção, tanto na Bíblia quanto nesses escritos dos líderes primitivos, a nenhuma esperança de arrebatamento oculto e anterior à tribulação e sim daquilo que tinha sido ensinado por Jesus: a reunião e arrebatamento dos escolhidos por ocasião do aparecimento visível de seu sinal nos céu, logo após a grande tribulação.
É óbvio que a posição escatológica dos primeiros líderes não era uniforme e igual em todos os detalhes... Havia algumas controvérsias, principalmente no que se referia à literalidade do Milênio. A maior parte dos líderes primitivos entendia o Milênio como um período literal de mil anos, durante os quais Cristo reinaria na Terra juntamente com os Seus santos, após Sua volta gloriosa. Porém, alguns favoreciam uma interpretação alegórica, espiritualizando o Milênio. Esses últimos pertenciam basicamente às comunidades cristãs do norte da África, tais como Clemente de Alexandria, Orígenes e Julius Africanus (todos eles ligados à “escola de Alexandria”). Por sua vez, Tertuliano de Cartago, sustentava que a semana setenta de Daniel já havia sido cumprida. Mesmo assim, ele acreditava numa tribulação futura, num anticristo pessoal e literal e na literalidade do Milênio.
Apesar dessas diferenças, quase todas referentes ao caráter do Milênio e da real interpretação de Daniel 9:27, não havia nenhuma controvérsia relacionada ao momento do arrebatamento e do encontro da Igreja com o Mestre. Todos eles esperavam uma grande tribulação, um anticristo literal que perseguiria a Igreja e uma única e indivisível volta do Mestre. Não há nenhum relato ou documento anterior ao século quarto que aponte para algum líder primitivo que tivesse, pelo menos, alguma leve noção de um hipotético arrebatamento pré-tribulacional.
A seguir, colocaremos trechos das obras de alguns líderes primitivos, os quais tiveram uma ligação direta com os apóstolos. Esses textos não possuem nenhuma autoridade canônica nem são infalíveis, porém se mostram historicamente úteis para que retratemos a real postura da Igreja primitiva diante das profecias dos últimos tempos, especialmente no que se refere ao arrebatamento. Se você notar, todos eles nos mostram uma concepção pós-tribulacionista, literalista e futurista para compreender as profecias bíblicas.
Todos esses escritos selecionados foram elaborados até o ano de 325 d.C., desde os dias imediatamente posteriores à morte dos apóstolos até os dias do concílio de Nicéia, marco a partir do qual algumas heresias deixaram de ser combatidas, como tinham sido nos três primeiros séculos, e começaram a ser absorvidas pela Igreja sediada em Roma.
IMINÊNCIA / EXPECTATIVA
Como já vimos no tópico IMINÊNCIA, uma das principais bases do pré-tribulacionismo é a idéia de que Jesus voltará a qualquer momento e que nenhuma profecia precisa necessariamente se cumprir antes desse fato. Baseados nesse pensamento, muitos têm sustentado que a Igreja primitiva acreditava na iminência da volta de Jesus. Isso não é verdade. Não obstante a Igreja primitiva aguardar a concretização de todos os sinais já em seus dias e, conseqüentemente, a volta do Mestre, fica claro, através dos comentários dos primeiros líderes (sem mencionar a direção bíblica a esse respeito em II Tessalonicenses 2:1-3), que eles aguardavam a concretização de todos os sinais profetizados e que necessariamente deveriam se cumprir antes da volta do Senhor, pois a Palavra Dele não volta atrás. Eles tinham uma ardente expectativa da volta do Senhor, porém não acreditavam que essa volta ocorreria de forma iminente, antes do cumprimento dos sinais profetizados.
A seguir, exporemos um comentário de Irineu, bispo da Igreja em Lyon. Nesse texto, Irineu estava analisando a postura de alguns irmãos, os quais, com base nas revelações contidas no Apocalipse, estavam entusiasticamente tentando decifrar o nome do anticristo e relacioná-lo com pessoas da época, baseados no valor das letras gregas. Naquela época havia alguns manuscritos e cópias do livro de Apocalipse que davam como o número da besta 616 em vez de 666. A expectativa daqueles que faziam esses cálculos, era de que o anticristo aparecesse a qualquer momento e que, através dos cálculos, eles pudessem associar o número a alguém contemporâneo. Porém, eles estavam usando um manuscrito corrompido, com o número da besta errado. No texto, Irineu deixa claro o erro do numero no manuscrito usado por aqueles irmãos e também revela que alguns sinais, incluindo a queda do Império Romano e o surgimento subseqüente dos dez reis (chifres), deveriam ocorrer antes da manifestação do anticristo. Fica evidente que Irineu não esperava que a volta do Mestre fosse “iminente” para ele naquele momento.
TEXTO DE IRINEU (Extraído de Contra as Heresias, Livro V, XXX)
“Também um outro perigo, que não deixa de ter importância, surpreenderá repentinamente aqueles que falsamente presumem que conhecem o nome do anticristo. No caso dessas pessoas assumirem um (um número), e o anticristo vier com outro, eles serão facilmente controlados por ele, já que não é o esperado, a respeito do qual deveria haver cuidado. Essas pessoas, então, deveriam aprender (tal qual realmente é o estado das coisas), a retroceder ou voltar até o número verdadeiro do nome, para que não predigam nomes entre os falsos profetas.
Porém, conhecendo o número exato declarado pela Escritura, que é o de 666, devem esperar, em primeiro lugar, a divisão do reino em dez; logo, no momento seguinte, quando esses reis estejam governando e começando a colocar seus assuntos em ordem e a desenvolverem seus reinos (deixem que eles saibam), para dar a conhecer aquele que virá reclamando o reino para si mesmo e atemorizará aquelas pessoas de quem temos falado, tendo um nome que consiste no número mencionado anteriormente, isso é realmente a abominação da desolação...
Então é mais acertado e menos danoso esperar o cumprimento da profecia do que ficar fazendo adivinhações ou predições acerca dos possíveis nomes que este anticristo possa ter, já que se pode encontrar muitos nomes que possam conter o número mencionado; e a mesma interrogação seguirá sem resolução...Porém, agora ele indica o número do nome, para que quando este homem venha possamos precaver-nos, estando alertas a respeito de quem ele é...
Porém, quando este anticristo tenha devastado todas as coisas neste mundo, ele reinará por 3 anos e 6 meses, e se sentará no templo de Jerusalém; e quando o Senhor vier nas nuvens dos céus, na glória do Pai, enviará este homem e a seus seguidores ao lago de fogo; restaurando os tempos de bem-estar e justiça no reino, que é, o descanso, o sétimo dia sagrado; e restaurando a Abraão a herança prometida, no reino que o Senhor declarou, no qual muitos virão do este e do oeste e se sentarão com Abraão, Isaque e Jacó”.
(Irineu viveu entre 120 e 202 d.C.)
PERSEGUIÇÃO / LIVRAMENTO FÍSICO
Os cristãos primitivos acreditavam unanimemente que o anticristo perseguiria a Igreja. Isso originou nos irmãos primitivos uma clara consciência da perseguição que haveriam de enfrentar. Por essa razão, quando começou a perseguição por parte das autoridades judaicas, logo no início da Igreja, e posteriormente, quando essa perseguição foi incrementada pela atuação direta e oficial do Império Romano a partir de 64 d.C., nós podemos observar que tudo aquilo não pegou a Igreja de surpresa, pois já existia a clara consciência de que os santos seriam perseguidos.
Os irmãos ainda tinham claramente na memória os sofrimentos do Senhor, a aversão causada pelos Seus ensinamentos no seio dos líderes religiosos e políticos da época. O Mestre já os havia prevenido com antecedência:
“Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu Senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa” (João 15:20)
Já o apóstolo Pedro insta aos irmãos como deveriam receber a perseguição:
“Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis” (I Pedro 4:13)
Quando a perseguição do Império Romano começou oficialmente, em 64 d.C., muitos associaram, cronologicamente de forma errônea, o anticristo ao imperador romano de plantão, entre eles Nero e Domiciano. Apesar do erro cronológico, fica clara a concepção dos irmãos primitivos no que se refere à perseguição desencadeada pelo anticristo e a inserção da Igreja nesse período, mostrando, mais uma vez, a completa inexistência de qualquer modelo que permitisse a exclusão da Igreja do período tribulacional. Isso fica constatado nas afirmações de Justino Mártir.
TEXTO DE JUSTINO MÁRTIR (Extraído de Diálogo com Trypho, CX)
“Dois adventos de Cristo tem sido anunciados: um, no qual Ele veio como sofredor, despido de sua glória, honra, e foi crucificado; mas a outra, na qual Ele virá do céu com glória, quando o homem da apostasia, que fala coisas altivas contra o Altíssimo, se arriscará a fazer leis fora da lei da terra contra nós os cristãos...
Agora é evidente que ninguém pode atemorizar ou subjugar a nós que temos crido em Jesus no mundo. Porque esse plano é que através da perseguição, crucificados, e lançados às feras da terra, às chamas, e fogo, e todas as outras formas de tortura...porém, enquanto mais essas coisas acontecem, mais outros em grande número vêm à fé e glorificam o nome de Deus através do nome de Jesus”
(Justino Mártir viveu entre 110 e 165 d.C.)
FUTURISMO / HISTORICISMO
Apesar de esperarem a concretização de todos os sinais que antecedem a vinda de Jesus já em seus dias, nossos irmãos primitivos sabiam que os sinais precisariam cumprir-se e isso poderia levar algum tempo. Eles esperavam, antes da volta do Mestre, o ministério das duas testemunhas e a profanação do templo pelo anticristo, por exemplo. Lembremos que o templo foi destruído em 70 d.C., sendo necessário, portanto, sua reconstrução anterior à volta do Senhor.
Também, como fica claro nos textos de Irineu, os irmãos primitivos deveriam esperar a queda do Império Romano e o surgimento de dez reinos. Isso coloca a concretização dos sinais proféticos para o futuro, como fica evidente no sustentado por Hipólito.
TEXTO DE HIPÓLITO (Extraído de Tratado de Cristo e do anticristo, 27 e 28)
"Como essas coisas, então, estão no futuro, e como os dez dedos da imagem são equivalentes (e muito) a democracias, e os dez chifres da quarta besta estão distribuídos entre dez reinos, olhemos o tema com mais profundidade, e consideremos estes assuntos à luz clara de uma posição pessoal.
A cabeça de ouro da imagem e o leão caracterizam os babilônios; o peito e braços de prata, e o urso, representa os persas e medos; o ventre e as coxas de bronze, e o leopardo, significa Grécia, que liderou desde os tempos de Alexandre; as pernas de ferro e a besta assombrosa e terrível são uma expressão dos romanos, os quais tem reinado até o presente; os dedos dos pés, que são metade barro e metade ferro, e os dez chifres, são emblemas dos reinos que ainda surgirão; o outro pequeno chifre que surge entre eles significa o anticristo no meio deles; a pedra que esmaga a terra e traz julgamento sobre o mundo foi Cristo”
(Hipólito viveu entre 170 e 236 d.C.)
EVOLUÇÃO TEOLÓGICA?
Diante da clara constatação de que os líderes primitivos não possuíam qualquer idéia pré-tribulacionista, alguns autores têm sustentado que a razão pela qual os cristãos primitivos nem sequer cogitavam a possibilidade de um arrebatamento pré-tribulacional, seria sua “imaturidade teológica”, quando comparados às modernas escolas. De acordo com alguns autores, a Igreja primitiva não conseguiu enxergar o verdadeiro lugar que a Igreja ocuparia no mundo e todas as conseqüências que o cristianismo traria no decorrer dos séculos, ficando "limitada" em sua concepção escatológica.
Essa linha de raciocínio defende implicitamente uma “evolução teológica” através do tempo. Ou seja, implicitamente, tal teoria sustenta que a Igreja se torna mais capaz de entenderas Escrituras e mais sofisticada teologicamente à medida que o tempo transcorre. Mas, será que essa é a postura mais correta? Será que a verdade se torna “mais verdade” à medida que uma geração vai passando seus conhecimentos a outra? Será que apenas o transcorrer do tempo pode trazer discernimento a respeito das Escrituras? Será que os apóstolos não tinham “uma teologia sofisticada” como muitas modernas escolas teológicas? Será que os apóstolos transmitiram ensinamentos e ensinamentos revelações que precisariam ser “polidos” pelas gerações posteriores?
Não podemos esquecer que foram os apóstolos, líderes da Igreja primitiva, quem escreveram, sob inspiração do Espírito Santo, os livros que hoje usamos como base doutrinária e reconhecemos como Palavra de Deus. Conseqüentemente, entendemos que qualquer conceito de “evolução teológica” é completamente antibíblico, pois procura limitar humanamente a atuação inspiradora do Espírito Santo, o que é um grave erro. A compreensão das verdades bíblicas não depende do tempo cronológico e sim da atuação do Espírito Santo na vida do cristão, independente de época.
O livro de Atos nos mostra que os irmãos perseveravam na doutrina dos apóstolos (Atos 2:42). Paulo insta a Timóteo a conservar aquilo que ele tinha lhe ensinado e a transmitir esses mesmos ensinamentos a homens fiéis, que, por sua vez, ensinariam a outros a mesma mensagem e doutrina, numa sucessão constante (II Timóteo 2:1-2). O mesmo Paulo alerta aos líderes da Igreja em Éfeso a conservarem a sã doutrina em função de futuras investidas de “lobos cruéis” (Atos 20:28-29). Por sua vez, Judas nos insta a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos. Não se pode atribuir à Igreja primitiva um conhecimento incompleto da seqüência escatológica. Também não há nenhuma necessidade de “evoluções teológicas”. Basta voltar aos ensinamentos dos apóstolos...
Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, nos revela que “nos últimos tempos”, alguns se levantariam contra a sã doutrina, ensinando coisas aparentemente agradáveis aos ouvidos e lógicas para o raciocínio humano, mas separadas completamente das verdades do evangelho, revelado por Jesus e ensinado pelos apóstolos. É óbvio que, desde os primeiros anos da Igreja, falsas doutrinas já começavam a se manifestar. Porém, quando isso ocorria, a postura contrária da Igreja era imediata.
Afinal, os primeiros líderes tiveram a influência direta dos apóstolos, os quais priorizavam com zelo a preservação da sã doutrina, combatendo frontalmente qualquer ensinamento herético, como fica claro nos escritos de Paulo, Pedro, Judas, Tiago e João. Os escritores da Igreja primitiva desferiram ataques diretos a qualquer “nova doutrina” que estivesse sendo anunciada ou defendida em seus dias. Os cinco livros de Irineu, sob o título Contra as Heresias, trazem um verdadeiro catálogo de falsas doutrinas nos dias do escritor e mostram a maneira ferrenha como essas doutrinas errôneas eram combatidas por ele. Um dos principais argumentos de Irineu para combater esses novos ensinamentos era que os mesmos não estavam ligados aos ensinamentos dos apóstolos.
Esperamos de coração que a postura que a Igreja primitiva tinha a respeito das questões escatológicas, possam levá-lo a uma postura de alinhamento com aquilo que foi ensinado nos primeiros séculos da Igreja. Cremos que todo ensinamento que vai além daquilo que foi ensinado por Jesus e pregado pelos apóstolos deve ser rejeitado como base doutrinária.
Que o Senhor nos conduza sempre em direção à sã doutrina...
Maranata!
IMINÊNCIA
A VOLTA DE CRISTO PODE ACONTECER A QUALQUER MOMENTO?
Temos observado que a “iminência” da volta de Jesus constitui-se num dos principais sustentáculos de afirmação dentro do modelo pré-tribulacionista. De acordo com o dicionário, iminente significa “aquilo que está para vir; que ameaça acontecer brevemente; que está em via de efetivação imediata ou muito próxima”.
A base central do raciocínio pré-tribulacionista é que nenhum evento específico precisa ocorrer antes do arrebatamento, já que aqueles que deveriam ocorrer já tiveram lugar, colocando o arrebatamento como um evento que pode concretizar-se “a qualquer momento” já em nossos dias.
Para que você tenha uma visão mais abrangente do assunto, analisaremos detalhadamente as principais passagens em questão, com o objetivo de mostrar que realmente num determinado momento no futuro a vinda do Senhor será iminente, porém, a iminência atual dessa vinda, tal qual ensinada pelo pré-tribulacionismo, não encontra suficiente respaldo bíblico, como veremos a seguir.
BASES PRÉ-TRIBULACIONISTAS
Em Mateus 24:36,42,43 e 44 diz:
“Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai...Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor. Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis”.
Esta é uma das principais passagens usadas no modelo pré-tribulacionista para afirmar que o arrebatamento poderá ocorrer a qualquer momento. Realmente, tomados fora do contexto, esses versos aparentam ensinar isso. O problema desse raciocínio pré-tribulacionista, no entanto, é que o contexto nos mostra que Jesus estava falando da sua vinda em glória e vista por todo o mundo e não de uma hipotética vinda não mencionada em Seu sermão profético.
De acordo com o próprio Mestre, a única vinda descrita detalhadamente em seu sermão no Monte das Oliveiras, ocorrerá logo após a grande tribulação (Mateus 24:29-31), e será precedida de uma série de sinais previamente detalhados por Cristo. Ele profetizou o arrebatamento dos escolhidos logo após a tribulação (Mateus 24:31). Em seguida, Ele proferiu a parábola da figueira, mostrando aos discípulos como deveriam aguardar todos aqueles sinais profetizados: “Aprendei, pois, esta parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão. Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas”. (Mateus 24:32-33).
No texto acima, Jesus deixa claro que o servo de Deus deve esperar pelo cumprimento de todos os sinais profetizados por Ele, os quais ocorrerão antes da sua volta, quebrando todo argumento a respeito da iminência atual da volta de Jesus. Essa volta e o subsequente arrebatamento dos escolhidos, não ocorrerá “a qualquer momento” e sim após o cumprimento integral da palavra da Jesus a respeito dos sinais dos últimos tempos. Presumir que em Mateus 24:36-44 Jesus ensina a respeito de um arrebatamento que poderá ocorrer “a qualquer momento”, sem a concretização prévia de todos os sinais profetizados pelo próprio Mestre, é presumir que Ele estava falando de uma vinda não revelada no sermão profético e, ao mesmo tempo, é desconsiderar o aviso dado pelo Senhor, de observar todos os sinais, inclusive a abominação desoladora e a grande tribulação (Mateus 24:33).
Consequentemente, quando Jesus prossegue e diz aos seus interlocutores (discípulos) que era impossível saber o dia e a hora da sua volta e que eles deveriam vigiar porque não sabiam a que hora haveria de vir o Senhor, Jesus não poderia estar referindo-se a uma vinda “sem sinais prévios”, pois isso iria contra todo o contexto do capítulo 24 de Mateus, que aponta apenas para uma vinda, e os sinais profetizados anteriormente por Ele.
Existe apenas um momento fixado por Jesus, a partir do qual poderemos afirmar que a vinda do Senhor é iminente: após a concretização dos últimos sinais profetizados no sermão profético do Monte das Oliveiras. O único momento em que Jesus ensina aos seus discípulos a esperarem uma vinda iminente está no versículo 33, quando após o cumprimento de todos os sinais, que serão vistos (vividos) pelos fiéis, então somente a partir desse momento a sua vinda estará “próxima às portas”. Os últimos sinais estão descritos em Mateus 24:29-31:
“E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória”.
A PARÁBOLA DA FIGUEIRA
A maior parte dos pré-tribulacionistas tende a interpretar a expressão “todas as coisas” do versículo 33 não como uma referencia a todos os sinais profetizados por Cristo e sim como uma alusão à figueira mencionada no texto. Para os mesmos, a figueira é a nação israelita e através dessa interpretação, a volta de Jesus só seria iminente após a volta do povo judeu a sua terra, o que ocorreu em 1948. Segundo essa linha de raciocínio, a partir daquele momento a volta de Cristo tornou-se "iminente". Essa argumentação, além de ser tortuosa e estar apoiada em suposições (Jesus em nenhum momento relacionou a figueira à nação israelense e sim à totalidade dos sinais preditos por Ele anteriormente), denota grandes incongruências, tais como:
1. Para que Israel voltasse à sua terra em 1948, foi necessário que a nação fosse dispersada da Terra Santa. Isso ocorreu no ano 70 d.C., durante a invasão dos exércitos romanos. Paulo escreveu todas as suas epístolas antes do ano 70 d.C., (ele foi martirizado no ano 66 d.C. no reinado de Nero), as mesmas epístolas que são citadas pelos pré-tribulacionistas para sustentar sua idéia de iminência. Portanto, Paulo, um profundo conhecedor das profecias de Jesus, não poderia estar ensinando iminência antes da concretização dos eventos profetizados pelo Mestre, entre eles a destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. Então podemos observar que o uso das epístolas paulinas para sustentar a idéia de iminência antes do cumprimento de todos os sinais profetizados, perde completamente toda credibilidade. É claro que a Igreja primitiva e o próprio Paulo aguardavam a volta de Cristo já em seus dias, ou seja, eles esperavam que todos os sinais profetizados por Jesus se concretizassem no primeiro século, para livrá-los da tribulação e perseguição oficial (que eles relacionavam à grande tribulação profetizada por Cristo). Havia uma tendência a relacionar o “filho da perdição” (anticristo) a certos imperadores romanos, entre eles Nero, Domiciano e Deocleciano. Eles esperavam que Jesus viesse para tira-los da tribulação e para derrotar o império romano, instaurando assim o seu reino na Terra.
Isso nos mostra que a Igreja primitiva cumpria aquilo que Jesus tinha ordenado: ver e observar os sinais. A única diferença é que eles esperavam o cumprimento total desses sinais já em sua geração.
Eles sabiam, por exemplo, que Pedro teria que morrer primeiro antes da vinda gloriosa de Jesus, pois o próprio Mestre profetizou como e com que idade ele morreria (João 21:18-19).
2. Outra questão geralmente esquecida é que no versículo 14 do capítulo 24 de Mateus, Jesus declara que o evangelho será pregado em todas as nações antes do Seu retorno. O evangelho não havia sido pregado a todas as nações antes da escrita do último livro do Novo Testamento. Portanto, mais uma vez, toda utilização de versículos neotestamentários para sustentar que Jesus voltará “a qualquer momento” é temerária, em função da realidade dos dias atuais, onde muitos povos ainda não conhecem o evangelho! Acreditamos que o cumprimento desse sinal só será realizado durante a tribulação com a diáspora dos verdadeiros cristãos ao serem perseguidos mundialmente.
Ao utilizar a parábola da figueira, o Mestre insta a seus discípulos a estarem atentos aos sinais profetizados por Ele. Ou seja, da mesma forma que, através da observação da figueira, eles podiam perceber quando o verão estava próximo (iminente), da mesma forma nós saberemos quando a vinda do Mestre estará próxima (iminente): após a concretização de todos os sinais (Mateus 24:33).
COMO UM LADRÃO NA NOITE
Nos versículos 43 e 44 de Mateus 24, Jesus relaciona a Sua volta à de um “ladrão na noite”, termo que é abordado também por Paulo, Pedro e no Apocalipse:
“Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis”.
Essa é uma das passagens mais usadas dentro do modelo pré-tribulacionista para sustentar a iminência atual do arrebatamento. Será que a volta de Jesus poderá nos surpreender, da mesma forma que a chegada abrupta e inesperada de um ladrão nos surpreenderia?
Mais uma vez, fazemos menção do contexto, sem o qual toda interpretação torna-se inexata. Lembremos que Jesus tinha dado aos discípulos uma série de sinais que antecederiam o rapto, que Ele próprio relacionou diretamente à sua volta em glória, vista por todos (Mateus 24:30-31). Jesus também lhes ensinou como deveriam esperar esses sinais e a partir de que momento a sua volta seria realmente iminente (Mateus 24:33).
Como já comentamos, fica bastante claro pelo contexto do capítulo 24 de Mateus, que Jesus, ao referir-se à sua volta como “ladrão na noite”, estava falando de seu regreso em glória após a tribulação e não a uma volta “oculta” anterior à tribulação. Então, surge a pergunta: se Jesus forneceu aos discípulos uma série de sinais que antecederiam a sua gloriosa volta, disse aos discípulos a partir de que momento essa volta seria iminente (após o cumprimento de todos os sinais), então, quem são esses que serão surpreendidos pela volta do Senhor, da mesma forma que alguém é surpreendido pela chegada de um inesperado ladrão à noite? Para quem a volta de Jesus será como um ladrão na noite? O apóstolo Paulo responde para nós essas questões:
“Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como um ladrão na noite...Más vós irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão” ( I Tessalonicenses 5:2-4)
Jesus virá como um ladrão na noite para aqueles que não esperam a sua vinda! Os mesmos serão destruídos repentinamente, pois, mesmo em meio à grande tribulação, os homens em geral optarão por seguir os enganos satânicos, sendo ludibriados pela besta (II Tessalonicenses 2:9-10, Apocalipse 16:9). Para o cristão, que deve estar atento para os sinais profetizados pelo Mestre, o arrebatamento não pode ser comparado à chegada abrupta de um ladrão à noite, até porque essa comparação não condiz com o relacionamento existente entre a Igreja e o seu noivo (Jesus). Cristo é o Senhor da Igreja e o arrebatamento será o encontro glorioso entre a Igreja e Jesus.
O ladrão sempre chega para tomar aquilo que não é seu. Jesus virá para arrebatar aquilo que é seu por propriedade eterna. Os verdadeiros servos de Deus não estão “em trevas” para serem surpreendidos naquele grande dia. Nós já fomos iluminados por Jesus a respeito de todos os sinais e sabemos a partir de que momento a sua chegada estará próxima, às portas: após o cumprimento cabal de todos os sinais profetizados pelo Mestre! (Mateus 24:33).
OS ÚLTIMOS SINAIS
O conceito de “iminência” antes do cumprimento dos sinais não é novo. Paulo, em sua segunda carta aos tessalonicenses, escrita no ano 52 d.C., corrige esse grande erro e nos fornece mais detalhes sobre eventos que ocorrerão antes da volta de Jesus e a nossa reunião com Ele (arrebatamento): “Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto. Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição” (II Tessalonicenses 2:1-3).
Esses versículos nos ensinam verdades fundamentais, que anulam de uma vez por todas os conceitos de iminência da forma como são colocados no pré-tribulacionismo:
1. De acordo com o texto, dois fatos devem ocorrer antes da volta de Cristo e a nossa reunião com Ele (arrebatamento): a apostasia (desvio da verdadeira fé) e a manifestação do homem do pecado. Ambos sinais tinham sido profetizados anos antes por Jesus no Monte das Oliveiras na mesma ordem (Mateus 24:9-15). Fica claro que Paulo estava citando em sua carta os mesmos sinais profetizados pelo Senhor 20 anos atrás, mostrando assim que todo ensino que defendesse a iminência da volta do Senhor antes da concretização desses sinais, deveria ser frontalmente rejeitado no seio da Igreja.
2. Paulo, ao referir-se ao “dia do Senhor”, não está falando da totalidade do período tribulacional e sim ao que os seus interlocutores conheciam e as Escrituras descrevem como “dia do Senhor”: o glorioso dia em que o Messias voltará como Rei, para destruir os inimigos do povo de Deus e instaurar o Seu reino de justiça (Joel 2:1-32, Zacarias 14:1-22, Isaias 13: 9-13).
Ao comparar Mateus 24:29 com Joel 2:31, vemos que os últimos grandes sinais que antecederão a volta da Jesus e a nossa reunião com Ele no Dia do Senhor, serão as comoções cósmicas: o sol convertendo-se em trevas, a lua em sangue (obviamente como conseqüência direta do fenômeno anterior), estrelas caindo do céu e elementos celestes sendo abalados. Em Isaias 13:13, ao referir-se ao dia do Senhor, o profeta diz que a Terra se moverá do seu lugar. Notemos também a maravilhosa exatidão profética da palavra de Deus: em Joel, o profeta assinala que os eventos cósmicos em questão ocorrerão antes do dia do Senhor. Jesus profetizou que após a grande tribulação e antes da sua vinda em glória para arrebatar os escolhidos, ocorreriam os fenômenos em questão.
Fica claro que, quando o pré-tribulacionismo toma a iminência da volta do Senhor já em nossos dias, sustentando que a mesma pode ocorrer “a qualquer momento”, se coloca numa posição biblicamente insustentável. A iminência, tal qual é ensinada em muitos lugares, não tem base alguma à luz da palavra profética.
Sem dúvidas, a volta do Senhor, a partir de determinado momento, será iminente, e essa é a volta que devemos esperar. Porém, antes é necessário que a palavra de Deus, que não volta atrás, se cumpra em sua totalidade. Somente após o cumprimento de todos os sinais preditos pelo próprio Mestre que voltará, é que nós poderemos esperar sua volta “a qualquer momento”. Isso não é difícil de entender. O apóstolo Tiago compara o tempo da vinda do Senhor ao lavrador que espera com paciência até receber as chuvas, as quais tornarão possível uma abundante colheita. Porém, um experiente lavrador sabe que a chuva não ocorrerá “a qualquer momento” ou em “qualquer estação”. Há um tempo determinado para que o período de chuva comece a regar a terra. Também, há um tempo determinado para que os frutos apareçam após a chuva. Da mesma forma, o Senhor Jesus nos fornece em seu sermão profético uma série de sinais, para que saibamos exatamente quando será o tempo e após que sinais sua vinda estará “próxima, às portas”, ou seja, será iminente.
O DIA E A HORA
Um argumento geralmente levantado contra aqueles que esperam pelo arrebatamento no final da tribulação, se refere ao desconhecimento do dia e da hora da vinda de Jesus. Tal argumento gira em torno do seguinte raciocínio: se o profeta Daniel oferece dados específicos para que saibamos quando se dará “o fim das coisas” (Daniel 12:7-13), então, teoricamente, qualquer um poderia calcular o dia da vinda de Jesus, indo contra o que o próprio Jesus determinou ao dizer que ninguém sabe o dia nem a hora de sua vinda, a não ser o Pai... Logo, o arrebatamento não deve ocorrer por ocasião da vinda em glória...
Analisando detalhadamente todas as implicações dessa questão, vemos que tal raciocínio não encontra muita base. Vejamos:
1. Quando Jesus fala do “dia” e da “hora”, o faz em relação a sua vinda em glória após a tribulação e não a uma vinda “oculta” e anterior à tribulação, como fica claro nos versículos anteriores. Cremos que Ele não poderia estar referindo-se a uma vinda oculta e anterior, simplesmente porque ela não é mencionada em nenhum momento do sermão profético! Fica muito claro que o “dia” e a “hora” mencionados por Cristo, será o momento específico em que todo olho verá a sua volta, logo após a grande tribulação. Portanto, sugerir que Jesus, ao referir-se ao dia e hora, estava falando de uma vinda oculta e diferente da mencionada por Ele nos versículos anteriores, é ir contra a verdade bíblica e cair no terreno das suposições.
2. Com referencia às informações dadas no livro de Daniel e através das quais se poderia chegar a conhecer o dia da volta de Cristo em glória, devemos considerar um ponto importante. Note que Jesus usa o tempo presente somente neste texto do sermão profético. Ele afirma que ninguém sabe o dia e a hora, a não ser o Pai. Naquele momento, como homem e após ter se esvaziado dos seus conhecimentos divinos, nem mesmo Jesus sabia o dia e a hora da sua própria vinda. Porém, após a ressurreição e glorificação, Jesus declara que “é-me dado todo o poder no céu e na terra” (Mateus 28:18). Levando em consideração o fato da união divina de propósitos e sentimentos, e considerando também que a expressão “todo poder” não exclui nada, entendemos que Jesus, que não sabia o dia nem a hora quando proferiu a profecia, agora sabe. Quando o Mestre disse que ninguém sabe, não exclui nenhuma possibilidade futura de conhecimento desse detalhe...
Não obstante a essa constatação, cremos que se tornará praticamente impossível calcular o dia e a hora da parousia devido aos motivos que detalharemos mais adiante.
O PROPÓSITO DO SERMÃO PROFÉTICO
Como já comentamos, o cuidado que Jesus teve em reunir seus discípulos e, a partir de uma singela pergunta deles (Mateus 24:3), explanar os principais sinais que ocorreriam entre aquela geração e o fim, visa trazer luz aos servos do Senhor em meio dos tempos e séculos. Jesus sabia muito bem que aqueles discípulos que estavam ouvindo com atenção as suas palavras não viveriam o tempo do fim ou os anos imediatamente anteriores à sua volta. Muitos sinais foram profetizados e deixados para a Igreja dos últimos tempos. Outros sinais eram mais próximos e seriam vistos por aquela geração, como é o caso da destruição de Jerusalém no ano 70 d.C.
Entretanto, cremos que no versículo 15, o Senhor estabelece um ponto chave para a compreensão do capítulo 24 de Mateus, pois ali Jesus dá o primeiro sinal concreto e localizável na história, que indicava a contagem regressiva para o fim, estando em perfeita conexão com os dados deixados por Daniel em seu livro. Jesus disse: “Quando pois virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, entenda” (Mateus 24:15). Sem dúvidas, o Senhor direcionou naquele momento seus discípulos à leitura das profecias contidas no livro de Daniel que falam sobre a abominação desoladora. Quem lesse as profecias de Daniel a respeito da abominação da desolação entenderia exatamente o tempo que levaria entre esse evento (abominação da desolação) e o cumprimento da promessa!
Cremos que nada do que está revelado na Palavra o é em vão. Há um propósito específico para tudo o que está inserido nas Escrituras, que é a Palavra de Deus. Conseqüentemente, entendemos que os preciosos dados revelados pelo Espírito a Daniel, serão importantes para aqueles que viverem os momentos próximos á abominação desoladora, ou seja, o momento da revelação do anticristo e começo da grande tribulação. Vejamos aquilo que Jesus nos insta a ler em Daniel a respeito da abominação desoladora, para que “entendamos”:
“...E desde o tempo em que o holocausto continuo for tirado, e estabelecida a abominação desoladora, haverá mil duzentos e noventa dias. Bem-aventurado é o que chega aos mil trezentos e noventa dias” (Daniel 12:11-12)
A abominação da desolação é o gatilho que desencadeará a contagem regressiva para a segunda vinda de Jesus. Em Daniel 12:10 diz: “Muitos serão purificados, e embranquecidos, e provados; más os ímpios procederão impiamente, e nenhum dos ímpios entenderá, más os sábios entenderão”. Logo após são oferecidos os dados referentes aos anos entre a abominação e o cumprimento de todas as coisas. Fica claro então, que os sábios entenderão todas as conseqüências proféticas a partir do momento da abominação desoladora, entre elas a maior e mais maravilhosa de todas as conseqüências proféticas: a restauração de todas as coisas! (Atos 1:6-7).
Porém, apesar da possibilidade profética de cálculo para aqueles que virem a abominação da desolação e puderem calcular os dias a partir desse evento maligno, devemos tecer algumas considerações que nos fazem presumir a grande dificuldade que haverá para efetuar esse cálculo com precisão.
1. Em Mateus 24:22, Jesus declara que os dias da grande tribulação serão abreviados. Cremos que neste versículo o Mestre usou uma expressão literal e não simplesmente figurativa. O profeta Isaias, ao escrever sobre o dia do Senhor e os fenômenos que ocorreriam naquele dia, profetizou que a Terra se moverá do seu lugar (Isaias 13:13). Talvez isso seja causado por uma mudança brusca no eixo de rotação terrestre, causando uma grande diferença na cronometragem da duração de um dia.
2. Em determinado momento da grande tribulação, os homens já não verão mais o sol nem a lua (Mateus 24:29). Esse é o último grande sinal deixado por Cristo que antecederá a sua volta. Com a impossibilidade de vislumbrar o sol e a lua, fato aliado à abreviação dos dias de uma forma não uniforme, se tornará praticamente impossível calcular através da simples observação a duração de um dia.
3. Em Daniel 7:25, o profeta declara que o anticristo cuidará em mudar os tempos e a lei. Provavelmente, a forma de contagem do tempo e os diversos calendários atualmente existentes sejam unificados pelo sistema da besta, dificultando mais uma vez possíveis cálculos no período tribulacional.
4. Durante a tribulação, os verdadeiros cristãos, ao não aceitarem dobrar-se ante o sistema da besta e ao não possuírem a sua marca de identificação, mesmo estando atentos aos sinais deixados por Cristo, terão enormes dificuldades em acompanhar os fatos internacionais e os últimos acontecimentos globais, pois terão que sobreviver em locais inóspitos e não terão acesso à mídia, que, sem dúvidas, estará sob o domínio e manipulação da besta.
5. O prazo de 1335 dias citado em Daniel 12:12 não se refere ao momento do arrebatamento da Igreja. Se formos coerentes com o contexto de Daniel, parece referir-se à restauração do reino de Israel, indicando o reinado de Cristo e da Igreja a começar pelo Milênio. Cremos que esse momento começará quando o Senhor pousar Seus pés no Monte das Oliveiras e for Rei sobre toda a Terra (Zacarias 14:4-9). Entre o arrebatamento da Igreja, que ocorrerá num dia e hora não determinados, depois do cumprimento dos últimos sinais, logo após a grande tribulação (Mateus 24:29-31), e o pousar dos pés do Senhor sobre o Monte das Oliveiras, poderá transcorrer horas ou dias. A Palavra não nos revela quantas horas ou dias levará. Porém, todos esses eventos ocorrerão a partir do momento em que aparecer o sinal do Senhor nos céus (Mateus 24:30), logo após a grande tribulação.
Por isso, com respeito à faculdade de saber o dia da volta do Senhor, não nos parece que deva ser a prioridade do servo de Deus. A nossa prioridade deve ser estar preparados para essa volta maravilhosa e cientes de todos os sinais que antecederão sua volta. Devemos estar preparados também para enfrentar a tribulação que se aproxima e para sermos perseguidos e colocados à margem de todo convívio social e mesmo assim guardar os mandamentos de Deus e manter o testemunho de Jesus até o fim.
VOCÊ ESTÁ PREPARADO PARA ESSA REALIDADE?
Maranata!
MATEUS 24 OU JOÃO 14?
O pré-tribulacionismo, desde seu surgimento em meados do século XIX, se viu diante de um desafio explícito: no sermão profético, pronunciado por Jesus no Monte das Oliveiras poucos dias antes de sua crucificação, fica evidenciado que os escolhidos enfrentariam um período tribulacional nunca antes visto, testemunhariam a abominação da desolação e, após a concretização de todos os sinais e logo em seguida àquela tribulação, seriam ajuntados dos quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus (Mateus 24:1-51, Marcos 13:1-37, Lucas 21:5-38).
A solução encontrada pelos criadores do modelo dispensacionalista foi negar a aplicabilidade do sermão profético, principalmente no que concerne à tribulação e ao ajuntamento dos escolhidos, à igreja e atribuir essas revelações tribulacionais somente ao povo judeu e aos “ex-desviados” que forem “deixados para trás” após o rapto pré-tribulacional. Só desta forma, o sermão profético se encaixaria dentro do modelo pré-tribulacionista. Seguindo essa linha interpretativa, as palavras do Mestre no cenáculo, pronunciadas somente dois dias após o sermão do Monte das Oliveiras e descritas em João 14:1-4, seriam uma revelação diferenciada da primeira, no que se refere à inserção da Igreja na tribulação e ao tempo do arrebatamento. Mais adiante, explicaremos porque não cremos que João 14:1-4 trata-se de uma descrição do arrebatamento ou revelação escatológica diferente às revelações do sermão profético contidas em Mateus, Marcos e Lucas.
Referente ao conteúdo do sermão profético, registrado em Mateus, Marcos e Lucas, vemos que a posição dos teóricos pré-tribulacionistas é arriscada e temerária. Separar cronologicamente partes do sermão profético para judeus e outras partes para a Igreja, não nos parece o método mais congruente nem o mais aconselhável do ponto de vista de embasamento bíblico. Em primeiro lugar, Jesus não dirigiu seu discurso no Monte das Oliveiras a uma grande multidão da nação israelense, e sim a um grupo restrito de discípulos, àqueles que começariam a pregar as boas novas dentro de poucos dias a todas as nações (Mateus 24:3). Estes discípulos, entre eles os apóstolos, seriam os arautos da fé e líderes da Igreja. Essa é a primeira razão para não retirar a Igreja do contexto das profecias do sermão profético, no que se refere à tribulação e ao arrebatamento. O sermão foi dirigido àqueles que seriam os primeiros cristãos.
Um outro motivo, encontra-se em Mateus 28:20, onde Jesus, após sua ressurreição e pouco antes da ascenção, determina que os discípulos (provavelmente muitos do que estavam presentes no sermão do Monte das Oliveiras), ensinem aos que haveriam de crer a observar todas as coisas que Ele tinha mandado. Não nos parece apropriado separar e distinguir aquilo que o próprio Mestre não separou nem distinguiu! O sermão profético proferido pelo Senhor no Monte das Oliveiras se aplica tanto à nação israelense quanto à Igreja.
Paulo nos dá uma grande amostra de como os cristãos primitivos guardavam os ensinamentos de Jesus contidos no sermão profético. Ao escrever aos tessalonicenses (gentios), no intuito de alerta-los contra erros que começavam a ser difundidos na época, relacionados à iminência da volta de Jesus, o apóstolo mostra que considerava o sermão profético uma revelação escatológica para a Igreja. Paulo deixa claro para os irmãos da igreja em Tessalônica que, a volta de Jesus e a nossa reunião com Ele (arrebatamento), não se daria antes da apostasia e da revelação do homem do pecado, o filho da perdição. Sem dúvidas, Paulo se baseou na seqüência escatológica já revelada pelo Mestre no Monte das Oliveiras. Jesus revelou que por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriaria (apostasia) e que ocorreria a abominação da desolação no lugar santo, momento em que o anticristo se revelará como tal (II Tessalonicenses 2:1-3, Mateus 24:12-15). Há uma sujeição total de Paulo às revelações do Senhor no sermão profético.
