quarta-feira, 24 de julho de 2013

DECLARAÇÃO DE JOSÉ DE ARIMATÉIA

DECLARAÇÃO DE JOSÉ DE ARIMATÉIA
CAPÍTULO 1
Eu sou José de Arimatéia, aquele que pediu a Pilatos o corpo do Senhor Jesus para
sepultá-lo, e que por este motivo se encontra agora acorrentado e oprimido pelos Judeus,
assassinos e rebeldes a Deus, os quais, além disso, tendo a lei em seu poder, foram a causa
de aflições para o próprio Moisés e, depois de enraivecer o legislador e de não haverem
reconhecido a Deus, crucificaram o Filho de Deus, coisa que ficou bem caracterizada para
quem conhecia a condição do Crucificado. Sete dias antes da paixão de Cristo, foram
enviados de Jericó ao governador Pilatos dois ladrões cujas culpas eram as seguintes:
O primeiro, chamado Gestas, costumava matar viajantes com a espada, ou deixava-os
nus. Quanto às mulheres, ele as pendurava pelos tornozelos, de cabeça para baixo, para
depois cortar-lhes os seios. Tinha predileção por beber o sangue das crianças. Nunca
conheceu a Deus, não obedecia às leis e, violento com era, vinha executando tais ações
desde o início de sua vida.
O segundo, por sua vez, chamava-se Dimas, era de origem galiléia e possuía uma
pousada. Assaltava os ricos, mas favorecia os pobres. Mesmo sendo ladrão, parecia-se a
Tobias, já que costumava sepultar os mortos. Dedicava-se a saquear a turba dos judeus.
Roubou os Livros da Lei em Jerusalém, deixou nua a filha de Caifás, que era na época a
sacerdotisa do santuário, e até mesmo furtou o depósito secreto, colocado por Salomão.
Tais eram seus feitos.
Também Jesus foi detido na tarde do dia 3 antes da Páscoa. E não havia festa nem para
Caifás nem para a turba dos judeus, mas sim uma enorme aflição, por causa do roubo do
santuário, que havia sido praticado pelo ladrão. Chamando a Judas Iscariotes, falaram com
ele. É necessário dizer que este era sobrinho de Caifás, não era discípulo sincero de Jesus,
mas havia sido dolosamente instigado por toda a turba de judeus para que o seguisse. E
isto, não com a finalidade de que se deixasse convencer pelas façanhas que Ele operava,
nem para que O reconhecesse, mas sim para apanhar-Lhe em alguma mentira. E por esta
gloriosa empreitada, davam-lhe presentes e um dracma de ouro por dia. Na época, já estava
há dois anos na companhia de Jesus, como disse um dos discípulos, chamado João.
Três dias antes de Jesus haver sido detido, Judas disse aos judeus:
— Eia! Usemos o pretexto de que não foi o ladrão que furtou os Livros da Lei, mas,
sim, Jesus em pessoa. Eu próprio comprometo-me a fazer a acusação.
Enquanto isto era dito, Nicodemus, encarregado das chaves do santuário, veio juntarse
a nós e dirigiu-se a todos, dizendo:
— Não façam tal coisa.
Sabe-se que Nicodemus era mais sincero do que todos os judeus juntos. Mas a filha de
Caifás, chamada Sara, disse aos gritos:
— Pois ele falou deste lugar santo na frente de todos: sou capaz de destruir este templo
e levantá-lo em três dias.
Ao que os judeus responderam:
— Damos-te todos os nossos votos de confiança, — já que tinham-na como profetisa.
Uma vez realizado consenso, Jesus foi detido.
CAPÍTULO 2
No dia seguinte, que era quarta-feira, levaram-nO ao palácio de Caifás à hora nona. E
Anás e Caifás perguntaram-Lhe:
— Ouve, por que roubaste nossa Lei e levaste a leilão público as promessas de Moisés
e dos profetas?
Jesus nada respondeu. E, diante de toda a assembléia reunida, indagaram dEle:
— Por que pretendes desfazer num único momento o santuário que Salomão erigiu em
quarenta e seis anos?
Jesus nada respondeu a esta pergunta. Sabe-se que o santuário da sinagoga havia sido
saqueado pelo ladrão. Mas ao cair a tarde de quarta-feira, a turba dispunha-se a queimar a
filha de Caifás porque os Livros da Lei se haviam perdidos e não sabiam como celebrar a
Páscoa. Mas ele lhes disse:
— Esperai, filhos, que mataremos este Jesus e encontraremos a Lei e a santa festa
celebrar-se-á com toda a solenidade.
Então Anás e Caifás entregaram às escondidas a Judas Iscariotes uma boa quantidade
de ouro e lhe confiaram a seguinte missão:
— Dize, conforme nos afirmastes: eu sei que a Lei foi furtada por Jesus, para que o
delito recaia sobre ele e não sobre esta irrepreensível donzela.
Quando se puseram de acordo neste particular, Judas disse-lhes:
— Que o povo não saibas que me haveis dado instruções para fazer isto contra Jesus. É
melhor soltá-lo e eu me encarregarei de convencer o povo de que a coisa é assim.
Assim, astutamente puseram Jesus em liberdade.
Assim, então, quinta-feira, ao amanhecer, Judas entrou no Santuário e disse a todo o
povo:
— Que me dareis se eu entregar aquele que fez desaparecer a Lei e roubou os Profetas?
Os judeus responderam:
— Se o entregares, dar-te-emos trinta moedas de ouro.
O povo não sabia, porém, que Judas se referia a Jesus, já que muitos reconheciam que
era o filho de Deus. Então Judas ficou com as trinta moedas de ouro. Tendo saído durante a
quarta e a quinta hora, encontrou Jesus passeando no átrio. Já estando a tarde por cair, disse
aos judeus:
— Dai-me uma escolta de soldados armados de espadas e paus e eu pô-lo-ei em vossas
mãos.
Deram-lhe, então, força para prendê-lo. Enquanto iam caminhando, Judas disse-lhes:
— Agarrai aquele a quem eu beijar, pois terá sido ele quem roubou a Lei e os Profetas.
Depois aproximou-se de Jesus e beijou-O dizendo:
— Salve, Mestre.
Era então a tarde de sexta-feira. E, uma vez preso, puseram-nO nas mãos de Caifás e
dos pontífices, dizendo-lhes Judas:
— Este é aquele que furtou a Lei e os Profetas.
Os judeus, então, submeteram Jesus a um injusto interrogatório, dizendo:
— Por que fizeste isto? — mas ele nada respondeu.
Então, Nicodemus e eu, José, diante daquela cátedra de pestilência, separamo-nos
deles, dispostos que estávamos a não perecer juntamente com o conselho dos ímpios.
CAPÍTULO 3
E depois daquela noite fizeram outras coisas terríveis contra Jesus; na madrugada de
sexta-feira foram entregá-lo ao governador Pilatos para crucificá-lo; e com este intuito
todos acorreram. E o governador Pilatos, depois de interrogá-lo, ordenou que fosse
crucificado na companhia de dois ladrões. E foram crucificados, juntamente com Jesus, à
esquerda, Gestas, à direita, Dimas.
E o da esquerda começou a gritar, dizendo a Jesus:
— Olha quantas coisas más fiz sobre a terra, e até se soubesse que tu eras rei, teria
acabado também contigo. Por que te chamas a ti mesmo de Filho de Deus, se não podes
socorrer-te em caso de necessidade? Como, então, prestarás auxílio a qualquer um que o
peça? Se tu és o Cristo, desce da cruz para que eu possa crer em ti. Mas, neste momento
não te considero como homem, senão como uma besta selvagem que está perecendo
juntamente comigo.
E começou a dizer muitas outras coisas contra Jesus enquanto blasfemava e fazia
ranger os dentes contra Ele, pois o ladrão tinha sido preso no laço do diabo.
Mas o da direita, cujo nome era Dimas, vendo a graça divina de Jesus, gritava deste
modo:
— Conheço-te, ó Jesus Cristo, e sei que és o Filho de Deus. Vejo-Te como Cristo
adorado por miríades de anjos. Perdoa os pecados que cometi. Não faças os astros virem
contra mim no momento do meu julgamento, ou a lua, quando julgares toda a terra, posto
que foi à noite que realizei meus maus propósitos. Não movas o sol, que agora escurece por
Ti, para que eu possa manifestar as maldades de meu coração. Já sabes que não posso
oferecer-Te presente algum pela remissão dos meus pecados. A morte já se joga em cima
de mim por causa das minhas maldades, mas Tu tens o poder para expiá-las. Livrai-me,
Senhor universal, do teu terrível julgamento. Não concedas ao inimigo poder para engolirme
e fazer-se herdeiro de minha alma, como o é desse que está pendurado à esquerda, pois
estou vendo como o diabo recolhe sua alma, enquanto suas carnes desaparecem. Tampouco
me ordenes passar para o lado dos judeus, pois vejo-os submergir num grande pranto a
Moisés e aos profetas, enquanto o diabo se ri às suas costas. Senhor, antes que minha alma
saia, ordena que meus pecados sejam apagados e lembra-te de mim, pecador, em teu reino,
quando julgares as doze tribos por sobre o trono grande e alto, pois é grande e tormento que
preparaste para o teu mundo por tua própria causa.
E, quando o ladrão terminou de dizes isto, Jesus respondeu-lhe:
— Em verdade, em verdade digo-te, Dimas, que hoje mesmo estarás comigo no
paraíso. Mas os filhos do reino, os descendentes de Abraão, de Isaac, de Jacó e de Moisés
serão arremessados fora, para as trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. Mas
tu serás o único que habitará o paraíso até a minha segunda vinda, quando julgarei aqueles
que não reconheceram meu nome.
E acrescentou:
— Vai agora e dize aos querubins e aos anjos da sexta hierarquia, que estão brandindo
a espada de fogo e guardando o paraíso de Adão, a primeira das criaturas, que depois de ter
vivido ali foi arremessado por haver prevaricado e por não ter guardado meus
mandamentos: nenhum dos primeiros verá o paraíso até que eu venha de novo para julgar
os vivos e os mortos. Assim disse Jesus Cristo, o Filho de Deus, aquele que desceu das
alturas dos céus, aquele que saiu inseparavelmente do seio do Pai invisível e desceu ao
mundo para encarnar-se e ser crucificado para salvar Adão, a quem formou, para
conhecimento das milícias dos arcanjos, guardiões do paraíso e ministros de meu Pai.
Quero e ordeno que adentre aquele que está crucificado comigo, e que receba por mim a
remissão de seus pecados e que entre no paraíso com o corpo incorruptível e engalanado, e
que habite onde ninguém jamais poderá habitar.
E eis que, quando disse isto, Jesus entregou seu espírito. Isto aconteceu numa sextafeira,
à nona hora. As trevas cobriram a terra inteira e sobreveio um grande terremoto que
derrubou o santuário e o pináculo do templo.
CAPÍTULO 4
Então eu, José, reclamei o corpo de Jesus e coloquei-o num sepulcro novo, ainda não
usado. O cadáver daquele que estava à direita não pôde ser encontrado, enquanto que o da
esquerda tinha adquirido o aspecto de um dragão. Pelo fato de ter pedido o corpo de Jesus
para dar-lhe sepultura, os judeus, deixando-se levar por um impulso de cólera,
encarceraram-me no mesmo lugar onde se costumava colocar os malfeitores. Isto
aconteceu-me na tarde do Sabat em que nossa nação estava prevaricando. Quantas terríveis
atribulações este Sabat infligiu à nossa mesma nação!
Precisamente na tarde do primeiro dia da semana, na quinta hora, quando me
encontrava na prisão, Jesus veio ter comigo, acompanhado daquele que tinha sido
crucificado à sua direita e a quem enviara ao paraíso. Havia uma grande luz no recinto.
Imediatamente a casa ficou suspensa em seus quatro ângulos, o espaço interior ficou e eu
pude sair. Então reconheci primeiro a Jesus e depois ao ladrão, que trazia uma carta para
Jesus. Enquanto caminhávamos até a Galiléia, brilhou uma luz tamanha que a criação não
podia suportá-la. O ladrão, por sua vez, exalava um forte perfume procedente do paraíso.
Depois, Jesus sentou-se e leu assim:
— Os querubins e os hexaptérigos receberam de tua divindade a ordem de guardar o
jardim do paraíso. Soubemos disto pelo ladrão que foi crucificado juntamente Contigo, por
tua disposição. Ao ver nele o sinal dos pregos e o resplendor das letras da tua divindade, o
fogo extinguiu-se, já que não podia suportar o sinal ofuscante. Nós, tomados de um grande
temor, ficamos amedrontados, pois ouvimos o autor do céu e da terra e da criação inteira
que descia das alturas até as partes mais baixas da terra por causa de Adão, a primeira das
criaturas. Ao ver a cruz imaculada, que fulgurava em meio ao ladrão e que fazia reverberar
um resplendor sete vezes maior que o do sol, um grande temor apoderou-se de nós, presas
da agitação dos infernos. E nós e os ministros do inferno, em coro, dissemos aos brados:
"Santo, Santo, Santo é Aquele que impera nas alturas". E as divindades deixavam escapar
este grito: "Senhor, Tu Te manifestaste no céu e sobre a terra, dando a alegria dos séculos,
depois de ter salvo a própria criatura da morte".
CAPÍTULO 5
Enquanto eu ia contemplando isto, a caminho da Galiléia, em companhia de Jesus e do
ladrão, Aquele transfigurou-se e já não era o mesmo de antes da crucificação, senão que era
luz por completo. Os anjos serviam-no continuamente, e Jesus mantinha conversação com
eles. Passei por três dia ao seu lado, sem que nenhum dos seus discípulos O acompanhasse,
mas tão somente o ladrão.
Em meio à festa dos ázimos, veio o seu discípulo João, e até então não havíamos visto o
ladrão nem sabíamos o que tinha sido feito dele. João então perguntou a Jesus:
— Quem é este, já que ainda não mo permitiste vê-lo?
Mas Jesus não respondeu nada. Então ele atirou-se aos seus pés e disse:
— Senhor, sei que desde o princípio me amaste. Por que não me fazes ver aquele
homem?
Jesus disse-lhe:
— Por que vais em busca do mistério? És obtuso de inteligência? Não sentes o perfume
do paraíso que inundou este lugar? Não percebes quem era? O ladrão suspenso da cruz
tornou-se herdeiro do paraíso. Em verdade, em verdade te digo que somente ele o é até que
chegue o grande dia.
E João disse:
— Faze-me digno de vê-lo".
Enquanto João ainda estava falando, o ladrão apareceu de repente. Então aquele,
atônito, caiu ao chão. O ladrão não conservava a mesma figura que tinha antes da chegada
de João, mas parecia-se com um rei majestoso ao extremo, engalanado como estava com a
cruz. Ouviu-se uma voz, emitida por uma grande multidão, que dizia assim:
— Chegaste ao lugar do paraíso que te havia sido preparado. Nós fomos designados
por Aquele que te enviou para servir-te até que venha o grande dia.
Ao produzir-se esta voz, o ladrão e eu ficamos invisíveis. Então encontrei-me em
minha própria casa e já não via Jesus.
Tendo sido testemunha ocular destas coisas, deixei-as escritas para que todos acreditem
em Jesus Cristo crucificado, nosso Senhor, e já não sirvam à Lei de Moisés, senão que
dêem crédito aos milagres e maravilhas operados por Ele, de maneira que, crendo, sejam
herdeiros da vida eterna e possamos encontrar-nos todos no reino dos céus. Porque a Ele
lhe convém glória, força, bem-aventurança e majestade pelos séculos dos séculos. Amém.