Diante do exposto, não nos parece procedente não atribuir as revelações deixadas por Cristo no sermão profético à Igreja nem tampouco atribuir essas revelações exclusivamente ao povo judeu. De acordo com todo o contexto bíblico, inclusive o apocalíptico, a Igreja estará inserida no contexto tribulacional e experimentará o arrebatamento na volta gloriosa e visível de Jesus, logo após a grande tribulação.
NA CASA DE MEU PAI
“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”.(João 14:1-3)
A passagem bíblica mencionada acima é utilizada com muita freqüência por aqueles que seguem o modelo pré-tribulacional. Já outros autores pré-tribulacionistas acreditam que a verdadeira concepção pré-tribulacional só foi revelada a Paulo, pouco tempo depois. Aqueles que sustentam a idéia pré-tribulacionista com base em João 14:1-3, acreditam que a passagem em questão revela um rapto dos cristãos diretamente ao céu, à morada de Deus. A posição pós-tribulacionista não defende uma ida aos céus logo após o arrebatamento da Igreja, e sim a entrada dos fiéis arrebatados diretamente no reino milenal de Jesus.
A QUESTÃO DO PONTO DE VISTA
Uma das maiores dificuldades em interpretar a passagem de João 14:1-3, é o ponto de vista predefinido. Se alguém acredita num rapto pré-tribulacional, logicamente estudará essa passagem sob uma ótica pré-tribulacional. Isso significaria que, a partir do momento que Jesus proferiu aquela revelação, partindo da premissa de que fosse a de um arrebatamento pré-tribulacional, é óbvio que os discípulos deveriam ter esse evento já em mente. Se alguém acredita que os servos do Senhor vão morar no céu após o arrebatamento, é lógico que acreditem também que o termo “na casa de meu Pai” se refere ao céu.
Para entender a passagem em questão de forma mais profunda e sem idéias predefinidas, devemos considerar qual era a visão dos acontecimentos que os discípulos tinham quando ouviram essa revelação do Mestre deixar de lado nossas pressuposições. Ou seja, devemos considerar que parâmetros de compreensão os discípulos tinham para interpretar as palavras de Jesus naquele momento... O que eles conheciam até aquele momento a respeito da volta de Jesus para busca-los? Essa pergunta é fundamental para situar-nos na mentalidade deles e descobrir os seus parâmetros de interpretação para a revelação do Mestre em João 14:1-3.
UM PADRÃO DUPLO?
Uma das maiores dificuldades do pré-tribulacionismo é conciliar a passagem de João 14:1-3 com as revelações do sermão profético do Monte das Oliveiras. No sermão, ocorrido apenas dois dias antes da revelação de João 14:1-3, foram detalhados por Jesus os principais acontecimentos que antecederiam sua volta gloriosa. Não há qualquer menção a uma possível vinda pré-tribulacional de Jesus no sermão do Monte das Oliveiras. A única vinda de Jesus mencionada no sermão ocorrerá “logo depois da aflição daqueles dias” (Mateus 24:29-31).
Jesus tinha deixado para os discípulos uma série de sinais que eles deveriam observar e estar atentos. Somente estando atentos e vigilantes, eles poderiam saber, através dos sinais, quando a volta do Mestre estaria “próximo, às portas” (Mateus 24:33). Até mesmo a impossibilidade de calcular o dia e a hora, está relacionada a essa vinda em glória, pois é a única mencionada no contexto do sermão (Marcos 13:32-37). Fica claro, então, que a expectativa que os discípulos tinham, após ouvirem as revelações do sermão profético no Monte das Oliveiras, era de uma só volta do Mestre e que essa volta ocorreria logo após a tribulação e não num momento anterior.
Como já vimos anteriormente, os pré-tribulacionistas desqualificam o uso do sermão do Monte das Oliveiras no que diz respeito ao arrebatamento da Igreja. No modelo pré-tribulacionista, a reunião e ajuntamento dos escolhidos, narrados e profetizados por Jesus no sermão, são eventos que se referem ao povo de Israel e não à Igreja. Já vimos que essa posição, além de ser temerária, é biblicamente infundada. Diante disso, vemos outro grande paradoxo pré-tribulacionista: qualquer razão dada pelo pré-tribulacionismo para a não aplicabilidade do sermão profético à Igreja, deveria aplicar-se também às revelações de João 14:1-3.
As duas revelações em questão foram dadas por Jesus aos discípulos num período de dois dias entre ambas. Os discípulos eram, obviamente, judeus... Se esses discípulos representam os escolhidos ou os “santos da tribulação” do sermão do Monte das Oliveiras, porque não em João 14:1-3, já que eram os mesmos interlocutores? Ainda mais: a revelação de João 14:1-3 foi dada aos discípulos (judeus) em meio às celebrações da principal festa judaica: a páscoa. Vemos então que o pré-tribulacionismo usa um padrão duplo, ao sustentar que as revelações escatológicas do sermão profético, referentes ao arrebatamento e tribulação, são diferentes à revelação de João 14:1-3, referindo-se ao povo judeu e à Igreja, respectivamente.
Se seguirmos uma atenta linha de estudo, perceberemos que as duas revelações em questão não são excludentes e não se referem a povos ou “escolhidos” diferentes. As duas revelações foram dadas aos discípulos, com o objetivo de prepara-los e alenta-los a respeito da volta de Jesus. Também, se atentarmos para a expectativa dos discípulos que ouviram as revelações de João14:1-3, observaremos que eles não poderiam estar na expectativa de uma futura perseguição mundial por parte do anticristo e de um arrebatamento logo após a tribulação, como tinham ouvido no Monte das Oliveiras e, ao mesmo tempo, ter uma expectativa de arrebatamento pré-tribulacional para evitar sua entrada na tribulação, baseados no que ouviram dois dias depois no cenáculo. A revelação de João 14:1-4 não é uma “cláusula aparte” da revelação do Monte das Oliveiras, dada dois dias antes.
O sermão do Monte das Oliveiras não foi um mero informativo da condição futura de Israel como nação e sim uma revelação completa do quadro profético aos discípulos, encorajando cada um deles a esperarem esses eventos e a estarem atentos à concretização de todos os sinais revelados, pois só assim eles saberiam quando o Mestre estaria preste a voltar e não seriam pegos de surpresa nem enganados por falsos cristos e falsos profetas. Os discípulos, após o sermão do Monte das Oliveiras, começaram a esperar a volta de Jesus como ela tinha sido narrada pelo próprio Mestre: logo depois da tribulação (Mateus 24:29). Então, o pré-tribulacionismo insinua que Jesus estava ensinando em João 14:1-3 algo completamente diferente ao que Ele tinha ministrado dois dias antes!
A diferenciação defendida pelo pré-tribulacionismo leva a uma séria incongruência. Se os discípulos representam Israel no sermão profético do Monte das Oliveiras, então deveriam representar Israel também na revelação de João 14:1-3, tirando a Igreja de qualquer contexto escatológico, o que, obviamente, não tem nenhuma sustentação bíblica! O contrário parece ser a posição mais salutar: se os discípulos representam a Igreja em João 14:1-3, então devem representar a Igreja também no sermão profético de Mateus 24...
A idéia de que Jesus ensinou aos seus discípulos princípios referentes a sua segunda vinda, usando esses discípulos ora como símbolos de Israel, ora como símbolos da Igreja, sem explicar essa diferença crucial aos próprios discípulos, é altamente temerária e arriscada. Jesus é o Mestre por excelência e não revelaria questões tão diferentes sem estabelecer antes os parâmetros para que os discípulos pudessem entender tal diferença.
ENTENDENDO MELHOR JOÃO 14:1-3
O tema central do sermão de Jesus registrado em João 14 é a preparação de seus discípulos para a futura ausência física do Mestre. Os discípulos ainda não estavam completamente familiarizados com os dois adventos de Cristo e suas conseqüências. Nesse aspecto, o sermão profético do Monte das Oliveiras começou a esclarecer suas idéias, ao inseri-los cronologicamente nos eventos.
Jesus detalhou os grandes eventos que antecederiam sua volta em glória, deixando claro que um período de tempo transcorreria antes da concretização do tão anelado reino literal do Mestre sobre a Terra. Jesus revelou que o evangelho do reino seria pregado a todas as nações. Nesse contexto, os discípulos ainda não sabiam como isso seria feito. Como seria possível pregar o evangelho a todas as nações sem a presença do Mestre? Nesse momento, Jesus começa a revelar-lhes a respeito do Ajudador, que seria enviado para ensinar, guiar e consolar a Igreja durante a ausência física do Senhor.
PREPARANDO LUGARES
Quando Jesus revelou que estava indo para preparar lugares para seus discípulos, estava referindo-se a uma preparação espiritual, que ocorreria algumas horas após. Ele estava referindo-se ao seu sacrifício na cruz, que nos garante livre aceso ao Pai. Não estava falando de ir ao céu para construir espaços ou locações especiais para seus discípulos. Jesus estava indo à cruz para preparar àqueles que cressem Nele o caminho para a salvação e para assegurar o lugar desses salvos em seu reino glorioso. Neste ponto, alguém poderia perguntar: Como Jesus estaria se referindo ao seu sacrifício na cruz, se Ele expressamente diz que estava indo ao Pai?
Diante dessa pergunta, convém lembrar que a ascenção de Jesus, ocorrida 40 dias apos sua ressurreição, não foi sua primeira ida ao Pai. Logo após a sua ressurreição, Jesus subiu ao Pai. O capítulo 9 de Hebreus nos revela que Jesus é, ao mesmo tempo, o Cordeiro de Deus e o Sumo Sacerdote. Ele é o sacrifício perfeito e só Ele, como Sumo Sacerdote da nova aliança, é quem poderia oferecer esse sacrifício perfeito diante do Pai nos céus.
“Nem por sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção. De sorte que era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu asim se purificassem; mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes. Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no santuário com sangue alheio; de outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo”. (Hebreus 9:12, 23-26)
Essa realidade é fundamental para compreender o intuito da revelação de João 14, no que se refere à ida de Jesus ao Pai. Logo após a ressurreição e bem próximo ao local da sepultura, Jesus encontrou Maria Madalena vindo ao local da tumba. Diante da grande expressão de alegria de Maria, o Senhor Jesus lhe deu a seguinte direção:
“Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda na subi para meu Pai; mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. (João 20:17)
Logicamente, Jesus não estava referindo-se a sua ascenção, descrita em Atos 1. Como já comentamos, esse evento ocorreu 40 dias após. Nesses 40 dias, Jesus teve contato com várias pessoas, inclusive contato físico direto, como foi o caso de Tomé, oito dias após a ressurreição (João 20:24-31). Entendemos que Ele estava referindo-se a sua ida ao Pai para, como Sumo Sacerdote da nova aliança, oferecer seu próprio sangue no lugar santíssimo do templo existente no céu. A razão pela qual Maria não pôde "deter" em Jesus é a mesma razão pela qual os sacerdotes do antigo pacto tinham que se lavar e evitar tocar qualquer coisa imunda até a finalização de seus trabalhos sacerdotais.
Como já mencionamos, Jesus não foi ao céu para construir “condomínios cristãos”, logo após sua ascenção. Ele foi para sentar-se à direita do Pai e para aguardar o momento de sua vinda gloriosa (Hebreus 10:12-13). O fato de Jesus não ter ido ao céu com o objetivo de preparar locações para os cristãos fica demonstrado através da linguagem utilizada. Em primeiro lugar, Ele fala sobre os lugares disponíveis no tempo presente. Ele disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas”. Essa linguagem requer que os lugares aos quais o Mestre estava se referindo já existissem quando a revelação foi dada. A palavra preparar não significa construir, mas trabalhar sobre algo que já existe. Esse é mesmo termo usado por Jesus quando Ele enviou os discípulos para prepararem o aposento alto, onde seria realizada a ceia da páscoa. Os discípulos não construíram um outro quarto ou salão, mas prepararam o local para acomodar a celebração da páscoa.
A idéia de que Jesus ascendeu aos céus com o objetivo de construir literalmente lugares para acomodar seus discípulos, é completamente estranha às Escrituras, tornando-se mais uma suposição criada pelo pré-tribulacionismo. Jesus foi ao céu para preparar lugar para seus servos no seu reino e isso é possível através da purificação de nossos pecados pelo sacrifício Dele.
A CASA DO PAI
Quando analisamos detalhadamente o contexto, vemos que, quando Jesus mencionou a expressão “na casa do Pai”, não estava referindo-se aos céus. Não há nenhum precedente bíblico para relacionar a casa do Pai ao céu. Em muitos versículos do Antigo Testamento, quando se menciona a expressão casa do Senhor, essa expressão está diretamente relacionada com o templo.
Tanto quando se fala do tabernáculo (I Samuel 1:24), do templo construído por Salomão (II Crônicas 2:1 e 7:16) ou quando se refere ao templo milenal (Isaias 2:2-4, Joel 3:18). A Bíblia não se refere em termos gerais ao céu como casa do Senhor. Quando encontramos na Palavra o termo "casa do Senhor", sempre está relacionado ao templo, independentemente da época em que esse templo esteja inserido. Vejamos a passagem de Isaias, que fala claramente do templo milenal:
“E acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do Senhor no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações. Irão muitos povos, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor. E ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em enxadões, e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerrear” (Isaias 2:2-4)
No Novo Testamento, a Igreja é chamada de templo santo no Senhor num sentido metafórico (Efésios 2:19-22). Porém, os discípulos que ouviram a mensagem de Jesus registrada em João 14 não estavam ainda familiarizados com essa metáfora usada por Paulo anos depois. Eles tinham familiaridade sim com a linguagem do Velho Testamento, onde o termo casa do Senhor se refere ao templo. Durante seu ministério, o Mestre também deixou claro a que estava referindo-se quando Ele empregava a expressão casa de meu Pai.
“E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas; e disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes; e não façais da casa de meu Pai casa de venda”.
Nessa ocasião, Jesus de forma inquestionável se refere ao templo de Jerusalém como “a casa de meu Pai”. O versículo 17 mostra os discípulos associando a expressão de Jesus com uma referencia do Antigo Testamento à casa do Senhor (Salmos 69:9). Portanto, é altamente provável que eles entendessem a expressão usada pelo Mestre em João 14 da mesma forma.
Os discípulos esperavam o reino de Deus instaurado a partir de Jerusalém, especificamente do templo (Isaias 2:1-5, Salmos 68:29). No sermão profético do Monte das Oliveiras, ocorrido somente dois dias antes das revelações registradas em João 14, o Senhor encorajou os discípulos a estarem vigiando esperando e esperando pela chegada de seu reino (Mateus 25:31, Lucas 21:31). Baseados nesses dados, os discípulos esperavam a volta do Mestre para fazer parte de seu reino e habitarem no templo, lugar do qual Jesus reinaria. Eles estariam onde Jesus estaria, pois essa era a promessa do Mestre (João 14:3).
No livro de Lucas existe mais uma evidência que nos mostra que o Senhor Jesus referia-se a seu reino e não aos céus, quando disse na casa de meu Pai. Apesar de não ter registrado em seu livro a íntegra do sermão ocorrido no cenáculo, como João fez, Lucas nos dá uma informação importante para situar-nos dentro daquela situação. Não esqueçamos que Jesus proferiu as palavras registradas em João 14 momentos antes da celebração da páscoa, pouco antes de sua crucificação.
“E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça; porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus. E, tomando o cálice, e havendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós; porque vos digo que já não beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus. E eu vos destino o reino, como meu Pai mo destinou; para que comais e bebais à minha mesa no meu reino, e vos asssenteis sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel”. (Lucas 22:15-18, 29-30)
Fica claro que haverá uma celebração idêntica àquela narrada em João 14, quando Jesus voltar em glória para instaurar seu reino. Essa celebração não é outra senão as bodas do Cordeiro, da qual participarão todos aqueles que fazem parte da Igreja. No mesmo texto, Lucas descreve os apóstolos sentados sobre doze tronos no reino de Jesus. A expectativa dos discípulos a respeito de um reino literal de Jesus com sede em Jerusalém é tão clara que, após a ressurreição do Mestre e pouco antes a Sua ascenção, eles perguntaram: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel? (Atos 1:6).
É notório, através das próprias promessas do Mestre e das revelações das Escrituras, que todos os santos do Senhor reinarão com Ele em seu reino. Porém, para os apóstolos há uma promessa específica: julgar desde o templo, assentados em doze tronos, ao lado do querido Senhor. Para os outros servos do Senhor, serão dados galardões e posições de autoridade sobre várias cidades (Lucas 19:11-26, II Timóteo 2:12).
Alguns tendem a colocar objeção a essa interação entre Israel e Igreja, tanto na tribulação quanto no reino milenal. Essa objeção surge do dispensacionalismo exacerbado e não propriamente da exegese das passagens em questão. É óbvio que haverá distinção nacional durante o Milênio, porém não uma distinção dispensacional. Há somente um plano para o Milênio. Tanto a Igreja quanto Israel estão inseridos nesse plano divino.
“E virão do oriente, e do ocidente, e do norte, e do sul, e assentar-se-ão à mesa no reino de Deus”. (Lucas 13:29)
“E maravilhou-se Jesus, ouvindo isso, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé. Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó, no reino dos céus”. (Mateus 8:10-11)
Não há razões para separar o que Jesus ministrou no cenáculo e o que Ele tinha ministrado aos discípulos dois dias antes no Monte das Oliveiras. Quando comparamos o que está registrado em João 14:1-3, que narra o sermão feito pouco antes da celebração da páscoa no cenáculo, e Lucas 22:7-30, que narra a celebração da páscoa em si e não o sermão anterior, vemos que Jesus estava referindo-se à uma promessa literal em seu reino, logo após a sua volta gloriosa e visível. Também ao desconhecer a definição das Escrituras e que os discípulos entendiam como casa do Senhor, se corre o risco de tirar as palavras de Jesus fora do contexto e insinuar que Ele estava referindo-se a localidades não literais.
É óbvio que existem lugares e mansões celestiais e nós, como co-herdeiros com Jesus Cristo, teremos acesso a eles. O próprio Deus já preparou uma cidade celestial para os santos, a Nova Jerusalém, descrita com detalhes em Apocalipse 21. Contudo, a Nova Jerusalém só nos será enviada no final do Milênio (Apocalipse 21:2). Durante o milênio, reinaremos com Cristo e Ele estará em Jerusalém, como Rei, Juiz e Senhor da Terra!
Maranata!
MATEUS 24 X APOCALIPSE 6
Existe uma clara relação entre o capítulo 24 de Mateus e o capítulo 6 de Apocalipse. Quem fizer uma análise detalhada e sem preconceitos, verá que o relato apocalíptico segue a mesma seqüência relatada por Jesus em Mateus 24. Neste site, usamos com mais freqüência a descrição do sermão profético escrita pelo apóstolo Mateus, por ser a mais detalhada e pormenorizada. Dos evangelistas sinóticos, talvez Mateus tenha sido o único presente naquele dia no Monte das Oliveiras, onde o Senhor proferiu seu sermão profético. As narrativas de Marcos e Lucas só confirmam aquilo que está expresso em Mateus 24.
Já o texto de Apocalipse 6, menciona a abertura dos selos. Como já comentamos no tópico "CRONOGRAMA DA TRIBULAÇÃO", acreditamos que a abertura dos sete selos não está restrita somente ao período tribulacional. Os quatro primeiros selos têm uma nítida relação com o período anterior à grande tribulação denominado por Jesus como “princípio de dores”, porém suas consequências se prolongam até o fim. Todos os eventos e sinais profetizados visam situar os servos do Senhor em meio aos acontecimentos que precedem a volta de Cristo, com o intuito de preparar a Igreja e evitar que os servos do Senhor sejam enganados em meio a uma realidade cada vez mais maligna. O próprio Jesus, no início do sermão profético, alerta os discípulos:
“Acautelai-vos, que ninguém vos engane; porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos” (Mateus 24:4-5).
A seguir, faremos uma comparação paralela entre as duas passagens (Mateus 24 e Apocalipse 6), para que você possa ter uma noção mais clara do sincronismo entre ambas. Dividiremos essa comparação mútua em tres grandes blocos: PRINCÍPIO DE DORES, CLÍMAX DA PERSEGUIÇÃO E ÚLTIMOS SINAIS.
PRÍNCIPIO DE DORES
No sermão profético, o Mestre define o que é o princípio de dores:
“Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos em vários lugares. Mas todas essas coisas são o princípio de dores” (Mateus 24:7-8)
O Mestre usa a figura de uma mulher nos momentos anteriores ao parto, com as dores características desse momento, as quais vão se aprofundando em intensidade e aumentando em quantidade, a medida em que o momento do tão esperado e sonhado parto se aproxima. Jesus compara sua volta ao nascimento de um filho, o qual, obviamente, é precedido de dores.
Os eventos que identificam o princípio dessas dores que antecederão a volta do Senhor são: guerras e rumores de guerras, fomes e terremotos em vários lugares. Somente quem estiver obstinadamente dedicado a negar a veracidade das profecias bíblicas, poderá negar que esses fatos já estão ocorrendo, de forma cada vez mais aprofundada e numerosa. Mesmo assim, mostraremos aqui através de dados concretos, que já estamos vivendo no princípio de dores:
a) Na questão das guerras e rumores de guerras, os mais céticos poderiam argumentar que guerras e rumores de guerras sempre existiram. É verdade. Porém, o envolvimento global nessas guerras só veio a ocorrer no século XX. Até mesmo o conceito de “guerra mundial” é um conceito que só foi adotado no século passado. Com o aumento do poder destrutivo de dezenas de nações no mundo, o surgimento do terrorismo globalizado e a escassez cada vez mais nítida de recursos naturais para a sobrevivência dessas nações, o futuro que se mostra é altamente inquietante...
b) O problema da fome hoje é endêmico. Não se trata de fomes regionais, produto de causas naturais e climáticas, mas de uma situação de miserabilidade por parte da maior parte da população mundial, a qual está à margem do sistema mundial baseado num conceito surgido há poucas décadas: a globalização. A própria ONU, através da UNESCO, fornece dados alarmantes. Em 2020, de acordo com a ONU, uma em cada quatro crianças no mundo será subnutrida. Em 1974, a Conferência Mundial sobre a alimentação colocou o ano de 1984 como o ano limite para eliminar a fome no planeta. Em 1996, essa meta foi implicitamente deixada de lado por representantes da FAO (orgão da ONU que trata do assunto) como um sonho impossível de ser concretizado nesse prazo. A cada dia morrem 24.000 pessoas no mundo por causa da fome em todo o planeta.
c) O aumento do número de vítimas de grandes terremotos, só faz confirmar aquilo que já está profetizado na Palavra. Tal como a fome e as guerras, o que nos chama a atenção no caso dos terremotos é o acréscimo surpreendente no número de tremores à medida que as décadas vão passando, a violência com que tais tremores ocorrem e a abrangência desses tremores. Para mostrar um singelo exemplo, na semana em que estávamos preparando este texto, fomos avisados de terremotos na Indonésia, Colômbia, Irã e até mesmo na Amazônia. No século XIX ocorreram 41 grandes terremotos, ocasionando a morte de cerca de 350.000 pessoas.
No século XX, até 1997, foram contabilizados 96 grandes tremores, com um saldo lamentável de mais de 2.000.000 de pessoas! No século XXI, só nos primeiros cinco anos, já estão contabilizadas mais de 300.000 vítimas de grandes terremotos, inclusive de tsunamis. Ou seja, somente em cinco anos do novo século, o montante de vítimas de todo o século XIX foi superado e chega a quase 25% de todo o século XX! Praticamente a cada dia recebemos notícias a respeito de um novo terremoto, e a perspectiva de novos terremotos e maremotos é abertamente sustentada por especialistas de todo o planeta.
A Palavra revela que toda a criação “geme com dores de parto” (Romanos 8:22), e essa é a grande verdade. Nosso planeta sofre o resultado das escolhas errôneas de seus habitantes e a influencia maligna das potestades satânicas. O equilíbrio só virá por ocasião da volta de Jesus, em glória e majestade.
Já no livro de Apocalipse 6:1-8, quando é mencionada a abertura dos quatro primeiros selos, vemos um nítido sincronismo com os eventos denominados por Jesus como “princípio de dores” (Mateus 24:7-8). A guerra, fome e a morte, resultantes desses eventos drásticos, são relatadas como conseqüência da abertura dos quatro primeiros selos, conhecidos como “os cavaleiros do Apocalipse”:
“E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava montado nele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com a espada, e com a fome, e com a peste, e com as feras da terra” (Apocalipse 6:8).
Cremos então, que existe uma associação entre o princípio de dores de Mateus 24:7-8 e os quatro primeiros selos (os cavaleiros do Apocalipse), eventos que ocasionarão a morte de ¼ da população mundial. Cremos que a concretização desses eventos terá um caráter mais localizado, não comprometendo profundamente a infra-estrutura planetária, já que são eventos anteriores à grande tribulação. É bem provável que seja travada uma guerra de grandes proporções entre duas potências vizinhas (Índia/Paquistão ou Coréia/Japão) ou que terremotos e fomes ocorram em regiões específicas do planeta, com grande concentração populacional.
CLÍMAX DA PERSEGUIÇÃO
Logo após detalhar os eventos que caracterizam o princípio de dores, Jesus começa a revelar aos discípulos algo que ocorreu desde o princípio da Igreja, tem ocorrido durante todos os séculos e terá seu clímax nos últimos tempos, através de uma ação maligna global: a perseguição à Igreja. A partir do versículo 9, Ele detalha:
“Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. Neste tempo muitos serão escandalizados, e trair-se uns aos outros, e uns aos outros se odiarão. E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mateus 24:9-13)
Se formos coerentes com a literalidade gramatical, Jesus relaciona diretamente o final do princípio de dores ao começo da perseguição mundial à Igreja. Fica claro que os servos do Senhor serão odiados por todas as nações (v9), algo que só poderá ser plenamente concretizado no período tribulacional, quando todas as nações entregarão seu poder e domínio à besta, durante 42 meses e a perseguição à Igreja será mundial e institucional (Apocalipse 13:5-7, Apocalipse 17:17).
Mais uma vez, a narrativa de Jesus no sermão profético, encontra paralelo no capítulo 6 de Apocalipse. Entre os versículos 9 e 11, João retrata o clamor de mártires, os quais tinham sido mortos por causa de seu testemunho e da Palavra de Deus. Aqueles mártires são instruídos a esperarem por um pouco de tempo, até que o número de seus conservos se completasse, os quais morreriam da mesma forma que eles (perseguidos e martirizados):
“E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram...E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda por um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como também eles foram” (Apocalipse 6:9 e 11)
Da mesma forma que os mártires aqui mencionados permaneceram fiéis até a morte, vítimas da perseguição institucional ou de outro caráter, nós temos que estar preparados para perseverar até o fim, mesmo que isso signifique perseguição e martírio.
ÚLTIMOS SINAIS
Dentro da simbologia apocalíptica, cremos que há uma estreita relação entre trombetas e taças, sendo estas últimas a descrição das conseqüências finais do toque das 7 trombetas, e que os selos descrevem um período de tempo maior, que vai do princípio de dores (selos 1 a 4), até a vinda de Cristo (selo 7), passando pela perseguição aos servos do Senhor (selo 5) e pelos sinais que antecedem o grande dia do Senhor (selo 6). Ou seja, entendemos que os selos abrangem todo o período tribulacional e até mesmo o período anterior, denominado de princípio de dores. Tudo indica que os eventos relacionados às 7 trombetas ocorrerão a partir do início da grande tribulação de 3 anos e meio e que os eventos resultantes das 7 taças terão lugar nos momentos finais desse período.
O paralelo entre o sermão profético de Jesus e o capítulo 6 de Apocalipse tem seu ponto culminante com a descrição dos sinais que antecedem o DIA DO SENHOR. Se formos aos livros do Antigo Testamento, veremos que esse dia será antecedido por uma comoção global, ocasionando o desespero das pessoas e gerando efeitos cósmicos, como o escurecimento do sol e da lua (veja Isaias 2:10-22, Isaias 13:4-13, Joel 2:31, Amós 5:20).
Jesus relatou assim os sinais que antecederiam imediatamente sua volta:
“E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá , e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus” (Mateus 24:29-31).
Agora, compare com Apocalipse 6: 12-17:
E, havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue; e as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte. E o céu retirou-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares. E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; e diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?" (Apocalipse 6:12-17).
As semelhanças são notórias. Num primeiro momento, dentro dos acontecimentos que antecederão o DIA DO SENHOR, muito provavelmente poucos dias antes da volta de Jesus, as duas passagens em questão mencionam o escurecimento do sol e da lua. Logo após, a comoção celeste, abrangendo as estrelas. Isso gerará o desespero por parte daqueles que rejeitaram a mensagem de salvação e adoraram a besta. Tais pessoas se esconderão diante desses sinais monumentais e, quando virem aparecer no céu totalmente escuro o sinal de Jesus, saberão que o DIA DO SENHOR (o dia de sua gloriosa volta), profetizado na Palavra e pregado pelos servos do Senhor durante séculos, estará chegando. Só restará para eles a triste expectativa do juízo eterno.
Para os servos do Senhor, este dia será motivo de grande regozijo, no qual verão concretizar-se a bem-aventurada esperança (Tito 2:13), o encontro com Jesus (II Tessalonicenses 2:1-3) e o alívio definitivo de suas tribulações (II Tessalonicenses 1:7-9). Para aqueles que escolheram viver à margem do plano do Criador, rejeitando sua Palavra e menosprezando todas as oportunidades oferecidas, será um dia de grande pesar... Se você não tem certeza de qual será sua condição naquele dia e ainda não creu no evangelho de Jesus, entregando sua vida totalmente a Ele, este é o momento de faze-lo! Chegará o tempo em que será tarde demais para tomar essa decisão...
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).
Maranata!
O DIA DO SENHOR
Encontramos o termo “Dia do Senhor” muitas vezes na Palavra, sempre relacionado a eventos escatológicos e decisivos para o cumprimento final do plano do Senhor para a humanidade. O primeiro a citar tal termo foi o profeta Isaias, há aproximadamente 700 anos A.C.
Mas, o que significa Dia do Senhor? Diante desse questionamento, se apresentam duas posições principais:
1. Alegorizar o termo “dia”, fazendo com que o “Dia do Senhor” abranja o espaço de tempo maior que um dia de 24 horas.
2. Tomar o termo “dia” num sentido literal, no qual o “Dia do Senhor” será realmente um dia específico.
Sendo coerentes com a nossa concepção literalista das Escrituras, não vemos razões suficientes para não considerar o “Dia do Senhor” como um dia literal de 24 horas ou o glorioso dia da vinda de Jesus. Neste pequeno estudo tentaremos mostrar isso.
Alguns tentam alegorizar o termo “Dia do Senhor” tomando como base a relação feita por Paulo e também por Pedro entre o Dia do Senhor e a chegada abrupta de um ladrão (I Tessalonicenses 5:2, II Pedro 3:10). Considerando essa premissa, afirma-se que o Dia do Senhor começará de forma iminente e inesperada. Porém, analisando os contextos do que foi escrito pelos apóstolos, vemos que tanto Paulo como Pedro associam o fato do Dia do Senhor ser comparado à chegada de um ladrão, ao despreparo e incredulidade daqueles que não esperam a vinda de Jesus e até mesmo zombam dessa possibilidade, sendo surpreendidos diante dessa gloriosa vinda (I Tessalonicenses 5:4, II Pedro 3:3-5). O Apocalipse mostra de forma contundente que, mesmo em meio à grande tribulação, a maior parte da população mundial vai blasfemar de Deus, fazendo pouco caso de Sua Palavra (veja essa atitude em Apocalipse 9:20-21, Apocalipse 16:9 e 21). Esse comportamento altivo e orgulhoso mudará diante dos sinais do Dia do Senhor. O próprio Senhor tinha revelado que o dia de sua gloriosa volta, logo após a grande tribulação, causaria a “lamentação” das nações, num comportamento totalmente diferente da presunção e altivez mostrados durante a tribulação:
“E, logo depois da aflição daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mateus 24:29-30).
Outro argumento constantemente usado pelo modelo pré-tribulacionista é que o Dia do Senhor deve ser temido, pois trará graves consequências. Esse tipo de ensinamento se baseia em passagens como a de Amós 5:18-20. No entanto, esquece-se, seja por conveniência ou por desconhecimento, de mostrar a Palavra como um todo. A mesma Palavra que nos mostra as consequências drásticas do Dia do Senhor sobre os ímpios, mostra que esse Dia trará cântico e alegria para os justificados!
"Eis que o nome do SENHOR vem de longe, ardendo a sua ira, sendo pesada a sua carga; os seus lábios estão cheios de indignação, e a sua língua é como um fogo consumidor. E a sua respiração como o ribeiro transbordante, que chega até ao pescoço, para peneirar as nações com peneira de destruição, e um freio de fazer errar nas queixadas dos povos. Um cântico haverá entre vós, como na noite em que se celebra uma festa santa; e alegria de coração, como a daquele que vai com flauta, para entrar no monte do SENHOR, à Rocha de Israel" (Isaías 30:27-29)
Essa dupla consequência do Dia do Senhor é confirmada por Paulo, ao ensinar aos irmãos em Tessalônica que a vinda do Senhor traria descanso da tribulação para a Igreja e castigo de eterna perdição (não tribulação) para os ímpios:
"E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo; Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem..." (II Tessalonicenses 1:7-10)
A seguir, daremos algumas razões bíblicas que mostram claramente que não se pode atribuir o Dia do Senhor ao período tribulacional, como é defendido em alguns modelos escatológicos, e sim a um dia específico e literal, o qual ocorrerá imediatamente após a grande tribulação:
1] No texto de Apocalipse 6:12-17 é narrado que os homens, em determinado momento, sofrerão um pavor repentino e tratarão de esconder-se diante de um evento iminente: “O grande dia da sua ira” (v.17). Note que os sinais que iniciam essa reação desesperada das pessoas no final da tribulação, são os mesmos sinais descritos por Joel como anteriores ao Dia do Senhor e por Jesus como imediatamente posteriores à tribulação e imediatamente anteriores a sua gloriosa volta: O sol e a lua escurecendo, além da grande comoção cósmica (Apocalipse 6:12 compare com Mateus 24:29-31). Por outro lado, vemos que a maior parte das pessoas durante a tribulação se maravilhará com a besta, seguindo-a e adorando-a, sendo mundialmente enganados e manipulados (Apocalipse 13:3-4, 13:15, II Tessalonicenses 2:9-11).
Consequentemente, o Dia do Senhor não parece de forma alguma estar relacionado ao período tribulacional em si e sim ao dia glorioso da volta de Jesus. O desespero daqueles que não estão preparados para a vinda de Jesus se dará a partir da concretização de sinais que, de acordo com o Mestre, se darão logo após a grande tribulação (Mateus 24:29, Apocalipse 6:12-17). Como já vimos, durante a tribulação e o governo da besta, as pessoas, em sua maioria, zombrão e blasfemarão de Deus e de Sua Palavra (Apocalipse 9:20, Apocalipse 16:9). A grande e tardia lamentação só virá após os sinais do Dia do Senhor (Mateus 24:30, Apocaclipse 6:12-17)
2] As passagens de Joel 2:31-Atos 2:20 e Mateus 24:29-Marcos 13:24, nos revelam os mesmos sinais cósmicos que marcam o final da tribulação e o começo do Dia do Senhor. De acordo com esses versos, o Dia do Senhor e a tribulação não são eventos paralelos e sim subsequentes: primeiro ocorre a tribulação e depois ocorre o Dia do Senhor.
3] A primeira vez em que vemos o termo “Dia do Senhor” mencionado na Bíblia é no capítulo 2 de Isaias. O profeta escreve que só o Senhor será exaltado nesse dia. Quando estudamos as profecias apocalípticas, notamos que o anticristo será adorado como um deus... Consequentemente, o Dia do Senhor e a tribulação não podem ser eventos paralelos (Isaias 2:11-12 x Apocalipse 13:12). O anticristo não poderá ser adorado no Dia do Senhor, pois Isaias nos revela que somente o Senhor será exaltado nesse dia! Também, todos os ídolos serão abolidos no Dia do Senhor, o que não condiz com a realidade tribulacional, na qual a imagem da besta e outros ídolos serão adorados pela população (Isaias 2:18, Apocalipse 9:20-21 e Apocalipse 13:15).
4] Zacarias 14:7 indica que o Dia do Senhor será um dia literal de 24 horas. O texto hebraico diz literalmente: “esse dia será um” (veja também Isaias 10:17)
5] Por tres vezes a frase “o Dia do Senhor vem” é usada no Antigo Testamento (Isaias 13:9, Joel 2:1 e Zacarias 14:1). Nesses tres casos, as passagens começam a descrever imediatamente depois a batalha do Armagedom. No Novo Testamento, é revelado que o Dia do Senhor virá como um ladrão à noite (I Tessalonicenses 5:1-2 e II Pedro 3:10). Nesses dois últimos casos uma destruição surpreendente e definitiva também ocorre imediatamente após a concretização do Dia do Senhor.
6] Joel 3:9-17 descreve a reunião dos exércitos das nações contra Jerusalém para a batalha do Armagedom, os sinais cósmicos (o sol e a lua escurecendo), e a vinda do Senhor. Após a reunião dos exércitos, porém antes dos sinais cósmicos, Joel escreve que o Dia do Senhor está “perto”. Se formos coerentes com essa passagem, o Dia do Senhor começa após a reunião dos exércitos para a batalha do Armagedom, que acontece no final da tribulação, de acordo com Apocalipse 16:13-16.
7] De acordo com Apocalipse 16, os exércitos das nações serão reunidos de forma maligna do final da tribulação para “a batalha do grande dia de Deus”. Fica claro que “o Dia de Deus” será logo após a tribulação. Pedro mostra implicitamente que os termos “Dia de Deus” e “Dia do Senhor” são sinônimos (II Pedro 3:10-12).
8] Em II Tessalonicenses 2:1-3 está escrito que o Dia do Senhor não virá antes da apostasia e da revelação do filho da perdição. O versículo 4 indica como ele será revelado, relacionando essa revelação a sua presença no templo, no meio da tribulação (veja Mateus 24:15). Então, no mínimo, o dia do Senhor não pode ocorrer antes da metade da tribulação.
9] De acordo com Malaquias 4:5, Elias o profeta virá antes do Dia do Senhor. Há indícios para acreditar que Elias será uma das duas testemunhas. Consequentemente, esse fato nos dá indícios para pensar que o Dia do Senhor não pode começar antes da missão das duas testemunhas em plena tribulação.
10] Há muitos sinônimos para o “Dia do Senhor” no Novo Testamento. Nós sabemos que no Dia do Senhor, Ele virá com poder, acompanhado de todos os seus santos (Zacarias 14:1-6, Atos 1:9-12 e I Tessalonicenses 3:13). Nós também sabemos que há várias combinações do nome de Jesus no Novo Testamento: Jesus, Cristo, Jesus Cristo, Cristo Jesus, Senhor Jesus, Senhor Jesus Cristo e Senhor. Consequentemente, todos os versículos que daremos a seguir falam de um único evento: O glorioso dia em que Jesus virá em glória. Vejamos alguns exemplos.
(Filipenses 1:10 - Dia de Cristo), (Filipenses 1:6 - Dia de Jesus Cristo), (I Coríntios 1:8 - Dia do Senhor Jesus Cristo), (I Coríntios 5:5 - Dia do Senhor Jesus), (I Tessalonicenses 5:2 - Dia do Senhor), (II Pedro 3:12 - Dia de Deus), (Apocalipse 16:14 - Dia de Deus Todo-Poderoso). Portanto, não há suficiente base bíblica para diferenciar o dia do Senhor usando como argumento apenas o nome diferenciado dado ao Senhor nas diferentes passagens neo-testamentárias.
De acordo com esses princípios, cremos que o dia do Senhor ocorrerá logo após a tribulação e será a manifestação poderosa de Cristo, vindo sobre as nuvens como Rei e Senhor, para arrebatar aqueles que o esperam, derrotar os exércitos do anticristo reunidos no Armagedom e instaurar o seu reino de paz sobre a Terra.
Maranata!
O FALSO PROFETA
A Palavra revela que nos últimos tempos haverá uma apostasia generalizada. Jesus, em Mateus 24:12, profetizou que, por se multiplicar a iniqüidade, o amor (ágape) de muitos esfriaria. Já o apóstolo Paulo, em estreita submissão à Palavra do Mestre, coloca como um evento anterior à revelação do iníquo (anticristo), a já mencionada apostasia (II Tessalonicenses 2:3).
O verbo “apostatar”, considerando sua raiz semântica, está relacionado à idéia de “afastar-se de algo”. Apostasia, dentro do contexto bíblico, é o desvio ou afastamento consciente da verdadeira fé. Conseqüentemente, vemos aqui uma reação em cadeia: a multiplicação crescente da iniqüidade (Mateus 24:12), gera uma apostasia de grandes proporções (II Tessalonicenses 2:3), a qual, por sua vez, tornará propicia a revelação do anticristo. Podemos afirmar que o surgimento e revelação do anticristo estão intimamente ligados ao desvio da verdadeira fé por parte de muitos.
O COMEÇO DA APOSTASIA
A fé da igreja primitiva estava baseada na Palavra. Jesus deixou-nos um exemplo precioso, ao basear Seu ministério sobre sentenças e revelações da Palavra. Esse exemplo foi seguido pelos apóstolos. Contudo, a partir do século IV, esses preciosos exemplos começaram a ser deixados de lado. Práticas sem nenhum embasamento escriturístico nem histórico (quando comparadas às práticas da Igreja nos três primeiros séculos), começaram a ser adotadas no seio da Igreja.
Entre as práticas escriturísticamente errôneas, está a concentração do poder eclesiástico mundial nas mãos de uma só pessoa. Até o século IV, essa noção não existia no seio da Igreja primitiva.
Jesus jamais estabeleceu uma exclusividade sucessória para governar Sua Igreja através de uma única pessoa. Esse entendimento, no seio da Igreja primitiva, fica patente desde o começo. No Concílio de Jerusalém, descrito em Atos 15, podemos observar a participação de todos os irmãos, sem a presença de um clero privilegiado. Neste concílio, promovido para dirimir sobre a questão do evangelho entre os gentios e os costumes judaicos que eles deveriam ou não seguir, vemos Paulo, Barnabé e Pedro expressando suas posições a respeito do tema, usando como base argumentativa a Palavra (Atos 15:7-12).
Logo após, Tiago, como líder da Igreja em Jerusalém, também baseado na Palavra (Atos 15:13-18), expressou a posição final do Concílio (Atos 15:19-20). Tudo era feito de comum acordo e todos tinham a liberdade de participar das decisões eclesiásticas (como a eleição dos diáconos e do apóstolo Matias, Atos 6:2-3 e Atos 1:15, 23). Cada eklesia local possuía seus líderes (anciões), sem nenhuma supremacia eclesiástica de uns sobre os outros ou de uma eklesia sobre outra.
A Igreja é o Corpo espiritual e atemporal de Jesus e seu único e exclusivo líder é o próprio Jesus, a cabeça (Efésios 5:23, I Pedro 5:4). Toda essa concepção eclesiástica dos irmãos primitivos estava fundamentada nas palavras de Jesus: onde estivessem dois ou três, reunidos em seu nome, ali Ele, o próprio Deus, estaria presente (Mateus 18:19-20).
É óbvio que os apóstolos foram escolhidos e comissionados por Jesus para uma missão maravilhosa: pregar o evangelho a toda criatura e estabelecer sua Igreja na Terra, formando novos líderes, os quais, como discípulos ungidos, deveriam continuar com a missão delegada pelo Mestre. Irineu, no século II, em seu tratado Contra as Heresias, já deixava clara a presença de grupos que menosprezavam a autoridade concedida por Jesus a seus apóstolos, desrespeitando também àqueles a quem os apóstolos tinham confiado a continuação da pregação da Palavra (Contra as Heresias, capítulo III,1). Vemos uma grande preocupação entre os verdadeiros cristãos primitivos no que concernia à transmissão dos verdadeiros ensinamentos.
O intuito da sucessão apostólica, compreendida como uma sucessão ministerial e não pessoal, e com a participação de todos os apóstolos, sem exclusividade, era o de zelar pela sucessão da pregação e ensino da sã doutrina. Ou seja, a sucessão tem como finalidade algo nitidamente espiritual. Não é um fim em si mesma, mas um instrumento para a manutenção da sã doutrina, aquela que está de acordo com a Palavra. Quando a sucessão se torna um fim em si mesma, em detrimento da manutenção e zelo pela verdadeira doutrina, ela se torna perigosamente infrutífera. Também, sucessão não justifica a exclusividade da detenção do poder eclesiástico mundial numa só pessoa. A respeito desse princípio, vemos a concepção que nossos irmãos primitivos tinham a respeito:
“Os abençoados apóstolos, então, havendo fundado e erguido a Igreja, colocaram nas mãos de Lino o ofício do episcopado” (Contra as Heresias III,3)
O comentário acima foi feito por Irineu a respeito de Lino, bispo de Roma. Fica claro que Lino foi empossado pelos apóstolos, como um corpo. Vemos um real perigo na concentração do poder eclesiástico universal nas mãos de um só homem...
O CLÍMAX DA APOSTASIA
Quando avançamos no tempo, observamos que, em determinado momento, a adoração mundial será direcionada a um só homem: o anticristo (Apocalipse 13:8). Na revelação apocalíptica, há um detalhe importante. A besta que surge da terra, faz com que a população mundial adore a outra besta (anticristo). Ou seja, alguém mundialmente reconhecido como um líder espiritual e religioso, induzirá a maior parte da população mundial a adorar o anticristo e a fazer uma imagem do mesmo. A besta que surge da terra conseguirá isso baseado em seu prestígio e nos sinais surpreendentes e sobrenaturais que fará:
“E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão. E exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença; e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada. E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. E engana os que habitam com sinais que lhe foi oermitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia” (Apocalipse 13:11-14)
Em Apocalipse 19:20, fica claríssimo que o falso profeta é a besta que surge da terra, a mesma que faz os sinais para enganar a população mundial. O mesmo será um líder religioso aceito em todo o mundo. Ou seja, chamará para si a exclusividade do sacerdócio mundial e transferirá essa ação sacerdotal maligna para a concretização do clímax da idolatria, que será a adoração do anticristo e de sua imagem.
Acreditamos que há uma estreita relação entre a atuação do falso profeta e a presença da “grande Babilônia”, descrita em Apocalipse 17 e 18. O falso profeta possuirá dois chifres. Na revelação apocalíptica, chifre está relacionado com poderio ou influencia. Cremos que o falso profeta exercerá, portanto, uma dupla influência no mundo. Uma espiritual, como líder religioso, e a outra política, através de sua credibilidade e livre acesso entre os poderosos.
Nosso propósito, ao escrever esse tópico, não é desmerecer a fé particular de ninguém, até porque não podemos limitar humanamente a graça e a atuação amorosa do Senhor. Nosso objetivo é alertar você para o futuro sistema maligno que será implantado no mundo num futuro muito próximo, o qual, além de sua conotação política maligna, terá implicações religiosas, numa estreita correlação, como fica claro na ação conjunta das bestas (anticristo e falso profeta).
Uma grande e respeitável liderança ecumênica mundial, através de seu prestígio e de realizações sobrenaturais, fará com que a maior parte da população mundial adore o representante mais apropriado do diabo: o anticristo. Esperamos que, no momento certo, você lembre destas palavras de alerta e saiba identificar o falso profeta...
Maranata!
O JULGAMENTO DE MATEUS 25:31-46
Uma das passagens escatológicas mais discutidas é a que foi registrada por Mateus no final da detalhada exposição profética feita pelo Senhor Jesus no Monte das Oliveiras, dias antes de Sua crucificação e gloriosa ressurreição. Essa passagem está contida em Mateus 25:31-46. Se nas passagens bíblicas teoricamente mais fáceis de interpretar devemos ter o máximo de cautela para não adotar a posição de infalibilidade interpretativa, muito mais devemos fazer isso com o texto em questão. No entanto, não podemos fugir da tentativa de compreendê-lo em sua plenitude, pois é Palavra de Deus para nós. Que o Espírito Santo possa nos guiar nessa incessante caminhada.
As palavras do Mestre em Mateus 25:31-46 têm gerado diversas interpretações. São usadas até mesmo por aqueles que pregam a justificação perante o Criador através das boas obras, ideia que não refutaremos neste artigo, pois encontra-se tão afastada da verdade redentora revelada no evangelho e ministério de Cristo que não merece ser incluída num artigo que visa, principalmente, trazer alguma luz sobre a passagem, tendo como base inegociável a Graça de Deus.
As dúvidas e diferentes interpretações relacionadas a essa passagem geralmente se relacionam com o tempo e a forma como será concretizada essa profecia dita pelo Senhor. Os fatos narrados pelo Mestre em Mateus 25:31-46 se darão imediatamente após a Sua gloriosa volta ou após o Milênio? Essa passagem é um forte argumento amilenista? É o Juízo Final? Todos os acontecimentos narrados na passagem ocorrerão no mesmo momento, numa sequência temporal imediata? Todos os elementos simbólicos usados pelo Senhor englobam a totalidade das pessoas que existirão naquele momento? É um julgamento de nações ou de pessoas? Essas e outras questões serão abordadas neste artigo. Cremos que, acima de tudo, deve haver discernimento espiritual para a perfeita compreensão das Escrituras e esse discernimento está à disposição de todo aquele que nasceu de novo, está em comunhão com o Senhor e pede por ela.
Durante muito tempo, nós interpretamos essa passagem seguindo a vertente mais aceita pela ortodoxia dispensacional, ou seja, como um juízo sobre as nações existentes no momento da volta de Cristo. Nesse entendimento, o qual é seguido pela grande maioria dos que já leram o texto, as ovelhas são as nações que ajudarão ou ajudam de alguma forma os "irmãos pequeninos" (Israel) e os bodes são aqueles que se opõem e oporão a Israel. No entanto, nunca tínhamos feito um estudo mais detalhado sobre o texto. Esse artigo é fruto desse estudo e rogamos ao Senhor que seja útil para quem o ler.
AS NAÇÕES
Se formos a nossas bíblias, veremos que na maioria delas a passagem em questão começa com o subtítulo de "Julgamento das Nações". Obviamente, esse subtítulo não faz parte do escrito original do Evangelho, sendo acrescentado pelos tradutores e editores muito depois. Sem dúvidas, o texto descreve um julgamento e as nações são o alvo desse julgamento. Logo, o subtítulo, quando diz tratar-se do "julgamento das nações" não foge à realidade do texto. No entanto, cremos que o ponto inicial a ser tratado é o que realmente significa no texto o termo "nações". A partir do correto entendimento do que realmente significa esse termo, poderemos chegar a uma compreensão mais apropriada.
O termo grego usado para "todas as nações" em Mateus 25:32 é pas ethnos. A palavra ethnos sozinha é muitas vezes usada no Novo Testamento para descrever as nações gentílicas, excluindo Israel (por exemplo, Mateus 4:14, Mateus 6:32, Lucas 21:24). Porém, se formos considerar o contexto imediato da mensagem do Senhor, veremos que, durante as revelações que Ele proferiu no sermão da Montanha, o uso do termo "todas as nações" (pas ethnos) se refere à totalidade representativa das nacionalidades existentes:
“
"Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações (pas ethnos) por causa do meu nome" (Mateus 24:9)
"E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações (pas ethnos), e então virá o fim" (Mateus 24:14)
Também podemos ver Jesus utilizando o mesmo termo em Mateus 28:19, quando Ele comissiona os discípulos:
"Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações (pas ethnos), batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mateus 28:19)
Então, a aplicabilidade do termo "todas as nações" em Mateus 25:32 não parece apontar para a totalidade absoluta de todas as pessoas de todos os tempos, até porque muitos que estão mortos só serão ressuscitados após o Milênio (Apocalipse 20:11-13). Considerando como a expressão é utilizada em todos os textos anteriores, ela parece descrever, no contexto de Mateus 25:31-46, todas as nações, povos e etnias existentes no momento da gloriosa vinda do Senhor Jesus, deixando transparecer que todas essas nações estarão sendo representadas naquele momento pessoalmente por grande parte de seus habitantes. O termo não sugere uma aplicação institucional para nações, como se estivesse falando de repúblicas ou países, mas de "todos os povos" ou "todas as pessoas existentes naquele momento".
O PROPÓSITO DA PARÁBOLA
Jesus revela que todas as nações serão reunidas diante Dele e que haverá uma separação (Mateus 25:32). Esse é o tema principal do texto sobre o qual estamos meditando. Dois grupos de pessoas sendo separados e destinados a realidades distintas. Cremos que, quando falamos em separação, não devemos dissociar este texto de outros semelhantes, os quais trazem também revelações do Senhor a respeito da separação que ocorrerá no fim dos tempos. A revelação da Palavra deve ser compreendida como um conjunto harmonioso (Salmos 119:160).
Jesus, ao mencionar essa separação, em todo momento fala de dois grupos. Convém lembrar que antes de falar sobre a separação usando a figura das ovelhas e dos bodes (Mateus 25:33), Ele já a tinha mencionado utilizando outras figuras, todas elas, assim como a separação de bodes e ovelhas, bem familiares e de fácil compreensão para os seus ouvintes. Ele havia falado sobre o joio e o trigo (Mateus 13:24-43) e dos peixes bons e estragados (Mateus 13:47-48).
Vejamos cada um desses textos:
"Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro... Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça" (Mateus 13:30 e 40-43).
"Igualmente o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de peixes. E, estando cheia, a puxam para a praia; e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora. Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos" (Mateus 13:47-49)
Logo, cremos que a narrativa sobre os bodes e as ovelhas deve ser entendida sob esse contexto maior: Jesus utilizava figuras de fácil compreensão para que aqueles que O ouviam pudessem entender a mensagem. Nesse caso específico, a mensagem da separação que haverá no fim entre justos e injustos que haverá no fim. O modus operandi usado na separação do joio e do trigo, dos peixes e das ovelhas e dos bodes diferem em sua operacionalidade, mas o resultado final é a obtenção de dois grupos bem definidos. Um grupo reunido para entrar no Reino e outro grupo reunido para ser castigado. Essa separação fica bem patente nas três passagens em foco.
Sob esse princípio maior da contextualidade das Escrituras, entendemos que o propósito da figura utilizada em Mateus 25:31-46, a simbologia dos bodes e das ovelhas, visa mostrar o conceito de separação que o Mestre já havia ensinado antes. A forma de separação, se atentarmos bem para o costume de cada atividade usada por Jesus como exemplo, é diferente. O modus operandi para a separação do trigo e do joio difere da operação feita pelo pescador para separar os peixes bons dos maus, assim como a separação de bodes e ovelhas tem peculiaridades que a difere das outras.
Vejamos: na separação do joio e do trigo, o joio era reunido primeiro, colocado em molhos e depois queimado. O que ficava, obviamente, era o trigo. No caso dos peixes, o pescador se assentava na praia após a pescaria e ia tirando um a um os peixes da rede. Os bons eram colocados de um lado e os estragados de outro, formando dois amontoados de peixes. Os bons eram aproveitados e os estragados eram descartados. Com relação às ovelhas e os bodes, o pastor fazia uma grande fila e ia separando um a um, conforme se aproximavam dele.
Consequentemente, não cremos que essas diferenças operacionais entre as parábolas citadas seja motivo para crer que elas se referem a acontecimentos distintos nem cremos que tais diferenças possam ser usadas separadamente para sustentar determinada doutrina... O propósito maior do Senhor era o de mostrar àqueles homens, através de figuras didáticas, o que haveria de ocorrer em Sua vinda no fim dos tempos.
Sendo assim, não há suficiente base para negar veementemente que as ovelhas de Mateus 25:31-46 seja uma figura da Igreja, a menos que se interprete a passagem de forma desconexa com as outras passagens onde o Senhor fala da separação que haverá no fim. Entendemos ser muito mais prudente interpretar Mateus 25:31-46 à luz de Mateus 13:47-49 e Mateus 13:30-43, do que apegar-se à diferença operacional inerente à parábola em relação às outras, pois nesse caso teríamos que defender, no mínimo, 3 formas diferentes de separação na vinda de Cristo, baseados na forma de separação diferenciada de cada uma das atividades mencionadas pelo Senhor nas 3 parábolas em questão (joio e trigo, peixes bons e ruins e ovelhas e bodes) (!).
Entendemos que todas essas figuras usadas pelo Senhor mostram que haverá, por ocasião de Sua gloriosa vinda, uma separação entre justos e injustos. Essa é a mensagem central. Sendo assim, temos que considerar todo o contexto bíblico para discernir que separação é essa e como será feita. Vamos buscar tais respostas na soma da Palavra...
A REUNIÃO DOS ÍMPIOS (BODES, JOIO, PEIXES RUINS)
O que as Escrituras nos mostram sobre reunião de ímpios e justos no fim dos tempos, quando o Senhor voltar? O que a Palavra nos diz sobre esses dois grupos de pessoas sendo reunidas com propósitos diferentes na consumação dos séculos?
Já no Antigo Testamento, os profetas Joel e Zacarias nos mostram que o Senhor realizaria um ajuntamento de ímpios no fim dos tempos:
"Porque, eis que naqueles dias, e naquele tempo, em que removerei o cativeiro de Judá e de Jerusalém, congregarei todas as nações, e as farei descer ao vale de Jeosafá; e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo, e da minha herança, Israel, a quem elas espalharam entre as nações e repartiram a minha terra"”(Joel 3:1-2)
O profeta Joel situa esse ajuntamento das nações dentro do Dia do Senhor, como pode ser visto no contexto (Joel 2:30-32). Mais ou menos 3 séculos depois de Joel, o profeta Zacarias também revela a respeito desse ajuntamento no mesmo contexto do Dia do Senhor:
"Eis que vem o dia do SENHOR, em que teus despojos se repartirão no meio de ti. Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres forçadas; e metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será extirpado da cidade. E o SENHOR sairá, e pelejará contra estas nações, como pelejou, sim, no dia da batalha" (Zacarias 14:1-3)
Sabemos que a revelação bíblica é progressiva. Aquilo exposto por Joel e Zacarias foi aprofundado na revelação recebida por João em Patmos. O que nos diz a revelação apocalíptica a respeito?
"E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do oriente. E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs. Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis da terra e de todo o mundo, para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso. Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia, e guarda as suas roupas, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas. E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom" (Apocalipse 16:12-16)
Então, se formos submissos ao ensinamento do Senhor Jesus e à soma de Sua Palavra, entenderemos que o joio será reunido no Armagedom ou "Vale de Josafá" nos momentos que antecedem a gloriosa volta de Cristo. Ali, as nações de todo o mundo, ludibriadas pelos três espíritos malignos, numa tríplice atuação do mal, se reunirão com o propósito último de exterminar definitivamente o povo judeu e apossar-se de Jerusalém.
Cremos que, quando essa marcha mundial contra Jerusalém ocorrer, a população na Terra será muito menor do que a atual, pois o período tribulacional causará grande quantidade de mortes (Apocalipse 6:8, Apocalipse 9:18). Então, é viável pensar que grande parte das pessoas existentes naquela época, excetuando, é claro, a Igreja e algumas pessoas das nações, marcharão contra Jerusalém. Ali, essas pessoas ("nações") serão julgadas e sentenciadas pelo próprio Senhor Jesus. Não apenas por terem subido contra Jerusalém, mas por terem recebido a marca da besta e adorado a sua imagem. O resultado da sentença é claramente exposto e se encaixa perfeitamente com a narrativa da condenação e sentença sobre os bodes:
"E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome" (Apocalipse 14:9-11)
"E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo. E estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus. E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores. E vi um anjo que estava no sol, e clamou com grande voz, dizendo a todas as aves que voavam pelo meio do céu: Vinde, e ajuntai-vos à ceia do grande Deus; Para que comais a carne dos reis, e a carne dos tribunos, e a carne dos fortes, e a carne dos cavalos e dos que sobre eles se assentam; e a carne de todos os homens, livres e servos, pequenos e grandes. E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e ao seu exército. E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre. E os demais foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes" (Apocalipse 19:11-21).
Agora, voltemos ao texto de Mateus 25:31-46 e vejamos o que acontecerá com os bodes:
"...E irão estes para o tormento eterno" (Mateus 25:46)
Ou seja, a mesma sentença citada em Apocalipse 14:9-11 e Apocalipse 19:11-21... Uma reunião dos ímpios (joio, peixes estragados, bodes) cuja destinação será o "tormento eterno" (Mateus 25:46, Apocalipse 14:9).
Cremos, então, que o julgamento dos "bodes" de Mateus 25:31-46 será o momento em que as nações que subirem contra Jerusalém no final da tribulação, assim como aqueles que tiverem aceito a marca da besta e adorado a mesma como a um deus, serão sumariamente julgados e destinados ao "tormento eterno". A soma da Palavra aponta para esse momento único.
A REUNIÃO DOS JUSTOS (OVELHAS, TRIGO E PEIXES BONS)
Da mesma forma que a Bíblia mostra a reunião dos ímpios diante da vinda do Senhor e a separação dos mesmos para o juízo, revela que os justos, os escolhidos ou Igreja, como se queira denominar, serão reunidos também. Se a Igreja era um mistério para os profetas do Antigo Testamento, imaginem a reunião da Igreja no momento da gloriosa volta de Cristo... No entanto, esse mistério começou a ser revelado por nosso Senhor. Ele detalha claramente quando e como se dará essa reunião sublime:
"E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus" (Mateus 24:29-31)
O Senhor revela cronologicamente os detalhes. Imediatamente após a grande tribulação, os sinais que antecedem o Dia do Senhor se manifestarão e o próprio sinal Dele aparecerá nos céus. As "tribos da terra" (ímpios já reunidos contra Jerusalém, como vimos anteriormente), se lamentarão diante dessa gloriosa aparição divina. O Senhor aparecerá no céu juntamente com os Seus anjos.
Os justos, justificados por Cristo e pertencentes ao Seu Corpo, serão reunidos nos ares no momento em que a última trombeta tocar. Nesse momento, os mortos em Cristo ressuscitarão e os que estiverem vivos serão transformados, todos recebendo corpos glorificados para, logo depois desse encontro nos ares, descer à Terra com o Senhor (I Coríntios 15:51-52, I Tessalonicenses 4:15-18, Zacarias 14:1-4).
No momento em que Cristo Jesus descer à Terra com todos os Seus anjos e com a Sua Igreja glorificada, Ele pousará Seus pés no Monte das Oliveiras e exercerá juízo contra as nações reunidas ali no Armagedom.
Então, nesse momento podemos ver claramente os dois grupos de pessoas simbolizados pelo Senhor na passagem de Mateus 25:31-46 como "bodes" e "ovelhas". De um lado, a maior parte dos habitantes da Terra, representando todas as nações, reunidos contra Jerusalém. Pessoas que estarão ali sob as ordens espirituais malignas da besta, do falso profeta e de satanás com o intuito de destruir definitivamente Israel e levantar-se contra Deus (Apocalipse 16:12-16). Pessoas que receberam o sinal da besta e a adoraram. De outro lado, a Igreja de Cristo, reunida por Ele próprio e por Seus anjos nos ares imediatamente antes.
Entendemos que ali, naquele exato instante, no Dia do Senhor, se dará a sentença para os ímpios que estiverem reunidos contra Israel (morte e tormento eterno) e para a Igreja (o convite para entrar no Reino juntamente com Ele):
"Então, dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos" (Mateus 25:41)
"Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo" (Mateus 25:34)
Os profetas veterotestamentários também referem-se a esse dia decisório de julgamento:
"Eis que vem o dia do SENHOR, em que teus despojos se repartirão no meio de ti. Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres forçadas; e metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será extirpado da cidade. E o SENHOR sairá, e pelejará contra estas nações, como pelejou, sim, no dia da batalha. E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele para o sul... E o SENHOR será rei sobre toda a terra; naquele dia um será o SENHOR, e um será o seu nome" (Zacarias 14:1-4 e 9)
"Multidões, multidões no vale da decisão; porque o dia do SENHOR está perto, no vale da decisão" (Joel 3:14)
Por sua vez, o apóstolo Paulo nos mostra que apenas os corporalmente glorificados herdarão o reino de Deus. Essa é mais uma forte base para crermos que o convite feito pelo Senhor Jesus para que ovelhas herdem o Reino, se refere à Igreja:
"E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção" (I Coríntios 15:50)
AS NAÇÕES NO MILÊNIO: ISRAEL E OS RESTANTES
Neste ponto muitos já estarão perguntando: E as nações que habitarão o Milênio e serão governadas por Cristo e Sua Igreja? Afinal de contas, a interpretação mais aceita dentro do dispensacionalismo, como já vimos, é que o "Julgamento das Nações" de Mateus 25:31-46 é um julgamento que define critérios para que determinadas nações entrem no Milênio e outras não. Nesse modelo de interpretação, todas as nações ou etnias existentes no momento da vinda de Cristo, como, por exemplo, Inglaterra, Brasil, Portugal, etc, etc, estarão diante de Cristo e Ele estabelecerá que nação entra no Milênio ou não em função do tratamento que essas nações ou povos tiveram com Israel, geralmente relacionado aos "pequeninos" da passagem.
Cremos que indiretamente no julgamento das nações (Mateus 25:31-46) haverá a instituição desse critério de entrada, porém não a nível nacional, mas pessoal. Já vimos que a expressão "todas as nações", no contexto de Mateus 25:31-46, é muito mais pessoal que nacional. Como observaremos mais adiante, haverá pessoas que, embora pertencendo a nações que subirão com a besta contra Jerusalém, não subirão. Também, haverá pessoas que, embora não pertencendo à Igreja nem a Israel, não receberão, por algum motivo, o sinal da besta.
Então, não entendemos que Mateus 25:31-46 descreve um julgamento sobre nações, mas, como já vimos, sobre os dois grandes grupos de pessoas que estarão vivas por ocasião da volta de Cristo: os injustos e os justos (bodes e ovelhas), os quais, logicamente, fazem parte de "todas as nações"...
Porém, esses dois grandes grupos deixam de lado duas grandes exceções: os restantes das nações, os quais não subirão contra Jerusalém e o remanescente da nação de Israel. Lembremos, antes de nada, que o propósito do Senhor naquele momento era o de mostrar aos discípulos que haveria uma separação entre justos e injustos, com destinos bem diferentes para cada um desses dois grandes grupos de pessoas. Não nos deteremos muito aqui para mostrar que Israel é um elemento à parte dos bodes e das ovelhas de Mateus 25:31-46, posto que há um tratamento especial do Senhor em relação à nação israelense no tempo em que ocorrer a volta de Cristo. Ao estudar o livro de Zacarias, entre outros, o leitor poderá facilmente discernir esse propósito:
"Naquele dia o SENHOR protegerá os habitantes de Jerusalém; e o mais fraco dentre eles naquele dia será como Davi, e a casa de Davi será como Deus, como o anjo do SENHOR diante deles. E acontecerá naquele dia, que procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém; Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito"”(Zacarias 12:8-10).
"Naquele dia haverá uma fonte aberta para a casa de Davi, e para os habitantes de Jerusalém, para purificação do pecado e da imundícia...E farei passar esta terceira parte pelo fogo, e a purificarei, como se purifica a prata, e a provarei, como se prova o ouro. Ela invocará o meu nome, e eu a ouvirei; direi: É meu povo; e ela dirá: O SENHOR é o meu Deus" (Zacarias 13:1 e 9).
O próprio Senhor Jesus estabeleceu que a nação israelense estaria presente em Seu Reino e que haveria um tribunal e juízos específicos para essa nação durante o Milênio:
"E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel" (Mateus 19:28)
Sabendo que há um tratamento específico do Senhor em relação a Israel, o que retira a nação israelense do contexto do julgamento de Mateus 25:31-46, vamos refletir agora sobre a outra exceção desse julgamento: os "restantes" das nações. Como já vimos, cremos que as palavras "...vinde benditos do meu Pai, possui por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo...", se referem à Igreja. No entanto, entendemos que esse convite feito à Igreja para que a mesma herde o Reino, trará consequências indiretas refletidas nas nações (gentios) que entrarão no Milênio, da mesma forma que Raabe viu refletida sobre si e sua família o procedimento que teve a respeito do povo escolhido do Senhor, quando o mesmo estava prestes a entrar na Terra Prometida (Josué 2:1-24). Apesar de ser prostituta e pertencer a um povo condenado à destruição, seu ato de proteção aos servos do Senhor tornou-se um ato de fé (Hebreus 11:31), que propiciou seu livramento da morte naquele momento.
A revelação bíblica é enfática ao mostrar que haverá esse grupo de "restantes" das nações, os quais entrarão no Milênio e estarão submissas ao reinado de Cristo:
"E acontecerá que, todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém, subirão de ano em ano para adorar o Rei, o SENHOR dos Exércitos, e para celebrarem a festa dos tabernáculos. E acontecerá que, se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém, para adorar o Rei, o SENHOR dos Exércitos, não virá sobre ela a chuva. E, se a família dos egípcios não subir, nem vier, não virá sobre ela a chuva; virá sobre eles a praga com que o SENHOR ferirá os gentios que não subirem a celebrar a festa dos tabernáculos. Este será o castigo do pecado dos egípcios e o castigo do pecado de todas as nações que não subirem a celebrar a festa dos tabernáculos" (Zacarias 14:16-19)
Nesse texto de Zacarias, fica bastante claro que entrarão no Milênio pessoas pertencentes a nações que oficialmente subirão contra Jerusalém no Armagedom. Deixamos claro que há uma enorme diferença entre herdar o Reino e entrar no Reino. Através da revelação da Palavra sabemos que os que aceitarem o sinal da besta serão julgados e sentenciados ao fogo eterno, bebendo no cálice da ira de Deus (Apocalipse 14:9-10). Logo, essas pessoas citadas por Zacarias, embora pertencendo a nações que estarão sob o comando da besta e que subirão contra Jerusalém no derradeiro convite maligno (Apocalipse 16:13-14), são pessoas que não receberão o sinal da besta e nem farão parte dos exércitos da besta, se formos coerentes com a revelação bíblica. O profeta Ezequiel também nos mostra o mesmo cenário, quando Israel for definitivamente restaurado e livrado:
"Assim diz o Senhor DEUS: No dia em que eu vos purificar de todas as vossas iniquidades, então farei com que sejam habitadas as cidades e sejam edificados os lugares devastados. E a terra assolada será lavrada, em lugar de estar assolada aos olhos de todos os que passavam. E dirão: Esta terra assolada ficou como jardim do Éden: e as cidades solitárias, e assoladas, e destruídas, estão fortalecidas e habitadas. Então saberão os gentios, que tiverem ficado ao redor de vós, que eu, o SENHOR, tenho reedificado as cidades destruídas, e plantado o que estava devastado. Eu, o SENHOR, o disse e o farei" (Ezequiel 36:33-36).
Repetimos que, o fato desse restante das "nações" (gentios) entrarem no Milênio, não significa necessariamente que tais pessoas serão salvas na eternidade, até porque "nações" serão enganadas por satanás e subirão contra Jerusalém no final do Milênio na rebelião final contra Deus (Apocalipse 20:8-9).
OS CRITÉRIOS DO JULGAMENTO
O entendimento que estamos propondo neste artigo opõe-se ao ensino do dispensacionalismo ortodoxo, principalmente na questão do critério. Muitos poderão questionar: se o critério utilizado por Cristo é o das boas obras, então não se trata da salvação da Igreja ou da condenação eterna dos ímpios, mas apenas de um critério para a entrada no Reino ou a proibição de entrar nele.
No entanto, convidamos você a refletir mais uma vez conosco. Para começar, devemos considerar a quem originalmente Jesus disse aquelas palavras. A sua audiência, quando Ele proferiu as profecias de Mateus 25:31-46, era composta dos mesmos discípulos que O tinham ouvido desde o início de Suas Palavras proféticas (Mateus 24:1-2). Aqueles discípulos não tinham ainda completo conhecimento da Graça de Deus, a qual seria plenamente manifestada na cruz dias após. Para eles, havia coisas que o Senhor não havia revelado, pois não poderiam suportar naquele estágio de maturidade (João 16:12). Jesus lhes falou de acordo com esse contexto.
A plenitude da Graça de Deus naquele momento era um mistério, logo, é bastante compreensível que não tenha sido mencionada pelo Senhor ao referir-se ao momento em que as ovelhas serão destinadas ao Reino e os bodes serão julgados. O Senhor Jesus menciona como critério de julgamento em Mateus 25:31-46 um dos pilares de Sua doutrina. Trata-se do amor ao próximo, o qual, dentro da narrativa de Jesus, se torna também uma expressão do amor a Deus:
"... Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes" (Mateus 25:40)
Cremos que o Senhor não está aqui falando apenas de boas obras, mas das verdadeiras obras, aquelas que se originam da fé e são um fruto visível dessa fé (Tito 3:14, Efésios 2:10). Sabemos muito bem que a salvação é um dom de Deus. É Graça mediante a fé (Efésios 2:8). Logo, o Senhor está abordando algo que vai muito além das boas obras.
Um outro ponto a ser considerado é que a abordagem da passagem, quando enfoca a separação de bodes e ovelhas com seus destinos diferentes, não está centrada na salvação, mas na condenação dos ímpios (bodes) e na recompensa para os justificados (ovelhas). Aos bodes é destinado o tormento eterno e às ovelhas o Reino eterno.
Vemos que no Apocalipse é revelado que o critério usado para a condenação é o das obras. Isso fica patente no Juízo Final, logo após o Milênio. Os mortos de todas as eras que rejeitaram a Graça de Deus mediante a fé serão julgados pelas suas obras (Apocalipse 20:13). Logo, está em perfeita sincronia com a revelação bíblica afirmar que os bodes de Mateus 25:31-46 serão julgados e sentenciados tendo como critério as suas obras, tal qual aponta o Senhor Jesus em Mateus 25:41-46.
Por outro lado, o convite feito às ovelhas não pode ser caracterizado como salvação no sentido mais amplo da palavra, mas como parte inerente dessa salvação. O convite para entrar no Reino é uma recompensa, uma consequência para quem já é salvo. É uma benção originada pela salvação. Afinal, as ovelhas estarão ali após terem sido arrebatadas para encontrarem-se com Jesus nos ares e após terem sido corporalmente glorificadas (Mateus 24:29-31, I Coríntios 15:50-52). Logo, as ovelhas já terão vencido a morte. Já estarão plenamente salvas quando receberem o convite para entrar no Reino.
Então, entendemos que o critério das boas obras, além de ser interpretado sob o prisma da capacidade de compreensão dos interlocutores de Jesus naquele momento, deve ser discernido sob os aspectos de condenação para os ímpios e recompensa para a Igreja.
OS PEQUENINOS
E os "pequeninos" citados pelo Senhor? Aqueles que, necessitados, recebem o amor das ovelhas e o desprezo dos bodes? Dentro do contexto de nosso entendimento sobre a passagem, o termo "pequeninos irmãos" (Mateus 25:40) ou "pequeninos" (Mateus 25:45) se refere a pessoas que, de alguma forma, são carentes de uma ajuda, seja por sua condição ou por sua idade.
O termo grego traduzido como "pequeninos" é elachistos. Ele é usado, além de Mateus 25:40 e Mateus 25:45, em Mateus 2:6, Mateus 5:19, Lucas 12:26, Lucas 16:10, Lucas 19:17, I Coríntios 4:3, I Coríntios 6:2, I Coríntios 15:9 e Tiago 3:4.
Em todas essas passagens, o termo se refere a um conceito de menor importância em relação a outra coisa. Se aplicado a pessoas, o termo descreve pessoas necessitadas, impossibilitadas ou carentes. Pessoas menosprezadas e desassistidas. Então, cremos que nas passagens de Mateus 25:40 e Mateus 25:45, o termo não deve ser compreendido de outra forma. Entendemos que os "pequeninos" citados pelo Senhor retratam as pessoas mais necessitadas do amor do próximo. A verdadeira expressão de nossa fé e o verdadeiro fruto dela se mostra no amor a Deus e ao próximo. Tiago escreve nesse contexto:
"A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo" (Tiago 1:27).
Logo, a verdadeira vida cristã frutífera, através da fé, redundará sempre em amor ao próximo e a Deus e isso se tornará visível através de ações e obras. A verdadeira fé sempre gerará verdadeiras obras e tudo isso ocorre pela Graça de Deus. A verdadeira Igreja do Senhor é conhecida através desses frutos do Espírito Santo.
Esperamos que esse artigo tenha trazido algum esclarecimento sobre a passagem de Mateus 25:31-46. Não queremos ser conclusivos, mas cremos que a passagem em questão merece uma atenção especial, devido às dificuldades de interpretação. Nesse artigo, procuramos entender a passagem a partir do sentido que as Palavras do Senhor tiveram para os discípulos que estavam a ouvir Cristo tiveram naquele dia em que Ele revelou as profecias no Monte das Oliveiras. Também, nos sujeitamos à correlação dela com as revelações semelhantes que o Senhor Jesus já havia feito antes. Por último, oferecemos como base textos do Antigo e do Novo Testamento para melhor explicar nossa posição.
Cremos, então, que quando o Mestre se assentar no trono de Sua glória, imediatamente após a Sua volta, Ele estabelecerá esse juízo descrito em Mateus 25:31-46, convidando oficialmente Sua Igreja, arrebatada e reunida momentos antes, a entrar no Reino e decretando o castigo para aqueles que adoraram a besta e receberam o seu sinal, os quais estarão reunidos nas proximidades de Jerusalém quando o Senhor proclamar essa sentença. Será um juízo pré-milenal, diferente do Juízo Final. Este último ocorrerá somente depois do Milênio e envolverá todos os mortos de todos os tempos, excetuando, obviamente, a Igreja.
Maranata,
O MILÊNIO
Os estudos a respeito do Milênio surgiram logo após a inclusão dessa promessa na revelação dada por Deus a João através do Apocalipse. João descreve que, após a derrota do anticristo e do falso profeta, por ocasião da segunda vinda de Jesus, Satanás será preso e amarrado por mil anos (Apocalipse 19:11-21 e Apocalipse 20:1-2). Baseados nesses relatos apocalípticos e nas promessas inseridas no Novo Testamento a respeito do Reino de Deus, tres posições tem surgido durante a história, cada qual com a sua visão diferente no que concerne à interpretação desse período: amilenismo, pós-milenismo e pré-milenismo.
A-MILENISMO
Esse modelo de interpretação afirma que o período denominado “Milênio” é uma figura alegórica da atuação da Igreja desde a morte e ressurreição de Cristo e não um período literal de mil anos cronológicos.
Por considerar o Milênio apenas uma figura retórica, consequentemente, o reino milenal de Jesus também é explicado como sendo a presença da Igreja na Terra e a sua atuação constante de pregação das boas novas e conquista espiritual.
PÓS-MILENISMO
Esse modelo de interpretação escatológica sustenta que a volta gloriosa de Jesus ocorrerá após um período de mil anos de paz. Ou seja, de acordo com essa linha de interpretação, o Milênio não será uma conseqüência direta da volta de Jesus em glória e sim da atuação da Igreja e seu impacto evangelístico sobre o planeta, deixando-o apto para a vinda gloriosa de Cristo.
PRÉ-MILENISMO
O modelo pré-milenista defende a necessidade da volta de Jesus ocorrer antes do Milênio, para que o cumprimento de todas as promessas para esse período (paz, segurança, justiça, restauração de Israel e reinado da Igreja) se cumpram literalmente sobre a face da Terra, num reino visível, concreto e real. De acordo com o pré-milenismo, o Milênio será uma conseqüência direta da volta gloriosa de Jesus, para derrotar o sistema maligno do anticristo. De acordo com este modelo, logo após o Milênio, ocorrerá o juízo final e a criação dos novos céus e da nova Terra.
Dentro desses três principais modelos de interpretação para o Milênio, existem também algumas subdivisões, com pequenas diferenças a respeito de temas específicos.
A seguir, daremos algumas razões para explicar porquê adotamos o modelo pré-milenista como forma de entender o que realmente é MILÊNIO e porque ele é, de acordo com o que cremos, o que mais se encaixa no contexto das profecias para os últimos tempos, ao mesmo tempo em que abordamos alguns argumentos amilenistas e pós-milenistas, mostrando sua posição à luz do contexto profético. Para acessar mais informações sobre o MILÊNIO, acesse a página "SEGUNDA VINDA DE JESUS".
UM REINO EXCLUSIVO
Em João 5:19, o apóstolo nos revela que o mundo jaz inteiramente no maligno. Por outro lado, o apóstolo Paulo descreve Satanás como “deus deste século”, cegando o entendimento espiritual de muitos (II Coríntios 4:4). O clímax dessa atuação satânica será experimentado durante a tribulação, tornando incongruente a afirmação de que já estaríamos vivendo o que a Bíblia denomina como Milênio e errôneo todo esforço no sentido de viver de acordo com os estereótipos de vida bem-sucedida que o sistema oferece. Deus nos ensina a não amar o mundo (sistema) nem o que nele há (I João 2:15), e a não conformar-nos com o sistema (Romanos 12:2). Nossa esperança deve ser o encontro com Jesus e sua volta gloriosa (Tito 2:13).
A Bíblia nos revela que, por ocasião da volta gloriosa de Jesus, o anticristo e seus exércitos serão derrotados (II Tessalonicenses 2:8 e Apocalipse 19:11-21). Se o sistema maligno, no qual o mundo jaz atualmente, será derrotado por Jesus em sua segunda vinda, então a concretização do reino de Deus na Terra só se tornará um fato real após esses eventos (vinda em glória e derrota do anticristo e sistema), colocando o Milênio como uma conseqüência direta desses eventos. O sistema maligno será derrotado definitivamente para que o Reino do Senhor seja instaurado (I Coríntios 15:25).
Nesse aspecto, é interessante notar que, quando Jesus se referiu ao "fim do mundo" na parábola do joio e do trigo (Mateus 13:39), e quando mencionou o "mundo vindouro", em seu diálogo com os saduceus (Lucas 20:35), é utilizado para "mundo" o termo grego "aeon", o qual significa sistema ou era. Tal termo não se aplica ao planeta Terra.
UM REINO LITERAL
São muitas as passagens bíblicas que nos remetem a um reino literal de paz e comunhão sobre a Terra (Isaias 1:25-31, Isaias 2:1-22, Jeremias 23:5-8, Miquéias 4:1-4, Ezequiel 34:11-24, Zacarias 14:1-21, João 3:5, Apocalipse 12:10, entre outras). Não nos parece apropriado alegorizar essas descrições, aplicando-as ao presente, que é violento e no qual a iniquidade se multiplica (Mateus 24:12).