Aparições de Jesus após a ressurreição

Aparições de Jesus após a ressurreição




Por Tintoretto.
As principais aparições de Jesus nos evangelhos canônicos (e, em menor extensão, nos demais livros do Novo Testamento) ocorreram após a sua morte, sepultamento e ressurreição, mas antes da ascensão1 . Entre essas fontes primárias, os estudiosos acreditam que I Coríntios foi escrita primeiro2 , por Paulo de Tarso e Sóstenes, por volta de 55 d.C.3 . Finalmente, o Evangelho dos Hebreus reconta a aparição pós-ressurreição à Tiago, irmão de Jesus4 .
Paulo lista diversas aparições pós-ressurreição de Jesus para várias pessoas, mas não as descreve. No Evangelho de Mateus, Jesus aparece para Maria Madalena e outra Maria em seu túmulo vazio. Posteriormente, os onze discípulos vão para uma montanha na Galileia para se encontrar com Jesus, que lhes aparece e comanda que eles batizem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e também que façam discípulos em todos os povos (a chamada Grande Comissão).
No Evangelho de Lucas, Jesus aparece para os discípulos e ceia com eles, demonstrando que ele é de fato de carne e osso (veja Discípulos de Emaús), e não um ser imaterial. Ele lhes pede que esperem em Jerusalém pelo começo de sua missão pelo mundo e então ascende aos céus. Nos Atos dos Apóstolos, escrito pelo mesmo autor de Lucas, Jesus aparece para os seus discípulos após a sua morte e fica com eles por quarenta dias antes de ascender. Os Atos também descrevem uma aparição de Jesus a Paulo, na qual uma voz poderosa fala ao apóstolo e uma luz o cega na estrada para Damasco. No Evangelho de João, apenas "Maria" encontra Jesus no túmulo vazio e ele pede que ela não o toque (veja Noli me tangere), pois ainda não ascendeu ao Pai. Posteriormente, Jesus aparece para os discípulos. Ele atravessa uma porta fechada e pede que Tomé toque as suas chagas para demonstrar que é de carne e osso. Numa aparição posterior, Jesus dá a Pedro o papel de conduzir suas ovelhas, ou seja, o papel de liderar os discípulos. O tradicional capítulo final de Marcos sumariza as aparições pós-ressurreição de Mateus e Lucas.
Índice

Jesus encarrega Pedro de cuidar de seu rebanho.
Por Rafael, atualmente no V&A, em Londres.
Mateus 28[editar]
Quando Maria Madalena e "a outra Maria" estavam correndo do túmulo vazio para informar os demais discípulos que Jesus estava vivo, ele pede que elas os instruam a irem para a Galileia para encontrarem com ele (Mateus 28:10).
A aparição aos onze apóstolos numa montanha na Galileia (vide Grande Comissão).
Lucas 24[editar]
No Encontro na estrada para Emaús, com Cléopas e seu companheiro. A princípio os "olhos deles não o puderam reconhecer", mas depois, no jantar em Emaús, "seus olhos se abriram" e eles o reconheceram. Neste trecho, Jesus é reconhecido ao "partir o pão". B. P. Robinson argumenta que isto significa que o reconhecimento ocorreu durante a refeição5 , mas Raymond Blacketer acrescenta que "Muitos, talvez mesmo a maioria, dos comentarias, antigos, contemporâneos e os intermediários, enxergam nesta revelação da identidade de Jesus na partilha do pão uma espécie de referência ou implicação eucarística"6 .
Para Simão Pedro. Esta aparição não é descrita diretamente por Lucas, mas é relatada por outros apóstolos. Não está claro se ela ocorreu antes ou depois das aparições em Emaús.
Aos onze, juntos com alguns outros (inclusive Cléopas e seu companheiro), em Jerusalém.
João 20–21[editar]
Para Maria Madalena. A princípio, ela não o reconhece e o confunde com o jardineiro. Quando ele a chama, ela o reconhece.
Aos discípulos (menos Tomé) naquele mesmo dia. Eles estavam dentro de casa com medo da perseguição dos judeus. Jesus entrou e foi até o meio deles, mesmo estando a porta trancada.
Aos discípulos, inclusive Tomé, chamado "Dídimo". Esta aparição ocorreu uma semana depois, novamente em ambiente fechado, e o evento ficou conhecido como a Dúvida de Tomé.
A "Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná na Galileia, os filhos de Zebedeu e dois outros discípulos", às margens do Lago Tiberíades, imediatamente antes do milagre da pesca dos 153 peixes. O discípulo amado estava presente neste grupo (supostamente João Evangelista, que era um dos filhos de Zebedeu).
Marcos 16[editar]
Ver artigo principal: Marcos 16
No chamado "final mais longo de Marcos", há três aparições:
Para Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e Maria Salomé (as chamadas Três Marias).
Para dois dos discípulos, quando eles estavam caminhando no campo (Jesus "manifestou-se sob outra forma").
Aos onze, durante uma ceia.
Este capítulo de Marcos difere substancialmente nos diversos manuscritos antigos e os acadêmicos são quase unânimes em afirmar que esta parte final de Marcos, na qual todas as aparições pós-ressurreições estão, é uma adição posterior e não estava presente na versão original do Evangelho de Marcos7 . Eles também enxergam a ausência de relatos sobre aparições em Marcos (exceto neste final adicionado posteriormente) como tendo uma importância teológica. Richard Burridge compara o final de Marcos com o seu início:
A narrativa de Marcos na forma que chegou até nós termina de forma tão abrupta quanto começa. Não há introdução e nem contexto para a chegada de Jesus, assim como não há nada na sua partida. Ninguém sabe de onde ele veio, ninguém sabe para onde ele foi e foram poucos os que o compreenderam enquanto ele esteve aqui
 
— Richard A. Burridge, Four Gospels, One Jesus? A Symbolic Reading8
Harmonia evangélica[editar]



Dúvida de Tomé.
1601-02. Por Caravaggio, atualmente no Sanssouci, em Potsdam, na Alemanha.
Um exemplo de harmonia evangélica está na tabela abaixo. Para manter a consistência, ela foi selecionada automaticamente da tabela principal do artigo Harmonia evangélica:
Número Evento Mateus Marcos Lucas João
1 Três Marias Mateus 28:1 Marcos 16:1 Lucas 24:1
2 Túmulo vazio Mateus 28:2-8 Marcos 16:2-8 Lucas 24:2-12 João 20:1-13
3 Ressurreição de Jesus Mateus 28:9-10 Lucas 24:1-8 João 20:14-16
4 Noli me tangere João 20:17-17
5 Encontro na estrada para Emaús Marcos 16:12-13 Lucas 24:13-32
6 Aparições de Jesus após a ressurreição Lucas 24:36-43 João 20:19-20
7 Grande Comissão Mateus 28:16-20 Marcos 16:14-18 Lucas 24:44-49 João 20:21-23
8 Dúvida de Tomé João 20:24-29
9 Ascensão de Jesus Marcos 16:19-20 Lucas 24:50-53
Outras aparições no Novo Testamento[editar]

Atos


Conversão de Paulo.
1527-8. Por Parmigianino, atualmente no Kunsthistorisches Museum, em Viena.
Para Igreja em Jerusalém — quarenta dias após a ressurreição, quando ele então ascendeu para o céu deixando a profecia de que retornaria (Atos 1:1-11).
Para Saulo (Paulo), na estrada para Damasco, embora, de acordo com o texto, foi um voz e não uma visão, pois o apóstolo foi cegado por uma luz (Atos 9:3-9, Atos 22:6-11, Atos 26:12-18). Além disso, Paulo também teria visto Jesus falando quando estava em transe (Atos 22:17-21).
Estevão viu Jesus antes de seu martírio (Atos 7:55).
Pedro também ouviu a voz de Jesus quando estava em transe (Atos 10:9-16 e Atos 11:4-10).
I Coríntios 15[editar]
«e que apareceu a Cefas e então aos doze.» (I Coríntios 15:5)
«...apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez...» (I Coríntios 15:6)
«depois apareceu a Tiago, então a todos os apóstolos» (I Coríntios 15:7)
«e por último de todos apareceu também a mim» (I Coríntios 15:8-9) (também em I Coríntios 9:1)
O relato de Paulo nestes trechos parece representar uma forma de credo pré-paulino derivado das primeiras comunidades cristãs9 : a antiguidade do credo foi comprovada por muitos acadêmicos bíblicos como se originando menos de uma década depois da morte de Jesus, na comunidade apostólica de Jerusalém10 . Sobre este credo, Campenhausen escreveu "Este relato cumpre todos os critérios de confiabilidade histórica que podem ser impostos a um texto como esse"11 , enquanto que A. M. Hunter diz "A passagem, assim, preserva um testemunho primitivo e verificável. Ele cumpre todas as demandas razoáveis de confiabilidade histórica"12 . Pelo caminho inverso, Robert M. Price e Hermann Detering afirmaram que I Coríntios 15:3-4 não era um credo cristão primitivo, mas apenas um interpretação pós-paulina13 14 .
Porém, de acordo com o acadêmico judeu Geza Vermes, em sua obra The Resurrection (2008), estes versos não são interpolações e foram de fato escritos por Paulo no início da década de 50 do século I. Vermes diz que as palavras de Paulo são "uma tradição que ele herdou dos que eram mais antigos que ele na fé na morte, sepultamento e ressurreição de Jesus"15 . De acordo com a Epístola aos Gálatas, também de Paulo, ele já havia encontrado duas pessoas mencionadas nestes versos como testemunhas da ressurreição: Tiago, o Justo e Cefas (Simão Pedro):
«Então depois de três anos subi a Jerusalém para visitar a Cefas, e com ele me demorei quinze dias;
mas dos apóstolos não vi a nenhum, senão a Tiago, irmão do Senhor.» (Gálatas 1:18-19)

Apocalipse[editar]
Ver artigo principal: Visão de João do Filho do homem
João de Patmos teve uma visão de Jesus ressuscitado conforme a descrição em Apocalipse 1:12-20. De acordo com Apocalipse 1:11, o Filho do homem visto por João é o mesmo que estava escrevendo as cartas para as sete igrejas da Ásia nos capítulos 2 e 3. Em Apocalipse 2:8, nesse ínterim, ele chama a si mesmo de "o primeiro e o último, que foi morto e tornou a viver".
Aparição para Maria Madalena[editar]