É obvio que existe o reino espiritual e eterno de Deus, do qual somos embaixadores (II Coríntios 5:19-20). Também é certo que, a partir do nascimento de Jesus e a delegação deixada à Igreja de anunciar as boas novas, o reino de Deus, do ponto de vista espiritual e profético, já existe na Terra, porém isso não nega a concretização física desse reino.
Quando Paulo nos mostra em I Coríntios 15:50 que, nem carne nem sangue herdarão o reino dos céus, não está excluindo desse reino aqueles que não receberão corpos glorificados. Está apenas revelando que a Igreja receberá o reino como herdeira e co-herdeira com Jesus (Tiago 2:5, Mateus 5:10, Daniel 7:22), até porque o reino terá como sede Jerusalém (Zacarias 14:16-17), a nação israelense continuará existindo fisicamente (sem corpos glorificados) e muitas nações continuarão existindo, sob o governo do Mestre, mesmo algumas daquelas que subirão contra Jerusalém no Armagedom (Zacarias 14:16, Ezequiel 36:33-36). Não devemos confundir esse cenário do final da tribulação (anticristo e exércitos) com o cenário pós-milenal (Gog e exércitos), como o fazem os pós-milenistas, pois na rebelião de Gog e Magogue no final do milênio, todos os que marcharem contra Jerusalem serão eternamente condenados (Apocalipse 20: 7-15).
A Bíblia deixa claro que Jesus será o Rei dos judeus e se assentará literalmente no trono de Israel (Lucas 1:32-33), cumprindo literalmente a promessa feita a Davi (Salmos 89:3-4).
O JUÍZO PRÉ-MILENAL
Uma passagem que tem originado muita discussão encontra-se em Mateus 25:31-46, na qual, aparentemente, o juízo final ocorre por ocasião da volta de Jesus em glória, sustentando assim a argumentação dos modelos amilenista e até mesmo o pós-milenista, pois o Apocalipse revela que o juízo final ocorre após o milênio.
Porém, analisando detalhadamente e comparando o juízo de Mateus 25:31-46 e as passagens que descrevem o juízo final, vemos diferenças substanciais. O primeiro juízo, que ocorre imediatamente após a volta de Jesus é um juízo dirigido às nações, ou seja, às pessoas que estiverem vivas no momento da volta de Cristo e que não fazem parte da Igreja (Mateus 25:32). É um juizo destinado à separação entre o joio, aqueles que durante a tribulação receberam conscientemente a marca da besta e a adoraram, permanecendo vivos no final da grande tribulação, e o trigo, os servos fiéis de Deus em todos os tempos, inclusive na tribulação (Mateus 13:24-30, Apocalipse 14:9-14).
O segundo juízo, após o Milênio, é final (Apocalipse 20:11-15), baseia-se no livro da vida (Apocalipse 20:12), assumindo assim um caráter essencialmente espiritual e irá requerer uma ressurreição de todas as pessoas de todas as épocas da humanidade que não fazem parte dos salvos (Apocalipse 20:13). Esta é a segunda morte relatada em Apocalipse 20:6. O Apocalipse relata que, por ocasião da volta de Jesus, ocorrerá a primeira ressurreição, que será dos salvos mortos de toda história, inclusive os mortos durante a grande tribulação. Essa diferença entre as duas ressurreições separa mais uma vez a segunda vinda do juízo final e, consequentemente, o juízo das nações (após a volta de Jesus) do juízo final (após o Milênio). Note que, aqueles que participarão da primeira ressurreição (cristãos ressuscitados), reinarão com Cristo durante mil anos, separando a primeira e segunda ressurreição por esse espaço específico de tempo.
“...E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e da palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição” (Apocalipse 20:4-6).
Neste texto fica bastante clara a existência de um período de mil anos entre uma ressurreição e a outra, algo que não deve ser alegorizado. É uma questão de lógica: se da primeira ressurreição participam também aqueles que serão martirizados pela besta em plena grande tribulação (período em que, de acordo com o amilenismo, satanás será solto de sua prisão milenal), e esses mesmos martirizados durante a grande tribulação participarão ativamente do Milênio (Apocalipse 20:6), consequentemente, o Milênio não pode ocorrer antes da grande tribulação! Afirmar o contrário (que o Milênio é um período anterior à grande tribulação), é forçar a cronologia bíblica.
Outra diferença substancial entre o julgamento que ocorrerá logo após a volta de Jesus e aquele que terá lugar após o Milênio, é o fato de que o diabo, quando é jogado no lago de fogo, após a rebelião final do milênio, já encontra no lugar tanto o anticristo quanto o falso profeta, QUE JÁ TINHAM SIDO LANÇADOS ANTES (Apocalipse 20:10). Isso indica uma diferença de tempo entre a condenação da besta e do falso profeta e a condenação do diabo. De acordo com a revelação apocalíptica, essa diferença de tempo é de mil anos. Indica também, mais uma vez, que o Milênio ocorrerá cronológicamente após a grande tribulação.
SATANÁS AMARRADO
Como conseqüência direta da volta de Jesus, satanás será amarrado por mil anos, o que não condiz com a realidade atual, na qual o mistério da iniquidade opera (II Tessalonicenses 2:7) e o espírito do anticristo está atuante desde que o mistério da redenção por Cristo foi revelado (I João 4:3). Paulo esclarece aos coríntios que satanás é "o deus deste século" (II Coríntios 4:4). . O termo grego usado por Paulo é "aeón", o qual se refere ao sistema governamental e a influência social deste mundo. Na carta à Igreja em Pérgamo, João esclarece que satanás "habitava" entre as pessoas daquela cidade (Apocalipse 2:13). Ou seja, isso em nada corrobora a posição a-milenista, que insinua a prisão de satanás como uma realidade dos dias atuais. De acordo com o a-milenismo, satanás se encontra "parcialmente" inoperante e só será solto no começo da tribulação. Tal afirmativa parece não encontrar uma sólida argumentação bíblica.
A revelação apocalíptica é clara em mostrar que o objetivo da prisão do diabo é impedir que ele engane as nações (Apocalipse 20:3). O texto não diz que ele não enganará “muito” ou “tanto” as nações, mais que ele não enganará “mais” as nações por um determinado período. Diante de toda a atuação satânica descrita na Palavra e vista por nós mesmos em nossos dias, vemos que a premissa a-milenista se mostra muito frágil neste ponto. Acreditamos que essa prisão de satanás será drástica e o impossibilitará totalmente de interagir com as nações. De acordo com o texto apocalíptico, tal prisão ocorrerá como resultado direto da vinda de Jesus e não antes (Apocalipse 19:19-20, Apocalipse 20:1-6).
Não se trata de uma prisão em “regime semi aberto”, como parece insinuar o a-milenismo, mais uma impossibilidade total de interação com os seres humanos. Em Judas 6, é descrita a prisão de anjos no abismo. O texto esclarece que há uma impossibilidade de interação entre esses anjos trancafiados e os seres humanos, ao revelar que eles estão numa prisão eterna, até o dia do juízo. Essa prisão é o abismo. Satanás, de acordo com o texto apocalíptico, será encadeado e preso no abismo por um determinado tempo (Apocalipse 20:1-3).
Cremos que o fato de satanás ser amarrado por mil anos ainda acontecerá e será resultado da vinda gloriosa de Cristo (Apocalipse 19:11-21, Apocalipse 20:1-3). O diabo não será amarrado como conseqüência exclusiva da pregação do evangelho ou antes da vinda gloriosa de Jesus, e sim após um acontecimento concreto: a volta de Jesus em glória. A revelação apocalíptica nos leva a esse entendimento.
PRIMEIRA RESSURREIÇÃO
O termo “primeira ressurreição” aparece pela única vez no texto apocalíptico e em toda a Bíblia em Apocalipse 20:5-6. Há uma dualidade de interpretação para esse termo. O pre-milenismo o entende como uma ressurreição literal, enquanto que o a-milenismo o entende como um termo simbólico, o qual estaria descrevendo o novo nascimento experimentado por todos os salvos.
Cremos que, neste caso, não há razões para não ser literal, até porque o uso de alegoria para o termo “primeira ressurreição” traz várias incongruências contextuais. Em primeiro lugar está o termo “mortos”. Ele aparece quando é descrita a ressurreição para o juízo final em Apocalipse 20:13. De acordo com o a-milenismo tal ressurreição será literal, conceito com o qual concordamos. Porém, vemos que o a-milenismo usa aqui um duplo padrão. Os “mortos” de Apocalipse 20:13 são considerados mortos literais, mas os “mortos” que experimentam a primeira ressurreição são considerados “mortos espirituais”, quando o termo utilizado em Apocalipse 20:5 e 20:13 é o mesmo! Da mesma forma, está o termo “viveram”. João registra que: “...e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se completassem...” (Apocalipse 20:4-5). Note que a terminologia usada para a volta à vida na primeira ressurreição e na última é similar. A mesma expressão é usada no livro para descrever a ressurreição física de Jesus (Apocalipse 2:8).
O a-milenismo, ao alegorizar o “viveram” da primeira ressurreição, volta a usar um duplo padrão dentro do mesmo contexto! Ou seja, o “viveram” da primeira ressurreição seria um “reviver” espiritual através do novo nascimento e o “reviver” da ressurreição final, aí sim, seria um “reviver” literal... Cremos que tal interpretação é temerária. Em poucos versículos, o a-milenismo usa duas vezes um duplo padrão, ao interpretar de duas formas distintas (alegórica e literal) os termos “mortos” e “viveram/reviveram”. Cremos que o literalismo em ambos os casos é a posição mais prudente, colocando a primeira ressurreição como uma ressurreição literal, a qual ocorrerá por ocasião da volta de Cristo e da qual participarão todos os salvos.
OS SINAIS
Tanto Jesus, quanto Paulo, nos revelam dois grandes sinais, entre outros, que antecederiam a volta gloriosa de Jesus: a apostasia ou esfriamento espiritual e a manifestação do anticristo ou abominação da desolação (II Tessalonicenses 2:3, Mateus 24:12-15). Se a volta de Jesus ocorresse depois do Milênio, como é defendido pelo pós-milenismo e o amilenismo, tanto Jesus quanto Paulo teriam mencionado esse importante sinal, muito diferentes na essência aos sinais revelados (apostasia crescente e manifestação do anticristo).
UM REINO CONCRETO
Em Atos 1, momentos antes da ascenção, os discípulos perguntaram a Jesus: “...Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino ?” Jesus respondeu: “Não vos pertence saber os tempos ou as estações, que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder” (Atos 1:6-7).
Como Jesus instrui os discípulos a esperarem e anunciarem o reino (versículo 8), reservando a Deus o direito de revelar quando chegaria o reino, fica subentendido que o reino de Deus será concreto e com um tempo previsto para ser implantado e não um conceito figurado. O Senhor não negou a restauração literal do Reino de Israel, apenas deixou claro que a época em que isso ocorreria está sob a soberania de Deus.
UM REINO DIVINO NA TERRA
Em João 18:36, Jesus diz: “...O meu reino não é deste mundo...”. Essa declaração de Jesus foi dada a Pilatos, pouco antes da crucificação do Mestre. De acordo com alguns, essa declaração de Jesus descarta um reino visível e concreto sobre o planeta após sua vinda. Porém, não é isso que o texto revela. Jesus queria que Pilatos entendesse que o seu interlocutor não era rei de nenhuma nação naquele momento. Jesus não estava referindo-se ao futuro e sim ao presente, respondendo a Pilatos uma pergunta que tinha claras conotações políticas (acusar Jesus como um líder político rebelde a Roma com o objetivo de justificar sua condenação).
Ou seja, o reino de Deus não é deste mundo (sistema), pois não pertence ao atual sistema, que é maligno. Quando esse sistema for aniquilado na volta gloriosa de Cristo, então o reino de Cristo passará a ser deste mundo e Ele reinará sobre todos com justiça (I Coríntios 15:25, Apocalipse 19:11-21, Miquéias 4:1-4, Isaías 11:1-12, Apocalipse 20:1-6).
UM REINO VISÍVEL
O reino de Jesus sobre a terra será visível e abrangerá todos os povos, trazendo paz e justiça sobre as nações (Zacarias 14:9-21, Apocalipse 19:15). O amilenismo geralmente baseia-se em passagens como a contida em Lucas 17:20-21, para sustentar a concretização desse reino terrestre apenas a nível espiritual. O texto mencionado diz: “...O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós”.
Antes de comentar o texto acima, é preciso deixar claro que o reino de Deus tem um caráter espiritual intrínseco, como tudo o que vem do Senhor. Nós, como Igreja de Cristo, somos embaixadores desse reino, através do ministério da reconciliação, como já foi abordado (II Coríntios 5:18-21).
O texto de Lucas 17:20-21 parece indicar um reino exclusivamente espiritual e fruto da experiência pessoal com Deus. Contudo, ao analisar detalhadamente o texto em questão, descobrimos verdades reveladoras. A palavra grega usada no original é “entos”, que é traduzida em algumas versões como “dentro de vós”. Essa expressão grega é traduzida de uma melhor forma para “entre vós”, referindo-se à presença do próprio Cristo no meio daquele povo. Ou seja, Cristo é a expressão mais íntima do próprio reino. Quando olhamos o contexto da passagem, vemos que Cristo estava respondendo diretamente uma indagação maliciosa dos fariseus. Não faria muito sentido afirmar que o reino de Deus estava “dentro” dos fariseus e sim que tal reino estava “entre” os fariseus. Jesus é a personificação plena do Reino. Por isso, o Reino estava "entre" os fariseus. Através da Igreja, o Reino continua estando "entre" as nações, até o momento em que será colocado "sobre" as nações.
A respeito do fato do reino de Deus não vir “com aparência exterior”, dando uma impressão de invisibilidade, devemos esclarecer o seguinte: Jesus estava falando da sua vinda em glória (versículo 24). Quando o Mestre disse que a vinda do reino de Deus seria sem aparência exterior, não estava referindo-se à sua vinda em glória, para arrebatar a Igreja e instaurar o seu reino, pois essa vinda será visível, como um relâmpago (Lucas 17:24, Mateus 24:30). O próprio Jesus explica porque a chegada do seu reino não será com aparência exterior: “...E dir-vos-ão: Ei-lo ali!, ou: Ei-lo aqui! Não vades, nem os sigais (Lucas 17:23).
Ao revelar que seu reino viria sem “aparência exterior”, Jesus estava alertando os discípulos a não serem enganados por APARÊNCIAS de reino. Um reino com aparência exterior de justiça, poder e divindade, porém sem essência. Esse é um aviso específico ao reino do anticristo, que, através de sinais e aparências, enganará a muitos (Mateus 24:23). (Para maiores informações, acesse o tópico "OS SINAIS").
TRIBULAÇÃO X REBELIÃO
Existem grandes diferenças entre a tribulação que antecede a volta de Cristo (Mateus 24:21) e a rebelião satânica, denominada de Gog e Magog, a qual ocorre após o reino milenal de Cristo.
Não podemos confundir também Gog e anticristo, nem tampouco o Gog pós-milenal (Apocalipse 20:8) com o Gog de Ezequiel 38 e 39, que está mais relacionado ao começo da tribulação.
O Gog que vemos surgir no término do Milênio é uma alegoria ao primeiro Gog, pois sairá dos quatro cantos da terra (de todo o planeta), numa ação repentina de satanás, após mil anos de inatividade. Já o Gog de Ezequiel 38 e 39, é um rei que vem “do extremo norte” (Ezequiel 38:15). Também, há um detalhe importante: as armas do exército do Gog de Ezequiel serão utilizadas como combustível durante sete anos, necessidade que não condiz com a realidade pós-milenal, na qual teremos nova Terra e novos céus, sob o reinado do próprio Deus, e sim se aplica a uma necessidade tribulacional, já que a tribulação durará sete anos. Que necessidade haveria de usar essas armas como combustível num cenário pós-milenal, no qual a Nova Jerusalem descerá do céu, e a cidade não precisará de sol nem lua, tal a grandeza da glória de Deus e da presença do Cordeiro? (Apocalipse 21:23).
Também não se pode confundir a atuação desses dois Gog com a do anticristo, o qual não atacará Israel até a parte final da tribulação. Ou seja, as armas do exército do anticristo não poderiam ser queimadas por sete anos. Também, o anticristo não pode ser relacionado a nenhum rei do “extremo norte” e sim do “ocidente”, de acordo com as profecias de Daniel.
O PROPÓSITO DAS BOAS NOVAS
Jesus, pouco antes de ascender, deixou para a Igreja sua principal missão no mundo: O ANÚNCIO DAS BOAS NOVAS (Atos 1:8, Marcos 16:14-15). O avanço da Igreja através do evangelismo tem como finalidade testemunhar ao mundo o nome de Jesus (Mateus 24:14) e anunciar a todos a salvação exclusiva em Cristo (Atos 4:12).
Muitos erram ao imaginar que o atual sistema maligno será derrotado em função do crescimento da Igreja e de sua atuação evangelística, alcançando todos os níveis de poder político e social. As pessoas, através do novo nascimento, são transformadas em Cristo (João 3 1-16), porém o sistema será destruído completamente para possibilitar a instauração do reino de Jesus (Apocalipse 19 e 20). Ou seja, o propósito da pregação das boas novas não é o domínio atual no terreno político e social, através da conversão total do planeta (Mateus 25:52, João 18:36). Sustentar o contrário é negar todas as profecias referentes aos últimos tempos, as quais relatam um nível cada vez maior de iniqüidade e maldade, inclusive de apostasia (II Tessalonicenses 2:3, I Timóteo 4:1-5, II Timóteo 3:1-9). O próprio Jesus nos revela esse princípio: “E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mateus 24:11-13). É necessário que o sistema seja destruído para que o reino de Deus seja instaurado de forma concreta e visível na Terra e para que nós reinemos com Jesus. Existe um tempo determinado para que os santos possuam o reino (Daniel 7:22).
A pregação do evangelho visa anunciar o arrependimento e crença nas boas novas de salvação pessoal através de Cristo (Marcos 1:15), anunciar a supremacia de Deus sobre tudo e todos (João 12:28, João 18:36), revelar a proximidade da concretização do reino de Deus e a destruição do sistema satânico (João 12:31, João 16:11) e o livramento do mundo das forças do pecado (Atos 26:18, Romanos 6:1-23).
Através da presença e atuação de seus servos na Terra, como embaixadores, o reino de Deus já existe pela fé, porém a sua concretização só ocorrerá a partir da volta de Jesus em glória, como Rei e Senhor do mundo. O mundo, que atualmente jaz inteiramente no maligno, passará a ser dos santos por herança, sob o domínio de Deus (I Coríntios 15:23-26).
TESTEMUNHO PRIMITIVO
Há uma tendência nos escritos primitivos que nos levam à convicção de que os primeiros líderes da Igreja tinham uma concepção nitidamente pré-milenista, literalista, futurista e pós-tribulacionista. Eles, em plena tribulação, esperavam a concretização de todos os sinais e a volta do Mestre já em seus dias, para livrá-los da tribulação, derrotar o iniqüo e instaurar seu reino na Terra. Quando as cartas apocalípticas começaram a ser divulgadas (a partir de 90 DC), o Milênio profetizado na revelação mostrada a João foi, entre aqueles irmãos, interpretado de forma literal. A alegorização de certas promessas bíblicas começou a ganhar corpo no seio da igreja primitiva somente a partir do século III, através dos escritos de Orígenes. Posteriormente, essa tendência foi consolidada por Agostinho.
Não vemos razões para ter uma concepção diferente à de nossos primeiros irmãos. Eles tiveram contato direto com os apóstolos e/ou seus sucessores imediatos. Aquilo que foi escrito por homens como Papias, Irineu, Justino, etc, reconhecidos como lideranças, deve ser considerado com atenção. É incongruente pensar que os apóstolos, que receberam a inspiração do Espírito Santo para escrever os livros que usamos como base doutrinária, não tiveram o discernimento suficiente para interpretar aquilo que estava escrito. Pelo contrário! Os irmãos primitivos possuiam informações escatológicas que nos hoje não temos (II Tessalonicenses 2:5-6). Então, se faz necessário saber qual era a concepção primitiva a respeito do Milênio:
"...Ele diz que haverá um milênio depois da ressurreição dos mortos, com o reino pessoal de Jesus o qual será estabelecido nesta Terra..." (Papias 70-155 DC, citado por Eusebio, Hist. Eccl. III, 39)
"...E, além disso, um homem entre nós, de nome João, um dos Apóstolos de Cristo, profetizou em uma revelação que lhe foi feita, de que aqueles que confiassem em Cristo passariam mil anos em Jerusalém, e que depois viria a ressurreição universal e eterna de todos, como também o juízo final..." (Justino Mártir 110-165 DC, Diálogo com Tripo, Capítulo LXXXI)
"Então aparecerão os sinais da verdade: primeiro, o sinal da abertura no céu; depois, o sinal do toque da trombeta; e, em terceiro, a ressurreição dos mortos. Sim, a ressurreição, mas não de todos, conforme foi dito: "O Senhor virá e todos os santos estarão com ele”. Então o mundo assistirá o Senhor chegando sobre as nuvens do céu." (Didaquê, Capítulo XVI, 6-8).
Maranata!
PÓS-TRIBULACIONISMO
PORQUE SOMOS PÓS-TRIBULACIONISTAS
A seguir, apresentaremos os principais fundamentos pós-tribulacionistas, para sua análise e estudo. Mais do que seguir um “modelo escatológico”, cremos que é necessário voltar aos princípios, ensinamentos e crença da igreja dos primeiros séculos e opor-nos a tudo aquilo que represente uma novidade em relação a tais princípios, ensinamentos e crença.
1. O Senhor Jesus, em seu sermão profético, relaciona somente sua vinda após a tribulação, não mencionando em nenhum momento um arrebatamento oculto anterior ao momento da vinda em glória, mas um arrebatamento que faz parte de sua gloriosa vinda, logo após a grande tribulação (Mateus 24:29-31, Marcos 13:24-27 e Lucas 21:25-27)
2. A Bíblia não nos revela em nenhum lugar que a volta do Senhor será dividida em duas etapas: uma oculta, anterior à tribulação, e outra visível, após a tribulação. Pelo contrário, a Palavra determina apenas duas vindas: uma já concretizada há aproximadamente 2.000 anos e a outra ainda porvir (Hebreus 9:27-28)
3. Paulo nos revela que o arrebatamento ocorrerá ante a última trombeta ou ao soar a última trombeta. O Senhor Jesus revelou que, por ocasião de sua vinda em glória, logo após a grande tribulação, haverá toque de trombeta. Portanto, nesse momento será tocada a última trombeta. Há uma estrita submissão de Paulo ao que o Senhor já havia ensinado (I Coríntios 15:52, Mateus 24:31)
4. A promessa feita aos discípulos pouco após a ascenção de Cristo, aponta para seu regresso visível como Rei, pousando seus pés sobre o Monte das Oliveiras para derrotar o anticristo. Os discípulos, por ocasião da ascenção, estavam no Monte das Oliveiras e viram o acontecimento. Os anjos lhes revelaram que da mesma forma que Jesus tinha subido, Ele voltaria. Ou seja, de forma visível e pousando seus pés sobre o Monte das Oliveiras (Atos 1:11-12, Zacarias 14:3-4)
5. A Igreja primitiva não tinha qualquer idéia "pré-tribulacionista". Os cristãos primitivos esperavam a volta de Jesus já em seus dias, após cumprimento dos sinais, para livrá-los da perseguição e tribulação em que viviam, e não para evitar que eles entrassem num processo tribulacional. A idéia pré-tribulacionista surgiu no século XIX, atrelada ao dispensacionalismo (II Tessalonicenses 1:7-8)
6. Paulo descarta toda idéia de iminência anterior à concretização dos sinais profetizados por Jesus. Ele ensinou aos tessalonicenses que a vinda de Jesus e a nossa reunião com Ele, não ocorreria antes da apostasia generalizada e da manifestação do anticristo, mantendo a mesma ordem profetizada por Jesus no sermão profético (II Tessalonicenses 2:1-3, Mateus 24:10-15)
7. A volta de Jesus será como "um ladrão na noite" para aqueles que não a esperam e/ou não estão vigiando e atentos aos sinais (I Tessalonicenses 5:4, Apocalipse 3:3)
8. A volta de Cristo está relacionada na Bíblia ao DIA DO SENHOR, que será um dia literal e não um período de sete anos. Jesus mencionou a profecia de Joel 2:10 para especificar os sinais que antecederiam imediatamente sua vinda gloriosa, relacionando a mesma ao DIA DO SENHOR através dos mesmos sinais: o sol e a lua escurecendo. Joel nos revela que esses mesmos sinais antecederão o DIA DO SENHOR, relacionando esse dia ao dia da volta de Jesus e não ao período tribulacional de sete anos (Mateus 24:29, Joel 2:10, Isaias 13:10, Ezequiel 32:7-10)
9. É nítida na Bíblia a presença de servos de Deus em meio à tribulação dos últimos tempos. Não se trata de "ex-desviados", pois os cristãos da grande tribulação guardam os mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus, algo impossível sem a atuação do Espírito Santo. Muitos desses servos de Deus, a exemplo dos cristãos primitivos, serão martirizados e odiados "por todas as nações" (Apocalipse 12:17, Apocalipse 6:9-11, Apocalipse 14:8-13, Mateus 24:9-12, Marcos 13:20, João 17:15, Daniel 7:25-27)
10. Desses cristãos, alguns serão protegidos de forma sobrenatural durante a tribulação, a exemplo do que ocorreu com o povo de Israel no Egito durante as pragas (Apocalipse 3:10, Apocalipse 12:14-16, Daniel 11:33-34, Mateus 24:22)
11. O chamado para “vigiar” (o termo vigiar vem de vigília = noite) e se manter atento aos sinais e à santidade, se prolonga até o final da tribulação (Apocalipse 16:15)
12. Jesus, em sua primeira abordagem direta sobre sua volta, relaciona diretamente o momento do arrebatamento à sua vinda gloriosa e à derrota dos exércitos do anticristo no Armagedom. Isso fica patente ao comparar Lucas 17:28-37 com Apocalipse 19:11-21 (presença de destruição, cadáveres e aves de rapina)
13. O objetivo da tribulação não é o extermínio da raça humana nem a destruição total do planeta. Jesus compara sua vinda aos dias de Noé no que concerne ao descaso das pessoas diante das profecias e à malignidade das duas épocas em questão. Porém, os acontecimentos são diferentes: No dilúvio, o propósito era destruir todo ser vivo, exceto Noé, família e os animais na arca. Na volta de Jesus, a destruição virá sobre o sistema maligno no qual o mundo jaz e sobre aqueles que se prostram diante de tal sistema (I João 5:19, I Coríntios 15:23-25, Gênesis 6:7, Gênesis 8:21-22)
14. Após a grande tribulação haverá sobreviventes, inclusive das nações que marcharão contra Jerusalém no Armagedom (Zacarias 14:16)
15. Não existe base bíblica para separar a igreja da Israel espiritual. Apesar de existirem castigos e promessas específicas para a nação israelense, não se justifica presumir por isso um arrebatamento pré-tribulacional. Nós somos o Israel de Deus, filhos de Abraão, segundo a promessa (Efésios 2:14, Gálatas 3:29, Romanos 11:24:32)
16. Não existe legitimação para “dividir” a atuação de Deus em dispensações separadas e excludentes. O que vemos na Bíblia é uma revelação progressiva do plano de Deus para a humanidade. Deus trata com todos ao mesmo tempo. Um exemplo disso é que Deus continua atuando profeticamente com Israel em plena “era dos gentios”
17. Não existe base bíblica alguma para sustentar a volta de Jesus “a qualquer momento”. O próprio Cristo se deteve para revelar todos os grandes sinais que antecederiam sua volta. Após o cumprimento de todos os sinais profetizados pelo Mestre é que sua volta será “a qualquer momento”. Paulo também nos revela dois grandes sinais (Mateus 24:33, II Tessalonicenses 2:1-3). Não se pode usar as epístolas paulinas para sustentar a volta de Jesus “a qualquer momento”, pois elas foram escritas para diversas igrejas até 66 d.C., ano em que Paulo morreu decapitado em Roma. Naquele ano não havia se cumprido sequer o primeiro grande sinal profetizado por Jesus: a destruição de Jerusalém, que só ocorreu em 70 d.C. Paulo e nenhum dos apóstolos ensinaram um arrebatamento “sem sinais prévios”
18. A salvação nos livra da ira de Deus. Quando falamos em “ira” relacionada à salvação espiritual, não é correto associar essa “ira” a um processo tribulacional, onde os danos sofridos pelos servos de Deus são físicos. O próprio autor do versículo em questão morreu decapitado dentro de um processo de perseguição e tribulação. A salvação que temos é espiritual e eterna, a qual nos torna isentos da ira eterna de Deus, porém não isentos de passar por tribulações (I Tessalonicenses 1:10, I Tessalonicenses 4:9)
19. Todos os termos neotestamentários usados para referir-se à vinda de Jesus, nos dão a idéia de um evento visível, notável e não oculto: ephiphaneia (aparecimento), apokalipsys (revelação) e parousia (vinda-manifestação)
20. A primeira ressurreição ocorrerá por ocasião da vinda de Cristo em glória, no final da tribulação. Essa “primeira” ressurreição exclui uma ressurreição em massa anterior a esse momento (Apocalipse 20:4-6)
21. Toda a revelação escatológica de Jesus, dos apóstolos e até do Apocalipse, é direcionada à Igreja. Que objetivo haveria em revelar-nos esses pormenores e instruir-nos a estarmos atentos aos sinais, se a Igreja não estivesse inserida nesses acontecimentos?
22. As “bodas do Cordeiro” ocorrerão após a vinda do reino de Deus. O anúncio dessas bodas é feito no final da tribulação (Apocalipse 19:7, Lucas 22:18 – Lucas 21:31)
23. Jesus nos insta a estarmos atentos aos sinais e a não sermos enganados em meio à tribulação pelos sinais malignos dos “anticristos” e “falsos profetas” (Marcos 24:4, Mateus 24:24, Lucas 12:54-59)
24. Jesus disse que “quem perseverar até o fim será salvo”. O “fim” de sua narrativa profética no sermão do Monte das Oliveiras é sua vinda em glória, logo após a tribulação (Mateus 24:13, Mateus 24:6)
25. Jesus predisse que os seus servos seriam odiados “por todas as nações” e que o evangelho seria pregado em testemunho “a todas as nações”. Esses eventos ainda não aconteceram em sua plenitude e devem ocorrer durante a tribulação com a perseguição institucionalizada contra a Igreja e a diáspora decorrente dessa perseguição, produzindo um avivamento nunca antes visto e possibilitando a pregação a “todas as nações”.
26. Se o pré-tribulacionismo estiver certo, nós, pós-tribulacionistas, estamos preparados pela fé e através do novo nascimento para o arrebatamento anterior à tribulação. Se a posição pós-tribulacionista estiver certa, estaria a Igreja preparada em todos os aspectos para enfrentar esses momentos de sofrimento físico e social extremos? Estão todos sendo ministrados para enfrentarem essa possibilidade? Estão todos sendo ensinados a vigiarem em virtude do engano generalizado que se aproxima?
NOSSO PROPÓSITO
Diante dessa realidade, o PROJETO ÔMEGA procura trazer a público o debate e o estudo bíblico aprofundado das questões proféticas. Buscamos a conscientização dos servos de Deus a respeito dos eventos que já estão profetizados e a correta postura que todos devemos ter diante da realidade em que vivemos, que já prenuncia a concretização dessas profecias.
A seguir, daremos nossas principais bases de atuação ministerial:
1. Nosso propósito não é impor uma idéia ou dogma, como os pré-tribulacionistas têm feito durante décadas, e sim expor uma interpretação sincera das profecias escatológicas e estimular os servos de Deus a estudarem com mais profundidade esses assuntos. Temos observado que a grande maioria dos cristãos, no tocante aos assuntos escatológicos, não tem feito aquilo que os bereanos fizeram, ao ouvir a palavra ministrada por Paulo. Muitos têm aceitado a hipótese pré-tribulacionista como verdade absoluta, por falta de interesse em estudar as profecias escatológicas, outros por falta de entendimento, ao julgar esses assuntos muito complicados, o que na realidade não é verdade.
A maioria das igrejas protestantes tem adotado o pré-tribulacionismo como base doutrinária para entender os últimos acontecimentos. Isso se deve ao fato da maior parte dessas igrejas ter surgido a partir de começos do século dezenove, época em que começou a ser divulgado o pré-tribulacionismo por parte dos irmãos de Plymouth - EEUU (1830). Esse tipo de interpretação influenciou todas as igrejas do período, das quais as atuais são herdeiras, sejam elas tradicionais, pentecostais ou neopentecostais. Anterior a esse período (século XIX), não havia distinção entre arrebatamento e segunda vinda em glória. O maior exemplo dessa posição é a Igreja primitiva.
Ao ler as cartas de Paulo, Pedro e João fica explícito que eles, como toda a Igreja primitiva, esperavam a volta do Senhor já em seus dias, vivendo em pleno processo tribulacional. Essa vinda não seria para "evitar" que a Igreja entrasse num processo de tribulação e sim para tirá-los da tribulação em que a Igreja vivia (II Tessalonicenses 1:7-10).
Eles relacionavam essa tribulação e a perseguição desencadeada pelo Império Romano à grande tribulação profetizada por Jesus e o imperador perseguidor ao anticristo. A Igreja primitiva não esperava um arrebatamento anterior à tribulação (até pelo fato de viverem em constante perseguição e tribulação). Eles esperavam a vinda poderosa de Cristo, para arrebatá-los, derrotar o anticristo (para eles o imperador romano) e instaurar o reino milenar. Diante disso, podemos assegurar que a igreja primitiva não era pré-tribulacionista!
2. A revelação escatológica neotestamentária, principalmente o Apocalipse, é dirigida à Igreja. É claro que o povo judeu terá uma participação decisiva nos últimos acontecimentos, porém a presença da Igreja nesse contexto, inclusive o tribulacional, é inegável à luz da Palavra. Por exemplo: Em Mateus 24:22, Jesus disse que se os dias da grande tribulação não fossem abreviados, ninguém se salvaria (no aspecto físico, para permitir a existência de sobreviventes e o cumprimento da promessa de transformação dos que estiverem vivos e não a nível espiritual, pois a nossa salvação independe dos danos físicos causados num processo tribulacional).
Eles serão abreviados por causa dos escolhidos. Os pré-tribulacionistas tendem a relacionar esses escolhidos ao povo judeu. No entanto, oito versículos depois, Jesus continua a narrativa dizendo que os escolhidos serão ajuntados desde os quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus (Mateus 24:30-31). Essa é uma descrição do arrebatamento, que, de acordo com próprio Mestre, acontecerá ao mesmo tempo da sua segunda vinda em glória. Note que os escolhidos serão ajuntados (arrebatados). Portanto quando Jesus menciona no versículo 22 a palavra “escolhidos”, não está referindo-se a Israel como nação e sim à Igreja, pois esses mesmos escolhidos são arrebatados no versículo 31, sendo o arrebatamento uma promessa específica para a Igreja e não para Israel.
Em Daniel e também no Apocalipse, fica claro que o anticristo fará guerra contra os santos e matará a muitos, principalmente após a instauração a nível mundial da marca da besta (sistema de controle político-financeiro). Outra vez, não devemos confundir esse ataque aos santos, com o povo de Israel, pois Israel só será atacado frontalmente pelo anticristo no final da tribulação, quando reunir os exércitos da terra contra a terra santa no Armagedom. Inclusive, a Bíblia afirma em Apocalipse 20:4-6 que os cristãos martirizados (assassinados pelo anticristo) por não aceitarem a nova ordem mundial (a marca da besta), ressuscitarão na primeira ressurreição, excluindo categoricamente uma ressurreição em massa antes da tribulação, como é defendida pelos pré-tribulacionistas.
3. Não existe nenhuma passagem bíblica que determine claramente a segunda vinda de Jesus dividida em duas etapas: uma oculta, para arrebatar a Igreja, e a outra no final da tribulação, para derrotar o anticristo e instaurar o reino milenar. O pré-tribulacionismo chega a essas conclusões por meio de uma série de deduções indiretas e suposições. Uma análise direta e desprovida de todo tipo de preconceito vai deixar claro, para qualquer pessoa interessada na verdade escatológica, que o arrebatamento da Igreja acontecerá ao mesmo tempo da volta de Jesus com poder e grande glória.
4. O amor de Cristo pela Igreja não a torna isenta de viver tribulações. Se assim fosse, então nossos irmãos primitivos, que foram perseguidos, torturados e martirizados, entre os quais líderes do porte de Pedro, Paulo, João, Tiago, Estevão, Policarpo e tantos outros, não estariam debaixo do amor de Cristo! O próprio Mestre disse: “o servo não é maior que o seu senhor”. Se Jesus foi perseguido pelo sistema político e religioso da época, e sofreu dores em seu próprio corpo, por que nós estaríamos isentos? A Igreja atual está mais preocupada em não passar pela tribulação para manter a sua integridade física e social ou em anunciar o evangelho e não negar o nome de Jesus, mesmo que isso signifique dano físico ou morte em meio à mais ferrenha perseguição e tribulação?
5. Cremos que a visão pós-tribulacionista deve ser levada em consideração e aplicada ao processo de fortalecimento espiritual do cristão nesses últimos dias. Pelo simples fato de preparar-se diariamente, tanto no aspecto psicológico quanto espiritual, para viver um período de perseguição e tribulação nunca visto anteriormente, o pós-tribulacionista, se for coerente com aquilo que crê, deve preparar-se como um guerreiro para o que der e vier. Está preparado até mesmo para ser arrebatado antes da tribulação, se a hipótese pré-tribulacionista estiver certa. O contrário, porém, não pode ser verificado entre os pré-tribulacionistas. Quantos cristãos nos dias atuais estão preparados para morrer pelo evangelho? Quantos cristãos estão preparados espiritualmente para serem perseguidos de forma implacável pelo sistema político e religioso? Quantos abririam mão, da noite para o dia, de tudo o que construíram neste mundo?
REFLEXÃO
Os líderes estão ministrando às igrejas essa preparação espiritual de guerra ou estão estimulando os liderados a viverem de acordo com estereótipos de sucesso seculares, esperando que as coisas “melhorem” através de soluções humanas? Os cristãos modernos estão buscando a implantação do reino de Deus ou estão indo atrás das coisas que o próprio Jesus disse seriam acrescentadas automaticamente a quem buscasse primeiro o reino? Nisso radica o verdadeiro perigo.
Acreditamos que muitos só acordarão para a realidade tribulacional quando for muito tarde (pelo simples fato de não ter acontecido o arrebatamento anterior a tribulação, como é esperado pela maioria). Para essas pessoas, devido à falta de preparação e ao seu grau de comprometimento com a vida secular e os seus padrões de sucesso, será extremamente difícil optar pela exclusão e perseguição. Em vez disso escolherão o bem-estar social proposto pela besta através da marca. Alguns estão tão envolvidos com o processo político e social, que simplesmente não perceberão o surgimento do anticristo e a aplicação de seu plano a nível mundial...
Aqui vale ressaltar que o anticristo, um enganador, não surgirá como um vilão e sim como um herói e líder carismático, levando-o a ser apoiado em seus planos aparentemente infalíveis, pacificadores e humanitários, até mesmo por lideranças que se dizem “cristãs”, pois o mesmo terá um enorme poder de convencimento e sedução. Outros, apesar de terem acreditado na posição pré-tribulacionista, entenderão já estar vivendo a realidade tribulacional, e terão reservas espirituais (azeite) para enfrentar esses momentos difíceis, o que se encaixa perfeitamente na parábola das dez virgens, onde todas cochilam e dormem, por causa da demora do noivo, e em determinado momento “despertam para a realidade”. Somente a metade tinha combustível necessário para que as suas lâmpadas brilhassem em meio à escuridão (tribulação). A perseguição sobre a Igreja será implacável, e devido a isso muitos desfalecerão ou até mesmo renunciarão ao nome de Cristo, só para manterem sua integridade física e social. Será um momento de prova final, onde saberemos quem verdadeiramente tem compromisso com Deus e quem está na Igreja hoje interessado somente no que Deus pode dar em troca. Jesus deixou uma pergunta emblemática antes de partir:
Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?
Maranata!
O TEMPLO
Quando falamos de “templo”, temos que entender sua abrangência espiritual no contexto bíblico. A Palavra revela que o Templo terrestre, cuja forma primordial foi o tabernáculo, é uma figura de coisas celestiais. O autor do livro aos hebreus expressa assim a relação entre o tabernáculo, construído nos tempos de Moisés, e as coisas celestes, no contexto do ministério sacerdotal e redentor de Jesus:
“Ora, se ele estivesse na terra, nem seria sumo sacerdote, havendo já os que oferecem dons segundo a lei, os quais servem àquilo que é figura e sombra das coisas celestiais, como Moisés foi divinamente avisado, quando estava para construir o tabernáculo; porque lhe foi dito: faze tudo conforme o modelo que no monte se te mostrou” (Hebreus 8:4-5)
Ainda revelando a Palavra do Senhor sobre o ministério sacerdotal de Jesus, o autor da epístola aos hebreus afirma:
"E quase todas as coisas, segunda a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão. Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que estão no céu fossem purificadas com tais sacrifícios, mas as coisas celestiais com melhores sacrifícios do que estes. Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparece por nós perante a face de Deus” (Hebreus 9:22-24)
Vemos que existe uma relação simbólica entre o Templo e as coisas celestiais. É importante notar que Jesus se referiu ao Templo em Jerusalém como “Casa do Pai”. Isso ocorreu quando Ele tinha doze anos (Lucas 2:49) e depois de Seu batismo (João 2:16). Sabemos que nós, enquanto novas criaturas em Cristo Jesus, somos templos do Espírito Santo (I Coríntios 6:19) e que o Senhor não habita em templos feitos pelas mãos de homens (Atos 7:48). Porém, é inquestionável o simbolismo profético que existe entre o Templo de Jerusalém e a Nova Jerusalém, que será a morada do próprio Senhor e Seus servos na Terra para sempre:
“Nela não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor Deus Todo-Poderoso e o Cordeiro” (Apocalipse 21:22).
Dentro do plano de Deus para Sua criação há etapas que precisam ser cumpridas. Entendemos que o Templo de Jerusalém, destruído no ano 70 DC, será reconstruído em algum momento antes do início da tribulação final, devido ao tratamento exclusivo do Senhor com a nação israelense e à concretização do reino milenal de Jesus em Jerusalém. O mesmo João que narra a existência de santuário em Jerusalém nos tempos da grande tribulação (Apocalipse 11:1-2), se adianta em dizer que na Nova Jerusalém “não vi santuário”. Respeitamos aqueles que não crêem na reconstrução do Templo em Jerusalém, afirmando que o anticristo se assentará no santuário de Deus de uma forma alegórica, porém daremos aqui alguns motivos, além dos já mencionados, que nos levam a crer na literalidade física desse fato e na reconstrução do Templo judeu em Jerusalém.
MENTALIDADE JUDAICA
Quando Jesus relatou a Seus discípulos de forma pormenorizada os principais eventos que deveriam ocorrer antes de Sua volta, Ele mencionou um grande sinal que, dentro da narrativa do Mestre na ocasião, ocupa uma posição central, servindo de elo entre os eventos abrangentes relacionados ao mundo e à Igreja e aqueles que antecederão Sua volta, logo após grande tribulação (Mateus 24:29). Esse sinal é um evento específico denominado "abominação da desolação":
“Quando, pois, virdes estar no lugar santo a abominação da desolação predita pelo profeta Daniel (quem lê, entenda)” (Mateus 24:15).
Ao citar a expressão “abominação da desolação”, Jesus não usou uma expressão desconhecida por Seus interlocutores. O profeta Daniel, séculos antes, tinha descrito o que seria a abominação da desolação:
“E estarão ao lado dele (do anticristo) forças que prostrarão o santuário, isto é, a fortaleza, e tirarão o holocausto contínuo, estabelecendo a abominação da desolação” (Daniel 11:31)
Fica claro que Jesus estava se referindo à profecia revelada a Daniel. Até mesmo a expressão “quem lê, entenda”, se refere ao livro do profeta Daniel. Ao indicar a leitura da profecia de Daniel para entendimento do que seria a abominação da desolação, Jesus deixa claro que o evento citado ocorreria de acordo com os detalhes fornecidos por Daniel. Consequentemente, levando em consideração o contexto gramatical e histórico de Mateus 24:15, Jesus revela aos discípulos que a abominação da desolação descrita por Ele seria aquela descrita pelo profeta Daniel. Uma abominação que ocorreria ao ser prostrado o santuário e retirado o holocausto contínuo (Daniel 11:31). Caso o Senhor estivesse se referindo aqui a um santuário e a holocaustos espirituais e/ou alegóricos, não teria indicado a leitura do livro de Daniel.
Por outro lado, a mentalidade que os discípulos que ouviram o sermão profético de Jesus tinham, era a única possível naquele momento: o santuário e o holocausto contínuo se referiam ao templo em Jerusalém! Não é sensato presumir que os discípulos entenderam que Jesus estava alegorizando a aplicabilidade da abominação da desolação. Portanto, de acordo com o entendimento que os discípulos tinham naquela ocasião (Mateus 24:15) e de acordo com a indicação feita para que o termo fosse entendido de acordo com o que estava escrito no livro de Daniel, cremos que a posição mais sensata é sustentar que Jesus, ao referir-se à “abominação da desolação”, estava se referindo à prostração (profanação) do santuário e à retirada do holocausto contínuo no Templo em Jerusalém.
Alguns sustentam que tal abominação da desolação já ocorreu em 70 DC, por ocasião da destruição do Templo. Porém, uma correta análise do contexto nos indica que esse evento ocorrerá no futuro. Jesus relaciona o evento em si (abominação) com o sofrimento que virá sobre o mundo a partir daquele evento (abominação) e daquele lugar (Jerusalém). O Mestre revela que esse sofrimento será “uma aflição tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá” (Mateus 24:21). A menos que a grande tribulação seja menos rigorosa que o sofrimento de 70DC (idéia desprovida de sensatez), podemos concordar com essa idéia preterista. Um outro argumento fortemente contrário ao preterismo da abominação da desolação é que Jesus revela que Sua volta será logo após a aflição daqueles dias, aflição causada a partir da abominação da desolação!
De acordo com essas razões, e outras que detalharemos nos próximos pontos, cremos na concretização futura da abominação da desolação, a qual ocorrerá no Templo em Jerusalém devidamente reconstruído.
BASES ESCRITURÍSTICAS
Logo após alertar seus discípulos a estarem atentos à abominação da desolação com um dos sinais que antecederiam Sua volta, Jesus relata as conseqüências provocadas por este ato maligno do anticristo:
“...Então os que estiverem na Judéia fujam para os montes; quem estiver no eirado não desça para tirar as coisas de sua casa, e quem estiver no campo não volte atrás para apanhar a sua capa. Mas ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem naqueles dias! Orai para que vossa fuga não suceda no inverno nem no sábado” (Mateus 24:16-20).
Fica claro que a abominação da desolação ocorrerá num dia específico e num lugar específico e que esse ato ocasionará a grande tribulação. Enquanto ao dia, o Senhor pede para que os discípulos orem para que este dia não seja sábado, deixando claro que ocorrerá num dia literal. No aspecto de localidade, é preciso atentar que Jesus descreve as primeiras conseqüências da abominação da desolação, a qual acarretará uma perseguição ao povo do Senhor a partir de Jerusalém, se expandindo por todo o planeta. Esses conceitos (dia e localidade) são preciosos para entender a literalidade da abominação da desolação como algo que ocorrerá num dia e num local específico, colocando como opção mais sensata para o local de tal abominação o Templo.
Paulo, em sua segunda carta aos tessalonicenses, obedece a ordem dos eventos mencionada por Jesus, os quais antecederão o Dia do Senhor. O apóstolo cita dois grandes sinais que antecederão este Dia: apostasia e revelação do anticristo (II Tessalonicenses 2:3). Os mesmos já haviam sido revelados por Jesus no sermão profético: o esfriamento espiritual por parte de muitos (Mateus 24:12) e a abominação da desolação (Mateus 24:15). Portanto, há uma estreita submissão de Paulo às revelações do Mestre em Mateus 24. Neste contexto, ao mencionar a abominação da desolação, Paulo dá detalhes de como e onde ocorrerá isso, ao descrever como será a revelação do anticristo como tal:
“Aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Deus, apresentando-se como Deus” (II Tessalonicenses 2:4)
Mais uma vez, vemos uma notória prova da mentalidade que nossos irmãos primitivos tinham a respeito do que é abominação da desolação. O anticristo se assentará no santuário de Deus (Templo), apresentando-se como Deus, ou seja, reivindicando adoração mundial (Apocalipse 13:8). Negar a literalidade do termo “santuário” na passagem da carta aos tessalonicenses, é negar o visível sincronismo entre o sermão profético de Jesus e a epístola paulina.
Também é sustentar uma sutil incongruência: se Paulo deixa claro que o filho da perdição (aquele que se assenta no santuário) é uma pessoa (chamado de “iníquo” nos versículos 8 e 9), e se essa pessoa literal será revelada “ao seu próprio tempo” (versículo 6), então, como alegorizar o local onde ele se assentará, apresentando-se como “deus”? Por último, em plena tribulação, vemos o santuário, o altar e o átrio sendo citados na revelação apocalíptica:
“Foi-me dada uma cana semelhante a uma vara; e foi-me dito: Levanta-te, mede o santuário de Deus, e o altar, e os que nele adoram. Mas deixa o átrio que está fora do santuário, e não o meças; porque foi dado aos gentios; e eles pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses.” (Apocalipse 11:1-2)
Cremos que não há razões para alegorizar a concretização da abominação da desolação. De acordo com o entendimento judaico, dos primeiros discípulos e da interpretação literal das profecias, a abominação desoladora profetizada por Daniel e confirmada por Jesus, ocorrerá no Templo em Jerusalém pouco antes da volta do Senhor.
TESTEMUNHO DOS LÍDERES PRIMITIVOS
Sempre é salutar saber qual era o entendimento de nossos irmãos primitivos a respeito das questões polêmicas que corriqueiramente são levantadas. Eles tinham uma grande proximidade com os apóstolos e, em alguns casos, com o próprio Jesus. A Bíblia é a Palavra de Deus e nos revela tudo aquilo que precisamos saber. A interpretação das questões bíblicas, no entanto, deve ser feita de forma criteriosa e espiritual. Por isso, sempre é bom saber o que homens e mulheres que tiveram contato direto com os apóstolos e obtiveram deles ensinamentos orais que não estão registrados na Palavra. Irineu (120-202 DC), discípulo de Policarpo, que, por sua vez, foi consagrado pelo apóstolo João na igreja em Esmirna, descreve assim seu entendimento sobre algumas questões escatológicas:
“...Porém, agora ele indica o número do nome, para que quando este homem venha possamos precaver-nos, estando alerta a respeito de quem ele é...Porém, quando este anticristo tenha devastado todas as coisas neste mundo, ele reinará por 3 anos e 6 meses, e se sentará no templo de Jerusalém; e quando o Senhor vier nas nuvens dos céus, na glória do Pai, enviará este homem e a seus seguidores ao lago de fogo; restaurando os tempos de bem-estar e justiça no reino, que é, o descanso, o sétimo dia sagrado; e restaurando a Abraão a herança prometida, no reino que o Senhor declarou, no qual muitos virão do este e do oeste e se sentarão com Abraão, Isaque e Jacó”. (Extraído de Contra as Heresias, Livro V, XXX)
Vemos então que, mesmo após a destruição do Templo em Jerusalém (70 DC), Irineu, representando grande parte do entendimento escatológico da época, sustentava no século II que o anticristo “se sentará no templo em Jerusalém”, dando uma interpretação literal a textos como Daniel 11:31, Mateus 24:15 e II Tessalonicenses 2:4. Seguimos essa mesma linha literalista, claramente exposta nos tratados de nossos irmãos primitivos. Essa é mais uma razão para que sustentemos que a abominação da desolação ocorrerá no Templo de Jerusalém devidamente reconstruído.
POSSIBILIDADES REAIS
Há fortes razões para que acreditemos na cada vez mais próxima reconstrução do Templo em Jerusalém. Existem possibilidades reais para que isso ocorra. Não é uma cogitação totalmente infundada ou impossível de ser levada a cabo, do ponto de vista humano.
Em primeiro lugar, os judeus ortodoxos, aqueles que vivem em obediência aos princípios da Torah, jamais esconderam seu anelo de ver reconstruído o tão sonhado Templo. Hoje, como uma forma de não esquecer esse profundo desejo, eles usam o Muro das Lamentações, um resquício do antigo Templo, como lugar de orações. Arquitetonicamente, é apenas uma parede que sobreviveu à ruína da construção. Mas, para esses judeus, é uma partícula do sonho que mora em seus corações e faz parte fundamental na expressão de sua fé: O Templo em Jerusalém.
Quem reconstruir o Templo, obterá grande prestígio dentro da comunidade judaica, tanto entre aqueles que seguem fielmente os princípios da Torah, como entre aqueles que, mesmo sendo ateus ou pertencentes a outros credos, aceitarão essa reconstrução como algo importante a nível cultural e histórico. Neste contexto, não descartamos a possibilidade de que o Templo seja reconstruído através de uma intervenção política da própria besta, o que, certamente, lhe renderia a completa aprovação por parte dos judeus. Pode ser construído também por algum líder judeu, visando dividendos puramente políticos, a exemplo do que o rei idumeu Herodes fez em sua época, ao reconstruir o Templo, ao qual Jesus chamou de “Casa de meu Pai”.
Uma coisa é certa: há grandes possibilidades de que algo verdadeiramente desastroso possa ocorrer na “Esplanada das Mesquitas”, onde o antigo Templo judaico existia e onde atualmente existe uma mesquita islâmica. O extremismo de ambas as partes (judeus e muçulmanos), poderá deflagrar ataques àquela parte crítica dentro de Jerusalém. Até mesmo a permanente disputa entre israelenses e palestinos pela posse de certas partes de Jerusalém, poderá trazer conseqüências que possibilitem a reconstrução do Templo judeu em Jerusalém. Um acordo inédito e impensado entre muçulmanos e judeus, talvez com a mediação da besta, não pode ser totalmente descartado como fator facilitador para a construção do templo judaico. Cabe a nós ficarmos vigilantes a respeito de todos os sinais já profetizados na Palavra.
Maranata!
OS MÁRTIRES DE APOCALIPSE 20:4
Neste site, temos tentado abordar o máximo de assuntos possíveis, para que o nosso leitor (a) tenha acesso às informações relacionadas ao cenário profético bíblico. Neste tópico vamos abordar a passagem de Apocalipse 20:4. Tal passagem, apesar de apontar claramente para a presença de mártires que morrerão durante a grande tribulação e que participarão da primeira ressurreição, colocando essa primeira ressurreição como um evento que ocorrerá no momento da gloriosa volta do Senhor logo após a grande tribulação (Mateus 24:29-31), tem sido mencionada por alguns para sustentar um arrebatamento anterior à manifestação gloriosa de Jesus.
O raciocínio dessas pessoas parte da seguinte premissa: Se o texto de Apocalipse 20:4 menciona apenas a ressurreição dos martirizados durante o governo da besta (grande tribulação), então deve haver outra ressurreição anterior envolvendo os “não martirizados”, ou seja, aqueles que foram arrebatados antes da tribulação (para os pré-tribulacionistas) ou durante a tribulação (para os midi-tribulacionistas).
O ENTENDIMENTO PRIMITIVO
Em primeiro lugar, cremos que é necessário considerar qual o entendimento que nossos irmãos primitivos tinham quando receberam as cartas apocalípticas. Apesar de aplicar-se a nós também, elas foram escritas originalmente para os irmãos do final do século I. Qual era a mentalidade deles, formada em grande parte pelos ensinos orais recebidos dos próprios apóstolos e do Senhor? Sabemos que eram irmãos que viviam sob constante perseguição e tribulação. O escritor Russel Norman Champlin, em seu livro comentado de Mateus, Volume I, página 182, diz:
“...O Apocalipse foi escrito para uma igreja composta de “mártires em potencial”, uma igreja que haveria de sofrer a ira romana, e não escapar da mesma. O Apocalipse é um manual para os mártires. Não foi escrito para os judeus e nem para satisfazer a curiosidade a respeito do futuro, mas a fim de mostrar a uma igreja que sofria como as coisas piorarão, e como os crentes devem postar-se firmes em tempos de tribulação. O livro do apocalipse é essencialmente um aviso a igrejas para que resista em meio a mais feroz perseguição...”
Concordamos em gênero, número e grau com Champlin. Não há nenhum documento, registro ou tradição proveniente dos séculos I, II e III que aponte para algum tipo de crença em duas ou mais vindas ou manifestações futuras do Senhor ou que expresse a esperança de ser arrebatado para não sofrer o martírio ou a perseguição da besta.
Todos os textos dos primeiros 3 séculos que chegaram até nós, ou seja, textos escritos décadas depois do livro de Apocalipse e do versículo em questão (Apocalipse 20:4), mostram claramente que nossos primeiros irmãos acreditavam e ESPERAVAM apenas uma vinda ou manifestação gloriosa do Senhor, logo após a grande tribulação e logo após os sinais do Dia do Senhor, para derrotar o anticristo (que eles relacionavam a alguns imperadores romanos de plantão) e iniciar o Seu reino aqui na Terra.
Eles não tinham esperança alguma a respeito de um arrebatamento anterior a isso, como "primícias", até por que o fato de serem degolados por uma autoridade global, nos moldes descritos em Apocalipse 20:4, já fazia parte do seu dia a dia. A base da fé escatológica deles estava baseada nas Palavras proferidas pelo Senhor no Monte das Oliveiras, poucos dias antes de ser crucificado. Essa base foi passada geração a geração nos primeiros séculos. Basta ver os escritos de Irineu, que foi discípulo de Policarpo que, por sua vez, foi discipulado pelo próprio escritor do Apocalipse, João. Também, é notável a sujeição que Paulo mostra ao que tinha sido ensinado pelo Mestre décadas antes.
Se seguirmos a simplicidade daquilo que foi ensinado pelo Senhor e seguido pelos apóstolos, evitaremos muitos problemas. Por exemplo, o Senhor afirmou que em Sua vinda haverá TOQUE DE TROMBETA (Mateus 24:31). Então, quando Paulo menciona que a ressurreição dos mortos e transformação dos que estiverem vivos se dará ante a ÚLTIMA TROMBETA (I Coríntios 15:52), está referindo-se ao que já havia sido ensinado pelo Mestre. Não está referindo-se à 4ª, 5ª, 6ª ou 7ª trombeta do Apocalipse, até porque o Apocalipse foi escrito décadas depois e os irmãos em Corinto não tinham idéia ainda das revelações que seriam dadas a João em Patmos. A última trombeta soará logo após a grande tribulação, no Dia do Senhor (Mateus 24:29-31).
O Senhor Jesus ensinou que a nossa recompensa seria dada “na ressurreição dos justos” (Lucas 14:14). Isso aponta para uma única ressurreição. Não para uma ressurreição “em etapas” como é defendida por pré e midi tribulacionistas. Diante disso surgem as perguntas: Será que os martirizados pela besta, por guardar o testemunho de Jesus e a Palavra de Deus, não se prostrando diante da besta, não podem ser incluídos entre os justos, apenas porque em Apocalipse 20:4 não são mencionados aqueles que não foram martirizados pela besta? Não são eles de Cristo também? Ou seriam eles justos "de segunda categoria" ou da "série B"?
Paulo é claro enquanto à ordem da ressurreição: "Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda" (I Corintios 15:23). Que vinda é essa mencionada por Paulo? É aquela ensinada por Jesus em Mateus 24:29-31 ou é uma não mencionada por Ele e oculta até para os próprios irmãos em Corinto?
Vemos então que o entendimento que nossos irmãos primitivos tinham era que haveria uma ressurreição dos justos, da qual participariam os justos de todas as épocas, inclusive aqueles que seriam degolados pela besta durante a grande tribulação. A essa ressurreição João deu o nome de primeira ressurreição (Apocalipse 20:4), antepondo-se à segunda ressurreição, que ocorrerá logo após o Milênio e que será dirigida aos não salvos. Eles não tinham qualquer entendimento a respeito de uma ressurreição anterior à primeira ressurreição (!) ou a “subdivisões” dessa ressurreição. Isso mostra que tais idéias não faziam parte da doutrina ensinada pelo Senhor e pelos apóstolos.
A EXPERIÊNCIA DE JOÃO
Em segundo lugar, devemos considerar o teor das experiências que João teve em Patmus. O questionamento levantado por pré e midi tribulacionistas, de que apenas os mártires da besta ou os “salvos da tribulação” farão parte da ressurreição descrita em Apocalipse 20:4 e que a Igreja será arrebatada antes disso, parte da premissa que João estava vendo um filme nos padrões hollywoodianos, numa seqüência linear de eventos, com atores, resenha, figurantes, etc, todos estrategicamente colocados para o que espectador tenha uma visão geral do enredo.
Ou seja, se João não mencionou em sua descrição de Apocalipse 20:4 os “não degolados pela besta”, logo, deve haver uma ressurreição anterior, dizem eles... Porém, nós não cremos nisso. João recebia seguidas revelações, onde ele visualizava aquilo que o Senhor queria que ele visse naquele momento, nada mais. Um dos principais objetivos das cartas apocalípticas é trazer conforto espiritual e verdadeira esperança aos que eram e serão atribulados.
O estilo narrativo do livro de Apocalipse não permite sustentar que, pelo simples fato dos não degolados pela besta não serem citados em Apocalipse 20:4, eles não farão parte daquela ressurreição. Pelo contrário, a Palavra é clara em afirmar que essa ressurreição ocorrerá na vinda do Senhor (uma só).
O TEXTO ORIGINAL
É bom destacar que João, em Apocalipse 20:4, relata não uma visão da ressurreição em si, mas sim de tronos e pessoas assentadas neles, o que nos remete ao início do período Milenal. Ele escreve “E vi tronos...”. Ou seja, pessoas que estavam exercendo autoridade com Jesus (veja Apocalipse 2:26, apóstolos sentando sobre tronos...). Logo após descrever os tronos, João se detém para explicar quem eram os irmãos martirizados que haviam experimentado a primeira ressurreição.
Neste ponto é importante saber de um detalhe que é fundamental para ter um real entendimento de Apocalipse 20:4. Preste atenção: a segunda expressão “E vi” (...E vi as almas daqueles que foram degolados...) não aparece no original grego. Ela foi acrescentada posteriormente pelos tradutores. É isso que dá a FALSA impressão de que aqueles irmãos ressuscitados (os degolados durante a grande tribulação) estavam experimentando uma ressurreição posterior aos dos outros. Vejamos o original grego de Apocalipse 20:4, palavra por palavra, de acordo com o textus receptus compilado por Robert Estienne:
Kai (E) eido (eu vi) thronos (tronos), kai (e) kathizo (eles assentaram-se) epi (sobre) autos (eles) kai (e) krima (poder de julgar) didomi (foi dado) autos (a eles). Kai (E) psuche (as almas) pelekizo (dos degolados) dia (pelo) marturia (testemunho) Iesous (de Jesus) kai (e) dia (pela) logos (palavra) theos (de Deus) ... zao (viveram) kai (e) basileuo (reinaram) meta (com) Christos (Cristo) chilioi (por mil) etos (anos).
O verbo “didomi” (foi dado) aponta uma ação que já tinha ocorrido no passado. Já o verbo “zao” (viveram) é usado no Novo Testamento para indicar o estado de uma pessoa que já havia sido ressuscitada momentos antes e que já estava exercendo suas atividades vitais de forma plena (Lucas 15:32, Apocalipse 2:8, Apocalipse 13:14). Ou seja, os irmãos de Apocalipse 20:4 já tinham recebido poder para julgar e reinar e já tinham ressuscitado momentos antes!
Não vemos razões convincentes para dividir aquilo que é indivisível. O Corpo de Cristo é um só. Haverá uma ressurreição dos justos (primeira) e outra ressurreição dos injustos (segunda). É nisso que os irmãos primitivos criam e é nisso que nós acreditamos.
Cremos que o argumento do silêncio não é válido nesta questão. Por exemplo, usando o mesmo raciocínio do silêncio utilizado no questionamento levantado por pré-tribulacionistas e midi-tribulacionistas a respeito de Apocalipse 20:4, poderíamos afirmar que APENAS os martirizados pela besta vencerão a segunda morte, ficando de fora todos os cristãos que na história não perderam suas vidas nas mãos do anticristo.
É só usar o mesmo raciocínio da pergunta no versículo 6 do capítulo 20! : “Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte”. Ou poderíamos, ainda usando o mesmo raciocínio do silêncio em Apocalipse 20:4-6, afirmar que apenas eles (os martirizados pela besta) reinarão com Cristo no Milênio, ficando de fora do reino os “não degolados”...
Obviamente, ninguém aceitaria esse raciocínio nosso, pois sabemos que todo aquele que nasce de novo passou da morte para a vida e reinará eternamente com Cristo! Da mesma forma, não vemos razões para crer que, pela simples ausência dos não martirizados pela besta em Apocalipse 20:4, devamos cogitar que haverá uma ressurreição anterior à primeira (?!), que não fora ensinada por Jesus, nem pelos apóstolos e nem sequer mencionada entre os primeiros irmãos.
Maranata,
OS SINAIS
Em sua Palavra, o Senhor nos mostra sinais inequívocos que antecederão a sua volta. Esses sinais, de acordo com o próprio Mestre, são oferecidos para evitar que os cristãos sejam enganados. Quando falamos de “volta de Jesus”, nos referimos à única volta mencionada por Ele em seu sermão profético, na qual se dará o encontro entre Ele e seus escolhidos: sua vinda logo após a grande tribulação.
O apóstolo Paulo, em sua primeira epístola aos tessalonicenses, valoriza a luz trazida pelas revelações divinas a respeito do fim:
“Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão” (I Tessalonicenses 5:4).
Já o profeta Daniel escreve, referente ao tempo do fim:
“E ele disse: Vai, Daniel, porque estas palavras estão fechadas e seladas até ao tempo do fim. Muitos serão purificados, e embranquecidos, e provados; mas os ímpios procederão impiamente, e nenhum dos ímpios entenderá, mas os sábios entenderão.” (Daniel 12:9-10)
Neste contexto, estar atento à Palavra é o caminho para entender e não ser enganado. O desconhecimento das Escrituras trará, invariavelmente, erro e engano. Por isso, se faz necessário que o verdadeiro servo do Senhor conheça sua Palavra!
O OBJETIVO DOS SINAIS
Logo no começo de seu sermão profético, no qual Jesus detalha vários sinais que antecedem a sua volta, Ele começou com a seguinte frase: “Acautelai-vos, que ninguém vos engane” (Mateus 24:4). A seguir, Ele explica o porquê do aviso: “Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos” (Mateus 24:5). Consequentemente, o propósito dos sinais revelados é impedir que os verdadeiros servos do Senhor, cientes e amantes de sua Palavra, sejam enganados. Essa é a finalidade dos sinais revelados e, neste contexto, se faz necessário que nós estejamos constantemente atentos a esses sinais. Caso contrário, corremos o risco de sermos enganados.
Nas Palavras de Jesus, fica implícito que o engano será disseminado por pessoas que chamarão para si alguma missão ou revelação divina (falsos profetas) ou se auto-declararão “ungidos” ou “escolhidos” (cristos).
É interessante notar que Jesus menciona tais enganadores no plural, revelando que muitos surgirão trazendo tais enganos, e isso realmente tem ocorrido durante toda a história. Em quase todas as épocas e, principalmente nos últimos séculos, temos observado o surgimento de muitos enganadores, os quais alegam ter uma missão divina, mas cujos ensinamentos se opõem às verdades ensinadas por Jesus.
Obviamente, a Palavra revela que no fim dos tempos surgirão dois homens que, de certa forma, significarão o clímax da existência de todos esses enganadores. Trata-se do anticristo, o iníquo ou a besta (I João 2:18, II Tessalonicenses 2:3-4, Apocalipse 13:1-10) e do falso profeta (Apocalipse 13:11-18, Apocalipse 19:20). Porém, gostaríamos de chamar a atenção de nossos leitores sobre uma questão que, de acordo com aquilo que entendemos, assume uma importância fundamental...
SEQÜÊNCIA DO ENGANO
Partimos da premissa de que, no sermão profético ministrado por Jesus no Monte das Oliveiras e registrado em Mateus 24 (entre outras passagens), o Senhor mantém uma ordem lógica dos acontecimentos. Notem que no começo do sermão, como já mostramos, o Mestre alerta seus discípulos a respeito do surgimento de “falsos cristos”.
Logo após, Ele vai descrevendo eventos numa seqüência lógica: princípio de dores (versículos 6-8) , perseguição à Igreja (versículos 9-10), apostasia e pregação mundial do evangelho (versículos 12-14), abominação da desolação (versículos 15-20), grande tribulação (versículos 21-27) e volta de Cristo (versículos 29-31). É uma seqüência linear!
Então, levando em consideração essa ordem lógica revelada por Cristo em seu sermão profético, notamos algo interessante. O Mestre relaciona a presença e atuação de “falsos cristos” e “falsos profetas” em 3 momentos cruciais das épocas retratadas em seu sermão registrado em Mateus 24:
1. Num aspecto geral (versículos 5). Jesus, logo no começo do sermão profético, associa o engano ao surgimento de “falsos cristos” ou pessoas dizendo “eu sou o cristo”. Cremos que, ao usar esses conceitos logo no início de seu sermão profético, o Senhor revela o principal propósito do sermão em si, que é o de alertar e o de situar seus servos em meio aos acontecimentos, colocando a existência do engano e daqueles que enganam (os “falsos cristos”) como algo que se repetiria durante toda a história, até a sua vinda.
2. No momento de perseguição, relacionado ao princípio de dores (versículo11). Note que, depois de descrever os eventos que fazem parte do princípio de dores, Jesus diz: “Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome” (Mateus 24:9). Logo após revelar essa perseguição executada “por todas as nações”, o Mestre relaciona mais uma vez o surgimento de engano: “E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos” (Mateus 24:11).
Aqui nos deparamos com duas possíveis linhas de interpretação para entender o porquê deste segundo aviso dado pelo Mestre a respeito do surgimento de enganadores. Ou o Senhor estava usando uma repetição para dar ênfase à existência do engano, ou o Senhor relacionou de forma específica essa segunda menção aos enganadores ao momento que Ele estava abordando dentro do sermão.
Levando em consideração a seqüência lógica adotada pelo Mestre no sermão profético, cremos que Ele nos alerta a respeito dos “falsos profetas” num momento diretamente relacionado ao começo da perseguição mundial contra a Igreja.
Há uma passagem no livro de Jeremias, na qual o profeta retrata a existência de falsos profetas, os quais, diante das profecias divinas que revelam destruição, juízo, perseguição e tribulação, profetizam “paz”. Note que o profeta revela que “nos últimos dias entendereis isso claramente”...Vejamos o texto:
“Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Não deis ouvidos às palavras dos profetas, que entre vós profetizam; fazem-vos desvanecer; falam da visão do seu coração, não da boca do SENHOR. Dizem continuamente aos que me desprezam: O SENHOR disse: Paz tereis; e a qualquer que anda segundo a dureza do seu coração, dizem: Não virá mal sobre vós. Porque, quem esteve no conselho do SENHOR, e viu, e ouviu a sua palavra? Quem esteve atento à sua palavra, e ouviu? Eis que saiu com indignação a tempestade do SENHOR; e uma tempestade penosa cairá cruelmente sobre a cabeça dos ímpios. Não se desviará a ira do SENHOR, até que execute e cumpra os desígnios do seu coração; nos últimos dias entendereis isso claramente.” (Jeremias 23:16-20)
Ainda falando dos mesmos “últimos dias”, o apóstolo Paulo nos mostra:
"Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” (II Timóteo 4:3-4)
Vemos então que está profetizado na Palavra do Senhor que nos últimos tempos se levantarão falsos profetas, os quais trarão uma mensagem agradável aos sentidos (conforme às conscupiscências de cada um), ou seja, uma mensagem de bem-estar imediato, conformismo com este mundo e propícia à satisfação dos desejos humanos, negando qualquer possibilidade de sofrimento, perseguição e juízo para a Igreja. Um evangelho completamente distinto ao ensinado e vivido pela Igreja Primitiva.
Fica aqui a nossa reflexão: Será que já não estamos presenciando isso? Vemos com muita estranheza o fato de que, na ante-sala dos eventos tribulacionais, muitos que se intitulam “cristãos” nem sequer abordam esses temas apocalípticos em suas reuniões...Pelo contrário! Semeia-se subliminarmente a idéia de que é possível viver um paraíso já neste mundo e que qualquer hipótese se experimentar os eventos relacionados à perseguição profetizada pelo próprio Cristo em Mateus 24:9-10, não se aplicam a nossa época! Será que somos mais “especiais” que Pedro, Paulo, Tiago, Estevam, etc? Ou será que tais “profecias agradáveis” fazem parte do engano já profetizado para os últimos tempos?...
Chegamos à conclusão que os “falsos profetas”, mencionados pelo Senhor em Mateus 24:11, são enganadores específicos que se levantarão ou, em alguns casos, já se levantaram, no período relacionado ao princípio de dores, com o objetivo de apresentar um evangelho deturpado à Igreja, levando-a a ficar despreparada para a perseguição mundial e institucional que se aproxima. É hora de ficarmos atentos aos sinais, “comer” a Palavra e não dar ouvidos a falsos profetas que tentam negar aquilo que está profetizado. Pouco antes de ser martirizado, o apóstolo Paulo deixa um de seus derradeiros conselhos ao jovem Timóteo:
“Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo. Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra.” (II Timóteo 2:3-4)
3. Em plena grande tribulação (versículo 24). Se continuarmos sendo coerentes com a linha de interpretação adotada (seqüência lógica de acontecimentos), veremos que, em determinado momento do sermão profético, Jesus começa a detalhar a grande tribulação. O Mestre esclarece que será uma tribulação sem precedentes (Mateus 24:21) e que tal tribulação antecederá imediatamente sua gloriosa volta (Mateus 24:29).
Inserida na narração da grande tribulação, o Senhor volta a mencionar a presença de enganadores. A exemplo do que fez no começo do sermão profético (Mateus 24:4-5) e no cenário relacionado è perseguição da Igreja “por todas as nações” (Mateus 24:11), o Mestre volta a relacionar o surgimento de enganadores, agora inseridos numa realidade diferente, que é a grande tribulação. Vejamos:
“Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver. E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias. Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito. Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que eu vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem.” (Mateus 24:21-27).
Note que no contexto da grande tribulação, os “falsos cristos” e “falsos profetas” terão a capacidade de fazer “tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos”, capacidades que não são mencionadas nos casos anteriores... Sem dúvidas, o surgimento desses enganadores, inseridos em plena grande tribulação, estará diretamente associado ao surgimento e atuação do anticristo e do falso profeta, fazendo com que o poder de atuação desses enganadores seja muito maior.
É interessante perceber que, atrelado ao aviso sobre o surgimento desses enganadores em plena grande tribulação, com um poder de engano muito maior do que os anteriores, o Senhor Jesus dá uma descrição de como será sua gloriosa volta: “Assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem”. Ao mesmo tempo, alerta aos discípulos a não irem atrás de “aparições” de falsos cristos e falsos profetas: “Se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis”. Tudo isso nos leva a uma conclusão. Durante a grande tribulação poderá haver “simulacros” de vinda ou arrebatamento, inseridos nos sinais malignos que serão operados na época. Simulacros tão convincentes que, se possível fora, enganaria até os escolhidos!
Imaginemos uma Igreja perseguida e seus membros sendo literalmente caçados em todo o mundo. Estamos falando de pessoas que, não obstante terem nascido de novo e viverem no Espírito, sob um intenso avivamento que a perseguição institucional contra a Igreja certamente ocasionará, são seres humanos, sujeitos a fraquezas. Por isso, o alerta especial dado por Jesus é tão importante nesse contexto. Um hipotético “aparecimento” ou “vinda” de Jesus dentro do cenário tribulacional, poderá ludibriar aqueles que estarão sendo perseguidos e que não estão atentos aos sinais profetizados na Palavra! Fica aqui nosso alerta também aos irmãos midi-tribulacionistas (os que crêem que o arrebatamento se dará em meio à tribulação).
Jesus revela que em meio à grande tribulação haverá “aparições” e “chamados” para irem após falsos cristos e falsos profetas, num nível de engano tão profundo que, se possível fora, enganaria até os escolhidos. Não podemos, então, descartar o simulacro maligno de arrebatamento ou vinda de Jesus em meio à grande tribulação. Mais uma vez, queremos alertar nossos irmãos midi-tribulacionistas, aos pré-tribulacionistas e a todos em geral.
COMO NÃO SER ENGANADO?
Os escolhidos, aqueles que amam a Palavra e estão atentos aos sinais deixados pelo Mestre, já têm as armas para não serem enganados no contexto da grande tribulação. Essa é a grande finalidade do sermão profético proferido por Jesus. Aquele que seguir à risca o que está determinado na Palavra e ficar atento aos sinais, não correrá o risco de ser ludibriado por nenhum engano satânico.
Como já comentamos, quando o Mestre menciona os enganadores que surgirão na grande tribulação, Ele mostra com será a volta dele, a qual será diferente a qualquer simulacro maligno:
“Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem.” (Mateus 24:27)
A vinda de Jesus será como um relâmpago, visto em toda a extensão dos céus. O próprio Jesus revela quando e como ocorrerá isso:
"E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.” (Mateus 24:29-31).
Vemos, então, o Senhor Jesus detalhando que logo após a grande tribulação haverá uma penumbra geral no planeta. Uma escuridão nunca antes vista. Neste cenário de escuridão total, aparecerá o sinal de Jesus, “como um relâmpago que sai do oriente e se mostra até o ocidente”. Tal sinal, de acordo com o Mestre, gerará a lamentação de todas as tribos da terra, as quais tinham delegado seu poder e soberania à besta, e todos verão a vinda gloriosa de Jesus. Resta a nós estarmos atentos a esses sinais, deixados amorosamente pelo Senhor para servir de “luz” em meio à perdição tribulacional.
Cremos que esses ensinamentos deveriam ser mais abordados no meio cristão, já que estamos vivendo no limiar do desfecho deles. Vemos com preocupação que tais informações deixadas por Jesus para situar seus servos em meio aos acontecimentos tribulacionais, com o objetivo de não serem enganados, são esquecidos ou relegados a um segundo plano, principalmente devido à concepção pré-tribulacionista, a qual torna tais avisos e alertas do Mestre sem sentido para os cristãos em geral, já que, de acordo com o modelo pré-tribulacionista, a Igreja já não estará na Terra no período tribulacional.
Nosso propósito é o de alertar a todos os irmãos e o de divulgar as boas novas a todas as pessoas. Cremos, pelos motivos abordados em todo o site Projeto Ômega, que a Igreja atravessará o período denominado “grande tribulação” e cremos que os alertas e ensinamentos de Jesus referentes a esse período se aplicam a nós, como sua Igreja. Quem estiver alicerçado na Palavra e atento aos sinais discriminados nela, não será enganado.
Maranata!
PORQUE ESTAMOS NO FIM
A Bíblia é a palavra de Deus e, a cada dia que passa, em vez de tornar-se obsoleta, sua mensagem se torna mais real, nos revelando o plano de Deus através dos séculos, pois como disse Jesus “o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mateus 24:35).
Os eventos que prenunciam o desfecho do cenário e realidade em que vivemos, são cada vez mais claros e significativos. Diante de tantas guerras, violência e perda de referenciais, urge o surgimento de um líder que resolva esses problemas e traga a tão sonhada paz. Blocos de países, inclusive com moedas comuns, são a ante-sala de um governo mundial maligno. O aumento assombroso do misticismo na literatura, cinema, música e o aprofundamento do ecumenismo já dão uma sustentação prévia à futura atuação do falso profeta. Tudo isso vem ocorrendo paulatinamente, como que se estivesse obedecendo a um cronograma cuidadosamente elaborado. Por exemplo, quem diria há 30 anos, num mundo ainda vivendo os efeitos da “Guerra Fria”, que hoje ele estaria praticamente unido e globalizado, contando com blocos político-econômicos como a União Européia, Alca, Mercosul, G8, etc? Quem diria que as crianças e a sociedade em geral encarariam a feitiçaria e a bruxaria como moda e com toda naturalidade, influenciados por livros e filmes como Harry Potter e Senhor dos Anéis? Quem diria que com um simples toque no mouse do seu computador você estaria em qualquer lugar do mundo a qualquer hora?!.
Analisemos detalhadamente os fatos. Teoricamente, hoje já existe a tecnologia necessária para implementar o controle total profetizado em Apocalipse 13:16-18, faltando apenas uma conjuntura geo-política apropriada, o que pode acontecer a qualquer momento!
De acordo com as profecias de Daniel e Apocalipse, o sistema político que servirá como base de atuação para o anticristo terá sete cabeças e dez chifres. Um fato interessante é a configuração do atual G-8. Esse grupo já abriu as portas para a inclusão de outros países, como foi o caso da Rússia, por motivações puramente políticas (a Rússia não pode ser considerado hoje um país rico, porém ainda possui um considerável arsenal nuclear). É lógico supor que o atual G-8, num futuro muito breve, receba novos integrantes, principalmente vindos da Ásia e da América do Sul, para que as suas decisões políticas globais tenham uma aparente legitimação mundial. Ou seja, o atual G-8 pode tornar-se a qualquer momento G-10, perfazendo assim os dez chifres da besta.
Os dez chifres também podem surgir de uma nova composição no seio do Conselho de Segurança da ONU, de uma reorganização mundial em dez grandes blocos, logo após um grande colapso mundial ou até mesmo de 10 monarquias ou povos da Europa que pertenciam ao antigo Império Romano. São possibilidades às quais devemos estar atentos. É preciso esperar o momento certo para identificar com propriedade esses dez chifres. Em Daniel 2:40-44, os dez chifres são relacionados com dez dedos, parte deles de barro e parte de ferro, deixando claro que esses países estarão unidos não por um vínculo verdadeiro e sincero, mas por conveniências e interesses políticos. O fato da disparidade dos materiais que formam os dedos (ferro e barro) parece sugerir também desigualdade social e financeira entre os países que formarem os dez chifres. Temos certeza de que, no momento oportuno, os servos do Senhor poderão identificar esses dez chifres.