Noli me tangere.
1525. Por Corregio, atualmente no Museu do Prado, em Madrid.
Mateus afirma que Jesus apareceu para Maria Madalena e "outra Maria" quando elas retornavam para contar aos discípulos sobre o túmulo vazio. Marcos nada fala sobre o assunto, enquanto que João, por outro lado, apresenta um relato completamente diferente. Nele, há um paralelo com o relato dos evangelhos sinóticos da primeira visita ao túmulo, embora, em João, Maria já o tinha visitado antes e Pedro também já o tinha inspecionado. Ao contrário da primeira visita, a segunda, em João, é muito mais parecido com relato sinótico, com Maria espiando o túmulo e vendo dois anjos lá dentro, vestidos de um branco brilhante. Questionada por eles sobre a sua preocupação com o túmulo estar vazio, Maria se vira e vê Jesus, de acordo com João.
O motivo pelo qual João descreve Maria andando à volta do túmulo é desconhecida. Agostinho de Hipona propôs que "quando os homens foram embora, uma forte afeição manteve o sexo fraco firme no lugar". Bruce sugeriu que Maria estava esperando que alguém passasse por ali para lhe dar alguma informação, ainda que o motivo de ela não ter procurado José de Arimateia, o dono do túmulo, para isso permaneça como uma dúvida óbvia. Uma teoria é que José estaria tão acima de Maria em termos de classe social que não seria correto que ela o perturbasse. Porém, uma solução mais óbvia foi apresentada por Schnackenberg: a versão de João no Codex Sinaiticus relata Maria esperando dentro do túmulo e não fora dele e esta poderia ser a versão original. O motivo de ela estar esperando, contudo, permanece em aberto.
João relata Maria chorando e ambos os anjos a tratam por "mulher" e então perguntam o motivo do choro. O tratamento não é tão rude quanto possa parecer à primeira vista, uma vez que o termo original em grego - gynai - era a forma polida de tratamento para uma mulher adulta. Enquanto que os evangelhos sinóticos demonstram conhecer as crenças judaicas - com as pessoas aparecendo chocadas e temerosas em relação aos anjos - João não demonstra nada disso, relatando Maria respondendo de maneira natural. Alguns acreditam que o motivo foi que Maria não os teria reconhecido como anjos, por causa de sua tristeza e das lágrimas, enquanto que outros encaram o tema como parte de uma discussão maior sobre a autoria das obras joaninas. A conversa é significativamente diferente no relato dos sinóticos, com os anjos sendo muito breves e não dando pista alguma sobre a ressurreição, algo que fez com que Calvino argumentasse que João estaria apenas incluindo o necessário para suportar a tese da ressurreição. Neste ponto, os anjos abruptamente desaparecem da narrativa e João e os sinóticos voltam novamente a concordar sobre a ordem dos eventos.
Noli me tangere[editar]
Ver artigo principal: Noli me tangere
O que Jesus quis dizer com «Não me toques; porque ainda não subi ao Pai» (João 20:17) tem sido tema de grande debate. A frase em latim, Noli me tangere ("Não me toque"), se tornou muito conhecida como referência à esta passagem nas traduções do Evangelho de João, palavras que parecem contradizer o convite de Jesus, mais adiante no mesmo capítulo de João, para que Tomé Dídimo tocasse suas mãos e seu corpo (Dúvida de Tomé, em João 20:27) e com o relato em Mateus 28:1-9, onde Maria e "a outra Maria" agarram os pés de Jesus.
Há uma grande variedade de soluções propostas, com a mais simples propondo alguma forma de corrupção do texto. A tese defende que a palavra "Não" não estava originalmente no trecho, enquanto que W.E.P Cotter propôs que o texto original trazia a palavra "tema" ao invés de "toque" (ou seja, "Não tenha medo") e W.D. Morris propôs que o original seria "Não tenha medo de me tocar".
Não há, porém, nenhum manuscrito que evidencie essas sugestões e, por isso, a maior parte dos acadêmicos se concentra em argumentos não textuais. Kraft propôs que seria contra o ritual judaico da época tocar num cadáver e Jesus estaria reforçando isso considerando-se morto, enquanto C. Spicq propôs que Jesus via a si mesmo como um sumo-sacerdote judeu, que não deveria ser "manchado" pelo contato físico. Outros ainda propuseram que Maria estaria sendo lembrada a ter fé e não buscar provas físicas.
Estas soluções não textuais negligenciam o fato de que João posteriormente descreve Tomé como tendo sido encorajado por Jesus a tocar as suas chagas, aparentemente contradizendo os argumentos anteriores. Consequentemente, outras propostas se baseiam em Jesus tentando defender alguma forma de "propriedade" inerente à sua nova forma, com João Crisóstomo16 e Teofilacto argumentando que Jesus pedia mais respeito. A noção de "propriedade" defendida por alguns está ligada à ideia de que seria inapropriado para uma mulher tocar Jesus e que não haveria problema de um homem, como Tomé, fazê-lo. Kastner argumentou que Jesus estaria nu, uma vez que as suas mortalhas estavam ainda jogadas no túmulo vazio, e, por isso, João estaria retratando Jesus como se preocupando para que ela não ficasse tentada por seu corpo.
H.C.G. Moule sugeriu que Jesus estaria simplesmente reafirmando para Maria que ele estava firmemente na Terra e que ela não precisava de mais provas disso, enquanto que outros sugeriram que Jesus estava preocupado em não perder tempo, instruindo Maria a "não perder tempo me tocando e ir logo avisar os discípulos". Barret sugeriu que como Jesus proibiu Maria de tocá-lo "por não ter ascendido ao Pai", ele poderia tê-lo feito antes do encontro com Tomé (e depois do encontro com Maria), retornando do céu para o encontro com Tomé. Porém, esta visão implica que este encontro seria uma forma de "segunda" visita à Terra, o que traz ainda mais problemas do ponto de vista teológico, incluindo uma forma de Segunda Vinda, e é, por isso, descartada pela maioria dos cristãos. João Calvino argumentou que Maria Madalena (e a outra Maria) teriam começado a se dependurar em Jesus, como que se tentassem mantê-lo preso à Terra e, por isso, Jesus pediu-lhes que parassem. Alguns afirma que Jesus queria mostrar a Tomé evidências suficientes para vencer sua descrença, o que para Maria não era um problema, demonstrando assim uma compreensão do que realmente seria necessário para convencer cada um dos indivíduos.


Ressurreição de Jesus.
1499-1502. Por Rafael, atualmente no Museu de Arte de São Paulo.
A frase era um dos principais argumentos nos debates inicias sobre a cristologia, sugerindo aparentemente uma forma de intangibilidade de Jesus - uma visão defendida atualmente por Bultmann - e, assim, aparentemente defendendo o docetismo (uma visão de que o corpo de Jesus não teria sido ressuscitado como um objeto físico - "Não me toques [por não és capaz]"). Este argumento se contradiz com a ênfase geral no resto do relato de João contra o docetismo e, assim, os que consideram João como deliberadamente polêmico tendem, ao invés disso, a considerar o trecho como um ataque a Maria. Os gnósticos frequentemente enxergavam Maria Madalena como sendo maior que os demais discípulos e muito mais próxima de Jesus, tanto no nível espiritual quanto no pessoal, do que ele. Assim, ao mostrar Jesus tratando-a com desdém, ele estaria questionando o respeito e a ênfase que o gnosticismo depositava nela. O mesmo acontece na forma como Tomé Dídimo aparece como duvidando que Jesus estaria fisicamente ali até que pudesse confirmar de fato, pois os gnósticos também viam nele um grande mestre que recebeu diversas revelações e, supostamente, defendida o docetismo.
Outras visões[editar]

Ver artigo principal: Visões de Jesus e Maria
Críticos sugeriram que Jesus pode ter existido e que os eventos relatados na Bíblia podem ter acontecido, mas foram mal interpretados pelos seus seguidores. James A. Keller questiona a confiabilidade das aparições pós-ressurreição, alegando: "Tudo o que temos é o relato de outras pessoas sobre o que as testemunhas supostamente viram e estes relatos são, tipicamente, sem detalhes e foram escritos muitos anos depois. Assim, o historiador que quiser entender o evento da ressurreição terá de usar relatos tardios, sem detalhes e de segunda mão sobre o que as testemunhas viram e, a partir deles, tentar determinar o que o evento da ressurreição de fato foi"17 .
Uso litúrgico[editar]

Na Igreja Ortodoxa, as aparições pós-ressurreição de Jesus que aparecem nos quatro evangelhos são lidas nas Matinais num ciclo de onze semanas de leituras evangélicas, conhecido como "As Onze Matinais Evangélicas".
Aparições relatadas fora do Novo Testamento[editar]



Êxtase de Santa Teresa de Ávila.
Por João de Deus Sepúlveda, atualmente na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, em Recife.
Evangelho dos Hebreus[editar]
No Evangelho dos Hebreus, Jesus aparece para Tiago, o Justo18 .
O Livro de Mórmon[editar]
Na teologia da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Jesus aparece aos habitantes das Américas após a sua ressurreição em Jerusalém, conforme relatado no Livro de Mórmon (começando em 3 Nephi 11).
Aparições pós-ascensão e o catolicismo romano[editar]

Com a possível exceção das aparições a Paulo e a Ananias em Atos 9, Atos 22 e Atos 26, a Pedro em Atos 10, Atos 11, e a João em Apocalipse 1, a Bíblia só relata aparições de Jesus antes da ascensão de Jesus. Ainda assim, diversas visões de Jesus e de Maria pós-ascensão foram reportadas após o Apocalipse ter sido escrito, algumas ainda neste século. A Santa Sé só endossa uma fração dessas alegações, com alguns dos visionários tendo sido beatificados ou santificados. Porém, não é requerido que os católicos acreditem nestas visões.
E, apesar da esperada controvérsia, as visões pós-ascensão de Jesus e da Virgem Maria tiveram, na realidade, um papel preponderante na direção da Igreja Católica, como é o caso da fundação da ordem dos franciscanos, a devoção do Santo Rosário, da Santa Face de Jesus e do Sagrado Coração de Jesus.
A sagrada Congregação para a Doutrina da Fé no Vaticano publicou um detalhado conjunto de passos para "julgar alegadas aparições e revelações" de suposta origem sobrenatural. A Santa Sé realmente reconhece umas poucas conversações pós-ascensão com Jesus. Como exemplo, a biografia vaticana de Santa Teresa de Ávila claramente se refere ao seu dom de locução interior e suas conversas com Jesus19 . Da mesma forma, a biografia de Santa Faustina Kowalska vai além, não apenas relatando a existência das conversas, mas citando-as20 .
As aparições pós-ascensão podem ser classificadas em três grupos:
Locuções interiores, sem contatos visuais (ex.: Santa Teresa de Ávila).
Visões, onde se alega não só o contato visual, mas também o físico (ex.: Santa Margarida Maria Alacoque).
Ditados, quando grandes quantidades de texto são produzidas (ex.: Maria Valtorta).
Além de stigmata, não há relatos de artefatos físicos tendo sido produzidos pelas aparições pós-ascensão de Jesus.
Como padrão histórico, a aprovação da Santa Sé de uma visão geralmente ocorre após a aceitação geral da mesma por mais de um século. Porém, algumas devoções católicas seguiram um caminho mais rápido, como o caso da Medalha da Santa Face, que é baseada numa visão ocorrida em 1936 pela irmã Maria Pierina, e que foi aprovada pelo papa Pio XII em 1958.
Ver também[editar]


O Commons possui uma categoria com multimídias sobre Aparições de Jesus após a ressurreição
Ressurreição de Jesus na arte
Referências

? A saber: Mateus 28:8-20, Marcos 16:9-20 (see also the article on Marcos 16), Lucas 24:13-49, João 20:11–21:25, Atos 1:1-11 e I Coríntios 15:3-9.
? Harris, Murray J. The Expositor's Bible Commentary, Vol. 10, Grand Rapids: Zondervan, 1976, p. 307
? The First Letter to the Corinthians
? Além disso, o Evangelho dos Hebreus, recentemente traduzido para o grego e o latim, afirma que, após a ressurreição: "Agora o Senhor, após ter entregado sua mortalha ao servo do sacerdote, apareceu a Tiago, pois Tiago havia jurado que não comeria pão a partir do momento em que bebeu do cálice do Senhor até que ele O visse novamente, ressuscitado dos mortos". Um pouco mais adiante, o Senhor diz: "traga uma mesa e pão". E, imediatamente, acrescenta: "Ele tomou o pão, o abençoou, partiu-o e o deu a Tiago, o Justo, dizendo-lhe: 'Meu irmão, coma o pão, pois o Filho do homem ressuscitou dos mortos.". Jerome, Vir.ill., 2 Google Link
? B. P. Robinson, "The Place of the Emmaus Story in Luke-Acts," NTS 30 [1984], 484.
? Raymond A. Blacketer, "Word and Sacrament on the Road to Emmaus: Homiletical Reflections on Luke 24:13-35," CTJ 38 [2003], 323.
? D. C. Parker, The Living Text of the Gospels (Cambridge: Cambridge University Press, 1997), p. 125; um comentário do século XII sobre Mateus e Marcos também termina em Marcos 16:8.
? Richard A. Burridge, Four Gospels, One Jesus? A Symbolic Reading (2nd ed., Grand Rapids: Eerdmans, 2005), 64-65.
? Neufeld, The Earliest Christian Confessions (Grand Rapids: Eerdmans, 1964) p. 47; Reginald Fuller, The Formation of the Resurrection Narratives (New York: Macmillan, 1971) p. 10; Wolfhart Pannenberg, Jesus—God and Man translated Lewis Wilkins and Duane Pribe (Philadelphia: Westminster, 1968) p. 90; Oscar Cullmann, The Early Church: Studies in Early Christian History and Theology, ed. A. J. B. Higgins (Philadelphia: Westminster, 1966) p. 64; Hans Conzelmann, 1 Corinthians, translated James W. Leitch (Philadelphia: Fortress 1969) p. 251; Bultmann, Theology of the New Testament vol. 1 pp. 45, 80–82, 293; R. E. Brown, The Virginal Conception and Bodily Resurrection of Jesus (New York: Paulist Press, 1973) pp. 81, 92
? see Wolfhart Pannenberg, Jesus—God and Man translated Lewis Wilkins and Duane Pribe (Philadelphia: Westminster, 1968) p. 90; Oscar Cullmann, The Early church: Studies in Early Christian History and Theology, ed. A. J. B. Higgins (Philadelphia: Westminster, 1966) p. 66–66; R. E. Brown, The Virginal Conception and Bodily Resurrection of Jesus (New York: Paulist Press, 1973) pp. 81; Thomas Sheehan, First Coming: How the Kingdom of God Became Christianity (New York: Random House, 1986) pp. 110, 118; Ulrich Wilckens, Resurrection translated A. M. Stewart (Edinburgh: Saint Andrew, 1977) p. 2; Hans Grass, Ostergeschen und Osterberichte, Second Edition (Gottingen: Vandenhoeck und Ruprecht, 1962) p. 96; Grass favors the origin in Damascus.
? Hans von Campenhausen, "The Events of Easter and the Empty Tomb," in Tradition and Life in the Church (Philadelphia: Fortress, 1968) p. 44
? Archibald Hunter, Works and Words of Jesus (1973) p. 100
? http://depts.drew.edu/jhc/rp1cor15.html. 'Apocryphal Apparitions:1 Corinthians 15:3-11 as a Post-Pauline Interpolation' by Robert M Price
? The Falsified Paul; pg 3 Herman Detering
? Geza Vermes (2008) The Resurrection. London, Penguin: 121-2
? A ideia de Crisóstomo difere de qualquer noção de "propriedade" meramente humana: ele retrata Jesus pedindo a Maria que não o tocasse como se ele ainda fosse o mesmo de antes da ressurreição (Homilia 86 sobre o Evangelh de João).
? Keller, James A. "Contemporary Doubts About the Resurrection." Faith and Philosophy 5 (1988): 40-60.
? Kirby, Peter. Early Christian Writings: New Testament, Apocrypha, Gnostics, Church Fathers: Evangelho dos Hebreus (em inglês). [S.l.: s.n.], 2001. Página visitada em 19/05/2012.
? Vatican Biography of St. Teresa of Avila http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_19930321_teresa-de-jesus_en.html
? Vatican Biography of St. Faustyna Kowalska http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_20000430_faustina_en.html
Bibliografia