Acreditamos, e temos fortes indícios para tal, que existem sociedades secretas, que, visando promover uma “Nova Ordem Mundial”, estão manipulando acontecimentos, controlando a mídia e criando todas as condições necessárias para que um governo mundial seja finalmente uma realidade. São pessoas influentes, a maioria pertencente a países do primeiro mundo, grandes empresários, políticos, religiosos e ativistas. Todos eles com um objetivo em comum: A NOVA ORDEM MUNDIAL.
É importante salientar que a maior parte dessas pessoas e da população em geral é e será partidária desse novo sistema, todos movidaos pelo desejo de viver em mundo mais justo, humano e pacífico. Somente alguns líderes saberão o real propósito: O CONTROLE POLÍTICO E ECONÔMICO DO MUNDO PELO ANTICRISTO. Sem dúvidas, o anticristo já está atuando nos bastidores. Talvez pessoas que o cercam neste momento não conheçam seus reais objetivos espirituais, contudo são pessoas que desejam uma nova ordem mundial, que é, como vimos anteriormente, o anelo da maioria da população mundial. Quem não quer ver o mundo livre de guerras, terrorismo, conflitos religiosos, fome, criminalidade, desemprego e tantas outras mazelas? O anticristo surgirá solucionando paulatinamente e às vezes até de forma sobrenatural todos esses problemas e para tal terá o apoio decisivo das principais lideranças religiosas do mundo, inclusive a maior delas: o falso profeta.
A seguir, daremos 10 razões que nos fazem crer já estar vivendo o prelúdio do final dos tempos profetizado na Bíblia.
1. REORGANIZAÇÃO MUNDIAL EM GRANDES BLOCOS POLÍTICOS E ECONÔMICOS, FACILITANDO UMA FUTURA ADMINISTRAÇÃO MUNDIAL INTEGRADA.
Com a globalização, termo que era desconhecido há menos de vinte anos, as nações, num processo de sobrevivência econômica e administrativa, têm procurado agrupar-se em grupos coesos. Esse agrupamento visa estabelecer um fortalecimento da nação a nível internacional, tornando-a mais competitiva em todas as áreas, pelo simples fato de pertencer a um grupo consolidado. Assim sendo, fica mais fácil negociar, comprar, vender, importar, exportar, diminuir taxas e impor seus produtos em outros mercados.
Essa tendência mundial está simplificando os sistemas administrativos e econômicos globais, propiciando, num futuro próximo, o estabelecimento de uma administração mundial, algo inconcebível há pouco tempo atrás. Essas mudanças globais ocorridas em menos de cinqüenta anos, só fazem confirmar a veracidade das profecias bíblicas no que concerne ao governo mundial do anticristo e o controle que o mesmo exercerá sobre o planeta por um tempo específico.
2. TENDÊNCIA MUNDIAL PARA A UNIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE IDENTIFICAÇÃO INDIVIDUAL ATRAVÉS DE SENHA OU NÚMERO ÚNICO.
Paralela à globalização, existe uma tendência mundial para a unificação dos sistemas de identificação individual, num processo irreversível do ponto de vista tecnológico devido à sua segurança, modernidade e facilidade. Vários países já têm adotado o sistema único de identificação e outros já estudam aplicar esse sistema em curto prazo em seus territórios. Cremos que a constante ameaça terrorista nos países mais prósperos e influentes, acelerará a adoção de sistemas de identificação cada vez mais rígidos e invasivos.
Na unificação dos sistemas de identificação individuais, a pessoa, em vez de possuir vários números para todos os seus documentos, possui apenas um número para todos eles. Isso é implementado graças aos sistemas interligados de informação on-line entre os diversos órgãos. Essa é mais uma preparação e condicionamento mental para que as pessoas, no momento certo, estejam aptas para serem marcadas pelo governo mundial da besta e não questionem o porquê de uma marca única.
3. IMPLEMENTAÇÃO DIÁRIA DA TECNOLOGIA NECESSÁRIA PARA O CONTROLE TOTAL (RASTREAMENTO POR SATÉLITE, CÓDIGO DE BARRAS, CHIPS SUBCUTÂNEOS E BIOMETRIA).
A tecnologia para possibilitar o controle total descrito no Apocalipse já existe atualmente, faltando apenas uma conjuntura geo-política internacional apropriada para que a mesma seja implementada. É interessante observar que a maior parte das mercadorias que consumimos, já traz em seus códigos de barras o número 666. Até mesmo os estabelecimentos comerciais mais precários estão adquirindo leitores óticos para agilizar e simplificar seu controle, reduzindo custos. Cremos que há um condicionamento progressivo para que a população mundial aceite de bom grado e sem maiores objeções a marca da besta. Isso fica patente na questão do código de barras. Mesmo não sendo a marca da besta em si, a maior parte das mercadorias que compramos trazem o número 666 em suas barras de segurança. Ou seja, já se tornou corriqueiro comprar e consumir produtos com o número 666. Vemos neste caso um condicionamento gradual e paulatino.
Tudo indica que a marca da besta fará parte de um sistema de identificação única e, ao mesmo tempo, de movimentação financeira. Isso, teoricamente, agilizaria o processo de atendimento ao cliente, aumentaria os níveis de segurança do estabelecimento (pelo simples fato de não trabalhar com dinheiro), reduziria os índices de inadimplência e permitiria ao poder público um maior controle, até mesmo on-line, das responsabilidades tributárias do comerciante e das responsabilidades do consumidor. A utilização de parte dessa tecnologia já na atualidade, nos leva a acreditar que esse será o sistema utilizado pelo futuro governo mundial maligno.
É claro que a marca maligna profetizada no capítulo 13 do Apocalipse terá implicações espirituais que justifiquem o castigo que sobrevirá aos que a possuírem. Levando em consideração o caráter maléfico do anticristo, o convencimento mundial para a adoção da nova forma de controle, deverá vir acompanhada de algum tipo de ritual ocultista, pacto, declaração ou até mesmo de uma “revelação alienígena”. Ou seja, as pessoas que aceitarem a inserção na sociedade ao serem marcadas, estarão aceitando também, de forma consciente, os envolvimentos espirituais implícitos nesse ato.
4. MASSIFICAÇÃO E ACEITAÇÃO DE CONCEITOS MÍSTICOS ATRAVÉS DA LITERATURA, CINEMA E MÍDIA EM GERAL, VISANDO A PREPARAÇÃO MENTAL PARA A ATUAÇÃO SOBRENATURAL DO ANTICRISTO E DO FALSO PROFETA.
Para que o anticristo e o falso profeta possam ser aceitos pela maior parte da população mundial, é preciso que a mente dessas pessoas, que não têm a mente de Cristo, estejam condicionadas e receptivas para tal acontecimento.
Vemos atualmente uma avalanche de misticismo, esoterismo e procura por temas espiritualistas. É um fenômeno nunca antes visto. Após o período de racionalismo e ceticismo, posterior à revolução industrial do século XIX, está surgindo uma nova onda mística em todo o planeta. Os livros, filmes e sites mais procurados são aqueles que trazem uma temática espiritualista. Tudo isso para que, quando surgirem o anticristo e o falso profeta, operando sinais surpreendentes e prometendo uma nova era de desenvolvimento espiritual para a humanidade, sejam aceitos mundialmente como seres “iluminados”.
5. EXISTÊNCIA DO G-8 (SETE PAÍSES MAIS RICOS E RÚSSIA) E ABERTURA PARA A ENTRADA DE MAIS INTEGRANTES, PODENDO FORMAR-SE O G-10, ENCAIXANDO-SE NA PROFECIA SOBRE OS DEZ CHIFRES DA BESTA.
Se levarmos em consideração que o anticristo terá o apoio das principais lideranças internacionais, nos parece muito mais que uma mera coincidência o fato dos países mais ricos do mundo e, consequentemente, os mais influentes, terem formado uma organização denominada G-7. Esse grupo tem aberto suas portas para outros integrantes, a exemplo da Rússia, podendo chegar, em determinado momento a ser G-10.
O Apocalipse afirma categoricamente que a besta terá sete cabeças e dez chifres e que esses chifres ou reinos (países), entregarão o seu poder (soberania) à besta (Apocalipse 17:16-17).
Acreditamos que o fato dos sete países mais ricos estarem abrindo as portas para nações teoricamente menos influentes, busca legitimar a nível internacional qualquer medida tomada pelo grupo. Neste caso, países do terceiro mundo se sentiriam representados com a inclusão de um ou dois países ao atual G-8 (sete países mais ricos e Rússia). Deixamos claro que se tratam apenas de cogitações baseadas na realidade geo-política atual, a qual pode mudar drasticamente. Como já apontamos acima, os dez chifres podem sair de uma reestruturação da ONU em dez grandes blocos globais, da reestruturação do Conselho de Segurança da ONU ou até mesmo de 10 monarquias ou povos europeus oriundos do antigo Império Romano. Contudo, podemos afirmar categoricamente que, em determinado momento, as nações entregarão a sua soberania à besta.
6. SITUAÇÃO NO ORIENTE MÉDIO.
A criação do Estado Palestino, de acordo com o contexto escatológico, traz conseqüências importantes para o cenário político anterior à tribulação. Para analisar de forma correta essas conseqüências, devemos contar com a direção da palavra profética de Deus a esse respeito.
Em Ezequiel 38, o profeta narra a futura invasão de Gog a Israel. Não devemos confundir essa invasão com aquela que ocorrerá após o Milênio (Apocalipse 20:7-10). Neste último caso, fica evidente que será uma rebelião a nível internacional, dirigida pelo próprio Lúcifer. Já na narrativa de Ezequiel 38, Gog é um rei do “extremo norte” (Ezequiel 38:15). É interessante verificar que, ao traçar uma linha imaginária de Jerusalém até o “extremo norte”, essa linha passará por Moscou, capital da Rússia. Também é interessante destacar que Gog planejará atacar Israel quando a nação judia estiver vivendo em paz e tranqüilidade. O versículo 8 do capítulo 38 de Ezequiel descreve essa realidade com detalhes: “Depois de muitos dias serás visitado. No fim dos anos virás à terra que se recuperou da espada, e que foi congregada dentre muitos povos, junto aos montes de Israel...” Essa condição de paz não condiz com a realidade atual no Oriente Médio, tornando necessário que algo ocorra para que a profecia se cumpra integralmente.
O versículo citado anteriormente deixa claro que, no momento em que Gog invadir Israel, a nação judia será um país “restaurado da guerra”. O versículo 11 do mesmo capítulo nos mostra que Israel viverá naquela época em aldeias “não muradas”, o que também não condiz com a realidade atual, na qual um muro de isolamento está sendo construído por Israel ao longo das suas fronteiras com a faixa de Gaza.
Acreditamos que o ataque de Gog (país do extremo norte, provavelmente a Rússia e alguns aliados), ocorrerá logo no início do período tribulacional de sete anos, baseados no versículo 9 do capítulo 39 de Ezequiel. Ali fica claro que o povo israelense aproveitará as armas das tropas de Gog, após a derrota sobrenatural das mesmas. Esses armamentos serão utilizados como combustível pelos judeus por sete anos, talvez suprindo a falta de outros elementos, considerando o desabastecimento e instabilidade mundial na época tribulacional.
Chegamos à conclusão que, quando Gog e seus aliados invadirem Israel, a nação judia estará vivendo em “paz” numa realidade pós-guerra. Isso, como já comentamos anteriormente, não condiz com a realidade atual da área em questão. Algo deve acontecer para que o cenário de paz, segurança e tranqüilidade seja uma realidade no Oriente Médio pouco antes da invasão de Gog.
Existe uma profecia específica no livro do profeta Obadias referente aos filhos de Edom (Obadias 1:1-9). No versículo 18 do mesmo capítulo, o profeta descreve um conflito de grandes proporções entre israelenses e edomitas: “E a casa de Jacó será fogo, e a casa de José uma chama, e a casa de Esaú palha; e se acenderão contra eles, e os consumirão; e ninguém mais restará da casa de Esaú; porque o Senhor o falou”. Os edomitas não são árabes (descendentes de Ismael) e sim um povo que se estabeleceu no Oriente Médio, hoje relacionado por muitos aos palestinos.
Acreditamos, baseados nestes direcionamentos bíblicos, que antes da tribulação, haverá um conflito de grandes proporções no Oriente Médio, ocasião em que Israel destruirá seus inimigos mais próximos. Neste contexto, a criação do estado palestino tende a acelerar ainda mais todo o relógio profético para os últimos tempos.
7. NECESSIDADE MUNDIAL URGENTE DE CONTROLE DO TRÁFICO DE DROGAS, TRÁFICO DE ARMAS, LAVAGEM DE DINHEIRO E TERRORISMO.
Apesar de todas as medidas tomadas e esforços feitos, esses problemas continuam crescendo em todo o planeta, colocando em xeque o tênue equilíbrio social, político e econômico. A população em geral espera ansiosamente por medidas que tragam a solução para esses males. Esse anelo global será utilizado pelo anticristo para implementar o seu controle total, sob o pretexto de reduzir ou acabar com essas mazelas.
8. ESTÍMULO MUNDIAL AO ECUMENISMO E A TOLERÂNCIA RELIGIOSA E CRESCENTE OPOSIÇÃO ÀS POSIÇÕES FUNDAMENTALISTAS E CONSERVADORAS.
O anticristo terá o apoio decisivo das principais lideranças religiosas, as quais identificarão a besta como “um enviado de Deus” para levar a humanidade a um novo patamar de desenvolvimento pessoal e espiritual.
É interessante constatar que todas as grandes religiões mundiais, inclusive o judaísmo, estão à espera de um ser iluminado... O sistema ecumênico está propiciando uma união cada vez mais forte entre as diversas crenças e essa união será a base espiritual de atuação da besta. Nos últimos tempos, o ecumenismo terá um líder único, chamado no livro de Apocalipse de “falso profeta”. O mesmo alcançará essa liderança por meio de atos sobrenaturais e surpreendentes que fará (Apocalipse 13:13).
9. ESPERANÇA MUNDIAL POR UMA LIDERANÇA EFICIENTE E CARISMÁTICA QUE TRAGA SOLUÇÃO PARA OS GRAVES PROBLEMAS PLANETÁRIOS.
Atualmente é visível, até mesmo para o observador menos informado, a falta de uma liderança internacional que inspire respeito e carisma a nível internacional. Apesar de existirem nações mais poderosas que outras, os líderes dessas potências não têm se destacado pelo seu carisma, o que não acontecia em épocas anteriores. Líderes como John Kennedy, Winston Churchil, Joseph Stalin, de Gaulle, Mussolini, Napoleão e Carlos Magno já não encontram eco nos governantes atuais, no que se refere ao carisma pessoal. Pelo contrário, os líderes da atualidade destacam-se por sua instabilidade e debilidade de caráter e pela antipatia popular que despertam.
O mundo espera, de forma implícita, o surgimento de um líder que traga a solução para seus grandes dilemas. Essa constatação é mais uma prova que nos permite afirmar que estamos nos tempos do fim.
10. AUMENTO PROGRESSIVO DA POBREZA, DESEMPREGO, VIOLENCIA E INSTABILIDADE SOCIAL, QUE GERARÃO UM CLIMA APROPRIADO PARA O APARECIMENTO DA BESTA TRAZENDO SOLUÇÕES SOBRENATURAIS.
Quem não quer a solução definitiva para essas mazelas que afligem a humanidade? A besta surgirá resolvendo alguns desses problemas, utilizando para tal até mesmo meios sobrenaturais. Essa é mais uma razão para que a Igreja de Cristo esteja cada vez mais vigilante. O fato de desejar a solução dos problemas mundiais não justifica aceitar qualquer solução proposta. Os cristãos devem ter em mente que a solução definitiva para todos os males da humanidade, se manifestará na segunda vinda de Jesus, quando o Mestre destruirá o poder político e religioso que tem imperado no planeta durante milênios.
VOCÊ ESTÁ PREPARADO EM TODOS OS ASPECTOS PARA ENFRENTAR OS DIAS DIFÍCEIS QUE SE APROXIMAM? É TEMPO DE ESTAR EM COMUNHÃO COM DEUS ACIMA DE TODAS AS COISAS E NÃO NEGAR O SEU NOME SOB NENHUMA CIRCUNSTÂNCIA.
Maranata!
PREPARADOS PARA O FIM
Talvez a palavra mais pronunciada e escrita nos noticiários dos últimos dias seja "crise". Começamos a escrever este artigo no dia 13 de novembro de 2008, em plena crise dos "subprime", considerada pelos especialistas igual ou pior que a crise de 1929. Esses e muitos outros sinais nos revelam que estamos às portas do período que antecede a gloriosa volta do Senhor Jesus. Um período de angústia diferente de todos os outros pelos quais a humanidade já atravessou.
De acordo com nosso Senhor uma "grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver” (Mateus 24:21). Ou seja, a maior tribulação pela qual já passou o homem. Um período que trará o clímax da atuação satânica sobre a humanidade, quando um homem em estreita sujeição e comunhão com o diabo governará sobre as nações, será adorado pela maior parte da população e perseguirá mortalmente os servos fiéis ao Senhor Jesus (Apocalipse 13:1-18, II Tessalonicenses 2:3-4).
O que acabamos de descrever não é desconhecido por aqueles que seguem a Cristo. Nem mesmo é um assunto novo para aqueles que não comungam a nossa fé. Porém, vemos que há uma enorme distancia entre conhecer detalhes das profecias bíblicas e viver de acordo com a luz que elas lançam sobre o futuro. Na verdade, a maioria não está preparada para a realidade tribulacional que se aproxima. Cremos que isso se deve a três razões principais:
1. Muitas pessoas conhecem as profecias bíblicas, mas não dão muito crédito a elas.
2. Muitas pessoas desconhecem as profecias bíblicas ou as conhecem de uma forma superficial e deturpada.
3. Muitos conhecem as profecias, crêem nelas, mas não crêem que estarão inseridos no grande clímax profético que se aproxima.
Alguns nem sequer cogitam a possibilidade de estarem inseridos neste período, mesmo diante de sinais incontestáveis que apontam para a chegada iminente dos dias finais. O sistema escatológico conhecido como “pré-tribulacionismo” tem contribuído consideravelmente para gerar essa atitude, que é descrita no ponto (3) acima. Por que abordar esse tema? Porque cremos que estaremos inseridos no período mais angustiante que a Igreja passará neste planeta.
Não nos deteremos aqui para explicar porque cremos que nosso encontro com o Senhor (arrebatamento) ocorrerá logo após a grande tribulação. Já existe um vasto material sobre isto em nosso site (www.projetoomega.com). Caberá a cada um considerar se o exposto nele é procedente ou não. Queremos deter-nos aqui para tentar conscientizar os irmãos que crêem que nosso encontro com o Mestre nos ares se dará em Sua volta triunfal, logo após a grande tribulação (Mateus 24:29). Para aqueles irmãos que não crêem assim, fica aqui o nosso amoroso pedido de reflexão... Que este artigo possa servir a todos, independente de suas posições escatológicas, principalmente quando estivermos atravessando os dias difíceis que virão... Que você possa examiná-lo por inteiro e reter o que é bom.
UMA REALIDADE HISTÓRICA
Pode a Igreja passar por um período em que déspotas malignos estejam no poder e os nossos irmãos passem por sofrimentos, privações e angústias extremas? O amor de Jesus Cristo pela Sua Igreja a isenta disso? Se formos honestos com a verdade do Evangelho e com a história de nossos irmãos através dos séculos, teremos que responder SIM à primeira pergunta e NÃO à segunda.
As Escrituras são enfáticas em mostrar que tribulação, perseguição, sofrimento, oposição governamental, tortura e morte, são realidades relacionadas ao dia a dia da Igreja neste mundo até a volta de Cristo (Mateus 24:9, I Pedro 4:13, II Timóteo 3:11, II Timóteo 2:3, I Tessalonicenses 1:6, II Tessalonicenses 1:4, II Coríntios 1:7, II Coríntios 6:4, Romanos 8:18, Romanos 12:12, João 16:33, Atos 13:50, Atos 8:1, Mateus 5:10, Apocalipse 2:10, II Coríntios 4:17).
O apóstolo Pedro chega a exortar seus discípulos a alegrarem-se em serem participantes das aflições de Cristo (I Pedro 4:13). Já o apóstolo Paulo escreveu aos colossenses que ele cumpria na sua carne o resto das aflições de Cristo (Colossenses 1:4). Não existe, em termos práticos, diferença entre morrer queimado, comido por feras ou tendo a pele arrancada, como muitos irmãos nossos dos primeiros séculos, e morrer sob o governo da besta por não aceitarmos o seu sinal e adorá-la.
Quem utiliza o argumento que nós estaremos isentos da tribulação pelo fato de sermos os escolhidos do Senhor, não está sendo coerente nem com a história nem com as Escrituras. É óbvio que o Senhor protegeu e protegerá a quem Ele quiser. Cremos que, em meio à grande tribulação, muitos serão sobrenaturalmente protegidos pelas mãos poderosas de Deus. Porém, negar a nossa permanência na Terra nesse período que virá usando como base a suposta isenção da Igreja, não é coerente, como já vimos.
Quando consultamos os registros históricos sobre a perseguição à Igreja, vemos que ela começou já nos dias do Senhor. Ele era perseguido pelos religiosos da época. Os primeiros anos após a assunção de Cristo e a pregação do evangelho pelos apóstolos, se caracterizaram pela perseguição dos grupos religiosos judeus àqueles que professavam a fé no que o Mestre havia ensinado. A própria história de Paulo nos retrata isso. Ele passou de perseguidor, enquanto fariseu, a perseguido, a partir de sua conversão (Atos 8:1-3, Atos 9:1-43). Essa perseguição contra os cristãos, anos depois, tornou-se institucional e oficial.
A primeira tomada de posição do Estado Romano contra os cristãos remonta ao imperador Cláudio (41-54 d.C). Os historiadores Suetônio e Dione Cássio relatam que Cláudio mandou expulsar os judeus porque estavam continuamente em litígio entre si por causa de "um certo Chrestos". O historiador Gaio Suetônio Tranquilo (70-140 d.C), funcionário imperial de alto nível sob Trajano e Adriano, intelectual e conselheiro do imperador, chegou a justificar a decisão e as sucessivas intervenções do Estado contra os cristãos, definindo-os como “superstição nova e maléfica”.
No ano 65 d.C, um incêndio devastou 10 dos 14 bairros de Roma. O imperador Nero, acusado pelo povo de ser o seu autor, lançou a culpa sobre os cristãos. Inicia, assim, a primeira grande perseguição do Império Romano contra os fiéis a Cristo, perseguição que durará até 68 e na qual, muito provavelmente, foram mortos os apóstolos Pedro e Paulo. O historiador Tácito Cornélio (54-120), descreveu esse acontecimento em seus "Anais", escrito no tempo de Trajano. Ele acusou Nero de ter injustamente culpado os cristãos, mas declarou-se convencido de que eles mereciam as mais severas punições porque, como escreveu, "a sua superstição os leva a cometer infâmias". Veja como Tácito descreve essa primeira onda de perseguição contra os seguidores de Jesus Cristo:
“Para acabar logo com as vozes públicas, Nero inventou os culpados, e submeteu a refinadíssimas penas aqueles que o povo chamava de cristãos, e que eram mal vistos pelas suas infâmias. O nome deles provinha de Cristo, que sob o reinado de Tibério fora condenado ao suplício por ordem do procurador Pôncio Pilatos. Momentaneamente adormecida, essa superstição maléfica surgiu de novo, não só na Judéia, lugar de origem daquele flagelo, mas também em Roma, onde tudo que seja vergonhoso e abominável acaba confluindo e encontrando a própria consagração. Foram inicialmente aprisionados os que faziam confissão aberta da crença. Depois, denunciados por estes, foi aprisionada uma grande multidão, não tanto porque acusados de terem provocado o incêndio, mas porque eram tidos como acesos de ódio contra o gênero humano.
Os que se encaminhavam à morte estavam também expostos à burla: cobertos de pele de feras, morriam dilacerados pelos cães, ou eram crucificados, ou queimados vivos como tochas que serviam para iluminar as trevas quando o sol se punha. Nero tinha oferecido seus jardins para gozar desse espetáculo, enquanto oferecia os jogos do circo e, vestido como cocheiro misturava-se ao povo ou mantinha-se hirto sobre o coche... Embora os suplícios fossem contra gente culpada, que merecia tais tormentos originais, nascia por eles, um senso de piedade, porque eram sacrificados não em vista de um vantagem comum, mas pela crueldade do príncipe...” (Tácito 15,44)
Observe que, apesar de não concordar com os métodos infringidos por Nero, o historiador Tácito considerava os discípulos do Senhor Jesus como gente desprezível, capaz de crimes horrendos. Um dos crimes mais infames atribuídos aos cristãos eram o infanticídio ritual. Ao não entenderem o real significado e a forma de celebração da santa ceia, os romanos haviam criado boatos que na celebração da ceia do Senhor os cristãos sacrificavam uma criança e comiam as suas carnes...
Outra acusação comum contra nossos irmãos era o incesto, ao não entenderem o significado da irmandade entre os que seguiam a Cristo e a forma amorosa como se tratavam, inclusive saudando-se com o ósculo santo. Aqueles que não haviam conhecido a mensagem de Cristo e se convertido, ainda imersos em suas crenças pagãs, onde o egoísmo, os bacanais e a barganha interesseira com as "deidades" imperavam, não podiam compreender o real significado da vida e das práticas cristãs. As acusações, nascidas do mexerico do povo simples, foram assim sancionadas pela autoridade de vários imperadores, que perseguiam os cristãos e os condenavam à morte. As perseguições por parte do Império só findaram no começo do século IV. Desde a sua instituição pelo Senhor Jesus até o começo do século IV, a Igreja passou por 129 anos de perseguição e gozou de 120 de relativa tranqüilidade.
Neste ponto queremos destacar três questões principais. A primeira diz respeito ao crescimento da Igreja. Enquanto ela foi perseguida, cresceu de uma forma avassaladora. O próprio testemunho dos mártires, enfrentando as mais horripilantes formas de tortura e morte com serenidade, alegria e devoção a Deus, fazia com que muitas pessoas fossem tocadas pelo Espírito Santo e se convertessem ao ver isso.
A segunda questão diz respeito aos argumentos do inimigo. Note que, todos os imperadores romanos que promoveram perseguições contra os servos do Senhor tinham “pretextos” inventados. Devemos estar preparados para as falsas acusações que serão feitas contra nós no período tribulacional. Algo deve servir como “justificativa” para que todo aquele que se negar a adorar a imagem da besta, seja morto (Apocalipse 13:14-15).
A terceira questão diz respeito à pureza doutrinária. Enquanto foi ferrenhamente perseguida pelo Império, a Igreja soube colocar-se firmemente contra os ensinamentos que tentavam infiltrar-se no seio do Evangelho, provenientes principalmente do gnosticismo grego ou do paganismo romano. Porém, quando cessou a perseguição, a Igreja passou a institucionalizar práticas pagãs, através da troca de interesses entre o Império e a igreja sediada em Roma que, a partir do século IV, tornou-se a líder das demais. O jogo político-religioso entre o imperador romano e a igreja de Roma, que já reunia a grande maioria dos romanos, ficou evidente desde o fim da perseguição e tornou-se uma prática que perdura até hoje.
Então, entendemos que a tranqüila realidade atual das igrejas cristãs no mundo ocidental não deve ser tomada como padrão para afirmar que perseguição, tribulação, tortura, oposição, necessidade e morte são “coisas do passado”. Se formos coerentes e honestos com o que está escrito na Palavra e com o que é patente nos relatos históricos, o que vivemos hoje é uma exceção à regra. É um tempo dado pelo Senhor para que o Seu Evangelho seja pregado a toda criatura e para que o Seu povo se prepare para o fim. O fim virá quando o evangelho for pregado em todas as nações (Mateus 24:14).
Entrar num carro novo, com ar condicionado, e ir até um templo climatizado no centro da cidade para sentar em cadeiras confortáveis para ouvir sobre prosperidade financeira, não é uma regra para a Igreja neste mundo. Pertencer à alta sociedade e aos círculos políticos e empresariais, envolvendo-se com a mesma sistemática social usada pelo poder humano, não é o propósito para a Igreja neste tempo. Alimentar os mesmos sonhos consumistas de todos os ímpios, não faz parte de nossa missão. Repetimos: Ao não sofrermos (ainda) as agruras pelas quais passaram nossos irmãos primitivos, não estamos vivendo uma regra, e sim uma exceção. Não somos em nada melhores que eles e não temos sabido aproveitar plenamente este tempo de “bonança”. Não somos sequer melhores que nossos irmãos na China ou nos países muçulmanos, que pagam com a sua própria vida nos dias atuais a fé que professam.
Na verdade, não temos seguido o exemplo de José no Egito. Pelo contrário, muitos têm esquecido o contexto espiritual e histórico em que estamos inseridos. Tenta-se passar para as pessoas que freqüentam alguns grupos, ou para pessoas que seriam potenciais freqüentadores e membros dos tais, que estar inserido na sociedade, sendo bem visto por ela, é algo a ser almejado. Que ter uma situação cômoda financeiramente é um fim em si mesmo. Que todo tipo de sofrimento, aflição e tribulação é sinônimo de “pecado” ou “fraqueza”. Tenta-se, infantilmente, ensinar que nós, enquanto cristãos e filhos de Deus, temos o direito, já neste tempo e sistema, a conquistar países, governos e a construir grandes impérios político-religioso-financeiros. É como se José, mesmo ciente das revelações divinas sobre a futura aflição, ensinasse o povo, durante os sete anos de abastança no Egito, a viver sem maiores preocupações, crendo que aquela momentânea fartura fosse permanente...
O mais preocupante de tudo é que, mesmo diante do atual colapso do sistema financeiro global, alguns teimam em seguir com sua abordagem do evangelho fora do contexto bíblico. É óbvio que temos que considerar o impacto do ensino pré-tribulacionista nas últimas décadas, que, ao sustentar que o arrebatamento da Igreja ocorrerá imediatamente antes do começo da tribulação, deixa a maior parte de seus seguidores totalmente despreocupada com o que poderia ocorrer durante a tribulação profetizada para os dias que antecedem a gloriosa volta de Cristo.
QUE POSTURA TER
Vemos com preocupação que muitos poderão ser emocionalmente abalados com a realidade que se aproxima. Imagine alguém que foi ensinado que o Evangelho de Jesus Cristo significa prosperidade material já neste sistema, vida familiar perfeita e cômoda, obtenção de "conquistas" e "vitórias" financeiras e alto de nível de inclusão e reconhecimento social e político. Uma pessoa que foi ensinada a reivindicar já no tempo atual as promessas feitas na Antiga Aliança a Israel e as promessas que só se concretizarão em nossas vidas após a vinda do Senhor. Agora imagine essa mesma pessoa diante de uma realidade familiar como a descrita pelo Senhor Jesus em Mateus 10:17-36, onde o Mestre deixa claro que haveria divisões e traições dentro das próprias famílias diante da perseguição contra os Seus discípulos.
Imagine essa pessoa perdendo suas principais fontes de renda ou tendo que escolher entre mantê-las e negar todo envolvimento com o sistema da besta... Sabemos que as profecias se cumprirão. Sabemos que num futuro muito próximo um sistema maligno mundial se levantará e que, para exercer qualquer atividade dentro dele, será necessário portar um sinal ou marca e adorar a imagem da besta. Temos entendido que estaremos inseridos nessa realidade. Então, o que fazer? Devemos nos ocupar realmente dessas questões ou elas ainda ocorrerão num futuro muito distante? Devemos cruzar os braços e deixar que Deus faça tudo? Devemos abandonar o sistema já e buscar locais mais afastados ou será que devemos permanecer até um momento limite e só então sair? Devemos preparar alguma estrutura já? Essas são questões cruciais, as quais, embora sejam delicadas, não podem deixar de serem respondidas...
1. POSTURA ESPIRITUAL: Cremos que essa é a postura fundamental, sobre a qual as outras devem existir. Quem não tiver uma postura espiritual dirigida pelo Espírito Santo, estará fadado ao fracasso, pois estará lutando apenas de forma humana contra forças espirituais da maldade no clímax de sua atuação sobre a Terra. Nossa esperança é maior do que qualquer sofrimento. E a maior de todas as nossas esperanças é a volta de Cristo (Tito 2:13). Durante a tribulação, haverá uma adoração geral e aberta ao anticristo, que receberá poder do próprio diabo (Apocalipse 13:2-15). Devemos buscar do Senhor forças espirituais para poder enfrentar esses momentos. Azeite para acender nossas lâmpadas em meio à escuridão antes da chegada do Noivo. Ninguém poderá atravessar o período tribulacional ou sequer ficar nele um dia, mantendo-se firme no Senhor, através sua própria força de vontade ou de seus conhecimentos teóricos.
Se nos dias atuais precisamos a cada momento da ajuda e direção do Espírito Santo, nos dias tribulacionais ainda mais. Quem tiver uma vida espiritual morna ou não for realmente comprometido com o Senhor, sofrerá graves conseqüências espirituais, pois o engano e a iniqüidade alcançarão níveis nunca antes vistos. Que estejamos de posse e usemos corretamente as armas espirituais descritas por Paulo em Efésios 6:12-18. Elas serão fundamentais para que possamos enfrentar os dias que virão. Oremos para que o Espírito Santo nos guie a toda verdade e nos mantenha firmes na fé. Quem perseverar até o fim, será salvo (Mateus 24:13).
2. POSTURA MENTAL: Nos últimos anos, temos notado que muitos irmãos, ao não verem as promessas que são feitas por líderes serem cumpridas, entram num profundo estado de depressão e desânimo. É importante destacar que o cristão não está isento de passar por momentos de tristeza e depressão. Porém, aqui nos referimos à expectativa que é criada por aqueles que mal interpretam a mensagem do Evangelho e criam a falsa impressão aos seus ouvintes e/ou espectadores que, ao ingressar em suas igrejas, todos os problemas da pessoa serão resolvidos e todos os seus sonhos (inclusive os de consumo) serão consumados. Outros, de tão envolvidos que estão com o sistema, entram em depressão ao verem que determinados projetos ou sonhos não poderão ser concretizados por falta de recursos.
Até mesmo por pequenas coisas do dia a dia que não saem de acordo com o que é planejado, considerando a grande expectativa de sucesso alimentada pelas mensagens recebidas nos modernos cultos, as pessoas tendem a ficar desalentadas. Tenho visto alguns irmãos tristes e desanimados diante do atual quadro financeiro global. Ora, se a nossa bem-aventurada esperança é a volta gloriosa do Senhor (Tito 2:13), por que ficaríamos desanimados diante de sinais claros da proximidade dessa vinda? A abordagem do evangelho que muitos têm feito nas últimas décadas, relacionando a vida cristã à riqueza material já nesse mundo, tem produzido uma geração de cristãos que não estão preparados para os momentos tribulacionais que se aproximam.
Diante desse contexto, para muitos a realidade tribulacional será um grande baque. Alguns verão ruir, bem diante de seus olhos, todo o patrimônio e as conquistas feitas por suas famílias durante séculos. Outros, diante da exigência da marca da besta para estarem incluídos no mercado de trabalho e intercâmbio comercial, ficarão em desespero ao pensar sobre como será a sobrevivência sua e de seus filhos. Cremos que, alicerçada na postura espiritual apropriada, deve haver também uma postura mental que deixe o cristão preparado para aquilo que virá. Se formos aos dias da igreja primitiva, quando mães viam seus filhos serem arrancados de si e jogados aos leões, e mesmo assim continuavam louvando e exaltando ao Senhor, não fraquejando na fé, veremos que aqueles irmãos e irmãs tinham uma postura mental que está a anos luz da nossa mentalidade cristã-ocidental.
Em primeiro lugar, eles já haviam sido alertados pelo próprio Senhor que o mundo os odiaria, assim como tinha odiado a Cristo (João 15:20). Muitos deles viram o que foi feito com Cristo publicamente na crucificação. Eles criam na mensagem do Mestre num tempo em que crer nessa mensagem não era bem visto socialmente. Afinal, estavam crendo num líder judeu, rejeitado até mesmo pela religião de seu povo e que tinha sido morto através da forma mais desprezível que um ser humano naqueles dias poderia ser.
Ao mesmo tempo, eles sabiam e viram que Jesus tinha ressuscitado, que Ele é o Filho de Deus. Eles viam diariamente milagres e sinais sobrenaturais ocorrendo em seu meio e a sua esperança não estava neste mundo (I Coríntios 15:19). Jesus ensinou que, onde estivesse o nosso tesouro, ali estaria o nosso coração (Mateus 6:21). Se o coração de alguém estiver em suas posses e conquistas terrestres, diante da grande tribulação que se aproxima, essa pessoa será emocionalmente abalada e mentalmente desequilibrada. Não terá estrutura emocional e mental para suportar os momentos que virão. No entanto, se o seu coração estiver no Reino de Deus, então ela esperará com paciência o dia da volta de Cristo e, a exemplo de Estevão, que mesmo sentindo as pedras atravessar-lhe pele e músculos, não tirou seus olhos do Senhor, pois seu coração estava no tesouro celestial!
Por isso, cremos que devemos orar par que a nossa postura mental seja transformada. Devemos interceder para que todo conformismo com os modelos e padrões deste mundo, e aquilo que ele pode oferecer, seja aniquilado através da renovação de nossa mente (Romanos 12:2). Devemos, em tempo e fora de tempo, conscientizar nossos irmãos que, aquilo que ocorreu com os nossos irmãos primitivos, certamente poderá ocorrer conosco também. Mentalmente, devemos estar preparados para a eventualidade de sermos perseguidos, torturados e mortos. Devemos estar preparados também para a eventualidade que isso ocorra com as pessoas que amamos. Devemos estar preparados até para sermos protegidos pelo Senhor em meio à destruição tribulacional que virá. Nossa mente e coração devem estar preparados para essas possibilidades.
3. POSTURA ECLESIÁSTICA: Este é um ponto muito importante e deve ser considerado com discernimento. Se formos às páginas do Novo Testamento ou aos registros históricos dos três primeiros séculos da era cristã, veremos que não havia denominações. Um determinado grupo de irmãos se reunia em uma casa ou local apropriado e a igreja era identificada com o nome da cidade, sendo submissa à autoridade dos apóstolos e daqueles ordenados pelos apóstolos. Não havia nomenclaturas para identificar cada grupo. Contudo, apesar de não ter feito parte da realidade da Igreja nos primeiros séculos, cremos que o denominacionalismo, mesmo não sendo o ideal para a estrutura do que a Igreja deveria ser em termos de unidade, cumpriu o seu papel histórico.
Milhões de pessoas conheceram o evangelho nas diferentes denominações e muitos homens de Deus foram levantados para iniciar trabalhos, colocando-lhes diversos nomes. Porém, diante da chegada do anticristo ao poder e em meio à tribulação, as denominações cristãs que ainda se mantêm verdadeiras e fiéis serão mortalmente perseguidas. Conseqüentemente, não será possível encontrar templos em que se reúnam os genuinamente cristãos, cultos, nem atividades eclesiásticas tais como as que conhecemos no mundo ocidental. Apenas os grupos religiosos que se aliarem ou forem seduzidos pelo falso profeta manterão suas atividades "religiosas", voltadas para adoração da imagem da besta. Inclusive alguns grupos que hoje se denominam "cristãos", que não conseguirão abrir mão de suas relações com o sistema...
Porém, as verdadeiras igrejas de Cristo e os Seus verdadeiros seguidores não poderão mais exercer as atividades eclesiásticas tais como são exercidas atualmente e, por causa da mortal perseguição, serão dispersos por todos os lados. As placas denominacionais não terão mais utilidade. Os títulos e posições hierárquicas também não. Os ministérios é que continuarão a ser exercidos por aqueles que são levantados por Deus. A tribulação trará algo que é raro hoje em dia, mas que deveria ser o ideal: que um cristão seja conhecido apenas por ser discípulo de Jesus, independente da instituição ou denominação à qual ele pertença.
Nesse contexto, ficam aqui as seguintes perguntas: Estão sendo os membros das igrejas preparados atualmente para essa realidade futura, porém próxima? Estão sendo preparados para, diante da perseguição e tribulação que se aproximam, terem um grau de independência espiritual e maturidade no Espírito Santo que possibilite que cada membro viva sua fé e mantenha o testemunho do Senhor mesmo longe de seus líderes e guias, ou os irmãos estão sendo condicionados a estarem sempre dependentes das atividades denominacionais? Estão as igrejas preparando seus membros para, em determinado momento do futuro, se reunirem de forma oculta e em pequenos grupos ou estão sendo acostumados a freqüentarem mega templos e catedrais suntuosas? Estão sendo ensinados a tornarem-se adultos espirituais ou a permenecerem como eternas crianças carentes de mimos, atrações e palavras positivistas? São perguntas para que possamos refletir...
4. POSTURA FAMILIAR: Cremos que a família é uma benção do Senhor. Quando uma família é inteiramente consagrada e temente a Deus, então é uma grande maravilha. Porém, devemos estar atentos ao que diz a Palavra sobre as relações familiares em tempos de intensa tribulação. Vejamos o que o Senhor profetizou aos discípulos:
“E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão. E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim será salvo” (Mateus 10:21-22)
Essa revelação foi dada pelo Senhor aos apóstolos, logo após a sua escolha. Enquanto os comissionava, Jesus mostrou-lhes quais seriam algumas das conseqüências de seguir a Cristo. Entre elas, Ele apontou para possíveis conflitos familiares. Cremos que essa palavra se aplica a nós também. Num cenário de escárnio, repúdio e perseguição, como experimentaram os apóstolos entre sua própria gente, até mesmo divisões e traições nas famílias ocorriam. Temos que estar preparados para essa realidade também.
Devemos orar pela nossa família e, com muita mansidão e discernimento, mostrar a todos as verdades da Palavra de Deus. Como dissemos no início, é maravilhoso pertencer a uma família onde todos seguem a Cristo e tem sua fé Nele. Porém, aqueles que possuem familiares ímpios, em meio à grande malignidade que imperará no período tribulacional, devem preparar-se para serem perseguidos e traídos até pelos seus familiares. Está escrito. É um alerta que devemos considerar, ainda que nos doa. Que possamos estar preparados.
MEDIDAS PRÁTICAS
Diante de tudo isso que vimos, o que fazer em relação a nossa vida? Que medidas práticas devemos tomar para não deixar que o sistema da besta nos influencie ou exerça controle sobre nós?
Entendemos que o fundamento de uma vida cristã vitoriosa está na comunhão da pessoa com o Senhor, através do Espírito Santo. Se não houver essa comunhão íntima e crescente, nenhuma medida prática que se tome para ficar fora do sistema da besta terá valor. Uma vida de oração, sinceridade e santidade é necessária. Uma mente renovada, que não se conforma com este mundo, é imprescindível. Porém, vivemos num mundo físico e medidas materiais específicos podem e devem ser tomadas, caso não queiramos ficar facilmente à mercê do controle que a besta exercerá sobre o planeta. Tais medidas, cremos, não devem ser tomadas tendo em mente apenas a nossa preservação física durante a tribulação.
Quem pensar assim, sofrerá o alto risco de frustrar-se, pois muitos servos do Senhor serão martirizados durante a grande tribulação. O anticristo assassinará a muitos cristãos (Apocalipse 6:9-11, 13:7, 20:4). Nossa esperança não está neste sistema, mas no Senhor. Devemos estar preparados para o martírio. Nossa prioridade, enquanto servos do Senhor, é permanecer fiéis a Ele até o fim. Não é nossa prioridade querer preservar nossa integridade física a qualquer custo. Quem fizer isso poderá ser enganado e apostatar da fé diante do grande engano que virá, pois poderá fraquejar e negar seu compromisso com o Senhor diante da ameaça de martírio. O Senhor Jesus alertou aos discípulos sobre isso:
“... Aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á” (Mateus 16:25)
Por outro lado, cremos que é lícito e convém tomar algumas medidas práticas para que não sejamos facilmente aprisionados e vitimados durante a grande tribulação. Mais uma vez, os irmãos primitivos nos ensinam uma valiosa lição. Diante da cruel perseguição dos primeiros séculos, começaram a reunir-se em locais secretos, túneis subterrâneos e em catacumbas. Começaram até a usar códigos de comunicação próprios. Eles sabiam que podiam ser capturados e mortos a qualquer momento, mas não eram suicidas... Querer permanecer vivo é um sentimento natural e lícito, desde quando não ultrapasse o nosso compromisso com o Senhor e a Sua Palavra.
Então, que medida prática tomar? Devemos, acima de tudo, ter discernimento. É óbvio que não há razões atualmente, pelo menos no mundo ocidental, para reunir-nos em locais secretos. Ainda temos relativa liberdade. Porém, devemos estar preparados para a eventualidade de que isso mude em breve, como já vimos no tópico POSTURA ECLESIÁSTICA. Não sabemos quanto tempo de liberdade ainda resta para as igrejas ocidentais. Pode ser uma mudança paulatina ou pode ser radical. Mais uma coisa é certa: haverá perseguição.
As igrejas orientais, principalmente em países como China, Índia, Paquistão, Arábia, etc, já convivem com um cotidiano de massacres, perseguição e aversão. Elas têm uma estrutura organizacional mais resistente à tribulação. Os irmãos ocidentais precisam começar a pensar e organizar-se nesse aspecto também. Repetimos: não há como fixar o prazo de liberdade para as igrejas no ocidente. Talvez a proibição às reuniões que fujam do padrão religioso global do falso profeta comece antes do que imaginamos... Temos que estar preparados já.
Atualmente, podemos começar com algumas medidas que serão bastante proveitosas para que, em determinado momento, possamos sair do sistema sem deixar muitos rastros. Podemos começar evitando transações comerciais e compromissos financeiros a médio e longo prazos. Não esqueçamos que o controle da besta, além de suas óbvias implicações espirituais malignas, tomará a forma de controle financeiro e comercial (Apocalipse 13:16-18). Evitar usar cartões de crédito, cheques e até mesmo contas bancárias pode ser uma boa medida já nos dias atuais, se pudermos usar apenas valores em espécie. A crise que ora atinge o mundo pode ser a ante-sala do futuro sistema da besta. Quanto menos submissão tivermos ao mundo financeiro agora, melhor será no futuro. No entanto, são apenas conselhos... Cada um deve discernir no Senhor Jesus.
Outra medida prática que pode ser exercida facilmente já é evitar criar muita publicidade em torno de nossas rotinas, nomes, trabalhos, dados e endereços. Vemos que a internet tem contribuído para que muitos exibam sua privacidade para milhões de desconhecidos, através de sites de relacionamento e bate papo. É altamente aconselhável que evitemos essa publicidade em torno de nós. Nesse caso, a web pode tornar-se uma "rede" literal, uma cilada ou teia de aranha para aquele que publica seus dados indiscriminadamente. Discrição e sigilo devem ser conceitos valorizados pelo servo do Senhor que leva as profecias a sério. Não podemos esquecer que nossos inimigos espirituais, embora não sejam oniscientes, são sumamente astutos. Devemos evitar qualquer mecanismo ou tecnologia que precise ser implantado ou gravado em nosso corpo e que cause a nossa identificação e localização.
Mesmo ocorrendo antes da imposição do sinal da besta a nível global, cremos que algumas tecnologias poderão ser sugeridas ou até mesmo impostas por governos, sejam mundiais ou locais, para criar um condicionamento que leve a uma posterior aceitação da marca. Ou para deixar as pessoas localizáveis e monitoráveis em qualquer lugar. A crise financeira que o mundo enfrenta poderá trazer algum tipo de política heterodoxa de controle sobre as pessoas que interagem no mundo financeiro e devemos estar atentos a isso. Ter um mecanismo de controle e monitoramento no próprio corpo, mesmo não sendo o sinal da besta em si, fará com que a pessoa seja facilmente localizada e capturada ou fique teoricamente exposto a isso. Algo realmente inconveniente para quem propôs em seu coração rejeitar o sistema da besta e sair dele!
Um segundo passo importante seria planejar ter um local apropriado longe dos grandes centros e o mais oculto que for possível, para que este local possa abrigar irmãos em Cristo durante os dias tribulacionais. Locais que tenham infraestrutura básica, como água, alimentos não perecíveis e que durem mais de cinco anos, remédios, plantações, viveiros, etc. É óbvio que recursos poderão ser necessários para tal e a união entre irmãos pode facilitar essa árdua tarefa. Não estamos afirmando que nossos irmãos devem dirigir-se para esses locais agora mesmo, após ler este artigo. Não! Apenas sustentamos que esses locais podem ser preparados já de antemão, com calma e tranquilidade, para serem usados num momento propício. Esse momento se aproxima.
Acima de tudo, devemos orar para que o Senhor possa preparar-nos e guiar-nos em tudo. Nada do que fizermos sem a orientação de Deus dará certo. Há um propósito do Senhor para cada um de nós e, muitas vezes, esse propósito divino é diferente para cada pessoa. Muitos cristãos ficarão no sistema para testemunhar e serem martirizados por isso. Outros irão até locais previamente preparados. Alguns serão sobrenaturalmente protegidos em meio à tribulação, assim como a descendência de Abraão o foi no Egito. Nossos olhos devem estar em Cristo. Como já dissemos, a Palavra de Deus nos ensina que a nossa prioridade não deve ser tentar salvar nossa vida física, mas sim perseverar até o fim, mantendo a fé em qualquer situação. Que fim é esse? Cada um experimentará o seu, de acordo com os desígnios do Senhor. Que a soberania do Senhor seja exercida em cada um de nossas vidas, considerando cada plano individual Dele para nós. Que possamos perseverar até o fim! (Mateus 24:14). Não esqueçamos a palavra de Paulo aos irmãos em Roma:
“Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Romanos 14:8)
Que essa palavra esteja conosco até o fim! Esperamos que este artigo tenha edificado sua vida. Nosso propósito é que você esteja preparado em Cristo para enfrentar os dias difíceis que virão. Quando virão? Não sabemos, mas se estivermos atentos aos sinais já profetizados na Palavra, saberemos o tempo de tomar cada decisão. As profecias bíblicas nos foram reveladas com esse objetivo. O Espírito de Deus, que habita em cada filho Seu, guiará a quem O buscar, pois os filhos de Deus são guiados pelo Seu Espírito (Romanos 8:14). Que cada decisão que vamos tomar seja guiada pelo Senhor. Que nenhuma decisão parta de nossa carne ou da influência de pessoas que não têm a mente de Cristo. Que haja discernimento em cada coração e que possamos ter a mesma postura de nossos irmãos primitivos. Mesmo diante da dor, da tortura, das falsas acusações e da morte, o louvor e a adoração estavam em seus lábios... A volta do Senhor está próxima!
Maranata,
ARGUMENTOS AMILENISTAS
A seguir, abordaremos alguns argumentos a-milenistas, comentando as passagens comumente usadas por esse modelo para embasar suas argumentações. Para aqueles que ainda não conhecem, o modelo a-milenista ensina que não haverá um reinado de mil anos imediatamente após a volta do Senhor Jesus. De acordo com os que seguem esse modelo interpretativo, o Milênio deve ser entendido de forma figurada e representa a presença e atuação da Igreja em nossa era atual.
Nós nos opomos a essa crença e acreditamos que haverá um Milênio literal logo após a volta do Senhor Jesus, tal qual é profetizado em Apocalipse 20:4-6. Como todo o material deste site, este tópico não visa tecer comentários infalíveis nem irrefutáveis. Objetivamos sim dar aos nossos leitores uma ampla gama de informações, para que cada um possa fazer suas comparações e decisões próprias.
ARGUMENTO 1: II PEDRO 3:10
"Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão"
Este é um dos textos que servem como base argumentativa do amilenismo. Nele, o apóstolo Pedro associa diretamente o Dia do Senhor com a dissolução dos elementos que compoem nosso universo, incluindo a Terra. Com respeito ao "Dia do Senhor", cremos que o termo se refere exclusivamente ao dia da volta de Jesus (para maiores informações, acesse o tópico DIA DO SENHOR). Porém, não acreditamos que o texto em questão possa ser usado como prova incontestável da inexistência do Milênio.
O mesmo apóstolo, versículos antes, mostra a soberania do Senhor sobre os tempos proféticos. No versículo 8, Pedro cita Salmos 90:4, onde Davi expressa que, para o Criador, mil anos são como um dia. Se formos nos ater à aplicabilidade desse versículo no contexto, perceberemos que o texto de II Pedro 3:10 não pode ser usado como prova incontestável de que não haverá um Milênio ou como prova de que tal período realmente ocorrerá.
Quando vemos as profecias bíblicas e sua concretização posterior, percebemos que nem sempre profecias narradas num mesmo contexto se cumprem de uma só vez. Muitas vezes a concretização profética é progressiva. Um exemplo disso: em Isaias 11:1, o profeta narra "o brotar do rebento do toco de Jessé", numa clara alusão ao nascimento de Jesus milhares de anos depois. Ao ler o restante do capítulo, principalmente dos versículos 5 a 16, vemos que o profeta revela uma realidade que ainda não se concretizou literalmente na primeira vinda do Senhor, mas que tem um momento certo para cumprir-se. Vejamos um trecho da passagem:
"Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte; porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar. E acontecerá naquele dia que a raiz de Jessé, a qual estará posta por estandarte dos povos, será buscada pelos gentios; e o lugar do seu repouso será glorioso" (Isaias 11:9-10)
Cremos que essa profecia ainda se cumprirá. Porém, o profeta Isaias a coloca dentro do contexto do "brotar do rebento". Para um leitor que vivesse há 700 anos antes do nascimento e ministério terrestre de Jesus, essa profecia, pela lógica, deveria se cumprir literalmente no tempo do nascimento de Jesus. Essa era a expectativa que havia em Israel quando Jesus começou a anunciar o evangelho. Aquelas pessoas que tinham lido e estudado as profecias messiânicas, esperavam o total cumprimento delas já naquele tempo. Não atentaram para a progressividade do plano do Senhor para a humanidade.
O que fica patente então, é que nem sempre eventos profetizados num mesmo contexto, ocorrerão no mesmo tempo cronológico. Cremos que esse mesmo princípio se aplica ao que foi escrito pelo apóstolo Pedro em II Pedro 3:10. Quando ele escreveu sua segunda carta, o Milênio ainda era um mistério não revelado. Só seria revelado anos depois a João em Patmos. De acordo com essa revelação posterior (Apocalipse 20:1-15), haverá um período intermediário, denominado Milênio. Se para o Senhor um dia é como mil anos, então o Dia do Senhor poderá se prolongar em seus efeitos por um período muito mais abrangente do que um dia cronológico...
ARGUMENTO 2: I CORÍNTIOS 15:25-26
"Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte"
Esse texto também se relaciona com o seguinte:
"Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória." (I Coríntios 15:51-54)
Tomando como base essas duas passagens, o modelo a-milenista associa o momento da vinda de Jesus, com a conseqüente glorificação dos salvos, ao momento culminante do juízo final, quando a morte e o hades serão jogados no lago de fogo (Apocalipse 20:14). Também, o modelo a-milenista sustenta que Jesus neste momento exerce seu reino à destra do Pai e que, por ocasião da sua volta, entregará o domínio ao Pai (I Coríntios 15:24).
Para ter uma melhor compreensão do teor dessas passagens, é interessante ter uma noção do que é o "reino de Jesus", quais as profecias relacionadas a esse reino e qual era a expectativa da igreja primitiva a respeito. Pedro, em sua primeira pregação, ocorrida no dia de Pentecostes (Atos 2:14-36), se refere à promessa feita pelo Senhor a Davi, registrada em Salmos 89:3-4.
O mesmo Pedro certamente estava entre aqueles que perguntaram ao Mestre, momentos antes da ascensão, quando seria restaurado o reino de Israel. É bastante revelador que, mesmo após mais de três anos de convívio com o Senhor, após receberem o sopro do Espírito, eles tivessem essa esperança “pré-milenista”. O Senhor não recriminou ou reprovou essa esperança literal dos apóstolos e discípulos, mas deixou claro que os tempos proféticos pertencem à soberania de Deus (Atos 1:7). Em outras palavras, o Mestre disse que não competia a eles saber quando seria concretizada aquela esperança, mas em nenhum momento negou ou recriminou tal esperança.
Então, quando o apóstolo discursa e se refere a essa promessa feita a Davi, coloca a ressurreição como ponto inicial de concretização dela, porém não negando sua literalidade futura. Pedro esperava que o reino de Israel fosse restaurado e que Jesus se assentaria literalmente sobre o trono de Davi. Afinal de contas, foi o próprio Mestre quem prometeu a ele e a seus companheiros que eles se assentariam em tronos e julgariam as doze tribos de Israel, QUANDO ELE PRÓPRIO SE ASSENTASSE NO TRONO DE SUA GLÓRIA!:
"E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel". (Mateus 19:28)
Consequentemente, entendemos que o reino do Senhor não está temporalmente restrito aos céus. Muito pelo contrário. A concretização física e literal do reino do Senhor se dará logo após sua vinda, quando Ele virá como Rei e Juiz (Apocalipse 19:15-16), e se assentará no trono da sua glória (Mateus 19:28, Mateus 24:31).
Aqui vemos também uma questão progressiva. Primeiro, os reinos são realmente destruídos (Apocalipse 11:15, Daniel 7:9-11, etc). Porém, entendemos que às nações derrotadas lhes será dada uma prolongação após a derrota (Daniel 7:12), que haverá sobreviventes ao final da tribulação (Zacarias 14:16, Ezequiel 36:33-36) e eles serão regidos por Jesus, o qual literalmente se assentará NO TRONO DA SUA GLÓRIA (Mateus 19:28), restaurando o reino de Israel, como aguardavam os apóstolos, e cumprindo literalmente a promessa feita a Davi. Logo após esse período, descrito no Apocalipse como um reino de mil anos, virá o juízo sobre o diabo e a destruição da própria morte.
A respeito do momento da destruição da morte, note que Paulo descreve a derrota da morte sob uma perspectiva exclusivamente daqueles que serão glorificados. Não cremos que em I Coríntios 15:51-55, o apóstolo esteja se referindo à destruição da morte de forma generalizada, mas sim a sua aniquilação sobre os servos do Senhor, os quais já não mais a experimentarão a partir da glorificação. Todo o contexto do capítulo gira em torno da esperança de incorruptibilidade para os servos do Senhor. Entendemos que a única vez que Paulo se refere à destruição geral da morte em I Coríntios 15 está no versículo 26: “Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte”. Note a palavra “último”. Isso indica uma ordem, constando, mais uma vez, a progressividade da atuação do Senhor através de seu plano.
ARGUMENTO 3: JOÃO 5:28-29
"Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a resurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação"
Este texto, também encontra paralelo no livro de Daniel:
"E muitos dos que dormem no pó da terra ressucitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno" (Daniel 12:2)
Devemos ter em mente que a revelação do plano do Senhor à humanidade é progressiva. Nem todos os detalhes proféticos são revelados de uma só vez. Isso se aplica à ressurreição. Até o momento da revelação apocalíptica, a noção que os judeus tinham é que a ressurreição de todos ocorreria no mesmo instante. Então, declarações como a de Jesus em João 5:28-29, eram compreendidas como se estivesse abordando um único evento no tempo. Ao examinar detalhadamente o que foi dito por Jesus em João 5:28-29, não vemos que o Mestre revela que a ressurreição para a vida e aquela para a condenação se darão ao mesmo tempo nem num prazo de 60 minutos (1 hora). O que Jesus diz é que em ambos os casos, os mortos obedecerão sua voz de comando. O próprio Mestre faz uma diferenciação entre ambas ressurreições. Uma será para vida e a outra para a condenação.
Na detalhada revelação dada a João em Patmos, o Senhor revela que a ressurreição de todos os mortos de todas as épocas, considerando sua condição espiritual de justificados ou não, não ocorreria ao mesmo tempo. No Apocalipse vemos claramente a distinção entre a primeira ressurreição e a segunda ressurreição. A primeira se refere aos salvos, os quais reinarão com Jesus e serão sacerdotes (Apocalipse 20:4-6). A segunda se refere ao juízo final, logo após o Milênio (Apocalipse 20:13).
Porém, muito antes da revelação apocalíptica ser escrita por João, o próprio Jesus já havia se referido à ressurreição dos justos (Lucas 14:14). Já o apóstolo Paulo, divinamente inspirado, escreve à Igreja em Corinto que durante a vinda de Jesus os que são de Cristo serão vivificados (ressurretos e glorificados) (I Coríntios 15:23).
ARGUMENTO 4: LUCAS 17:26-27
"E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem. Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos"
O texto acima parece descrever uma destruição total da Terra e seus habitantes por ocasião da vinda de Jesus. Porém, o propósito de Jesus na ocasião não era narrar o que ocorreria com o planeta Terra por ocasião de sua vinda e sim qual seria o clima de espera para essa vinda. Jesus revelou que haveria, a exemplo dos dias de Noé e Ló, um descaso generalizado diante das promessas e avisos divinos e uma decadência moral profunda.
Em nenhum momento do texto citado o Senhor se refere à destruição ou aniquilação do planeta Terra por ocasião de Sua vinda. Ele traça um paralelo com os dias de Noé para mostrar que haveria um descaso semelhante e que a consequência sobre aqueles que não fazem caso das promessas divinas é a morte.
ARGUMENTO 5: ROMANOS 2:5-16
"Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do justo juízo de Deus, o qual recompansará cada um segundo as suas obras; a saber: a vida eterna aos que, com perseverança em fazer o bem, procuram glória, e honra e incorrupção; mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, e desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade; tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal, primeiramente ao judeu e também ao grego; glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem, primeiramente ao judeu e também ao grego; porque, para com Deus, não há acepção de pessoas...No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho."
Este texto é usado comumente pelo a-milenismo para indicar que o juízo final ocorrerá num determinado dia, abrangendo tanto os salvos como os ímpios.
Cremos que aqui é necesário diferenciar o que ocorrerá no DIa do Senhor (dia da volta de Jesus), e tudo o que ocorrerá como consequência dessa volta. Não acreditamos que as consequências posteriores a esse dia não possam ser compactadas dentro de um período de 24 horas. De forma alguma podemos comprimir a atuação divina dentro de nossos conceitos temporais. Note que, proféticamente, um dia para o Senhor é como mil anos e vice-versa (II Pedro 3:8).
Entendemos que há etapas dentro do plano do Senhor que precisam ser concretizadas. Por exemplo, na questão “ira” podemos ver isso claramente. Nos últimos momentos tribulacionais, vemos parte da ira do Senhor sendo derramada sobre a humanidade (Apocalipse 16:1-21). Logo após, no momento da vinda, vemos o Senhor “pisando o lagar da ira de Deus” no Armagedom (Apocalipse 19:15). Mas, ao mesmo tempo, vemos que até mesmo entre as nações que subirão contra Jerusalém no Armagedom, haverá sobreviventes (Zacarias 14:16, Ezequiel 36: 33-36), os quais continuarão vivendo sob o reino de justiça do Senhor, o qual regerá as nações com plena justiça (Apocalipse 19:15). As profecias devem ser entendidas como um corpo completo. Se fôssemos compactar a execução da ira e do juízo do Senhor num período de 24 horas (um dia), então tais profecias sofreriam descrédito.
Consequentemente, entendemos que a partir da revelação de Jesus (vinda), a revelação do pleno juízo de Deus será concretizado sobre a humanidade, chegando ao clímax desse pleno exercício do juízo no trono branco (Apocalipse 20:11-15).
ARGUMENTO 6: MATEUS 24:29
"E, logo depois da aflição daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências do céu serão abaladas"
O texto de Mateus 24:29, a exemplo de Apocalipse 6:12-17, narra eventos que caracterizam os momentos imediatamente anteriores à volta de Jesus. Ao comparar esses registros aos dos profetas do Antigo Testamento, os quais profetizaram abundantemente sobre o “Dia do Senhor”, vemos que sinais cósmicos fazem parte dos momentos anteriores a esse dia.
O sol e a lua escurecendo são dois sinais característicos para saber que tal Dia está próximo, tal qual revela Jesus na passagem em questão. Isaias e Joel mencionam claramente esse detalhe (Isaias 13:10, Joel 2:10,31). Isaias é mais detalhista, ao afirmar que, momentos antes esse accontecimento (Dia do Senhor), a Terra “se moverá do seu lugar” (Isaias 13:13). Por outro lado, vemos durante o período tribulacional, corpos celestes e cósmicos (provavelmente asteroides ou meteoritos) caindo sobre o planeta (Apocalipse 8:7-13). Fica patente então que os dias que antecederão a vinda do Senhor trarão uma comoção generalizada sobre a Terra e sobre todo o universo. Paulo, em sua carta aos romanos, escreve que toda a criação “geme com dores de parto” e aguarda com ardente expectativa a manifestação dos filhos de Deus (Romanos 8:19).
Tais comoções tribulacionais (as quais ocorrerão em plena tribulação), não podem ser confundidas com aquelas que farão parte da criação dos novos céus e nova Terra. Em primeiro lugar, porque tais eventos ocorrerão durante a tribulação e cessarão diante da manifestação de Jesus e Seus servos (Romanos 8:19). Note que Paulo fala que a criação atual, e não uma nova criação, aguarda com expectativa a manifestação de Cristo e seu servos. Em segundo lugar, relacionar a vinda de Jesus com a imediata criação de novos céus e nova Terra, não condiz com muitas promessas vetero-testamentárias. Textos como Joel 2:3, Joel 2:22-27, Zacarias 14:8-21, Isaias 11:2-10, Ezequiel 36:33-36 Ezequiel 47:8-12, entre outros, deixam implícito que a Terra e as nações continuarão existindo após a vinda do Mestre.
Um exemplo claro disso é passagem de Zacarias 14:16-21, no qual o profeta revela que mesmo entre as nações que subirem contra Jerusalém haverá sobreviventes, os quais viverão sob o domínio do Senhor. Se fôssemos explicar essa passagem de acordo com o modelo a-milenista, então teríamos que escolher uma dessas opções: ou entre as nações que subirão para guerrear contra Jerusalém estarão nações compostas por cristãos, e eles, pelo simples fato de pertencerem a nações que subirão contra Israel no Armagedom, e apesar de serem salvos e glorificados na vinda do Senhor, serão governados com vara de ferro por Jesus, podendo sofrer penas como a cessação da chuva (Zacarias 14:17), ou integrantes de nações que subirão contra Jerusalém que, mesmo não havendo nascido de novo, serão glorificados e viverão na nova Terra, sendo governados com vara de ferro por Jesus...
As duas opções se mostram desprovidas de sensatez e comunhão com as Escrituras! Mostra-se muito mais sensato e equilibrado, levando em consideração as promessas vetero-testamentárias, afirmar que haverá um período entre a volta de Jesus e a criação dos novos céus e nova Terra, no qual Ele reinará literalmente sobre as nações. Esse período, de acordo com Apocalipse 20:4-6, durará mil anos.
ARGUMENTO 7: APOCALIPSE 19:21
"E os demais foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes"
Esta é mais uma passagem utilizada pelo a-milenismo para indicar que a volta do Senhor trará o término total de todas as nações, instaurando o juízo final e a criação de novos céus e nova Terra, imediatamente depois da volta de Jesus. Mas, será que é isso que a Palavra mostra?
Notemos que uma das promessas deixadas às igrejas apocalípticas (figuras de todas as igrejas), é a de exercer autoridade sobre as nações, com vara de ferro (Apocalipse 2:26-27). Ora, se todas as nações e o planeta em si serão destruídos por ocasião da volta de Jesus, como afirma o a-milenismo, que nações são essas sobre as quais os salvos exercerão autoridade “com vara de ferro”? Será que membros da Igreja exercerão domínio sobre outros membros com “vara de ferro”? Sinceramente, cremos que não...
O próprio contexto de Apocalipse 19:21 indica que Jesus, a partir de momento de sua volta, governará as nações (Apocalipse 19:15), fazendo incongruente qualquer afirmativa de aniquilação completa das nações no momento da volta do Mestre. Até mesmo para Israel, como nação, já há um tribunal preparado pelo Senhor, composto de Seus discípulos (Mateus 19:28). Ao comparar Apocalipse 19:15-21 com Zacarias 14:12-15, vemos que essa destruição descrita na revelação apocalíptica, ocorrerá em função da derrota dos exércitos do anticristo no Armagedom. Pelas razões dadas anteriormente e diante de dezenas de profecias vetero-testamentárias descrevendo “nações” e “povos” durante o reino do Senhor, torna-se temerário afirmar que todas as nações serão aniquiladas no momento da vinda de Cristo.
ARGUMENTO 8: MATEUS 13:37-40
“E ele, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente é o Filho do homem; o campo é o mundo e a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno; o inimigo, que o semeou, é o diabo, e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos. Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo.”
Este texto é usualmente citado pelo a-milenismo, sob o argumento de que a separação entre o joio e o trigo ocorrerá no fim do mundo, situando essa separação já na ante-sala da nova Terra. Em outras palavras, o modelo a-milenista afirma que essa separação entre “joio” e “trigo” é uma descrição do juízo final.
Quando vamos ao original grego do textus receptus, verificamos que o termo grego usado para "mundo" nos versículos 39 e 40 dessa passagem é "aeón", o qual se refere a era, período ou até mesmo sistema, e não ao mundo físico ou planeta. Neste último caso deveria ser usado o termo "kosmos". O interessante é que o termo kosmos também é usado nessa passagem, porém apenas quando o Senhor descreve o mundo (planeta) como “um campo”. Para uma melhor compreensão do que significa aeón, podemos citar II Coríntios 4:4, onde o apóstolo Paulo identifica satanás como "o deus deste mundo/século" (aeon). Não significa que satanás é o deus deste kosmos (planeta), mas que ele exerce seu domínio maligno sobre os sistemas mundiais e sobre os pensamentos e decisões humanas decaídas (aeón).
Então, o texto de forma alguma aponta para o momento da destruição da Terra, com a subseqüente criação da nova Terra, mas refere-se ao término de um período ou sistema. Nesse contexto, a posição mais sensata, em nosso entendimento, é associar essa separação entre “joio” e “trigo” ao fim desse atual sistema maligno, com a vinda de Jesus, derrota da besta e falso profeta e o juízo sobre as nações, descrito em Mateus 25:31-46, o qual ocorrerá logo após a vinda de Jesus. Tal juízo difere enormemente do juízo final, como abordamos no tópico MILÊNIO.
ARGUMENTO 9: JOÃO 6:38-39
"Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia"
Sem dúvidas, Jesus se refere nesta passagem à ressurreição dos justos (Lucas 14:14). Porém, é necessário focar nossa atenção na expressão “último dia”.
O Senhor, após o dilúvio, promete a Noé e família que enquanto “a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão...” (Gênesis 8:22). Quando vemos passagens como Miquéias 4:1-4, Isaías 11:1-12 e Zacarias 14:8, fica a constatação que as atividades relacionadas à duração dia/noite continuarão após a vinda de Jesus (agricultura, chuvas, verão, inverno, etc). Até mesmo já na Nova Jerusalém, ou seja, na nova Terra após o juízo final, vemos que a árvore da vida dará seus frutos de mês em mês (Apocalipse 22:2), o que pressupõe a existência de dias. Conseqüentemente, é mais prudente entender que Jesus estava se referindo ao “final dos tempos” ou “consumação dos séculos” quando se referiu ao “último dia”, já que fica patente que os dias continuarão existindo mesmo após a vinda de Jesus.
Para sua meditação, deixamos essa passagem de Isaias:
"E acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do Senhor no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros, e concorrerão a ele todas as nações. E irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor. E julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerrear " (Isaias 2:2-4).
Compare com Miquéias 4:1-4, Apocalipse 19:15, Ezequiel 36:33-36, Isaias 11:1-12 e Zacarias 14:1-21. Para maiores informações a respeito do tema "Milênio", acesse o tópico "COMENTÁRIO 03", clicando AQUI. Para ter acesso a nosso estudo principal sobre o Milênio, clique AQUI.
Outra possibilidade de interpretação para essa passagem nos foi enviada pelo irmão Sandro de Souza Oliveira. Agradecemos ao nosso irmão Sandro por essa preciosa colaboração. Ele aponta em seu estudo que a mesma expressão eschatos emera usada na passagem de João 6:39-40, referindo à ressurreição no último dia, em João 7.37 se refere ao grande dia da festa dos tabernáculos, ou seja, o principal dia dessa festa que durava oito dias (Números 29:12-38).
A questão é que durante os sete dias primeiros dias, antes do oitavo dia final, um sacerdote trazia água num cântaro de ouro do tanque de Siloé, e então, acompanhado de um cortejo jubiloso, seguia até o templo, onde, diante do altar, despejava água numa bacia sobre aos pés do altar, juntamente com vinho, ao mesmo tempo que a cerimônia toda era acompanhada pelo cântico de “Halel” (Salmos 113 a 118).
Essa cerimônia comemorava a provisão de água, dada por Deus, quando a rocha foi ferida por Moisés. Era também uma oração por chuva, para que houvesse colheitas fartas no ano seguinte. Portanto, as palavras de Jesus “...Se alguém tem sede, venha a mim e beba...”, foram faladas no último dia (eschatos emera), o grande dia da festa, que na realidade não era, sob um aspecto definitivo, o último dia da festa e nem significava que nunca mais haveria outras festas do tabernáculo...
Eis a grande razão porque a expressão “último dia” não pode ser usada para ensinar que não haverá outros dias após este “ultimo dia” no qual ocorrerá a ressurreição dos justos.
Maranata!
A VIDA APÓS A VINDA
Temos recebido muitos questionamentos de nossos leitores a respeito do que ocorrerá após a vinda de Jesus. É claro que a existência do período tribulacional, apostasia, anticristo e da vinda gloriosa do Senhor, são fatos inquestionáveis para aqueles que seguem as revelações bíblicas, mesmo havendo diferenças enquanto ao momento do arrebatamento (pré-tribulacionismo, midi-tribulacionismo ou pós-tribulacionismo), enquanto ao momento e/ou existência do Milênio como período literal (pré-milenismo, amilenismo e pós-milenismo) e até mesmo no que concerne à forma de interpretar tais profecias escatológicas (alegórica, literalista, preterista, historicista ou futurista).
Resumindo, acreditamos que estamos vivendo um período de iniquidade crescente (Mateus 24:12), princípio de dores (Mateus 24:7-8), iminência do período tribulacional, onde ocorrerá a revelação do anticristo (II Tessalonicenses 2:4), a perseguição institucional da Igreja (Apocalipse 13:7) e uma ameaça de destruição total de Israel (Apocalipse 16:12-14).
Acreditamos também que o arrebatamento da Igreja ocorrerá ao mesmo tempo da vinda gloriosa de Jesus logo após a grande tribulação (Mateus 24:29-31), para encontrar-se com seus escolhidos e trazer livramento para Israel, derrotando o anticristo e instaurando Seu reino milenal. Mas, o que acontecerá depois? Como será o reino de Cristo na Terra? Os seres humanos não glorificados continuarão existindo e se reproduzindo? Que nações são aquelas que se rebelarão no final do Milênio? O que ocorrerá após o Milênio? Vamos morar no céu ou na Terra? Trataremos de responder neste item essas questões, de acordo com aquilo que entendemos.
1. O REINO DE JESUS
No estudo “MILÊNIO” você encontra a base argumentativa sobre a qual sustentamos nossa posição pré-milenista e literalista a respeito do Reino de Jesus. Acreditamos que o reino do Senhor será físico, literal e ocorrerá como conseqüência direta de Sua volta logo após a grande tribulação.
A concepção que a igreja primitiva possuía nos leva também a essa conclusão. Pouco antes da ascensão, os discípulos perguntaram ao Mestre quando seria restaurado o “reino de Israel” (Atos 1:6). Fica claro que havia entre eles uma esperança específica sobre a futura restauração literal do reino de Israel. Jesus, em Sua resposta, insta aos discípulos a deixarem os tempos e as épocas nas mãos soberanas do Pai (Atos 1:7), mas em momento algum os questionou a respeito da restauração em si. O Mestre apenas exorta Seus discípulos a considerarem a supremacia divina no tempo, deixando subentendido que, em algum momento do futuro, o reino de Israel seria restaurado. Afinal de contas, Jesus lhes havia revelado que em Seu reino muitos viriam de todos os lados do mundo e se assentariam à mesa (Lucas 13:29) e que os apóstolos assumiriam a função de juizes no mesmo reino (Lucas 22:30).
Justino o Mártir (100 DC-165 DC), um dos primeiros líderes da igreja primitiva, em sua obra “Diálogos com Trifo”, expressa muito bem essa concepção primitiva ao afirmar que o Milênio teria início após a revelação do anticristo e a segunda vinda de Cristo. De acordo com o ensinamento de Justino, os fiéis mortos iriam ressuscitar e reinar com Cristo por mil anos na Nova Jerusalém. Justino o Mártir pode ser considerado como o primeiro “pré-milenista”, ao defender abertamente o entendimento de que o Milênio é um período real e será concretizado após a vinda de Jesus. Justino foi seguido nessa concepção por Irineu de Lyon (130 DC-200 DC), que em sua obra apologética “Contra as Heresias”, dirigida contra os gnósticos, deixa claro que a vinda de Jesus propiciaria a instauração de Seu reino sobre a Terra.
É interessante notar que, quando Jesus se referiu ao "fim do mundo", na parábola do joio e do trigo, e ao "mundo vindouro", no seu diálogo com os saduceus (Mateus 13:39 e Lucas 20:25), é utilizado o termo grego "aeon", o qual refere-se ao sistema ou à realidade espiritual, e não ao planeta em si.
As promessas do Senhor não voltam atrás. Em Salmos 89:3-4, o Criador revela a Davi que sua descendência seria estabelecida para sempre e seu trono por todas as gerações. Somente Jesus, como Deus e como Homem, descendente legal de Davi, através da legalidade paternal de José e da descendência sangüínea de Maria, está apto para cumprir essa profecia, a qual certamente será literalmente concretizada após a vinda do Mestre. Até mesmo nos momentos em que o trono davídico permaneceu vazio na Terra, o Rei dos Reis, como o Verbo divino e eterno, já exercia esse reinado. A sede do governo de Jesus será Jerusalém, como podemos ver em Zacarias 14:8-11.
Muitos perguntam o porquê desse reino milenal de Jesus. Por que é necessário que Jesus reine sobre o planeta, regendo as nações “com vara de ferro” (Apocalipse 19:15), se no final do reino milenal Satanás será solto para enganar as nações? Qual o objetivo desse reino de Jesus após sua vinda? O apóstolo Paulo responde essas questões:
“...Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, quando houver destruído todo o império, e toda a potestade e força. Pois convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte.” (I Coríntios 15:24-26)
Dentro do plano do Senhor, é necessário que Jesus reine até que o último inimigo (a morte), seja aniquilado. O “até” do versículo 25 não se refere à constituição de Jesus como Rei dos Reis e Senhor dos Senhores e sim ao propósito de seu reino milenal. Em outras palavras, o texto explica que o reino de Jesus tem um objetivo específico: derrotar definitivamente os inimigos do Senhor. Essa concepção faz pleno sentido quando a comparamos à passagem de Apocalipse 19:15, onde fica claro que Jesus regerá as nações “com vara de ferro”, dando uma conotação de juízo sobre aqueles que, mesmo sendo governados pelo próprio Senhor e vivendo num mundo perfeito, sem a presença e atuação de Satanás, optarão pela desobediência no final do período milenal.
2. O PLANO DO SENHOR PARA ISRAEL
O plano e o propósito do Senhor para a nação israelense são eternos. As promessas para o povo judeu estão baseadas na própria Palavra do Criador.
Apesar de sabermos que somos, enquanto Igreja, o Israel espiritual de Deus, não há base bíblica para afirmar que a nação israelense deixará de existir em função da vinda de Jesus nem base bíblica para afirmar que a glorificação corpórea dos salvos, decorrente da segunda vinda de Jesus, se extende também ao remanescente judeu. Cremos que o relacionamento do Senhor com Israel é uma sombra da revelação que havia de se manifestar com o ministério da graça para todas as nações. Paulo escreve aos gálatas que, aqueles que pertencem à Igreja, são herdeiros espirituais das promessas feitas a Abraão e são contados como descendência dele através da fé, da qual Abraão é um referencial (Gálatas 3:22-29). Porém, a concretização espiritual das promessas feitas a Abraão não exclui sua concretização literal e física.
O Senhor prometeu a Abraão que sua descendência seria “como as estrelas dos céus e como a areia que está na praia do mar” (Gênesis 22:17). Paulo, no capítulo 11 de Romanos, ao explicar o atual endurecimento de Israel a respeito da pessoa de Jesus e o propósito desse endurecimento dentro do plano do Criador, cita o profeta Jeremias em Romanos 11:25. Vejamos com mais detalhes o que Jeremias profetiza:
“Assim diz o Senhor, que dá o sol para luz do dia, e as ordenanças da lua e das estrelas para a luz da noite, que agita o mar, bramando as suas ondas; o Senhor dos exércitos é o seu nome. Se falharem estas ordenanças de diante de mim, diz o Senhor, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre” (Jeremias 31:35-36)
Outros textos onde você verá de forma clara promessas específicas da futura restauração espiritual de Israel como nação estão em Ezequiel 36:33-38, Ezequiel 47:1-12, Isaias 19:22-25, Zacarias 8:22-23 e também nos capítulos 12 e 13 de Zacarias. Nesse contexto, acreditamos que durante o milênio as nações continuarão existindo e se reproduzindo, como veremos mais adiante, e que Israel não será uma exceção nesse aspecto. Jesus deixou claro que aqueles que fossem glorificados serão “como anjos”, sem a necessidade de reprodução física (20:35-36).
Por outro lado, vemos que a promessa de glorificação corpórea por ocasião da vinda do Mestre é dirigida à Igreja e não ao remanescente judeu que será salvo logo após a grande tribulação. Vemos até mesmo a presença de mulheres e crianças na face da Terra em pleno período milenal (Isaias 11:6, Zacarias 12:10-14).
Então vemos que a promessa feita pelo Senhor a Abraão, logo após ele ter oferecido seu próprio filho Isaque num ato de fé grandioso, será literalmente concretizada a partir do momento da vinda de Jesus, quando a nação israelense começará a crescer e expandir seus horizontes a níveis inimagináveis. O remanescente judeu se multiplicará como a areia do mar e como as estrelas do céu, e nós cremos na literalidade dessa profecia. Ou seja, em determinado momento, será humanamente impossível calcular com precisão a quantidade da descendência de Abraão, da mesma forma que é praticamente impossível calcular quantos grãos de areia tem numa praia ou quantas estrelas possui nosso universo em constante expansão. Logo após o milênio, com a derrocada final do último inimigo (morte), os descendentes de Abraão continuarão se multiplicando de forma grandiosa e só então compreenderemos o porquê da imensidão de nosso universo, já que tudo o que foi criado pelo Senhor cumpre um determinado propósito.