Anos perdidos de Jesus

Anos perdidos de Jesus


Jesus de Nazaré .
Com " os anos perdidos de Jesus "(ou anos sombrios ) referente a período irregular entre a infância de Jesus e ao início do seu ministério, conforme relatado pelo Novo Testamento .
Os Evangelhos registram o nascimento de Jesus, ea viagem posterior ao Egito para escapar da ira de Herodes (Mateus 2:13-23). Há uma referência geral a Maria eo menino Jesus viveu em Nazaré (Mateus 2:23, Lucas. 2:39-40). Há também uma história isolada da visita de José, Maria e Jesus à cidade de Jerusalém para celebrar a Páscoa, quando Jesus tinha doze anos (Lucas 2:41-50).
Depois desse episódio, há uma lacuna na história que abrange 18 anos da vida de Cristo (de 12 a 30 anos). À excepção da alusão genérica que Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens (Lucas 2:52), a Bíblia não diz nada mais sobre a vida de Jesus durante esse período de tempo. Uma suposição comum entre os cristãos é que Jesus simplesmente viveu em Nazaré durante esse período, mas há vários relatos que afirmam que esse período de silêncio é porque Jesus viagem para a Índia e outros países.
Vários autores afirmam ter encontrado provas da existência de escritos na Índia e Tibet que apóiam a crença de que Cristo estava na Índia durante este período de sua vida. Ex crenças são mencionados em vários lugares da Índia, que Jesus passou por lá na antiguidade. 1 Um manuscrito sobre a visita de Jesus ao Tibete foi relatada por Nicholas Notovitch (1894). Posteriormente, vários outros autores escreveram sobre o assunto, incluindo o líder religioso Mirza Ghulam Ahmad (1899), Levi H. Dowling (1908), Swami Abhedananda, 2 Nicholas Roerich (1923-1928) 

O Evangelho Aquariano de Jesus, o Cristo 
O " Evangelho Aquariano de Jesus, o Cristo ", de Levi H. Dowling , foi escrito em 1908, foi publicado continuamente desde então, e foi traduzido para várias línguas. Ele afirma ser a verdadeira história da vida de Jesus, incluindo dezoito anos "perdido" silenciados no Novo Testamento . A história segue o jovem Jesus pela Índia, Tibet, Pérsia, Assíria, Grécia e Egito.
O autor praticado meditação durante 40 anos para ler os "Registros Akáshicos" matéria sutil que seria gravado tudo feito no passado. Ele escreveu o livro sempre entre duas e seis horas. O livro é composto de 22 capítulos que cobrem toda a vida de Jesus, desde seu nascimento até sua morte. Os últimos três anos de sua pregação na Palestina são semelhantes à história da Bíblia, mas os elementos mais esotéricos. O livro afirma ser o Evangelho a ser usado na Idade da vinda de Aquário.
Formação Acadêmica 

Principalmente, Jesus poderia ter se formado na cultura de seu povo. Era comum que as crianças dessa idade vão para a escola na sinagoga de Nazaré , a cidade onde ele passou seus primeiros anos. A educação escolar foi dividido em dois níveis. Em primeiro lugar, estudar a chamada Casa do Livro , como uma escola primária, onde aprendeu a ler os livros sagrados em hebraico , começou com o alfabeto em um quadro negro e, em seguida, memorizou a Torah .
Depois de segui-lo como o nível secundário, a Casa da Interpretação , que era opcional. Eles aprenderam o básico para cumprir leis judaicas e como interpretá-los. É possível que Jesus estudou nesta Casa , e se acabou, aprofundar as Escrituras no Templo de Jerusalém por um professor ou rabino.
Supõe-se que ele também sabia hebraico , aramaico , latim e grego . [ carece de fontes? ]
Jesus e na Índia 



De acordo com algumas especulações, Cristo poderia seguir princípios budistas.
Kersten e Gruber (1995) argumentam que o budismo teve uma influência substancial sobre a vida e os ensinamentos de Jesus. Eles afirmam que Jesus foi influenciado pelos ensinamentos e práticas do "terapeutas", descrito pelos autores como professores da escola Theravada Buddhist foi criado na Judéia. Eles afirmam que Jesus viveu a vida perfeita de um budista e ensinou o budismo aos seus discípulos, sua obra segue os passos do estudioso do Novo Testamento a partir de Oxford Barnett Hillman Streeter, que estabeleceu no início dos anos 1930 que o ensino moral do Buda tem quatro semelhanças com o Sermão da Montanha. "6" 3
Alguns estudiosos acreditam que Jesus pode ter sido inspirado pela religião budista e do Evangelho de Tomé e muitos textos dos manuscritos encontrados em Nag Hammadi, no Egito, refletem essa possibilidade. Livros como os agnósticos Evangelho e Beyond belief: O Evangelho secreto de Tomé por Elaine Pagels e The Jesus Original por Gruber e Kersten discutir essas teorias.
O Santo Issa 

Em 1887, o correspondente de guerra russo Nicholas Notovitch visitou a Índia e Tibet. Ele disse que, no mosteiro ou convento de Hemis Ladakh, ouvi falar de um manuscrito sobre a "Vida de São Issa, o melhor dos Filhos dos Homens". Issa é o nome árabe de Jesus. Sua história, juntamente com um texto traduzido do "Vida de São Issa", foi publicado em francês em 1894 sob o nome de "A Vida Desconhecida de Jesus Cristo", e, posteriormente, traduzido para o Inglês, alemão, espanhol e italiano.
Os escritos de Notovitch imediatamente criou polêmica. Orientalista alemão Max Mueller, que nunca tinha ido a Índia, publicou uma carta que tinha recebido de um funcionário colonial britânico, que disse que a presença de Notovitch em Ladakh "não documentadas".
J. Archibald Douglas , então professor da Faculdade de Agra também visitou o mosteiro Hemis em 1895, mas disse que não encontrou nenhuma evidência de que Notovich tinha estado lá. Há pouca informação biográfica sobre Notovitch e não há registro de sua morte.3 4
O diário do Dr. Karl Marx Rudolph Ladane Dispensário de caridade, um missionário da Ordem dos Irmãos da Morávia, e diretor do hospital em Leh, afirmou claramente que Nicholas Notovitch tratado para uma dor de dente grave, em novembro 1887. J. Edgar Goodspeed em seu livro "Hoaxes bíblicos famosos", diz o abade chefe da comunidade Hemis assinaram um documento denunciando Notovitch categórico como um mentiroso, mas essa afirmação não foi verificada independentemente. | Nome = J. Edgar | Name = Goodspeed | publisher = Baker Book House | location = Grand Rapids, MI | ano = 1956 | url = http://www.tentmaker.org/books/FamousBiblicalHoaxes.html}} </ ref>
Teste visitantes subseqüente ainda não tinha ocorrido, e respondeu a estas alegações Notovich o Hemis lama tinha negado a existência do manuscrito que se evite investigação para o seu valor para o mundo em risco de serem confiscados ou roubados. quatro especialistas Tibet Snellgrove e Skorupski escreveu aos monges Hemis, e disse que eles "parecem convencidos de que todos os estrangeiros que roubam, se eles podem. fato muitos assaltos têm sido substanciais nos últimos anos." 5 Novotovitch também forneceu os nomes de várias pessoas na região eles poderiam provar sua presença. 4
Em 1922, depois de inicialmente duvidar Notovitch, Abhedananda Swami , discípulo de Sri Ramakrishna , e bem conhecida de perto por Max Müller, viajou para o Tibete, investigou o assunto e mostrou o manuscrito lama e com a ajuda deles traduzidos parte do documento . Mais tarde Notovitch.2 reivindicações defendidas. 2 como ele falou no funeral de Max Müller, a sua oposição à alegação de que documento Müller Notovitch era uma farsa, não era pouca coisa. 4
Vários autores têm tomado essas histórias e têm se expandido em suas obras. Por exemplo, em seu livro "Os Anos Perdidos de Jesus: Prova Documental da viagem de 17 anos para o Oriente Jesus", Elizabeth Clare Prophet se refere às escrituras budistas que provam que Jesus viajou pela Índia, Nepal, Tibet e Ladakh . 4 No entanto, as objeções e refutações leva a vida de Santo Issa, referindo-se em detalhes para ambas as visões da controvérsia. Note-se que "o fato de que Douglas não ver uma cópia do manuscrito não é prova decisiva de que não existia, como é a afirmação de que não Notovitch".
Cristo e Krishna 



Krishna .
A idéia de Jesus na Índia tem sido associada com Louis Jacolliot livro "A Bíblia na Índia, ou a vida de Jesus Krishna" (1869) 6 ( A Bíblia na Índia, ou a vida de Jezeus Krishna ), 7 mas não há nenhuma conexão direta entre seus escritos e manuscritos de Himmis.
Jacolliot compara as histórias de Bhagavan Krishna vida com Jesus Cristo dos Evangelhos e conclui que ele pode ter sido coincidência acidental que as duas histórias têm muitas semelhanças em muitos dos detalhes mais profundos. Conclui que a conta dos Evangelhos é um mito baseado na mitologia da Índia antiga. Nota 1
No entanto, Jacolliot está comparando dois períodos distintos da história (ou mitologia) e afirma que Jesus estava na Índia. Soletrar "Krishna" e "Cristna" e afirma que os discípulos de Krishna deu o nome de Jesus, um nome falso que significa "essência pura" em sânscrito, 7 , embora seja uma palavra sânscrita em tudo, então isso simplesmente foi Jacoillot inventado. " 8
Paramahansa Yogananda diz que as palavras de Cristo e Krishna tem igual significado e etimologia, sendo a consciência Crística ou Consciência de Krishna um estado elevado de consciência que poucos se eles chegaram. Ela também afirma que o título foi dado a Jesus Cristo na Índia, tendo aprendido yoga e meditação com os maiores iogues e lamas.
Bhavishya Maha Purana 

De acordo com Kersten, o Bhavishya Maha Purana, no Pratisargaarvan (19,17-32), adivinhação texto de eventos futuros, descreve a vinda de Jesus:
"Um dia, Shalivahana, o chefe dos Shakas, chegou a uma montanha de neve (assumindo que o Himalaia), e lá, na Terra do Hun (= Ladakh, parte do império Kushan), o poderoso rei viu um belo homem sentado em uma montanha Sua pele era como cobre e vestindo roupas brancas O rei perguntou o homem santo que ele era o outro respondeu:... "Eles me Isaputra (filho de Deus) convocar, nascido de uma virgem, o ministro dos incrédulos, procurando sempre a verdade.
O rei, preste atenção para a religião que se adequar para os incrédulos ... Por justiça, a verdade, a meditação ea unidade de espírito, o homem encontrará seu caminho para a Isa (Deus, em sânscrito) que vivem no centro da Luz, que permanece constante como o sol, e ele se dissolve todas as coisas transitórias para sempre. A imagem feliz de Isa, o doador de felicidade, foi revelado no coração, e eu fui chamado Isa Masih (Jesus o Messias). "12" 9
Doutrina do Islã Ahmadiyya 

De acordo com alguns muçulmanos do subcontinente, as Ahmadiyyas em particular mencionar Muhammad adicional escrito que Jesus morreu na Caxemira, com a idade de 120 anos. Os Ahmadiyyas apoiou esta posição há mais de 100 anos. Fontes muçulmanas e persa são propostos para rastrear a permanência de Jesus, conhecido como Isa , ou Yuz Asaf ("líder do curado) ao longo da antiga Rota da Seda para o Oriente. 's livro" Cristo em Kashmir ", de Aziz Kashmiri, e "Jesus viveu na Índia", de Holger Kersten, os documentos da lista e artigos em apoio desta tese.
Eles acreditam que Yuz Asaf é enterrado em Roza Bal santuário em Srinagar. National Geographic Channel tem um documentário chamado Mistérios da Bíblia que diz respeito à manuscrito Hemis e relatos semelhantes como "histórias selvagens de Jesus viajam para a Índia para estudar místicos orientais". O documentário repete a história de J. Archibald Douglas ea recusa da lama da existência da escrita e não menciona a evidência positiva de Swami Abhedananda e Nicholas Roerich.
Glastonbury 