A criação do homem à imagem e semelhança de Deus não fracassou permanentemente como resultado da queda. Jesus, com seu sacrifício vivificante, veio para concretizar a salvação eterna para aqueles que nascessem de novo, através da fé. Ao mesmo tempo, virá Como Rei e Senhor para assentar-se no trono de Davi e concretizar plenamente na nação israelense as promessas feitas a Abraão.
Diante da grandiosidade e profundidade dos planos do Criador, só nos resta dizer o que disse Paulo após descrever a relação de Israel e da Igreja no plano de salvação:
“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos” (Romanos 11:33)
3. A IGREJA APÓS A VINDA
Qual será a condição da Igreja a partir do momento da vinda de Jesus? A resposta a essa pergunta passeia entre a concepção medieval, de que o destino eterno do salvo seria a de um ser em eterno descanso num paraíso celestial, sem nenhuma atividade específica e a concepção nitidamente bíblica, de que a Igreja, como noiva do Cordeiro e Rei, permanecerá ao seu lado eternamente, exercendo todas as atividades relacionadas ao serviço do Rei. Diante dessas concepções surge a pergunta: E então, vamos morar no céu ou na Terra, onde Jesus estará exercendo seu reino no Milênio e após o Milênio?
Durante vários séculos, a resposta de um cristão seria automaticamente a primeira, baseada na mentalidade cristã desenvolvida a partir do período medieval. “Eu vou morar no céu”, seria resposta automática. Sem entrar na questão do destino da alma após a morte física, que nos cremos ser o paraíso ou “seio de Abraão”, que é realmente um paraíso celestial, gostaríamos apenas de abordar o assunto apenas de uma ótica escatológica. Qual o destino daqueles que serão ressuscitados ou transformados no momento da volta de Jesus? Céu ou Terra? Para entender melhor essa questão, devemos analisar detalhadamente como surgiu o conceito de “céu” como destino eterno, etéreo e paradisíaco do cristão, quando chegaremos à conclusão de que essa idéia não fazia parte da esperança dos cristãos genuínos da Igreja primitiva.
A idéia sobre um destino celestial entre os pagãos era comum no século I, originada, sobretudo, pelas crenças aliadas à filosofia grega. Após a morte dos apóstolos e seus discípulos imediatos, uma onda de gnosticismo começou a invadir parte das eklesias, gerando idéias errôneas e contrárias ao ensinamento de Jesus e até mesmo à própria natureza de Cristo, negando sua humanidade (docetismo). O pseudo-cristianismo gnóstico semeou a idéia de que Jesus fora enviado pelo Pai, um Deus diferente do YHWH do Antigo Testamento, para ensinar aos homens a livrar-se de sua natureza material através do conhecimento (gnosis).
Quando fosse alcançada a plenitude do conhecimento, o discípulo chegaria ao “pleroma”, um lugar celestial onde nada material pode existir. A partir do momento que negavam que Jesus veio em carne (corporalmente), os gnósticos negavam também sua ressurreição corpórea. Já no tempo de João, esse ensinamento herético começava a ser difundido (II João 7). Os principais registros dos líderes da Igreja nos séculos I, II e III, entre eles Justino (Diálogo com Tripho, LXXX), Irineu (Contra as Heresias, V, XXXV), mostram claramente um combate às ideias gnósticas e uma forte convicção de que nosso destino está atrelado ao reino de Jesus na Terra. Ou seja, a esperança dos irmãos primitivos a respeito do reino em nada diferia da esperança dos patriarcas e dos profetas do Antigo Testamento.
Como já vimos anteriormente, tudo na criação do Senhor obedece a um propósito e nada escapa a seu controle. A Terra, como planeta habitado por seres criados pelo Senhor, jamais deixará de existir. O que haverá, como veremos no último tópico deste item, é uma transformação da mesma e do próprio universo, em função da ausência do pecado e suas conseqüências sobre o homem e a natureza. A criação do Senhor nunca fracassará. Toda idéia de que aquilo que é físico não é parte do plano eterno do Criador vem de uma mentalidade pagã, sobretudo ligada ao gnosticismo, no qual a matéria e o mundo material no qual vivemos, faz parte de uma criação corrupta e que tudo o que é material tem origem maligna.
A Palavra revela que tudo o que Deus fez é bom, de acordo com os padrões do próprio Criador (Gênesis 1). Se o universo e a Terra estão sofrendo desequilíbrios e/ou catástrofes, é em função das conseqüências sobre a criação das decisões erradas das criaturas e não um erro intrínseco à matéria criada pelo Senhor. Paulo revela que a natureza “geme com dores de parto”, deixando implícita em sua comparação que, em determinado momento, haverá uma renovação da natureza, o que ocorrerá quando forem criados “novos céus e nova terra”.
Nossa eternidade ao lado do Senhor não será “monótona” ou “repetitiva”, sentados numa nuvem e tocando eternamente uma harpa, como muitos tentam sugerir, baseados na idéia medieval de “céu”. Teremos ocupações, atividades e missões grandiosas, tal qual os anjos têm atualmente. Louvaremos, seremos juizes e embaixadores do Rei dos reis. Jesus deu uma prévia aos apóstolos de como seria a atividade durante seu reino:
“E vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações. E eu vos destino o reino assim como o pai mo destinou, para que comais e bebais à minha mesa no meu reino, e vos assenteis sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel” (Lucas 22:28-30)
Na parábola dos dez servos e das dez minas, Jesus mostra que haverá recompensas para seus servos fiéis e essa recompensa denota posição de destaque dentro do reino eterno do Senhor (Lucas 19:11-27). Se partirmos da premissa de que Jesus reinará literalmente sobre a Terra após Sua vinda e continuará habitando na nova Terra após o Milênio (como veremos no último ponto), conseqüentemente nós, como Noiva de Cristo, permaneceremos com Ele.
O desejo de Jesus para sua Igreja é que onde Ele estiver, a Igreja esteja também (João 14:3). É claro que, como filhos do Senhor, nós, como co-herdeiros com Jesus Cristo, teremos acesso às regiões celestiais, ao paraíso e a lugares nunca antes imaginados. Porém, nossa base de atuação estará centrada na Terra durante o reinado milenal de Cristo e na Nova Jerusalém após o Milênio.
4. AS NAÇÕES APÓS A VINDA
Não vemos razões para negar veementemente a existência de nações logo após a vinda de Jesus. Pelo contrário, há claras evidências bíblicas de que as nações continuarão existindo durante o reinado de Jesus sobre a Terra. Veja algumas razões:
a) A palavra revela que Jesus, após sua vinda, regerá as nações com “vara de ferro” (Apocalipse 19:15) . Não é lógico supor que o termo “nações” aqui se refira à Igreja, a Noiva de Cristo, a qual não precisará ser regida com vara de ferro mas viverá uma eterna relação de amor e submissão ao Noivo. Também não é prudente relacionar o termo à nação israelense, já que o termo está no plural (“nações”).
b) O profeta Zacarias é bastante detalhista ao descrever a existência de nações após a vinda gloriosa do Messias, até mesmo de nações que de alguma forma participarem do Armagedom (Zacarias 14:16). Uma leitura detalhada dos capítulos 8, 11, 12, 13 e 14 de Zacarias mostrará a clara presença de nações durante o reinado de Jesus.
c) No final do Milênio, com a soltura de Satanás, as “nações” serão enganadas. Aqui há um forte argumento contra aqueles que negam a existência de um Milênio literal (a-milenistas) ou até mesmo aqueles que sustentam que o Milênio ocorrerá antes da vinda de Jesus (pós-milenistas): Satanás será amarrado em função da segunda vinda de Jesus e não antes. Basta uma leitura detalhada e imparcial dos capítulos 19 e 20 de Apocalipse para entender isso.
5. A VIDA APÓS O MILÊNIO
O grande juízo do trono branco é o evento determinante no começo da realidade pos-milenal. Logo após a derrota definitiva das hostes satânicas (comparadas aos exércitos de Gog em Apocalipse 20:7-10), ficará o caminho aberto para que o último gande inimigo seja derrotado: a morte. Logo após o Milênio ocorrerá a ressurreição de todos aqueles que não pertencem à Igreja (Apocalipse 20:11-14) e o seu subsequente julgamento (Apocalipse 20:15).
Com o mal e o pecado totalmente banidos do universo, a transformação da criação divina ficará completa com o surgimento de novos céus e nova Terra. Nesta nova Terra, a capital e ponto de referência será a Nova Jerusalém, uma cidade real e literal, preparada pelo próprio Criador, que ocupará o local da atual Jerusalém. Nela habitará pessoalmente o próprio Deus, através do Cordeiro. Cremos também que as nações continuarão existindo e que os seres humanos não glorificados (aqueles que não experimentaram o arrebatamento na segunda vinda de Jesus e não se rebelaram no final do Milênio), seguirão vivendo e se reproduzindo. A maior parte desses serão descendentes do remanescente judeu, para que se cumpra literalmente a profecia deixada a Abraão:
“Que deveras te abençoarei, e grandíssimamente multiplicarei a tua descendência, como as estrelas do céu e como a areia que está na praia do mar; e a tua descendência possuirá a porta dos seus inimigos” (Gênesis 22:17)
Neste ponto, alguém poderá perguntar: como é possível permanecer sempre vivo sem um corpo glorificado? Como é possível não experimentar a corrupção da carne sem um corpo glorificado? Para responder a essa pergunta, temos que entender em primeiro lugar a diferença entre morte física e morte espiritual. A conseqüência direta da queda do homem foi a morte espiritual. A conseqüência indireta foi a morte física, pois, ao pecar, por medida de segurança, o homem foi afastado da árvore da vida, a qual possibilita a quem usufruir de seu fruto a vida física permanente. Isso fica claro na passagem de Gênessis 3:22-24.
Mesmo pecadores e espiritualmente mortos, se Adão e Eva tivessem acesso ao fruto da árvore da vida, viveriam fisicamente para sempre, de acordo com as palavras do próprio Elohim. Não é necessário ter um corpo glorificado para não morrer se o fruto da árvore da vida for consumido. Essa condição fica implícita para as nações e o remanescente judaico na eternidade que segue ao juízo do trono branco:
“No meio da sua praça, e de um e de outro lado do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a saúde das nações” (Apocalipse 22:2)
O fato dos membros da Igreja possuírem corpos glorificados, semelhantes ao de Jesus, é que os membros do Corpo de Cristo fazem parte de um novo patamar criacional, tanto no aspecto espiritual (novo nascimento) quanto no material (glorificação corpórea):
“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (II Coríntios 5:17)
Os planos do Senhor jamais fracassarão. Ele transforma maldição em benção. Essa é a grande verdade que podemos observar no decorrer de toda a história humana. Em sua infinita sabedoria, poder e onisciência, o Criador faz cumprir seus planos mesmo em meio às decisões errôneas de suas criaturas, quando as mesmas usufruem de forma equivocada o seu livre arbítrio. A queda humana propiciou a criação de um novo patamar criacional através do ministério de Jesus (os membros da Igreja, a Noiva de Cristo) e o plano do Senhor a respeito do ser humano em sua forma original, feito a sua imagem e semelhança, também prosseguirá eternamente através de seu concerto com a nação escolhida.
Maranata!
VIGILÂNCIA EM MEIO À CRISE
Em Mateus 24: 43, Lucas 12:39, I Tessalonicenses 5:2, II Pedro 3:10, Apocalipse 3:3 e Apocalipse 16:15, fica indicado que Jesus em sua segunda vinda retornará como um “ladrão”. Para alguns, esse termo indica o caráter inesperado e repentino do arrebatamento. Consequentemente, os textos citados são usados às vezes para justificar o arrebatamento anterior à tribulação ou em meio à tribulação, devido ao caráter inesperado e repentino desse acontecimento. Tal entendimento está baseado na idéia de iminência do arrebatamento, de acordo com a qual nenhum sinal específico necessita ocorrer antes do arrebatamento, já que o mesmo poderá ocorrer "a qualquer momento".
Porém, é preciso estudar os versículos em questão de uma forma detalhada e levando em consideração sempre o seu contexto e sua interação com o resto das profecias escatológicas. Quando um entedimento é baseado em alguns textos, mas se opõe à clareza de outros, deve ser revisto. Não existe nenhum ensinamento bíblico que determine a segunda vinda do Senhor como um evento dividido em duas partes: a primeira de forma invisível antes da tribulação para arrebatar a Igreja e a segunda de forma visível, sete anos depois, para destruir os exércitos do anticristo no Armagedom, salvar Israel e instaurar o Milênio. Pelo contrário, as passagens proféticas sugerem que os dois eventos em questão ocorrerão ao mesmo tempo terrestre de uma forma visível, como abordamos em vários tópicos deste site. Para uma melhor compreensão sobre o tema "IMINÊNCIA", clique AQUI.
A VINDA COMO UM LADRÃO
Analisemos mais detalhadamente os versículos mencionados no começo. Quando a figura do ladrão é usada para mostrar o caráter inesperado do arrebatamento, não nos parece apropriado atribuir esse conceito aos cristãos verdadeiros e fiéis, pois esses esperam com perseverança e fé a vinda do Mestre. Na realidade, a vinda do Senhor e nosso encontro com Ele é a nossa "bem-aventurada esperança"! (Tito 2:13).
A vinda de Jesus sendo caracterizada como “inesperada” e comparada à chegada abrupta de um ladrão, só pode estar relacionada à realidade daqueles que não esperam essa vinda ou que já esperaram, mas deixaram de esperar por causa do cansaço espiritual, desânimo, desilusão e engano. O apóstolo deixa muito claro que, a vinda de Jesus é comparada à chegada de um ladrão para aqueles que não esperam essa vinda:
"Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão" (I Tessalonicenses 5:4)
O ensinamento de Paulo faz todo sentido, diante da abundância de informações que todo servo fiel ao Senhor tem na Palavra a respeito da volta de Cristo, através de sinais concretos que antecederão esse momento glorioso.
Até mesmo a comparação feita em relação à chegada de um ladrão à noite, é totalmente contrária ao que acontecerá entre Cristo e a sua Igreja no arrebatamento, não devendo aplicar-se ao arrebatamento e sim à vinda como um todo, diante da qual muitos se lamentarão e chorarão (aqueles que não esperam essa vinda). O ladrão, como todos sabemos, não leva o que lhe pertence e sim aquilo que não lhe pertence. Jesus voltará em glória para buscar o que lhe pertence (a Igreja).
Neste contexto é interessante destacar o versículo de Mateus 24:44 que diz:
“...Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis”.
Neste ponto, logo após relatar todos os sinais que antecederiam sua volta, Jesus deixa claro aos seus discípulos que a noção certa para saber quando Ele retornaria não estava em conjeturas ou pensamentos pessoais e sim na observância vigilante e perseverante dos sinais. Jesus fez essa afirmação logo após haver pormenorizado dezenas de sinais específicos e objetivos que antecederiam sua volta. Em nenhum momento, o Mestre menciona no sermão profético uma vinda diferente daquela descrita entre Mateus 24:27 e Mateus 24:31.
Portanto, é altamente temerário supor que Jesus estava referindo-se a uma etapa “oculta” de sua vinda, quando disse que viria numa hora em que seus discípulos não pensassem. Também, é temerário afirmar que a volta de Jesus para a Igreja ocorrerá “a qualquer momento”, apenas tomando como base o fato Dele vir “numa hora em que não pensais”. Isso é desmerecer toda a aplicabilidade dos sinais profetizados por Jesus no sermão profético, com o objetivo de que não fôssemos enganados!
Durante várias épocas da Igreja, muitos “pensaram” já estar às portas da vinda de Jesus, chegando, inclusive a datar esse acontecimento. O alerta do Mestre deixado em Mateus 24:44, não apenas se aplica à Igreja primitiva, a qual realmente pensou que o Senhor voltaria já em seus dias, mas a todos os cristãos em todas as épocas. Chegamos à conclusão que o arrebatamento ocorrerá num momento inesperado para aqueles que não tem compromisso nem conhecimento das verdades divinas, e impensado por muitos. Neste contexto, é importante salientar que aqueles que não conhecem a Deus, mesmo em plena grande tribulação e até o final dela, em vez de arrepender-se, vão preferir acreditar nas explicações mentirosas da besta, continuarão negando a Deus e não acreditarão em suas promessas e sinais, sendo ludibriados pela “operação do erro” (Apocalipse 16:9, II Tessalonicenses 2:8-11), o que tornará a segunda vinda de Cristo um fato inesperado para eles.
Enquanto ao caráter repentino da vinda de Jesus, é apropriado relacioná-lo à impossibilidade humana de datar ou fixar exatamente o momento desse acontecimento. Um pré-tribulacionista poderia argumentar neste ponto com a seguinte pergunta: Se o arrebatamento ocorrerá ao mesmo tempo da segunda vinda em glória, ou seja no final da grande tribulação, isso não iria contra o caráter repentino do arrebatamento, já que poderia ser datado, levando em consideração os eventos cronológicos da própria tribulação para efeitos de cálculo? A resposta é não. Jesus afirmou que ninguém, a não ser o Pai, conhece nem o dia nem a hora de sua volta.
Note que, de acordo com o sermão profético do Senhor, a volta não ocorrerá "no último dia da tribulação" e sim "logo após a tribulação daqueles dias" (Mateus 24:29). Ou seja, a volta do Senhor poderá ocorrer "a qualquer momento", a partir da concretização dos últimos sinais (o sol e a lua escurecendo). Jesus deixa claro que, quando seus servos vissem todos os sinais, sua volta estaria "próxima, às portas" (Mateus 24:33). Então, só a partir desse momento (concretização dos últimos sinais), logo após a grande tribulação, é que a volta do Senhor será repentina ou iminente.
Mesmo para a Igreja perseguida da tribulação, seria impossível fixar a volta do Senhor utilizando os dados fornecidos pelo profeta Daniel, para chegar ao "dia" e a "hora". A igreja na tribulação não terá acesso aos últimos acontecimentos através dos meios de comunicação como nós temos hoje. Com absoluta certeza, esses meios de comunicação serão seduzidos e manipulados satanicamente, tornando-se uma poderosa arma de manipulação mundial nas mãos do anticristo. A isso devemos somar o fato de que o anticristo mudará de alguma forma o atual sistema de contagem do tempo e o calendário (Daniel 7:25) e a Terra passará por drásticas mudanças estruturais.
Por outro lado, não é afirmado que o Senhor pousará seus pés sobre o Monte das Oliveiras no dia em que aparecer o seu sinal (dia do arrebatamento). Já que a profecia de Daniel 12:10-13, se refere ao fim das concretizações proféticas, o fim dos 1335 dias pode referir-se ao dia da chegada do Senhor a Jerusalém, dando início a seu reinado milenal, e não necessariamante ao dia do arrebatamento. O que sabemos é que o arrebatamento se dará "logo depois da aflição daqueles dias" (grande tribulação), e ocorrerá após a concretização de todos os sinais profetizados pelo Senhor, tornando-se iminente apenas depois da concretização total de todos esses sinais.
Portanto, cremos que a vinda do Senhor será como um "ladrão" para aqueles que não esperam essa vinda nem estão atentos aos sinais deixados na Palavra. Se formos coerentes com aquilo que Jesus ensinou e os apóstolos escreveram, sob inspiração divina, a volta de Jesus só será iminente após o cumprimento de todos os sinais profetizados, entre eles a própria grande tribulação (Mateus 24:15-31).
UMA VINDA OCULTA?
Alguns sustentam também que o fato da vinda de Cristo ser comparada à chegada de um ladrão na noite significa uma vinda “oculta” para o mundo e notada somente pelos escolhidos. Porém, quando Jesus ascendeu, os discípulos que o seguiam receberam a promessa que ele retornaria da mesma forma que tinha subido (Atos 1:9-12). Essa semelhança pode ser entendida em dois aspectos:
a) Assim como a ascensão de Jesus foi visível para todos os que se encontravam no lugar, o seu retorno também o será. Jesus declarou acerca de sua própria vinda: “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande honra” (Mateus 24:30). Veja também Apocalipse 1:7.
b) Note que a promessa foi feita por dois anjos aos discípulos (ou seja, aos cristãos) que acompanhavam Cristo no momento de sua ascensão (Atos 1:8). Momentos antes, Jesus tinha deixado para eles a promessa do derramamento do Espírito Santo em Jerusalém. A ascensão ocorreu no monte das Oliveiras, perto de Jerusalém. De acordo com Zacarias 14:1-8, a vinda de Jesus após a tribulação, se dará precisamente no monte das Oliveiras, para batalhar contra os exércitos do anticristo e salvar Israel. Se a promessa de que a volta de Jesus se daria da mesma forma e até mesmo no mesmo lugar onde aconteceu a ascensão, e se essa promessa foi deixada aos discípulos (seguidores de Cristo), então o arrebatamento dos cristãos está diretamente ligado à segunda vinda de Cristo em glória, descendo dos céus até o monte das Oliveiras! Portanto, não existe nenhuma base bíblica que nos permita relacionar a vinda de Jesus como um “ladrão” a uma vinda “oculta” e também a um arrebatamento anterior ao final da tribulação.
COMO VIGIAR
Em todos os versículos supracitados e em outros não mencionados, existe a expressão “vigiar”. Alguém poderia relacionar a idéia de estar vigilante somente ao fato do arrebatamento ocorrer antes da tribulação, pois, começando a tribulação, não haveria mais a necessidade de se manter vigilante ou esperando, já que os fatos já estariam acontecendo. Porém, novamente é preciso deter-nos um pouco para analisar detalhadamente essa questão.
O verbo “vigiar” tem a sua origem semântica na palavra “vigília” ou período da noite. Vigiar significa manter-se acordado e atento em meio à vigília (noite), como fica claro em Mateus 26:41-42, durante a permanência de Jesus no Getsêmani, pouco antes de ser preso. Naquela ocasião, Ele repreendeu aos discípulos por não vigiarem, pois os mesmos foram vencidos pelo sono e cansaço. Relacionando o ato de vigiar com a noite, o mais consequente é relacionar também o ato de vigiar com vistas ao arrebatamento com a noite dos últimos tempos, ou seja a tribulação, um período de escuridão espiritual nunca antes visto na Terra. O chamado para vigiar é uma exortação para que o cristão não “durma” ou desanime espiritualmente, deixando que o cansaço devido à espera prolongada traga o sono e a falta de perseverança. Esse contexto parece adequar-se mais a uma realidade tribulacional, na qual muitos cristãos tenderiam a desanimar ou adormecer (serem sorrateiramente enganados pelo sistema), ao verem acontecer fenômenos ligados à tribulação e não terem experimentado o arrebatamento pré-tribulacional, como é esperado e como pensa a maioria.
Em geral, é interessante observar que o desânimo só começa a aparecer no ser humano quando aquilo que ele esperava não acontece dentro do prazo esperado... Outros tenderiam a julgar eventos tribulacionais, como o controle total financeiro, como eventos pré-tribulacionais, simplesmente por não ter acontecido o arrebatamento tal qual é ensinado pelo pré-tribulacionismo. A isso devemos somar a triste constatação de que muitos cristãos não estão familiarizados com todos os detalhes das profecias escatológicas como deveriam estar, permanecendo num estado de sono profético, podendo ser facilmente enganados em meio à tribulação pelo sistema maligno.
Outros se encontram tão comprometidos com a vida social e profissional, às vezes impulsionados pela visão materialista do evangelho pregada por muitas igrejas atuais, que não perceberão os acontecimentos até que seja tarde demais. Neste ponto, é preciso ressaltar que o surgimento do sistema global e a própria aparição e atuação do anticristo não serão fatos repentinos e sim graduais. Para aqueles que não estão “acordados” ou vigiando espiritualmente e para aqueles que, mesmo sendo servos fiéis a Deus, não têm um conhecimento mais profundo dos detalhes proféticos, muitas vezes por falta de interesse em estudar esses assuntos, os acontecimentos tribulacionais, pelo menos no começo, serão quase imperceptíveis... A esse fato se alia a característica hipnotizadora que terá o anticristo sobre a população mundial, levando-o a ser apoiado até mesmo por lideranças e grupos que se denominam “cristãos”.
Como já comentamos, o anticristo e o seu sistema global surgirão trazendo soluções práticas para os grandes males que afligem a humanidade. Atualmente todos desejam que as coisas mudem. Até mesmo dentro de alguns grupos autodenominados cristãos, muitos anelam que o rumo dos acontecimentos mude, mas somente visualizam essa mudança a nível político, econômico e social e não relacionam essa mudança radical à segunda vinda de Cristo em glória. A grande maioria permanece sonolenta (sem vigiar), ao nem sequer cogitar a possibilidade do arrebatamento ocorrer em plena segunda vinda de Jesus e, consequentemente, ter que enfrentar a perseguição da besta e seu sistema durante a tribulação. Neste contexto encaixa-se perfeitamente a parábola das dez virgens (Mateus 25:1-13). No versículo 5 do texto em questão diz: “E tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram”. Note que as dez virgens possuíam lâmpadas, que são objetos fabricados para serem utilizados em meio à escuridão, o que podemos relacionar com o período tribulacional. Num determinado momento, enquanto elas dormiam devido à prolongada espera, um “aviso” as faz acordar.
Ao acordar para a realidade, o que podemos relacionar com um fato marcante e decisivo dentro da tribulação, talvez o momento decisivo de aceitar ou não a marca da besta ou o momento em que aparecer no céu o sinal de Jesus, a metade delas ainda possuía azeite para acender suas lâmpadas. Ou seja, apesar de terem dormido, eram virgens prudentes, que tinham guardado o combustível necessário para acender suas lâmpadas, mesmo que o noivo chegasse depois do que era teoricamente esperado. Nesta parábola, a figura da lâmpada se relaciona à vida espiritual e ao compromisso de cada cristão com Deus.
O azeite que permite que essa vida permaneça “acesa” é a presença e a atuação do Espírito Santo. É interessante observar nesta parábola que, mesmo aquelas virgens que tinham azeite, ou seja, cristãos que tem o Espírito Santo e vivem em comunhão com Deus, cochilaram e dormiram (v5). Será que cochilaram e dormiram por falta de comunhão com Deus ou por não serem cheias do Espírito Santo? De forma alguma, pois elas possuíam “azeite” para suas lâmpadas. O próprio Jesus explica por que elas cochilaram e dormiram: porque o noivo tardou. Ou seja, Jesus não voltou no momento em que elas esperavam e pensavam.
A parábola das dez virgens é um alerta importante para que essa posição seja reconsiderada, levando em consideração que o arrebatamento ocorra logo após a grande tribulação. Ao esperar o arrebatamento anterior a tribulação, muitos poderão "dormir", não julgando estarem na tribulação, pelo simples fato de não ter acontecido o arrebatamento pré-tribulacional. Todos vão acordar para a realidade em algum momento da tribulação. Naquele momento, será vista a diferença entre os cristãos verdadeiros, que apesar de não terem percebido o começo da tribulação, terão “azeite” espiritual para acender a suas lâmpadas, o que lhes permitirá atravessar a tribulação sem negar o nome de Cristo, mesmo que isso signifique a perseguição e morte física. Aqueles que não tiverem esse azeite, não poderão brilhar em meio à escuridão espiritual da grande tribulação, e serão tragados pelo sistema maligno ou até mesmo aceitarão os termos políticos e espirituais desse sistema, negando o nome de Cristo, só para manterem sua integridade física.
Concluindo, cremos que a exortação para “vigiar”, devido ao caráter inesperado e repentino da vinda de Cristo, se aplica com mais propriedade num ambiente tribulacional e de grandes provações para a Igreja. Hoje é relativamente fácil “vigiar” e manter-se acordado em meio à noite espiritual que impera no mundo. Existem inúmeras opções e denominações para aquele que deseja estar vigiando. Más, a medida que as horas forem passando, a noite se aprofundando, a confraternização entre os irmãos dando lugar à solidão do Getsemani, o arrebatamento não acontecendo no momento em que a maioria “espera” e “pensa”, quantos continuarão vigiando (esperando acordados) e perseverando na fé? Quantos hoje estão espiritualmente preparados para passar por momentos de tribulação semelhantes aos nossos irmãos primitivos?
Jesus deixou uma pergunta emblemática para o fim dos tempos: “...Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” Provavelmente, muitos neguem o nome de Jesus ao se depararem frente a frente com a tortura ou uma sentença de morte. Outros poderão dormir espiritualmente e aceitar a paz aparente e as explicações oferecidas pela besta. Baseados nesses princípios acreditamos que o chamado para permanecer vigilante em função da volta de Jesus é mais indicado numa realidade tribulacional.
Para finalizar, o último versículo citado no começo e que aborda o termo “vigiar”, encontra-se em Apocalipse 16:15. Ao ler o contexto desse aviso, vemos que ele está inserido pouco antes da batalha final do Armagedom, no momento culminante da sétima trombeta, ou seja, pouco antes da vinda de Jesus, que retornará ante a última trombeta para derrotar o anticristo na batalha final no Armagedom, salvar Israel de uma destruição iminente e instaurar o Milênio. Com que objetivo seria feito à Igreja esse último aviso para “vigiar” em função da volta de Cristo como ladrão na noite, se a Igreja já tivesse sido arrebatada da Terra sete anos antes...?
A volta de Jesus em glória será um evento inesperado para a maioria da população mundial (pessoas que desconhecem as verdades proféticas e serão facilmente manipuladas pelo anticristo, inclusive alguns cristãos materialistas ou desinformados), ocorrerá num momento impensado (para aqueles que não estão atentos aos sinais, mesmo sendo cristãos), e acontecerá de forma repentina (num abrir e fechar de olhos e num momento impossível de ser datado).
Cabe à igreja, o corpo de Cristo, vigiar e preparar-se para enfrentar a tribulação que se aproxima com a mesma atitude de nossos primeiros irmãos: mesmo diante da maior perseguição, eles não abriram mão de continuar fazendo a vontade de Deus e não deixaram de cumprir a direção deixada por Jesus de pregar o evangelho a toda criatura. Eles não possuíam qualquer idéia relacionada a um arrebatamento anterior à tribulação, até porque viviam em meio a uma tribulação atroz. Pelo contrário, aguardavam a volta de Cristo com poder e glória já em seus dias para livrá-los da tribulação e da perseguição romana. Ou seja, os cristãos da Igreja primitiva aguardavam a segunda vinda de Cristo para destruir o anticristo, que eles relacionavam a certos imperadores romanos, livrá-los da tribulação pela qual passavam, que seguramente era associada à “grande tribulação” profetizada por Jesus e instaurar o seu reino na Terra. Essa esperança dos irmãos primitivos fica exposta em passagens contidas nos livros de Paulo, João e Pedro.
O próprio apóstolo Paulo aguardava a volta do Mestre já em seus dias e chegou a cogitar a possibilidade de estar vivo quando a volta de Jesus em glória acontecesse, ao incluir-se entre os possíveis sobreviventes por ocasião desse acontecimento: “...e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro, depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens...” (I Tessalonicenses 4:13-18). Veja também I Coríntios 15:52. Se Paulo esperava o arrebatamento já em seus dias, e se ele vivia constantemente sob perseguição e tribulação, é obvio concluir que ele não possuía nenhuma idéia de arrebatamento anterior à tribulação e sim esperava o arrebatamento em meio à grande tribulação em que vivia. Ou seja, os cristãos primitivos não acreditavam que Jesus viria para “evitar” que eles entrassem no período de tribulação e sim que ele voltaria já em seus dias para tirá-los da tribulação.
Eles não eram “pré-tribulacionistas”! Cremos que essa deve ser a mesma atitude da Igreja nos últimos tempos. Esperar a vinda de Cristo em glória, mesmo em meio à mais terrível perseguição. A Igreja primitiva foi provada e aprovada. Acreditamos que provação semelhante virá sobre a Igreja nos últimos tempos. Será que os cristãos da Igreja atual estão preparados em todos os sentidos para tamanha perseguição?
COMO EVITAR TODAS AS COISAS QUE VIRÃO?
Em Lucas 21:36 existe uma passagem que poderia ser usada por um pré-tribulacionista para argumentar sua posição. A passagem em questão diz: “Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do Homem”.
Para entender melhor essa passagem, é preciso saber o contexto no qual ela está inserida. Jesus proferiu essas palavras após o sermão profético, no qual ele detalhou minuciosamente todos os grandes acontecimentos que teriam lugar após a sua morte e ressurreição até o final dos tempos. Muitos desses acontecimentos profetizados por Cristo começaram a ocorrer dentro daquela geração que o ouviu, como é o caso da destruição de Jerusalém e do templo (70 d.C.).
Como se trata de um verdadeiro resumo da história humana compreendida entre seu ministério e o final dos tempos, muitos eventos mencionados no sermão profético já aconteceram ou estão acontecendo. Note que Jesus fala de “evitar” todas as coisas profetizadas desde o começo do sermão, incluindo também eventos bem próximos a quando foi proferido (aproximadamente 30 d.C.). No entanto, nenhum arrebatamento em massa aconteceu desde aqueles dias até hoje. Portanto, evitar “todas as coisas que hão de acontecer”, algumas das quais já aconteceram, parece não significar arrebatamento e sim livramento sobrenatural em meio à crise. Por exemplo, durante a destruição de Jerusalém em 70 d.C., os cristãos , seguindo a exortação do Mestre, já esperavam que a cidade fosse destruída a qualquer momento e tomaram suas precauções.
Hoje é um fato histórico o baixo número de cristãos mortos durante aquela destruição específica. Analisando detalhadamente a história do povo de Deus através dos séculos, podemos observar que a palavra “evitar” proferida por Jesus em Lucas 21:36 não está relacionada com arrebatamento e sim com uma proteção em meio à tribulação. Quando estudamos a história do povo de Deus através dos séculos, observamos que esse “escape” pode se manifestar de duas formas: proteção física e proteção espiritual.
O escape físico ocorre quando, conhecedores da palavra profética, os servos de Deus sabem o que irá acontecer e se resguardam contra o mal, tal como sucedeu na destruição de Jerusalém. Pode também ser manifestado através de um livramento sobrenatural divino, como aconteceu no Egito durante o período das pragas, em que o povo escolhido não foi atingido fisicamente pelas pragas, mesmo estando no mesmo espaço físico que os egípcios. Note que o povo de Israel não foi arrebatado ou tirado do Egito durante as pragas, mas se manteve intacto de uma forma sobrenatural, o que deve acontecer com muitos escolhidos durante a tribulação do final dos tempos e suas pragas (selos, trombetas e taças).
Neste contexto, está inserida a promessa contida em Daniel 11:33-35: “E os entendidos entre o povo ensinarão a muitos; todavia cairão pela espada, e pelo fogo, e pelo cativeiro, e pelo roubo, por muitos dias. E, caindo eles, serão ajudados com pequeno socorro; mas muitos se ajuntarão a eles com lisonjas. E alguns dos entendidos cairão, para serem provados, purificados e embranquecidos, até o fim do tempo; porque será ainda para o tempo determinado”. Também vemos um cuidado especial para a Igreja nos últimos tempos na afirmação de Cristo mencionada em Mateus 24:22: “E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias”.
Quando o versículo menciona “salvação”, não se refere à salvação espiritual, pois ela independe dos danos físicos que uma pessoa possa sofrer num processo de tribulação (como fica patente no ministério dos apóstolos martirizados), e sim à preservação física de alguns cristãos durante a tribulação, para que se cumpra o profetizado na palavra: Na segunda vinda de Jesus, os mortos em Cristo ressuscitarão e os que estiverem vivos serão transformados, em ambos os casos recebendo um corpo glorificado e incorruptível.
A segunda forma de escape é a proteção espiritual. O maior dano que uma pessoa pode sofrer não é o sofrimento nem a morte física e sim a morte espiritual. Nas primeiras décadas após a morte e ressurreição de Cristo, mesmo seguindo à risca os avisos deixados pelo Mestre a respeito de perseguições e tribulações, muitos cristãos foram brutalmente torturados e assassinados. Muitos dos que tinham escapado da destruição em Jerusalém, acabaram morrendo nos circos romanos devorados por feras. Porém, por mais paradoxal que isso possa parecer, eles evitaram as coisas que haviam de acontecer! Não julgaram suas vidas físicas mais preciosas que a necessidade de transmitir a palavra de salvação, e ao não negarem o nome de Jesus, mesmo sob ameaça de morte, escolheram morrer por Cristo.
O próprio Jesus explica porque eles escaparam: “Qualquer que procurar salvar a sua vida, perdê-la-á, e qualquer que a perder, salvá-la-á” (Lucas 17:33). Se relacionássemos o escape profetizado por Cristo com o arrebatamento, estaríamos negando a eficácia da promessa de Jesus aos seus primeiros discípulos e apóstolos, pois ela se referia a um escape de todas as coisas que haveriam de acontecer, inclusive a perseguição, prisão e morte dos apóstolos. Eles não foram arrebatados. Antes, sofreram em seus próprios corpos a dor física da tortura e da morte violenta. Isso ocorreu na vida de Pedro, Paulo, Tiago, João e os principais líderes da Igreja primitiva.
Será que todos eles não estavam apercebidos para escaparem de todas as coisas profetizadas no sermão profético, entre as quais a própria prisão e morte? Será que eles não ouviram o Mestre falar que nenhum de seus cabelos se perderia diante da perseguição do mundo? Eles mais do que ninguém sabiam o que sucederia, no entanto não julgaram seus corpos físicos mais importantes que a mensagem que deveria ser anunciada! Eles poderiam ter desanimado e deixado de vigiar ao perceber que o arrebatamento e a segunda vinda não tinham acontecido. Eles também poderiam ter relacionado a promessa de "evitar todas as coisas que hão de vir" somente ao aspecto físico ou arrebatamento, gerando uma frustração ao não ver a sua manifestação imediata. Lembremos que o Mestre havia profetizado que "não perecerá um único cabelo de vossas cabeças" (Lucas 21:18). No entanto, eles estavam apercebidos da verdade e interpretaram de forma correta essa promessa de escape deixada por Cristo. Ao entregar suas próprias vidas pelo evangelho, eles receberam o maior de todos os escapes, que é o escape espiritual, com a garantia da glorificação corpórea por ocasião da volta de Jesus!
Cabe aqui perguntar aos cristãos da Igreja atual: estamos mais preocupados em não passar pela tribulação com medo de perder nossa integridade física ou em anunciar o evangelho até mesmo em meio à mais ferrenha perseguição, mesmo que isso signifique a destruição física de nossos corpos? Os líderes estão ministrando preparação espiritual para esses dias difíceis, onde a fé do cristão poderá ser provada até com a própria morte, ou estão mais interessados em ensinar o povo a reivindicar ou até mesmo “exigir” as bênçãos materiais, alimentando no povo a cobiça e o interesse exacerbado por coisas que o próprio Jesus disse que seriam automaticamente acrescentadas na vida do cristão que buscasse primeiramente o reino de Deus?
Outro argumento usado pelos pré-tribulacionistas seria o amor de Deus pela Igreja, fato que a tornaria isenta de passar a tribulação na face da Terra. Contudo, vemos através da história, e sobretudo no seio da Igreja primitiva, uma perseguição brutal contra os servos de Deus. Apesar da tribulação, eles permaneceram fiéis ao Senhor e cumprindo a sua vontade. No entanto não houve um deslocamento físico da Igreja com o objetivo de arrancá-la do meio da tribulação. Houve sim um posicionamento espiritual dos cristãos, que entenderam a necessidade de servir a Deus e pregar a sua palavra de salvação, mesmo que isso significasse dor e morte física.
A Igreja primitiva foi tão amada pelo Senhor quanto a Igreja atual, não obstante, ela viveu e cresceu em plena perseguição política, social e espiritual do Império Romano. Por que a Igreja nos últimos tempos estaria isenta de passar por esses momentos de provação e perseguição desencadeada pelo Império Romano restaurado (besta)? No sétimo capítulo do Apocalipse, João descreve uma visão maravilhosa dos servos de Deus de todos os tempos. Ele viu uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as tribos, povos e línguas. No versículo 14 fica explícito que esses cristãos eram os que haviam passado pela grande tribulação. De acordo com a palavra profética, a grande tribulação, de três anos e meio, ocorrerá no final dos tempos, imediatamente antes da segunda vinda de Jesus em glória.
VOCÊ ESTÁ PREPARADO PARA ESSA REALIDADE?
Se você ainda não se sente preparado para responder a essa pergunta, é tempo de entregar sua vida a Jesus. Ele disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim". Só com Jesus no coração e estando em perfeita comunhão com Deus e com a Sua vontade para sua vida, é que você poderá enfrentar os dias difíceis que se aproximam!
Maranata!
Nós da escola missionária nos apoiamos nos estudo do nosso amado irmão Josiel Rodrigues .Este matéria foi extraído do site http://www.projetoomega.com/home.htm
E editado pelo irmão Jesiel Rodrigues altor dos asuntos
Não esta sendo vendido, estamos pasando a você com intuito de que seu conhecimento esteja sempre aberto para a verdade. Pois Jesus esta voltando, por favor divulgue este site http://www.projetoomega.com/home.htm, e imprima os estudos para irmãos que ainda não posuem computadores.
Atenciosamente Escola Missionária WWW.escolamissionaria.net
Não posso agradecer ao Dr. EKPEN TEMPLE o suficiente por me ajudar a restaurar a alegria e a paz de espírito em meu casamento depois de muitos problemas que quase levam ao divórcio, graças a Deus que eu quis dizer o Dr. EKPEN TEMPLE no momento certo. Hoje posso lhe dizer que o Dr. EKPEN TEMPLE é a solução para esse problema em seu casamento e relacionamento. Entre em contato com ele em (ekpentemple@gmail.com)
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