Eles assumem que Cristo pisou solo britânico.
Sabe-se que Joseph, finalmente, colocar a primeira pedra da primeira igreja cristã: a Vetusta Ecclesia, a igreja mais antiga da ilha reino de que fala a lenda.
Muitos moradores de Glastonbury atualmente permanecem convencidos de que em seu tempo foi como um comerciante de estanho, juntamente com seu sobrinho adolescente, Jesus, neste nebuloso pântano Glastonbury aprender na academia Celtic Druid sabedoria da boca dos sacerdotes.
Referências 

Fida Hassnain. Em Busca do Jesus Histórico. 2006. ISBN 187811517
Suzanne Olsson. Jesus na Caxemira, The Lost Tomb. BookSurge, 2006. ISBN 1-4196-1175-5
11. ^ Goodspeed, Edgar J. (1956). Hoaxes bíblicos famosos ou, Apócrifo Moderna. Grand Rapids, Michigan: Baker Book House.
12. ^ DL Snellgrove e T. Skorupski (1977) O Patrimônio Cultural de Ladakh, p. 127, Prajna Imprensa ISBN 0-87773-700-2
13. ^ Ehrman, Bart D. (Fevereiro de 2011). "8 Falsificações., Mentiras, engano, e os escritos do Novo Testamento. Falsificações modernos, mentiras e enganos" (EPUB). Forjado: Escrevendo em nome de Deus, por que os autores da Bíblia não são quem nós pensamos que eles são. (Primeira Edição. Edição EPUB. Ed.). New York: HarperCollins e-books. pp 282-283. ISBN 978-0-06-207863-6 . Página visitada em 8 setembro de 2011.
14. ^ L. Jacolliot (1869) La Bible dans l'Inde, Librairie Internationale, Paris (digitalizados pelo Google Books)
15. ^ Ab Louis Jacolliot (1870), A Bíblia na Índia, Carleton, New York (digitalizados pelo Google Books)
16. ^ Pequeno, Jeffrey (2011). O Sopro de Deus. San Francisco: West Hills / Centenas de cabeças. pp 414. ISBN 978-1-933512-86-0 .
17. ^ Abcd National Geographic Channel (25 Maio de 1996) Mistérios da Bíblia: "Os Anos Perdidos de Jesus"
18. ^ O Evangelho Segundo São Marcos (São Mateus)

O EVANGELHO DE FILIPE

O EVANGELHO DE FILIPE
Um hebreu faz outro hebreu, e tal pessoa chama-se prosélito. Mas, um prosélito não faz
outro prosélito ( ... ) assim como eles ( ... ) e fazem outros como a si mesmos, enquanto
(outros) simplesmente existem.
O escravo só quer ser livre e não ambiciona adquirir os bens de seu senhor. Porém o filho
não é somente um filho, pois reclama a herança do pai. Os que herdam dos mortos estão
eles mesmos mortos e herdam os mortos. Os herdeiros do que é vivo estão vivos e são
herdeiros tanto do que está vivo como do morto. Os mortos não são herdeiros de nada. Pois
como pode aquele que está morto herdar? Se aquele que está morto herda o que é vivo ele
não morrerá, mas o que está morto viverá ainda mais.
O pagão não morre, pois ele nunca viveu para que possa morrer. Aquele que acreditou na
verdade encontrou a vida e corre o perigo de morrer, pois está vivo. A partir da vinda de
Cristo, o mundo foi criado, as cidades embelezadas e os mortos levados embora. Quando
éramos hebreus, éramos órfãos e só tinhamos a nossa mãe, mas, quando nos tornamos
cristãos, tivemos tanto pai como mãe.
Os que semeiam no inverno colhem no verão. O inverno é o mundo, o verão é o outro reino
eterno (eon). Semeemos no mundo para que possamos colher no verão. Por esta razão é
apropriado que não oremos no inverno. O verão sucede o inverno. Porém, se algum homem
colher no inverno ele, na verdade, não estará colhendo mas simplesmente arrancando, pois
o inverno não oferecerá uma colheita para tal pessoa. Não só ( ... ) que não ( ... ) aparecerá,
mas também no Sábado ( ... ) é estéril.
Cristo veio para resgatar alguns, salvar outros para redimir ainda outros. Ele resgatou os
forasteiros e fê-los seus. E colocou os seus separados, aqueles que havia dado como
garantia segundo seu plano. Não foi só quando apareceu que Cristo ofereceu
voluntariamente sua vida, mas ofereceu-a voluntariamente desde o dia em que o mundo
surgiu. Então, ele veio primeiro para tomá-la, pois ela havia sido dada como garantia. Ela
havia caído em mãos de ladrões e foi feita prisioneira. Mas Ele a libertou, resgatando as
pessoas boas do mundo assim como as más.
Luz e treva, vida e morte, direita e esquerda são irmãos entre si. São inseparáveis. Por isto,
nem os bons são bons, nem os maus são maus, nem a vida é vida, mem a morte é morte.
Assim é que cada um se dissolverá em sua origem primordial. Mas os que estão exaltados
acima do mundo são indissolúveis, eternos.
Os nomes dados às coisas do mundo são muito enganadores, pois desviam nossos
pensamentos do que é correto para o incorreto. Assim, quem ouve a palavra "Deus" não
percebe o que é correto, mas sim o incorreto. O mesmo ocorre com "Pai", "Filho" e
"Espírito Santo", "Vida", "Luz", "Ressurreição", "Igreja" e tudo o mais. As pessoas não
percebem o que é correto mas sim o incorreto, (a menos) que tenham aprendido o que é
correto. Os (nomes que se ouvem) estão no mundo ( ... enganam. Se) estivessem no reino
eterno (eon), não seriam jamais usados como nomes no mundo. Tampouco foram colocados
entre as coisas do mundo. Eles têm um propósito no reino eterno.
Só há um nome que não se pronuncia no mundo, o nome que o Pai deu ao Filho, e que está
acima de todas as coisas: o nome do Pai. Pois o Filho não se tornaria Pai, a não ser que
usasse o nome do Pai. Aqueles que têm este nome conhecem-no, mas não o pronunciam.
Mas, aqueles que não têm este nome não o conhecem.
A verdade fez com que os nomes surgissem no mundo por nossa causa, pois não é possível
aprendê-la sem estes nomes. A verdade é uma única coisa; é muitas coisas por nossa causa,
para nos ensinar com amor sobre esta coisa una por meio de muitas coisas. Os regentes
(arcontes) queriam enganar o homem, porque viram que ele tinha parentesco com aqueles
que são verdadeiramente bons. Eles tomaram o nome daqueles que são bons e deram-no
aos que não são bons, para que, por meio dos nomes, pudessem enganá-los e vinculá-lo aos
que não são bons. E, depois, que favor os nomes lhes prestam! Fazem com que sejam
tirados daqueles que não são bons e colocados entre os que são bons. Eles sabiam estas
coisas, porque queriam apoderar-se do homem livre e torná-lo seu escravo para sempre.
Há poderes que ( ... ) o homem, não querendo que ele seja (salvo), para que eles possam ( ...
). Porque se o homem for (salvo, não haverá) nenhum sacrifício ( ... ) e não serão oferecidos
animais aos poderes. Na verdade, eram aos animais que eles ofereciam sacrifícios. Eles
eram realmente oferecidos vivos, mas quando os ofertavam eles morriam. Quanto ao
homem, ofereceram-no morto a Deus, e ele viveu.
Antes da vinda do Cristo não havia pão no mundo. Também no Paraiso, o lugar onde estava
Adão, havia muitas árvores para alimentar os animais, mas não havia trigo para sustentar o
homem. O homem costumava alimentar-se como os animais, mas quando veio Cristo, o
homem perfeito, ele trouxe pão dos céus para que o homem pudesse ser nutrido com o
alimento de homem. Os regentes pensavam que era por seu próprio poder e vontade que
faziam o que estavam fazendo. Mas o Espírito Santo, em segredo, estava realizando tudo
através deles, segundo sua vontade. A Verdade, que existia desde o princípio, está semeada
por toda parte. E muitos vêem-na sendo semeada, mas são poucos os que a vêem sendo
colhida.
Alguns dizem que Maria concebeu por obra do Espírito Santo. Mas eles estão enganados.
Não sabem o que dizem. Quando uma mulher alguma vez concebeu por obra de outra
mulher? Maria é a virgem que nenhum poder conspurcou. Ela é uma grande anátema para
os hebreus, que são os apóstolos e (os) seus seguidores. Esta virgem que nenhum poder
violou ( ... ) os poderes violaram a si mesmos. O Senhor não (teria) dito "Meu (Pai que está
nos) céus" (Mt 16:17) se não tivesse outro pai. Neste caso, teria dito simplesmente "(Meu
Pai)".
O Senhor disse aos discípulos, ( ... ) de cada casa. Tragam para a casa do Pai. Mas não
tomem nem carreguem (nada) da casa do Pai.
"Jesus" é um nome oculto, "Cristo" é um nome revelado. Por esta razão, "Jesus" não está
particularmente ligado a nenhuma lingua; seu nome é sempre "Jesus". "Cristo", porém, em
siríaco é "Messias" e em grego, "Cristo". Certamente todas as outras línguas referem-se a
ele com suas próprias palavras. "O nazareno" é aquele que revela o que está oculto. Cristo
tem tudo em si mesmo, seja homem, anjo ou mistério, e no Pai.
Os que dizem que o Senhor morreu primeiro e (então) se levantou estão enganados, pois ele
primeiro se levantou e (então) morreu. Se alguém não alcança primeiro a ressurreição ele
não morrerá. Assim como Deus vive, ele iria ...
Ninguém esconde um grande objeto de valor num lugar de destaque, mas muitas vezes se
atiram milhares de tais objetos em algo que não vale um centavo. Vejam a alma: ela é uma
coisa preciosa que se encontra num corpo desprezível.
Há os que têm medo de ressurgir nus. Por isto querem ressurgir na carne. Não sabem que
são aqueles que vestem a (carne) que estão nus. (São) aqueles que ( ... ) despir-se que não
estão nus.
"Nem a carne (nem o sangue) herdarão o Reino de (Deus)." (1 Co 15:50). O que é que não
herdará? Aquilo que usamos. Mas também o que é isto que herdará? É aquilo que pertence
a Jesus e a seu sangue. Por isto Ele disse: "Aquele que não come a minha carne e bebe o
meu sangue não tem vida em si" (Jo 6:53). O que quer dizer isto? Sua carne é a Palavra (o
Verbo), e seu sangue é o Espírito Santo. Quem recebe tais coisas tem alimento, bebida e
vestimenta. Recrimino os outros que dizem que (a carne) não ressuscitará, pois uns e outros
estão errados. Tu dizes que a carne não ressurgirá. Dize-me, então, o que ressuscitará para
que possamos te aplaudir. Falas do Espírito na carne, que é também esta luz na carne.
(Porém) isto também é matéria que se encontra na carne, pois tudo o que disseres, não
estará fora da carne. É preciso ressurgir nesta carne, já que tudo existe nela. Neste mundo,
aqueles que usam roupas valem mais do que as vestes. No Reino dos Céus, as vestes valem
mais do que os que as usam.
É por meio da água e do fogo que tudo é purificado -- o visível pelo visível, o oculto pelo
oculto. Existem algumas coisas ocultas por meio das visíveis. Existe água na água e fogo na
crisma.
Jesus pegou-os todos de surpresa, porque Ele não apareceu como era, mas da maneira como
(seriam) capazes de vê-lo. Apareceu aos grandes como grande, aos pequenos como
pequeno, aos anjos como anjo, e aos homens como homem. Por isto sua palavra ocultou-se
de todos. Alguns realmente o viram, pensando que estavam vendo a si mesmos. Mas
quando apareceu gloriosamente aos discípulos sobre a montanha não era pequenino. Ele se
tornou grande, mas fez com que os discípulos ficassem grandes, para que pudessem
percebê-lo em sua grandeza.
Disse naquele dia na ação de graças, "Vós que unistes a luz perfeita com o Espírito Santo,
incorporai os anjos também a nós, como sendo as imagens". Não desprezeis o cordeiro,
pois sem ele não é possível ver o Rei. Ninguém será capaz de ir ao Rei se estiver nu.
O homem celestial tem muito mais filhos do que o homem terreno. Se os filhos de Adão
são muitos, apesar de morrerem, quanto mais os filhos do homem perfeito que não morrem
e são continuamente gerados. O pai faz um filho, mas o filho não tem poder para fazer um
filho. Pois aquele que foi gerado não tem o poder para gerar; o filho obtém irmãos para si, e
não filhos. Todos os que são gerados no mundo, são gerados de maneira natural, enquanto
os outros (são nutridos) do (lugar) do qual nasceram. Por ter sido destinado ao lugar
celestial o homem (recebe) nutrição. ( ... ) dele da boca. (E se) a palavra tivesse saído
daquele lugar, ela receberia a nutrição da boca e se tornaria perfeita. Por isto a palavra
perfeita concebe e dá nascimento por meio de um beijo. Por esta razão nós também nos
beijamos uns aos outros. Somos concebidos da graça que nos é comum.
Havia três que sempre caminhavam com o Senhor: sua mãe, Mria, sua irmã e Madalena,
que era chamada sua companheira. Sua irmã, sua mãe e sua companheira todas chamavamse
Maria.
"O Pai" e "o Filho" são nomes simples; "Espírito Santo" é um nome composto. Eles estão
em toda parte: acima e abaixo, no oculto e no revelado. O Espírito Santo está no revelado:
está abaixo, e está no oculto: está acima.
Os santos são servidos por poderes malignos, pois estes ficam cegos, por obra do Espírito
Santo, pensando que estão servindo um homem (comum), todas vezes que o fazem aos
santos. Por isto um discípulo pediu um dia algo deste mundo ao Senhor. Ele lhe respondeu:
"Pede a tua mãe, e ela te dará as coisas que pertencem a outrem".
Os apóstolos disseram aos discípulos: "Que toda nossa oferenda adquira sal". Eles
chamavam (Sophia) de "sal". Sem sal nenhuma oferenda (é) aceitável. Mas Sophia é estéril,
(sem) filhos. Por esta razão é chamada de "um traço de sal". Sempre que eles quiserem ( ...
) do seu jeito, o Espírito Santo ( ... ) seus filhos são muitos.
O que o Pai possui pertence ao filho. Enquanto este é pequeno, não se lhe confia o que é
seu. Mas quando se faz homem, seu pai lhe dá tudo o que possui.
Aqueles que se desencaminharam, os que o próprio Espírito engendrou, geralmente se
desencaminham também por causa do Espírito. Assim, com o mesmo sopro o fogo é
atiçado e apagado.
Echamoth é uma coisa e Echmoth outra. Echamoth é simplesmente Sabedoria, enquanto
Echmoth é a Sabedoria da morte, aquela que conhece a morte, sendo chamada "a pequena
Sabedoria". Existem animais domésticos, como o boi, o burro e outros deste tipo. Outros
são selvagens e vivem isolados nas regiões ermas. O homem ara o campo com animais
domésticos e, com isto, sustenta-se e alimenta os animais, sejam mansos ou selvagens.
Compare com o homem perfeito. Ele cultiva por meio de poderes que lhe são submissos,
preparando o surgimento de todas as coisas. É por causa disto que todo o mundo se
mantém, seja bom ou mal, da direita ou da esquerda.
O Espírito Santo apacenta a todos e governa (todos) os poderes, os "mansos" e os
"selvagens", bem como os que são únicos. Pois, na verdade ele ( ... ) os mantêm presos,
para que (se ... ) desejarem, eles não possam (escapar).
(Aquele que) foi criado é (lindo, mas) tu (não) acharias que os filhos dele são criações
nobres. Se ele não fosse criado mas engendrado, tua acharias que os descendentes dele são
nobres. Agora, porém, ele foi criado e gerou. O que há de nobre nisto? Primeiramente
surgiu o adultério, em seguida assassinatos. E ele foi gerado no adultério, pois era o filho da
serpente. Assim, tornou-se um assassino, como seu pai, e matou seu irmão. Na verdade,
todo ato sexual que ocorra entre seres que não são semelhantes entre si é adultério.
Deus é um tintureiro. Assim como os bons corantes chamados de "autênticos" dissolvem-se
nas coisas que são tingidas por eles, também o mesmo ocorre com aqueles a quem Deus
tingiu. Como seus corantes são imortais, eles tornam-se imortais por meio de suas cores.
Pois bem, Deus mergulha o que Ele mergulha na água.
Ninguém pode ver algo das coisas que realmente existem a menos que se torne como elas.
Não é assim que se passa com o homem no mundo: ele vê o sol sem ser o sol; vê o céu, a
terra e todas as outras coisas, mas ele não é estas coisas. Isto está de acordo com a verdade.
Mas, tu viste algo daquele lugar e te converteste naquelas coisas. Viste o Espírito e te
tornaste Espírito. Viste o Cristo e te tornaste Cristo. Viste o Pai e te tornarás o Pai. Assim,
(neste lugar) vês todas as coisas e não (vês) a ti próprio, mas (naquele lugar) realmente vês
a ti mesmo, e te tornarás o que vires.
A fé recebe, o amor dá. (Ninguém poderá receber) se não tiver fé. Ninguém será capaz de
dar sem amor. Por esta razão, para que realmente possamos receber, cremos, e para que
possamos amar, damos, pois se alguém dá sem amor não recebe benefício pelo que deu.
Aquele que recebeu alguma outra coisa que não seja o Senhor ainda é um hebreu.
Os apóstolos que nos precederam chamavam-no assim: "Jesus, o Nazareno, Messias", isto
é, "Jesus, o Nazareno, o Cristo". O último nome é "Cristo", o primeiro é "Jesus", o do meio
é "o Nazareno". "Messias" tem dois significados, "o Cristo" e "o medido". "Jesus" em
hebraico é "a redenção". "Nazara" é "a verdade". "O Nazareno", então, é "a verdade".
"Cristo" ... foi medido. Foram "o Nazareno" e "Jesus" que foram medidos.
Quando a pérola é atirada na lama ela (não) passa a ser desprezada; tampouco se for
banhada em óleo de bálsamo se tornará mais preciosa. Ela sempre manterá o seu valor aos
olhos de seu dono. O mesmo ocorre com os filhos de Deus onde quer que estejam. Eles
sempre têm valor aos olhos de seu pai.
Se disseres, "sou judeu", ninguém se inquietará; se disseres, "sou romano", ninguém se
perturbará. Se disseres, "sou grego, bárbaro, escravo ou livre", ninguém se incomodará. Se
disseres, "sou cristão", os ( ... ) tremerão. Quisera que eu pudesse ( ... ) desta forma, a
pessoa cujo nome ( ... ) não será capaz de resistir (ouvindo).
Deus é antropófago. Por isto os homens são sacrificados a ele. Antes dos homens serem
sacrificados, sacrificavam-se animais, pois aqueles a quem eram sacrificados não eram
deuses.
Tanto as vasilhas de vidro como as de argila são feitas com o uso do fogo. Mas, se as de
vidro quebram, elas são refeitas, pois surgiram por meio de um sopro. As de argila, no
entanto, são destruídas, pois foram feitas sem sopro.
Um burro, girando uma pedra de moinho, caminhou cem milhas. Quando ele foi solto
percebeu que ainda estava no mesmo lugar. Existem homens que fazem muitas jornadas,
mas sem fazer nenhum progresso em qualquer direção. Quando o crepúsculo os surpreende,
não encontraram nenhuma cidade nem vilarejo, nenhum produto humano nem fenômeno
natural, poder nem anjo. Labutaram em vão, os coitados!
A eucaristia é Jesus, pois ele se chama "Pharisatha" em siríaco, que é "aquele que está
estendido", pois Jesus veio para crucificar o mundo.
O Senhor entrou na loja de corantes de Levi, tomou setenta e duas cores diferentes e jogouas
na tina. Ao retirá-las estavam todas brancas. E ele disse: "Da mesma forma, o filho do
homem veio (como) tintureiro".
A Sophia, que é chamada de "a estéril," é a mão (dos) anjos. E a companheira do ( ... )
Maria Madalena. ( ... amava-a) mais do que (todos) os discípulos (e costumava) beijá-la
(frequentemente) em seus ( ... ). Os demais (discípulos ... ). Eles lhe disseram: "Por que a
amas mais do que a todos nós?" O Salvador respondeu dizendo: "Por que não os amo como
a ela? Quando um cego e uma pessoa normal estão juntos na escuridão, não são diferentes
um do outro. Quando chega a luz, então, aquele que vê verá a luz, e o cego permanecerá na
escuridão".
O Senhor disse: "Bem aventurado aquele que é antes de chegar a existir. Pois, aquele que é
foi e será."
A superioridade do homem não é óbvia à visão, mas encontra-se no que está escondido da
vista. Por isto ele domina os animais que são mais fortes do que ele, grandes em termos do
óbvio e do oculto. Isto os capacitam a sobreviver. Mas quando o homem se separa deles,
mordem e matam uns aos outros. Devoram-se porque não encontram nenhum alimento.
Porém, agora encontraram comida porque o homem preparou o solo.
Se alguém entra nágua e sai dela sem nada haver recebido e diz, "sou cristão,"
simplesmente tomou o nome emprestado a juros. Porém, se recebeu o Espírito Santo,
recebe o nome de presente.
Aquele que recebe um presente não precisa devolvê-lo. Mas, daquele que tomou empretado
a juros, o pagamento é exigido. É assim que (acontece com) quem experimenta um
mistério.
Grande é o mistério do casamento! Pois (sem) ele o mundo (não existiria). Agora a
existência do (mundo ... ), e a existência ( ... casamento). Pense sobre o ( ...
relacionamento), pois ele possui ( ... ) poder. Sua imagem consiste numa (corrupção).
As formas dos espíritos malévolos abrangem machos e fêmeas. Os machos são os que se
unem com as almas que habitam uma forma feminina, enquanto as fêmeas são as que se
misturam com os que se encontram em forma masculina, porém que são desobedientes. E
não se consegue escapar deles, pois detêm a pessoa se ela não receber um poder masculino
ou feminino, o noivo e a noiva. Eles são recebidos na câmara nupcial espelhada. Quando as
mulheres devassas vêem um homem sozinho, lançam-se sobre ele, entretendo-o e
maculando-o. Igualmente, os homens voluptuosos, quando vêm uma mulher bonita
sozinha, procuram persuadi-la e possuí-la, desejando corrompê-la. Porém, se vêem um
homem com sua esposa juntos, a fêmea não pode se aproximar do homem, nem o macho da
mulher. Assim, se a imagem e o anjo estão unidos um ao outro, não pode haver nenhum
risco ao homem ou à mulher.
Aquele que sai do mundo e portanto não pode mais ser detido pelo fato de ter estado no
mundo, evidentemente, está acima do desejo do ( ... ) e medo. Ele domina ( ... ). É superior
à inveja. Se ( ... ) vem, eles o apanham e sufocam-no. E como (este) será capaz de escapar
dos (grandes ... ) poderes? Como será capaz de ( ... ). Alguns (dizem), "Temos fé", para que
( ... os espíritos imundos) e os demônios. Pois, se tivessem o Espírito Santo, nenhum
espírito imundo teria se agarrado a eles. Não tenha medo da carne nem a ame. Se a temeres,
ela te dominará. Se a amares, ela te devorará e paralizará.
Ou se está neste mundo, na ressurreição ou no local intermediário. Deus me livre de
encontrar-me lá! Neste mundo existe o bem e o mal. As coisas boas do mundo não são
boas, e as coisas más não são más. Porém, depois deste mundo, existe mal que realmente é
mal - o que é chamado de "o meio," o lugar intermediário. É a morte. Enquanto se está
neste mundo é apropriado buscar-se a ressurreição, para que, quando venhamos a despirnos
da carne possamos encontrar o descanso e não caminhar no meio. Porque muitos se
perdem no caminho. É melhor sair do mundo antes de pecar.
Alguns nem querem nem podem; outros não tiram proveito mesmo querendo: pois eles não
agiram de acordo, (eles acreditam,) ( ... ) torna-os pecadores. E se não querem, a justiça vai
se esquivar deles em ambos os casos: e será sempre uma questão da vontade e não da ação.
Um apostólico, numa visão, percebeu algumas pessoas fechadas numa casa em fogo, presos
com ( ... ) flamejantes, deitados ( ... ) em chamas ( ... ) eles em ( ... ) fé ( ... ). E eles
disseram, "( ... ) poderão ser salvos?" ( ... ) "Eles não desejam isto. Receberam ( ... ) castigo,
que é chamado "a escuridão ( ... ), porque ( ... )"
A alma e o espírito vieram à existência a partir da água e do fogo. É da água, do fogo e da
luz que o filho da câmara nupcial (veio a existir). O fogo é a crisma, a luz é o fogo. Não
estou me referindo ao fogo que não tem forma, mas ao outro fogo cuja forma é branca, que
é brilhante e belo e que irradia beleza.
A verdade não veio nua ao mundo, mas veio em modelos e imagens. O mundo não receberá
a verdade de qualquer outra forma. Há um renascimento e uma imagem do renascimento.
Certamente é necessário nascer outra vez por meio da imagem. Qual delas? A ressurreição.
A imagem deve levantar-se outra vez por meio da imagem. A câmara nupcial e a imagem
devem entrar na verdade através da imagem: isto é a restauração. Não só aqueles que
produzem o nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo devem fazê-lo, mas (aqueles) que os
produziram para ti. Se a pessoa não os adquire, o nome (cirstão) também lhe será retirado.
Porém a pessoa recebe a unção do ( ... ) do poder da cruz. Este poder os apóstolos
chamaram "a direita e a esquerda". Pois esta pessoa não é mais um cristão, mas Cristo.
O Senhor fez tudo num mistério, um batismo, uma crisma, uma eucaristia, uma redenção e
uma câmara nupcial.
( ... ) ele disse, "Vim fazer (as coisas abaixo) como as coisas (acima, e as coisas) fora como
aquelas (dentro. Vim para uni-las) no lugar". ( ... ) aqui por meio de (modelos ... ). Aqueles
que dizem, "(Existe um homem celestial e) existe outro acima (dele", estão enganados.
Porque é o primeiro destes dois (homens) celestiais, aquele que se manifesta, que é
chamado "aquele que está abaixo"; e aquele a quem pertence o oculto é (supostamente) o
que está acima dele. Portanto, seria melhor dizerem, "O interior e o exterior, e o que está
fora de exterior". Por causa disto o Senhor chamou a destruição "a escuridão exterior"; não
existe nada além dela. Ele disse: "Meu Pai que está em segredo". Ele disse, "Entra em teu
aposento, fecha a porta e ora a teu Pai que está em segredo" (Mt 6:6), aquele que está no
interior de tudo. Mas o que está no interior de tudo é a plenitude. Mais interior do que ela
não existe nada. É sobre isto que dizem, "O que está acima deles".
Antes do Cristo alguns saíram de um lugar no qual não conseguiam mais entrar e foram
para onde não mais conseguiam sair. Então veio o Cristo. Ele retirou aqueles que entraram
e pôs para dentro os que sairam.
Quando Eva ainda estava em Adão a morte não existia. Quando ela se separou dele a morte
passou a existir. Se ele entrar outra vez e alcançar o seu ser primordial, a morte deixará de
existir.
"Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste, ó Senhor?" (Mc 15:34 e outras). Foi na
cruz que ele disse estas palavras, porque havia deixado aquele lugar.
( ... ) que foi gerado através dele que ( ... ) de Deus.
O ( ... ) dos mortos. ( ... ) para ser, mas agora ( ... ) perfeito. ( ... ) carne, mas isto ( ... ) é a
verdadeira carne. ( ... ) não é verdade, mas ( ... ) só uma imagem do verdadeiro.
Uma câmara nupcial não é para os animais, nem para os escravos, nem para as mulheres
violadas; mas é para os homens livres e virgens.
Somos realmente engendrados outra vez pelo Espírito Santo, mas somos engendrados pelo
Cristo nos dois. Somos ungidos por meio do Espírito. Quando somos engendrados somos
unidos.
Ninguém pode ver-se na água ou num espelho sem luz. Tampouco podes ver-te na luz sem
água ou espelho. Por esta razão, é apropriado batizar nos dois, na luz e na água. Pois bem, a
luz é a crisma.
Havia três lugares específicos para sacrifício em Jerusalém. O que estava voltado para o
poente era chamado de "o sagrado." Outro, voltado para o sul, era chamado de "o santo do
santo." O terceiro, voltado para o nascente, era chamado "o santo dos santos," o lugar onde
só o Sumo Sacerdote podia entrar. O Batismo é o edifício "sagrado." A Redenção é "o
santo do santo," e a Câmara Nupcial "o santo dos santos." O Batismo inclui a Ressurreição
(e a) Redenção; a Redenção (ocorre) na câmara nupcial. Mas a Câmara Nupcial ocorre
naquele lugar que é superior ao ( ... ) tu não encontrarás ( ... ) são aqueles que oram ( ... )
Jerusalém. ( ... ) Jerusalém, ( ... ) aqueles chamados "o santo dos santos" ( ... o) véu foi
rasgado ( ... ) câmara nupcial exceto a imagem ( ... ) acima. Por esta razão seu véu rasgouse
de alto a baixo. Pois era apropriado que alguns de baixo fossem para cima.
Os poderes não vêem aqueles que estão vestidos com a luz perfeita e, por isto, não podem
detê-los.
A pessoa pode vestir-se sacramentalmente com esta luz na união.
Se a mulher não tivesse se separado do homem, ela não morreria com o homem. Sua
separação tornou-se o começo da morte. Por isto o Cristo veio, para reparar a separação que
houve no princípio e unir os dois outra vez e para dar vida àqueles que morreram devido à
separação, unindo-os de novo. Mas a mulher uni-se a seu marido na câmara nupcial. Na
verdade, aqueles que foram unidos na câmara nupcial não mais serão separados. Portanto,
Eva separou-se de Adão porque não foi na câmara nupcial que ela se uniu a ele.
A alma de Adão chegou à existência por meio de um sopro. O companheiro de sua alma é o
Espírito. Sua mãe é a coisa que lhe foi dada. Sua alma foi-lhe tomada e substituída por um
(espírito). Quando ele estava unido (ao Espírito), (pronunciou) palavras incompreensíveis
aos poderes. Eles o invejaram ( ... ) parceiro espiritual ( ... ) escondido ( ... ) oportunidade (
... ) somente para eles ( ... ) câmara nupcial para que ( ...)
Jesus apareceu ( ... ) Jordão, a (plenitude do reino) dos céus. Ele que (foi engendrado) antes
de todas as coisas foi engendrado novamente. Ele (que foi ungido) outrora foi ungido
novamente. Ele que tinha sido redimido, redimiu (outros) por sua vez.
Realmente, um mistério deve ser dito. O pai de todas as coisas uniu-se com a virgem que
havia descido, e o fogo brilhou para ele naquele dia. Ele apareceu na grande câmara
nupcial. Portanto, seu corpo passou a existir naquele dia. Deixou a câmara nupcial como
alguém que veio à existência por meio do noivo e da noiva. Desta forma, Jesus estabeleceu
todas as coisas nela por meio deles. É conveniente que cada um dos discípulos entre em seu
repouso.
Adão veio a ser por meio de duas virgens, do Espírito e da Terra virgem. O Cristo,
portanto, nasceu de uma virgem para retificar a queda que houve no princípio.
Existem duas árvores crescendo no Paraíso. Uma sustenta (animais) e a outra sustenta
homens. Adão (comeu) da árvore que nutria animais. (Ele) tornou-se um animal e produziu
animais. Por esta razão os filhos de Adão adoram (animais). A árvore ( ... ) fruto é ( ... )
aumentado. ( ... ) comeu o ( ... ) fruto da ( ... ) nutre homens, ( ... ) homem. ( ... ) Deus criou
o homem. ( ... os homens) criaram Deus. É desta maneira que são as coisas no mundo, os
homens criam deuses e adoram a sua criação. Seria apropriado que os deuses adorassem os
homens!
Certamente a realização de um homem depende de sua habilidade. Por isto referimo-nos as
suas realizações como suas "habilidades." Entre suas realizações encontram-se seus filhos.
Eles têm sua origem num momente de repouso. Portanto, suas habilidades determinam o
que ele pode realizar, mas este repouso mostra-se evidente nos filhos. Isto se aplica
diretamente à imagem. Aqui está o homem feito de acordo com a imagem realizando coisas
com sua força física, mas produzindo seus filhos com facilidade.
Neste mundo, os escravos servem os livres. No Reino dos Céus, os livres vão cuidar dos
escravos: os filhos da câmara nupcial vão cuidar dos filhos do casamento. Os filhos da
câmara nupcial têm (um só) nome: repouso. (De modo geral) eles não precisam tomar
(nenhuma) outra forma (porque têm) a contemplação, ( ... ). São numerosos ( ... ) nas coisas
( ... ) as glórias ( ... ).
Aqueles ( ... ) descem à água. ( ... ) saem (da água), vão consagrar ( ... ) aqueles que têm ( ...
) em seu nome. Pois ele disse, "(Assim) devemos cumprir toda a justiça" (Mt 3:15).
Aqueles que dizem que devem morrer primeiro para depois ressuscitar estão enganados. Se
eles não receberem primeiro a ressurreição enquanto estiverem vivos, quando morrerem
não receberão nada. Assim também, quando falam sobre o batismo dizem, "O batismo é
uma grande coisa," pois se as pessoas o receberem viverão.
Felipe, o apóstolo, disse: "José, o carpinteiro, plantou um jardim porque precisava de
madeira para seu ofício. Foi ele que fez a cruz das árvores que plantou. Sua própria
descedência ficou pendurada naquilo que ele plantou. Sua descendência foi Jesus, e o
plantio foi a cruz." Mas a árvore da vida está no meio do jardim. Porém é da oliveira que
recebemos a crisma, e da crisma a ressurreição.
Este mundo é um devorador de cadáveres. Todas as coisas que se comem nele também
morrem. A verdade alimenta-se da vida. Portanto, ninguém nutrido pela (verdade) morrerá.
Foi daquele lugar que Jesus veio e trouxe alimento. Aos que desejavam ele deu (vida para
que) eles não morressem.
Deus ( ... ) um jardim. O homem ( ... ) jardim. Existem ( ... ) e ( ... ) de Deus. ( ... ) As
coisas que estão no ( ... ) eu desejo. Este jardim (é o lugar em que) me dirão, "( ... coma)
isto ou não coma (aquilo, da maneira que) desejares." No lugar em que comerei todas as
coisas está a árvore do conhecimento. Aquela matou Adão, mas aqui a árvore do
conhecimento faz com que o homem viva. A lei era a árvore. Ela tem o poder para outorgar
o conhecimento do bem e do mal. Ela nem o removeu do mal, nem o colocou no bem, mas
criou a morte para aqueles que comiam dela. Pois quando ele disse, "Come isto, não coma
aquilo," isto foi o começo da morte.
A crisma é superior ao batismo, pois foi a partir da palavra "crisma" que fomos chamados
de "cristãos," e certamente não por causa da palavra "batismo." E é por causa da crisma que
"o Cristo" recebeu seu nome. Porque o Pai ungiu o Filho, o Filho ungiu os apóstolos, e os
apóstolos nos ungiram. Aquele que foi ungido tem tudo. Ele tem a ressurreição, a luz, a
cruz e o Espírito Santo. O Pai deu-lhe isto na câmara nupcial; ele meramente aceitou (a
dádiva). O Pai estava no Filho e o Filho no Pai. Isto é o Reino dos Céus.
O Senhor falou bem: "Alguns entraram no reino dos céus rindo, e sairam ( ... ) porque ( ... )
um cristão, ( ... ). E logo que ( ... desceu) à água ele veio ( ... ) tudo (deste mundo), ( ... )
porque ( ... ) um pouco, mas ( ... cheio de) menosprezo por este ( ... ) reino dos (céus ... ).
Se ele despreza ( ... ) e o desdenha um pouco ( ... ) sairá rindo. Assim é também com o pão
e o cálice de óleo, apesar de haver outro superior a estes.
O mundo foi criado por engano. Porque aquele que o criou queria fazê-lo imperecível e
imortal. Ele não conseguiu realizar o seu desejo, pois o mundo nunca foi imperecível, e
tampouco aquele que fez o mundo. Porque as coisas não são eternas, mas os filhos são.
Nada será capaz de tornar-se eterno se não se tornar primeiramente um filho. Mas, ele que
não tem a habilidade de receber, não será muito mais incapaz de dar?
O cálice da oração contém vinho e água, já que foi indicado para o tipo de sangue com o
qual se realiza a ação de graça. Ele está pleno do Espírito Santo e pertence ao homem
inteiramente perfeito. Quando bebermos deste cálice, receberemos o homem perfeito. A
água viva é um corpo.
Precisamos vestir-nos com o homem vivo. Portanto, quando ele está prestes a descer à
água, despe-se para vestir-se com o homem vivo.
Um cavalo procria um cavalo, um homem gera um homem, um deus faz surgir um deus.
Compare (o) noivo e a (noiva). Eles vieram do ( ... ). Nenhum judeu ( ... ) ( ... ) existiu. E (
... ) dos judeus. ( ... ) cristãos, ( ... ) estes ( ... ) são referidos como "o povo escolhido de ( ...
)," "o verdadeiro homem," "o filho do homem" e "a semente do filho do homem." Esta raça
verdadeira é renomada no mundo ... em que os filhos da câmara nupcial moram.
Enquanto neste mundo a união é entre marido e mulher, um exemplo de força
complementada pela fraqueza (?), no reino (eon) eterno, a forma de união é diferente,
apesar de nos referirmos às duas pelo mesmo nome. Porém, existem outros nomes. Eles são
superiores a todos os nomes indicados e são mais fortes do que o forte. Pois, quando ocorre
uma demonstração de força, aparecem aqueles que se distinguem pela força. Estas coisas
não são separadas, sendo ambas esta única coisa. Isto é aquilo que não será capaz de se
elevar acima do coração de carne.
Não é preciso que aqueles que têm tudo conheçam a si mesmos? Alguns, de fato, que não
conhecem a si mesmos, não serão capazes de gozar do que possuem.
Não só serão incapazes de deter o homem perfeito, mas não serão capazes de vê-lo, pois, se
o virem, irão detê-lo. Não há outro meio para uma pessoa adquirir esta qualidade, exceto
vestindo a luz perfeita (e) tornando-se também luz perfeita. Aquele que (a tiver vestido)
entrará (... ). Quem recebe tudo ( ... ) deste lado ( ... ) será capaz ( ... ) aquele lugar, mas vai
( ... o meio) como imperfeito. Somente Jesus sabe o fim desta pessoa.
O sacerdote é inteiramente santo, até mesmo o seu corpo. Pois, se tomar o pão, o
consagrará. Ele consagrará o cálice e tudo o mais que receber. Assim, como não vai
consagrar o corpo também?
Ao aperfeiçoar a água do batismo, Jesus a esvaziou da morte. Assim descemos à água, mas
não baixamos à morte para que não sejamos vertidos no espírito do mundo. Quando aquele
espírito sopra, ele traz o inverno. Quando o Espírito Santo sopra, chega o verão.
Aquele que tem o conhecimento da verdade é um homem livre, porém o homem livre não
peca, pois "aquele que peca é escravo do pecado" (Jo 8:34). A verdade é a mãe, o
conhecimento o pai.
Aqueles que pensam que o pecado não se aplica a eles são chamados de "livres" pelo
mundo.
"Conhecimento" da verdade "torna estas pessoas meramente arrogantes," que é o que as
palavras "os tornam livres" significam. Isto lhes dá um sentimento de superioridade sobre
todo o mundo.
Mas "o amor constrói" (1 Co 8:1). Na verdade, aquele que, por meio do conhecimento, é
realmente livre, torna-se um escravo, devido ao amor por aqueles que não foram ainda
capazes de alcançar a liberdade do conhecimento. O conhecimento torna-os capazes de
serem-se livres. O amor (nunca chama) algo de seu, ( ... ) ele ( ... ) possui ( ... ). Ele nunca
(diz, "Isto é seu") ou "Isto é meu," (mas, "Tudo isto) é seu." O amor espiritual é vinho e
fragrância. Todos que com ele se ungem se deleitam nisto. Enquanto aqueles que foram
ungidos estiverem presentes, os que estão por perto também se aproveitam (da fragrância).
Porém, quando os que foram ungidos com o ungüento se retirarem, deixando-os, então
aqueles que não foram ungidos, mas estavam meramente por perto, permanecerão em meio
a seu mau odor. O samaritano não deu ao homem ferido nada mais do que vinho e óleo. Isto
nada mais é do que o ungüento, que cura as feridas, pois "o amor cobre inúmeros pecados"
(1 Pe 4:8).
As crianças que uma mulher dá a luz se parecem com o homem que a ama. Se o seu marido
a ama, então eles se parecem com seu marido. Se este for um adúltero, então elas se
parecerão com o adúltero. Com freqüência, se uma mulher (adúltera) se deita com seu
marido por conveniência, enquanto seu coração está com o amante, com quem ela
geralmente tem relações, a criança que ela terá nascerá parecendo-se com o adúltero.
Portanto, vós que viveis com o Filho de Deus, não ameis o mundo, mas sim o Senhor, para
que os filhos que vierdes a engendrar não se parecem com o mundo, mas com o Senhor.
O ser humano tem relação sexual com um ser humano. O cavalo com um cavalo, um
jumento com um jumento. Membros de uma raça geralmente se associam (com) pessoas da
mesma raça. Assim o Espírito se mistura com o Espírito, o pensamento se relaciona com o
pensamento, e a (luz) compartilha (com a luz. Se) nasceres como um ser humano, será (um
ser humano) que te amará. Se te tornares (um espírito), será o Espírito que se unirá a ti. Se
te tornares pensamento, será o pensamento que se associará contigo. Se te tornares luz, é a
luz que compartilhará contigo. Se te tornares um daqueles que pertencem ao alto, são
aqueles que pertencem ao alto que repousarão em ti. Se te tornares um cavalo, um jumento,
um touro, um cão, uma ovelha ou qualquer outro animal que estão fora ou embaixo, então,
nenhum ser humano, espírito, pensamento ou luz será capaz de amar-te. Nem os que
pertencem ao alto nem os que pertencem ao interior serão capazes de repousar em ti, e não
terás parte deles.
Aquele que é escravo contra o seu desejo será capaz de tornar-se livre. Aquele que se
tornou livre devido ao favor de seu mestre, e depois vendeu-se como escravo novamente,
não será mais capaz de ser livre.
A agricultura no mundo requer a cooperação de quatro elementos essenciais. A colheita
será reunida no celeiro somente se houver a ação natural da água, da terra, do vento e da
luz. A agricultura de Deus, da mesma forma, é baseada em quatro elementos: fé, esperança,
amor e conhecimento. A fé é a terra em que fincamos raiz. A esperança é a água por meio
da qual somos nutridos. Amor é o vento por meio do qual crescemos. O conhecimento,
então, é a luz, por meio da qual (amadurecemos). A graça existe de (quatro maneiras: ela é)
nascida da terra, é (celestial, ... ) do mais alto céu, ( ... ) no ( ... ).
Bem aventurado é aquele que em nenhuma ocasião causou a uma alma ( ... ). Esta pessoa é
Jesus Cristo. Ele foi a toda parte e não prejudicou ninguém. Portanto, bem aventurado é
aquele que age desta forma, porque é um homem perfeito. Pois a palavra nos diz que este
tipo de homem é dificil de encontrar. Como seremos capazes de realizar uma coisa tão
nobre? Como esta pessoa dará consolo a todos? Acima de tudo, não é apropriado causar
tristeza a ninguém - seja importante ou modesto, crente ou sem crença - dando, então,
consolo somente àqueles que se comprazem em boas ações. Alguns acham vantajoso
proporcionar auxílio aos que fazem o bem. Aquele que faz boas ações não pode auxiliar tais
pessoas, pois não se apega ao que gosta. Porém, é incapaz de causar tristeza, já que não
aflige a ninguém. Na verdade, aquele que faz o bem, às vezes, causa tristeza aos outros --
não que seja sua intenção fazer isto -- ao contrário, é a própria maldade dos outros que é
responsável pela tristeza que sentem. Aquele que tem as qualidades (do homem perfeito)
confere alegria aos bons. Algumas pessoas, no entanto, sentem-se terrivelmente aflitas com
tudo isto.
Havia um chefe de família que tinha todas as coisas imagináveis: filhos, escravos, gado,
cachorros, porcos, milho, cevada, palha, pastagens, ( ... ), carne e bolotas . (Ele era, porém,)
uma pessoa sensata e conhecia o alimento de cada um. Servia pão às crianças ( ... ). Servia
farinha aos escravos ( e ... ). Lançava cevada, palha e capim ao gado. Dispensava ossos aos
cachorros e bolotas e lavagem aos porcos. O mesmo ocorre com o discípulo de Deus: se ele
for uma pessoa sensata compreende as necessidades do discipulado. As formas corporais
não o enganarão, e ele examinará a condição da alma de cada um falando de acordo.
Existem muitos animais no mundo que se apresentam de forma humana. Quando o
discípulo os indentifica, lança bolotas aos porcos, cevada, palha e capim ao gado, ossos aos
cães. Aos escravos proporcionará somente as lições elementares, às crianças oferecerá a
instrução completa.
Existe o Filho do Homem e o filho do Filho do Homem. O Senhor é o Filho do Homem, e o
filho do Filho do Homem é aquele que cria por meio do Filho do Homem. O Filho do
Homem recebe de Deus a capacidade para criar. Ele também tem a capacidade para gerar.
Aquele que recebeu a habilidade para criar é uma criatura. Aquele que recebeu a habilidade
para gerar é um descendente.
Aquele que cria não pode gerar. Aquele que gera não tem o poder de criar. É dito, no
entanto, "Aquele que cria gera." Mas, a sua denominada "prole" é meramente uma criatura.
Por causa da ( ... ) do nascimento, eles não são seus descendentes mas ( ... ). Aquele que
cria trabalha abertamente e é visível. Aquele que gera o faz (em privacidade), ficando
escondido, já que ( ... ) imagem. Da mesma forma, aquele que cria (o faz) abertamente.
Mas, o que gera (engendra) os filhos em privacidade. Ninguém (pode) saber quando (o
marido) e a esposa têm relações sexuais, a não ser os dois. Realmente, o casamento no
mundo é um mistério para os que assumiram uma esposa. Se existe uma qualidade oculta
no casamento da corrupção, maior ainda será o verdadeiro mistério do matrimônio não
profanado! Ele não é carnal mas puro. Não pertence ao desejo mas à vontade. Não pertence
à escuridão nem à noite, mas ao dia e à luz. Quando um casamento está aberto ao público,
tornou-se prostituição, e a noiva faz o papel de prostituta não só quando é inseminada por
outro homem, mas ainda quando sai de seu quarto e é vista. Ela só deve mostrar-se a seu
pai, sua mãe, ao amigo do noivo e aos filhos do noivo. A estes é permitido entrar todos os
dias na câmara nupcial. Aos outros resta simplesmente ansiar por ouvir a voz da noiva e
deleitar-se com seu bálsamo. Eles que se alimentem das migalhas que caem da mesa, como
os cães. O noivo e a noiva pertencem à câmara nupcial. Ninguém poderá ver o noivo e a
noiva, a menos que (torne-se) um com eles.
Quando Abraão ( ... ) que ele veria o que devia ver, (ele cortou) a carne do prepúcio,
ensinando-nos que é apropriado destruir a carne.
(A maior parte das coisas) no mundo, enquanto suas (partes internas) estão ocultas, ficam
de pé e vivem. (Se são reveladas), morrem, como é ilustrado pelo homem visível:
(enquanto) os intestinos do homem estão escondidos, o homem está vivo; quando seus
intestinos são expostos e saem de dentro dele, o homem morre. O mesmo ocorre com a
árvore: enquanto a raiz está escondida ela brota e cresce. Se suas raizes são expostas, a
árvore seca. Assim ocorre com todo nascimento no mundo, não só com o revelado, mas
(também) com o oculto. Porque enquanto a raiz da maldade está escondida, esta permanece
forte. Mas quando é reconhecida ela se dissolve. Quando é revelada ela morre. É por isto
que a palavra disse: "O machado já está posto à raiz das árvores"
(Mt 3:10). Ele não só cortará -- o que é cortado brota outra vez -- mas o machado penetra
profundamente até trazer a raiz para fora. Jesus arrancou inteiramente a raiz de todas as
coisas, enquanto outros só o fizeram parcialmente. Quanto a nós, que cada um cave em
busca da raiz do mal que está dentro de si, e que ela seja arrancada do coração de cada um
pela raiz. Ela será arrancada se nós a reconhecermos. Mas se a ignorarmos, o mal se
enraizará em nós e produzirá seus frutos em nosso coração. Ele nos dominará. Seremos
seus escravos. Ele nos mantém cativos, para que façamos o que não queremos e não
façamos o que queremos. Ele é poderoso porque nós não o reconhecemos. Enquanto
(existe) permanece ativo. A ignorância é a mãe de (todos os males). A ignorância resultará
na (morte, porque) aqueles que vivem na ignorância não foram, não (são) nem serão. ( ... )
será perfeito quando toda a verdade for revelada. Porque a verdade é como a ignorância:
enquanto está escondida repousa em si mesma, mas quando é revelada e reconhecida, passa
a ser louvada porque é mais forte do que a ignorância e o erro. Ela dá liberdade. A Palavra
disse, "Se conhecerdes a verdade, a verdade vos libertará" (Jo 8:32). A ignorância é uma
escrava. Conhecimento é liberdade. Se conhecermos a verdade, encontraremos os frutos da
verdade dentro de nós. Se nos unirmos com ela, nos trará a plenitude.
No momento temos as coisas manifestadas da criação. Dizemos, "Os fortes que são tidos
em alta estima são grandes indivíduos. E os fracos que são desprezados são os obscuros."
Contraste esta situação com as coisas manifestas da verdade: elas são fracas e desprezadas,
enquanto as coisas ocultas são fortes e tidas em alta estima. Os mistérios da verdade são
revelados, ainda que por meio de modelos e imagens. A câmara nupcial, no entanto,
permanece oculta. É o santo do santo.
O véu inicialmente ocultava (a forma) como Deus controla a criação, mas quando o véu é
rasgado e as coisas interiores são reveladas, esta casa ficará desolada, ou melhor, será
(destruída). E toda a deidade (inferior) fugirá daqui, mas não para os santos (dos) santos,
porque não será capaz de se misturar com a (luz) pura e com a plenitude (perfeita), mas
para baixo das asas da cruz (e debaixo) de seus braços. Esta arca será (sua) salvação quando
a enchente das águas surgir sobre eles. Se alguns pertencem a ordem sacerdotal, serão
capazes de retirar-se para dentro do véu com o sumo sacerdote. Por esta razão o véu não se
rasgou somente no alto, pois neste caso estaria aberto somente para os do alto; nem foi
rasgado somente em baixo, pois neste caso teria sido revelado somente para os de baixo.
Mas foi rasgado de alto a baixo. Aqueles acima abriram para nós as coisas abaixo, para que
pudéssemos penetrar o segredo da verdade. Isto realmente é o que é tido em alta
consideração (e) que é forte! E iremos lá por meio de modelos inferiores e formas de
fraqueza. Eles são realmente inferiores quando comparados com a glória perfeita. Há uma
glória que ultrapassa a glória e um poder que ultrapassa o poder. Portanto, as coisas
perfeitas se abriram para nós, juntamente com as coisas ocultas da verdade. O santo dos
santos foi revelado, e a câmara nupcial nos convida a entrar.
Enquanto ela estiver escondida, a fraqueza é realmente ineficaz, pois ela não foi removida
do âmago da semente do Espírito Santo. Eles são escravos do mal. Mas, quando ela for
revelada, então, a luz perfeita vai brilhar sobre todos. E todos os que estiverem em seu bojo
(receberão a crisma). Então, os escravos serão libertados, (e) os cativos serão resgatados.
"(Toda) planta (que) meu pai que está nos céus (não tiver) plantado será arrancada" (Mt
15:13). Aqueles que estiverem separados se unirão ( ... ) e serão preenchidos. Quem (entrar)
na câmara nupcial vai acender a (luz), porque ( ... ) assim como nos casamentos que são ( ...
) acontece a noite. Aquele fogo ( ... ) só de noite é apagado. Mas, por outro lado, os
mistérios daquele casamento são aperfeiçoados de dia e sob a luz. Nem aquele dia nem sua
luz jamais terminam. Se alguém tornar-se um filho da câmara nupcial, este receberá a luz.
Se alguém não recebê-la enquanto estiver aqui, não será capaz de recebê-la no outro lugar.
Quem receber aquela luz não será visto, nem poderá ser detido. E ninguém será capaz de
atormentar uma pessoa como aquela, mesmo quando ela estiver vivendo no mundo. E
também, quando se retirar do mundo, ela já terá recebido a verdade em imagens. O mundo
tornou-se o reino (eon) eterno, porque o reino eterno é a plenitude para ela. E isto ocorre
desta forma: é revelado a ela sozinha, não escondido na escuridão e à noite, mas escondido
num dia perfeito e sob a luz sagrada.